A matéria enviada pela agência de notícias Associated Press diz o seguinte em seu primeiro parágrafo: “Finalmente o verdadeiro Chicago apareceu nos playoffs”. Eu abriria o texto de maneira diferente: “Finalmente o verdadeiro Derrick Rose apareceu nos playoffs”.
É certo que o texto da AP continua e diz: “Naturalmente, Derrick Rose liderou o time”. Mas eu continuaria: “Naturalmente, quem ganhou com isso foi o Chicago, que venceu e recuperou a vantagem de quadra”.
Alguém pode dizer: “Sormani, a ordem dos fatores não altera o produto”. Altera sim; o Chicago depende de D-Rose, como todos os grandes times dependem de um grande jogador. Se ele não joga, por mais que o coletivo funcione, não tem como ser campeão.
D-Rose jogou uma barbaridade ontem em Atlanta. Foi o responsável pela vitória de 99 a 82, que poderia ter sido muito mais acachapante. Poderia ter passado a barreira dos 20 pontos. Aliás, passou, chegou em 22, mas o time aliviou no final e o Hawks tirou um pouco a diferença.
D-Rose mostrou por que foi eleito o MVP da temporada. Anotou 44 pontos — seu recorde não apenas em playoffs, mas em toda a carreira. Teve um ótimo aproveitamento: 16-27 (59,2%). Desse total, foram 4-7 (57,1%) nas bolas de três e 8-9 (88,9%) nos lances livres. Em pontos, foram assim dispostos:
Garrafão — 12 pontos
Meia distância — 12 pontos
Linha dos três — 12 pontos
Lance livre — oito pontos
Total — 44 pontos
Ou seja: não tinha o que fazer. Flutua? Ele acerta de meia e longa distância. Aperta? Ele infiltra. Congestiona o garrafão? Rápido do jeito que ele é, comete-se falta e ele vai para a linha do lance livre.
Foi uma atuação gigantesca.
No primeiro quarto ele fez 17 dos 29 pontos do Chicago. No segundo, apenas quatro, mas atuou 6:53 minutos. No terceiro, foi responsável, em pontos ou assistências, por 20 dos 24 tentos que o time anotou. E no quarto derradeiro fez dez dos 19 pontos que do Bulls.
O jogo de ontem foi o terceiro seguido que D-Rose arremessou 27 bolas contra o aro adversário. Mas nos dois primeiros, ele combinou para 21 acertos, o que deu um aproveitamento de 38,9%. Ontem, como vimos, subiu para 59,2%.
“É duro marcá-lo”, disse Jeff Teague, que vinha tendo sucesso na empreitada. “Quando suas bolas caem, ele é o MVP”, concluiu.
Teague sabe do que fala, pois, dos 44 pontos, 26 foram feitos enquanto ele marcava o armador do Chicago. Aliás, os pontos foram assim dispostos diante de seus marcadores:
Jeff Teague — 26 pontos (11-18)
Jamal Crawford — seis pontos (2-2)
Demais marcadores — 12 pontos (3-7)
Jon Greenberg, que escreve para o site da ESPN, no meio do texto em que exalta D-Rose escreveu algo que eu usarei para fechar o meu texto:
“Rose adicionou (aos seus pontos) sete assistências, cinco rebotes e cinco sorrisos”. Sim, D-Rose voltou a sorrir (Foto AP). E estando feliz é um jogador difícil de ser marcado.
Ele mostrou isso ontem à noite na Philips Arena.
OBSERVAÇÕES
O Chicago venceu a batalha no garrafão: apanhou 47 rebotes contra 34 do Atlanta. Joakim Noah pegou 15 e foi o reboteiro do time, seguido por Taj Gibson com 11. Josh Smith pegou 13 para o Hawks e nenhum outro jogador do time da casa chegou ao duplo dígito nos ressaltos.
Kyle Korver voltou a derrubar suas bolas de três. Foram 3-4. Terminou a partida com 11 pontos. Quando seus tiros acertam o alvo, alivia muito a pressão em cima de Derrick Rose e, consequentemente, do time. E Gibson, que pegou 11 rebotes, como vimos, anotou 13 pontos. Foi o único jogador do Bulls a ter um “double-double” no embate.
