DeShawn Stevenson | Fábio Sormani

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quarta-feira, 7 de março de 2012 NBA | 17:21

MAIS DALLAS E A RODADA DE ONTEM DA NBA

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O assunto Dallas ainda desperta muitos sentimentos entre as pessoas que são frequentadoras assíduas deste botequim e aqueles paus-d’água que só aparecem aqui encachaçados para xingar o dono do boteco. Os sentimentos mais frequentes são os de raiva, surpresa e decepção.

Os dois últimos eu compreendo. Afinal de contas, por sermos próximos e estarmos juntos há um bom tempo, ao emitir uma opinião contundente sobre meu sentimento a respeito do time campeão do Dallas posso mesmo causar admiração (caramba, Sormani, você acha mesmo que o Mavs é um timeco?) e/ou decepção (puxa vida, Sormani, não esperava que você não visse qualidades no Dallas).

O sentimento de ira, no entanto, me chama a atenção. A troco? Não ofendi ninguém; apenas emiti minha opinião, apenas isso. Quem é contrário a ela, que se manifeste e com exemplos mostre que eu estou errado.

Muitos fizeram isso (e seus comentários foram postados), mas outro tanto, impregnado pelo radicalismo e entorpecido pela obtusidade trataram basicamente de me ofender (e essas mensagens foram para a lixeira).

Aos xiitas obtusos (seria pleonasmo?) apenas um aviso: não leio suas mensagens. Ao observar do que se trata, paro a leitura na primeira frase e mando-as direto para a lixeira. E mais: elas não me incomodam; aliás, elas até me ajudam, pois ao acessarem o blog para escrever mensagens raivosas isso significa um “clique” e no relatório mensal o blog aparece entre os mais visitados do iG, o que acaba sendo muito bom para mim. Obrigado, portanto, por acessar o blog. Espero, pois, que vocês continuem se reunindo no Orkut e combinando de entrar no blog para entupi-lo de mensagens agressivas.

DÚVIDA

Quanto ao tema “Dallas”, não retiro nem uma linha do que escrevi. Mas não sou estúpido. Se o time texano provar para mim que é merecedor de crédito, mudarei meu discurso; óbvio.

Como disse, o título do Dallas foi merecido. Ninguém é campeão à toa, ainda mais em um sistema de playoffs melhor de sete.

A dúvida que ainda tenho é: será que o Mavs não foi melhor apenas naquele momento? Será que o Dallas não se aproveitou de um momento em que tudo se encaixou e deu certo? Um momento em que tudo convergia favoravelmente a ele?

Eu encontro “senões” em todas as séries vencidas pelo Mavs.

1) Portland — Surge como favorito em todo campeonato, mas nunca vence ninguém. É o famoso “rojão sem bomba”;
2) Lakers — Time estava todo bagunçado por conta de relacionamento ruim entre jogadores, tanto que foi varrido;
3) OKC — Time jovem, que estava nos playoffs apenas segunda vez;
4) Miami — LeBron James desaparecendo na série final.

Tenho, pois, o sentimento de que o Dallas foi um campeão de ocasião, pois não via (como ainda não consigo enxergar) grande coisa naquele time. Mas posso estar errado.

E o que o Dallas tem que fazer para mostrar que estou equivocado? Ganhar mais títulos. Se ele o fizer, não há o que se contestar; se não o fizer, ficarei eternamente com esta opinião: foi um campeão de ocasião.

DINASTIA

Vejamos os campeões da NBA…

Na década de 1950, o Minneapolis Lakers formou a primeira dinastia da NBA e ganhou cinco campeonatos. Campeão incontestável.

Na década de 1960, foi a vez de o Boston deixar a todos boquiabertos com um time que tinha Bob Cousy, John Havlicek e Bill Russell. Campeão mais do que incontestável.

O Lakers, já em Los Angeles, comandado por Magic Johnson, voltou a dar as caras no final da década de 1970 e na seguinte conquistando cinco títulos.

Depois apareceu o Chicago de Michael Jordan e seus dois “Three Peats” e o San Antonio de Tim Duncan, que ganhou quatro torneios.

O Lakers, comandado primeiro por Shaquille O’Neal e depois por Kobe Bryant, voltou a bagunçar os adversários conquistando cinco troféus.

Alguém ousa contestar estas equipes?

SOLITÁRIO

Há times que ganham apenas um título, mas que disputaram outros. São os casos do Philadelphia, campeão em 1983, mas que foi vice em 1977, 80 e 82. E também do Detroit, vencedor em 2004, vice em 2005 e que perdeu as finais da conferência em 2006, 2007 e 2008.

Talvez eu tenha sido injusto quanto ao Detroit de Chauncey Billups por conta deste currículo apresentado e alertado por um parceiro deste botequim. Mesmo assim, acho que um verdadeiro campeão não fica em apenas um título; ele ganha outros. E o Detroit, todos nós sabemos, jogava em uma conferência capenga. Por conta disso, não sei valorar esses números do Pistons e por isso eu fico em dúvida.

BISAR

Desta forma, se o Dallas chegar nesta temporada e repetir o título da passada, eu prontamente mudo meu discurso. Sim, pois ele deixa claro que não foi um campeão de ocasião.

Mesmo que não ganhe este ano (o time foi muito mexido e perdeu peças importantes), mas chegue no ano que vem, OK; sem problema. Não é preciso enfileirar campeonatos.

O San Antonio de Timmy nunca venceu títulos na sequência. Ganhava ano sim, ano não numa sequência tripla (03, 05 e 07), antecedida pelo campeonato conquistado em 1999. Foi um timaço, que ainda tentar dar um último suspiro.

E o Boston de Larry Bird também nunca foi campeão seguidamente.

EPÍLOGO

Estou, pois, no aguardo. Meu sentimento ainda é o mesmo. Cabe ao Dallas mudá-lo.

E a vocês, nobres parceiros, que tentaram com raciocínio e argumentos me convencer que estou equivocado e sendo injusto, eu agradeço no mínimo pela educação de vocês. E as encachaçados, obrigado também por acessar o blog e torná-lo um dos mais visitados do iG.

