Hortência | Fábio Sormani

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domingo, 5 de agosto de 2012 Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 23:08

COM UMA VITÓRIA NO EMBORNAL, BRASIL DE SAIAS NÃO VOLTA ‘SAPATEIRO’ DE LONDRES

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No interior a gente costuma dizer que um pescador, quando volta pra casa com o embornal vazio depois de um dia de pescaria, a gente costuma dizer no interior que esse pescador voltou pra casa “sapateiro”.

Tinha medo que a nossa seleção feminina voltasse assim para o Brasil: sem nenhuma vitória no embornal. Que voltasse “sapateira”.

Não voltou; menos mal.

Isso, todavia, não atenua em nada a nossa participação em Londres. Esperava-se que pudéssemos estar nesta fase de mata-mata que começa nesta terça-feira. Mas, lamentavelmente, nossas moças conseguiram apenas uma vitória na fase de classificação, a deste domingo, diante do catadão da Grã-Bretanha (78-66). Não conseguiram passar nem mesmo pelo Canadá, que se tornou um freguês de caderneta do nosso basquete feminino, Canadá que só chegou aos Jogos Olímpicos porque passou no vestibular do Pré-Olímpico. Foi para esta seletiva porque não teve competência, no Pré das Américas, de chegar nem mesmo na final do torneio que foi disputado em Neiva (Colômbia) que consagrou o Brasil como campeão em final disputada contra a Argentina (o Canadá foi o terceiro colocado). Título que garantiu nossa vaga para Londres.

Pois é, não conseguimos vencer o Canadá; perdemos por 79-73. E esta derrota da última sexta-feira colocou-nos de fora da fase de mata-mata das Olimpíadas.

Naquele dia, deprimido, triste, tive que escrever e decretar: o melhor para o nosso basquete feminino é a saída de Hortência e a destituição de toda a comissão técnica.

É duro escrever um troço desses de uma personalidade que se tornou uma entidade do nosso basquete feminino. Não é mole pedir a cabeça de uma pessoa que eu passei a vida admirando e com quem jamais penso em trocar uma palavra mais dura; quanto mais escrever, que é o que eu também faço para ganhar a vida.

Mas por falar em vida, ela é assim mesmo. Se a gente admoesta um filho, com o coração apertado, sabendo que aquela admoestação pode significar muito no crescimento dele, por que não fazer o mesmo neste caso? Portanto, Hortência, com o coração apertado, quase que sangrando, eu volto a dizer: o melhor a fazer é você deixar o caminho livre para outro alguém. Não manche seu nome, que está inserido no Basketball Hall of Fame de Springfield, Massachusetts. Mais do que isso: seu nome está marcado em nossas vidas feito ferro em brasa na pele do boi.

Hortência, infelizmente, mostrou-se confusa nesse tempo todo em que esteve à frente do comando do nosso selecionado. Mandou embora Paulo Bassul; contratou o espanhol Carlos Colinas, demitiu-o; chamou Ênio Vecchi, não renovou seu contrato; e resolveu apostar em Luis Claudio Tarallo, um ilustre desconhecido. Tudo isso em menos de um ciclo olímpico, o que dá um técnico e meio por temporada.

Se Hortência tivesse apostado em um projeto e ele tivesse naufragado, seria menos problemático e complicado. O problema é que nesse tempo todo ela esteve completamente perdida.

Além de contratar e demitir treinadores, seu pior ato foi ter legitimado a indisciplina de Iziane Castro. Não vou contar o que aconteceu porque todos nós sabemos o que ocorreu. Mesma Iziane que deu-lhe uma rasteira às portas das Olimpíadas.

Nossas meninas podem não ser as melhores do mundo (e não são mesmo), mas se bem treinadas, se bem comandadas, podem oferecer algo mais. Temos Érika, Clarissa, Damiris, Franciele (mal aproveitada), Karla, Nádia, Tássia, Joice; enfim, temos meninas que se bem treinadas e com boa retaguarda podem fazer mais do que têm feito nesses últimos anos que beiram uma década.

O basquete masculino foi colocado nos trilhos por conta do destino (surgimento de uma grande geração) e da contratação deste magnífico Rubén Magnano. O feminino vive situação oposta, pois o destino não nos trouxe em sua trouxa de presentes nenhuma Hortência, nenhuma Paula e nenhuma Janeth.

Não podemos, pois, desafiar o destino. Se o fizermos, seremos trouxa.

ADEUS

Adrianinha Moisés disputou quatro Olimpíadas com a camisa 4 do Brasil. A mesma camisa que Hortência vestiu em toda sua vida; em clubes ou seleção.

Adrianinha (foto Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBB) disputou neste domingo sua última partida com a regata 4 brasileira. Despediu-se com vitória, tendo anotado 15 pontos e dado 12 assistências. Um “double-double” que veio coroar sua carreira na seleção.

