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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 NBA | 11:45

EM TORNEIO ESCONDIDO, PINHEIROS BATE FLAMENGO PELA LIGA SUL-AMERICANA

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Começou ontem, em Buenos Aires, o hexagonal final da Liga Sul-Americana de basquete masculino. E logo de cara um clássico brasileiro: Flamengo x Pinheiros.

O time da capital paulista voltou a levar melhor, como havia ocorrido no último sábado, em contenda válida pelo NBB. Desta vez, em solo argentino, os pinheirenses bateram os flamenguistas por 74-59.

Um massacre; menos pelos 15 pontos em si, mas em se tratando de equipes tão semelhantes, 15 pontos significam uma grande matança. No sábado passado, por exemplo, em solo paulistano, o resultado final foi 91-88 para o Pinheiros, com cesta do americano Shamell Stallworth na buzinada final da partida.

Leio na internet que o jogo quase não ocorreu. Teve atraso de uma hora. E sabem por quê? Por conta de goteiras na quadra do ginásio do Obras Sanitárias, palco do evento.

Lá, como cá, a lesma lerda de sempre. Lá, como cá, país de terceiro mundo, sem infraestrutura alguma, a provocar constrangimentos em todos.

Mas vamos falar da bola colorida, que, aliás, é horrorosa. Sabem, eu não sei por que não se volta a usar a bola todinha laranja, como era no passado e é usada na NBA e no “college” norte-americano.

Abro um parêntese aqui para contar a vocês que ontem eu mandei um tuíter para o meu amigo João Francisco Rossi, diretor de esportes do Pinheiros, homem influente dentro da estrutura da Liga Nacional de Basquete e do basquete brasileiro como um todo. Disse a ele: Rossi, por que vocês não voltam a jogar com a bola todinha laranja? Essa, colorida, parece bola de foca, é esquisita, é feia, é estranha. Consequentemente, enfeia o jogo. Embalagem, um dos grandes segredos da NBA. E sabem o que ele respondeu? Nada — pelo menos por enquanto.

Fecho o parêntese para tentar falar de um jogo que eu não vi, pois não passou em nenhuma tevê e eu moro na Grande São Paulo e não em Buenos Aires. O que posso dizer? Ora, nada; o que posso fazer é pinçar uma declaração aqui, outra ali, de personagens da partida para tentar contar a vocês o que ocorreu ontem na capital argentina.

Vou buscar auxílio no site do Pinheiros. Não há foto da contenda, mas há um relato. “Box score”? Nem pensar. Coisa simples, concordam? Colocar o “box score” é simples, basta querer. Bem, mas entre outras coisas importantes, descubro que o ala-pivô Olivinha Nascimento foi o destaque do tricolor do Jardim Europa com 12 pontos e dez rebotes; um “double-double”.

“Jogar contra o Flamengo é sempre muito complicado, eles têm uma excelente equipe, mas conseguimos impor o nosso jogo hoje”, disse Olivinha ao site do Pinheiros. “A nossa defesa foi muito bem e o time todo está de parabéns (clichê do futebol usado no basquete). A vitória foi importante, pois é uma competição curta, mas agora precisamos pensar no Atenas. Vamos buscar a vitória para não depender de outros resultados”.

Leio em seguida que o confronto contra o Atenas será esta noite, às 23h. E que a partida será exibida pelo SporTV 2. Ótimo. Uma vitória coloca o Pinheiros nas semifinais da Liga, que serão disputadas neste sábado.

E como serão as semifinais? Os dois primeiros colocados deste grupo cruzam com o duo do outro grupo. Primeiros contra segundos. Os dois vencedores farão a final no domingo.

No outro grupo estão Brasília, Obras Sanitarias e Malvin, este do Uruguai. Só pra informar: o Brasília estreia na competição nesta quinta, às 20h30, diante do Malvin. Sem televisão para o Brasil.

Voltamos ao jogo de ontem…

Vou agora ao site do Flamengo. Lá também há um relato sobre o jogo contra o Pinheiros. “Box score”? Esquece. Foto? Uma velha, que não sei de que jogo é.

Leio que Marcelinho Machado foi o cestinha do jogo com 16 pontos, que Caio Torres anotou 14 e o norte-americano David Jackson uma dezena.

Sou informado que o Flamengo folga na rodada desta quinta, mas que amanhã, sexta-feira, o time entra em quadra para enfrentar o Atenas da Argentina, às 20h30.

