01/11/2009 - 17:01
A rodada de ontem da NBA poderia ter sido jogada numa segunda-feira. Poucos jogos empolgantes. Rodada de sábado tem que ser atraente aos olhos dos torcedores.
Não foi o que aconteceu.
Na verdade, apenas uma contenda me chamou a atenção: o Houston bateu o Portland, no Texas, por 111-107. Foi o grande jogo da noite.
Foi também um jogo que me deixou decepcionado, pois eu esperava mais do Blazers. Afinal, muitos o colocam na final do Oeste diante do Lakers — não é o meu caso, mas é algo perfeitamente cabível.
Em quadra, o time, todavia, não tem justificado esta predileção. Eu sei, eu sei, foram apenas três partidas, mas se a gente não puder falar agora o que pensa, eu fecho as portas do botequim e reabro-a daqui a um mês.
É isso que vocês querem? Claro que não — e nem é o que eu quero.
Então, vamos lá. Labica, mais uma cerveja pra mim (Labica é o garçom do nosso botequim).
Como gosto de falar pelos cotovelos, digo: o Portland é uma das grandes decepções neste começo de temporada.
Por mais que tenha jogado fora de casa, pegou um Rockets que não arranca suspiros de muitos — eu entre eles. E os texanos, pior ainda, jogaram sem seus dois principais jogadores: Tracy McGrady e Yao Ming.
Mesmo sem eles, vazou a defensiva do Oregon em 111 tentos. Muita coisa.
Tenho certeza de que Nate McMillan, treinador do Blazers, e um fanático por defesas sólidas, deve ter perdido o sono na madrugada deste domingo. 111 pontos do Houston, mesmo sem Yao e T-Mac é coisa de doido.
De seu lado, Brandon Roy (foto AP) anotou 42 pontos. Acertou os 13 lances livres que bateu. Nas bolas de três, fez 5-7. Apanhou ainda seis rebotes, deu quatro assistências e fez um desarme.
O Portland não pode deixar acontecer com ele o que Mike Brown deixou acontecer com o Cleveland. O Cavs sofre de “lebrondependência”; o Blazer tem que evitar uma “roydependência”.
Caso contrário, vai acabar como o Cleveland: o time do “quase”.
AGENTE 0
Gilbert Arenas marcou 32 pontos na vitória do Washington diante do New Jersey por 123-104. Deve ter sido uma pelada.
Está completamente fora de moda jogos com placares dilatados. Isso é coisa do passado, quando se amarrava cachorro com linguiça, como gosta de dizer Luis Felipe Scolari.
De qualquer maneira, o Wizards chama a atenção neste início de temporada. Quando Antawn Jamison voltar, o time ficará mais forte ainda, pois Jamison, todos nós sabemos, é um dos vértices do triângulo do time de Flip Saunders ao lado do Agente 0 e de Caron Butler.
BATMAN
É Manu Ginobili. O argentino pegou um morcego com as mãos no jogo de ontem em San Antonio!
Louco de pedra; não se pega morcegos com as mãos. Está certo que era um “baby bat”, mas era um morcego!
“Ele sempre faz coisas malucas”, garantiu Tony Parker.
Nem precisa dizer, Tony, as imagens falam por si.
Ah, sim, o Spurs bateu o Sacramento por 113-94.
NBB
Começou neste domingo o NBB. Acordei mais cedo e me preparei para assistir Pinheiros x Brasília.
Os dois times entraram em quadra para disputar a contenda mais importante da primeira rodada.
Entraram e jogaram em uma quadra de vôlei…
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: Antawn Jamison, Blazers, Brandon Roy, Brasília, Gilbert Arenas, Houston, Manu Ginóbili, NBB, Pinheiros, Portland, Rockets, San Antonio, Spurs, Tony Parker, Tracy McGrady, Washington, Wizards, Yao Ming
03/07/2009 - 12:40
Já é oficial desde ontem à noite: Ron Artest é do Lakers e Trevor Ariza é do Houston. Quem ganhou?
Acho que foi bom para os dois lados.
O Lakers, como disse ontem neste botequim, se fortalece demais, pois ganha em Artest (foto Reuters ao lado de Kobe) um defensor que ele praticamente só encontrava em Kobe Bryant. Mais ainda: o ciclotímico ala sabe pontuar – e meter bolas de três.
Cairá como uma luva, como se costuma dizer, no esquema do Lakers. Era o jogador que faltava – embora eu ainda clame por um armador, experiente, que possa substituir Derek Fisher.
Mas como amigo é para sempre, Fish não sairá de jeito nenhum do Lakers. Ele é chegado em Kobe e Phil Jackson.
Além disso, no momento do apuro, do sufoco, do aperto, ele apareceu e ajudou o time a ganhar seu 15º. título.
Vai, pois, ficar. Jordan Farmar e Shannon Brown vão dar o descanso que o veterano armador tanto precisa, e quando for o caso, Kobe arma o jogo, com Ron na posição dois e Luke Walton na três.
Bem, P-Jax vai ganhar US$ 13 milhões na próxima temporada e esse é um problema para ele resolver. E, cá para nós, de fácil solução depois da chegada de Artest.
Quanto ao Houston, Ariza também cairá como uma luva – perdoem-me novamente este surrado clichê, mas falta-me neste momento inspiração maior para encontrar algo mais apropriado.
Quanto ao Houston, dizia eu, o Ariza vai mesmo se integrar perfeitamente ao time. Resta saber se Tracy McGrady passará incólume a próxima temporada, sem contusões que o privem de trabalhar.
Com T-Mac e Ariza juntos, Rick Adelman pode se dar ao luxo de deixar Shannon Battier no banco e colocá-lo em quadra quando apertar a marcação for necessário. 
Ariza (foto AP) é também um bom marcador, tem o “time” certo da jogada e por isso mesmo é um competente ladrão de bolas. Ajuda muito na defesa, mas não tem semelhante poder de marcação que Artest.
Se os amarelinhos têm ainda um problema – na armação, como disse –, os vermelhinhos seguem precisando de um pivô. Algo precisa ser feito rapidamente, pois Luis Scola, por mais brilhante e eficiente que seja não vai segurar, sozinho, esse rojão.
NBA
Anderson Varejão anunciou ontem em São Paulo que vai fazer no Rio de Janeiro um jogo com alguns astros da NBA. Local: Maracanãzinho; data: 9 de agosto; horário: 11 da manhã.
O capixaba disse que quer trazer LeBron James e que LBJ quer conhecer o Brasil. Eu costumo contextualizar muito essas declarações.
Lembro-me muito bem de um show do U2 no Brasil há uns dois anos. Bono Vox dizia, com a mesma potência de seu canto, que os brasileiros eram a melhor audiência que ele tinha encontrado. Uma semana depois, em Santiago do Chile, repetiu o discurso.