Adrianinha, essa mesticinha de Franca, interior de São Paulo, começou com o pé direito na nossa seleção. Nos Jogos de Sydney, ganhou uma medalha de bronze. Depois, bem… depois entramos numa decadência da qual ela não tem grande responsabilidade.

Notas relacionadas:

  1. BRASIL NA FINAL E A UM PASSO DE LONDRES
  2. BRASIL COMEÇA ESTA NOITE SUA PREPARAÇÃO PARA AS OLIMPÍADAS DE LONDRES
  3. NO FEMININO, BRASIL VOLTA A MOSTRAR DIFICULDADES OFENSIVAS E SUCUMBE DIANTE DOS EUA
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 3 de agosto de 2012 Jogos Olímpicos de Londres, basquete brasileiro | 13:59

BRADIL PERDE PARA O CANADÁ E REPETE CAMPANHA MEDÍOCRE DE PEQUIM

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Bem, aconteceu o que a gente esperava que fosse acontecer, torcia para não acontecer e até nem queria falar. O Brasil perdeu para o Canadá por 79-73 e agora nem matematicamente nosso selecionado tem chance de se classificara para a fase de mata-mata dos Jogos Olímpicos de Londres.

Tudo foi feito errado com o feminino. Do começo ao fim. A aposta do presidente Carlos Nunes em Hortência acabou por se transformar num grande equívoco; um desastre. A aposta não foi errada; o erro se deu na insitência de Nunes em seguir apostando na nossa eterna Rainha.

Infelizmente! Hortência não teve fora das quadras a mesma genialidade que mostrou com a bola nas mãos. Cometeu muitos erros, a começar na escolha dos treinadores, desembocando no reaproveitamento de Iziane Castro.

É duro escrever o que vou esçrever agora, mas eu não posso deixar de fazê-lo: Carlos Nunes tem que demitir Hortência e encontrar alguém que possa ocupar o cargo e fazer do basquete feminino o que Wanderley Mazzuchini fez com o masculino.

E esse alguém tem que, de cara, encontrar um treinador para comandar essas meninas, que têm bom talento, mas que etão à deriva no momento, exatamente porque não têm ninguém a comandá-las.

Luis Cláudio Tarallo, o nosso treinador, é ainda um ilustre desconhecido. No futuro pode se transformar em um treinador de sucesso e reverenciado por todo o planeta. No momento, não é. E este ilustre desconhecido, com todo o respeito que ele merece, assumiu a seleção brasileira para dirigi-lá exatamente nos Jogos Olímpicos! Pode?

Acho que é isso, de momento, o que me ocorre para dizer sobre o nosso selecionado de saias, que, como em Pequim, há quatro anos, não conseguiu passar da primeira fase da competição.

Alguém que pense o basquete feminino melhor que Hortência. E um treinador de ponta. Apenas isso; mas esse pouco pode significar muito daqui a quatro anos.

Notas relacionadas:

  1. BRASIL PERDE PARA A ARGENTINA… PERDE? PERDE NADA, NOSSO SELECIONADO É CAMPEÃO!
  2. PARA MAGIC PAULA, DISPENSA DE IZIANE PODE UNIR O GRUPO E ISSO BENEFICIAR A SELEÇÃO
  3. CANADÁ DIFICULTA JOGO PARA A RÚSSIA E DEIXA BRASIL SOB ALERTA. VENCER AS FRANCESAS LOGO MAIS É FUNDAMENTAL
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , ,

sexta-feira, 20 de julho de 2012 Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 15:35

PARA MAGIC PAULA, DISPENSA DE IZIANE PODE UNIR O GRUPO E ISSO BENEFICIAR A SELEÇÃO

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Iziane é passado. O Brasil agora vai para os Jogos Olímpicos sem ela. Sem ela e sem uma substituta, pois o regulamento da competição diz que apenas atletas lesionados, neste momento, podem ser trocados.

Conversei esta manhã com Magic Paula. Queria saber o que ela pensa sobre o assunto e se ela tinha informações sobre o ocorrido. O que ela sabe nós sabemos também: Iziane foi dispensada por ter levado o namorado para a concentração.

Paula viaja semana que vem para Londres, onde estará comentando os jogos do feminino pela Rede Record. Lá, conversando com Hortência, seguramente vai ficar sabendo o que aconteceu.

O que ela pensa do ocorrido? O que todos nós pensamos: lamentável. E como a maioria de nós, acha que Iziane fará falta, mas que ela não é essa jogadora que muitos imaginam que seja. Sugeri a ela: peladeira? “Por aí”.

Quanto ao fato de jogarmos a competição com 11 atletas, Paula acha que só haverá problemas se alguém se machucar. De resto, não. “O Brasil nunca teve tradição de jogar com as 12 jogadoras, até porque nunca tivemos 12 jogadores para rodiziar em quadra, como fazem os EUA”, disse Paula. “O Brasil sempre jogou com oito, nove jogadoras. Por isso, mesmo que alguém fosse convocada, não faria a menor diferença, pois não entraria em quadra”.

