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sábado, 2 de maio de 2009 NBA | 12:56

A MISSÃO DO MIAMI

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A série está completamente aberta. A vitória do Miami sobre o Atlanta, ontem à noite por 98-72 (poderia ter sido de muito mais) leva o confronto para o sétimo e decisivo jogo.

Será amanhã à tarde, na Geórgia, 14h de Brasília. Mesmo atuando em sua Philips Arena, o Hawks não pode dar esse encontro como favas contadas.

O Heat já ganhou uma partida em Atlanta. Pode vencer novamente, por que não?

Claro que pode.

Para que isso ocorra, o Miami tem que duas missões pela frente…

Mas vamos ao jogo de ontem.

Dwyane Wade (foto AP) carregou o time da Flórida nas costas quando atacar era a missão. Jogou uma barbaridade; sozinho conseguiu a façanha de destruir a defesa adversária, uma equipe muito bem armada, diga-se.

D-Wade marcou 41 pontos (16-17 nos lances livres). Ficou a dois de igualar sua melhor marca em playoffs, mas foi a quinta partida em toda sua trajetória nesta fase decisiva que ele atinge 40 pontos ou mais.

Fica atrás apenas de Kobe Bryant (6), Allen Iverson (10) e Shaquille O’Neal (12).

Tornou-se, também, o 17º. jogador em atividade a superar a casa dos 1.500 pontos em playoffs.

Jogou, como disse, uma barbaridade.

Mas não jogou sozinho.

A defesa do Miami segurou o Atlanta e permitiu apenas 72 pontos ao adversário. Limitou o aproveitamento do Hawks em 37% nos arremessos (27-73), sendo que nas bolas longas o desempenho foi ainda pior: 33.3% (7-21).

Na coletividade, apanhou mais rebotes (47-36) e deu mais assistências (12-8).

Para que o Heat bata o Hawks amanhã, longe de seus torcedores, o Miami terá que cumprir estas duas missões: D-Wade jogar novamente uma barbaridade e a defesa mostrar a mesma eficiência de ontem à noite.

Caso contrário, o Atlanta passa.

DESTAQUE

Dwyane Wade jogou muito, mas não há como não destacar também o trabalho do “rookie” Michael Beasley. O ala de força do Miami terminou a partida com 22 pontos e 15 rebotes.

Tornou-se o terceiro jogador na história da franquia a ter pelo menos 20 pontos e 15 rebotes em uma partida da pós-temporada, juntando-se a Shaquille O’Neal e Caron Butler.

Como disse acima, ele é apenas um ”rookie”.

CONTUSÃO

É bom lembrar: o Miami jogou se Jermaine O’Neal, contundido. Ele será reforço certo para o jogo de amanhã.

Mais um motivo para os torcedores acreditarem.

REVERSO

Do outro lado, pouco a se dizer do Atlanta. Foi uma noite irreconhecível.

Os números mencionados acima mostram isso. Além do mais, Josh Smith e Mo Evans tomaram faltas técnicas por bobagem, mostrando a fragilidade emocional da equipe.

“Nosso time perdeu a compostura [em quadra] em alguns momentos”, admitiu o armador Ronald “Flip” Murray, um dos três jogadores do Atlanta a ter um duplo dígito na pontuação (13); os outros foram Mike Bibby (20) e Joe Johnson (13).

Murray deu a pincelada final quanto à atuação do Hawks: “Nossa defesa nunca esteve em sintonia”.

Exatamente; por isso Dwyane Wade deitou e rolou.

Se a defesa melhorar amanhã à tarde, uma das missões do Miami não será atingida.

A outra, furar a retranca adversária, também é possível de ser atingida pelo Atlanta, uma vez que, em casa, o time tem uma média de 96.3 pontos por jogo, 24 a mais do que fez no prélio da noite passada na Flórida.

AUSÊNCIA

Danny Ainge, presidente do Boston, mandou uma mensagem por escrito para os jornalistas que cobriam o treino da equipe ontem à tarde. Dizia ela que Kevin Garnett (foto AP) só volta a jogar na próxima temporada.

Se não for blefe, a partida desta noite entre Celtics e Bulls, no TD Banknorth Garden de Massachusetts (21h de Brasília), está aberta.

Sim, pois nos três encontros já realizados em Boston nestes playoffs os vencedores não o fizeram por uma margem superior a três pontos.

Como se vê, muita igualdade, pois o Celtics, sem KG, não é a potência que a gente imaginava que fosse. É a tal da diferença que um jogador faz, contrariando teses, como falei no nosso bate papo de ontem.

PUNIÇÃO

A NBA tem sido solidária quanto a violência dentro das quadras. Ontem, Tim Frank, assessor de imprensa da liga, informou que nenhuma punição será dada a Rajon Rondo por seu comportamento agressivo em relação a Kirk Hinrich.

Que mensagem a NBA passa para os jogadores do Boston para o jogo desta noite? Apenas uma: batam à vontade, porque nada vai acontecer.

Nem falta flagrante, nem expulsão e nem suspensão.

Como diz o meu amigo Ricardo Capriotti (aquele que contempla Ilaria D’Amico, lembram-se?), que beleza!

CANSAÇO

Um dos parceiros do nosso botequim disse, sabiamente, que o Boston é um time cansado. Verdade.

Kevin Garnett está de fora; o mesmo para Leon Powe. Sem contar que Mikki Moore, reserva dos dois, não está jogando nada e Doc Rivers tem que recorrer ao pouco talentoso Brian Scalabrine.

O mesmo vale para Stephon Marbury, o que provoca minutos a mais para Rajon, o que não estava nos planos de Rivers.

Não há muitas opções e o jeito é deixar a tropa de elite em quadra o quanto ela aguentar. E isso é problema, pois Ray Allen está com 33 anos e Paul Pierce com 31.

Do lado do Chicago, dos jogadores que Vinnie Del Negro usa pra valer, apenas Brad Miller é veterano: 33 anos.

Os demais têm uma média de idade de 24.8 anos.

Este pode ser um fator decisivo no momento da decisão.

Notas relacionadas:

  1. NOITADA DE GALA EM MIAMI
  2. DUPLA DA PESADA
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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 30 de abril de 2009 NBA | 16:57

O DENVER NÃO É MAIS AQUELE

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O jogo foi equilibrado até a metade do terceiro quarto, quando Hilton Armstrong acertou uma bola de dois pontos, sofreu falta e aproveitou o lance de bonificação, a 5:58 minutos do final do referido período. Levou o marcador para uma igualdade em 62 pontos.

Dali para frente, só deu Denver. O time colorado fez uma corrida de 49-24 e derrubou o New Orleans da cama, transformando o sonho de uma vitória em um assustado despertar para a realidade.

O resultado final, 107-86, deixou bem claro a diferença entre as duas equipes. O Hornets não é mais aquele Hornets da temporada passada; nem o Nuggets.

A equipe colorada fez 4-1 na série e ganhou seu primeiro confronto em playoffs desde 1994, quando de maneira inesquecível, liderado por Dikembe Mutombo, eliminou o Seattle, melhor do Oeste, por 3-2 depois de estar perdendo por 2-0.

Mas, de volta ao presente, o time da Louisiannia não foi páreo em momento algum neste enfrentamento, à exceção da terceira partida. O Denver jogou muito mais, tanto que venceu seus prélios por uma média de 24.2 pontos de diferença.

No confronto de ontem, na corrida final, Carmelo Anthony cravou 16 dos 49 tentos do Nuggets. Deixou o parquete do Pepsi Center celebrado pelos 19.744 torcedores, que não pouparam aplausos e elogios para o ala colorado, que anotou no total 34 pontos e foi o cestinha do time e da partida.

Mas não há como não mencionar o trabalho de J. R. Smith (foto AP). Ele anotou 15 de seus 20 pontos exatamente no momento que o Denver jogou um balde de água fria nas pretensões do New Orleans.

Outro que não dá para esquecer: Chauncey Billups. O armador jogou como tal, marcou 13 pontos, mas deu 11 assistências; foi o único jogador do Nuggets a finalizar a partida com um “double-double”.

Nenê? Bem, o brazuca declarou recentemente que não está com a cabeça boa – o alerta foi dado por Belan, nosso parceiro neste botequim, ao ler uma entrevista do são-carlense no “Denver Post”.