Portanto, não se empolguem quando um gringo fala bem do Brasil. Ao contrário da gente, que não tem papas na língua e fala o que der na telha, os demais povos do planeta procuram ser politicamente corretos – e respeitosos.
Dito isso, volto ao tema: King James no Brasil. Será que ele vem mesmo? Varejão disse que ele precisa encontrar uma data na agenda para ver se será possível.
Duvido – mas espero quebrar a cara, pois seria, sem dúvida alguma, sensacional ter o segundo maior jogador de basquete do mundo em terras tupiniquins.
Quanto ao evento, estará repleto de jogadores brancos e latinos. Os negros, norte-americanos, que são a essência do jogo, esses não deverão vir.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Anderson Varejão, Houston, Lakers, LeBron James, Rockets, Ron Artest, Trevor Ariza
02/07/2009 - 18:32
Ben Gordon (à direita) não é mais do Chicago; Charles Villanueva deixou o Milwaukee.
Vocês, tarados por basquete como eu, já sabem que ambos foram para o Detroit. Quem ainda não sabia, ficou sabendo agora.
Vamos por parte, como diria… não direi, pois este clichê beira o insuportável. Vamos, pois ao que interessa.
Alguns torcedores do Chicago devem estar chorando a saída de Gordon; não deveriam. Ele não estava mesmo a fim de ficar na Windy City. Recebeu pelo menos duas ótimas propostas de John Paxson e disse não.
Então, passar bem; com ferro elétrico.
Se um dia os torcedores do Milwaukee suportaram a saída de Lew Alcindor para o Lakers – Alcindor que mais tarde passou a se chamar Kareem Abdul-Jabbar –, por que não resistiram ao adeus de Villanueva?
Villanueva que ofereceu-se como uma mundana em seu twitter ao Cleveland, elogiando a contratação de Shaquille O’Neal e adicionando que agora só faltava um ala/pivô – ele – para o time se completar.
Portanto, o que disse sobre Gordon, vale para Villanueva: passar bem; com ferro elétrico.
Isso posto, vamos analisar a situação do Detroit. A equipe ficou muito forte com a chegada desses dois jogadores.
Ganha um armador de decisão muito bom em Ben Gordon – do mesmo nível de Richard Hamilton – e um ala de força com um jogo harmonioso em Charles Villanueva.
Aliás, a contratação de Gordon deixa claro que a franquia pretende se desfazer de Rip. Desconfio que o problema do jogador não era apenas com o ex-treinador Michael Curry – tem mais coisa nessa história.
Bem, se o Pistons adicionasse ao time um ala que pontuasse, voltaria a figurar tranquilamente entre os favoritos ao lado Leste. Tayshaun Prince marca muito, mas ataca pouco.
De qualquer maneira, a equipe tem em Rodney Stuckey um armador definidor, estilo Chauncey Billups. Isso tira um pouco a pressão em cima de Tayshaun.
Fica faltando um pivô, alguém pode dizer. Respondo: não acho, pois penso que Kwame Brown pode resolver a questão.
O problema, no entanto, aparecerá quando Kwame não puder estar em quadra. Quem vai ser seu descanso?
Fabricio Oberto? Nem pensar.
O Detroit poderia muito bem pagar a multa de seu contrato e despachá-lo para a Argentina. Na sequência, ir às compras novamente.
Sim, pois Austin Daye e DaJuan Summers, dois de seus drafts, são alas de força que podem muito bem ajudar. Mas não sei até que página, pois eles não têm qualquer experiência entre os profissionais.
O certo é que vem mais coisa por aí. Joe Dumars, por mais tapado que seja, conhece o jogo.
A galera deste botequim que torce para o Pistons esfrega as mãos à espera da próxima temporada. Não sem razão.
VOLTA 1
Josh Childress, que jogou seus primeiros quatro anos no Atlanta, foi para o Olympiakos na temporada passada. Seu contrato com o clube grego previa a possibilidade de o jogador testar o mercado ao final da temporada européia – que coincide com a norte-americana.
E é o que o jogador está fazendo no momento. Ou melhor, Jim Tanner.
O agente de Childress já teve uma reunião com os executivos do Milwaukee. O time de Wisconsin está atrás de um ala desde que negociou Richard Jefferson com o San Antonio.
Se der certo, o Bucks não sairá por baixo nessa história de jeito nenhum.
VOLTA 2
Quentin Richardson, que um dia fez parte de um time interessante do Clippers que tinha Lamar Odom e Darius Miles em grande forma, retornou a Los Angeles. Ele, que havia deixado o New York e ido para o Memphis, nem chegou a desarrumar as malas.
Foi trocado por Zach Randolph.
Ótimo negócio para o Clippers, que dá uma limpada legal em seu cap. Deixará de pagar US$ 16 milhões para Zach; terá compromisso de US$ 9.3 com Quentin. Economia de quase US$ 7 milhões.
Em tempos bicudos, nada melhor; sem contar que resolve um problema para o técnico Mike Dunleavy, que não teria o que fazer com Randolph depois do recrutamento de Blake Griffin, uma vez que a franquia ainda conta com Chris Kaman e Marcus Camby para a posição.
Já o Memphis fortalecerá seu garrafão com o ex-pivô angelino. Como o time da terra de Elvis Presley selecionou Hasheem Thabeet no último draft, pergunto: será que a batata do espanhol Marc Gasol está cozinhando?
Marc é uma espécie de Zoca da família Gasol, vocês não acham?
ESPANHA
Por falar nos iberos, Ricky Rubio decidiu cumprir seus dois últimos anos de contrato com o DKV Joventut. Desta forma, retirou o processo que movia contra o time espanhol.
Rubio pressiona o Minnesota, time pelo qual foi recrutado no último NBA Draft. Não quer jogar em Minneapolis de jeito nenhum.
Dan Fegan, seu agente, um dos mais influentes no mercado da NBA, quer levar o espanholito para a Big Apple. Seu sonho é ver seu cliente jogando com a camisa do New York.
Isso significaria ótima oportunidade para acertos publicitários mais vultosos do que se o armador jogar com a inexpressiva camisa do Wolves – sorry torcedores, mas é verdade, o que eu posso fazer se não falar?
Grana, sempre ela.
AMIGOS?
Depois que Ron Artest e Kobe Bryant quase se esbofetearam na série entre Lakers e Houston, li que os dois jogadores eram amigos fora da quadra, isso e aquilo.
Achei que ambos faziam tipo para segurar a barra.
Agora surge a notícia de que os angelinos – ao lado do Cleveland e do Boston – querem contratar Artest, que está com o passe na mão neste momento.