A marcação do Chicago foi tão eficiente que o Atlanta conseguiu arremessar apenas seis bolas de três. Encestou só uma, com Joe Johnson, o que deu um aproveitamento de 16,7%. Por falar em J.J. ele anotou apenas dez pontos (4-12). Jamal Crawford, o outro artilheiro do time, fez 7 (3-7).
Os dois combinaram para 17 pontos, com um aproveitamento de 36,8% (7-19). Na vitória do Hawks no jogo 1 da série, em Chicago, por 103 a 95, os dois foram responsáveis por 56 pontos da equipe. Tiveram um aproveitamento de 58,8% (20-34).
Josh Smith foi o melhor jogador do Atlanta. Mas a torcida está no pé dele. Foi vaiado em muitos momentos do jogo quando errava seus tiros. Acabou a partida com 7-14 (50,0%).
No total, nesta série diante do Chicago, atingiu o alvo só em 14 de seus 39 arremessos, o que dá um percentual de acerto de apenas 35,9%. Muito baixo para quem joga como ala-pivô e fica muito tempo perto da cesta.
No jogo de ontem, os lances livres também comprometeram o desempenho do time: 15-25 (60,0%). Josh foi o principal responsável pela debacle: 3-8 (37,5%).
CONCLUSÃO
A série está aberta, mas é evidente que depois da vitória de ontem o Chicago ganha uma força moral muito grande. No confronto diante do Indiana o time só conseguiu jogar bem a última partida, mas ela foi no seu United Center. Ontem o time jogou uma enormidade fora de casa.
FIM DA LINHA
Só um milagre. Sim, só um milagre fará do Lakers um time finalista na Conferência do Oeste.
No confronto de ontem diante do Dallas, teve o jogo nas mãos. No final, voltou a falhar.
Derek Fisher teve grande responsabilidade na derrota. A falta que ele fez em Jason Terry no final do jogo e o passe errado que ele deu para Lamar Odom, longo em seguida, foram lamentáveis. Um jogador com a experiência dele não pode fazer a falta que fez e nem errar um passe como ele errou.
A falta foi cometida com Terry acuado na lateral da quadra e com três segundos para estourar o tempo de posse de bola. O Dallas tinha 93 a 91 e sobrariam 15 segundos para o Lakers atacar para tentar empatar ou vencer com uma bola de três.
O passe mal dado foi um lateral após pedido de tempo (Terry acertou os dois lances livres e levou o placar para 95 a 91). A bola voltou para o Dallas e com 16 segundos para o final da partida.
Um desastre.
VERDADE SEJA DITA
Ok, Fish foi muito mal, mas a atuação de Kobe Bryant foi vergonhosa. Ele não pegou na bola nos minutos finais. Como disse ontem, ele tinha que jogar no seu limite máximo para o Lakers vencer e reverter a série.
Não jogou. Arremessou apenas 16 bolas durante o jogo, 11 a menos do que Derrick Rose na vitória do Chicago diante do Atlanta. Líder do time, melhor jogador da franquia, esperança de todos, atleta que pretende desbancar Michael Jordan e ser o maior de todos os tempos não pode ter uma atuação tão desprovida de alma e coração como Kobe teve ontem à noite.
No primeiro quarto, fez duas faltas e jogou só 6:27 minutos. Anotou dois pontos, frutos de seu único arremesso no período.
No segundo quarto, jogou 11:56 minutos e anotou sete pontos, tendo atirado três bolas contra a cesta do Dallas. Bateu também um lance livre e acertou-o.
Jogou todo o terceiro quarto e arremessou seis bolas, tendo acertado três. Acabou o tempo com seis pontos e não visitou a linha do lance livre nenhuma vez.
Finalmente, no último quarto, jogou 7:35 minutos (por decisão de Phil Jackson, diga-se) e voltou a arremessar seis bolas contra a cesta do Dallas; acertou duas e anotou quatro pontos. Não bateu nenhum lance livre.
