James Worthy | Fábio Sormani

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sábado, 28 de maio de 2011 NBA | 11:55

POR QUE MICHAEL JORDAN É O MAIOR DE TODOS

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Vamos seguir discutindo esta declaração polêmica de Scottie Pippen, que disse que LeBron James pode vir a ser melhor que Michael Jordan e, com isso, tornar-se o maior jogador da história do basquete.

O que eu acho é que o que torna Michael Jordan incomparável é que ele caiu em uma franquia mediana e dominou a liga e o jogo.

Magic Johnson foi extraordinário, mas caiu no Lakers de Kareem Abdul-Jabbar e depois teve craques como James Worthy, por exemplo, a seu lado. Larry Bird caiu no Boston Celtics e jogou com Kevin McHale, Robert Parish e Nate Archibald. Bill Russell era do Celtics, numa época em que não havia o “salary cap” e podia-se contratar quem quisesse — e todos queriam jogar no Boston ou no Lakers.

Aí eu fico pensando: será que Magic Johnson teria sido campeão da NBA jogando no Cleveland ao lado de Mo Williams e Anthony Parker? Será que Larry Bird teria sido o que foi jogando ao lado de Daniel Gibson e Zydrunas Ilgauskas? Será que Bill Russell teria conquistado dez títulos ao lado de Sasha Pavlovic e J.J. Hickson?

Esta é a questão.

LBJ teve que procurar um Kareem, um McHale, o que Magic e Bird não tiveram. E ambos, Magic e Bird, caíram em times grandes.

LBJ e MJ não caíram. Ambos pousaram em times médios, talvez pequenos.

MJ conseguiu ser seis vezes campeão (poderia ter sido oito, todos nós concordamos, se ele não tivesse ido brincar de jogar beisebol). Fez de Scottie Pippen um jogador fantástico, eleito que foi para o time dos “50 Maiores Jogadores da NBA”.

E não me venham dizer que Pippen era gênio, porque outro dia eu disse aqui que Pippen era melhor que LeBron (insanidade minha, admito) e todos neste botequim me chamaram de louco e disseram que Pippen só foi o que foi por causa de Michael Jordan.

LBJ, ao contrário de MJ, não conseguiu ser campeão em uma franquia pequena e nem conseguiu criar um Scottie Pippen. Teve que procurar um apoio, que Magic, Bird e Russell sempre tiveram.

Só isso basta, a meu ver, para provar que esse tipo de comparação, entre Jordan e James, é incabível.

E o mesmo vale para Kobe Bryant. Kobe foi recrutado pelo Charlotte Hornets — hoje New Orleans. Se lá ele tivesse conquistado cinco títulos como ator principal, se lá ele tivesse criado um Scottie Pippen para ajudá-lo, aí sim eu iria pensar em compará-lo a MJ.

Mas não: Kobe foi para o Lakers, um time grande, e teve em seus primeiros anos de liga Shaquille O’Neal (um dos maiores de todos os tempos) a seu lado. Depois, sem Shaq, não ganhou nada e a franquia teve que ir atrás de Pau Gasol para ele ajudar Kobe a vencer.

No Lakers, isso mesmo, no Lakers, Kobe não conseguiu criar um Scottie Pippen. A franquia, repito, teve que comprar um Pippen no supermercado ao lado para ajudar Kobe a vencer, pois, volto a repetir, Kobe não conseguiu criar um Scottie Pippen para si.

Kobe, Magic e Bird sempre jogaram em times grandes. Sempre tiveram gente grande a seu lado. Ser campeão com a camisa de um time grande é muito mais fácil; ser campeão ao lado de craques é muito mais fácil.

LeBron teve que procurar apoio, como Magic teria que procurar para aflorar o Magic Johnson e o mesmo para Larry Bird, Bill Russell e Kobe Bryant. Todos teriam que fazer isso; Michael Jordan não precisou.

Ele foi campeão em um time pequeno e criou um jogador fantástico para ajudá-lo a conquistar títulos e se transformar no maior jogador de basquete de todos os tempos. Quando alguém fizer o mesmo, volto a dizer, podemos pensar em compará-lo a MJ.

Como vimos, esse não é o caso de LeBron James.

Next question, please.

