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17/11/2009 - 12:13

O MULEKE É APENAS UM MENINO

O muleke é peitudo, não tem medo de cara feia, não sente pressão, gosta de se arriscar, já é líder do time, mas… ainda carece amadurecer.

Falo de Brandon Jennings. Quem viu o jogo de ontem diante do Dallas há de concordar comigo.

Jennings (foto Reuters) teve a bola do jogo em duas oportunidades: ao final do tempo normal e ao final da prorrogação. Falhou nos dois momentos.JENNINGS

Resultado: o Bucks perdeu uma partida (115-113) que poderia ter vencido.

Do outro lado, Dirk Nowitzki, o alemão matador do Mavs, quando teve sua chance, não negou fogo. Esta é uma das diferenças entre homens e meninos.

Dirk = homem.

Jennings = menino.

ERRO

Onde foi que Brandon Jennings errou?

Foram dois erros.

O primeiro, perdoável. A um segundo do final do tempo normal, com o placar igual em 104 pontos, o muleke tentou matar o jogo com uma bola de três pontos, mas falhou.

Poderia ter buscado a infiltração ou o arremesso mais curto, próximo à redinha adversária, mais seguro, portanto, e com mais chances de a bola cair. Mas não: optou pelo tiro longo, mais arriscado; falhou, mas é do jogo.

O segundo… Bem, no segundo faltou-lhe tutano e maturidade para ludibriar a defesa adversária e deixar para que um companheiro decidisse.

Faltavam três segundos para o final da prorrogação e o jogo empatado novamente, agora em 113 tentos. Foi então que Jennings lascou outra pedrada tripla contra o aro texano; falhou novamente.

Poderia ter deixado para um companheiro decidir. Estava muito na cara que ele seria o responsável pelo ato derradeiro.

O turco Ersan Ilyasova estava muito bem no jogo. A bola deveria ter sido dada a ele, mas não foi.

ATENUANTE

Pode ser que o técnico Scott Skiles tenha armado a jogada para que Brandon Jennings decidisse. Mas o muleke poderia ter observado ao treinador: “Coach, ta na cara que a jogada será armada para eu decidir. Não seria melhor o Ersan definir?

Mas para fazer isso ele precisaria de mais maturidade. E isso ele ainda não tem.

O que é normal e compreensível.

Portanto, vamos devagar com o andor. Jennings mostra que tem muito potencial, é peitudo não tem medo de cara feia, não sente pressão, gosta de se arriscar, já é líder do time, mas… ainda carece amadurecer.

É fortíssimo candidato ao ROY desta temporada — se não for o mais forte de todos.

Mas ainda é um menino.

OTTrail Blazers Hawks Basketball

Não foi apenas o jogo de Wisconsin que terminou necessitando de um tempo adicional. O mesmo aconteceu na Georgia; e lá também foi emocionante.

O armador Joe Johnson tinha acabado de acertar seus dois lances livres e levado o marcador a 85-82 em favor do Atlanta. Mas o Blazers tinha Rudy Fernandez.

Com muita frieza, o espanhol bateu o lateral bola, recebeu a pelota de volta, saiu da marcação e mandou um balaço certeiro: bingo!

Jogo igual em 85 pontos; prorrogação.

No tempo extra, Johnson (foto AP) anotou oito de seus 35 pontos e marcou a vitória com o carimbo do Atlanta: 99-95.

CONCLUSÃO

Rudy Fernandez = homem

Joe Johnson = homem

Brandon Jennings = menino

ESTRÉIAS

No último jogo da noitada de ontem, o Charlotte estreou Stephen Jackson, que foi trocado com o Golden State por Raja Bell e Vladimir Radmanovic — Rad talvez seja o maior mico da NBA na atualidade.

Jackson foi muito mal: 4-14 nos arremessos; 1-4 nas bolas de três. Anotou 13 pontos.

Ajudou, no entanto, nos rebotes: nove.

A troca foi boa para o Cats. Jackson tem lenha da boa para queimar.

A derrota de ontem para o Orlando por 97-91 é perfeitamente aceitável, dada a diferença entre as duas equipes.

AIAh, sim: o Magic estreou na temporada Rashard Lewis, que estava suspenso por doping. Lewis atuou por 34 minutos; seus números: 10 pontos (0-6 nas bolas de três, seu cartão de visita), dois rebotes, uma assistência, um desarme, nenhum toco, três erros e cinco faltas.