As coisas, segundo ele, não estão saindo como planejou. Tem estado deprimido por causa disso.

Bobagem, essas coisas acontecem; como diz o outro, fazem parte do jogo.

Ele deveria focar no que fez de proveitoso nesta temporada. No ganho que teve em relação à passada.

Isso deveria nortear seu pensamento – e não o que não deu certo até aqui nesses playoffs.

Mas, infelizmente, não tem sido assim.

Pressionado por ele mesmo, decaiu nesta fase decisiva. Ontem, no momento da corrida final, contribuiu com apenas dois rebotes; não fez ponto algum.

Terminou esta série com nove tentos e 7.8 rebotes. Na fase regular, teve médias de 14.6 pontos e os mesmos 7.8 ressaltos.

Como se vê, perdeu a confiança ofensiva.

Mas, a bem da verdade, a gente nota que não foi apenas nos playoffs que seu jogo caiu. Seu percentual de aproveitamento, que era o melhor da NBA, diminuiu depois do ASG.

Sabe de uma coisa? Acho que uma boa terapia poderia ajudar muito nosso Nenê neste momento.

SEMIFINAL

O Denver está preparadíssimo para as semifinais do Oeste. Tem a convicção de que pode disputar a final da conferência.

Não há deslumbramento algum. Os números do confronto contra o New Orleans e a segunda colocação no Oeste legitimam tal sentimento.

Como vai ser contra o Dallas? Bem, o Mavericks está jogando o fino da bola.

Há diferença gritante entre as duas equipes? Não, não há; elas se equivalem.

Por que o Denver, então?

Creio que o fator quadra poderá determinar o finalista. E o Denver tem esta vantagem.

Talvez por isso, também, a convicção exista.

Mas da série entre Denver e Dallas a gente fala mais para frente.

3-2

O Atlanta recuperou a vantagem neste corpo a corpo com o Miami. Abriu 1-0, cedeu o empate, viu o Heat pular na frente em 2-1, empatou o confronto vencendo em plena Flórida e ontem, no conforto do lar, tornou a ganhar (106-91), voltando a liderar a disputa entre eles.

Uma série e tanto, diga-se. Tanto assim que os ânimos já estão acirrados em quadra; isso é supercomum nesses enfrentamentos.

Ontem, na Geórgia, Dwyane Wade e Solomon Jones quase se engalfinharam, provavelmente porque D-Wade estava irritado com o tombaço que levou ao colidir com Josh Smith (foto Reuters). O jogo de amanhã, novamente em Miami, promete.

Mas se o Heat quiser igualar a série e provocar o sétimo e último encontro, vai precisar mais do que músculos e caras feias. Vai ter que voltar a ser aquele time equilibrado que fez duas vitórias seguidas diante do Hawks.

Ontem, o jogo voltou a ficar concentrado em Dwyane Wade – isso não adianta, a gente já falou.

Em contrapartida, os anfitriões praticaram uma vez mais um basquete solidário. Mas não apenas na pontuação bem distribuída, mas também em outros fundamentos: apanhou mais rebotes (37-29), deu mais assistências (23-17) e cometeu menos erros (5-7).

E por falar em rebotes, dos 37 confiscados, 12 foram de ataque, enquanto que os visitantes não passaram de meia dúzia.

Quando palpitei sobre esta série, falei do equilíbrio do jogo do Atlanta. Repito: se o Miami passar, para mim será uma grande surpresa.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , ,

terça-feira, 28 de abril de 2009 NBA | 12:08

O PESO DO VOTO

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LeBron x Kobe

Como faço todas as manhãs, peguei o jornal para ler enquanto tomava 0 café. De repente, deparei-me com uma notícia que me chamou a atenção porque remeteu-me uma vez mais à questão das escolhas dos melhores desta temporada na NBA.

Diz a manchete do texto: “Giggs é melhor jogador da Liga; Ronaldo em 2º.”

O texto fala que o galês do Manchester United, de 35 anos, foi eleito o melhor jogador do campeonato inglês pela Federação dos Jogadores Profissionais da Inglaterra. O texto ressalta que Giggs desbancou Cristiano Ronaldo, eleito pela Fifa o melhor jogador de futebol da atualidade.

Duas eleições das mais valiosas – a de Giggs e a de Cristiano. A inglesa, a meu ver, mais importante, pois leva em consideração a opinião de quem enfrentou os jogadores dentro do campo, durante a temporada em questão, enquanto que a no escrutínio da Fifa os votantes são treinadores e capitães de todas as seleções filiadas à Fifa, alguns deles adversários diretos de Cristiano, a maioria não.

Mas tudo bem, de qualquer forma, as duas escolhas foram feitas por quem está mais próximo do objeto de análise.

Falo isso porque na NBA a escolha dos melhores é feita por jornalistas. Pergunto: se os jogadores que atuam – ou atuaram – nesta temporada fossem votar, será que o resultado teria sido o mesmo?

Pode ser que sim; pode ser que não.

Será que eles escolheriam LeBron James para ser o MVP da temporada ou votariam em Dwyane Wade ou Kobe Bryant – ou até mesmo Dwight Howard?

A gente não sabe.

O que a gente sabe é que a mídia norte-americana já se decidiu por LBJ porque LBJ, além de ser um talento incontestável, virou moda, ditada pela própria imprensa dos EUA. Trata-se de uma eleição de cartas marcadas, como já disse, porque é “cult” cultuar King James no momento, independente do que seus concorrentes façam em quadra.

Esta realidade está estampada nos cadernos de esporte da maioria dos jornais norte-americanos. Fosse LeBron dono de um “triple-double” de média nesta série contra o Detroit e haveria um estardalhaço nos meios de comunicação dos EUA.

Rajon Rondo, humilde, tem esta marca na série contra o Chicago. Mas o jogador do Boston não é dodói da mídia e, por isso, poucos se dão conta da exuberância de seus números.

Desta forma, quando o resultado for divulgado, vou continuar com a pulga atrás da orelha. Será que os jogadores teriam escolhido LBJ? Ou teriam optado por D-Wade, Kobe ou pelo Super-Homem?

Os atletas, como disse, estiveram em quadra e enfrentaram esses caras. Eles sentiram a dificuldade de marcá-los, a dificuldade de superá-los; sentiram a pressão de jogar contra eles.

O peso do voto dos jogadores, a meu ver, é muito maior.

Por mais que a mídia seja especializada e entenda do riscado, o voto de quem está lá dentro, pra mim, tem muito mais valor e seria o retrato da realidade.

O único consolo é que a eleição dos melhores não é feita pela internet. Eleição por esta mídia, a gente já viu, não reproduz a realidade; ao contrário, distorce.

Basta ver, por exemplo, Allen Iverson e Yao Ming entre os titulares do Leste e Oeste, respectivamente, no ASG desta temporada. O chinês tem desbancado Shaquille O’Neal há algum tempo, exatamente porque a China tem 1,4 bilhão de habitantes e quando nossos irmãos chineses colocam a mão na massa, ou melhor, no computador, sai debaixo; não tem pra ninguém.

É covardia, portanto; Shaq jamais vai ganhar.

Eleição pela internet, a meu ver, deveria ser banida do planeta. Não tem valor algum.

Ela, como disse, distorce os fatos. Uma pessoa pode votar várias vezes num mesmo jogador, sem contar que os mais velhos ficam privados do voto, pois a esmagadora maioria deles não sabe lidar com um computador.

Dos males, o menor. Os jornalistas votam nos melhores; ainda bem que a escolha não é feita pela internet.

MASSACRE

A vitória do Denver sobre o New Orleans foi estrondosa: 121-63. E na casa do adversário.

A diferença de 58 pontos imposta pelo Nuggets iguala a melhor marca em um playoff estabelecida pelo Lakers no campeonato de 1956. À época, o Lakers, sediado em Minneapolis, venceu o Atlanta Hawks por 133-75 , Hawks que na ocasião estava em Milwaukee, por isso o encontro entre eles em um playoff.

História à parte, o fato é que o Denver mostrou que realmente está pronto para esses mata-matas. Ganhar do Hornets, em New Orleans, e do jeito que ganhou, é para poucos.

E os torcedores locais, incrédulos com o que viam, pouparam-se de tortura maior e a maior parte das 17.236 poltronas ocupadas na partida de ontem já estava desocupada quando começou o último quarto.

