UM TIME DANADO DE BOM!
Apesar da magnífica reação do Orlando no último quarto, esse Boston Celtics mostrou mais uma vez que é danado de bom. Quando a gente (gente, no caso, quer dizer eu) pensa que o time vai sentir o peso da idade, a perna pesada e a mente cansada, ele mostra que isso é bobagem e ganha do Orlando em plena Flórida por 92-88 e abre 1-0 na série decisiva da Conferência Leste.
Mostrou que o fato de ter descansado menos tempo que o Magic não fez a menor diferença. O time, como eu disse, é danado de bom.
Depois de uma série intensa contra o Cleveland, repousa apenas dois dias, pega o avião, desembarca no Sul dos EUA e ganha de uma equipe que tinha um retrospecto de 8-0 nestes playoffs. Ganha de um grupo que era (e ainda é) apontado por muitos como o melhor desta temporada pelo seu equilíbrio dentro de quadra e por ter um treinador que não joga para os holofotes, joga para o time.
Mas o Boston, como eu disse, é danado de bom. A camisa tem um peso enorme. Afinal, são 17 títulos da NBA ao longo de sua história; a franquia que mais vezes ganhou troféus. Mais do que o Lakers, o time mais regular da história da liga.
O jogo do Celtics beirou a perfeição. Só não foi perfeito porque no período derradeiro o time ficou 5:30 minutos sem pontuar. E ajudou, com isso, o Magic a fazer uma corrida de 30-18 nestes 12 minutos finais e dar uma emoção ao jogo que poucos esportes conseguem dar. E o basquete está entre eles.
A estratégia de Doc Rivers na marcação a Dwight Howard funcionou. Nada de “double team”; ou seja, marcação dupla. Kendrick Perkins, Glen Davis e Rasheed Wallace tomaram conta, sozinhos, um de cada vez, do atual Super-Homem da NBA.
Howard foi uma tragédia em quadra. Não conseguiu ser o “factor” do time neste primeiro jogo da final do Leste. Foram 13 pontos e um aproveitamento pífio para quem joga com o beiço grudado no aro: 3-10. Conta fácil de fazer, nem precisa de calculadora: 30% de aproveitamento. No confronto diante do Atlanta, quando jogou contra o “all-star” Al Horford e o georgiano Zaza Pachulia, DH teve uma média de exatos 21 pontos e um aproveitamento de 84.3% (27-32).
Some-se a isso o fato de que Howard cometeu sete erros no jogo de ontem. Muita coisa para quem se considera um “franchise player”.
Doc Rivers mostrou uma vez mais que não há necessidade de se dobrar na marcação frente a Dwight Howard. Jogador de recursos técnicos limitados, enfrenta sérias dificuldades quando encontra gente grande à sua frente. E foi o que ele encontrou ao tentar peitar Perkins, Davis e Sheed.
Mas para que o sucesso seja possível, a arbitragem tem que ser isenta. Não pode “proteger” Dwight. Tem que marcar o que tiver que ser marcado e engolir o apito quando nada houver.
E isso ocorreu neste domingo.
Além da marcação bem feita em cima de Dwight Howard, Ray Allen foi a bola da vez do quarteto fantástico do alviverde de Massachusetts. Allen deixou 25 pontos nas redes do Orlando, distribuídos da seguinte maneira: oito no primeiro quarto; quatro no segundo; seis no terceiro; e sete no quarto. Teve 50% de aproveitamento nos tiros com a bola em movimento (8-16) e 100% nos lances livres (7-7).
E apesar de seu 1m96 de altura, pegou sete rebotes. Foi o grande nome do Boston, que também agradece os trabalhos de Paul Pierce (Foto Getty Images, 22 pontos, nove rebotes e cinco assistências; 13 de seus pontos no terceiro quarto, quando o time abriu a vantagem que garantiu a vitória) e os 13 tentos que Sheed trouxe do banco.