Normal.

FIM

Aconteceu o que todos esperavam: Allen Iverson, 34, divorciou-se do Memphis. Depois de três partidas com a camisa 3 do time do Tennessee, acabou o idílio — se é que um dia existiu.

Triste fim deste que foi um dos maiores jogadores de basquete que vi jogar. Ao vivo e pela televisão.

(Acima, uma de suas poucas imagens com a camisa do Memphis em foto AFP)

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA Tags: , , , , , ,
02/11/2009 - 12:14

A NOITADA DE MELO E NENÊ

Carmelo AnthonyO Denver construiu ontem à noite sua terceira vitória na temporada. Bateu o Memphis por 133-123; não foi fácil.

O time do Tennessee vendeu caro a vitória. OJ Mayo esteve impossível em quadra: anotou 40 pontos para o Grizzlies; poderia ter roubado a vitória do Denver.

É, mas do outro lado havia Carmelo Anthony. O ala do Denver marcou nada menos do que 42 pontos e comandou o time colorado.

Melo é o cestinha do campeonato até o momento com uma média de 37.7 pontos por jogo! Muita coisa.

Nas três partidas disputadas até agora, sua menor produção foi na contenda de estréia, quando marcou “apenas” 30 pontos frente ao Utah. Na sequência, anotou 41 contra o Portland, fora de casa — e fez 42 ontem, como vimos.

ECO

É claro que a vitória do Denver não se resumiu aos 42 pontos de Carmelo Anthony. Seu jogo reverberou em seus companheiros.

Outros quatro atletas do Nuggets terminaram a partida com um duplo dígito na pontuação. A saber: Chauncey Billups 22, Nenê Hilário 18, Kenyon Martin 16 e Chris Andersen 12.

Mais do que isso: o Denver foi um time solidário em quadra. Fez 36 assistências contra 27 do Memphis.

BRASUCA

Nenê realizou uma grande partida. Não apenas pelos 18 pontos marcados, mas também pelo seu aproveitamento nos arremessos: acertou os seis tentados (100%).

Além disso, apanhou nove rebotes e deu seis assistências. Quase um “triple-double”? Não, ficou um pouco longe.

Mas quase saiu mais cedo do jogo: cometeu cinco faltas. Nenê precisa resolver esta questão, pois, como sempre digo, ele é importante para o time em quadra e não sentado no banco.

DEFESA

Kobe Bryant fez 41 pontos na vitória do Lakers diante do Atlanta por 118-110. Mas o nome do jogo foi Ron Artest.

Phil Jackson, ao ver Joe Johnson anotar 18 pontos no primeiro quarto do jogo, chamou Artest e disse que ele teria que conter o avanço inimigo.

Não deu outra: nos três quartos seguintes, com Artest fungando no cangote, JJ anotou apenas nove pontos.

E assim o Lakers construiu sua segunda vitória na competição.

Se alguém tinha dúvida se a troca de Artest por Trevor Ariza foi boa ou não, creio que depois do que foi mostrado ontem no Staples Center de Los Angeles essa dúvida dissipou-se.

VITÓRIA

Vocês se lembram do Toronto, que na segunda rodada deu uma sova no Cleveland em seu Air Canadá Centre? Pois bem: ontem, no mesmo palco, o Orlando, outro dos favoritos ao título, foi lá e venceu.

E mesmo sem Vince Carter, lesionado no tornozelo.

A vitória tem que ser creditada para os armadores do time: Jameer Nelson e JJ Redick. O primeiro fez 30 pontos, o segundo, 27.

Ah, sim, o Orlando jogou não apenas sem Carter, mas também sem Rashard Lewis, que segue suspenso pela NBA.

Quando esses quatro estiverem ao mesmo tempo em quadra, sai debaixo.

Os que apontaram o Orlando como um dos favoritos ao título do Leste, esfregam as mãos neste momento. O Magic, realmente, encanta com seu jogo sólido e equilibrado.

ROTINA

Boston Celtics

O Boston venceu novamente. Chegou a seu quarto triunfo nesta temporada, onde permanece invicto.

Diante dos fãs em seu TD Garden, o Celtics impôs-se ao New Orleans ao fazer 97-87.

