A LÓGICA E O XENOFOBISMO
LOS ANGELES – O Chicago surpreendeu no último quarto. Baixou uma diferença de 21 para cinco pontos, mas quando teve que encostar e ultrapassar faltou estofo técnico e emocional para o time. Com isso, mesmo vacilando no final, o Cleveland fechou o primeiro jogo da série em 96-83.
Anderson Varejão jogou muita bola, como tem acontecido com frequência nesta temporada. Não chegou a um “double-double”, mas pegou 15 ressaltos, quatro deles no ataque. Acabou como reboteiro do jogo e foi quem confiscou mais sobras ofensivas.
Além disso, muita energia em quadra, como sempre. Energia que contagia, que o digam LeBron James e companhia. Não ganhou as manchetes, mas deveria. Elas ficaram com LBJ, merecidamente, e com Shaquille O´Neal, estranhamente.
Por falar em ´Bron, a estrela do Cavs anotou 24 pontos, seis rebotes e cinco assistências. E quatro tocos, dois deles espetaculares, um em cima de Taj Gibson e outro diante de Derrick Rose.
Por falar em D-Rose, o armador do Bulls foi o destaque dos visitantes. Cravou 28 pontos, 10 assistências e sete rebotes. Por pouco não fechou a partida com um “triple-double”.
Mas joga praticamente sozinho. Falta repertório ao Bulls, um time que foi batido dentro e fora do garrafão. Perdeu o duelo dos rebotes por 50-38 e nos tocos por 12-4.
Além disso, o aproveitamento nos arremessos é ruim. Um time da NBA não pode acabar uma partida de playoff com um desempenho de 1-7 nas bolas de três. Já teve peleja nesta temporada que a equipe saiu zerada de quadra nos chutes de longa distância.
Esbarra, como se vê, em suas próprias limitações, especialmente nas bolas longas. Com tanta limitação, fica realmente impossível surpreender diante de um adversário que está tinindo.
Mas não é apenas a diferença técnica entre as equipes que dá o tom neste confronto. As diferenças pessoais também. Após a partida, Joakim Noah, que foi vaiado quase que o tempo todo pelos 20.562 torcedores que lotaram a Q Arena por conta da indignação dele com a dancinha de Lebron num dos cotejos da fase regular, declarou:
— Não tenho amigos naquele vestiário, exceto Danny Green. Eu realmente não conheço ninguém daquele time e isso de fato não me importa. Eu apenas quero vencer.
Noah não gosta de ninguém do Cleveland e seus companheiros seguem na mesma linha. E o oposto também é verdadeiro.
Enfim, esta é a atmosfera de um playoff, atiçada por LBJ que declarou após a partida:
— Nós temos a aparência de campeão.
ENCRENCA
Por falar em atmosfera de playoff, alguém viu o final do jogo do Miami contra o Boston? O pau comeu por conta de Kevin Garnett. Desnecessariamente, ele deu uma cotovelada covarde em Quentin Richardson, diga-se, a metade do tamanho dele.
No final do encontro, KG disse na coletiva à imprensa que não houve nada demais e que Richardson é um amigo pessoal. Concluo: com um amigo desses, Quentin não precisa de inimigos, concordam?
Garnett foi expulso corretamente. Fico agora à espera da suspensão. Se isso não ocorrer, será uma vergonha sem qualquer explicação.
Jogo findado, cada um foi para o seu vestiário com os nervos à flor da pele. Um pouco menos do lado do Celtics, é verdade, que venceu a partida por 85-76 e abriu 1-0 na série.
Mas não foi fácil. O time virou o primeiro tempo atrás em 44-41. Chegou a estar 14 pontos distante no segundo tempo, mas com uma grande defesa na etapa final, o Boston limitou o Miami a apenas 32 pontos.
Contou, para isso com o desempenho extraordinário de Tony Allen, um reserva que entrou em quadra para marcar Dwyane Wade. E deu certo, pois o armador do Heat fez 26 pontos, quando sua média contra o Celtics, na fase de classificação, foi de 33.7 pontos por partida.
O Boston, como disse, fez 1-0 na série, mas o jogo que o Miami mostrou nos dá a entender que este confronto poderá ser longo.