Quando o Brasil foi campeão mundial na Austrália, em 1994, o time era este: Paula, Hortência, Janeth, Cintia e Alessandra. Entravam Helen, Adriana, Leila e… acho que mais ninguém.

Segundo Paula, o que aconteceu pode unir o grupo. Isso porque eu disse a ela que fui informado que as jogadoras estavam incomodadas com certos privilégios que Iziane tinha. Isso fez com que algumas atletas fossem procurar Hortência para que ela tomasse providências. E aí estourou a bomba.

“Se isso de fato aconteceu, pode unir o grupo”, disse-me Paula. E grupo unido fica mais forte.

Cá entre nós, Iziane não vinha fazendo nada de excepcional na seleção. Com ela ou sem ela é a mesma coisa. O que muda agora (e eu concordo com a Paula) é que o grupo estará unido. Essa união pode ser muito mais benéfica ao nosso time do que a presença de Iziane em quadra.

Que assim seja. E que Iziane seja riscada completamente do mapa. Se ela voltar à seleção, temos que pedir o “impeachment” de Carlos Nunes e a consequente demissão de Hortência.

Notas relacionadas:

  1. IZIANE DEVE OU NÃO SER CONVOCADA PARA LONDRES?
  2. IZIANE PODE NÃO IR A LONDRES. DEVE SER CONDENADA?
  3. GRUPO DA SELEÇÃO FEMININA É COMPLICADO NOS JOGOS DE LONDRES
Autor: Fábio Sormani Tags: , , ,

domingo, 1 de julho de 2012 Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 18:50

GRUPO DA SELEÇÃO FEMININA É COMPLICADO NOS JOGOS DE LONDRES

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O Brasil de saias tomou ciência neste domingo de sua chave nas Olimpíadas de Londres. E é pedreira. Nossas oponentes serão Austrália, Rússia, Grã-Bretanha, França e Canadá. Esses dois últimos selecionados entram na festa por conta do Pré-Olímpico Mundial.

De um grupo de seis equipes, quatro avançam para a fase seguinte. Nosso time não tem time pra ganhar da Austrália e nem da Rússia. Teremos que fazer duas vitórias diante de Grã-Bretanha, França e Canadá.

Teoricamente dá pra vencer as anfitriãs. Mas, é sempre bom lembrar, as britânicas são treinadas por Tom Maher, o homem que montou o primeiro timaço australiano e que deu um novo perfil ao basquete das meninas oceânicas e que hoje é referência mundial. É experiente e conhece a matéria. Aliás, se você não sabe, Maher era o técnico favorito de Paula para assumir a seleção. Ela disse isso a Hortência, quando a Rainha ligou para Magic perguntando quem ela indicaria para assumir o cargo. Hortência gostou, ligou para Maher e recebeu um não de resposta, não sem antes um agradecimento pelo convite. Maher estava compromissado com os britânicos, por isso não pôde dizer sim.

Mas, passado à parte, voltemos ao presente: vamos dar vitória ao Brasil neste confronto? Vamos. Faltaria então um triunfo ainda. Ou diante da França ou diante do Canadá. Dá pra ganhar das duas seleções? Claro que dá. As canadenses são freguesas de caderneta e as francesas passam por reformulação. Mas o problema é que o nosso time não é confiável. Falta uma jogadora que decida. Uma jogadora que coloque a bola debaixo do braço e pense o jogo. E pensando define a partida. Iziane Castro não tem esse perfil e Érika de Souza também não. Adrianinha Moisés está veterana e as demais são jovens ainda e imaturas por conta disso.

Érika, aliás, apresentou-se à seleção com dentes cariados segundo me disseram. Dentes cariados que estão incomodando nossa pivô. Dentes cariados e fora de forma. Encontrei com Magic Paula na última quarta-feira. Contei a ela do meu temor por nossas meninas. E perguntei a ela o que ela achava. Ela mostrou-se igualmente preocupada. Falei dos dentes cariados da Érika (foto) e do fato de ela estar fora de forma. Ele não se mostrou surpresa.  “Na Europa, não se treina”, disse-me ela. Aí eu emendei: e fora de forma fica difícil pra ela jogar e fazer a diferença. No que Paula respondeu, na lata, como se fosse uma assistência na medida para mais dois pontos: “A Érika não define jogo”.

Reflitam.

Mas vamos voltar aos confrontos contra francesas e canadenses. Meu xará, Fabio Balassiano, escreveu em seu blog (clique aqui) que vencer as francesas é importante não apenas por causa da vaga, mas porque trata-se do jogo de estreia do Brasil. Estreando com o pé direito a pressão diminui. Em caso de derrota, o Brasil deverá somar mais duas, porque na sequência vêm  Rússia e Austrália. Em seguida apareceriam as canadenses e nossas moças teriam que vencer para não serem eliminadas. E aí a pressão seria grande demais e o risco de perder aumentaria, pois não é fácil trabalhar com os nervos em frangalhos.