Deem uma olhada nas pontuações: Paul Pierce 27, Ray Allen 17, Kevin Garnett 14 e Kendrick Perkins e Rasheed Wallace com 12 pontos cada um.

Podemos chamar isso de socialismo alaranjado?

Creio que sim.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
13/11/2008 - 13:04

CUIDADO COM O FALCÃO

O Atlanta perdeu a invencibilidade ontem à noite. Mas deixou claro que seu início nesta temporada (6-0) não aconteceu por acaso.

A equipe quase venceu o Celtics fora de casa. Um arremesso de Paul Pierce (foto AP, no momento do arremesso) a 0.5 segundo do final da partida deu a vitória ao Boston por 103-102 num dos mais lindos jogos desta temporada – senão “o” mais lindo.

O Hawks joga que dá gosto de ver. E olha que ontem atuou novamente sem seu ala/pivô Josh Smith, que continua machucado no tornozelo. A impressão que fica é que se tivesse completinho da silva, poderia ter vencido a partida.

Os tiros de três quase quebraram o Celtics. A defesa alviverde – a melhor da NBA – não soube como controlar a artilharia adversária. Foram 13-22, num ótimo aproveitamento de 59.1%. Em contrapartida, o Boston acertou apenas cinco de suas 24 tentativas, num acanhado desempenho de 20.8%.

O último desses chutes longos do Atlanta, realizado por Marvin Williams, a 7.4 segundos do final, petrificou os 18.624 torcedores que ocuparam todas as cadeiras do TD Banknorth Garden a 7.4 segundos do final.

Mas, como escrevi acima, Paul Pierce, o falastrão, mostrou que é bom não só de garganta, mas jogando também: recebeu a bola de Kevin Garnett e no perímetro realizou o arremesso mortal para o falcão da Georgia.

A VERDADE

Quando tem que ser, tem que ser, não adianta. O lateral bola veio de Ray Allen para Kevin Garnett, que estava sendo marcado por Al Horford. Paul Pierce, que tinha Joe Johnson em seus calcanhares, recebeu e Johnson (2m01 de altura) ficou no corta-luz de KG. Horford sobrou na marcação de Pierce. Perfeito. Com seus 2m08 de altura e agilidade, pensei rapidamente: The Truth, mesmo tamanho de Johnson, não vai conseguir arremessar com conforto e vai errar.

Não errou.

Pierce fez 34 pontos, 23 deles no segundo tempo. Se o Celtics mostrou fraqueza nos lances de três, não foi por causa de seu camisa 34, que acertou três em sete arremessos. Nos lances livres, acertou 15 em 16.

Como disse o técnico Mike Woodson, do Atlanta, “grandes jogadores fazem grandes arremessos”.

SOLITÁRIO

Com a derrota do Atlanta, sobrou apenas um invicto nesta temporada: o Lakers. Os amarelinhos – que ontem jogaram de roxo, como fazem “on the road” – fizeram um jogo muito bom diante do New Orleans.

Mesmo atuando na terra do jazz, o Lakers dominou o adversário – que nunca liderou o jogo –, apesar do apagão do último quarto, quando viu uma diferença favorável de 21 pontos quase escapar por entre os dedos. Ela foi conquistada quando faltavam 11:57 minutos para o final, depois de Sasha Vujacic acertar dois lances livres e decretar: 73-52.

O Hornets, a partir daí, realizou uma corrida alucinada de 28-10 e na cesta de dois de Chris Paul fez a vantagem do oponente despencar para três pontos: 83-80. Faltava 1:32 minuto para o final. Foi então que o Lakers mostrou que é o Lakers: foi ele, desta vez, que fez uma corrida decisiva, marcou 10-6 e fechou a partida em 93-86.

O recorde, agora, é de 7-0, apesar da compreensível irritação de Phil Jackson ao final da partida.

DISCRETO

Kobe Bryant está sossegado neste início de temporada. Não deixou a New Orleans Arena pulando ou fazendo gestos para os 18.239 torcedores que mais uma vez lotaram todas as cadeiras do ginásio, ao melhor estilo de Paul Pierce.

Poderia, afinal dos dez pontos finais, ele fez sete, de seu total de 20. Foi uma bola longa de três e quatro lances livres certeiros, mostrando que tem a frieza dos grandes jogadores.

Mas não quis roubar a cena.