FOMINHAS
Atuação perfeita dos fominhas do Denver. O Denver arremessou 84 bolas na vitória diante do Utah por 126-113. Carmelo Anthony, Chauncey Billups e JR Smith chutaram 51. Ou seja: 60.7%.
Quando faltavam 7:43 minutos para terminar o terceiro quarto, Nenê Hilário anotou seus únicos dois pontos do período. Quando faltavam 2:42, ele deixou a quadra para a entrada de Chris Anderson. Nesses 5:01 minutos o são-carlense não pegou na bola; infame.
Por isso, quando terminou o jogo e Melo deixou a quadra sorrindo e feliz com seus 42 pontos, eu, pessoalmente, não vi mérito algum. Um jogador que arremessa 25 bolas por jogo tem a obrigação de ter uma pontuação alta, caso contrário leva o time para o brejo.
Mesmo sem ver a cor da bola por muito tempo durante a partida, Nenê teve uma grande atuação, repetindo Anderson Varejão. Anotou 19 pontos e pegou seis rebotes, três deles no ataque. Deu ainda três assistências.
MÉDIA
Vamos somar a atuação dos dois brasucas na rodada deste sábado? Vamos lá, então: ambos anotaram 27 pontos e pegaram 21 rebotes. Isso dá uma média de 13.5 pontos e 10.5 rebotes.
Como se vê, um completa o outro. Enquanto Varejão é um especialista nos rebotes, Nenê pontua bem, mesmo jogando ao lado de três fominhas.
Que seja assim também no Mundial da Turquia.
LÓGICA
Não vi o jogo do Atlanta contra o Milwaukee, mas o placar de 102-92 em favor do Hawks mostra que nada de anormal aconteceu na Geórgia.
XENOFOBISMO
Leio na Internet que o lateral brasileiro Daniel Alves foi vítima de racismo por parte da torcida do Espanyol no clássico catalão. Novidade nenhuma no fato lamentável. O xenofobismo na Europa é antigo e corriqueiro quando o assunto é esporte, especialmente o futebol.
Brasileiros e africanos sofrem pra burro, mas negros europeus também.
Antonio Carlos, hoje técnico do Palmeiras, sofreu em Roma, Júlio César, ex-zagueiro da seleção e do Guarani, também passou por isso na Alemanha. Roque Júnior, Juan e Roberto Carlos foram igualmente humilhados pela intolerância dos torcedores europeus, bem como o camaronês Samuel Eto´o. Thierry Henry, um europeu como eles, foi chamado há alguns anos de “negro de merda” pelo técnico espanhol Luís Aragonés; Balotelli, africano de nascimento, italiano por opção, também já foi vítima desta imbecilidade.
Enfim, exemplos não faltam. Quem se lembrar de mais algum, é só falar.
Aqui nos EUA, onde estou, puxo pela memória e tento me lembrar de manifestações desse tipo em quadras e campos esportivos. Não me recordo de nada, de nenhum caso.
Atletas estrangeiros que vivem ou jogam por aqui felizmente não são vítimas desta violência incabível nos dias de hoje. Nenê Hilário e Leandrinho Barbosa são tratados com educação por onde passam. O mesmo vale para Luol Deng, DJ Mbenga, Serge Ibaka,Tony Parker e Mickael Petrus, por exemplo.
De todo o modo, como a memória é especialista em pregar peças, especialmente nos mais velhos, pergunto a vocês se alguém se lembra de algum ato de racismo por parte de torcedores americanos. Se a resposta for sim, por favor, se manifestem, pois as portas deste estabelecimento sempre estarão abertas.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Daniel Alves, Derrick Rose, DJ Mbenga, Dwyane Wade, J. R. Smith, Joakim Noah, kevin garnett, LeBron James, Luol Deng, Mickael Petrus, Nenê Hilário, Quentin Richardson, Samuel Eto´o, Serge Ibaka, Shaquille O´Neal, Taj Gibson, Thierry Henry, Tony Parker








VANTAGEM
Os 18.422 torcedores que lotaram a arena do Vale do Sol tinham programado uma sexta-feira de muita cerveja e festa. Afinal, o adversário do Suns era o Bulls, um dos piores times da NBA nos arremessos.
DERROTA


E nesse caminho, sempre é bom lembrar, ele ainda ganhou quatro títulos e montou um dos maiores times da história do Spurs.
FICA OU NÃO FICA?