Infelizmente, Nenê não conseguiu tirar proveito da situação porque, uma vez mais, viu-se enrolado com as faltas. Jogou apenas 16 minutos, tempo para marcar 13 pontos e pegar só dois rebotes.

Estava bem no jogo. Tinha acertado todos seus cinco arremessos e nos lances livres encestou três em quatro tentados.

Deu um toco e fez dois desarmes.

A gente poderia ter multiplicado por dois esses números se o são-carlense se contivesse em quadra.

Que ele tire lições dessas últimas partidas. Os playoffs são longos e o Nuggets quer vê-lo em ação e não sentado no banco de reservas.

No banco, não há diferença alguma, por exemplo, entre mim e ele. Em quadra é que Nenê se agiganta e mostra todo o seu valor.

FINAL

Com a surra aplicada no New Orleans, o Denver abriu 3-1 na série. A partida decisiva entre ambos, a meu ver, será amanhã à noite, no Pepsi Center do Colorado.

O Nuggets deve confirmar a vitória e encerrar este primeiro capítulo. Provavelmente sabendo que seu adversário será o Dallas, que mesmo em San Antonio, esta noite, tem tudo para vencer novamente o Spurs e encerrar também este enfrentamento.

PRÓXIMO

Ao contrário do Denver, o Lakers já está classificado. Bateu ontem o Utah por 107-96 e fez 4-1 no confronto.

Fica, agora, aguardando o desenlace de Houston e Portland. Os dois times voltam a se enfrentar esta noite, novamente no Oregon, com os texanos atrás de uma vitória para fechar o combate em 4-1.

Caso o Blazers vença, a série volta para Houston, com novo jogo na quinta-feira.

Mas voltemos ao Lakers, que, como falei, fica agora esperando pelo seu próximo oponente. Terá alguns dias a mais de folga porque atropelou o Jazz.

Na partida de ontem, Lamar Odom foi o destaque: 26 pontos e 15 rebotes – embora a gente não possa deixar de lado os 31 pontos de Kobe Bryant.

VANTAGEM

O Atlanta recuperou sua vantagem de quadra ao vencer o Miami, ontem, na Florida. O jogo foi apertado e a diferença de dez pontos não diz muito o que aconteceu.

É certo que o Hawks esteve sempre à frente no marcador. Mas o Heat encostou várias vezes e quando a gente pensava que ia ultrapassar, a defesa adversária apertava a marcação e induzia os anfitriões ao erro.

Vejam só o equilíbrio do Atlanta: seis jogadores tiveram um duplo dígito, sendo que o maior pontuador dos visitantes foi Mike Bibby com apenas 15 tentos.

O aperto que falei na marcação nos momentos decisivos – que foram muitos – levou o Miami a um aproveitamento muito ruim de seus arremessos: 37.7% no geral, sendo que nas bolas de três ficou em exatos 25%.

Só para comparar, o Atlanta teve, respectivamente, um desempenho de 42.4% e 35.7%.

Isso explica por que o Hawks deve ganhar esta série e ser o adversário do Cleveland nas semifinais da Conferência Leste. Cavs que descansa, merecidamente, por causa de sua competência na fase de classificação, que o leva, agora, a enfrentar times fracos que não causam qualquer desconforto a ele.

Notas relacionadas:

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , ,

domingo, 26 de abril de 2009 NBA | 12:45

JOGADOR MARCANTE

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A manchete de capa do “LA Times” diz: “Finalmente Kobe deixa sua marca”.

Perfeita.

Kobe, de fato, não vinha se impondo nestes playoffs como o jogador marcante que a gente sabe que ele é.

Depois de um jogo apagado, para dizer o mínimo, contra o Utah, na última quinta-feira, quando marcou apenas 18 pontos e acertou só cinco de seus 24 arremessos, ontem Kobe foi o jogador marcante que a gente sabe que ele é.

Atirou o mesmo número de bolas do encontro de quinta, mas desta vez encestou 16. Nas laranjinhas de três, uma certa em duas tentadas. Nos lances livres, cinco em cinco.

Excelente.

Ao final da partida, depois de 39:37 minutos em quadra, Kobe marcou 38 pontos e foi aquele jogador marcante que a gente sabe que ele é.

Foi impossível contê-lo.

O técnico Jerry Sloan, do Utah, experimentou nada menos do que quatro marcadores em Kobe. Tiveram a missão Ronnie Brewer, C. J. Miles, Paul Millsap e até mesmo o armador Deron Williams (foto Reuters).

Nenhum deles obteve sucesso.

De nada adiantaram a agressividade física desses jogadores na tentativa de abreviar o volume de jogo de Kobe e nem as insistentes e invejosas vaias que vieram da maior parte dos 19.911 torcedores que compareceram à EnergySolutions Arena de Salt Lake City.

O camisa 24 do Lakers não se importou com isso. Ele sabia que ontem era o momento para dar este bote decisivo, era o momento de ele voltar a ser aquele jogador marcante que a gente sabe que ele é.

O resultado disso não foi apenas a vitória por 108-94, que fez o Lakers abrir 3-1 na série diante do Jazz. O resultado disso foi que Kobe tornou-se o sétimo maior cestinha na história dos playoffs da NBA.

Com seus 38 pontos, chegou aos 3.792 tentos e deixou para trás Hakeem Olajuwon e John Havlicek. Tem 105 a menos do que Larry Bird. Deve deixá-lo comendo poeira também e tornar-se o sexto maior artilheiro dos playoffs.

Tudo porque ele voltou a ser aquele jogador marcante que a gente sabe que ele é.

FIM DA LINHA

Com a vitória de ontem e os 3-1 na série, como eu disse anteriormente, o Lakers pode se considerar nas semifinais da Conferência Oeste.

Para que isso não ocorra, o Utah precisa vencer os três últimos jogos deste confronto. Dois deles em Los Angeles.

Impossível, vocês não acham?

No basquete há zebras, a gente sabe disso, mas deste tamanho eu nunca vi.

FRASE

“Nós nunca estivemos perto de marcá-lo. Ele simplesmente colocou todos [marcadores] no bolso e jogou do jeito que ele queria” – Jerry Sloan, técnico do Utah Jazz, sobre Kobe Bryant, depois da partida.

CONTRIBUIÇÃO

Kobe Bryant não jogou sozinho. Houve contribuições – e das boas.

Lamar Odom voltou a fazer uma partida daquelas com seus dez pontos, 15 rebotes, seis assistências, dois tocos e um desarme.

Pau Gasol anotou um “double-double” também: dez pontos e 13 rebotes.

O bom da história foi que Derek Fisher parece ter começado a encontrar a fórmula do bom arremesso, que estava perdida em algum canto de sua memória. Ontem ele teve um duplo dígito (12 tentos), com quatro acertos em oito arremessos; mas ainda deve nas bolas longas: 1-4.

TRISTEZA

Do outro lado, o Utah lutou com todas suas armas. Mas elas têm se mostrado insuficientes para eliminar o Lakers – a menos que haja uma surpresa do tamanho da história da NBA.

Carlos Boozer foi uma vez mais um monstro em quadra: 23 pontos, 16 rebotes e cinco assistências. Tentou de tudo; até peitada saiu dando em Pau Gasol, na tentativa de intimidar o soft pivô do Lakers.

Não deu certo, os números do espanhol mostram isso.

Mas Boozer tentou.

Deron Williams – meu armador favorito – marcou 23 pontos, deu 13 assistências e resgatou cinco ressaltos. Tentou, como contei, anular Kobe, mas aí já era demais.

Usou do físico para amedrontar seu companheiro de ouro olímpico. Não conseguiu; Kobe nunca se deixou atemorizar por aparências.

Dei o título de “Vestiário Triste” para este tópico, mas penso que estou sendo injusto: a instituição Utah Jazz deveria orgulhar-se de tudo o que fez, tudo na dose certa.

Só não deu certo porque ontem Kobe voltou a ser aquele jogador marcante que a gente sabe que ele é.

PASSO

O Dallas deu um passo gigantesco para se classificar. Ao bater o San Antonio por 99-90 abriu 3-1 na série melhor de sete e só será eliminado se perder as próximas pelejas.

Uma delas, aliás, dentro de casa, no caldeirão do American Airlines Center.

