UTAH ATRÁS DA MAIORIDADE
O Utah que enfrentou ontem o Houston chega fácil à final do Oeste contra o Lakers. O Jazz jogou uma barbaridade e venceu por 99-86.
Foi na defesa que o time do técnico Jerry Sloan (foto AP) matou os texanos. Os anfitriões deram nada menos do que 12 tocos (maior marca na temporada), fizeram seis desarmes e provocaram 12 erros por parte dos jogadores do Rockets.
É assim que a mídia norte-americana relata o embate de ontem na EnergySolutions Arena, presenciado por 19.911 torcedores. E não tenho nada a contestar.
A não ser me alongar um pouco mais no relato do confronto em que o Utah tomou mais uma vitória do Houston e anulou a diferença entre ambos. Agora os dois times têm 26 derrotas.
E a briga pela segunda colocação na conferência segue mais acirrada do que nunca – e dela trataremos depois.
Não fossem três derrotas na excursão de cinco jogos ao Leste, quando foi derrotado por Atlanta, Miami e Orlando, hoje o Utah teria uma sequência de 18 jogos sem ser dobrado por ninguém. Por causa dos três reveses, a campanha fica em 15-3.
De qualquer maneira, excelente.
Como excelente tem sido o desempenho do time dentro de casa. Ganhou nada menos do que seus últimos 13 embates.
Até onde pode chegar esse Utah? Como disse no começo de nossa conversa, se jogar sempre assim, atinge a decisão da conferência diante do Lakers.
O problema é que o time não tem se comportado sempre assim – aliás, é impossível; nem o Chicago de Michael Jordan jogava bem todas as noites.
O Jazz precisa mostrar em jogos importantes feitos fora de casa a mesma força quando atua diante de seus fãs. Só assim ele atingirá o status de favorito, como hoje têm Lakers, Cleveland e Boston.
Daqueles 13 jogos vencidos num total de 18, apenas cinco foram no estrangeiro. E esses cinco triunfos foram diante de adversários comuns: Minnesota, Golden State, Toronto, Indiana e Oklahoma City.
Nos dois mais complicados (Miami e Orlando), o Jazz se curvou.
E isso nos deixa com uma pontinha de desconfiança.
O time da cidade do sal terá mais 12 jogos até o final da temporada regular. Dessa dúzia de combates, sete serão fora. E todos adversários complicados.
Vamos esperar pela performance do time nesta sequência final. Se ela for positiva como ontem diante do Houston, acho que poderemos colocar, definitivamente, o Utah entre os favoritos do Oeste.
PREFERÊNCIA
Tem coisas que a gente não consegue explicar, mas que o coração nos faz sentir. O duelo contra um sentimento parece-me ser luta inglória.
Digo isso porque meu coração pulsa mais forte quando vejo Deron Williams jogando. Pra mim ele é o melhor armador da liga – mais do que Chris Paul.
Tudo bem, tudo bem, sei que vocês vão me chamar de louco. Eu mesmo posso olhar-me no espelho e chegar a essa conclusão.
Mas é o que eu sinto; talvez mude de opinião no futuro, mas, como dizia o outro, o futuro a Deus pertence e dele nada sei.
O que sei no momento é que simplesmente fico encantando quando vejo Deron (foto AP) deslizar pelos parquetes impecáveis da NBA.
Ontem, o armador do Utah fez 19 pontos e distribuiu 12 assistências. Na temporada, ele tem 34 “double-doubles”, contra 43 de CP3.
Mas jogou menos partidas: 56 contra 65.
Na média, o armador do New Orleans tem um aproveitamento melhor de “double-doubles”: 66.1% contra 60.7%.
E nas médias, CP3 também está na dianteira: tem 22,2 pontos e 10.9 assistências por partida contra 18.8 tentos e 10.6 passes certeiros de Deron.
Convenhamos, a diferença numérica entre eles não é grande; ao contrário, é bem pequena.
Números à parte, os dois parecem bailarinos em quadras norte-americanas. Entram nas defesas adversárias sem tocar em ninguém e nem a pedir por favor. Fazem ao ritmo da jogada pensada.