RODADA

Alguém conseguia imaginar que o Lakers seria batido pelo pobre Detroit? Eu não; confesso. A derrota por 88-85 foi justa. Aliás, o time já era para ter perdido no tempo normal não fosse a genialidade de Kobe Bryant, que acertou uma bola com o cronômetro praticamente zerado, empatando a partida em 78 pontos e levando-a para a prorrogação… O armador Rodney Stuckey foi um gigante. Do alto de seu 1,96m anotou 34 pontos, seis deles na prorrogação num total de dez anotados pelo Pistons… Greg Monroe: não foi desta vez que vi um grande jogo dele. Foi bem nos rebotes (15), mas até agora procura o caminho da cesta: 1-10. Pior: nem lance livre bateu, demonstrando certa fragilidade ofensiva e temor aos postes adversários, especialmente Andrew Bynum, que anotou 30 pontos e pegou 14 rebotes… Kobe Bryant foi mal: 8-26 nos arremessos. Só não merece vaias por conta da bola que mandou o jogo para a prorrogação… No Texas, talvez emocionado pelas homenagens, Tyson Chandler foi um desastre na derrota do New York para o Dallas por 95-85: seis pontos e oito rebotes. Tentou a cesta em apenas cinco ocasiões!… Jeremy Lin: continua atrás do tempo perdido: 14 pontos e sete assistências. Nos arremessos, 4-13. Se eu fosse Mike D’Antoni deixava Carmelo Anthony de fora uma partida pra ver no que dá. Ainda acho que ele atrapalha Lin… O New Jersey, que ontem jogou com seu uniforme dos tempos de Nova York (por isso “New York” no peito), levou uma surra do Heat em Miami: 108-78. O mesmo New Jersey que havia vencido, fora de casa, Dallas, New York e Chicago… Chris Bosh voltou depois de três partidas ausentes (morte da avó) e anotou 20 pontos… DeShawn Stevenson, aquele que provocou LBJ depois do título do Dallas (vestiu uma camiseta onde se lia “Hey LeBron! How’s my dirk taste?”), nem foi notado em quadra… O Boston precisou de uma prorrogação para bater o Houston por 97-92. Rajon Rondo, desta vez, bateu na ferradura: nove pontos (4-12). Mas Paul Pierce foi um gigante do alto de seus 30 pontos.

Notas relacionadas:

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 27 de dezembro de 2011 NBA | 18:29

O QUE ACONTECE COM O CAMPEÃO DA NBA?

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Quando o Miami ensacou o Dallas no domingo de Natal, chegando a abrir uma diferença de 35 pontos, mas fechando a partida em 105-94, o mundo ficou boquiaberto com o basquete mostrado pelo time do sul da Flórida; eu entre essas pessoas.

Como vocês bem sabem, eu considero o Heat o time mais poderoso de todos. Coloquei-o como o mais forte candidato ao título desta temporada.

Esta certeza se reforçou ainda mais depois da sova dada no Mavs em pleno Texas na partida que reeditou a final da temporada passada. Caramba, 35 pontos no Dallas, atual campeão da NBA, diante de seus fãs!

Quanto ao Dallas, bateu de frente com esta fortaleza num dia que nada deu certo. Acontece; foi o que a maioria pensou.

Ontem, novamente o Dallas entrou em quadra. E novamente em casa, no conforto do lar. Não dá para jogar mal dois dias seguidos, ainda mais em se tratando do campeão da NBA, todos nós pensamos.

E não é que o Dallas voltou a ser surrado dentro de casa! E desta vez a tunda não foi diante de um dos favoritos ao título. A tunda levada foi do Denver, um time que vai brigar, no máximo, por uma vaga nos playoffs desta temporada.

Assim como o Heat, o Nuggets abriu uma vantagem superior a 30 pontos; no caso, 33. Mas ao contrário do Miami, o Denver não deixou o ritmo cair: venceu a contenda por 22 pontos de diferença, 115-93.

A pergunta que cabe neste momento é: vamos analisar o Dallas ou vamos esperar pelo terceiro confronto? Vamos tentar descobrir o que se passa no “backstage” do time texano ou vamos aguardar pelo jogo diante do Thunder, em Oklahoma City, na próxima quinta-feira?

Quem me acompanha neste botequim sabe muito bem que eu nunca gostei do Dallas. O título da temporada passada foi para mim uma grande surpresa.

A faixa colocada nos jogadores do Dallas, a meu ver, foi mais por incompetência de dois grandes adversários (Lakers nas semifinais do Oeste e Miami na decisão do título) do que por qualidade dos texanos. Repito: nunca achei o Dallas essas coisas.

Mas o que acontece agora surpreende-me também. Não acho o Mavs essas coisas, mas esta porcaria que estamos vendo também não é o retrato da equipe campeã da NBA.

“Tenho muito trabalho pela frente”, disse o técnico Rick Carlisle (foto) depois da derrota de ontem diante do Denver. Sim, Rick, o mais tolo dos tolos sabe disso. O que queremos saber é: por que o time campeão virou um arremedo de time de basquete?

“Está claro que não estamos preparados (para jogar)”, prosseguiu Carlisle. Sim, Rick, está mais do que claro. Mas queremos saber: por que o Dallas está humilhando seus torcedores?

“A culpa é de todos, mas a minha é maior, pois a obrigação de prepará-los é minha”, finalizou o treinador. OK, Rick, mas por que não preparou a equipe até o momento?

O fato é que os torcedores do Dallas estão preocupados. Uma pesquisa no site do jornal “Dallas Morning News” nesta terça-feira pergunta aos fãs o seguinte: você está preocupado com o Mavericks depois das duas surras?

A opção sim recebeu até o momento 76,72% dos votos e a não 23,28%.

Vamos esperar pelo jogo de quinta diante do OKC ou vamos tentar entender o que se passa com o time? Vamos tentar entender o que acontece com o Dallas, de acordo?

Bem, como vocês estão de acordo, eu começo dizendo que J.J. Barea (foto) está fazendo falta (caramba, eu nunca pensei que fosse dizer um troço desses). Faz falta porque estava encaixado dentro do sistema de Carlisle.

O substituto imediato de Jason Kidd, um veterano de 38 anos e que em março próximo completará 39, é o francês Rodrigue Beaubois. Ele entra em quadra e nada acontece. Isso porque Beaubois se contundiu na temporada passada e mal atuou: fez apenas 28 partidas. Perdeu muito do que foi implantado no torneio anterior, torneio este que forjou o time campeão.