O Brasil, já disse, é melhor que francesas e canadenses. Mas esse melhor tem que ser mostrado na quadra. Se nossas moças vacilarem, disputaremos do 9º ao 12º lugar; o que não seria surpresa nenhuma para mim.

Notas relacionadas:

  1. SELEÇÃO FEMININA E SEU NOVO TREINADOR
  2. SELEÇÃO FEMININA TRITURA O CANADÁ NA ESTREIA EM GUADALAJARA
  3. UM BATE-PAPO COM MAGNANO E O TIME TITULAR DO BRASIL NOS JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

terça-feira, 25 de outubro de 2011 Sem categoria | 22:22

BRASIL FICA COM O BRONZE QUANDO NA VERDADE DEVERIA TER FICADO COM O OURO

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A seleção feminina acabou de ganhar da inexpressiva Colômbia por 87-48. Com o resultado, conquistou a medalha de bronze no Pan de Guadalajara.

Não fez mais que a obrigação.

Ou melhor: fez menos do que deveria ter feito. O que o time comandado por Ênio Vecchi no banco e por Érika de Souza e Iziane Castro em quadra deveria ter conquistado o ouro.

O nível do campeonato foi baixíssimo.

Cuba, que poderia ser um adversário de peso, preferiu priorizar a preparação para o Pré-Olímpico Mundial e nem sequer apareceu para o torneio. Nem mesmo com uma equipe sub qualquer coisa. Idem para a Argentina, que também jogou desfalcada.

O Brasil decepcionou. Nunca é demais lembrar e frisar.

Essa derrota pode ter sido boa visando os Jogos Olímpicos do ano que vem em Londres. Pode ter sido boa para nos mostrar que esse time tem muito o que fazer se quiser uma posição honrosa.

E que Érika e Iziane compreendam que as duas são boas jogadoras, nada além disso. Estão longe de ser o que no passado foram Paula, Hortência e Janeth.

E vale o investimento em Damiris do Amaral. Ela é grande, tem velocidade e tem fundamentos. Vale todo o investimento nela, pois se tem alguém nesse time que pode ser no futuro importante para nós é ela.

E temos que procurar rapidamente uma armadora. Quem? Realmente, não sei.

Notas relacionadas:

  1. APESAR DE TUDO, O BRASIL É FAVORITO PARA CONQUISTAR A VAGA NO PRÉ FEMININO
  2. NA DEFESA, CONTRARIANDO TUDO, O BRASIL VOLTA A VENCER NO PRÉ FEMININO
  3. BRASIL SURRA ARGENTINA E GARANTE VAGA NOS JOGOS DE LONDRES
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 5 de outubro de 2011 Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 18:51

IZIANE É CONVOCADA PARA OS JOGOS PAN-AMERICANOS DE GUADALAJARA

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Iziane Castro está de volta à seleção brasileira. A ala que atua no Atlanta Dreams da WNBA foi convocada pelo técnico Ênio Vecchi para disputar os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

Iziane volta à seleção uma vez mais como se nada tivesse acontecido. Como se ela nunca tivesse feito nada de errado.

Realmente, esse é um país que premia os que andam em caminhos tortos e pune os corretos, pois estes são tidos como tontos. “Você não fez isso? Ora, deixe de ser bobo, todo mundo faz”. Quantas vezes você não ouviu isso?

Mas tudo bem, eu não quero mais falar sobre esse assunto. É velho, amanhecido. Quem tem o poder nas mãos não pensa como eu (e a maioria dos que frequentam esse botequim) e ponto final.

Vamos pensar no time com Iziane e pronto.

SERIEDADE

Ênio Vecchi (foto CBB) é um cara sério, trabalhador; não aceita indisciplina. Esse é o currículo do nosso treinador até o momento.

Ênio vai exigir de Iziane e vai dar a ela, pelo que conheço dele, o mesmo tratamento que dá às demais jogadoras. Nem mais, nem menos; apenas equânime.

Estou curioso para ver o comportamento de Iziane quando ela for submetida aos treinos defensivos. Nossa ala, que brilha razoavelmente na WNBA, é sabidamente uma jogadora não muito afeita a marcar, quero ver o que ela vai dizer quando tomar contato com os treinos defensivos.

Estou curioso também para ver como ela vai se comportar nas partidas quando tiver que marcar duro. E (isso é que está me intrigando ainda mais) quero ver como ela vai reagir quando for tirada do jogo num momento em que é preciso melhorar a marcação.

