A MISSÃO DO MIAMI
A série está completamente aberta. A vitória do Miami sobre o Atlanta, ontem à noite por 98-72 (poderia ter sido de muito mais) leva o confronto para o sétimo e decisivo jogo.
Será amanhã à tarde, na Geórgia, 14h de Brasília. Mesmo atuando em sua Philips Arena, o Hawks não pode dar esse encontro como favas contadas.
O Heat já ganhou uma partida em Atlanta. Pode vencer novamente, por que não?
Claro que pode.
Para que isso ocorra, o Miami tem que duas missões pela frente…
Mas vamos ao jogo de ontem.
Dwyane Wade (foto AP) carregou o time da Flórida nas costas quando atacar era a missão. Jogou uma barbaridade; sozinho conseguiu a façanha de destruir a defesa adversária, uma equipe muito bem armada, diga-se.
D-Wade marcou 41 pontos (16-17 nos lances livres). Ficou a dois de igualar sua melhor marca em playoffs, mas foi a quinta partida em toda sua trajetória nesta fase decisiva que ele atinge 40 pontos ou mais.
Fica atrás apenas de Kobe Bryant (6), Allen Iverson (10) e Shaquille O’Neal (12).
Tornou-se, também, o 17º. jogador em atividade a superar a casa dos 1.500 pontos em playoffs.
Jogou, como disse, uma barbaridade.
Mas não jogou sozinho.
A defesa do Miami segurou o Atlanta e permitiu apenas 72 pontos ao adversário. Limitou o aproveitamento do Hawks em 37% nos arremessos (27-73), sendo que nas bolas longas o desempenho foi ainda pior: 33.3% (7-21).
Na coletividade, apanhou mais rebotes (47-36) e deu mais assistências (12-8).
Para que o Heat bata o Hawks amanhã, longe de seus torcedores, o Miami terá que cumprir estas duas missões: D-Wade jogar novamente uma barbaridade e a defesa mostrar a mesma eficiência de ontem à noite.
Caso contrário, o Atlanta passa.
DESTAQUE
Dwyane Wade jogou muito, mas não há como não destacar também o trabalho do “rookie” Michael Beasley. O ala de força do Miami terminou a partida com 22 pontos e 15 rebotes.
Tornou-se o terceiro jogador na história da franquia a ter pelo menos 20 pontos e 15 rebotes em uma partida da pós-temporada, juntando-se a Shaquille O’Neal e Caron Butler.
Como disse acima, ele é apenas um ”rookie”.
CONTUSÃO
É bom lembrar: o Miami jogou se Jermaine O’Neal, contundido. Ele será reforço certo para o jogo de amanhã.
Mais um motivo para os torcedores acreditarem.
REVERSO
Do outro lado, pouco a se dizer do Atlanta. Foi uma noite irreconhecível.
Os números mencionados acima mostram isso. Além do mais, Josh Smith e Mo Evans tomaram faltas técnicas por bobagem, mostrando a fragilidade emocional da equipe.
“Nosso time perdeu a compostura [em quadra] em alguns momentos”, admitiu o armador Ronald “Flip” Murray, um dos três jogadores do Atlanta a ter um duplo dígito na pontuação (13); os outros foram Mike Bibby (20) e Joe Johnson (13).
Murray deu a pincelada final quanto à atuação do Hawks: “Nossa defesa nunca esteve em sintonia”.
Exatamente; por isso Dwyane Wade deitou e rolou.
Se a defesa melhorar amanhã à tarde, uma das missões do Miami não será atingida.
A outra, furar a retranca adversária, também é possível de ser atingida pelo Atlanta, uma vez que, em casa, o time tem uma média de 96.3 pontos por jogo, 24 a mais do que fez no prélio da noite passada na Flórida.
AUSÊNCIA
Danny Ainge, presidente do Boston, mandou uma mensagem por escrito para os jornalistas que cobriam o treino da equipe ontem à tarde. Dizia ela que Kevin Garnett (foto AP) só volta a jogar na próxima temporada.
Se não for blefe, a partida desta noite entre Celtics e Bulls, no TD Banknorth Garden de Massachusetts (21h de Brasília), está aberta.
Sim, pois nos três encontros já realizados em Boston nestes playoffs os vencedores não o fizeram por uma margem superior a três pontos.
Como se vê, muita igualdade, pois o Celtics, sem KG, não é a potência que a gente imaginava que fosse. É a tal da diferença que um jogador faz, contrariando teses, como falei no nosso bate papo de ontem.
PUNIÇÃO
A NBA tem sido solidária quanto a violência dentro das quadras. Ontem, Tim Frank, assessor de imprensa da liga, informou que nenhuma punição será dada a Rajon Rondo por seu comportamento agressivo em relação a Kirk Hinrich.
Que mensagem a NBA passa para os jogadores do Boston para o jogo desta noite? Apenas uma: batam à vontade, porque nada vai acontecer.
Nem falta flagrante, nem expulsão e nem suspensão.
Como diz o meu amigo Ricardo Capriotti (aquele que contempla Ilaria D’Amico, lembram-se?), que beleza!
CANSAÇO
Um dos parceiros do nosso botequim disse, sabiamente, que o Boston é um time cansado. Verdade.
Kevin Garnett está de fora; o mesmo para Leon Powe. Sem contar que Mikki Moore, reserva dos dois, não está jogando nada e Doc Rivers tem que recorrer ao pouco talentoso Brian Scalabrine.
O mesmo vale para Stephon Marbury, o que provoca minutos a mais para Rajon, o que não estava nos planos de Rivers.
Não há muitas opções e o jeito é deixar a tropa de elite em quadra o quanto ela aguentar. E isso é problema, pois Ray Allen está com 33 anos e Paul Pierce com 31.
Do lado do Chicago, dos jogadores que Vinnie Del Negro usa pra valer, apenas Brad Miller é veterano: 33 anos.
Os demais têm uma média de idade de 24.8 anos.
Este pode ser um fator decisivo no momento da decisão.
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Autor: Fábio Sormani Tags: Atlanta, Boston, Bulls, Celtics, Chicago, Dwyane Wade, Hawks, Heat, kevin garnett, Miami, Michael Beasley, NBA
















