O Lakers aparecer com a melhor campanha da NBA – não importa o momento ou o campeonato –, não surpreende ninguém. O time tem história e camisa. E contou sempre com os melhores jogadores em toda a história da liga norte-americana. É o que acontece nesse início de torneio, quando a equipe amarelinha da terra do cinema tem um recorde de seis vitórias e nenhuma derrota.
Agora, o que surpreende é o Atlanta também aparecer com a mesma campanha do Lakers nesta temporada. O Hawks não tem muita história e nem contou com tantos bons jogadores em toda a narrativa da NBA.
Os 6-0 nesse início de competição é um feito que o Atlanta não conseguia desde a temporada 1997/98, quando a franquia conseguiu um recorde de 11-0. Impressiona também o fato de que quatro dessas seis vitórias foram obtidas em quadra estrangeira.
E foi o que aconteceu ontem à noite, quando o time da Georgia visitou o Chicago e sapecou 113-108 nos anfitriões. A equipe não tem os holofotes da mídia e nem dos torcedores de uma maneira geral. Responda rápido: quem é o técnico do Atlanta? Quem mesmo? Não se lembra, certo?
Pois é, o Hawks é assim mesmo. Está comendo pelas beiradas; mas não se sabe até onde o time pode chegar. Hoje à noite tem um teste e tanto pela frente: enfrenta o Celtics, em Boston.
Vai precisar contar com todos os jogadores atuando quase que em seu limite máximo; caso contrário, conquistar o sétimo triunfo consecutivo será difícil; ou melhor, quase impossível.
Ontem, diante do Bulls, o Hawks pôde se dar ao luxo de ver Joe Johnson, seu artilheiro no campeonato, acertar só quatro de seus 16 chutes, fazer apenas 17 pontos – oito a menos do que sua média – e mesmo assim vencer a partida.
Tudo porque Al Horford – filho do Tito, que jogou no Sírio, lembram-se? – fez o jogo de sua vida na NBA. Onipresente, foi uma tormenta na vida dos jogadores oponentes. Horford deixou a quadra do United Center com números que impressionaram os 21.738 torcedores: 27 pontos, 17 rebotes (seis no ataque) e seis tocos! Sua melhor performance nesta temporada em todos estes fundamentos.
Com o triunfo, o Atlanta não apenas manteve sua série invicta, mas também acabou com uma incômoda seqüência de sete jogos sem vencer em Chicago. A última vez que isso tinha acontecido foi em abril de 2004, quando Horford (foto AP) estava no último ano do ensino médio na Grand Ledge High School (Michigan).
As conquistas não estão vindo por acaso. Ano passado, mesmo com um recorde negativo (37-45), o Atlanta chegou aos playoffs e vendeu caro a vitória ao Celtics numa série que precisou ser disputada por completo. O triunfo do Boston por 4-3, muitos disseram, aconteceu porque o time de Massachusetts teve a vantagem do mando de quadra. Fosse o contrário, o Atlanta teria avançado para as semifinais da Conferência Leste.
O time está bem equilibrado. Conta com um armador do ramo, Mike Bibby, produto da Universidade do Arizona, cria de Lute Olson, a quem Leandrinho deveria visitar e pedir conselhos, disse-o ontem. Seu artilheiro, JJ, que ontem não foi bem, é um “All-Star”. E no garrafão, uma dupla quente, formada por Horford e Josh Smith, que não tem jogado há duas partidas por ter se contundido diante do Toronto no dia sete passado. Mas um georgiano de Tbilisi de 2m11 de altura, de nome esquisito, Zaza Pachulia, que se não tem números impressionantes (5.5 pontos e 5.7 rebotes e zero toco), tem feito muito bem o trabalho de bloqueio dentro do garrafão para Horford brilhar.
O jogo desta noite no TD Banknorth Garden é imperdível. Os holofotes que estavam direcionados apenas para o Boston terão de ser repartidos. Afinal, os comandados de Mike Woodson – o técnico que a gente não se lembrou do nome de imediato – merecem.
OUTRA MÁQUINA
Na temporada 2001/02 o Lakers começou o campeonato da mesma maneira que agora: sem perder. Naquela ocasião, o recorde inicial foi de 7-0. Resultado daquele bom princípio: ganhou o campeonato. Último título, aliás, que a franquia conquistou.
Mas ontem não foi fácil vencer a sexta partida consecutiva. O time teve que se desdobrar em quadra e defender muito, especialmente no segundo tempo, pois a defesa, no primeiro, foi uma peneira. Levou 60 pontos de uma equipe que vinha de uma derrota para o Clippers.
Com intensidade defensiva, o Lakers permitiu ao Mavs apenas 39 pontos em todo o tempo derradeiro. O grande destaque do time tem um nome que não soa familiar à maioria: Trevor Ariza. Ele foi o “key factor” para que a equipe do técnico Phil Jackson pudesse reverter um jogo que a muitos parecia perdido.
Ariza – que no “NBA Register” (o livro com o perfil dos jogadores) do ano passado aparecia como “Aziza” – jogou os 12 minutos finais da partida. Neste último quarto, pegou uma bola perdida na ponta-direita do ataque, livrou-se feito uma minhoca de Brandon Bass e Dirk Nowitzki e deu uma enterrada espetacular, colocando o Lakers na frente em 83-81.
