UM TIME SURPREENDENTE
Antes de o jogo começar, Jamal Crawford recebeu merecidamente o troféu de melhor reserva desta temporada. Votação, aliás, que colocou nosso Anderson Varejão na terceira posição e é claro que nos deixou orgulhosos por isso.
A festa de Jamal, não entanto, não se completou. Quase três horas depois de ter levantado o prêmio para os 19.304 torcedores que lotaram a Philips Arena de Atlanta e de ter posado para fotos para a posteridade, o jogador deixou a quadra derrotado. O Hawks acabou surpreendido pelo Milwaukee por 91-87 e depois de ter feito 2-0 na série, tomou uma virada e agora perde por 3-2.
O próximo jogo está marcado para amanhã, às 20h de Brasília, no Target Center de Milwaukee. Nova vitória do Bucks e o confronto chega ao fim, o que colocaria o time do novato Brandon Jennings (Foto AP) na semifinal diante do Orlando, que bateu o Charlotte por 4-0.
Jennings que eu acho será o “rookie of the year” desta temporada, especialmente por conta do que o Milwaukee faz nestes playoffs. Mas, a meu ver, Tyreke Evans foi mais jogador do que o armador de Wisconsin na temporada regular — e é ela é que tem que contar; os playoffs não podem ser levados em conta, pois é isso o que diz o regulamento. Mas isso sempre acaba ocorrendo.
Jennings que teve sangue frio de veterano ao encestar quatro lances livres e fazer o último quarteto de pontos do Milwaukee, confirmando a vitória dos forasteiros.
Um complemento à juventude de Brandon foi o que fez o veteraníssimo Kurt Thomas a 2:15 minutos do fim do cotejo. O Atlanta vencia por 82-81. Joe Johnson, sabidamente o melhor jogador do Hawks, rumava para a cesta adversária. Foi então que Thomas apareceu com seu corpanzil, impedindo a ação do adversário e provocando a sexta falta do atleta.
Mas o que foi crucial para que o Milwaukee vencesse a peleja foi uma corrida de 14-0 feita a partir dos 4:09 minutos do final do jogo até 31 segundos da buzinada final. Nesse período de 3:42 minutos, essa estiagem do Atlanta foi catastrófica. O time vencia por 82-73 e viu o oponente chegar a 87-82.
E sabem quem liderou essa corrida? John Salmons. O ex-armador do Chicago anotou nada menos do que oito pontos e uma bola de três importantíssima, da meia direita do ataque do Bucks, baixando a vantagem do Atlanta para apenas quatro pontos, enchendo de desejos e fortalecendo ainda mais o moral do grupo.
Outra jogada emblemática foi um rebote que Ersan Ilyasova pegou a 1:21 minuto do fim, após um erro num arremesso de Jennings. O turco fisgou o ressalto, tocou a bola para Carlos Delfino e o argentino, da ponta esquerda, hesitou levemente, mas mandou um certeiro arremesso triplo, colocando o Milwaukee na dianteira em quatro pontos (86-82), fechando a corrida em 14-0.
O Atlanta lutou demais, empurrado pelos torcedores. Foi dono das jogadas mais bonitas da noite, com enterradas espetaculares de Al Horford (cestinha do jogo ao lado de Brandon com 25 pontos cada um) e principalmente de Josh Smith (um dos caras que melhor enterram na NBA, concordam?), mas a eficiência ficou mesmo com o time visitante.
E tudo isso sem Andrew Bogut. O australiano, para quem não sabe, está lesionado e só retorna na próxima temporada. Sem Bogut, confesso, não esperava por isso; com Bogut, já disse, acreditava nesta surpresa.
Vamos ver se ela se confirma amanhã.
QUOTES
“De longe, esta foi a maior vitória desta temporada” — John Salmons
“Foi uma baita jogada” — Scott Skiles, treinador do Bucks, sobre o rebote pego por Ersan Ilyasova e a cesta de três anotada por Carlos “El Lancha” Delfino.
“Foi nosso melhor jogo em toda a temporada, pois trata-se de playoff” — Brandon Jennings.
“Felizmente eu me posicionei corretamente, fora do semicírculo e acabei provocando a falta de ataque [de Joe Johnson]” — Kurt Thomas sobre a penalidade que eliminou o melhor jogador do Atlanta da partida, a 2:15 minutos do final.
VIVO
O Denver bateu o Utah por 116-102. Não foi fácil como o placar sugere. Ou melhor, o primeiro tempo do jogo foi muito igual. No segundo o time da casa deslanchou com um 66-50 e venceu a contenda para se manter vivo na série, que agora marca 3-2 para o Jazz.
O próximo jogo está agendado para amanhã, às 23h de Brasília, em Salt Lake City. Uma vitória do time da casa e ele faz 4-2 e avança para as semifinais do Oeste. Pra você que gosta de estatística, o Utah tem 7-0 nos confrontos em que ele abre 3-1. E é o caso desta série.
A vitória aconteceu, é importante, dizer, porque o Denver não jogou um basquete egoísta. Jogou como um time. E quando eu falo em egoísmo é evidente que eu me refiro a Carmelo Anthony.
Ao contrário das 489 bolas que ele costuma arremessar por partida, ontem Melo chute apenas 19. Encestou só sete (36.8%), mas teve o chamado “semancol”. Visitou 15 vezes a linha do lance livre e embiroscou 12 de seus arremessos. Terminou a partida com 26 pontos e foi o artilheiro do time.
Gostei, que seja assim amanhã à noite se o Denver quiser continuar seu devaneio com os playoffs.
Outro fominha do time, JR Smith, fez só nove arremessos nos 31 minutos em que jogou. Foram suficientes, pois ele acertou cinco, quatro deles de três pontos. Fez, no total, 17 tentos e ajudou demais.
Outro esfomeado, Chauncey Billups, mandou 13 bolas contra o aro do Utah. Esteve bem, acertou seis. Anotou no total 21 pontos.
Kenyon Martin deixou 18 pontos na rede adversária, Aaron Aflalo, 12, e Chris Anderson outros 10. Foram os seis jogadores do Nuggets a terminar a partida com duplo dígito na pontuação. O Nuggets portou-se como um time, já disse e os números estão a meu lado.
Como falei anteriormente, que assim seja amanhã se o Denver quiser continuar sonhando com as semifinais do Oeste.
NENÊ
Você quer saber como foi Nenê Hilário na contenda? Não foi. Infelizmente, o brasuca se contundiu quando faltavam cinco minutos para o final do primeiro tempo. Foi em uma jogada casual, em que Carlos Boozer atingiu o joelho esquerdo do são-carlense, provocando o entorse.
Saiu do jogo e não voltou mais. Até então, tinha anotado dois pontos, duas assistências e um rebote.
Hoje Nenê (Foto Reuters) fará exames detalhados no local para avaliar a extensão da lesão. Mas é certo que nesta série ele não joga mais. Quem sabe, se o Denver se classificar, para a próxima, mas pessoas ligadas ao jogador disseram que nem isso deverá ocorrer.
Foi a primeira contusão do brasuca na temporada.
Que coisa!
(Será que teremos novamente Nenê fora da seleção brasileira?)
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Brandon Jennings, Carlos Delfino, Carmelo Anthony, Jamal Crawford, John Salmons, Kurt Thomas, Nenê Hilário


SARGENTÃO