Uma vitória e tanto, a quarta seguida do Celtics nestes playoffs; a terceira enfileirada fora de casa. E para quem gosta de números, lá vai: o Boston ganhou suas últimas sete séries de playoff quando venceu o primeiro jogo.
Sendo assim…
POBRE DO ORLANDO
Isso mesmo, se a história vingar uma vez mais, o time da Flórida vai para o espaço. Se não quiser entrar em órbita, terá de melhorar o aproveitamento nas bolas triplas. Neste combate frente ao Boston, a estatística mostra que a equipe acertou apenas 5-22 (22.7%). E a gente bem sabe que as bolas longas são uma das armas do time ao lado da intensidade do jogo de Dwight Howard.
Nem uma coisa e nem outra neste domingo diante do Boston. Isso explica bastante o revés caseiro.
MARRA
Doc Rivers, ao final do jogo, gravata frouxa, apenas de camisa e sem paletó, declarou aos jornalistas: “Com toda a franqueza eu afirmo que a gente só perde para nós mesmos. Acredito que a gente se encontrou novamente”.
Marra? Constatação pura?
Um pouco de cada coisa. O Boston não é imbatível, mas quando esse time ganha confiança, sai debaixo.
Experiente que é, Rivers leva o time (veterano) em banho-maria durante a fase de classificação. Claro que joga com intensidade; caso contrário, perde o contato com os ponteiros e corre risco de nem se classificar para os playoffs.
Mas a intensidade é relativa, pois Doc guarda toda munição para a hora certa: playoffs. É agora que conta, é agora que os jogadores gostam de jogar.
Eles acham a fase de classificação entediante. Já pediram para jogar menos, mas David Stern, o presidente da NBA, disse não.
Avery Johnson, ex-técnico do Dallas e hoje comentarista da ESPN, afirmou com todas as letras que a fase de classificação é “chata”. Time que se fia na “regular season”, entra no conto do vigário e se lasca nos playoffs.
Vocês sabem de quem eu falo, não é mesmo?
DEIXA PRA LÁ
Vamos falar um pouco mais do Orlando. J.J. Redick fez um ótimo último quarto. Marcou muito bem a Ray Allen — o que não é nada fácil. Vale o registro.
Os destaques do Orlando, no entanto, ficam para Vince Carter (23 pontos) e Jameer Nelson (20). Nelson merece registro pela pontuação e pelos rebotes apanhados (nove), mas merece um puxão de orelhas quanto a distribuição de jogo. Achei-o confuso e atabalhoado em boa parte da contenda. Prova disso é que deu apenas cinco passes que foram convertidos em cesta.
É certo que os companheiros não estavam com a mão calibrada, mas Jameer poderia ter caprichado um pouco mais na distribuição do jogo.
O Orlando deixou para trás uma série de 14 partidas sem ser derrotado. Conta, é claro, com partidas do final da fase de classificação. Havia 44 dias que o Magic não sabia o que era perder.
CURIOSIDADE
Doc Rivers tem residência em Orlando também, onde ele trabalhou como treinador. Tem residência em Orlando e em Boston. Sendo assim, dorme em casa em toda esta série, não importa se o jogo é fora ou em casa.
Carlos Boozer, ala de força do Utah, era um dos 17.461 espectadores que foram à Amway Arena. Ele, se você não sabe, será “free agent” ao final desta temporada. O que será que ele fazia em Orlando?
CALENDÁRIO
Amanhã ocorre o segundo jogo da série. Novamente em Orlando. É melhor o Magic tratar de ganhar. Caso contrário, poderia economizar tempo e dinheiro e nem embarcar para os jogos em Boston.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Al Horford, David Stern, Doc Rivers, Dwight Howard, Glen Davis, J.J. Redick, Jameer Nelson, Kendrick Perkins, NBA, Paul Pierce, Rasheed Wallace, Ray Allen, Vince Carter, Zaza Pachulia



O Denver construiu ontem à noite sua terceira vitória na temporada. Bateu o Memphis por 133-123; não foi fácil.