Notas relacionadas:

  1. O MAIOR DE TODOS
  2. MICHAEL JORDAN ETERNO
  3. MICHAEL JORDAN É INCOMPARÁVEL
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 21 de maio de 2011 NBA | 14:50

UM POUCO DO VELHO MAGIC JOHNSON

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Vi que essa questão Magic Johnson x Kobe Bryant despertou interesse em alguns frequentadores deste botequim. Estava relembrando as finais de 1991, a última disputada por Magic. O Lakers, como a gente bem sabe, foi derrotado pelo Chicago, que ganhou ali seu primeiro título de campeão.

No primeiro confronto, realizado em Chicago, pois o Bulls teve melhor campanha, o Lakers venceu por 93 a 91, com uma cesta de três de Sam Perkins no estouro do cronômetro. Perkins, que era o melhor amigo de Michael Jordan em North Carolina, fez 22 pontos, assim como James Worthy. Foram os cestinhas do time. Agora vejam os números de Magic: 19 pontos, 11 assistências e 10 rebotes; um “triple-double”.

No segundo jogo da série, também em Chicago, o Bulls se recuperou e venceu facilmente por 107 a 86. Jordan, que havia feito 36 pontos na primeira peleja, cravou mais 33 e 13 assistências e novamente foi o cestinha da contenda. Agora vejam os números de Magic Johnson: 14 pontos, 10 assistências e 7 rebotes.

Com a série empatada em 1 a 1, o confronto deixou Illinois e foi para a Califórnia, mais precisamente para o Forum de Inglewood, então lar do Lakers, pois o Staples Center não existia. O Lakers, depois de tirar a vantagem de quadra do Chicago, era tido como favorito. Afinal de contas, tinha em seu grupo, além de Magic, Worthy, Perkins e Byron Scott. E Vlade Divac, um jovem pivô sérvio (na época iugoslavo) que muito sucesso fazia no basquete europeu. E tinha muito mais camisa que o Chicago, que se valia do talento de Michael Jordan, pois Scottie Pippen ainda não gozava da fama que adquiriu posteriormente a esta decisão.

No terceiro embate, o Chicago voltou a vencer: 104 a 96. Com isso, recuperava o mando de quadra. Jordan voltou a ser o cestinha do combate, com 29 pontos, recheados com nove assistências e nove rebotes. Raspou a trave quanto a um “triple-double”.

Magic anotou 22 pontos, 10 assistências e 6 rebotes. Só não foi o cestinha do Lakers porque Perkins anotou 25.

Já sem a pressão da final, recuperando o mando de quadra, o Chicago foi para o quarto jogo da série mais tranquilo, com Pippen fazendo um grande trabalho defensivo em cima de Magic. Sim, Pippen defendia muito e era alto. Phil Jackson incumbiu-o de marcar o principal jogador do Lakers, num revezamento perfeito com MJ (foto Reprodução).

O Bulls voltou a vencer: 97 a 82. Magic anotou novamente um “double-double”: 22 pontos e 11 assistências. Completou seus números com mais seis rebotes. MJ cravou novamente um DD: 28 pontos e 13 assistências. Adicionou cinco rebotes a seus números.

Divac apareceu bem na série pela primeira vez quanto a pontuação: 27 tentos; e mais 11 rebotes. Perkins, Worthy e Scott tiveram uma pálida participação: juntos anotaram apenas 19 pontos.

Era mesmo Magic contra a rapa.

No último confronto, que garantiu o título ao Bulls, Scott e Worthy, contundidos, não jogaram. A certeza de nova vitória e a consagração eram fortes dos lados do Chicago.

Mas Magic não queria de jeito nenhum que isso acontecesse. Deu tudo de si, buscou no fundo d’alma forças que talvez ele não tivesse naquele momento, e anotou 16 pontos, 20 assistências e 11 rebotes. Novo “triple-double”, mas insuficiente para evitar o tombo derradeiro do gigante californiano: Chicago 108 x 101 Lakers. Bulls campeão pela primeira vez na NBA.

Magic terminou a série com médias de 18,6 pontos, 12,4 assistências e 8,0 rebotes. Como disse acima, jogou praticamente sozinho, pois Worthy, Perkins e Scott negaram fogo em pelo menos dois jogos e Worthy e Scott, como vimos, não entraram em quadra no confronto final.

Magic tinha 32 anos. Foi sua última aparição em uma decisão de título.

Mais pra frente eu conto como foi a primeira aparição de Magic em um “NBA Finals”. Aparição esta que consagrou-o com apenas 20 anos. Tornou-se o MVP da final diante do Philadelphia de Julius Erving e Daryl Dawkins.

Essa história, que eu ainda vou contar, é imperdível. E aos mais emotivos, de derramar lágrimas.