É, parece que a história era mesmo verdadeira – caso contrário, Kobe, um dos que têm voz ativa na franquia, diria não e ponto final.
Como ficaria esse Lakers com Artest ao lado de Kobe? Imbatível no Oeste – pelo menos.
Portanto, Trevor Ariza que defina logo sua vida, pois o Lakers tem um Plano B dos melhores. Superior, aliás, ao Plano A.
Sons vindos do Texas dão conta de que Ariza está reunido com o pessoal do Houston. É, o Rockets parece mesmo dar como certa a saída de Artest.
Mas vamos continuar imaginando as coisas. Se ele for para o Cleveland, diria o mesmo que disse sobre o Lakers: o Cavs ficaria imbatível no Leste. Idem se ele vestir a camisa alviverde do Celtics.
Quer dizer: o ciclotímico jogador do Houston é poderoso. Mesmo maluco, vale o investimento.
VALE?
O Houston pretende oferecer um contrato de cinco anos no valor de US$ 50 milhões para Hedo Turkoglu.
Vale?
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Ben Gordon, Blake Griffin, Bucks, Bulls, Charles Villanueva, Chicago, Detroit, Hedo Turkoglu, Houston, Kobe Bryant, Lakers, Milwaukee, NBA, Piston, Portland, Rockets, Ron Artest, Trevor Ariza
29/06/2009 - 20:29
A notícia é preocupante: Yao Ming pode ter de encerrar sua carreira. Motivo: a fratura no pé esquerdo teima em não se consolidar satisfatoriamente.
Diante disso, os médicos do Houston começam a considerar tal possibilidade. A próxima temporada está perdida; isso é dado como certo.
A dúvida fica por conta do que virá depois.
Por isso mesmo, a franquia já entrou em contato com três especialistas para ver o parecer deles.
Yao (foto AP) fez três cirurgias no local nos últimos quatro anos. Não há tatu que aguente – muito menos o pé fraturado: é muita altura e muito peso para o local suportar.
O vilão dessa história, dizem executivos do Houston, foram os Jogos Olímpicos de Pequim. A fratura não estaria completamente consolidada quando Yao resolveu defender seu país, diante de seus fãs, em agosto passado.
De no que deu.
E agora? E se ele tiver de parar de jogar?
O pivô chinês tem mais duas temporadas garantidas com o Rockets. Por estes dois anos Yao receberá US$ 34 milhões.
Se os especialistas decretarem o fim da carreira do jogador, como é que fica?
Não fica, claro; ele não vai receber esta bolada.
Eu não sei da situação de Yao e muito menos se o calo dele aperta ou não. Mas se apertar será que alguém vai estender a mão para ele neste momento?
Portanto, rapaziada, quando qualquer jogador brasileiro disser não à seleção porque está preocupado com o futuro, por favor, não vamos fazer disso um cavalo de batalha.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Houston, Rockets, Yao Ming
16/05/2009 - 12:28
Leandrinho Barbosa visitou ontem a sede da CBB, no Rio. Encontrou-se com cartolas e com a comissão técnica.
Quando apertou a mão do técnico Moncho Monsalve, disse a ele: “Estarei com o grupo na Copa América”.
Excelente notícia!
A seleção vai mesmo precisar do armador do Phoenix na competição, sem local definido, pois o México desistiu de sediar o torneio.
Dizem que o Brasil pleiteia a disputa. Acho pouco provável que seja escolhido, pois estará recebendo a Copa América feminina, a ser disputada na cidade de Cuiabá, no Mato Grosso.
Mas enquanto a decisão sobre o local do torneio masculino não vem, vamos curtir a decisão de Leandrinho. Já fico imaginando o “backcourt” brasileiro com Marcelinho Huertas na armação e Leandrinho como segundo condutor da bola em quadra, podendo ser também o primeiro de acordo com as mexidas do nosso treinador.
Alex Garcia, com sua explosão e a grandeza de seu coração e sua alma, ajudando os dois, aparece como outro elemento de destaque do nosso “backcourt”.
Resta agora saber qual será a decisão de Nenê e Anderson Varejão.
O capixaba, segundo li na mídia, já andou dizendo que pode não jogar por causa de sua indefinição contratual com o Cleveland. O acordo de Varejão com o Cavs se estende por mais um ano, com opção do brazuca em permanecer ou não.
Ou seja, ao contrário da época do Pré-Olímpico de Las Vegas e do Pré-Mundial, Varejão não está, neste momento, desamparado. Ele tem garantido US$ 6.2 milhões para jogar a próxima temporada pelo Cleveland.
O que ele pretende, legitimamente, é melhorar seus rendimentos, pois seu crescimento em quadra foi espetacular nesta temporada. Por isso ainda não definiu se permanece em Ohio ou se testa o mercado – mesma situação de Carlos Boozer com o Utah.
Se Varejão realmente decidir testar o mercado, há um risco grande de ele não jogar a Copa América, pois a gente não tem como saber se ele já terá resolvido seu futuro na NBA até o momento da competição, que começa em 26 de agosto e vai se estender até seis de setembro.
Temos que cruzar os dedos para que isso seja resolvido rapidamente, pois Varejão tem papel de destaque dentro do projeto arquitetado por Moncho.
Quanto a Nenê, aparentemente, nada o impede de participar da Copa América. Seu acordo com o Denver vale por mais duas temporadas – a última delas é semelhante a de Varejão, com opção de Nenê validar o contrato ou não.
A saúde do são-carlense está tinindo. Seu jogo também.
Ao lado de Varejão e Tiago Splitter formaria uma parede quase intransponível para os adversários pan-americanos, uma vez que os EUA, já classificados para o Mundial, nem vão participar do torneio.
Tomara que Varejão e Nenê estejam, como Leandrinho, na Copa América.
Já fico a imaginar o quinteto titular: Huertas, Leandrinho… não sei quem seria o ala, (Tavernari, Geovanonni?) Varejão e Nenê. Vindo do banco, Alex, Splitter, Baby (que vem fazendo um ótimo campeonato com o Flamengo), enfim, há ótimas opções para que formemos uma seleção das mais competitivas.
Está nas mãos de Varejão e Nenê no momento.
NÚMEROS
Em apenas três oportunidades o Boston perdeu o jogo sete de uma série de playoffs atuando diante de seus fãs. As outras 17 foram vencidas.
A primeira derrocada aconteceu diante do New York, em 1973. O jogo era a decisão da conferência e o time de Massachusetts perdeu por 94-78.
A outra ocasião também representava final do Leste. O Boston perdeu para o Philadelphia por 120-106, isso em 1982.
Finalmente, a última vez que o Celtics perdeu um jogo sete em casa foi em 2005. A partida diante do Indiana era pelas semifinais e acabou com triunfo do Pacers por 97-70.