Agora, atentem a isso: Kobe (Foto AP) entrou no último quarto quando faltavam 7:35 minutos para o final. O Lakers vencia por 79 a 71. Acertou um arremesso de dois pontos a 5:46 do final e outro a 4:33. Depois disso, ele ficou 4:18 minutos seu chutar nem uma bola sequer contra a cesta do Dallas!!!
Depois de ter feito dois pontos a 4:33, ele voltou a arremessar a 15 segundos do final e tomou um toco de Jason Kidd. Três segundos depois, mandou uma bola de três que não chegou ao destino desejado.
A 4:33 minutos do final, quando acertou seu último chute, colocou o Lakers na frente em 87 a 81. Depois disso, como relatei, foram 4:18 minutos sem arremessar!!!
E o Dallas tirando a vantagem; e o Dallas tirando a vantagem. E deu no que deu.
Como disse, verdade seja dita, Fish foi mal no final, mas a derrota de ontem tem que ser creditada na conta de Kobe Bryant. Ele foi omisso no jogo quando o time mais precisou dele.
Seus números finais: 17 pontos. Fez 8-16 nos arremessos, mas 0-3 nas bolas de três e bateu apenas um lance livre na partida! Uma vergonha!
GASOL
O espanhol foi outra vergonha do Lakers. Tudo bem que marcar Dirk Nowitzki é tarefa das mais difíceis. Mas pontuar contra o alemão é das tarefas mais fáceis; o germânico parece jogador brasileiro defendendo. Ou seja: não marca ninguém.
Mesmo diante de um adversário desses, Gasol fez apenas 12 pontos, 5-13 nos arremessos. Conseguiu ir à linha do lance livre em apenas três oportunidades.
Até tapa no peito ele tomou de Phil Jackson, mas não adiantou.
“Soft”, realmente, muito “soft”.
PERGUNTA
Quem é mais “soft”? Pau Gasol ou Carlos Boozer?
DALLAS
Vamos ao Dallas, afinal, o time texano é, ao lado do Memphis, a sensação da Conferência Oeste.
Jason Kidd voltou a fazer um grande trabalho defensivo em cima de Kobe Bryant. J-Kidd conhece Kobe, não o teme, gosta de enfrentá-lo. Vem colocando Kobe no bolso nesta série.
Dirk Nowitzki (Foto AP), nem precisa dizer, é o homem deste confronto. Ontem, 32 pontos, sendo que teve um aproveitamento de 12-19 nos arremessos (63,1%). E ainda pegou nove rebotes.
Pegou nove rebotes, fez 32 pontos e botou o dedo na fuça de Pau Gasol e disse pro espanhol: “Você é soft!” Claro que ele não disse isso, é apenas um devaneio de minha parte para ilustrar a defesa que o germânico tem feito em cima de Gasol.
Tyson Chandler, coitado, vara-pau do jeito que é, magrinho e fraquinho, tem feito das tripas coração para conter Andrew Bynum. Obteve sucesso apenas no primeiro jogo. Ontem, Bynum fez 21 pontos e pegou dez rebotes. Foi o melhor jogador do Lakers.
Mas Chandler luta como um guerreiro, é de emocionar o seu esforço. Com ele, tem subtraído alguma coisa do jogo de Bynum, com certeza.
J-Kidd, Dirk e Chandler. Mas o cara do Dallas ontem foi Peja Stojakovic. Alguém em sã consciência podia imaginar que o veterano sérvio, que estava praticamente aposentado, viesse do banco e anotasse 15 pontos em momentos cruciais?
Realmente, não há como perder quando:
1) Seu melhor jogador continua em alta;
2) O melhor jogador do time adversário é omisso;
3) Vem um cara aposentado do banco e faz 15 pontos.
CONCLUSÃO
O Lakers está virtualmente. Mas ainda existe um fio de esperança — porque é o Lakers.
Se o time da Califórnia vencer o próximo jogo e repetir a dose em Los Angeles, a série ficaria em 3 a 2 para o Dallas. E a pressão aumentaria dramaticamente para os texanos.
Sim, pois eles se veriam na obrigação de ganhar o sexto jogo em casa, pois, caso contrário, a decisão voltaria para LA.
É isso que o Lakers tem que fazer; é isso que o Dallas tem que evitar.