Aguardem.

Notas relacionadas:

  1. AVERY JOHNSON: “KOBE E JORDAN SÃO IGUAIS”
  2. LBJ, ATUAÇÃO EM HOMENAGEM A MAGIC JOHNSON
  3. EMOÇÃO ESTA NOITE EM CHICAGO
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

sábado, 12 de março de 2011 NBA | 14:58

EMOÇÃO ESTA NOITE EM CHICAGO

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OBullscomemora hoje os 20 anos de sua primeira conquista na NBA. A cerimônia ocorrerá durante o intervalo da partida desta noite diante do Utah Jazz, em Chicago.

Ex-jogadores, entre eles Michael Jordan e Scottie Pippen, estarão no evento. O assistente técnico Johnny Back também. Phil Jackson e Jim Cleamons estarão em Dallas neste sábado com o Lakers e estarão ausentes.

Tex Winter, o homem que fez a fama de P-Jax ao criar o “Sistema dos Triângulos”, está velhinho. Sofreu um AVC e parece que não sai mais de casa.

Mas seria emocionante se todos aparecessem em Chicago esta noite.

A campanha do Bulls, só pra relembrar, foi a seguinte na fase de classificação: 61 vitórias e 21 derrotas (74,4%). Nos playoffs, incluindo a decisão contra o Lakers, foi de 15-2 (88,2%).

As duas únicas derrotas na pós-temporada vieram diante do Philadelphia, nas semifinais do Leste, e contra o Lakers, no primeiro jogo da decisão, dentro do extinto Chicago Stadium.

O Lakers venceu por 93 a 91, com Sam Perkins acertando uma bola de três no estouro do cronômetro.

As demais partidas foram vencidas pelo Bulls que marcou:

3 a 0 – New York
4 a 1 – Philadelphia
4 a 0 – Detroit

A “varrida” que o Chicago deu no Detroit impulsionou o time ao título. O Bulls era complexado com o Pistons.

Um ano antes, em 1989/90, perdeu a decisão do Leste para o Detroit numa batalha de sete jogos.

Em 1988/89, a mesma história: o Bulls perdeu a decisão do Leste para o Pistons por 4 a 2.

Em 1987/88, o Chicago tombou nas semifinais diante do Pistons: 4 a 1.

Foi exatamente nesta temporada que Scottie Pippen chegou à franquia.

O Bulls era traumatizado com o Detroit. Michael Jordan e companhia perdiam na bola e no tapa. Nunca um time de basquete da NBA levou tantos sopapos como o Chicago levou do Detroit.

Todo mundo apanhava; de Chico a Francisco.

Eram batalhas homéricas — perdoem o lugar-comum. Mas eram mesmo. O Chicago tentando jogar basquete e o Detroit, quando não conseguia, apelava e distribuía bordoadas.

Naquela época, a arbitragem não era como hoje. Hoje, encostou é falta. Naquela época o jogo era muito mais físico. O pau comia.

Foi por conta disso que MJ afirmou, recentemente, que se jogasse hoje faria 100 pontos. A arbitragem, corretamente, nos dias de hoje, protege quem sabe jogar.

Por isso mesmo, quando o Chicago varreu o Detroit na decisão do Leste, a comemoração foi maior do que a do título da NBA.

É o que todos comentam em Chicago. Ganhar do Detroit teve mais sabor do que bater o Lakers na final. Exagero? Sei não, tenho dúvidas. Eu me lembro muito bem como foi ganhar do Detroit.

E impulsionado, como disse, pela “varrida” no Pistons, o Chicago chegou cheio de moral para a decisão. Talvez isso justifique a derrota para o Lakers na primeira partida.

Relaxamento natural de um time que conseguiu passar por cima de seu maior rival depois de três tentativas frustradas.

A rivalidade era tanta que quando o Detroit perdeu os jogadores saíram da quadra antes de o jogo terminar. Faltavam uns dez segundos. E foi em Detroit!

Isiah Thomas encabeçou o corso. Uma vergonha. Nunca isso havia acontecido. Os jogadores do Bulls, nos três anos anteriores em que se curvaram ao Pistons, sempre cumprimentaram os vencedores.

Mas desta vez isso não ocorreu.

Tanto que Magic Johnson, que era o melhor amigo de Isiah na NBA, pegou o telefone e ligou para o armador do Detroit, no dia seguinte, repreendendo-o pela atitude.