Como se vê, pelos resultados desses três confrontos, se o Orlando quiser a vaga, terá de golear. Se o jogo estiver no pau, com o apoio da torcida e a arbitragem pressionada, esquece, o Boston ficará com a vaga.
AUDIÊNCIA
O jogo passado entre Houston e Lakers, no Texas, foi a partida de basquete com maior audiência até hoje pela ESPN. A peleja da última quinta-feira foi vista por 7.35 milhões de assinantes, superando os 6.6 milhões que viram a vitória do Miami diante do Detroit na final da Conferência Leste em 2006.
O encontro deu 5.4 pontos de média nacional, sendo que em Houston ela foi de 16.0. Esse número representa a máximo atingido por uma televisão local.
Como será o jogo de amanhã? Não será exibido pelo cabo; será mostrado ao vivo para todo o território norte-americano pela ABC.
Baterá recordes, creio eu.
TRISTEZA
Wayman Tisdale morreu ontem pela manhã em Tulsa, Oklahoma, sua cidade natal. Tinha apenas 44 anos e perdeu, infelizmente, a luta diante do câncer.
Deixou o basquete depois de 12 temporadas para se tornar contrabaixista de jazz. E dos bons.
Tenho os seis primeiros CDs de Tisdale: “Power Forward” (1995), “In The Zone” (1996), “Decisions” (1998), “Face to Face” (2001), “Presents 21 Days” (2003) e “Hang Time (2004)”. Faltam-me apenas os dois últimos, “Way Up!” (2006) e “Rebound (2008)”.
Todos eles comprovam o que disse acima.
Tocou com gente como Bob James, Dave Koz, George Duke, Norman Brown, Marc Antoine, Gerald Albright, Lenny Castro, Lenny White, Marcus Miller, Kenny Garret, entre outros.
Quem conhece jazz sabe de quem estou falando.
Como jogador, brilhou demais no college. Nos três anos em que ficou na universidade de Oklahoma, Tisdale (foto AP) foi eleito para o quinteto ideal do basquete universitário norte-americano.
Em 1984, ainda como estudante, disputou a Olimpíada de Los Angeles num time que contava com Michael Jordan, Patrick Ewing, Chris Mullin e Sam Perkins.
Participou dos oito embates do time dos EUA, sendo que em dois deles saiu como titular. Foi o melhor reboteiro da equipe na competição, com 6.4 de média. Anotou 8.6 pontos por jogo – Jordan acabou como cestinha com 17.1 de média.
Neste mesmo ano, foi o segundo jogador a ser escolhido no NBA Draft. Ficou atrás apenas de Ewing.
Tisdale foi para o Indiana. Jogou ainda pelo Sacramento e Phoenix.
Encerrou a carreira com 15.3 pontos e 6.1 rebotes por embate disputado.
Estou triste, muito triste mesmo.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, NBA, basquete brasileiro
Tags: Anderson Varejão, Boston, Celtics, Houston, Lakers, Leandrinho Barbosa, NBA, Nenê, Orlando, Wayman Tisdale
15/05/2009 - 12:51
Nem Boston e nem Lakers. Os dois times perderam ontem e a decisão dos últimos finalistas ficou para domingo.
Isso quer dizer que hoje e amanhã haverá descanso na NBA. Vamos fazer o que sem jogos para assistir?
Sugestão: colocar a leitura em dia ou ir ao cinema. Fico com a primeira opção.
Comecei a ler “Histórias dos mares do Sul”, de Somerset Maugham, e estou gostando bastante. Fica uma dica pra vocês que apreciam literatura.
BOLA
Voltando ao início de nossa conversa, Orlando e Houston, os anfitriões da rodada de ontem, exploraram bem o fator quadra e continuam vivos ainda sem suas séries.
Na Flórida, o Magic lavou a roupa suja em casa; Dwight Howard (foto AP) aproveitou para se desculpar interna e publicamente por suas declarações questionando o esquema tático de Stan Van Gundy e o resultado foi o triunfo mencionado.
Sim, pois o esquema foi revisto, a atitude dos companheiros também e quem ganhou foi o time. O Super-Homem marcou nada menos do que 23 pontos, apanhou 22 rebotes e foi determinante – como ele mesmo diz que é – na vitória por 83-75.
Depois do duelo, contido, declarou sobre o “affair” com o treinador: “A maior lição [tirada]? Manter a boca fechada”.
É isso mesmo. Há coisas que têm que ser resolvidas internamente, dentro do vestiário ou no escritório do treinador.
Sair atirando pra tudo quanto é lado, como Dwight fez após a derrota em Boston na última terça-feira, só cria mal-estar, divide o grupo e é o caminho mais curto para o insucesso.
Ontem, unidos, os jogadores conseguiram vencer e sobreviver na série, como vimos.
Quanto ao Boston, repete o script do ano passado e da série passada. No campeonato anterior, precisou de sete partidas para eliminar Atlanta e Cleveland. Neste, teve que jogar sete porfias para escantear o Chicago.
Será um presságio de nova conquista?
Sem Kevin Garnett dá para eliminar o Orlando, mas penso que sem ele, diante do Cavs de LeBron James, acho muito difícil, até porque o time não tem a vantagem de decidir em casa.
Como aconteceu no ano passado, na série contra o Chicago e Orlando, este ano.
DESTAQUE
Rajon Rondo está impossível nesses playoffs. Olhem só seus números no jogo de ontem: 19 pontos, 16 rebotes, seis assistências e quatro desarmes.
Nestes playoffs, considerando as duas séries, tem médias de 17.4 pontos, 10 rebotes e 9.8 assistências.
Rajon tem compensado a ausência de Kevin Garnett, embora o crescimento de Glen “Baleinha” Davis não possa ser desprezado de jeito nenhum. Ontem, o “cetáceo” teve problemas com as faltas e foi pouco produtivo: seis pontos e dois rebotes em apenas 25 minutos.
TEXAS
Em Houston, o Rockets voltou a surpreender. Mesmo sem Yao Ming, o time enfiou 95-80 no Lakers e, como o Orlando, sobrevive, mas terá de decidir fora de casa.
Difícil – assim como a situação do time da Flórida.
Mas vamos curtir a vitória de ontem, onde dois jogadores tiveram grande destaque: Aaron Brooks e Luis Scola.
O armador esteve impossível. Marcou 26 pontos, sendo que oito dos últimos 11 pontos do time.
Scola (foto AP) adicionou 24 tentos e 12 rebotes. Foi o dono do garrafão.
O argentino tem um “double-double” de média nesta série diante do Lakers: 13.2 pontos e 10.5 rebotes. Tem feito das triplas coração para compensar a ausência do chinês.
