Josh Howar | Fábio Sormani

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quarta-feira, 29 de abril de 2009 NBA | 11:29

LÓGICA TEXANA

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Eu já disse aqui neste botequim: não fosse a contusão de Josh Howard, que perdeu 30 partidas da fase de classificação, e o Dallas teria feito uma campanha muito melhor do que seu sexto lugar.

O time é muito melhor do que a posição sugere.

Ganhou em qualidade com a contratação do técnico Rick Carlisle. Inegavelmente superior a Avery Johnson, o treinador de campanhas passadas.

Com Carlisle à frente do time, o Dallas deixou de ser uma equipe dependente de apenas um jogador para se transformar em um time coeso, solidário. Foi assim que o Mavericks eliminou o San Antonio neste confronto texano.

Os 106-93 de ontem na cidade do Álamo foram incontestáveis.

O temor em San Antonio é que a eliminação, dentro do AT&T Center, não se torne fato corriqueiro. Ou vocês se esqueceram que foi também no ginásio do Spurs que o Dallas eliminou seu rival regional nas semifinais do Oeste nos playoffs de 2006?

“Eles tiveram mais poder de fogo do que nós”, admitiu Tim Duncan, depois da partida. “Eles jogaram mais do que a gente”.

Declaração equilibrada e cavalheira de um jogador equilibrado e cavalheiro.

Foi exatamente isso o que aconteceu: o Dallas sempre foi superior ao San Antonio neste confronto.

E mostrou-se, como disse na abertura do nosso bate papo, um time equilibrado. Vejam o que disse o técnico Carslile: “Penso que Howard foi provavelmente nosso MVP nesta série. Ele jogou muito”.

Apesar do equilíbrio, há sempre alguém a se destacar, isso é normal. Mas, pergunto: seria possível imaginar um cenário desses em temporadas passadas?

Penso que não, pois Dirk Nowitzki sempre foi o centro das atenções do Dallas.

Ontem, o alemão jogou muito, é verdade. Deixou a quadra com 31 pontos e foi o cestinha não só do time, mas da partida também.

Howard fez 17 pontos, mas apanhou oito rebotes e fez três desarmes.  Erick Dampier – chamado jocosamente de “Ericka” por Shaquille O´Neal – foi o único atleta em quadra a fazer um “double-double”: 11 pontos e 12 rebotes. Jason Kidd anotou 12 pontos, J. J. Barea fez 10 e Jason Terry, o melhor reserva desta temporada, veio do banco e adicionou mais 19 pontos.

Como se vê, nada menos do que seis jogadores com um duplo dígito na pontuação.

Equilíbrio; este foi o segredo do Dallas nesta série, repito. Se continuar assim, dará muito trabalho ao Denver, que esta noite deverá eliminar o New Orleans (23h30 de Brasília).

LÓGICA

A eliminação do San Antonio seguiu a lógica. O alvinegro, sem Manu Ginobili, contundido no tornozelo, não era mesmo páreo para uma equipe em franca evolução como o Dallas.

Ontem, o time sofreu uma vez mais da inanição ofensiva de seus atores secundários. Enquanto Tim Duncan (30) e Tony Parker (26) anotaram juntos 56 pontos, os demais jogadores fizeram, somados, 37 tentos.

Dá para ganhar assim? Claro que não.

Roger Mason Jr., por exemplo, foi um jogador na fase de classificação; outro nos playoffs. Não conseguiu ser o “key factor” de momentos decisivos, como aconteceu contra o Phoenix, no dia de Natal, lembram-se?

Gregg Popovich vai ter trabalho nesta “off-season”. Precisa ver se Manu consegue recuperar a saúde e procurar jogadores para dar o suporte necessário para Timmy e Paker.

Caso contrário, pensar em títulos não passará de um sonho distante.

PROBLEMA

Depois de ter recuperado a vantagem de quadra ao bater o Philadelphia fora de casa, o Orlando voltou empavonada para a Flórida e venceu o Sixers com facilidade: 91-78.

Dwight Howard foi o nome do jogo. E por dois motivos: 1) Terminou a partida com 24 pontos e incríveis 24 rebotes (dez de ataque); 2) Deu uma cotovelada em Sam Dalembert no segundo quarto que pode custar-lhe uma suspensão de uma partida.

Esta foi a terceira vez que eu presenciei Howard tendo problemas com seus marcadores. A primeira foi diante de Pau Gasol, em Los Angeles, a segunda contra o nosso Nenê, em Denver; e agora a de ontem.

O que existe em comum entre Gasol, Nenê e Dalembert? Os três são estrangeiros.

Seria xenofobia de Howard ou apenas coincidência?

Espero que a alternativa “b” seja a correta, pois discriminação é algo repugnável, repulsivo, condenável, nojento, enfim, tudo o que de ruim passar pela sua cabeça.

RODADA

O Portland continua vivo na série diante do Houston. Venceu por 88-77 e diminuiu a diferença dos texanos, agora em 3-2. Os dois times voltam a se enfrentar amanhã no Toyota Center, lar do Rockets.

Se os anfitriões confirmarem o favoritismo, avançam para as semifinais do Oeste e serão adversários do Lakers, que sovou o Utah. Alcançará a classificação mesmo sem poder contar com seu principal jogador: Tracy McGrady.

Ou será que vai se qualificar exatamente porque T-Mac está de fora? Como se sabe, o jogador jamais conseguiu passar da primeira rodada dos playoffs.

Os supersticiosos de plantão rezam para que McGrady não consiga uma recuperação milagrosa.

É a vida.

Enquanto isso, novamente o Chicago deixou escapar em Boston mais uma vitória. Se tivesse obtido-a, teria pulado ele, e não o Celtics, na frente em 3-2 nesta que é a série mais emocionante até o momento nestes playoffs.

Nada menos do que três dos cinco jogos precisaram de prorrogações. Ontem foi mais um deles.

Como disse, o Bulls deixou a vitória escorregar por entre os dedos. Além de Kevin Garnett, ausente por contusão, Ray Allen foi eliminado do jogo com seis faltas a 5:26 minutos do final.

Naquele momento o Chicago estava na frente em 83-80. Chegou a vencer por 89-84, mas não sustentou a vantagem e bater um advesário debilitado.

Na prorrogação, uma bola dupla de Paul Pierce a dois segundos do fim do jogo colocou o Celtics na frente em 106-104 e o Bulls não conseguiu provocar a segunda prorrogação.

Time jovem, com potencial, mas inexperiente e com treinador jovem, inexperiente e sem potencial.

 

Notas relacionadas:

  1. VAREJÃO ANULA NOWITZKI DENTRO DE DALLAS
  2. NÚMEROS QUE ENGANAM
  3. A HORA DO PALPITE
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,