Aquele time do Chicago não foi o melhor dos Chicagos. O segundo time, que conquistou os três últimos títulos era melhor. Era melhor porque tinha Dennis Rodman, que era odiado por Jordan e Pippen.

Tanto que quando o Bulls o contratou, Jerry Krause, que era o gerente geral da franquia, antes de bater o martelo chamou em sua sala P-Jax, MJ e Pip. E disse aos três: “Estou com o Rodman no bolso. Posso contratá-lo a qualquer momento. O que vocês acham?”

A resposta não veio de imediato. Os três conversaram durante dias. Quando amadureceram a ideia de jogar ao lado do detestável rival, pediram, antes, uma reunião com Rodman. Os três mais Dennis. Depois de muita conversa eles disseram sim.

E formou-se o maior time de basquete que eu vi jogar.

Mas isso é outra coisa; não é isso o que se discute no momento. O que se homenageia são aqueles heróis que conquistaram o primeiro troféu da NBA.

E bater o Lakers na decisão, embora não tivesse o mesmo peso emocional da vitória diante do Detroit, foi igualmente espetacular.

Afinal de contas, era o Lakers de Magic Johnson. Magic, James Worthy, Byron Scott, Sam Perkins, AC Green e do menino Vlade Divac.

Estavam em quadra Michael Jordan, James Worthy e Sam Perkins. Os três foram campeões universitários, juntos, com a camisa de North Carolina em 1982. Agora iriam duelar separadamente.

Vencer o Lakers, bicho-papão de títulos da NBA, na final contou muito, claro que contou. Mas, repito, a final mesmo foi diante do Detroit.

Notas relacionadas:

  1. NOITE DE SURPRESAS E EXCLAMAÇÕES
  2. A SURPRESA DA NOITE
  3. CHICAGO: TIME CASEIRO
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , ,

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 NBA | 02:00

HÁ SAÍDA PARA O LAKERS?

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LOS ANGELES – Quem me conhece sabe muito bem como respeito a opinião das pessoas.  Mas eu realmente não consigo entender quando muitos dos torcedores do Lakers, que frequentam este botequim, acham que nada demais está acontecendo com o time ou então que de fato a situação é ruim, mas quando os playoffs chegarem o Lakers vai jogar pra valer e ser campeão.

Nada indica isso. Por isso, eu pergunto: de onde se tira isso? Respeito, como disse, mas não consigo entender. Deve ser coisa do coração. E quando o coração se manifesta, a razão muitas vezes não consegue entender. Só pode ser isso.

Confesso que eu mesmo caí na arapuca preparada pelo imponderável quando escrevi que o time tinha recuperado a pegada de campeão ao vencer o Celtics em Boston. Enganei-me. A vitória do Lakers diante do Boston parece ter sido o último suspiro do moribundo.

Sim, pois o Lakers acabou de perder para o Cleveland. Isso mesmo, para o Cavs! Último colocado do campeonato! 104-99. Para o Cavs, um time que ficou 26 jogos sem vencer e que ganhou apenas três de seus últimos 40 confrontos.

Dá pra acreditar? Inacreditável.

O Lakers está 0-3 em seus últimos três confrontos. Mas perder para o Orlando, time forte do Leste, perder para o Charlotte, que consegue sempre encaixar seu jogo diante dos amarelinhos, passa; mas perder para o Cavs!

James Worthy, ex-jogador do Lakers, que fez parte do “Showtime” de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar na década de 1980, disse há pouco no KCAL 9, televisão que transmite os jogos do Lakers para Los Angeles e região, que “o Cleveland ainda é um time profissional. Quando se joga de maneira competitiva, se vence. Não se deve desrespeitar os adversários”.

Worthy sugere que o Lakers não levou a sério o oponente. E prosseguiu: “Eu entendo a derrota para o Orlando, mas não compreendo as duas últimas (diante do Cats e do Cavs)”. Menos tolerante do que eu, que aceitei a derrota para o Charlotte.

O repórter da TV, John Ireland, enquanto esperava pela abertura do vestiário, disse: “Nunca cobri um time assim. Não sei o que acontece”.

Ninguém sabe.

Worthy, como muitos de vocês, amigos torcedores do Lakers, disse que depois do “All-Star Game” o time pode mudar. Mas complementa: “Mas não sei se eles (os jogadores) querem isso”.

O que Worthy quer dizer é que os jogadores não estão concentrados no jogo neste momento. E não estão mesmo. Se tivessem, não perderiam para o Cavs.