O resultado disso é que Carlisle tem improvisado Delonte West como armador principal quando J-Kidd tem que repousar. Delonte tem jogado mais de armador do que de ala-armador, sua real posição.

Outro ponto importante: Tyson Chandler foi embora e não houve reposição. Brendan Haywood é bom para desempenhar um papel semelhante ao de Barea: reserva que entra em quadra e não deixa a peteca cair. Mas como titular é problema.

Se o titular é problema, o que dizer do reserva? Ian Mahinmi, o substituto, ontem jogou apenas cinco míseros minutos. Pouco tempo em quadra porque não dá mesmo para deixá-lo mais exposto às feras.

Como não houve reposição, o resultado disso é que Carlisle está tentando tapar o sol com a peneira (desculpem o lugar-comum) improvisando uma vez mais. Chega a cúmulo de jogar com Brian Cardinal no pivô centralizado em uma defesa em zona, como o Dallas gosta de fazer em vários momentos da partida.

Não dá; em se tratando do campeão da NBA, um time ainda por cima riquíssimo, não dá. Se a gente estivesse falando do New Orleans, time que (não sei por quê) causa asco em muitos jogadores, eu até entenderia. Mas no Dallas, campeão da NBA e que tem, repito, os cofres abarrotados, isso não faz o menor sentido.

O que está fazendo Donnie Nelson, gerente geral da franquia? Por que o Mavs não tem um armador para ajudar J-Kidd a carregar o piano? Por que não tem um pivô decente para se revezar com Haywood?

E outra: por que é que o time não renovou com DeShawn Stevenson? O cara substituiu com um coração do tamanho do Estado do Texas o titular Caron Butler (outro que saiu), que se contundiu e não participou dos playoffs. Stevenson comprou uma briga particular com LeBron James nas finais e tirou do prumo o ala adversário, debochando do mesmo em quadra, em suas barbas, reduzindo-o a um Zé Ninguém. Sim, Stevenson reduziu LBJ a um Zé Ninguém nas finais com um jogo mental poderoso e um físico também.

Esse cara foi embora e o Dallas não fez nada para mantê-lo no grupo.

Ao contrário de repor essas peças perdidas, o Dallas contratou um atleta que de fato o time não precisava: Lamar Odom.

Lamar (foto) é jogador da posição de Dirk Nowitzki. Ok, alguém pode dizer, Lamar é o cara para entrar e não deixar a orquestra desafinar. Mas pagar uma fortuna para um jogador fazer isso?

Claro que Lamar faz muito mais do que isso. Ele pode jogar de ala e faz até o papel do armador se for preciso. Mas no sistema de Carlisle, diferente dos triângulos do Lakers de Phil Jackson, Lamar jamais ocupará esta função.

Mais equívocos? Vince Carter. O ala de 34 anos (completa 35 em 26 de janeiro próximo) nem de longe lembra aquele jogador explosivo dos tempos de Toronto e que ao lado de J-Kidd formou uma dupla muito interessante com a camisa do New Jersey Nets.

Hoje mais parece um ex-jogador em atividade (desculpem-me novamente o clichê), que dá impressão de carregar um pesado fardo nas costas que impede-o de se locomover com desenvoltura pela quadra. Pra que contratar Vinsanity?

O fato é que, como estamos vendo, o Dallas não soube se preparar para defender o título. Os jogadores correm e se esforçam. Tanto correm e se esforçam que o ala Sean Williams vomitou quando ia para o banco de reservas, exausto que estava, já ao final da partida de ontem contra o Denver.

Isso provocou risos em alguns jogadores e no dono da franquia, Mark Cuban. Mas não deveria. Isso deveria provocar sentimentos diversos, como preocupação, eu sugiro.

Notas relacionadas:

  1. LAKERS, UM TIME SEM CARA DE CAMPEÃO
  2. A POLÊMICA DO DALLAS CAMPEÃO
  3. O COMPROMETIMENTO DOS TIMES COM O ‘SALARY CAP’
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , ,

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 NBA | 17:36

PREVISÕES PARA A TEMPORADA 2011-12 DA NBA

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Depois de meses de angústia e indefinição, quando muitos chegaram a pensar que a temporada não aconteceria, eis que neste domingo, dia 25, ironicamente no dia de Natal, ganhamos o presente que tanto queríamos: a bola subirá pela primeira vez e começa o campeonato da NBA, o mais importante, charmoso, rentável, disputado, imbatível e apreciado de todo o planeta.

Os times já estão praticamente montados. Dificilmente teremos uma troca bombástica (“blockbuster”), pois o Orlando disse que não negocia Dwight Howard nos próximos meses e que muito provavelmente ele jogue toda a temporada na Flórida.

Portanto, já podemos fazer uma análise sobre os favoritos. Não, não vou analisar os 30 times do campeonato. Vou falar apenas daqueles que eu acho que vão fazer algo de importante no torneio.

LESTE

Queiram ou não, podem chorar os fanáticos se quiserem, mas o Miami Heat segue tendo no papel o melhor time da NBA. Na quadra, quase confirmou isso na temporada passada, mas acabou se curvando ao jogo coletivo do Dallas.

Dwyane Wade, LeBron James e Chris Bosh, juntos, formam o melhor “big three” da liga.

O time do sul da Flórida manteve intacto seu núcleo. Melhor do que isso: contratou o excelente Shane Battier, jogador que, ao que tudo indica, se encaixará perfeitamente no sistema implantado pelo técnico Erik Spoelstra.

Com ele, o que se comenta na Flórida é que Spoelstra vai usar muito LBJ como ala-pivô, aproveitando mais Battier no time principal.

É o meu favorito para ganhar a conferência.

Seu grande oponente será, uma vez mais, o Chicago Bulls. Assim como o Miami, manteve seu núcleo ileso. Assim como o Miami, fez uma contratação superimportante: Richard Hamilton.

Apesar de seus 34 anos, Hamilton não mostra declínio físico e nem técnico. Vejo em quadra o mesmo vigor dos tempos de Detroit.

Com Rip no time, a pressão em Derrick Rose diminuirá; com Rip no time, a equipe ficará mais rápida; com Rip no time, as bolas longas se tornarão mais mortais ainda e não serão privilégio apenas de Kyle Korver.