Fez um duplo-duplo nos últimos quatro jogos.
O coração, a alma, a garra, a gana, a vontade de vencer que ele tem eu, sinceramente, não consigo ver em Pau Gasol nos momentos decisivos. O espanhol, tido por muitos como um pivô soft – e eu concordo –, parece amedrontar-se quando a onça vai beber água.
Ontem foi assim – como foi na decisão do ano passado contra o Boston. A falta de agressividade de Gasol se mede pelo número de vezes que ele foi à linha do lance livre ontem: nenhuma.
TURRÃO
E o que dizer de Phil Jackson? Não é mais o mesmo, ao que parece.
A insistência dele com Derek Fisher chama a atenção. Jordan Farmar mostrou nas vezes em que entrou em quadra que, mesmo sem a experiência de Fish, é mais útil.
Foi assim no terceiro jogo da série, quando substituiu o titular que estava suspenso. Em 33 minutos, ele anotou 12 pontos e deu sete assistências na importantíssima vitória por 108-94.
Ontem, Fish, uma vez mais, esteve irritante. Cravou apenas dois pontos na cesta inimiga, fruto do único arremesso correto em sete tentados. Errou todos os cinco tiros de três.
P-Jax precisou de 21 minutos para perceber que o veterano armador é na verdade um ex-jogador em atividade.
Colocou Farmar em quadra o mesmo tempo que Fish. E o armador reserva contribuiu bem mais: 13 pontos.
Bem, este é apenas um dos aspectos do declínio – espero que momentâneo – do treinador do Lakers.
O outro? Kobe Bryant no banco de reservas durante os 5:04 minutos iniciais do último quarto – o decisivo, como sabemos.
A troco?
Por que Kobe ficou tanto tempo no banco?
P-Jax parece dormir em sua poltrona grande. E, infelizmente, parece não ser mais o mesmo.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Aaron Brooks, Boston, Celtics, Dwight Howard, Glen Davis, Houston, Kobe Bryant, Lakers, Luis Scola, Magic, NBA, Orlando, Pau Gasol, Phil Jackson, Rajon Rondo, Rockets
13/05/2009 - 11:51
O Boston fez uma virada sensacional no último quarto, ganhou uma partida que parecia perdida e abriu 3-2 na série semifinal contra o Orlando. Tão importante quanto a vitória é o que diz a história: jamais, em tempo algum, o Celtics foi derrotado em uma série melhor de sete onde ele pulou à frente em 3-2.
Foram 32 ocasiões onde isso ocorreu. Torno-me repetitivo porque acho bom frisar: 32 vitórias, portanto.
Com ela, a crise bateu à porta do Orlando e ao invés de o pessoal da Flórida fingir que não tinha ninguém em casa, abriu-a. Pior do que isso: escancarou-a.
E o estrago foi grande. Sabe o que a crise fez: criou um conflito desnecessário entre o melhor jogador do time, Dwight Howard, e o técnico Stan Van Gundy.
O pivô, inconformado com a derrota, deitou falação pra cima do treinador. “Ofensivamente, eu tenho que ter a bola”, disse Howard (foto Reuters) pra quem quisesse ouvir – entre eles os jornalistas, que arregalaram os olhos, esfregaram as mãos, pois a manchete do jogo já estava pronta.
“Penso que a gente não vai conseguir ganhar jogos quando seu pivô [ele próprio] faz apenas dez arremessos”, prosseguiu Howard, que completou: “Nós precisamos rever isso. Quando você tem um jogador dominante, tem que deixá-lo ser dominante”.
O site da ESPN apresentou números que favorecem os reclamos do jogador. Segundo a estatística, Howard pegou na bola, no ataque, apenas 22 vezes em todo o jogo. No quarto período, recebeu um passe ofensivo em três oportunidades e nos últimos 6:50 minutos apenas uma vez, exatamente quando o cronômetro marcava 5.9 segundos para o final da partida.
Não encontrei nenhuma declaração de Van Gundy sobre os reclamos do Super-Homem. Vamos, pois, aguardar os próximos capítulos.
Quanto ao fato, há duas vertentes interpretativas: 1) Van Gundy não está envolvendo Dwight ofensivamente como deveria fazê-lo (sabe-se lá por qual motivo); 2) Os próprios jogadores do Orlando estão vendo que o companheiro grandalhão está sendo controlado pelos seus marcadores (Kendrick Perkins e Glen Davis) e optaram por não passar a bola para ele.
Vendo os jogos pela televisão, a segunda alternativa parece-me bem razoável: por incrível que possa parecer, Perkins, um pivô por quem ninguém nunca deu nada, que saiu direto do high school (ensino médio) para a NBA, está controlando muito bem o melhor jogador adversário – e um dos melhores do mundo.
Mas é claro que Perkins não está anulando Howard isoladamente. A marcação do Boston, num todo, com dobras e ajudas, tem possibilitado isso – sem contar que o Baleinha é um parceiro e tanto.
Por isso, ao fazerem a leitura do jogo, os atletas do Orlando procuram uma alternativa mais viável de se chegar à cesta segundo o entender deles: os arremessos de média e longa distância, além das infiltrações.
As bolas, no entanto, não estão caindo; especialmente as de três. Ontem, 24 foram atiradas contra a cesta do Boston; apenas seis caíram (25.0%).
Hedo Turkoglu, um dos especialistas do time, tentou cinco e não atingiu o alvo em nenhuma oportunidade. Um absurdo em se tratando de um jogador em que a franquia deposita confiança nos momentos decisivos – e ontem foi um deles, pois se o Magic vencesse, decidiria, amanhã, em casa, a vaga para a final da conferência.
Mas não vamos culpara apenas o turco. Rashard Lewis também teve um aproveitamento raquítico: 1-4 (25%).
Faltou, portanto, desconfiômetro para o Orlando. De treinador aos jogadores em quadra.
Mas o que fazer se o seu melhor jogador não consegue se livrar da marcação?, devem pensar os atletas em quadra e o técnico no banco.
Simples, eu diria: joga a bola para Dwight porque a qualquer momento, pelo talento que tem e pela força física descomunal que possui, as bolas vão começar a cair.
E quando isso acontecer, o Orlando entra no jogo, o adversário se intimida e os marcadores, naturalmente, ficarão carregados em faltas.
Como disso, aparentemente, simples, não é mesmo?
CALIBRE
Ray Allen, ele novamente, incendiou o time em quadra. O fogo se alastrou pelos seus companheiros e o Boston ganhou um jogo, como disse acima, que parecia perdido.
Faltava 1:20 minuto para o final e o Orlando tinha uma vantagem de dois pontos (85-83), vantagem esta que vinha caindo.