Lamar Odom e Derek Fisher fizeram dois desarmes nos segundos finais que ajudaram barbaramente na vitória do Lakers. O primeiro deles foi de Lamar, que tomou a bola de David West, que logo depois caiu na arapuca armada por Fisher.

Kobe sabe que jogador ganha partidas, time ganha campeonatos.

STRIKE

Shaquille O’Neal parecia uma bola de boliche derrubando as garrafinhas no final do corredor. Tudo por causa da contusão entre Matt Barnes e Rafer Alston. O ala do Suns deu uma ombrada… enfim, vocês já devem ter visto o lance pela internet – ou mesmo ao vivo, ontem à noite. Se não viram, vá ao site da NBA e confira, vale a pena. Ou então, dê uma olhada na foto (AP) abaixo e veja O’Neal derrubando todo mundo.

O fato é que o embate de ontem era para ter sido a batalha entre pivôs (Shaq x Yao Ming), mas acabou como a batalha do pivô. Ninguém ousou chegar perto de O’Neal.

O resultado da confusão foi bem tímido: expulsões de Barnes e Alston e faltas técnicas para Shaq, Steve Nash (que queria pegar Alston de qualquer jeito) e Tracy McGrady (deu um chega-pra-lá no canadense).

E morreu a história. Bola pra frente porque hoje tem outra rodada, amanhã também e assim sucessivamente.

É, mas isso lá nos EUA. Fosse no Brasil e Paulo Schmidt, procurador do STJD, iria requisitar a fita do jogo, ver o lance da briga e mandar punir meio mundo.

Freud explica.

LEANDRINHO

O Phoenix perdeu mais uma. Mesmo jogando em casa, foi derrotado pelo Houston: 94-82. Mas continua bem no campeonato: 6-3 (66.7%). É o terceiro colocado no Oeste.

Leandrinho parece que foi bem. Marcou 18 pontos, ajudou na defesa apanhando três rebotes e ainda roubou uma bola.

Não vi o embate, confesso; guio-me pelo “boxscore” – o que é perigoso, todos nós sabemos. Mas tomara que não ele não nos engane, pois, se verdadeiro, significou o segundo jogo consecutivo bem realizado pelo brazuca.

MILESTONE

Shaquille O’Neal entrou mais uma vez para a história da NBA. Não por causa da briga, mas porque anotou 18 pontos e ultrapassou John Havlicek, ex-jogador do Boston, na pontuação total da história da liga. Shaq tem agora 26.402 pontos na carreira, 10º. colocado na lista dos artilheiros.

NA MESMA

O San Antonio continua trilhando seu amargo caminho de derrotas – apesar da vitória diante do New York na rodada passada. Ontem, em visita ao Milwaukee, comportou-se como um bom visitante e perdeu a partida por 82-78.

Compreensível; o time joga sem dois vértices de seu triângulo mágico. Manu Ginobili e Tony Parker, contundidos, vêem tudo de fora, sem nada poder fazer.

Tim Duncan, coitado, solitário em meio a um bando de esforçados jogadores, continua pontuando. Ontem fez 24, mas dá sinais de cansaço quando o assunto é apanhar rebotes: fisgou só cinco.

Pior: foi humilhado pelo australiano Andrew Bogut, que a pouco mais de cinco minutos do final da partida deu uma cravada na cara de Timmy após pegar um rebote.

Resultado desta falta de disposição: o Bucks bateu o Spurs nos “boards” por 47-37 e isso foi decisivo para que o San Antonio perdesse novamente. E para um time regular e que não pôde contar com seu artilheiro, Michael Reed, que continua contundido.

Foi o quinto revés do alvinegro texano, que agora tem uma campanha de 2-5 (28.6%) o que lhe vale a 12ª. posição na Conferência Oeste. Ou seja: fora dos playoffs se o campeonato terminasse hoje.

MANU

O argentino fez ontem sua primeira viagem com a equipe. Efeito moral. Não adiantou, pois o time perdeu.

Manu Ginobili continua se recuperando da cirurgia que fez no tornozelo, contusão que se agravou quando ele disputou os Jogos Olímpicos de Pequim. Previsão de alta: daqui a quatro semanas. Mas “El Narigón” quer voltar sete dias antes.

Gregg Popovic tem um calendário no bolso de paletó. Todos os dias deixados para trás são riscados. Ele sabe que quando Manu voltar a situação será outra.