Sinceramente? Assim como o Lakers, o Dallas já passou.

Tivesse o Spurs Manu Ginobili e seria possível sonhar. Sem ele, apenas Tony Parker e Tim Duncan terão muita dificuldades para evitar o pesadelo da eliminação.

POBREZA

O San Antonio se resumiu a dois jogadores nesta derrota para o Dallas – os números mostram isso. Tony Parker, um gigante, anotou 43 pontos; Tim Duncan, outro guerreiro, cravou 25 tentos na cesta do Dallas.

Os demais…. o que eles fizeram? Nada; ou quase nada.

Michael Finley marcou sete pontos, George Hill cravou seis, Bruce Bowen fez cinco, Drew Gooden deixou dois pontinhos para a estatística enquanto que Ime Udoka e Kurt Thomas contribuíram com um mísero ponto; e acabou.

Roger Mason e Matt Bonner? Acreditem, simplesmente saíram zerados de quadra!

Ou seja: enquanto Parker e Timmy anotaram, juntos 68 pontos, os demais jogadores do San Antonio marcaram 22.

É possível vencer um adversário do naipe do Dallas, fora de casa, com uma atuação dessas? Claro que não.

Portanto, vamos esquecer o San Antonio e falar do Mavericks, que foi o ator principal neste filme.

EQUILÍBRIO

Se apenas dois jogadores escaparam do lado alvinegro, cinco atletas do Dallas jogaram muito bem.

Josh Howard (foto AP), mais uma vez, foi o destaque da equipe com seus 28 pontos. Mas não dá para deixar de lado os 12 pontos e os 13 rebotes (todos defensivos) do alemão Dirk Nowitzki.

Além da dupla, foram importantes os 17 pontos de Jason Kidd e os 20 tentos anotados por Erick Dampier e Jason Terry – dez para cada um.

Terry, aliás, gostaria de mencionar, decaiu nestes playoffs em relação à fase de classificação. Na etapa anterior, ele teve média de 19.6 pontos por jogo; nesta série diante do Spurs, caiu para 12.0.

Foi seu jogo que caiu? Penso que não. Isso se deve porque ele, com a volta de Josh Howard, que perdeu nada menos do que 30 jogos na fase de classificação, teve subtraído importantes três minutos de seu tempo em quadra – e isso faz diferença na pontuação final.

Mas voltando ao jogo de ontem, é aquilo que eu sempre digo: é complicado marcar um adversário que sabe variar seu jogo. Quando temos um time onde só um jogador pontua, fica óbvio demais e facilita o trabalho do oponente.

Nowitzki percebeu isso e hoje não fica alucinado em quadra em busca de pontos, pontos e mais pontos. Percebeu que, sozinho, é muito difícil – para não dizer impossível – ganhar um campeonato.

Ele próprio viveu isso em 2006.

PORRADA

O encontro na cidade do jazz foi faltoso – às vezes violento. Os números mostram: foram 58 faltas no total, 29 para cada equipe.

Os quatro vigias titulares dos garrafões de New Orleans e Denver foram excluídos com seis faltas: David West e Tyson Chandler (Hornets) e Kenyon Martin e Nenê Hilário (Nuggets).

Teve mais: Chandler e James Posey, do lado dos anfitriões, e Chauncey Billups, pelos visitantes, foram punidos com falta flagrante, enquanto que J. R. Smith, do Nuggets, tomou uma falta técnica.

O pau comeu, como se vê.

O jogo? Foi emocionante; decidido apenas na última bola.

Carmelo Anthony, cestinha do Denver com 25 pontos, teve a bola nas mãos para evitar a derrota. Faltavam 25.6 segundos para o final da partida e o placar mostrava 94-93 para o Hornets.

Ele próprio roubou a bola num lateral mal cobrado.

No ataque, depois do tempo pedido, atrapalhou-se ao tentar o passe para Martin, recuperou a bola e arremessou completamente desequilibrado. Deu aro.

E o jogo acabou com o placar de 95-93 para o New Orleans.

A série mostra agora 2-1 para o Denver. O próximo encontro será novamente na Louisiannia, amanhã à noite.

Está aberto – ao contrário dos confrontos no Colorado, onde o Nuggets superou completamente o Hornets.

SURPRESA

Confesso que estou surpreso com o desempenho do Miami. A equipe parece ter encontrado o jeito de jogar como um time.

Dwyane Wade está desequilibrando, como sempre acontece, mas aquele equilíbrio que a gente tanto fala há neste momento no Heat.

Ontem, os cinco titulares tiveram duplo dígito na pontuação.

Wade foi o cestinha com 29 pontos. Mas Jermaine O’Neal contribuiu com 22, Mario Chalmers com 15, Udonis Haslem (foto Reuters) com 12 e James Jones com 11.

Aí está o segredo para a vitória esmagadora de ontem por 107-78 e os 2-1 na série em favor do time da Flórida.

A continuar assim, não perde este confronto de jeito nenhum; se voltar a ser o time de um jogador só, será eliminado.

Notas relacionadas:

  1. O DESPERTAR DE UM GRANDE JOGADOR
  2. A HORA DO PALPITE
  3. O TRAUMA DO LAKERS
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segunda-feira, 20 de abril de 2009 NBA | 11:33

SIM, É POSSÍVEL

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Eu não falei que dava para eliminar o Orlando? Pois é, o Philadelphia acreditou nisso e roubou a vantagem de quadra do Magic na partida mais espetacular da rodada de ontem.

O jogo da Flórida teve o quarto final repleto de emoções. O Sixers entrou nos últimos 12 minutos com uma desvantagem de 14 pontos: 79-65.

Mas foi tirando, pontinho aqui, pontinho ali, a diferença até que Andre Iguodala (foto AP) fez o arremesso mortal, a pouco mais de três segundos da buzinada final, com a bola caindo limpinha, mansamente: 100-98.

Como eu disse, dá para eliminar o Orlando. E por que dá?

Porque o Magic perdeu sua identidade com a contusão de Jameer Nelson. A franquia bem que tentou resolver o problema contratando Rafer Alston, mas o ex-armador do Houston não consegue conduzir de maneira criativa o time em quadra.

Sem Jameer, o Orlando perdeu não apenas em imaginação, mas também em poder de fogo. Os tiros longos de Nelson eram uma arma mortal; eles, por exemplo, liquidaram o Lakers em Los Angeles.

Vejam os números do jogo de ontem: o Magic encestou apenas cinco de seus 18 chutes de três (27.8%).

Rashard Lewis, um especialista na modalidade, cravou apenas 1-4; Hedo Turkoglu, 0-2; Alston, 2-6; Courtney Lee, 1-4; e Anthony Johnson, 1-2.

Em contrapartida, o Sixers fez desses tiros longos sua arma principal no momento em que o jogo estava sendo definido.

No jogo todo, foram apenas sete bolas certeiras, duas a mais do que o Orlando. Mas o mais importante foi que o Philadelphia embiroscou cinco delas no último quarto, sendo que o terceiro acerto de Donyell Marshall no período aconteceu a 34 segundos do final, empatando a partida em 98 pontos.

Na sequência, Lewis errou um “jumper” da meia direita do ataque, Andre Miller pegou o rebote, pediu tempo e com 12 segundos de posse de bola, o Sixers foi à frente para fazer o que a gente sabia que era possível: ganhar a partida.

Andre Iguodala, um monstro em quadra (20 pontos, oito rebotes e oito assistências), marcado por Turkoglu, fez o mencionado arremesso mortal, a pouco mais de três segundos da buzinada última. A bola caiu limpinha, mansamente: 100-98.

De nada adiantaram o 31 pontos e 16 rebotes de Dwight Howard. Perdoem-me o lugar-comum, mas não há como evitá-lo: uma andorinha realmente não faz verão.

NÃO FAZ MESMO

Dwyane Wade sentiu na pele o mesmo que Dwight Howard. E deve ter constatado: sozinho, não vai conseguir levar o Miami adiante nesses playoffs.

O outro time da Flórida levou uma chacoalhada na Geórgia ao ser derrotado pelo Atlanta por 90-64. Um massacre, que mostra bem a diferença entre as equipes.

O Hawks é um time, um elenco; o Heat é um jogador. Não se ganha campeonatos assim. Ganha-se uma batalha aqui e outra ali, mas a guerra, de jeito nenhum.