Tom Thibodeau segue no comando da equipe, que ele transformou numa máquina defensiva. No último campeonato, o Bulls foi a melhor defesa da nação, seguido pelo Miami.

Como na temporada passada, deverá fazer a final do Leste contra o Miami e, como na temporada passada, deverá ser batido novamente.

Com a adição de Baron Davis, o New York Knicks terá um armador muito melhor do que teve em Chauncey Billups. O problema é que Davis não tem uma saúde de ferro. Se estiver mais resistente, o time renderá muito mais do que na temporada passada.

Pra quem é mais jovem eu digo: Davis era o Chris Paul de sua geração.

A contratação de Tyson Chandler foi outra boa notícia para a franquia nova-iorquina. Com ele, o NYK ganha em força defensiva e para entrar em seu garrafão os adversários vão ter que pedir licença.

Chega fácil à semifinal do Leste.

Tudo bem que o “Big Three” do Boston Celtics está um ano mais velho, mas segue sendo ainda uma imensa ameaça para os adversários. E Rajon Rondo, não se esqueça, é o armador do Celtics, tido por muitos como o melhor “point guard” da NBA.

O problema do Boston vai ser o rodízio. Jeff Green, que ajudaria no descanso de Paul Pierce e Ray Allen, perderá toda a temporada por causa de um problema cardíaco. Brandon Bass será o responsável pelo repouso de Kevin Garnett, mas, sinceramente, eu não sei por que o Celtics preferiu-o ao invés de Glen Davis. E mais: quem será o substituto de Rajon?

Com esses problemas no banco, pode ter dificuldade para atingir a semifinal. A menos que o “Big Three” se supere fisicamente.

A grande ameaça ao Boston é o Orlando Magic. Claro, isso se o time não perder Dwight Howard.

Jameer Nelson é um ótimo armador, mas o problema dele é o mesmo de Baron Davis: as seguidas lesões. Se Jameer puder jogar pra valer, ao lado de Jason Richardson, Hedo Turkoglu, Glen Davis e D12, repito, serão uma ameaça e tanto para o Boston atingir uma das semifinais.

O Indiana Pacers tem tudo para tomar a vaga do Atlanta Hawks na relação dos favoritos do Leste. O time de Indianápolis manteve sua base e ainda adicionou dois ótimos jogadores: David West e George Hill.

O dinheiro gasto com West, no entanto, eu teria investido em outro atleta, pois o Indiana conta com Tyler Hansbrough para a posição e não haveria a necessidade desta aquisição. Como disse em outro post, Tyler pode ser o Taj Gibson do Pacers.

Sobram duas vagas que serão disputadas, no tapa, por Atlanta Hawks, New Jersey Nets, Milwaukee Bucks e, mais atrás, o Philadelphia 76ers.

OESTE

“Não subestimem o coração de um campeão”. A frase é do ex-treinador Rudy Tomjanovic, dita logo após a conquista do título da Conferência do Oeste no torneio 1994-95. O Houston, então campeão da NBA, tinha se classificado apenas em sétimo lugar e foi comendo pelas beiradas e chegou ao título não apenas da conferência, mas também da NBA.

Conto essa história porque o Dallas Mavericks não pode ser subestimado. Ganhar um campeonato do jeito que o Mavs ganhou na temporada passada mostra que o basquete não se limita apenas a grandes jogadores reunidos em um mesmo time. É preciso ter uma filosofia por trás de uma equipe campeã.

E isso o técnico Ricky Carlisle conseguiu implantar nos texanos. E contou, claro, com uma atuação soberba de Dirk Nowitzki, que calou os críticos que apontavam o dedo para o alemão o tempo inteiro chamando-o de “amarelão” — e, diga-se, com razão.

Pois esse time estará de volta nesta temporada e reforçado por Lamar Odom.

Sim, eu sei, Tyson Chandler deixou a franquia e esse, realmente, é um grande problema, pois não houve substituição à altura. Brandon Haywood, reserva de Chandler, será agora o titular e não tem o mesmo quilate.

Outra perda importante: DeShawn Stevenson deve se transferir para o New Jersey. Embora reserva, sempre que entrava trazia consigo não apenas qualidade técnica, mas uma garra impressionante, que se tornou símbolo da conquista passada.

Como eu compactuo com a frase de Rudy T., o Dallas é um dos favoritos para chegar à final do Oeste.

Seu grande adversário será o Oklahoma City Thunder. Como no Leste, acredito que a final da temporada passada tem tudo para ser repetida.

O OKC ganhou mais um ano de conjunto e experiência. O calcanhar de Aquiles do time segue sendo o pivô: se o Thunder tivesse investido em um jogador como Nenê ao invés de Kendrick Perkins, teria se dado muito melhor.

Mas com a saída de Jeff Green, Serge Ibaka virou titular como ala-pivô e com mais minutos em quadra ele melhorou dramaticamente seu jogo. O “Rei dos Tocos” da NBA vai ter que dar uma mãozinha para Perkins para que o time não se veja em inferioridade nos duelos dentro do garrafão.

Mas o diferencial do OKC é mesmo Kevin Durant. Para muitos, o homem que substituirá Kobe Bryant quando o astro do Lakers pendurar seu par de tênis.

Não chego a tanto, mas vejo em KD um jogador extraordinário, apto a comandar um time para um título da liga brevemente.

Os dois jogos que o Los Angeles Clippers fez diante do Lakers na “pre-season” credenciaram o primo pobre de LA a um lugar de destaque na conferência. Chris Paul foi a melhor e mais bombástica contratação desta temporada.

CP3 é, ao lado de Derrick Rose, o melhor armador da NBA na atualidade. E o Clippers sentirá sua força em quadra.

E quem vai ganhar com isso serão seus companheiros, principalmente Blake Griffin, um jogador de explosão e extremamente talentoso, que precisa de um cara como CP3 para que seu jogo se desenvolva ainda mais. E isso tem tudo para acontecer.

E não se esqueça que esse time tem ainda a experiência de Chauncey Billups, o talento de Caron Butler e força física e a qualidade técnica de DeAndre Jordan.