No campeonato passado, Ginobili foi o cestinha do time com 19.5 pontos de média. Perguntado se a posição do time na tabela de classificação e a contusão de Tony Parker poderiam acelerar seu retorno, ele respondeu: “Tenho que ser esperto nesse momento. Não posso precipitar nada e ver tudo piorar”.

Enquanto isso, o San Antonio segue perdendo. O próximo revés deverá ser novamente diante de sua torcida, amanhã à noite. Adversário: Houston.

DUELO ENTRE BRAZUCAS

Esta noite, às 23h de Brasília, Anderson Varejão e Nenê vão se enfrentar na Quicken Loans Arena, em Ohio. quando Cleveland e Denver se encontrarem. Os dois vão se tocar várias vezes durante a partida.

Varejão está com 8.8 pontos e exatos seis rebotes de média; Nenê marca 15.6 pontos e apanha 8.9 rebotes por partida.

Os números do são-carlense são melhores, mas ele fica mais tempo em quadra do que o capixaba: 27,7 minutos contra 21,3.

Quem vai levar a melhor?

SCORE MACHINE

Quantos pontos LeBron James vai marcar esta noite? Lembre-se que ele fez 41 em três dos últimos quatro jogos do Cleveland.

LAPSO IMPERDOÁVEL

O internauta Romario, que acaba de chegar ao nosso botequim, alertou-me para uma efeméride que não pode passar em branco de jeito nenhum aqui neste blog. Dwight Howard (foto AP), o melhor pivô da NBA na atualidade, fez seu primeiro “triple double” da carreira ao cravar 30 pontos, apanhar 19 rebotes e dar impressionantes dez tocos na vitória do Orlando sobre o Oklahoma por 109-92.

Foi fora de casa, não teve o calor dos torcedores do Magic. Mas mesmo assim foi muito comemorado.

Foi a primeira vez, desde Hakeem Olajuwon, na temporada 1986/87, que um jogador marca pelo menos 30 pontos, pega ao menos 15 rebotes e dá dez tocos.

Os números do Super-homem do Orlando são impressionantes. Um rebote a mais e eles seriam mágicos: 30-20-10.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
12/11/2008 - 13:57

O VÔO DO FALCÃO

O Lakers aparecer com a melhor campanha da NBA – não importa o momento ou o campeonato –, não surpreende ninguém. O time tem história e camisa. E contou sempre com os melhores jogadores em toda a história da liga norte-americana. É o que acontece nesse início de torneio, quando a equipe amarelinha da terra do cinema tem um recorde de seis vitórias e nenhuma derrota.

Agora, o que surpreende é o Atlanta também aparecer com a mesma campanha do Lakers nesta temporada. O Hawks não tem muita história e nem contou com tantos bons jogadores em toda a narrativa da NBA.

Os 6-0 nesse início de competição é um feito que o Atlanta não conseguia desde a temporada 1997/98, quando a franquia conseguiu um recorde de 11-0. Impressiona também o fato de que quatro dessas seis vitórias foram obtidas em quadra estrangeira.

E foi o que aconteceu ontem à noite, quando o time da Georgia visitou o Chicago e sapecou 113-108 nos anfitriões. A equipe não tem os holofotes da mídia e nem dos torcedores de uma maneira geral. Responda rápido: quem é o técnico do Atlanta? Quem mesmo? Não se lembra, certo?

Pois é, o Hawks é assim mesmo. Está comendo pelas beiradas; mas não se sabe até onde o time pode chegar. Hoje à noite tem um teste e tanto pela frente: enfrenta o Celtics, em Boston.

Vai precisar contar com todos os jogadores atuando quase que em seu limite máximo; caso contrário, conquistar o sétimo triunfo consecutivo será difícil; ou melhor, quase impossível.

Ontem, diante do Bulls, o Hawks pôde se dar ao luxo de ver Joe Johnson, seu artilheiro no campeonato, acertar só quatro de seus 16 chutes, fazer apenas 17 pontos – oito a menos do que sua média – e mesmo assim vencer a partida.

Tudo porque Al Horford – filho do Tito, que jogou no Sírio, lembram-se? – fez o jogo de sua vida na NBA. Onipresente, foi uma tormenta na vida dos jogadores oponentes. Horford deixou a quadra do United Center com números que impressionaram os 21.738 torcedores: 27 pontos, 17 rebotes (seis no ataque) e seis tocos! Sua melhor performance nesta temporada em todos estes fundamentos.