Ela vai sair; aliás, saiu quando Paulo Bassul a tirou de quadra na partida contra Belarus no Pré-Olímpico Mundial em 2008. Saiu, mas não voltou mais.

Estou curioso para ver como Iziane vai se comportar quando Ênio chamá-la de volta ao jogo. Será que ela vai voltar?

RESPOSTA

Talvez a gente não vá ter essa resposta agora. Infelizmente, os Jogos Pan-Americanos não têm mais o peso de antigamente.

Não creio que os EUA apareçam com sua melhor formação. E os EUA são o único time neste continente que pode exigir da gente no Pan.

Os demais são os mesmos que participaram do Pré-Olímpico de Neiva e que foram suplantados com relativa facilidade pelo nosso selecionado.

Portanto, essa resposta talvez a gente só vá conhecer nos Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem, quando Iziane estará com 30 anos e nada mais a perder.

Dependendo do que Iziane fizer, a gente vai saber se Hortência e a comissão técnica da seleção brasileira quebraram a cara ou não.

DECISÃO

Por falar em Iziane (foto AP), nossa ala e a pivô Érika de Souza entram em quadra esta noite (21h de Brasília) para o segundo jogo das finais da WNBA. O Atlanta Dream, time das nossas duas meninas, perdeu o primeiro confronto para o Minnesota Lynx por 88-74.

Érika não participou desta contenda, pois estava com a seleção em Neiva. E fez muita falta: o Minnesota venceu o duelo dos rebotes por 40-28.

Hoje a história pode ser diferente.

A ESPN e a ESPN HD transmitem a partida ao vivo.

Notas relacionadas:

  1. MORRE UMA ESTRELA
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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , ,

sábado, 24 de setembro de 2011 Sem categoria | 14:28

APESAR DE TUDO, O BRASIL É FAVORITO PARA CONQUISTAR A VAGA NO PRÉ FEMININO

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O Brasil de saia entra em quadra logo mais às 18h45, horário de Brasília, para seu primeiro compromisso no Pré-Olímpico das Américas. Vai enfrentar o inexpressivo Paraguai, com transmissão ao vivo pelos canais SporTV, BandSports, ESPN Brasil e Esporte Interativo.

O torneio, que está sendo disputado em Neiva (Colômbia), oferece, ao contrário do masculino, apenas uma vaga para os Jogos Olímpicos. A competição, que não contará com os EUA que já estão classificados por serem os atuais campeões mundiais, resume-se a apenas três times: Brasil, Cuba e Canadá. A Argentina corre muito por fora.

O Brasil é o grande favorito.

Mesmo sem poder contar com Iziane, que está nos EUA participando dos playoffs da WNBA pelo Atlanta Dream. Érika de Souza (foto Divulgação), sua companheira, jogou na quinta-feira, pegou o avião na sexta pela manhã e à noite uniu-se ao grupo.

Acho que o técnico Ênio Vecchi talvez nem a coloque em quadra. Não há necessidade, pois, como disse, as paraguaias são frágeis demais.

Mas, dizia eu, o torneio tem a seleção brasileira como favorita ao título e, consequentemente, à vaga olímpica. Mesmo sem poder contar com Iziane. Quem está em Neiva tem tudo para dar conta do recado.

Cuba não é, nem de longe, sombra daquele time que nos amedrontava por conta de seu basquete eficiente e pela força física das jogadoras, que não se envergonhavam em arranhar nossas meninas quando se viam inferiorizadas em quadra.

Sem o dinheiro soviético, Cuba ruiu. E apanhou feio do Brasil na Copa Pitalito, preparatória para este Pré-Olímpico, torneio onde o Brasil foi campeão.

Canadá não é, também, nem sombra dos tempos de Bev Smith. Apanhou na última segunda-feira de Porto Rico por 73-63 em amistoso. De Porto Rico!

Mesmo sem poder contar com Iziane, o Brasil é o favorito para conquistar a vaga olímpica. Mesmo sem termos Paula, Hortência e Janeth. Mesmo com a LBF, nossa liga nacional feminina, estar se desintegrando e ameaçada de nem acontecer nesta temporada, o que acaba por deixar inseguras nossas moças por conta do futuro. Mesmo com um treinador que fez sua vida esportiva dirigindo equipes masculinas.

Apesar de tudo isso, o Brasil ainda é favorito. É favorito porque, mesmo com todas essas adversidades, somos um país com quase 200 milhões de habitantes, com vocação esportiva e quando menos se espera aparece um talento como Damiris do Amaral.

Em cima dela o Brasil terá de ser edificado. Damiris e Érika, as nossas duas melhores jogadoras.

Engraçado, como ocorre no masculino, no feminino também estamos nas mãos de nossas pivôs.

APELO

Sei que a maioria de vocês não se liga no basquete feminino. Mas nossas meninas estão longe de casa, defendendo nossas cores. Se puderem, postem uma mensagem de incentivo a elas; elas ficarão felizes, podem crer.

