O Lakers vive um momento difícil. O time, quando vence, não convence; e perde mais do que se imaginava. Lamar Odom foi embora e os “reforços” que vieram não rendem. E há jogadores, como Metta World Peace, Matt Barnes e Steve Blake, que não deveriam mais vestir a camisa amarela.
Some-se a isso a indefinição quanto a Andrew Bynum e principalmente Pau Gasol. O espanhol deve estar com a cabeça feito um trevo. A todo o momento ouve-se falar que ele será envolvido em alguma troca.
Depois do sacode que o Lakers tomou do Phoenix, no último domingo, Kobe Bryant, que se acha dono da franquia, veio a público reclamar do comportamento indeciso do gerente geral da franquia, Mitch Kupchak (os dois na foto AP antes da partida contra o Phoenix, em LA). Disse Kobe: “Eu gostaria que a direção decidisse logo se vai trocar Gasol ou não. Prefiro que ele não vá embora. Mas se alguma coisa vai ser feita, que se faça logo. Agora, se não forem negociá-lo, que venham a público e digam de uma vez por todas”.
KB neste ponto tem razão: esta indefinição quanto a Gasol tem atrapalhado o jogador. Tanto que ele, nesta temporada, apresenta sua menor média de pontos (16,6) desde que aportou na NBA, em 2001.
“É difícil para Pau jogar em meio a todos esses rumores sobre trocas”, prosseguiu Bryant. “É complicado manter a concentração quando todos os dias se escuta que vão te mandar para outra equipe”.
O tormento de Gasol começou quando ele foi envolvido na troca com Chris Paul que acabou vetada pela NBA. Depois falaram em Orlando. Especularam também Minnesota e agora fala-se em Chicago. Não, não; não se fala mais em Chicago, pois há algumas horas voltou-se a falar em um negócio com o Wolves, envolvendo Michael Beasley.
Beasley? Pra quê? No que isso iria melhorar o Lakers?
Falou-se também em Derrick Williams, mas esta seria uma aposta. Pode dar como pode não dar certo. Mas se der, não é para agora, é para o futuro, quem sabe daqui a duas temporadas.
Mas aí Kobe pode voltar a fazer biquinho, porque ele quer um jogador que venha adicionar qualidade ao time agora, para ser campeão. Daqui a duas temporadas a gente não sabe (e nem ele) se estará rendendo o que rende no momento.
O fato é que o Lakers precisa mesmo é de um armador — e não de um ala. O time tenta Ramon Sessions, do Cleveland. Se não rolar, o plano b seria Gilbert Arenas. Mas Arenas não deve estar bem ou o pessoal da franquia não quer apostar em um jogador cujo passado recente vem permeado por problemas; caso contrário, já teria assinado com ele, pois Arenas já fez alguns testes com o Lakers.
Um negócio com o Wolves envolvendo Beasley seria legal se Luke Ridnour entrasse na troca. Mas Ridnour tem sido titular do time ao lado de Ricky Rubio e esta formação, com dois armadores, tem surtido efeito.
Mas para trazer Gasol, é possível que a franquia de Minneapolis abra mão de Ridnour. Mas, como eu disse dia desses, o Wolves não precisa de Gasol. É time que amadurece a cada dia que passa e Kevin Love pode ser tranquilamente o “franchise player”.
Do jeito que está, volto a dizer, o Wolves vai brigar pelo título da conferência em no máximo duas temporadas. Até lá, amadurece ainda mais seus jogadores e entrosa o time.
O fato é que está difícil fazer negócio. Tanto que Kupchak declarou há poucos dias que este time pode ser o time até o final da temporada. Quer dizer: se não houver superação, a luta pelo título da conferência e consequentemente da NBA vai ser difícil.
Outro problema: esperar por Dwight Howard. Isso é risco muito grande, pois o Lakers não terá “cap” para contratá-lo na próxima temporada, quando ele for “free-agent”. O Lakers tem US$ 8,9 milhões do salário de Lamar Odom que ele não usou na troca com o Dallas. Tem a cláusula de anistia que ele pode usar dispensando, por exemplo, Metta World Peace que ganhará US$ 7,2 milhões no próximo campeonato.