Um P-Jax abatidíssimo apareceu para a entrevista coletiva. O que ele disse? O que diz um técnico numa situação dessas? Obviedades, lê apenas o que o “box score” mostra.

Salientou apenas os 19 erros do time durante a partida. “É muita coisa”. Claro que é, ainda mais diante do Cleveland.

Olhando para o “box score” o que a gente vê?

1) Ron Artest fez apenas um ponto;
2) Andrew Bynum fez meia dúzia;
3) Kobe fez 8-24 nos arremessos;
4) Pau Gasol fez 30 pontos e pegou 20 rebotes — que de nada adiantaram.

A situação está feia. Como se sai de uma situação dessas?

“Trabalhando, trabalhando pra valer”, disse Bynum depois da partida.

Mas eu, assim como Worthy, pergunto: será que esse time está afim de trabalhar?

JUSTIÇA

Sim, justiça seja feita: não foi apenas o Lakers quem perdeu. O Cleveland também ganhou. E convém lembrar sempre: O time perdeu Mo Williams com pouco mais de três minutos de jogo.

E, quis o destino, seu substituto, Ramon Sessions, foi o cara que desequilibrou a partida: 32 pontos e oito assistências.

Quando a coisa está feia (e a gente sabe que está), nem mesmo o fato de o melhor jogador do time adversário sair machucado traz benefício. Quando a coisa está feita, o reserva entra e acaba com a partida.

Foi o que aconteceu.

FUTURO

O que o Lakers pode esperar do futuro? De jeito que está, nada. O time pode melhorar depois do “All-Star Game”? Pode, claro que pode, pois tem camisa, tem técnico, tem elenco e tem o melhor jogador do planeta.

Mas dá pra acreditar nisso depois do que aconteceu em Cleveland?

Notas relacionadas:

  1. NOVO DRAMA PARA O LAKERS
  2. UMA SAÍDA PARA O BASQUETE
  3. UM SHOW PARA NÃO SE ESQUECER
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

terça-feira, 22 de junho de 2010 NBA | 23:59

P-JAX PODE MESMO SE APOSENTAR

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Chelsea Jackson. Alguém já ouviu falar dela? Eu nunca, confesso.

Dando uma navegada pela rede mundial de computadores, atrás de informações fresquinhas sobre a NBA, encontrei um texto que diz: Chelsea Jackson, filha do técnico Phil Jackson, disse à revista esportiva “Sports Illustrated” que o ciclo do treinador no Lakers acabou-se.

Oh! Péssima notícia. Não só pelo Lakers, claro, mas pelo basquete também. Sim, pois Chelsea garantiu que o ciclo dele acabou-se não apenas no time de Los Angeles, mas como técnico também.

Dono de 11 títulos como treinador, P-Jax pode mesmo pular fora do barco. E por quê?

Por dois motivos.

SAÚDE

Ela não é mais de ferro. Prestes a completar 65 anos (17 de setembro próximo), o treinador mais vitorioso da história da NBA já fez uma cirurgia na bacia para colocá-la nos eixos novamente.

Como vocês sabem, eu cobri para o SporTV as finais de 1996, 97 e 98, quando o Chicago foi campeão e P-Jax era o comandante do time. Vi-o de perto inúmeras vezes. Ele é muito esquisito, anda todo torto, pois parece que seu corpo não suporta o peso — que nem é tão exagerado assim.

Depois da cirurgia, passou a usar uma cadeira especial para trabalhar (veja foto ao lado). Jogue onde jogar, a cadeira de Jackson está lá. Se for no Staples, tudo bem, é em casa; se for fora, faz parte da bagagem do time.

Depois desse problema na bacia (que aparentemente foi resolvido), o treinador luta agora com um joelho adoecido, que traz-lhe problemas constantes. E dores como consequência.

Isso sem falar em outros probleminhas mais que se a gente fosse falar acabaria tomando um tempo exagerado de vocês que se prestam a ler esse blog e que eu agradeço de coração pelo tempo dispensado.

GRANA

O outro problema é a grana. Phil Jackson é o treinador mais bem pago da NBA. Ou melhor: era.

Recebeu US$ 12.5 milhões na temporada que acabou de se findar. Justificou cada centavo investido nele. É um supercampeão.

Acontece que Jerry Buss, dono do Lakers, quer baixar os vencimentos de P-Jax para US$ 5 milhões. Pode? Claro que pode, ele é o dono; mas não deveria.

O treinador não gostou nada dessa história; ninguém gostaria.