Notas relacionadas:

  1. NOSSO TIME É UM MISTÉRIO
  2. AS PALAVRAS DE UMA RAINHA
  3. MEDALHA QUE TEM SIGNIFICADO GRANDIOSO
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 12 de setembro de 2011 NBA, Sem categoria, basquete brasileiro | 17:45

PERSONALIDADES OPINIAM SOBRE O CASO NENÊ-LEANDRINHO

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Conversei nesta segunda-feira com algumas personalidades do nosso basquete sobre o assunto que mais gera polêmica no momento: convocar ou não Nenê e Leandrinho para os Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem.

A pergunta que fiz foi: você convocaria os dois? Vejam o que eles disseram:

OSCAR SCHMIDT (ex-jogador) – “Claro que não! Em 1995, o Ary Vidal me fez voltar à seleção juntamente com o Israel e o Maury. Conseguimos a vaga para os Jogos Olímpicos de Atlanta com as calças nas mãos. Aí os dois não foram chamados para as Olimpíadas. Eu fui egoísta, pensei apenas no fato de que iria disputar minha quinta Olimpíada, mas eu não deveria ter ido. Falei um monte para o Ary, que é meu amigo, mas não deveria ter ido. Convocar agora Nenê e Leandrinho é uma bofetada na cara dos jogadores que conquistaram a vaga em Mar del Plata. E tem mais: sabe o que eu fiquei sabendo? Que o Leandrinho estava na balada na hora do jogo. Ou seja: nem se interessou em ver a partida. Claro que com o Nenê a nossa foto é outra, mas ele também não merece ser convocado”.

HORTÊNCIA MARCARI (ex-jogadora e atual dirigente da CBB) – “Não convocaria, porque no momento mais importante, mais crucial, que mais precisou, eles não foram. Há uma diferença do caso deles do caso da Iziane, que está com um contrato terminando com seu time na WNBA e em meio a um campeonato. Nenê e Leandrinho estão de férias. Os outros jogadores da NBA estão disputando o Pré-Olímpico na Europa. Por que eles não vieram? Gosto muito do Leandrinho, quero o bem dele, mas pergunto: ele não estava machucado? Mas aí eu o vejo treinando no Flamengo, batendo bola e pronto pra jogar. Não entendi. Temos que ir bem nas Olimpíadas? Lógico que sim. É óbvio que os dois são importantes. Mas quem tem que decidir isso é o Magnano. Ele é inteligente e experiente. A decisão que ele tomar nós na CBB vamos acatar. E não tem que ouvir o grupo: o Magnano é quem tem que decidir. O grupo, pode ter certeza, quer ser campeão”.

MARCEL SOUZA (ex-jogador) – “Fácil, convocaria os dois sim. Porque não tem reserva de mercado para o sucesso. Convoco e deixo a bomba nas mãos dos dois. Pra termos chances de medalha nas Olimpíadas temos que levar nossos melhores jogadores. Só por que eles não foram ao Pré-Olímpico? Imagina o Brasil com mais três jogadores de nível. No basquete moderno, um jogador não pode ficar em quadra 40 minutos, como aconteceu com o Alex e o Huertas na final contra a Argentina. Então, você tem que ter opção para isso. Temos que jogar as Olimpíadas no estilo do Barcelona, campeão da ACB. Eu acompanhei todo o campeonato. Entre no site e veja: quem jogou mais, jogou 19 minutos por partida. A média ficou entre 14, 15, 16 minutos. Ninguém teve 25 minutos. É assim que tem que ser, pois hoje em dia o basquete é no pau! E pra se fazer isso tem que ter opção”.

MAGIC PAULA (ex-jogadora) – “Não convocaria. A convocação deles quebraria a harmonia do grupo. Além disso, eu nunca vi um treinador ter os 12 jogadores na mão. Em toda a história do basquete brasileiro, nem no masculino e nem no feminino, eu nunca vi um treinador dominar o grupo como o Magnano fez com esse time. Ninguém estava com o saco cheio de estar no banco. Esse time funciona coletivamente. Alguém pode dizer que ele conseguiria o mesmo com Nenê e Leandrinho. Mas eu acho que não vale a pena chamá-los, pois eles são coadjuvantes em seus times na NBA. Perderam a capacidade de decidir o jogo, perderam a capacidade de liderar. Veja o caso do Marcelinho Huertas: estou impressionada com ele. Esses caras da NBA não têm isso que o Huertas tem”.