Se der química, apesar do técnico Vinnie Del Negro, o Clippers tem tudo para chegar à final do Oeste.

O Los Angeles Lakers está entre os favoritos da conferência, claro que está. Afinal, como deixar de lado um time que tem Kobe Bryant? Impossível não se sensibilizar com o jogo deste que é o melhor atleta da NBA depois da era Michael Jordan.

O grande problema dos ricaços de Los Angeles é que o time clareou demais. Todos seus reforços são brancos — e a gente bem sabe que o basquete nos EUA é um esporte preferencialmente de negros.

Jason Kapono, Josh McRoberts e Troy Murphy foram as conquistas da franquia. Em compensação, houve um recrutamento de um “moleque” do college que dá pinta de que será muito bom de bola: Darius Morris.

Morris vem para uma posição que o Lakers é carente: a armação. Gostei muito do que vi na primeira partida da série contra o Clippers, a única, aliás, que ele participou.

Dallas, OKC, Clippers e Lakers. Como se vê, quatro times em condições idênticas para conquistar o título do Oeste. Acontece com esta conferência o mesmo que ocorre com o Campeonato Brasileiro de futebol: o nivelamento é maior do que no Leste. Nesta conferência, a diferença do Miami para os demais é mais acentuada.

O San Antonio Spurs segue na frente do Memphis entre os meus favoritos. Não se esqueça que Manu Ginobili, por irresponsabilidade de Gregg Popovich, contundiu-se na última partida da fase de classificação, quando tudo estava definido, e jogou com o braço lesionado por pequenas fraturas durante os playoffs.

Resultado: o time foi eliminado pelo Memphis.

Se Popovich não fizer bobagens e se der tempo de quadra para que Tiago Splitter desenvolva seu jogo, o alvinegro texano segue sendo uma das forças do Oeste. Mas claramente num nível abaixo dos quatro mencionados anteriormente.

O Memphis Grizzlies perdeu Darrel Arthur por toda esta temporada, mas, em compensação, poderá contar com Rudy Gay, que se ausentou dos playoffs passados por conta de uma lesão. Na balança, o time mais ganha do que perde.

De resto, tudo como dantes no quartel de Abrantes. E o que isso quer dizer? Que o mesmo time que causou sensação nos momentos decisivos do torneio passado estará novamente em quadra, pois Marc Gasol, que poderia ter se mandado, renovou seu contrato com a franquia, no melhor lance dos executivos durante a “off-season”.

Sobram duas vagas. E quem vai brigar por elas? Não necessariamente nesta ordem, mas acho que Portland Trail Blazers, Houston Rockets e Denver Nuggets são os candidatos mais fortes a elas.

Mas não podemos nos esquecer do Minnesota Timberwolves. Se Ricky Rubio e Derrick Williams jogarem, juntos com Kevin Love, Michael Beasley e Wesley Johnson poderão fazer do time da cidade que no passado abrigou o Lakers uma das sensações desta temporada.

EPÍLOGO

Pra não me furtar a finalizar os meus palpites, pra mim a final desta temporada será entre Miami Heat e Oklahoma City Thunder. E o Miami será o campeão.

Mas eu gostaria demais que fosse entre Chicago Bulls e Los Angeles Clippers. E não preciso dizer quem eu gostaria que fosse o vencedor.

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domingo, 3 de julho de 2011 NBA | 22:53

O COMPROMETIMENTO DOS TIMES COM O ‘SALARY CAP’

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Embora a NBA esteja em locaute neste momento e a gente nem saiba ainda se teremos ou não a próxima temporada, muito se pergunta sobre reforços e muito se questiona a respeito dos free-agents.

Nenê pode ir para o Boston? Caberia no Lakers? E que tal no Miami? E Marc Gasol, pode ir para Los Angeles juntar-se ao irmão? E J.J. Barea, pode jogar no Heat, seu rival na decisão do último campeonato? Que tal David West no New Jersey? E Tyson Chandler, vai pra onde?

Há outros free-agents no mercado que despertam interesse em times da NBA, como Richard Jefferson, Jason Richardson, Jamal Crawford, Wilson Chandler, DeShawn Stevenson, Caron Butler, Grant Hill, Tayshaun Prince, Samuel Dalembert, entre outros.

Mas como estão os times neste momento? Quem pode de fato contratar?

O “Salary Cap” da última temporada foi de US$ 57,04 milhões. Com a “Luxury Tax” (LT), podia-se chegar a US$ 70,30 milhões.

O comprometimento dos times com a folha de pagamento levando-se em conta a temporada 2011/12 é este:

Denver: US$ 29,660,238 – pode investir US$ 28,383,762
Sacramento: US$ 30,239,949 – pode investir US$ 27,804,051
Indiana: US$ 37,637,644 – pode investir US$ 20,406,356
New Jersey: US$ 40,921,102 – pode investir US$ 17,122,898
New Orleans: US$ 44,481,930 – pode investir US$ 13,562,070
Clippers: US$ 45,419,032 – pode investir US$ 12,624,968
Washington: US$ 45,884,529 – pode investir US$ 12,159,471
Toronto: US$ 47,129,132 – pode investir US$ 10,914,868
Charlotte: US$ 47,631,491 – pode investir US$ 10,412,509
Detroit: US$ 47,862,792 – pode investir US$ 10,181,208
Houston: US$ 48,383,963 – pode investir US$ 9,660,307
Minnesota: US$48,539,139 – pode investir US$ 9,504,861
Golden State: US$ 49,168,672 – pode investir US$ 8,875,328
Milwaukee: US$ 51,551,140 – pode investir US$ 6,492,860
Oklahoma City: US$ 53,314,231 – pode investir US$ 4,729,769
Philadelphia: US$ 54,117,265 – pode investir US$ 3,926,735
Memphis: US$ 55,225,383 – pode investir US$ 2,818,617
Cleveland: US$ 55,623,737 – pode investir US$ 2,420,263
Utah: US$ 57,017,627 – pode investir US$ 26,373
New York: US$ 60,610,763 – excedeu o “cap” em US$ 2,566,763 mas está abaixo da LT
Dallas: US$ 61,718,348 – excedeu o “cap” em US$ 3,674,348 mas está abaixo da LT
Boston: US$ 64,377,513 – excedeu o “cap” em US$ 6,333,513 mas está abaixo da LT
Chicago: US$ 64,429,940 – excedeu o “cap” em US$ 6,385,940 mas está abaixo da LT
Miami: US$ 65,575,553 – excedeu o “cap” em US$ 7,531,553 mas está abaixo da LT
Phoenix: US$ 65,831,176 – excedeu o “cap” em US$ 7,787,176 mas está abaixo da LT
Atlanta: US$ 66,496,237 – excedeu o “cap” em US$ 8,452,237 mas está abaixo da LT
San Antonio: US$ 73,096,214 – excedeu o “cap” em US$ 15,052,214 e está acima da LT
Portland: US$ 73,423,562 – excedeu o “cap” em US$ 15,379,562 e está acima da LT
Orlando: US$ 76,215,248 – excedeu o “cap” em US$ 18,171,248 e está acima da LT
Lakers: US$ 91,113,227 – excedeu o “cap” em US$ 33,069,227 e está acima da LT