Com o triunfo, o Atlanta não apenas manteve sua série invicta, mas também acabou com uma incômoda seqüência de sete jogos sem vencer em Chicago. A última vez que isso tinha acontecido foi em abril de 2004, quando Horford (foto AP) estava no último ano do ensino médio na Grand Ledge High School (Michigan).

As conquistas não estão vindo por acaso. Ano passado, mesmo com um recorde negativo (37-45), o Atlanta chegou aos playoffs e vendeu caro a vitória ao Celtics numa série que precisou ser disputada por completo. O triunfo do Boston por 4-3, muitos disseram, aconteceu porque o time de Massachusetts teve a vantagem do mando de quadra. Fosse o contrário, o Atlanta teria avançado para as semifinais da Conferência Leste.

O time está bem equilibrado. Conta com um armador do ramo, Mike Bibby, produto da Universidade do Arizona, cria de Lute Olson, a quem Leandrinho deveria visitar e pedir conselhos, disse-o ontem. Seu artilheiro, JJ, que ontem não foi bem, é um “All-Star”. E no garrafão, uma dupla quente, formada por Horford e Josh Smith, que não tem jogado há duas partidas por ter se contundido diante do Toronto no dia sete passado. Mas um georgiano de Tbilisi de 2m11 de altura, de nome esquisito, Zaza Pachulia, que se não tem números impressionantes (5.5 pontos e 5.7 rebotes e zero toco), tem feito muito bem o trabalho de bloqueio dentro do garrafão para Horford brilhar.

O jogo desta noite no TD Banknorth Garden é imperdível. Os holofotes que estavam direcionados apenas para o Boston terão de ser repartidos. Afinal, os comandados de Mike Woodson – o técnico que a gente não se lembrou do nome de imediato – merecem.

OUTRA MÁQUINA

Na temporada 2001/02 o Lakers começou o campeonato da mesma maneira que agora: sem perder. Naquela ocasião, o recorde inicial foi de 7-0. Resultado daquele bom princípio: ganhou o campeonato. Último título, aliás, que a franquia conquistou.

Mas ontem não foi fácil vencer a sexta partida consecutiva. O time teve que se desdobrar em quadra e defender muito, especialmente no segundo tempo, pois a defesa, no primeiro, foi uma peneira. Levou 60 pontos de uma equipe que vinha de uma derrota para o Clippers.

Com intensidade defensiva, o Lakers permitiu ao Mavs apenas 39 pontos em todo o tempo derradeiro. O grande destaque do time tem um nome que não soa familiar à maioria: Trevor Ariza. Ele foi o “key factor” para que a equipe do técnico Phil Jackson pudesse reverter um jogo que a muitos parecia perdido.

Ariza – que no “NBA Register” (o livro com o perfil dos jogadores) do ano passado aparecia como “Aziza” – jogou os 12 minutos finais da partida. Neste último quarto, pegou uma bola perdida na ponta-direita do ataque, livrou-se feito uma minhoca de Brandon Bass e Dirk Nowitzki e deu uma enterrada espetacular, colocando o Lakers na frente em 83-81.

Mas seu grande momento foi o toco desconcertante que deu em cima de Jerry Stackhouse quando o placar marcava 99-97 para o Lakers, a 45 segundos do final. Marcou 13 pontos, pegou seis rebotes (a metade no ataque), roubou três bolas e deu o toco mencionado. Tudo em 29 minutos.

O Lakers é assim: quando todos esperam mais um show de Kobe Bryant – como LeBron James tem feito com a camisa 23 do Cleveland –, aparece um sujeito não se sabe de onde e ele rouba a cena.

Coisas de um time campeão, diria o outro. Tem jeito mesmo, eu completo.

NA DESCENDENTE?

O Dallas perdeu quatro de seus últimos cinco jogos. Está com recorde de 0-3 em casa, o que não acontecia desde a temporada 1993/94. Na época, encerrou o campeonato com uma campanha medíocre: 13-69.

A torcida já pega no pé de Dirk Nowitzki, que feito o goleiro Marcos, do Palmeiras, saiu criticando seus companheiros depois da derrota para o Clippers. Ontem marcou apenas 14 pontos, com um aproveitamento amorfo de seus arremessos: 5-17. Pior: no último quarto, errou todos os seus cinco chutes.