ZÉ BOQUINHA (comentarista da ESPN Brasil) – “O momento é de muita euforia. Não podemos decidir nada com paixão, com o coração. Agora é o momento de curtir a conquista da vaga. Vamos dar um tempo. Daqui seis meses, sem paixão, sem euforia, toma-se uma decisão. Mas, analisando os fatos, o que a gente tem que dizer é que o Leandrinho sempre esteve à disposição; o Nenê é que vinha arrastado. Além disso, quando todos estiveram juntos, sempre houve confusão, pois não havia liderança. Veja que nesse grupo não tem isso. Ao mesmo tempo, eu penso: temos que ser profissionais, não podemos abrir mão de nossas estrelas. Uma coisa é ganhar a vaga para as Olimpíadas, outra coisa é jogar as Olimpíadas”.

LULA FERREIRA (ex-treinador da seleção) – “A única pessoa que pode falar sobre o assunto é o Rubén Magnano. Somente ele sabe exatamente o que aconteceu no pedido de dispensa do Nenê e do Leandrinho. Ele tem os motivos reais das ausências. O que a gente ouve falar nem sempre é o que de fato aconteceu. Mas eu digo que uma decisão dessas tem que estar acima de vaidades pessoais. Ela tem que ser tomada para o bem do nosso basquete. Rubén tem que formar o melhor time no seu entender. Não estou com isso dizendo que se tem que levar os dois, pois nem sempre os melhores jogadores formam o melhor time”.

CLÁUDIO MORTARI (ex-treinador da seleção brasileira) – “O momento não favorece os dois, mas temos um ano pela frente, pra pensar. De repente, as coisas caminham de um jeito que a gente não esperava. Temos que saber como o elenco reagiu à negativa do Nenê e do Leandrinho. Isso é importante. Mais ainda: precisamos saber como essa conquista repercutiu no grupo. Portanto, agora, temos que raciocinar, ter cautela. E, acima de tudo, procurar saber quais são as verdades nesse caso todo”.

DANILO CASTRO (comentarista do BandSports) – “Eu perguntaria para o grupo. A opinião dos jogadores é muito importante. Tecnicamente o Nenê e o Leandrinho acrescentam? Claro que sim. Mas se eu convocá-los o grupo pode rachar? Temos que saber isso. Veja que os jogadores estão muito unidos. Você viu o corte de cabelo deles? Isso demonstra união. A opinião dos jogadores tem que ter o peso maior nesse caso. O Magnano precisa ouvir o Marcelinho Huertas, o Machado, Tiago Splitter, Guilherme Giovanni e o Alex Garcia”.

Notas relacionadas:

  1. NENÊ VENCE LEANDRINHO
  2. LEANDRINHO E NENÊ ESTREIAM E PRECISAM MELHORAR
  3. AINDA O CASO NENÊ – ÚLTIMA PARTE
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 5 de outubro de 2010 Sem categoria | 21:33

AS PALAVRAS DE UMA RAINHA

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Conversei nesta terça-feira cerca de 40 minutos com Hortência. Foi por telefone. Ela é forte nas palavras, na entonação da voz e na convicção. Como quando jogava.

Gostei da nossa conversa. Gostei porque senti que Hortência não está perdida no cargo; ao contrário.  Ela tem de fato um projeto. A gente pode discordar, mas ele existe.

E não é a curto prazo. Tanto que ela me revelou o seguinte: está preparando Janeth Arcain para dirigir a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio em 2012. “Ela não teria condições de assumir agora”, disse-me ela. “A Janeth não está preparada. Ninguém que para de jogar pode se transformar em um bom treinador do dia para a noite. Os EUA cometeram esse erro”.

E lembrou de um simpósio que ela participou na República Tcheca. E disse que Geno Auriemma, técnico dos EUA, falou exatamente isso.

Gostei da ideia de termos Janeth comandando nosso selecionado. Vocês não aprovam também?

E mais: Hortência não dourou a pílula quando perguntada sobre o futuro do nosso time de saias. “Teremos problemas no Pré-Olímpico e também nas Olimpíadas”, ela disse. Ou seja: crê em nossa classificação, mas será sofrida. “Temos, além do Brasil, Canadá, Cuba e Argentina, que há dez anos vem investindo na base”.

É, pode mesmo ser difícil, pois Cuba também está investindo e o Canadá é um selecionado do nível do nosso.

Hortência não deu pinta de estar perdida ou arrependida do que fez até o momento à frente da seleção brasileira. Nem do episódio Bassul x Iziane, que ela não quis dar trela, pois “isso faz parte do passado”, e nem da escolha de Carlos Colinas para dirigir o nosso selecionado.

Hortência diz que se pauta por um projeto. Projeto este elaborado pelo presidente Carlos Nunes, por José Carlos Brunoro, diretor de marketing da CBB, por André Alves, diretor técnico da entidade, e por ela mesma.

Cutucou, merecidamente, o ex-presidente Gerasime Bozikis, o Grego. Segundo ela, tudo o que vivemos é fruto do que foi plantado na década e meia que Grego dirigiu a CBB. A realidade do nosso basquete é dura, disse-me ela.