Muitíssimo bem marcado, D-Wade não conseguiu ser o “key factor” do time. Deixou a quadra com apenas 19 pontos e um aproveitamento horrível nos arremessos: 8-21, sendo que dos três acertou apenas um tiro dos seis tentados.

Pior ainda: cometeu oito erros– muito em se tratando de playoffs; muito em se tratando de D-Wade.

O armador do Miami não encontrou eco nos companheiros. Dos outros quatro titulares, nenhum conseguiu duplo dígito na pontuação. Apenas Michael Beasley, vindo do banco, chegou aos dez pontos.

Pouco, muito pouco.

Do outro lado, o Atlanta jogou como dele se esperava: como um time.

Mike Woodson, uma grande revelação como treinador, sedimentou na defesa a força de sua equipe. E o sucesso dela possibilitou contra-ataques; neles, Josh Smith deitou e rolou e fez os torcedores do Hawks se lembrar de Dominique Wilkins com suas enterradas espetaculares.

Smith terminou o encontro com 23 pontos, dez rebotes e três desarmes. Mas foram as três enterradas, no segundo quarto, no melhor estilo Dominique Wilkins que causaram uma nostalgia imensa nos 18.851 torcedores que ocuparam todos os lugares da Philips Arena.

NORMALIDADE

Os outros dois jogos da rodada de ontem cumpriram o script escrito. Denver e Lakers não tomaram conhecimento de seus oponentes, sendo que no caso do Nuggets, o time atropelou o New Orleans: 113-84.

Muitos aqui neste botequim apostaram na vitória do Hornets nesta série. Foi apenas o primeiro jogo, mas ficou bem claro que existe um “gap” difícil de ser transposto pelo time da terra do jazz.

Posso estar enganado – mas acho que não estou.

Chauncey Billups foi um gigante em quadra. Marcou 36 pontos, deu oito assistências e fez dois roubos de bola.

Mas o calibre de sua mão é que merece destaque: Billups encestou oito de seus nove arremessos de três. Quer mais? Pois não, Chauncey atende o pedido: acertou os oito arremessos da linha fatal. No geral, seu desempenho esteve assim: 10-15.

Excelente.

Nenê (foto AP), o brazuca de São Carlos, esteve muito bem. Foram 12 pontos e 14 rebotes, quatro deles ofensivos.

Vocês que pegam no pé de Nenê não fazem idéia da importância dele no sistema arquitetado pelo técnico George Karl. Mesmo não tendo um duplo dígito de média nos rebotes – a reclamação geral –, Nenê ajuda demais na briga do time pelos ressaltos.

Ontem, o Denver deu um baile neste fundamento pra cima do New Orleans: 49-35.

Ah, esqueci de dizer: Nenê foi o reboteiro do jogo e o único jogador em quadra a ter um duplo dígito neste quesito.

Chris Paul? 21 pontos e 11 assistências. Como sabemos, uma andorinha não faz verão.

O Hornets não tem sido nem sombra daquele time ajeitadinho pelo técnico Byron Scott, que causou furor na temporada passada, especialmente na segunda metade da competição – pós ASG – e nos playoffs.

Em Los Angeles, o Lakers também não tomou conhecimento do adversário, mas não com a mesma indiferença do Denver. Foi um pouco mais educado e concedeu ao visitante de Utah anotar 100 pontos. Mas marcou 113 e ganhou a partida.

Não vou me alongar muito no assunto, pois do Lakers gastarei muito de seu tempo, querido frequentador deste botequim, à medida que o tempo for passando.

Notas relacionadas:

  1. AH, OS BRASILEIROS…
  2. SÓ NO BASQUETE; SÓ NA NBA
  3. A HORA DO PALPITE
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 31 de março de 2009 NBA | 13:28

GRANDE, MAS DESLEAL

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A cerimônia que marcou a retirada do número 33 do uniforme do Miami em homenagem a Alonzo Mourning (foto abaixo, Getty Images) foi muito bonita. Os 43 minutos que marcaram a celebração passaram como um piscar de olhos.

Ninguém se cansou, pois a festa foi realmente emocionante. Nem mesmo os jogadores do Miami e do Orlando, que esperavam pelo fim do evento para jogarem o segundo tempo da partida, se incomodaram.

A festa, como disse, foi grandiosa.

Alonzo Mourning

Teve bilhete do presidente Barack Obama lido por Pat Riley, presidente das organizações Heat, que também falou em nome da franquia. Charlie Crist, governador da Flórida, foi outro que discursou.

Os amigos, todos, entre eles Patrick Ewing (“Eu o considero o irmão mais novo que não tive”), Dikembe Mutombo e Tim Hardaway, marcaram presença no evento, todos bonitinhos, sentados em cadeiras no centro da quadra do AmericanAirlines Arena; John Thompson, ex-treinador de Alonzo em Georgetown, também marcou presença, bem como o primeiro técnico de Zo em seus tempos de ensino médio na Indian River High School de Chesapeake, Virginia.

E os familiares, claro. A mulher e os dois filhos sentaram-se ao lado do homenageado. Um pouco atrás, o primo, Jason Cooper, que em 2005 doou um rim para o transplante que evitou a morte do jogador.

A doença representou seu momento mais dramático. O médico disse que ele não poderia mais jogar basquete. Mas com a tenacidade ressaltada por Riley, Zo voltou e, ainda por cima, foi campeão da NBA no ano seguinte.

Por isso, o bilhete de Obama ressaltou que os americanos sentem-se orgulhosos dele e de sua determinação. Destacou também sua dedicação à comunidade local – referia-se à fundação que Alonzo mantém em favor de pessoas carentes e que foi premiada com US$ 50 mil, dinheiro ofertado pelo Miami Heat.

Riley destacou a tenacidade do jogador; e suas qualidades como atleta.

Alonzo foi realmente uma legenda no basquete norte-americano.

Nos tempos de high school, ganhou o campeonato estadual em 1987, liderando a escola em uma campanha invicta de 51 jogos. Terminou a temporada com médias de 25 pontos, 15 rebotes e 12 tocos.

No “college” nunca foi campeão, mas chegou a liderar a nação em tocos. Jogou tanto que no NBA Draft de 1992 só ficou atrás de Shaquille O’Neal. Em sua primeira temporada como profissional com a camisa 33 do Charlotte Hornets (hoje New Orleans), teve médias de 21 pontos, 10.3 rebotes e 3.47 tocos.

Foi duas vezes eleito o melhor defensor da liga (1999 e 2000).

Foi campeão olímpico nos Jogos de Sydney-2000.

Alonzo chorou, falou pelos cotovelos – bem e bonito –, agradeceu a todos e saudou Miami.

Foi aplaudidíssimo.

Mas…

Já disse aqui: foi sujo como jogador.

FREGUESIA

O Heat estragou a festa de Alonzo Mourning. Voltou a perder para o Orlando: 101-95.

O time virou freguês de seu rival estadual. O Magic venceu 12 dos últimos 13 embates entre eles.

A derrota pode trazer problemas para o Heat, que agora tem 35 e se iguala ao Philadelphia. Se houver uma troca de posições, o Sixers vai para a quinta e terá pela frente o Atlanta na primeira rodada dos playoffs, enquanto o Miami teria de enfrentar o Boston.

Mau negócio.

PIVÔ

Já que a noite foi dedicada ao ex-pivô Alonzo Mourning, Dwight Howard cumpriu bem o script e tornou-se o destaque do combate em Miami. Marcou 22 pontos e apanhou 18 rebotes.

Com os ressaltos confiscados, Howard tornou-se o mais jovem atleta da NBA a atingir a marca de 5.000 rebotes. Chegou lá aos 23 anos e 112 dias, superando Wilt Chamberlain, que realizou o feito com 25 anos e 128 dias.

“Fui inspirado pela comemoração ao Alonzo”, disse Howard.