Allen, como sempre faz, rápido, ágil, inteligente, saiu da marcação, recebeu a bola de Rajon Rondo e disparou, da meia direita do ataque alviverde, atrás da linha dos três: bingo!
Boston 86-85 Orlando.
O jogo acabou aí, embora o marcador final tenha sido 92-88 para o Celtics.
NORMALIDADE
Aconteceu ontem em Los Angeles o que deveria ter ocorrido no domingo em Houston. O Lakers atropelou o Rockets e abriu 3-2 na série.
O resultado diz tudo: 118-78.
Os 40 pontos poderiam ter sido 50, sei lá, mais até, se Phil Jackson tirasse o coro de seus principais jogadores. Mas como não havia necessidade alguma disso.
O treinador do Lakers deixou em quadra seus principais jogadores cerca de meia hora. Tempo suficiente para eles fazerem um belo estrago na defensiva texana.
Kobe Bryant (26 pontos) jogou 31 minutos, tendo ficado o último quarto todinho no banco (foto AP); idem para Pau Gasol (16 tentos), que atuou dois minutos mais; Lamar Odom (10 pontos) esteve em quadra apenas 17 minutos.
P-Jax segurou-os no banco e exigiu mais de Andrew Bynum, Jordan Farmar, Luke Walton, Sasha Vujacic e Shannon Brown.
Deu ritmo a esses jogadores e, como disse, refresco para os três pilares do time, especialmente Lamar, que vem jogando com uma contusão lombar.
Se a série não se resolver amanhã, em Houston, será fechada em Los Angeles, domingo, com vitória dos amarelinhos, que jogarão de branco como acontece sempre que eles atuam no Staples Center neste dia da semana.
Infelizmente, o confronto perdeu toda a graça com a contusão de Yao Ming.
RECORDE
Phil Jackson tornou-se o primeiro treinador na história da NBA a conquistar 200 vitórias em partidas de playoffs.
Congrats, P-Jax!
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Boston, Celtics, Dwight Howard, Houston, Kobe Bryant, Lakers, Lamar Odom, Magic, Orlando, Pau Gasol, Ray Allen, Rockets, Stan Van Gundy
11/05/2009 - 10:55
O Boston tem contrariado a lógica nestes playoffs. Quando todos esperavam que ele passasse com relativa facilidade diante do Chicago – mesmo sem Kevin Garnett –, o time precisou de sete partidas para eliminar o adversário.
E não fosse a vantagem do mando de quadra, talvez pudesse ter ficado no meio do caminho. Mas o fato é que seguiu adiante.
Nas semifinais da conferência, diante do Orlando, quando esperava-se que o time da Flórida pudesse levar vantagem pelo fato de KG estar lesionado, eis que o Boston volta a contrariar a lógica, oferece resistência e torna esta série das mais disputadas.
O jogo de ontem à noite em Orlando foi emblemático. E mostrou que o Celtics, se for eliminado, o será depois de muita batalha.
Mesmo sem KG, o Boston segue sendo um time forte, robusto, com caráter de campeão. Doc Rivers, seu treinador, realmente está em um nível superior aos demais.
Conseguiu dar uma nova cara ao time rapidamente, privado que ficou de seu melhor jogador. E encheu de moral o reserva Glen Davis e este respondeu em quadra a toda confiança depositada em seus 131 quilos.
Do alto de seus 2m06 de altura, o Baleinha – como gosto de chamá-lo –, “on fire” que estava, realizou o último arremesso da partida. O telão da Amway Arena estampava: Orlando 94-93 Boston.
Quando a bola saiu de suas mãos, no mesmo telão o cronômetro mostrava que faltava 0.8 segundo para a buzinada final. A laranjinha cumpriu o trajeto de um arco-íris e entrou firme, forte, no aro do Orlando.
Pouco antes, a buzina soou alto pela última vez, para desespero dos 17.461 torcedores que foram ao ginásio, certos de que iriam presenciar a terceira vitória de seu time na série.
Mas o tiro certeiro de Davis despertou-os para a realidade: Boston 95-94 Orlando. 2-2 na série.
Glen, depois da cesta, incorporou o personagem marrento, típico da maioria dos jogadores da NBA e saiu fazendo cara feia, biquinhos, batendo no peito, pulando, enfim, festejando o feito (foto AP).
Tudo perdoável; ele merecia mesmo tudo isso.
Afinal, de reserva meio que desacreditado, que um dia foi humilhado no banco de reservas exatamente por Garnett, que o fez chorar tamanho o corretivo aplicado, hoje o Baleinha vive realidade oposta.
Nele todos confiam. Do treinador ao elenco, passando também pelos executivos da franquia.
E do lado de fora, KG, aquele que um dia humilhou Davis, é hoje seu maior incentivador.
Emblemático, como disse; mas não apenas o jogo, a situação também.
NÚMEROS
Glen Davis esteve a todo o vapor no último quarto. Pegou a batuta e regeu o time em quadra.
Marcou sete dos 16 parcos pontos do Celtics no período, enquanto que o resto do time anotou nove. Acertou três de seus quatro arremessos; já seus companheiros em quadra encestaram apenas quatro de 13 chutes.
Glen foi duas vezes à linha do lance livre – mesmo número do restante da equipe. Atingiu o alvo uma vez – mesmo aproveitamento dos demais.
Apanhou cinco rebotes nos últimos 12 minutos, mesmo número dos demais jogadores que atuaram no quarto e decisivo período.
Como se vê, está explicada toda a marra no final da partida. O Baleinha jogou demais mesmo.
Terminou a porfia com 21 pontos. Sua média na série era de 10.6.
O Baleinha jogou demais mesmo.
DITADO
Diz o velho axioma popular: “Há males que vêm para o bem”.
Pois é; Kevin Garnett contundiu-se no joelho e não jogou nem uma partida sequer destes playoffs. Duro golpe para o atual campeão da NBA, que pretendia reprisar o feito nesta temporada.
Sem KG, os planos farão fazer água – todos pensaram.
Mas eis que surge Glen Davis e o Boston continua mais vivo do que nunca nos playoffs.
Ou seja: o Celtics perdeu um jogador extraordinário nesta fase decisiva, mas ganhou um atleta e tanto, que estava no grupo, mas apagado pelo brilho excessivo do então titular.
ERRO
O grande pecado do Orlando foram suas bolas longas. Acertou apenas cinco das 27 arremessadas.
Foi como dar murros em ponta de faca.
O Boston agradeceu.
BAIXINHO
Alguém poderia imaginar que o Houston fosse bater o Lakers sem Yao Ming? Poucos, diria; talvez seus torcedores mais fanáticos, porque os lúcidos não viam muita possibilidade de isso ocorrer.