Sobre Colinas, ela falou: “Diga-me um nome aqui no Brasil para o lugar dele?” E eu disse: Bassul. Ela não se curvou: “Este é um assunto encerrado”. Então eu contra-argumentei: por que não o Miguel Angelo da Luz? E ela retrucou: “Há quanto tempo ele não dirige um time feminino?”

E deu a questão por encerrada ao dizer: “Não temos ninguém aqui no Brasil com experiência para assumir o cargo”. E eu disse: nem o Colinas. E ela afirmou: “Tivemos ótimas informações dele, conversamos com ele e avaliamos como correta a contratação. Até o Mundial tudo correu muito bem. Não tivemos nenhum problema de relacionamento, nada. Mas no Mundial realmente ele não foi bem. Mas não foi só ele, as jogadoras também não jogaram bem”.

E por quê “Porque aquele primeiro jogo contra a Coreia matou o nosso time. A gente demorou uns cinco jogos para se recuperar. Aí já era tarde”.

E contou-me também que a Adrianinha ficou muito abalada depois daquele passe errado contra as sul-coreanas que resultou na derrota brasileira. “Ela não quer mais jogar na seleção”, afirmou Hortência. “Hoje (terça-feira) eu mandei um e-mail pra ela dizendo da importância e do valor dela e que a quero na seleção novamente”.

E disse alto e bom som: reformulação? Paulatinamente. “Não dá pra trocar todo mundo, até porque o nível é praticamente o mesmo de nossas jogadoras. Portanto, vamos investir em quem tem experiência”.

Em outras palavras: estará no Pré-Olímpico da Colômbia praticamente esse time que foi mal das pernas no Mundial tcheco. Segundo Hortência, não há o que fazer. É a nossa realidade.

E ela tem razão.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010 Seleção Brasileira, basquete brasileiro, outras | 18:34

OS CULPADOS DO NOSSO FRACASSO

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Escrevi um texto agora há pouco sobre a eliminação brasileira. Está no Canal de Basquete deste iG. Convido-os a ler. Listo nele os responsáveis pela eliminação brasileira neste Mundial tcheco.

Há vários culpados, não apenas as meninas. Elas jogaram mal, é verdade. Negaram fogo na competição, mas elas não são as únicas culpadas.

Nosso treinador, o espanhol Carlos Colinas, foi uma piada de mau gosto da direção da CBB. No caso, da nossa eterna Rainha Hortência. De onde ela tirou esse nome?

Como disse Helen, depois do jogo, o desempenho capenga mostrado pelas nossas meninas é fruto também da incompetência e do descaso da administração passada, capitaneada por Gerasime Bozikis, o Grego.

A falta de investimento na base diminuiu o surgimento de jogadoras. Além disso, com times fracos, deixamos de participar de campeonatos mundiais, perdendo a oportunidade de nos relacionarmos com grandes seleções. Essa falta de intercâmbio deu no que deu: podemos igualar a trágica campanha de 1978, no Mundial da Coreia do Sul, quando ficamos em 12º. Lugar, a pior em toda a nossa história.

E é claro que a mídia também tem culpa. Com exceção da internet e das emissoras a cabo, os demais veículos de comunicação simplesmente dão as costas ao chamado esporte olímpico e ajudam a fazer deste um país de monocultura esportiva.

Fossem guiadas não apenas pelo mercantilismo, essas empresas abririam suas portas para outros esportes também. Com isso, aumentaria o interesse de empresas no importante investimento (como acontece com o futebol) para não apenas a sobrevivência, mas também para o desenvolvimento das modalidades.

A exposição de outras modalidades na mídia aumentaria também a base de praticantes, o que tornaria mais fácil o descobrimento de novos talentos, o que melhoraria dramaticamente a nossa qualidade em competições internacionais.

Mas não, isso não ocorre. Vivemos do acaso. Quando aparece uma Paula, uma Janeth ou uma Hortência, ganhamos; quando aparece um Cesar Ciello, ganhamos. Quando aparece um Eder Jofre, um Adhemar Ferreira da Silva, um Joaquim Cruz, ganhamos. Quando aparecem Maria Esther Bueno ou Guga, ganhamos.

Isso nos remete ao governo: ele também tem culpa. Falta uma política esportiva neste país. Aluno que arruma atestado em uma academia qualquer, leva na escola e está dispensado das aulas de educação física. Como pode?

A matéria deveria ser levada a sério; mas não é. Fosse tratada com o merecimento devido, a cada esquina poderíamos encontrar uma Paula, uma Janeth ou uma Hortência. Afinal, somos tão grandes continental e populacionalmente como os EUA, a grande potência esportiva do planeta, hoje ao lado da China, cujo governo vem investindo pesadamente no esporte.

Enquanto isso não ocorre, vivemos de momentos. E rezamos para que em algum cantinho deste imenso país miscigenado apareça uma Paula, uma Hortência ou uma Janeth.

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