RODADA

O Utah conquistou ontem sua 15ª. vitória consecutiva em casa ao bater o New York por 112-104. Agora são 32 vitórias e apenas seis derrotas em sua EnergySolutions Arena. A dupla Deron Williams/Carlos Boozer barbarizou. Williams marcou 24 pontos e 13 assistências, enquanto Boozer, que recupera a velha forma, cravou 21 tentos e 11 rebotes. Permanece com 27 derrotas, duas a mais que o San Antonio, mais vivo do que nunca na briga pelo segundo lugar da Conferência Oeste… O Milwaukee fez um baita jogo diante do New Jersey e mesmo fora de casa ensacou o adversário por 107-78. Richard Jefferson, ex-jogador do Nets, anotou 29 pontos e apanhou 10 rebotes, tornando-se o destaque da partida. A situação do Bucks, no entanto, continua muito complicada: tem 43 derrotas, quatro a mais que o Chicago, o oitava colocado do Leste… Golden State e Memphis completaram a rodada de ontem. Resultado final: 114-109 para o Grizzlies. Nada mais a declarar sobre este jogo.

Notas relacionadas:

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  3. CLEVELAND SE GARANTE NOS PLAYOFFS
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sexta-feira, 27 de março de 2009 NBA | 11:28

UMA SURRA E TANTO

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Não vi todos os jogos do Chicago, óbvio. Mas creio que dá para dizer que a vitória de ontem diante do Miami por 106-87 representou o melhor desempenho do time nesta temporada.

O Chicago jogou muito; ou melhor, jogou muito no segundo tempo, quando triturou o time da Flórida.

O período inicial foi disputado, igual. Tanto que somado os dois primeiros quartos, o Heat foi para o vestiário na frente em dois pontos: 49-47.

Na volta, o Bulls incendiou o United Center. Aniquilou o Miami no terceiro quarto, vencendo por 32-14, e não perdeu mais o controle do jogo.

John Salmons (foto AP), uma ótima aquisição feita numa troca com Andres Nocioni, barbarizou no terceiro período. Anotou 13 de seus 27 pontos nesses 12 minutos em questão e não encontrou barreiras pela frente, pois Jamario Moon não foi páreo para suas investidas ofensivas. Acertou 52.6% de seus arremessos (12-22).

“Nós estamos jogando bem”, disse Salmons depois da partida. Nem precisava; todo mundo viu. “Quando movimentamos a bola como hoje, é difícil para qualquer defesa”.

Verdade.

Nada menos do que seis jogadores terminaram a partida com um duplo dígito na pontuação. Além dos 27 pontos de Salmons – ele não é a cara do Wesley Snipes? –, Ben Gordon fez 18, Tyrus Thomas e Kirk Heinrich 15 cada um, Brad Miller 12 e Joakim Noah 10.

Deu gosto ver o Chicago. Pena que o time não jogue sempre assim.

Se o fizesse, engrossaria para muitos adversários.

ENERGIA

Brad Miller foi outra grande aquisição do time da cidade dos ventos. Assim como John Salmons, veio do Sacramento.

Miller não é nenhum primor tecnicamente falando; mas tem uma energia, um coração que a gente derruba lágrimas de felicidade e emoção quando o vemos trabalhando. Não chega a ser um Chris Andersen, mas luta bravamente.

Antes todos fossem como eles; mas não são e não vamos entrar em detalhes, pois não é o caso. Neste botequim falamos de basquete e ponto final.

Bem, mas voltemos a Miller. O duplo rebote ofensivo que ele pegou a 1:11 minuto do final do terceiro quarto foi um desses lances que exemplificam bem o caráter do jogador.

Lutou ferozmente pelo ressalto e levou a melhor diante da zaga do Heat. Abençoado, teve seu esforço recompensado com a finalização da jogada: passou a bola para Derrick Rose, que infiltrou e encerrou o ataque com uma ponte-aérea para Tyrus Thomas, que sacudiu das poltronas os 21.908 torcedores que foram à arena.

A enterrada veio seguida de falta, o que acabou resultando em um ataque de três pontos. O Bulls pulou à frente em 14 pontos (77-63) e deixou claro a Dwyane Wade e companhia que a noite seria de ventania.

CLASSIFICAÇÃO

Com o resultado, o Chicago pulou da oitava para a sétima posição na Conferência Leste. Tem um percentual igual ao do Detroit, mas vence o adversário de Michigan pelo critério de desempate.

Por isso ocupa a melhor vaga. Mas no número de derrotas, tem uma a mais que o Pistons. Ocupa, na verdade, a oitava e não a sétima posição.

O que anima seus torcedores é que dos restantes nove confrontos apenas um deles será contra uma equipe que tem um aproveitamento superior a 50%. Falo do Philadelphia – que não é nenhuma maravilha, convenhamos.

Os demais oponentes trabalham no vermelho e, deles, apenas o Detroit encontra-se no G-8. A partida será no Palácio de Auburn Hills e pode, na ocasião, estar determinando posições dentro da conferência.

São os dois jogos mais complicados. Os demais são as chamadas babas.

E tudo viagem curta.

E mais ainda: dos nove enfrentamentos finais, seis serão em Chicago, onde o time venceu seis de seus últimos sete combates.

Bons ventos sopram, realmente, na cidade dos ventos.

MVP

Ontem a TNT falou dos candidatos a melhor jogador desta temporada regular. Mostrou o desempenho de Dwyane Wade, LeBron James e Kobe Bryant.

Deixou claro que os três são legítimos postulantes ao troféu.

Mas assim como outros frequentadores deste botequim, eu não consigo colocar D-Wade (foto AP) neste pacote. A campanha do Miami é seu maior adversário.

LBJ e Kobe, ao contrário, lideram as duas equipes mais poderosas desta competição. Arrebentam em quadra e, exigentes que são quando trabalham, fazem com que seus companheiros também joguem em um nível superior. Caso contrário, não conseguirão acompanhá-los.

Este é um dos grandes segredos de um fora-de-série: melhorar o nível de rendimento dos jogadores que gravitam em torno de si. Michael Jordan fez isso no Chicago; LBJ e Kobe fazem o mesmo, hoje, em seus times.

D-Wade não conseguiu, nesta temporada, repetir a dose de 2005-06, quando o Heat foi campeão da NBA. A campanha atual é modesta: 38 vitórias e 34 derrotas.

Jordan cansou de fazer o que D-Wade faz nesta temporada, individualmente, e foi premiado apenas uma vez. Ocorreu no campeonato de 1987-88, quando o Bulls terminou em terceiro lugar na conferência com uma campanha de 50 vitórias e 32 derrotas, atrás de Boston e Detroit, respectivamente.

MJ terminou a fase de classificação como cestinha da competição com exatos 35 pontos de média. Nos playoffs… bem, não importam os playoffs, porque o MVP foi da fase de classificação – e não das finais.

Como se vê, números bem mais robustos dos que D-Wade apresenta nesta temporada. Por isso, entendo que D-Wade tem que ficar de fora nesta corrida.

Ela deve se resumir a LeBron e Kobe.

RODADA

O Lakers deu mais um passeio por terras do leste americano. Venceu seu terceiro jogo consecutivo. Faltam mais três para arrumar as malas e voltar para casa. Embora o primeiro tempo tenha sido disputado, o Detroit não foi páreo nos dois últimos quartos. Sentindo, seguramente, a ausência de três titulares (Allen Iverson, Rip Hamilton e Rasheed Wallace), o Pistons não teve pernas para suportar o ritmo final dos angelinos, que fecharam a partida em 92-77. Kobe Bryant foi o cestinha da peleja com 30 pontos. Pegou oito rebotes e deu sete assistências. Havia nove partidas que o Lakers não conseguia vencer o Detroit em Auburn Hills… O Phoenix se complicou com a derrota de ontem para o Blazers, em Portland, por 129-109. Tem agora quatro derrotas a mais que o Dallas. Dez são os jogos restantes para o Suns; 11 para o Mavs. Sinceramente, esquece. Vamos ver Leandrinho em ação, novamente, apenas no final do ano, quando começará a próxima temporada.

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terça-feira, 24 de março de 2009 NBA | 11:19

DESTEMPERO FORA DE HORA

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O jogo acabou para mim quando faltavam 7:25 minutos para o final do terceiro quarto. Para minha estupefação, vejo Nenê dar uma cabeçada e um empurrão em Louis Amundson do Phoenix.

O oponente esparramou-se no chão; o pivô brasileiro foi expulso.

Para piorar, ainda confrontou-se, cabeça com cabeça (foto Reuters), com o árbitro Bill Spooner, responsável pela sua exclusão da partida.