Acontece que as regras do CBA impedem que estas duas quantias sejam unidas. Se unidas, daria US$ 16,1 milhões, um dinheirão para seduzir D12. Mas isso não pode ser feito. O máximo que o Lakers terá para oferecer para D12 são os US$ 8,9 milhões de Lamar Odom.
Convenhamos, dificilmente Howard aceitaria.
Então, restam duas saídas para o Lakers: 1) fazer uma troca antes do dia 15 de março próximo, data-limite para os negócios; 2) esperar pelo fim da temporada e torcer para que D12 renove com o Orlando em sinal de gratidão e imediatamente haja uma troca com o Lakers envolvendo Gasol e/ou Bynum.
Convenhamos, é arriscado, pois D12 pode muito bem não trilhar este caminho, pois ele será “free-agent”.
A situação do Lakers está complicada. E Kobe, garoto irascível que é, não está conformado com a situação. Seu depoimento depois da derrota para o Phoenix foi sintomático.
“Como um ex-jogador, eu entendo como esses dias que antecedem a data-limite podem estressar um jogador”, disse Kupchak em resposta ao pronunciamento de Kobe Bryant. “No entanto, como gerente geral, tenho minhas responsabilidades com a franquia, com nossos fãs e com os jogadores para que esta equipe prossiga na busca da melhora para esta ou nas próximas temporadas. Sinalizar publicamente de que não vamos mais fazer isso ou aquilo seria colocarmo-nos em posição desvantajosa. Tomar uma atitude destas neste momento seria não prestar um serviço completo aos donos da franquia, ao nosso time e aos nossos torcedores”.
E o que isso quer dizer? Não sei; sinceramente, não sei.
O que sabemos neste momento é que o Lakers pode ganhar o título desta temporada, pois time que tem um gênio como Kobe Bryant e uma camisa vitoriosa é sempre favorito ao título. Mas, temos que reconhecer, suas chances são reduzidas. Se quiser brigar a ponto de atemorizar os adversários, alguma coisa há que ser feita.
E imediatamente.
RODADA
Carmelo Anthony voltou — e o New York voltou a perder. Em que pese os 21 pontos, nove assistências, sete rebotes e quatro roubos de bola de Jeremy Lin, o Knicks foi surpreendido pelo New Jersey dentro de seu Garden por 100-92. O sino-americano, aliás, roubou 13 bolas nos últimos três jogos, o que dá uma média de 4,3 por partida… O nome do jogo, no entanto, foi o armador Deron Williams: 38 pontos. D-Will (foto Getty Images) acertou oito bolas de três, seu recorde desde que entrou na liga, na temporada 2005-06… Derrick Rose voltou a jogar depois de cinco partidas no estaleiro. Foram 34:54 minutos em quadra que se traduziram em 23 pontos, seis assistências e cinco rebotes. Com D-Rose em quadra o Chicago Bulls tem cara de time campeão. “Estou me sentindo bem e me senti bem durante toda a partida”, disse o jogador depois do jogo… O Orlando foi a Milwaukee e bateu o Bucks por 93-90. Somou sua nona vitória nos últimos 12 confrontos. Depois de quatro derrotas consecutivas (Boston, New Orleans, Indiana e Philadelphia), o time se reagrupou e ocupa a terceira posição no Leste com uma campanha de 21-12 (63,6%). No geral, tem o quinto melhor desempenho da NBA… O Dallas venceu mais uma: 89-73 no Boston. Já disse e repito: o atual campeão da NBA acertou seu time após a perda de alguns jogadores (JJ Barea, Tyson Chandler e DeShawn Stevenson) e das últimas oito partidas venceu sete. Assim como o Orlando, tem a terceira melhor campanha da conferência (21-12, 63,6%)… Já o Boston despenca pelas tabelas. Vem de quatro revezes seguidos e dos últimos sete cotejos perdeu seis. É o último colocado no Leste (15-16, 48,4%) e se estivesse no Oeste ocuparia a 11ª posição… O San Antonio voltou a triunfar, desta vez diante do Utah, fora de casa, por 106=102. Enfileirou sua 11ª vitória e firma-se cada vez mais na segunda posição no Oeste, com nove derrotas apenas, nos calcanhares do líder Oklahoma City, que bateu o New Orleans, em casa, por 101-93, e que tem sete derrotas… Notícia ruim para o SAS: Manu Ginóbili ficará de fora por duas semanas por conta de uma distensão no abdome.