Jason Kidd, que fez um “triple-double” ao anotar 16 pontos, 11 rebotes e 10 assistências, também não tem sido poupado.

O técnico Rick Carlisle saiu em defesa dos dois ao final da partida. Disse Rick: “Dirk Nowitzki e Jason Kidd são jogadores especiais e se tornaram grandes porque eles pedem a bola quando o jogo está sendo decidido. Dirk teve algumas oportunidades no final da partida, mas não foi feliz. Mas num todo, ele foi bem”. Foi nada, a gente viu os números.

Mark Cuban, dono da franquia, está sendo acusado de estar com as atenções divididas no momento, pois fala-se que ele está para comprar o time de beisebol do Chicago Cubs. Ele desmente categoricamente.

Mesmo fora de época, Dallas parece estar sendo varrida por um furacão.

BRAZUCAS

Os dois brazucas que entraram em quadra ontem foram bem; especialmente Anderson Varejão. Nenê até que não foi mal, mas produziu menos do que vinha produzindo.

Mas é sempre bom dizer: home sweet home. Ou seja: em casa tudo fica mais fácil, no aconchego do lar, com o calor e o carinho dos torcedores, com tudo familiar.

Talvez isso explique o desempenho melhor de um do que de outro.

Varejão jogou 23 minutos na vitória do Cavs sobre o Milwaukee por 99-93 (19.842 pagantes) e fez seu primeiro “double-double” da temporada, ao anotar 13 pontos e apanhar 10 rebotes (três deles no ataque). Melhor do que isso é ver que nos últimos três jogos Varejão soma 14.7 pontos e 7.3 rebotes de média por embate disputado.

Mas o mais legal é ver a química que existe entre o capixaba e o resto do grupo. Todos gostam dele. LeBron James também? Tenha certeza que sim. King James, aliás, parece ser o melhor amigo de Varejão – e vice-versa.

Trabalhar assim, sendo amado pelo “dono” do time, fica fácil, muito fácil. Mas isso não veio de graça, é importante ressaltar. É fruto do trabalho árduo do brasileiro.

Nenê jogou num ritmo mais lento do que nas últimas partidas. Teve a marcá-lo, é certo, um jogador diferenciado: Emeka Okafor. Foi, talvez por isso, menos eficiente no ataque, tendo terminado o embate com 12 pontos, sete a menos do que sua média nos três jogos anteriores. Nos rebotes, foram oito (um no ataque). Em compensação, deu quatro tocos, sua melhor marca nesta temporada.

De um modo geral, Nenê, que ontem completou 300 jogos na NBA (Leandrinho tem 360 e Varejão 239), foi bem e importante na não menos importante vitória do Denver diante do Charlotte (88-80, 10.753 pagantes), a terceira consecutiva da equipe, que agora tem um aproveitamento de 57.1% de seus jogos (4-3) e a sétima posição na Conferência Oeste.

UNSTOPPABLE

O que dizer de LeBron James (foto AP)? Ele parece incontrolável em quadra. Ontem marcou 41 pontos pela terceira vez nos últimos quatro jogos. É o cestinha da NBA com média de 29.8 pontos por partida.

Disparado, o melhor atacante da competição.

Mas não é só isso. Sua média nos rebotes, 8.4, é de irritar muitos pivôs e as 6.9 assistências por partida inveja muitos armadores.

Faz um início de temporada quase que impecável. O time vem de cinco vitórias consecutivas (duas delas fora de casa) e cresce a cada rodada.

Como crescem as chances de LeBron ser o MVP da temporada, embora seja muito cedo para a gente cravar nisso, reconheço.

ALL-STAR GAME

Começa amanhã a votação para o “All-Star Game” que será jogado em fevereiro do ano que vem em Phoenix. Qualquer um pode votar pela internet, através do site da NBA. A data limite é 19 de janeiro do ano que vem.

Um total de 120 jogadores (60 de cada conferência) foram selecionados para a cédula de votação. Brasileiros? Brasileiro, digo, pois apenas Leandrinho aparece. Uma injustiça com Nenê e Anderson Varejão.

Mas você pode corrigi-la votando em outro jogador que não aparece na cédula. É o que eu vou fazer: no Leste, um de meus pivôs será o Varejão; no Oeste, Nenê. E Leandrinho também receberá o meu voto.

Afinal, é uma festa.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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