Deverá ser punido rigorosamente pela NBA. Alguns jogos de gancho e multa pesada.

Na tentativa de entender o que houve entre eles, a tevê mostrou a jogada anterior, quando os dois se enroscaram e Nenê resolveu a parada usando de violência desnecessária.

Não sei o que aconteceu; o brazuca é boa praça, gente boa, como se costuma dizer popularmente. Mas fiquei estupefato, como disse, com o que vi.

Pra quê, Nenê?

“Nós temos que ser mais maduros emocionalmente”, afirmou, irritado, o treinador George Karl, depois da derrota do Nuggets para o Suns por 118-115.

Ser mais maduro emocionalmente é estar preparado para as provocações dentro de quadra. Nenê deve ter sido cutucado por Amundson.

Leio na edição eletrônica do diário “Arizona Central” declaração do pivô do Phoenix sobre o incidente: “Tenho feito alguns inimigos pela liga. Este é o meu jeito de jogar. Meu jogo é duro, é físico, e eu não me deixo intimidar por ninguém. Um monte desses grandalhões não gosta disso, quando outros jogadores os confrontam fisicamente. Eu não vou me deixar intimidar por ninguém. E isso frustra eles”.

Amundson é um pivô “soft”, pois é pequeno (2m06 e 102 quilos). Quando grandalhões tipo Nenê (2m11 e 114 quilos) se deparam com esse tipo de jogador (valente), sentem-se aviltados.

Mas quando o confronto corporal é entre eles mesmos – os grandalhões –, parece haver um acordo tácito e ninguém reclama do jogo físico. Mas quando vem um cara como Amundson, parece que a honra dos grandalhões está sendo questionada.

É isso, pelo menos, que eu deduzo quando leio o que disse o jogador do Phoenix. Mas é como Karl falou: jogador deste nível não pode ser tão imaturo como Nenê foi ontem à noite.

A ausência dele, com certeza, custou a vitória ao Denver. Quatro míseros pontinhos separaram o time colorado do triunfo.

Vejam o que disse Carmelo Anthony sobre a ausência de Nenê: “Nós sentimos falta dele [Nenê] em quadra. Nós precisávamos dele”.

Karl tinha computado como certa esta vitória nestes três jogos fora de casa. Antes de pegar o avião para o Arizona, o treinador do Nuggets disse aos jornalistas que o objetivo era retornar ao Colorado com dois sucessos.

Ele se referia, claramente, ao jogo de ontem, como disse, e ao encontro diante do Dallas. Aceitava a derrota contra o New Orleans.

Graças à imaturidade de Nenê, o Denver não pode pensar em outro resultado que não sejam vitórias diante de Hornets e Mavericks.

O que eu acho?

Difícil; o Denver não tem se mostrado um time preparado para vencer nenhum dos dois embates, pois faltam-lhe qualidades técnicas e emocionais.

Infelizmente.

(Não encontrei em nenhum lugar qualquer declaração de Nenê sobre o incidente.)

RECORDE

Dwyane Wade (foto AP) segue quebrando recordes. Na vitória de ontem do Miami sobre o Memphis por 94-82, o armador do Heat anotou 27 pontos e chegou a 2.064 nesta temporada,.

Isso significa 24 a mais do que ele próprio cravou no campeonato de 2005-06, até ontem recorde de pontos individuais de um jogador do Miami.

Com o resultado, o time da Flórida se sustenta na quinta colocação do Leste, com uma derrota a menos do que o Philadelphia.

SURPRESA

Pois é, jogando em Portland, o Philadelphia proporcionou a grande surpresa da rodada de ontem: bateu o Blazers por 114-108, com direito a uma prorrogação.

Com o triunfo, o Sixers somou sua terceira vitória nos cinco jogos disputados “on the road”. E neste pacote há um sucesso diante do Lakers por 94-93.

O time retorna hoje para a Filadélfia, onde realizará cinco de seus próximos seis combates. Não está matematicamente classificado para os playoffs, mas virtualmente sim.

E isso sem contar com Elton Brand, fora da temporada, o maior investimento feito pela franquia para este campeonato.

Até onde pode chegar esse time na fase decisiva? Semifinais, nada além disso – e olhe lá, pois o confronto deverá ser contra o Miami.

Mesmo com a vantagem da quadra, não acredito que o Sixers dobre o Heat na série melhor de sete. Playoff é o momento escolhido pelos grandes jogadores, como D-Wade.

MANEIRO

Kevin Garnett jogou ontem 18 minutos na vitória do Boston sobre o Clippers por 90-77. Nem precisava ficar mais tempo em quadra.

A menos que ele estivesse olhando para o próprio umbigo; não é o caso.

É óbvio que atuar por tão pouco tempo faz seus números despencar. Na temporada e na carreira.

Ontem, por exemplo, marcou 12 pontos e apanhou apenas dois rebotes. Números tímidos para um jogador de seu calibre.

Mas depois de ter conversado, temporada passada, longamente com Bill Russell – pra mim, e para muitos, o maior jogador depois de Michael Jordan na história da NBA –, KG (foto AP) deve ter entendido o que o veterano pivô do Celtics dizia sobre números, referindo-se aos recordes que Wilt Chamberlain quebrava a todo instante.

“Wilt bate recordes e eu ganho campeonatos”.

Sábias palavras, que hoje devem nortear o capitão do Boston.

KG pouco deve se importar com seus números e nem briga com o técnico Doc Rivers para ficar mais tempo em quadra. Sabe que o que vale são os campeonatos ganhos – e não os recordes quebrados.

Notas relacionadas:

  1. UM TIME FORA DO AR
  2. COISA DE TIME PEQUENO
  3. CONTUSÃO FORA DE HORA
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 23 de março de 2009 NBA | 11:23

A DOR DE UMA DERROTA

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Os torcedores do San Antonio coçam a cabeça – e com razão. Afinal, a derrota de ontem na cidade do Álamo foi diante do Houston.

A dor da perda não se deve apenas pela rivalidade regional – que machuca –, mas também, e principalmente, porque, com ela, o alvinegro fica agora separado por apenas uma derrota dos vermelhinhos da cidade da Nasa.

No aproveitamento, o Rockets já aparece à frente do Spurs com 65.3% (47-25) contra 65.2% (45-24) do adversário estadual.

A tabela, no entanto, como já mencionei outro dia, é mais doce para o San Antonio do que para o Houston. Por isso, a menos que o time do técnico Gregg Popovich se abale demais com a derrota de ontem por 87-85, a tendência é de recuperação e confirmação do primeiro lugar na Divisão Southwest e o segundo na Conferência Oeste.

Por tudo relatado acima, a derrota foi dolorida. Pra piorar, ela aconteceu nos segundos derradeiros – e dentro do AT&T Center, com 18.797 torcedores nas confortáveis poltronas do ginásio.

Tony Parker tinha colocado os anfitriões na frente em um ponto (85-84) com uma bandeja a 20.1 segundos do final da partida. Com a posse de bola, o Houston vai ao ataque e aí acontece o que a mim pareceu um absurdo: o pivô Kurt Thomas, responsável pela marcação de Yao Ming, corre para fazer uma cobra no armador Aaron Brooks – a troco!?!?!?

O resultado foi que o chinês ficou livre. O passe foi feito e Tim Duncan, que marcava Luis Scola, correu para evitar o arremesso folgado de Yao. O pivô do Houston, atento, viu que o argentino ficou livre: meteu-lhe a bola.

Sozinho, já dentro do garrafão, Scola fez a bandeja e colocou o Rockets na frente em um ponto: 86-85.

A ação ofensiva final do San Antonio novamente ficou a cargo de Parker. Outro erro; está óbvio demais que o francês define quase sempre quando o jogo encontra-se nesta situação.

A defesa congestionou o caminho de Parker que, bem marcado, não conseguiu encestar a bola que colocaria o Spurs novamente à frente.

E veio a derrota.

Scola x Bowen
Luis Scola aproveita bobeira da defesa do Spurs, recebe livre e decide o jogo a favor do Rockets

FELICIDADE

No vestiário festivo, o ala/pivô Luis Scola, que além da bandeja certeira ainda pegou o rebote do arremesso de Tony Parker – sofreu falta e derrubou um dos dois lances livres –, dizia em alto e bom som: “Isto [a vitória] significa muito para nós. Nós precisamos desse tipo de jogo para nos prepararmos para os playoffs”.