Mas seu grande momento foi o toco desconcertante que deu em cima de Jerry Stackhouse quando o placar marcava 99-97 para o Lakers, a 45 segundos do final. Marcou 13 pontos, pegou seis rebotes (a metade no ataque), roubou três bolas e deu o toco mencionado. Tudo em 29 minutos.
O Lakers é assim: quando todos esperam mais um show de Kobe Bryant – como LeBron James tem feito com a camisa 23 do Cleveland –, aparece um sujeito não se sabe de onde e ele rouba a cena.
Coisas de um time campeão, diria o outro. Tem jeito mesmo, eu completo.
NA DESCENDENTE?
O Dallas perdeu quatro de seus últimos cinco jogos. Está com recorde de 0-3 em casa, o que não acontecia desde a temporada 1993/94. Na época, encerrou o campeonato com uma campanha medíocre: 13-69.
A torcida já pega no pé de Dirk Nowitzki, que feito o goleiro Marcos, do Palmeiras, saiu criticando seus companheiros depois da derrota para o Clippers. Ontem marcou apenas 14 pontos, com um aproveitamento amorfo de seus arremessos: 5-17. Pior: no último quarto, errou todos os seus cinco chutes.
Jason Kidd, que fez um “triple-double” ao anotar 16 pontos, 11 rebotes e 10 assistências, também não tem sido poupado.
O técnico Rick Carlisle saiu em defesa dos dois ao final da partida. Disse Rick: “Dirk Nowitzki e Jason Kidd são jogadores especiais e se tornaram grandes porque eles pedem a bola quando o jogo está sendo decidido. Dirk teve algumas oportunidades no final da partida, mas não foi feliz. Mas num todo, ele foi bem”. Foi nada, a gente viu os números.
Mark Cuban, dono da franquia, está sendo acusado de estar com as atenções divididas no momento, pois fala-se que ele está para comprar o time de beisebol do Chicago Cubs. Ele desmente categoricamente.
Mesmo fora de época, Dallas parece estar sendo varrida por um furacão.
BRAZUCAS
Os dois brazucas que entraram em quadra ontem foram bem; especialmente Anderson Varejão. Nenê até que não foi mal, mas produziu menos do que vinha produzindo.
Mas é sempre bom dizer: home sweet home. Ou seja: em casa tudo fica mais fácil, no aconchego do lar, com o calor e o carinho dos torcedores, com tudo familiar.
Talvez isso explique o desempenho melhor de um do que de outro.
Varejão jogou 23 minutos na vitória do Cavs sobre o Milwaukee por 99-93 (19.842 pagantes) e fez seu primeiro “double-double” da temporada, ao anotar 13 pontos e apanhar 10 rebotes (três deles no ataque). Melhor do que isso é ver que nos últimos três jogos Varejão soma 14.7 pontos e 7.3 rebotes de média por embate disputado.
Mas o mais legal é ver a química que existe entre o capixaba e o resto do grupo. Todos gostam dele. LeBron James também? Tenha certeza que sim. King James, aliás, parece ser o melhor amigo de Varejão – e vice-versa.
Trabalhar assim, sendo amado pelo “dono” do time, fica fácil, muito fácil. Mas isso não veio de graça, é importante ressaltar. É fruto do trabalho árduo do brasileiro.
Nenê jogou num ritmo mais lento do que nas últimas partidas. Teve a marcá-lo, é certo, um jogador diferenciado: Emeka Okafor. Foi, talvez por isso, menos eficiente no ataque, tendo terminado o embate com 12 pontos, sete a menos do que sua média nos três jogos anteriores. Nos rebotes, foram oito (um no ataque). Em compensação, deu quatro tocos, sua melhor marca nesta temporada.
De um modo geral, Nenê, que ontem completou 300 jogos na NBA (Leandrinho tem 360 e Varejão 239), foi bem e importante na não menos importante vitória do Denver diante do Charlotte (88-80, 10.753 pagantes), a terceira consecutiva da equipe, que agora tem um aproveitamento de 57.1% de seus jogos (4-3) e a sétima posição na Conferência Oeste.
UNSTOPPABLE
O que dizer de LeBron James (foto AP)? Ele parece incontrolável em quadra. Ontem marcou 41 pontos pela terceira vez nos últimos quatro jogos. É o cestinha da NBA com média de 29.8 pontos por partida.
Disparado, o melhor atacante da competição.
Mas não é só isso. Sua média nos rebotes, 8.4, é de irritar muitos pivôs e as 6.9 assistências por partida inveja muitos armadores.
Faz um início de temporada quase que impecável. O time vem de cinco vitórias consecutivas (duas delas fora de casa) e cresce a cada rodada.
Como crescem as chances de LeBron ser o MVP da temporada, embora seja muito cedo para a gente cravar nisso, reconheço.
ALL-STAR GAME
Começa amanhã a votação para o “All-Star Game” que será jogado em fevereiro do ano que vem em Phoenix. Qualquer um pode votar pela internet, através do site da NBA. A data limite é 19 de janeiro do ano que vem.
Um total de 120 jogadores (60 de cada conferência) foram selecionados para a cédula de votação. Brasileiros? Brasileiro, digo, pois apenas Leandrinho aparece. Uma injustiça com Nenê e Anderson Varejão.
Mas você pode corrigi-la votando em outro jogador que não aparece na cédula. É o que eu vou fazer: no Leste, um de meus pivôs será o Varejão; no Oeste, Nenê. E Leandrinho também receberá o meu voto.
Afinal, é uma festa.