Quando isso tudo veio à baila, o Chicago fez uma investida no seu velho comandante. Mas Phil agradeceu o convite e disse que não tinha interesse em voltar a treinar o Bulls.

Certamente, o que pedisse iria receber, pois o Chicago contava com sua contratação para seduzir LeBron James. Não deu certo.

DECISÃO

Phil Jackson deve resolver até este final de semana o seu futuro. Dizem que de domingo não passa.

Vamos aguardar.

FUTURO

Se Phil Jackson realmente pular fora do barco, qual seria o futuro do Lakers? Quem poderia ser o novo treinador do time?

Respondendo a uma pergunta do Lincoln, um dos mais assíduos frequentadores deste botequim, disse que o melhor substituto para P-Jax seria Byron Scott.

Ex-jogador do Lakers, Scott está na estrada como treinador há dez anos. Nesta década de trabalho, foi duas vezes vice-campeão da NBA: 2001/02 e 2002/03. E ambas com o New Jersey — o que não é nada fácil de acordo com os meus parâmetros — e vocês sabem quais são, pois sabem o que eu penso sobre estar em time grande e time pequeno.

Byron foi jogador do Lakers em suas dez primeiras temporadas. Ganhou três títulos: 1985, 87 e 88. Fez parte do Showtime de Magic Johnson e era um dos pilares do time ao lado de James Worthy.

Perto do final da carreira, transferiu-se para o Indiana, onde jogou dois campeonatos. Foi para o Vancouver (hoje Memphis) e retornou ao Lakers, onde atuou uma temporada, encerrando a carreira em 1997.

Seu último ano foi o primeiro de Kobe Bryant com a camisa do Lakers, que na época era a 8 e hoje é a 24. A história relata que Scott ajudou muito na adaptação de Black Mamba ao time e à liga, pois ele tinha apenas 18 anos e acabara de deixar o ensino médio para jogar na NBA, sem passar pelo “college”.

A timidez era natural. Superá-la foi parte dos primeiros aprendizados no Lakers; e Byron Scott, repito, foi um dos caras que mais ajudaram Kobe.

Depois que pendurou o par de tênis, começou a trabalhar como assistente técnico. Gastou seus primeiros dois anos (1998 e 99) como auxiliar de Rick Adelman no Sacramento. Ótima escola, pois o atual treinador do Houston conhece o jogo como poucos.

Em 2000, Scott assumiu o comando do New Jersey.

Seu primeiro ano no comando do Nets foi fraco. O time fez uma campanha de 26-56 (31.78%) e ficou longe, muito longe dos playoffs. Mas no ano seguinte…

VICES

Na temporada seguinte (2001/02) Byron Scott levou o Nets à primeira final de NBA de sua história. Bateu o Indiana na primeira rodada (3-2), nas semifinais do Leste passou pelo Charlotte, hoje New Orleans (4-2), e na final da conferência ganhou do Boston por 4-2.

Na decisão do título enfrentou o Lakers, time onde dedicou praticamente toda a sua carreira como jogador, como vimos. Levou uma surra: 4-0 — e Shaquille O’Neal foi eleito o MVP das finais.

Não desistiu.

Na temporada subsequente, com uma campanha de 49-33 (59.8%), voltou aos playoffs. Na primeira rodada, passou pelo Milwaukee (4-2), mas semifinais tornou a eliminar o Boston (4-0) e na final do Leste ganhou do Detroit (4-0).

Novamente na decisão da NBA, novamente derrotado. Desta vez perdeu para o San Antonio por 4-2 — Tim Duncan foi eleito o MVP das finais.

NOVOS ARES

Byron Scott permaneceu mais uma temporada vizinho de Nova York. Na seguinte, desarrumou as malas em New Orleans. Estabeleceu-se na Louisiana por seis temporadas, sendo que em 2008 foi eleito “Coach of the Year”.

Deixou o comando do Hornets no começo do último campeonato, depois de ter dirigido o time em nove partidas. Venceu três e perdeu seis.

Ficou em casa por pouco tempo, pois dias após ter recebido o bilhete azul do Hornets, acertou com a ABC e a ESPN para ser comentarista. Um desperdício, pois, a meu ver, deveria estar treinando e não comentando.

EPÍLOGO

Por tudo isso que eu contei, por tudo o que disse, penso que Byron Scott, com dez anos de estrada, duas finais no currículo, uma vez eleito o melhor treinador da liga e com um histórico ligado ao Lakers deveria ser o novo treinador do time de Los Angeles.

Isso se Chelsea não estiver sendo uma menina levada.

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