Mas eis que surge um baixinho e acaba com os planos dos angelinos de não mais voltar ao Texas. Sim, pois se o Lakers tivesse vencido ontem, teria aberto 3-1 na série e na partida de amanhã à noite, na terra do cinema, teria tudo para fazer 4-1 e encerrar o confronto.
Mas, como disse, apareceu um baixinho que acabou com os planos dos californianos.
Aaron Brooks (foto AP) fez nada menos do que 34 pontos. O Lakers não encontrou resposta para seus arremessos longos, de média distância e nem para suas infiltrações.
Brooks esteve em todos os lugares da quadra. Seus marcadores foram à loucura, pois foi realmente impossível contê-lo.
E olha que Brooks ficou nove minutos descansando, no banco de reservas. Em 39 minutos em quadra, acertou 12 de seus 20 arremessos, sendo que quatro foram das nove tentativas de três. Bateu seis lances livres e encestou todos.
Deu apenas quatro assistências… mas também pudera, do jeito que ele estava acertando tudo, passar a bola para os outros pra quê?
PERSONAGEM
Houve troca de personagem no jogo de ontem à tarde no Texas. Ron Artest cedeu seu lugar para Shane Battier.
O perseguidor implacável de Kobe Bryant, além de ter anulado o melhor jogador adversário, marcou 23 pontos. Acertou cinco bolas de três.
Battier precisa ser mais regular. Se isso ocorrer, mesmo sem Yao, o Houston pode sonhar com nova vitória em Los Angeles.
Mas Artest também tem que estar mais presente ao jogo. Seus oito pontos anotados ontem nada significarão no Staples Center. É preciso aumentá-los se o time, como disse, quiser roubar novamente a vantagem de quadra dos amarelinhos e voltar a sonhar com a vaga nas finais do Oeste.
CHAVE
O início arrasador do Houston foi decisivo para que o time vencesse a partida de ontem por 99-87. O placar, aliás, é mentiroso!
O Rockets chegou a estar 29 pontos na frente (jamais esteve atrás) e só não sustentou a vantagem porque era desnecessário desgastar-se por nada. A vitória estava sacramentada e, por isso, o acelerador foi aliviado.
Mas, voltando ao tema inicial, o começo fulminante do Houston foi chave. A equipe fez uma corrida de 14-4 em pouco menos de cinco minutos, chegou em 26-9 a 3:15 do final do primeiro quarto.
Esta avalanche ofensiva desnorteou o Lakers. O time de Los Angeles não entrou mais no prumo.
POBREZA
Kobe Bryant foi um arremedo de craque ontem no Texas. Seus números contam tudo: 15 pontos.
Tinham, até então, na série, exatos 35 tentos de média.
Como se diz, não dá mesmo para jogar bem todas as noites. Ontem, no caso, foi à tarde.
Será que foi esse o problema? Kobe não gosta de sessões vespertinas?
Claro que não; Bryant foi, isto sim, completamente controlado pela defensiva texana.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Aaron Brooks, Boston, Celtics, Doc River, Glen Davis, Houston, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Rockets
09/05/2009 - 13:08
Não foi apenas Kobe Bryant que jogou uma barbaridade. Todo o time do Lakers jogou uma barbaridade.
Os roxinhos calaram o Toyota Center ontem à noite com um jogo absolutamente equilibrado. Defensa forte e ataque envolvente.
O Houston não teve resposta para a equação montada pelo Lakers durante as 2h34 de partida. Isso acabou por silenciar os 18.495 torcedores que superlotaram o ginásio texano.
Quando muitos contavam com vitória do Rockets e um salto em 2-1 na série, por jogar em casa e por ver o adversário privado do experiente Derek Fisher, punido com um jogo de suspensão, o técnico Phil Jackson surpreende e escala Jordan Farmar. Jogador que atuou apenas quatro minutos por partida na série contra o Utah.
Ninguém esperava por isso.
Farmar saiu do esquecimento para ser um dos elementos chaves na vitória de ontem por 108-94. Fez 12 pontos, sete assistências, cinco rebotes, dois desarmes, um toco e nos 33 minutos que ficou em quadra comentou apenas um erro.
Desculpem o lugar-comum, mas não me ocorre nada melhor no momento: Farmar foi um gigante apesar de seu 1m88.
Mas Farmar é página virada; vamos falar do trabalho do “frontcourt” angelino. Um espetáculo.
Trevor Ariza esteve preciso nos arremessos de três: 3-4. Anotou 13 pontos, apanhou cinco rebotes e roubou quatro bolas.
Pau Gasol, se teve dificuldades para pontuar no primeiro tempo, quando marcou apenas quatro pontos, deslanchou no segundo com mais nove tentos. Mas o importante do seu trabalho foi conter Yao Ming.
Na etapa inicial, o chinês havia marcado 14 pontos e caminhou para o vestiário sob o olhar atento das lentes das câmeras da ESPN, que transmitiu a partida, e sob aplausos incessantes dos torcedores. No segundo tempo, Yao anotou apenas cinco pontos.
Sabe por quê? Foi presa da marcação do espanhol, que deve estar sob efeito de anti-inflamatórios neste momento, pois o chinês é maior em tamanho e largura do que o espanhol.
E o que dizer de Lamar Odom? Foi uma vez mais sensacional, especialmente nos momentos de muita pressão. Contribuiu com 16 pontos e ao apanhar 13 rebotes transformou-se no único jogador do time a ter um “double-double” na partida.
À PARTE
Kobe Bryant merece um capítulo dedicado somente a ele. Anotou ontem 33 tentos e chegou a 3.928 em playoffs.
Com isso, ultrapassou Larry Bird (3.897) e ocupa agora a sexta posição entre os maiores cestinhas desta fase decisiva da NBA.
Nos três confrontos disputados diante do Houston, ele tem uma média de 35 pontos. E jogando contra uma defesa que é uma das melhores da NBA e se sustenta com dois dos melhores marcadores da liga: Shane Battier e Ron Artest.
Jogar contra manés é um coisa; enfrentar gigantes do porte de Battier e Artes é outra completamente diferente.
Isso torna Kobe um jogador especial nesta série até o momento.
Mas não foi fácil para ele. Os dois – principalmente Battier – foram a sombra do armador do Lakers durante todo o jogo (foto AP).
Kobe arremessou sempre pressionado; não teve moleza em nenhum momento. Se teve problemas nas bolas duplas, tendo acertado apenas 7-22 (31.8%), nas de três, no entanto, ele saiu-se bem: 4-6 (66.7%). E nos lances livres, melhor ainda: 7-8 (87.5%).
O camisa 24 do Lakers não cometeu nenhum erro durante os 44 minutos em que esteve em quadra; emblemático. Completou seus números com mais seis rebotes, três assistências, dois desarmes e três tocos.