Com base nisso, vemos que San Antonio, Portland, Orlando e Lakers só podem reforçar seus times se fizerem trocas ou pagarem multas para dispensar jogadores.

New York, Boston, Dallas, Chicago, Miami, Phoenix e Atlanta ainda podem investir, desde que se utilizem a “Luxury Tax”. Ou seja: pra cada dólar ultrapassado, paga-se a mesma quantia de multa. Quer dizer: se uma franquia investe US$ 10 milhões em um jogador, paga US$ 10 milhões para a NBA de multa.

Os que podem investir neste momento, sem ter que apelar à “Luxury Tax” (mas se quiserem também podem), são: Denver, Sacramento, Indiana, New Jersey, New Orleans, Clippers, Washington, Toronto, Charlotte, Detroit, Houston, Minnesota, Golden State, Milwaukee, Oklahoma City, Philadelphia, Memphis, Cleveland e Utah.

Isso tudo, é claro, levando-se em conta o “Salary Cap” da temporada passada. Como vai ser daqui para frente, ninguém sabe ainda.

Mas, se um acordo ocorrer, muitos acreditam que pouca coisa vai mudar. Portanto, dá para se ter uma ideia do que os times podem fazer.

Dos jogadores mencionados, Nenê, por exemplo, abriu mão de um salário de US$ 11,4 milhões para testar o mercado. Pode, é claro, acertar com o próprio Denver.

Mas vejam, por exemplo, que o Miami não tem como oferecer o mesmo dinheiro para Nenê no momento. A menos que o brasileiro faça o “sign and trade”, ou seja, assine com o Denver e o Nuggets faça uma troca com o Heat para ficar com o jogador.

Chandler tem um contrato de US$ 12,6 milhões com o Dallas. Marc Gasol, US$ 4,5 milhões com o Memphis. David West, US$ 8,3 milhões com o New Orleans.

De momento, então, vocês já têm uma ideia do comprometimento da folha salarial das equipes. Usem a imaginação e tentem resolver os problemas de seus times do coração.

Se houver alguma dúvida quanto a salário de jogador, é só perguntar.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 8 de junho de 2011 NBA, outras | 14:58

A HISTÓRIA DO CAVALO QUE REFUGOU

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Bem, como tenho dito, a série será longa. E agora é o jogo cinco que será importantíssimo.

Sim, pois o perdedor jogará pressionado no jogo seis. E tem gente que prefere o campeonato de pontos corridos!

Bem, comparações à parte, agora é o jogo cinco que será importantíssimo, ia dizendo. Se o Dallas ganhar novamente, abre 3 a 2 na série. E o Miami entrará pressionado diante de seus torcedores, não podendo perder, pois se perder, perde o campeonato.

O oposto vale para o Dallas, que aí terá que ganhar duas contendas em quadra alheia. Difícil.

Esta final está espetacular. Casa cheia, torcedores se divertindo, times faturando, patrocinadores se esbaldando, tevês registrando ótimos índices de audiência — e tem gente que prefere o campeonato de pontos corridos!

Mas deixa pra lá, vamos falar do jogo de ontem.

“BALOUBET DU ROUET”

Amarelar é o sinônimo mais usual no caso de jogadores que se escondem e medram em jogos decisivos. Mas alguns poucos se lembram, nesta situação, do cavalo “Baloubet du Rouet”.

Quem é mais jovem e não conhece a história, eu conto — e vale um pouco da sua atenção, pois ela é boa.

“Baloubet du Rouet” era um cavalo de raça talhado para provas de salto. Era montado pelo cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa. Tinha sido tricampeão do mundo em 1998, 1999 e 2000.

Quando os Jogos Olímpicos de Sydney-2000 chegaram, Pessoa e seu “Baloubet du Rouet” entraram como favoritos ao ouro olímpico na prova do salto. Eles deixavam, havia três anos, os concorrentes comendo poeira, sempre.

No Brasil, todos contavam com este ouro e faziam as contas, antes de a prova começar, em que lugar o nosso país ficariam no quadro de medalhas depois que “Baloubet du Rouet” humilhasse novamente seus oponentes.

No dia da prova, no entanto, “Baloubet du Rouet” refugou. Sim, refugou! E não apenas uma vez: foram três!

Pessoa ficou com cara de tacho diante dos torcedores que acompanhavam a prova ao vivo e diante dos brasileiros que tinham acordado bem cedinho para ver um esporte que ninguém gostava e acompanhava, mas acompanhava porque iria nos dar o ouro olímpico.

Mas “Baloubet du Rouet” refugou. Três vezes, eu disse, mas nunca é demais lembrar. Com isso, Pessoa foi eliminado e o ouro esperado não veio, o que fez com que os milhões de brasileiro dissessem: “Ah, mas virá no futebol!”

Não veio também, pois o Brasil de Wanderley Luxemburgo foi eliminado por Camarões nas semifinais, com o defunto “gol de ouro”. Camarões que tinha nove jogadores em campo, mas tinha um coração do tamanho da África.

LEBRON = “BALOUBET DU ROUET”

LeBron James voltou a refugar nestas finais. Ontem chegou ao cúmulo de não atingir dois dígitos na pontuação.

Anotou apenas oito. Uma vergonha; sim, uma vergonha para um jogador que Scottie Pippen, o fiel escudeiro de Michael Jordan, disse que um dia poderá ser melhor que MJ. Quem deve estar com vergonha é Pip.