Têm ótimo arremesso, enxergam o jogo, não são fominhas e esbanjam habilidade.
O “crossover” de ambos é preciso; o “fade-away” com a ponta do pé direito à frente como base para o impulso para trás é sublime.
Os dois são fantásticos.
Mas eu prefiro Deron, pois tem coisas que a gente não consegue explicar, mas que o coração nos faz sentir.
IMPORTÂNCIA
Além da vitória do Utah sobre o Houston, outro resultado que chamou a atenção foi o triunfo do Chicago diante do Detroit na cidade dos ventos.
O Bulls jogou o tempo todo à frente e fechou a partida em 99-91, fincando pé na oitava colocação do Leste, com 38 derrotas, uma a menos do que o Charlotte e duas em relação a Milwaukee e New Jersey.
A vitória de ontem à noite foi conseguida mesmo sem a presença do armador Derrick Rose – talvez o melhor jogador do time –, que estava contundido. Kirk Heinrich tomou as rédeas do jogo e não deixou os 20.502 torcedores que lotaram o United Center se lembrar do provável “Rookie of the Year” desta temporada.
Heinrich marcou 24 pontos e deu oito assistências. Foi o cestinha do time e da partida.
Mostrou uma precisão que deveria ser mais presente em suas atuações. Se o fosse, com certeza o time estaria mais bem posicionado na conferência e praticamente garantido nos playoffs.
Agora, muito da vitória do Chicago tem a ver com os desfalques do Pistons. Rip Hamilton, Rasheed Wallace e Allen Iverson, todos lesionados, não puderam jogar.
Iverson, pra esse tipo de partida, faz falta – contra adversários mais difíceis, com defesas sólidas, é desperdício tê-lo em quadra. E Hamilton e Sheed são dois dos sustentáculos do time da cidade do motor.
O técnico Michael Curry disse que Rip deve voltar contra o Lakers, amanhã à noite, em Detroit. Sheed é dúvida, enquanto que AI deverá ficar de fora mais uma semana.
O San Antonio mostrou uma vez mais que enfrenta problemas com seu jogo. Venceu o Golden State por 107-106 num jogo aflitivo para seus fãs.
A 30 segundos do final da partida (foto AP Tim Duncan marcando Ronnie Turiaf), estava um ponto atrás: 106-105. Isso ocorreu logo depois que Kelenna Azubuike acertou um arremesso duplo.
Na sequência, após um pedido de tempo, Roger Mason Jr colocou o Spurs na dianteira ao acertar também uma bola de dois: 107-106.
Foi então que começou a tortura.
Monta Ellis desperdiçou seu arremesso, que ficou nas mãos de Kurt Thomas. O pivô texano sofreu falta e foi para o lance livre. Mas perdeu ambos.
Com quatro segundos por se jogar, o Warriors lançou-se novamente ao ataque, desesperado, mas Ellis voltou a errar o alvo, desta vez com um tiro triplo.
Ufa!, disseram 18.797 torcedores que foram ao AT&T Center.
Não era para ser assim; mas foi. Como foi emblemático o jogo mostrado pelo San Antonio.
Em outras palavras: enquanto Manu Ginobili não voltar, o time continuará flertando com o imponderável. Já são 18 partidas sem o argentino.
Quando ele volta? A franquia diz “brevemente”.
Impreciso – como impreciso tem sido o time em quadra sem Manu.
MIXURUCA
A vitória do Lakers sobre o Oklahoma City deu-se num dos jogos mais mixurucas desta temporada: 107-89.
Kobe Bryant, ao lado de LeBron James os dois grandes jogadores deste campeonato, jogou com a mão no bolso. Anotou apenas 19 pontos e passou todo o quarto final no banco de reservas.
Esta pugna não merece mais do que este breve relato, que me perdoem os fãs angelinos.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Bulls, Chicago, Deron Williams, Detroit, Houston, Jazz, Jerry Sloan, Kirk Heinrich, Kobe Bryant, Lakers, Mnu Ginobili, Pistons, Rasheed Wallace, Rockets, San Antonio, Spurs, Utah
