E um desses tocos foi em cima de Yao Ming, na etapa final. Foi como um quadro de Gustave Courbet.
MARCADO
Ron Artest foi expulso quase ao final da partida por ter feito uma falta flagrante 2 em cima de Pau Gasol no entender da arbitragem. Está claramente colhendo os frutos que plantou ao longo da carreira.
Como disse Kobe Bryant, não foi nem sequer uma falta flagrante. Foi uma falta de jogo, mais dura, é verdade, mas de jogo.
Mas Artest acabou expulso, como disse, mas de forma injusta.
O mesmo critério rigoroso usado contra Artest a arbitragem não colocou em prática ao analisar a falta que Sasha Vujacic fez em Von Wafer. Foi como a infração de Artest, mais dura, é verdade, mas de jogo.
E, por isso mesmo, não foi punido acertadamente com mais rigor.
O mesmo deveria acontecer com Artest, mas, como disse, o ala do Houston colhe hoje o que plantou ontem. Sua carreira é permeada por momentos de violência dentro e fora das quadras.
E isso tem um peso enorme no subconsciente de quem julga.
PREOCUPAÇÃO
Yao Ming torceu o tornozelo esquerdo quase que ao final do jogo. Deixou a quadra mancando, com o cronômetro zerado, ao dirigir-se ao vestiário alvirrubro.
O chinês será avaliado neste sábado. Mas prometeu que joga amanhã de qualquer maneira.
Se ele ficar de fora, a série, liderada pelo Lakers por 2-1 e com vantagem de quadra novamente, ficará mais complicada ainda para os texanos.
FLÓRIDA
O “frontcourt” titular do Orlando destruiu o Boston ontem no sul dos EUA. Hedo Turkoglu, Rashard Lewis (foto AP) e Dwight Howard anotaram, juntos, 69 pontos e apanharam, em conjunto, 20 dos 33 rebotes da equipe.
Foram o fator de desequilíbrio na partida.
Esmiuçando o desempenho deles, se Turkoglu e Lewis fizeram 52 desses 69 pontos, o Super-Homem da Flórida pegou 12 dos 18 rebotes.
Se os três continuarem com esta performance, a missão do Celtics em tentar amealhar uma vitória fora de casa será missão impossível. Especialmente porque dois de seus principais jogadores parecem brincar de gangorra.
Quando um joga bem, o outro joga mal. Na partida passada da série, Paul Pierce anotou apenas três pontos (sua menor pontuação em playoffs) enquanto que Ray Allen marcou 22.
Ontem, Pierce fez 27; Allen, oito.
Assim não dá, concordam?
Rajon Rondo, o melhor jogador do alviverde nestes playoffs, não esteve inspirado como em outras ocasiões: 15 pontos, seis assistências e cinco rebotes. De qualquer forma, tem mantido o nível nesta série, com médias de 14.7 pontos, 10.7 assistências e 8.7 rebotes.
Mas, como sabemos, a regularidade de apenas uma andorinha…
Com a vitória de 117-96 o Orlando pula novamente na frente neste confronto em 2-1. Se fizer 3-1 amanhã à noite, babau: adeus Celtics.
LUTO
A NBA está de luto. Morreu hoje pela manhã em sua casa na cidade de Júpiter, na Flórida, Chuck Daly (foto AP).
Foi o técnico do primeiro e único Dream Team, o de Barcelona, em 1992. Conhecia basquete como poucos.
Defesa e jogo físico eram sua obsessão. Fez do Detroit Pistons um dos maiores times de história da NBA usando exatamente estes dois elementos.
O quinteto formado por Isiah Thomas, Joe Dumars, Dennis Rodman, Bill Laimbeer e Rick Mahorn foi um daqueles inesquecíveis. Metiam medo nos adversários não apenas pela qualidade de seu jogo, mas também pela violência que muitas vezes usavam para intimidar adversários – Michael Jordan que o diga.
Daly ganhou um par de títulos na NBA. O primeiro em 1989; o segundo no ano seguinte.
O inicial, diante do Lakers de Pat Riley e Magic Johnson; o subsequente frente ao Portland de Rick Adelman e Clyde Drexler.
Perdeu uma final, em 1988, para o Lakers da dupla referida.
Era o técnico do momento quando os profissionais foram admitidos pela Fiba nos Jogos Olímpicos. Em conjunto com a NBA, a USA Basketball selecionou técnico e jogadores.
O nome de Daly só não foi unânime porque os torcedores do Chicago queriam Phil Jackson à frente do Dream Team. Naquele instante, o Bulls tinha acabado de conquistar seu segundo título, comandado por MJ e P-Jax.
Mas a experiência e o conhecimento tático, mais a liderança inconteste fizeram de Daly o treinador. E deu certo: os EUA ganharam o ouro em Barcelona triturando todos seus oponentes.
Alguém pode dizer: também, com um grupo que contava com Jordan, Magic e Larry Bird era impossível não ganhar.
Pois bem, a gente conhece um monte de histórias de times que não dão certo por contar com muitas estrelas. Egos inflados atrapalham qualquer projeto.
Aí entra outra qualidade de Daly: era conhecido por sua capacidade de tornar harmonioso qualquer local de trabalho. Foi um gênio como treinador.
Infelizmente, acabou derrotado aos 78 anos por um câncer no pâncreas.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Boston, Celtics, Chuck Daly, Dwight Howard, Houston, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Paul Pierce, Rajon Rondo, Rashard Lewis, Ray Allen, Rockets, Yao Ming
07/05/2009 - 19:26
A NBA acabou de anunciar: Kobe Bryant não foi suspenso por ter desferido uma cotovelada no peito de Ron Artest. Segundo o entender de Stu Jackson, que faz a avaliação desses casos, o lance de Kobe foi uma falta flagrante 1, mais leve; por isso não passível de suspensão.
Quanto a Derek Fisher e Rafer Alston, que também estavam na pauta do dia, a falta deles foi uma flagrante 2, mais violenta. Por isso ambos foram suspensos uma partida.
Os dois ficarão de fora na rodada desta sexta-feira, quando o Orlando recebe o Boston e o Lakers visita o Houston.
O que eu acho?
Depois de ter revisto o lance no site da NBA, ficou clara a agressão de Kobe a Artest. Desta forma, ficou claro para mim que faltou peito para a NBA punir Kobe.
A cotovelada que Kobe deu em Artest em nada difere da que Dwight Howard deu em Sam Dalembert. Ao contrário: pareceu-me mais violenta.
E o pivô do Orlando foi suspenso por uma partida.
Lamentável; dois pesos e duas medidas. Ou seja: é o mesmo que não punir crime de colarinho branco.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Derek Fisher, Houston, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Rafer Alston, Rockets, Ron Artest
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