Ah, será que aquele jornalista que LBJ detonou na última coletiva fez a mesma pergunta ontem? Se você não sabe da história, lá vou eu novamente contar história.

E essa vale a pena também…

Gregg Doyel trabalha para a rede televisiva CBS. Depois do jogo de domingo, ele questionou LeBron sobre seu desempenho nos últimos períodos das três partidas finais, sugerindo que o ala estava “encolhendo” nos momentos decisivos.

LBJ, claro, não gostou da pergunta, mas não reagiu como Felipão ou Muriciy. Com a mesma elegância do terno verde petróleo que trajava, respondeu:

“Eu acho que você está concentrado em apenas um lado da quadra. Você só está olhando para estatísticas. Eu sou um jogador de duas vias. Uma vez que (Dwyane) Wade estava fazendo o necessário ofensivamente, nós demos a bola para ele. Você deveria assistir ao vídeo novamente e ver o que fiz na defesa. Aí você fará uma pergunta melhor amanhã”.

Doyel, não sei se estava lá e nem sei se perguntou. Mas se estava lá deveria ter perguntado:

“LeBron, que acontece com seu desempenho nos últimos jogos? Você está encolhendo nos momentos decisivos!”

Gostaria de ver a reação de LeBron.

RESPOSTA

Não sei se Gregg Doyel perguntou, ou se alguém perguntou, mas LeBron James disse o seguinte na coletiva de ontem: “Eu definitivamente não joguei bem ofensivamente”.

Ora, descobriu a pólvora!

LeBron James tem sido o “Baloubet du Rouet” destas finais. Suas atuações envergonham a todos que estão ligados a ele de um jeito ou de outro.

Há ainda mais dois jogos pela frente. Chance de ele fazer o que Dirk Nowitzki tem feito e, com isso, apagado definitivamente a fama de “amarelão”.

Mas no caso de LBJ, eu digo: “Baloubet du Rouet”.

DIFERENÇA

Em contrapartida, Dirk Nowitzki foi mais uma vez exemplar. Anotou 21 pontos, sendo que dez deles vieram nos últimos nove minutos de jogo, quando o Dallas reverteu uma desvantagem de nove pontos.

Quer mais? Tem mais: o alemão estava com febre. Dizem que a quentura do corpo chegou a bater nos 40 graus.

Contagiou seus companheiros — agora com febre, pois na quadra vem dando exemplos desde que estas finais começaram.

“Uma pessoa comum na situação que ele estava mal conseguiria levantar da cama”, declarou o pivô Tyson Chandler depois da vitória por 86 a 83, que empatou a série final em 2 a 2.

Seguramente contagiado pelo esforço do companheiro, Chandler fez um jogo de Nowitzki: anotou 13 pontos e pegou 16 rebotes, nove deles ofensivos.

Não apenas Chandler exibiu-se com muito mais vigor do que vinha fazendo, Jason Terry também. Jet, como é chamado pelos companheiros, vinha zerando em etapas finais e últimos quartos. Ontem anotou 17 pontos, sendo oito deles no último quarto, quando o time fez a virada que representou a vitória no final das contas.

Shawn Marion contribuiu com mais 16 e DeShawn Stevenson colaborou com outros 11, tendo acertado seus três primeiros chutes de três.

DeShawn, Chandler e Jet no último quarto quebraram o galho de Jason Kidd.

PERGUNTA

Como um jogador que não faz ponto algum e dá três assistências pode ficar em quadra por 38:58 minutos?

CRÉDITO

Se LeBron James refuga feito “Baloubet du Rouet”, o mesmo não se pode dizer de Dwayne Wade. Apesar da bobeira no final, quando deixou a bola escapar e pelos dedos ver escorregar a chance de levar o jogo à prorrogação, D-Wade novamente carregou o Miami nas costas: 32 pontos.

D-Wade falhou no fim como Dirk Nowitzki falhou no fim no jogo anterior. Vale pra D-Wade o que eu disse pra Nowitzki: por favor, não vamos condenar Dwyane pela derrota do Miami.

Ele tem levado o time nas costas.

Como Jack Brennan, o lutador-presonagem do conto “Cinquenta Mil”, de Ernest Hemingway, os braços de D-Wade, seguramente, pesaram no final da contenda.

Jack perdeu seu combate para Walcott (se é que perdeu mesmo, mas isso são outros quinhentos), pois seus braços pesaram no final da luta.

Wade tem pelejado praticamente sozinho contra a “guarda” montada pela defesa do Dallas. Tem conseguido machucar a zaga adversária, mas ainda não conseguiu o nocaute desejado.

ALGO MAIS?

Faltou dizer algo mais? Se faltou, por favor, digam.

EXPLICAÇÃO

Abro tarde este botequim, pois ontem fui vítima do vendaval que atingiu a Grande São Paulo. Fiquei 25 horas sem energia. Tive que sair de casa para ver o jogo.

Por isso, só agora abro o boteco.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 NBA | 17:36

ESTREIA DECEPCIONANTE

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Não era a estreia que todos esperavam. Mesmo considerando-se que o adversário era o Oklahoma City e o local da peleja fosse o Ford Center.

Mesmo que o Thunder seja apontado por muitos como o time-sensação da NBA; mesmo que o Thunder mostrasse um cartel com seis vitórias seguidas e nove nas últimas 12 contendas.

Mesmo que o adversário conte com um jogador como Kevin Durant, que foi o cestinha do time nos últimos 18 jogos. Mesmo que esse mesmo Durant tenha uma sequência de 26 jogos com 25 pontos ou mais (a terceira maior da história da NBA, atrás apenas das 27 partidas de Allen Iverson [00-01] e das 40 de Michael Jordan [86-87]).

Enfim, mesmo assim, eu, sinceramente, esperava mais do Dallas, que colocou em quadra, pela primeira vez, seu “new trio”, com Caron Butler (Foto AP), Brendan Haywood e DeShawn Stevenson. O começo até que foi empolgante.Mavericks Thunder Basketball

O Dallas fechou o primeiro quarto com dez pontos de vantagem: 26-16. Haywood veio do banco quando faltavam 4:50 minutos para o final do período e fez cinco pontos, quatro rebotes e um toco.

Tudo estava indo bem até que a defesa resolveu confessar. E a partir do segundo quarto começou a debacle.

O time tomou 40 pontos (fez 28) em 12 minutos e perdeu a vantagem construída no quarto inicial. Foi para o intervalo perdendo por dois pontos: 56-54.

No terceiro período nova sova: 22-11. O Thunder abriu 13 pontos e administrou a vantagem até que a cortina descesse e o telão central reluzisse: Oklahoma City 99-86 Dallas.

O que ocorreu com o Mavs? Simples: falta de entrosamento dos três novatos com o resto do time.

E não vai ser fácil corrigir, pois as folgas rareiam neste momento. O time vem de 30 jogos em 58 dias. Depois serão 29 jogos em 57 dias.

Na média, um jogo a cada dois dias. Sem contar as viagens e o cansaço que é inerente num campeonato tão longo como esse.

Ou seja: Butler, Haywood e Stevenson vão ter que se ajeitar com a bola em movimento. Paciência, não há o que fazer.

NÚMEROS

Ao final da partida, Caron Butler anotou 13 pontos (4-16) e seis rebotes em 31 minutos. Brendan Haywood, em 15, marcou sete pontos (3-7) e seis rebotes. Já DeShawn Stevenson zerou, embora tenha trabalhado apenas cinco minutos. Arremessou uma bola e errou; cometeu um erro também. De resto, zerou em tudo.

RETORNO

Drew Gooden, que foi para o Washington na troca com Caron Butler, DeShawn Stevenson e Brendan Haywood, pode voltar ao Dallas. Isso porque o Wizards cogita pagar ao jogador o restante de seu contrato e dispensá-lo.

Aí Gooden teria que esperar 30 dias para assinar um novo acordo. Denver, Milwaukee e Charlotte também estão de olho no jogador.

SINAL

Fica mais do que claro, como eu disse há alguns dias, que o objetivo do Washington é limpar seu “cap”. Os dirigentes da franquia investiram no trio Gilbert Arenas, Caron Butler e Antawn Jamison; infelizmente, não rolou.

Aliás, por falar em Jamison, o jogador segue na mira do Cleveland. O Cavs, que também está de olho em Amaré Stoudemire, teria oferecido ao Washington Zydrunas Ilgauskas e Jamario Moon.

Creio que o ideal (já que o Cleveland quer mesmo se livrar de Zy) seria pegar Amaré. Sim, pois Jamison não faz um cinco; Stoudemire faz.

A menos que Mike Brown esteja contando com Anderson Varejão para essa eventualidade.

RODADA

Foi o quarto jogo do Lakers sem Kobe Bryant. Foi a quarta vitória também.

A bola da vez foi o Golden State. Resultado: 104-94, dentro do Staples Center de Los Angeles.

Dá pra levar o campeonato sem Kobe e deixá-lo se recuperando para a próxima temporada? A resposta quem nos dá é Ron Artest:

¬¬— [Nós] temos um time muito bom. Mas com Kobe, somos um dos maiores de todos os tempos, porque ele é um dos maiores jogadores de todos os tempos. Precisamos do Kobe de volta, mas ele precisa se recuperar primeiro.

Sem Kobe, quem brilhou novamente foi Shannon Brown. Depois de uma noitada pífia no torneio de enterradas do “All-Star Game”, Brown estabeleceu dois recordes neste enfrentamento diante do Warriors: 27 pontos e dez rebotes.

Quando um cara como Shannon faz tudo isso em quadra, realmente, não há como não vencer.

Em Chicago, Derrick Rose acertou seus primeiros nove arremessos e terminou a partida com 29 pontos. Comandou o Bulls em quadra diante do New York, na vitória por 118-85.

Isso, mesmo tendo se contundido na perna direita. Mas não deve ser problema para o jogo desta noite, novamente diante do Knicks, agora em Nova York.

O Knicks não jogou nada. E o Chicago ainda não pôde contar com Joakim Noah, ainda contundido. Mesmo assim o time do técnico Mike D’Antoni levou um couro nos rebotes: 49-38.

Sabem por que o Bulls tem melhorado também? Porque Vinnie Del Negro limitou o tempo de permanência em quadra do ala James Johnson.

E o Charlotte, hein? Depois de ter feito uma sequência notável em janeiro, com 12 vitórias e apenas quatro derrotas, começou fevereiro com o pé esquerdo: apenas duas vitórias e quatro derrotas.

A última delas ontem à noite, diante do New Jersey (!), em casa (!), por 103-94.

E sabe o que é pior? Que o Nets é o lanterninha da NBA. E sabe o que é pior ainda? Que o Nets tem um recorde de 3-47 diante dos outros 28 times da liga, mas 2-1 em cima do Cats.

De tirar o sono, com certeza. Ah, sim, nos próximos dias Michael Jordan deve comprar o resto da franquia e tornar-se o único dono do Charlotte.

O que se espera é que ele não tome decisões como a que tomou em Washington quando recrutou Kwame Brown como primeira escolha no NBA Draft de 2001. Se fizer algo do tipo, a franquia quebra.

Os outros resultados da rodada foram:

Philadelphia 78-105 Miami
Detroit 108-85 Minnesota
Memphis 95-109 Phoenix
Houston 95-104 Utah
Portland 109-87 Clippers
Sacramento 92-95 Boston

CAMBY

O Portland mandou para o Clippers o armador Steve Blake e o ala Travis Outlaw e pegou o veterano pivô Marcus Camby. Não havia mesmo o que fazer, pois sem Greg Oden e Joel Przybilla não dava para apostar tudo no improvisado LaMarcus Aldridge.

Além dos dois jogadores, o Blazers depositou ainda US$ 1.5 milhão na conta bancária do time de Los Angeles para que o acordo fechasse. Dará mais US$ 2 milhões para Camby, conforme foi acertado no tempo de seu contrato com o Clippers.

Disse que não havia o que fazer. Mas não havia mesmo?

Havia apenas uma saída: desistir desta temporada e esperar pela recuperação de Oden e Przybilla. Mas eu teria feito o mesmo que os dirigentes do time do Oregon fizeram, até porque os três jogadores estão em final de contrato.

Notas relacionadas:

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