A VERDADEIRA HISTÓRIA DO JOGO-TREINO ENTRE O DREAM TEAM E OS UNIVERSITÁRIOS
Um documentário sobre o Dream Team que ganhou o ouro olímpico em Barcelona-92 será lançado em 13 de junho próximo. A informação é do jornal “The New York Times”. Se você não viu ou não sabe, aquela equipe dos EUA, corretamente apelidada de Time dos Sonhos, foi a maior de todos os tempos na história do basquete mundial.
O documentário vai narrar aquele esquadrão de cabo a rabo. E entre outras passagens, fala sobre um jogo-treino que o Dream Team realizou contra um selecionado de jogadores universitários que acabou saindo vencedor de quadra.
Gente mal informada, inocente, incauta e/ou mal intencionada, saiu dizendo por aí que o documentário desmistifica o Time dos Sonhos. Balela. Somente ingênuos para falar ou escrever isso. Ou mal intencionados. Ou aproveitadores. Aquele foi um jogo-treino, onde os jogadores profissionais não estavam no “time” do jogo (por um motivo ou outro) e quando se deram pela coisa tinham perdido o controle da contenda preparatória.
No livro “Michael Jordan — A História de um Campeão e o Mundo que ele Criou”, há uma passagem sobre esse jogo-treino. Abaixo, reproduzo o texto contido no livro e que faz menção ao tal coletivo e a sua consequência. Isso mesmo: sua consequência — que é a parte mais legal da história.
No início da programação do Pré-Olímpico, antes de eles (jogadores e comissão técnica) embarcarem para a Europa, os treinadores organizaram um jogo contra um time de all-stars do basquete universitário, composto em sua maioria de jogadores à espera de entrarem na NBA no ano seguinte. Era um time cheio de talentos, embora ainda imaturos, que incluía Chris Webber (Michigan), Jamal Mashburn (Kentucky), Penny Hardaway (Memphis), Rodney Rodgers (Wake Forest) e Alan Houston (Tennessee). Os treinadores eram Roy Williams (então em Kansas e hoje North Carolina) e George Raveling (USC, atualmente aposentado). Naquele dia em particular, os profissionais estavam sem inspiração, e os universitários jogaram com muita garra. Eles venceram o coletivo por 58-52, com sete cestas de três pontos de Houston. Aquilo já seria ruim o bastante, mas os jogadores universitários, mais audaciosos do que sábios, e infelizmente ignorantes do orgulho que caracteriza o nível superior do mundo no qual eles estavam prestes a entrar, começaram a comemorar. Eles ficaram pulando por um bom tempo e falaram muita bobagem, um pecado mortal dada sua posição na hierarquia do basquete. Vendo-os brincar e conversar com seus superiores como se fossem seus iguais, Roy Williams sabia que eles estavam cometendo um grande erro.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Williams jogou golfe com Michael Jordan, Chuck Daly (técnico do Dream Team), Charles Barkley e John Stockton e se desculpou pelo impetuoso comportamento de seus jogadores. “Eu mal pude acreditar que nossos rapazes estavam se vangloriando e falando aquele monte de besteiras”, disse Roy a Jordan, a quem tinha treinado em North Carolina (era assistente técnico de Dean Smith) e de quem sempre fora bastante próximo. “Não se preocupe com isso, coach”, disse MJ. “Nós vamos cuidar deles amanhã”. No coletivo do dia seguinte, quando o árbitro estava para jogar a bola ao alto e começar o jogo-treino, MJ apontou o dedo na cara de Houston e disse: “Você não vai fazer nenhuma cesta de três pontos hoje”. E marcou Houston como se fosse sufocá-lo. Mais tarde, na primeira metade do treino, quando ele teve que sair e dar lugar a Clyde Drexler, Jordan apontou para Houston e disse a Drexler: “Faça tudo para que continue assim”. O que se seguiu foi nada menos que um massacre; ao final do coletivo de 20 minutos, o Dream Team venceu por uma diferença de 38 pontos. Daly queria mais, e decidiu aumentar o trabalho em mais dez minutos. Os profissionais aumentaram então em mais 18 pontos a vantagem, vencendo o jogo-treino por uma diferença de 56 pontos.
Essa é a história do que aconteceu nos dois coletivos entre o Dream Team e o time de universitários. Por conta disso, vamos esclarecer uma coisa:
1) Foram coletivos e não jogos;
2) É possível que a soberba dos profissionais os tenha levado para o buraco no primeiro jogo-treino;
3) O massacre que veio no dia seguinte confirma o que todos sabemos.
E o que sabemos?
Que aquele foi o maior time de basquete de todos os tempos. Somente aproveitadores, gente mal informada, inocente, incauta e/ou mal intencionada pode sair por aí dizendo que o documentário desmistifica o Dream Team.
Ora, façam-me o favor! Que ridículo!
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