O argentino anotou 19 pontos e apanhou 17 rebotes. E marcado quase sempre por Tim Duncan.

Este é um dos motivos que me fazem admirar os atletas argentinos: eles são destemidos.

TRISTEZA

No vestiário fúnebre, o ala/armador Roger Mason Jr., que poderia ter sido envolvido na jogada decisiva, como aconteceu, por exemplo, em Phoenix, dizia em alto e bom som: “Nós tivemos alguns vacilos defensivos no final da partida. E nós sabemos que é neste momento que um jogo se define”.

Time experiente e campeoníssimo como o San Antonio não pode hesitar desta maneira quando um jogo importante está para ser decidido.

Manu Ginobili deve voltar amanhã, contra o Golden State, no mesmo AT&T Center, depois de 18 partidas do lado de fora da quadra.

Muita coisa vai mudar com a volta deste outro argentino talentosíssimo.

BRAZUCA

VarejaoMas não são apenas os argentinos que brilham na NBA. Os brasileiros também.

Ontem, por exemplo, o Cleveland visitou o New Jersey e obteve importante vitória por 96-88. Importante porque, como sabemos, o Cavs briga com o Lakers pelo primeiro lugar na classificação geral do campeonato.

Mas falava eu que brasileiro também cintila na liga norte-americana. Nesta significativa vitória, Anderson Varejão anotou 16 pontos e apanhou 11 rebotes.

Com seu jeitão espalhafatoso, mais uma vez ajudou LeBron James, a grande estrela da companhia.

LBJ fez 30 pontos, muitos deles ajudado pelos corta-luzes que o capixaba fez para possibilitar conforto no momento do arremesso.

King James deu oito assistências, muitas delas fruto dos corta-luzes que o capixaba fez no marcador de LeBron e, quando vinha a ajuda, alguém ficava livre e recebia a bola decisiva da estrela da companhia.

LeBron pegou 11 rebotes, muitos deles fruto dos bloqueios que o capixaba fez no pivô adversário, tirando-o da jogada e deixando a bola cair limpinha nas mãos de LBJ.

Como se vê, brasileiro também brilha na NBA.

TABU

O Miami quebrou um incômodo tabu de três jogos sem vencer. Todos fora de casa.

Novamente longe dos fãs, o time visitou ontem o Detroit, no Palácio de Auburn Hills e venceu por 101-96, com o auxílio de uma prorrogação.

E quem foi o responsável pelo triunfo? Ora, Dwyane Wade – e quem mais seria?

D-Wade marcou 39 pontos. Tornou-se, o quinto jogador diferente, na história da NBA, a alcançar 2.000 pontos, 500 assistências e 150 desarmes em apenas uma temporada.

Os outros quatro foram: Larry Bird (1985-86), Michael Jordan (1988-89 e 89-90), LeBron James (2004-05) e Allen Iverson (2004-05 e 2007-08).

Entre outras coisas, é também por isso que muitos defendem D-Wade como o MVP desta temporada.

Notas relacionadas:

  1. MAIS UMA DERROTA DO BASQUETE BRASILEIRO
  2. UMA DERROTA QUE PODE CUSTAR CARO
  3. DERROTA PREVISTA
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domingo, 15 de março de 2009 NBA | 14:29

UM BILHETE ECONÔMICO

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Há alguns dias eu declarei toda a minha admiração ao time do Utah. Quem me escutou há de se lembrar que eu falei da competência do técnico Jerry Sloan e do duo Deron Williams e Carlos Boozer.

Cheguei mesmo a dizer que Williams (foto AP), neste momento, estava jogando mais que Chris Paul. Por isso mesmo, era o melhor armador da NBA.

O time vinha de uma invencibilidade de dez partidas e arrumava as malas para uma excursão à costa Leste norte-americana. Disse que aquele era o momento de o Jazz carimbar sua boa fase e o passaporte rumo aos playoffs sentando na primeira classe do avião e não na econômica.

O Utah começou bem a excursão, com vitórias diante do Toronto e Indiana. Depois começou a queda, com duas derrotas enfileiradas.

A primeira delas frente ao Atlanta, uma das forças do Leste, por 100-93. Torci o nariz, pois, por melhor que seja, o Hawks não pode ser páreo, mesmo em casa, para quem quer fazer a final do Oeste contra o Lakers (alguém duvida que o Los Angeles será finalista?)

Tudo bem, pensei, acidente de percurso; não dá para ganhar todas as noites.

Mas ontem o time voltou a perder. Foi para o Miami, por 140-129, em um confronto com três prorrogações.

O pior é que o Utah teve o jogo nas mãos; não soube ganhar. Sim, porque quando faltavam 55 segundos para o final do tempo normal, o time estava na frente em 107-100.

Possibilitou o empate ao Heat, duelou em duas prorrogações, mas caiu na terceira.

Estou com a sensação de que o Utah me enganou. As duas vitórias no Leste foram diante de rivais frágeis. Quando encontrou os mais fortes, tombou.

Hoje o Jazz enfrenta o Orlando, também na Flórida.

Nova derrota confirmaria seu bilhete para os playoffs na classe econômica e não na primeira, como eu imaginava.

NÚMEROS

Dwyane Wade fez 50 pontos. Deron Williams anotou 30.

Esqueça os números desta partida, pois os jogadores tiveram à disposição 63 minutos e não os habituais 48.

Não vale.

Aliás, a NBA deveria encontrar uma fórmula para equilibrar esses números para não contar mentiras.

AGENDA

Como eu disse há alguns dias, o Denver tinha – como ainda tem – uma chance de ouro para se recuperar dentro da Conferência Oeste.

Depois de cair diante dos adversários mais fortes, deixando claro que neste momento não está preparado para enfrentar os oponentes de peso de sua conferência, o time teria uma sequência maravilhosa de quatro jogos pela frente: Oklahoma City, Clippers, New Jersey (todos em casa) e Memphis (fora).

Passou pelos dois primeiros.

Ontem, mesmo com relativa dificuldade, bateu o time angelino por 107-94. (O encontro marcou a volta de Marcus Camby a Denver, ele que deixou a franquia no começo desta temporada.)

Nenê voltou a fazer um “double-double” ao anotar 17 pontos e 10 rebotes. Mas o legal foram os cinco desarmes que o são-carlense fez e os dois tocos dados.

O brazuca não encheu os olhos de ninguém; mas o Denver também não enche.

Há muito ainda a se percorrer para que o time colorado seja apontado como confiável quando os playoffs chegarem.

Seu bilhete, por enquanto, é de classe econômica.

PRIMEIRA

Quem confirmou ontem seu bilhete de primeira classe foi o San Antonio. Sim, pois o time foi a Houston pressionado pela campanha do adversário e principalmente pela humilhante derrota por 19 pontos (103-84) sofrida na última vez que os dois rivais se encontraram, também no Toyota Center.

Mas como este é o momento em que a gente começa a separar os homens dos meninos, o Spurs, mesmo sem Manu Ginobili, deixou bem claro que é adulto.

O jogo foi um dos mais disputados dos últimos tempos entre os dois contendores texanos. A liderança da partida trocou de mãos em 21 oportunidades; 14 foram os empates registrados.

Aaron Brooks teve o arremesso final em mãos, mas acabou pressionado pela marcação alvinegra, que fez uma dobra no ex-armador do Memphis. O tiro saiu no desespero e deu “air-ball”.

Tony Parker (foto AP) voltou a comandar o time em quadra com seus 28 pontos. Distribuiu ainda oito assistências, para orgulho de Eva.

A vitória foi importante para confirmar o time na segunda posição do Oeste. Com ela, deu um bico no Houston e deixou bem claro ao oponente que ele deve é brigar pela terceira posição.

A confirmação da vice-liderança foi possível, também, graças à “façanha” do New Orleans. O Hornets foi a Chicago e se deixou bater pelo Bulls por inacreditáveis 97-79.

Dezoito pontos de vantagem…

Nego-me, terminantemente, a comentar a vitória do rubro-negro de Illinois. Não há lógica que consiga explicar o que se passa com esse time.

Notas relacionadas:

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  2. CLEVELAND SE GARANTE NOS PLAYOFFS
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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

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