Depois do pequeno relato da contagem da partida, como ocorreu no site do Pinheiros, no final há uma declaração do técnico Gonzalo Garcia. Disse ele: “”Foi nossa pior partida na temporada. Cometemos muitos erros e não ameaçamos o Pinheiros em nenhum momento”. Por que isso ocorreu, ele não disse.

Bem, é isso. Despeço-me por aqui. Gostaria de contar muito mais a vocês. Infelizmente, não tenho muito mais pra falar. E nem fotos pra postar e ilustrar esse texto que eu espero ter sido do agrado de vocês.

Até mais tarde.

Notas relacionadas:

  1. BATEMOS A ARGENTINA, SAÚDE!
  2. BRASIL CAMPEÃO COM BASQUETE MODERNO
  3. EU CONVOCARIA OS MELHORES PARA OS JOGOS DE LONDRES
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , ,

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 19:07

A ARGENTINA NAS OLIMPÍADAS E A LUCIDEZ DE OSCAR SCHMIDT

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A Argentina convocou ontem oito jogadores para os Jogos Olímpicos de Londres, que serão disputados de 27 de julho a 12 de agosto. Os outros quatro nomes restantes serão anunciados com o passar dos meses.

Ao mesmo tempo em que divulgou este octeto, a Confederação Argentina de Basquete revelou os nomes dos profissionais que vão compor a comissão técnica, encabeçada por Julio Lamas.

A novidade ficou por conta da adição de Sergio Hernandez (foto site CBAA, com Lamas à esq. e Hernandez à direita), que dirigiu o time principal até bem pouco tempo. Foi nas mãos de Hernandez que Los Hermanos ficaram em quarto lugar no Mundial do Japão e conquistaram um bronze nos Jogos de Pequim, em 2008.

Hernandez voltou, penso eu, à distância, e cá com meus botões, porque o desempenho da Argentina no Pré-Olímpico de Mal del Plata foi decepcionante. Os argentinos ganharam a competição, é verdade, mas perderam para o Brasil diante de 12 mil incrédulos torcedores na fase de classificação. E na decisão do torneio teve dificuldades para ficar com a medalha de ouro, apesar de apoiada pelos mesmo 12 mil fanáticos torcedores.

Todos imaginavam que a Argentina fosse passear diante dos rivais, mesmo tendo perdido Andrés Nocioni no primeiro jogo e Leonardo Gutierrez, que com uma distensão muscular nem participou da competição. Mas não foi o que se viu.

E é sempre bom lembrar que o Brasil jogou sem Leandrinho Barbosa, Anderson Varejão e Nenê Hilário. E Tiago Splitter atuou lesionado, bem abaixo de sua capacidade.

Nossos desfalques foram em maior quantidade e em qualidade também. Nocioni e Gutierrez não estavam na época — e nem creio que hoje em dia — no mesmo nível de Nenê, Leandrinho e Varejão.

Por isso, Lamas patinou no comando da equipe. Quando procurou um ombro amigo, não tinha com quem contar.

Seu assistente mais próximo, Gonzalo García, técnico do Flamengo, deixa a desejar — pelo menos é o que diz em suas twitadas o competente Fabio Balassiano, dono do blog Bala na Cesta. “Ele não está à altura do time”, costuma dizer Bala em relação a Gonzalo no comando do Flamengo — e eu vou na opinião dele, pois não assisto muito aos jogos do NBB.

Por conta disso, deduzo eu, Hernandez voltou.

Mas vamos ao mais importante dessa história toda: os jogadores argentinos convocados. Como está a Argentina para as Olimpíadas?

ANÁLISE

Olhando os oito convocados por Lamas e tendo na retina o desempenho deles no Pré-Olímpico de Mar del Plata e nos dias de hoje, eu acho que o Brasil, bem treinado e disciplinado, entendendo o que Rubén Magnano quer, é mais time que a Argentina.

Vejamos:

1) Manu Ginobili (San Antonio Spurs) — Com a mão quebrada no momento, ficará no estaleiro até meados do mês que vem. No Pré de Mar del Plata, foi muito bem marcado por Alex Garcia e não conseguiu render. Manu (foto) chegará aos Jogos Olímpicos com 35 anos e trará consigo toda uma temporada na NBA. Pra mim, o gênio argentino dá sinais de cansaço.
2) Luis Scola (Houston Rockets) — Belíssimo atacante. Pode fazer uma média de 25 pontos por jogo. Mas em cima dele o adversário pode construir o mesmo número de pontos. Terá 32 anos em Londres.
3) Carlos Delfino (Milwaukee Bucks) — É uma espécie de desafogo da Argentina com suas bolas certeiras de três. Este é seu cartão de visita. Bem vigiado, é possível subtrair muito de seu jogo. Contará com 29 anos na época dos Jogos.
4) Andrés Nocioni (Philadelphia 76ers) — Qual Nocioni vai às Olimpíadas? Aquele de há quatro anos, que barbarizava em quadra ou o atual, que tem uma média de 5:20 minutos por partida com a camisa 5 do Sixers? Chegará a Londres com 32 anos.
5) Pablo Prigioni (Caja Laboral/ESP) — Nunca foi um jogador de grande nível. Trata-se de um armador correto, que não faz bobagens, mas que também não faz nada fora do convencional. Quando as Olimpíadas começarem estará com 35 anos.
6) Hernán Jasen (Cajasol Sevilla/ESP) — Nem foto dele na internet a gente encontra. E não é que não se encontra por ser um jovem promissor e que agora está despontando para o basquete. Jansen terá 34 anos nas Olimpíadas. Não se encontra foto dele na internet porque Jansen é apenas OK.
7) Leonardo Gutierrez (Peñarol/ARG) — Não participou, como disse, do Pré de Mar del Plata. Pra quem não sabe, é um ala-pivô de apenas 2,00m de altura, de bons recursos técnicos, mas, como se diz por aí, não é nenhuma brastemp, pois sofre por conta da baixa estatura. Estará com 34 anos quando o torneio olímpico começar.
8) Juan Pedro Gutierrez (Obras Sanitárias/ARG) — É outro jogador OK, nada além de OK. É o caçula dos convocados: terá 28 anos em Londres.

A força do jogo argentino está no conjunto da equipe e na genialidade de Ginobili. A Argentina não faz bobagens em quadra. marca muito bem e tem um ataque sincronizado. E quando as arapucas aparecem, surgem Ginobili e Scola para desarmá-las.

Mas eles estarão envelhecidos e o time, num todo, também. A média de idade desses oito jogadores é de 32,3 anos. E, tenha certeza, serão esses oito atletas que estarão em quadra a maior parte do tempo.

Envelhecimento que pode bambear pernas e braços durante uma competição que não dá descanso, pois serão jogos atrás de jogos. E pernas e braços cansados podem significar erros ofensivos e defensivos.

Um olhar, mesmo que à distância, traz-me essas imagens do selecionado argentino. Por isso, numa análise neste momento, entendo que o Brasil, se contar com seus melhores jogadores e estiver focado na competição, grupo unido e tudo o mais, pode se dar melhor do que a Argentina em Londres.

Mas, como costumo dizer, depois que o Dallas ganhou a final da NBA na temporada passada, qualquer coisa pode acontecer, ainda mais em um torneio de tiro curto como são as Olimpíadas.

ANÁLISE 2

Muita gente neste botequim quer saber das possibilidades brasileiras em Londres. Costumo dizer: se o Brasil for completo (e por completo eu quero dizer como Nenê, Leandrinho e Varejão), nosso selecionado briga do quinto ao oitavo lugar. Se estiver iluminado, pode disputar o bronze.

Quais seriam os adversários brasileiros?

EUA, óbvio, e Espanha, claro. Estes dois times são indiscutíveis.

Depois vêm a França, que já está em Londres, além de Grécia, Lituânia e Rússia, que eu acho que vão se classificar no Pré-Olímpico Mundial.

Acho todos esses quatro europeus mais fortes que o Brasil — mas isso não quer dizer que nosso selecionado não possa vencê-los.

Impossível de vencer são os EUA e a Espanha.

Mas para que o Brasil possa vencer os europeus, terá que jogar o seu melhor basquetebol. Caso contrário, esquece; é brigar do quinto ao oitavo lugares.

LUCIDEZ

Em entrevista ao site da Fiba, Oscar Schmidt (foto Fiba) moderou seu discurso em relação a Nenê Hilário e Leandrinho Barbosa. Ao contrário das outras vezes, o Mão Santa disse o seguinte sobre a participação de ambos nos Jogos Olímpicos de Londres: “Moralmente, os dois não deveriam ir, mas racionalmente com eles nós ficamos mais fortes. Por isso, esta será uma decisão difícil para (Rubén) Magnano. Ele sabe disso”.

É por isso que eu sou fã declarado e de carteirinha do Oscar: além de ter sido um dos gênios do basquete em todos os tempos, como ser humano ele dá provas de que não é obtuso.

Notas relacionadas:

  1. BRASIL BATE ARGENTINA, MAS…
  2. BATEMOS A ARGENTINA, SAÚDE!
  3. UMA COMPARAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , ,