Como relatei há pouco no Twitter (@FRSormani), estive com Leandrinho Barbosa em evento da NBA com a Netshoes realizado aqui em São Paulo. Papo vai, papo vem, perguntei a ele sobre o futuro. Ele me disse que está nas mãos do agente. Perguntei quem era e ele me disse: “Dan Fegan”. Caiu a ficha rapidamente e lembrei-me que Fegan é também o agente de Dwight Howard (foto). Aí eu perguntei: e D12, vai mesmo pro Nets?, é o que estão dizendo. E LB respondeu: “Acho que sim”. Eu repliquei: você falou com ele? “Não, falei com Fegan e ele me disse que o Dwight deve mesmo se transferir para o Brooklyn”.
Uau, é isso aí, rapaziada. Já pensaram Deron Williams e Dwight Howard juntos? No Brooklyn, onde tudo acontece atualmente em Nova York? O Brooklyn é o lugar da moda. Jay-Z, o rapper # 1 do planeta é dono da franquia. Um dos, é bom que se diga. Está se mexendo pra tentar melhorar o time. Tentou LeBron James, seu grande amigo, mas não obteve sucesso. Agora, pelo que me disse Leandrinho, o final será feliz.
Aproveitei e perguntei se não haveria uma boquinha pra ele também no Nets. “Ora, seria bem legal”, respondeu. “É mais perto de casa. Um voo só para o Brasil. Seria muito legal se desse certo”, dando a entender que o Nets é uma opção. Existem outras, disse-me Leandrinho. “São sete equipes interessadas em mim. fiquei feliz em saber que o meu mercado está bom”, afirmou. Perguntei: quais são os times? “Não posso falar”. De quais conferências?, insisti. “Das duas”. Alguém perguntou: pode voltar ao Phoenix? “Não, pro Phoenix não. Aliás, meu grande parceiro está saindo de lá”. O grande parceiro é Steve Nash, que recebeu uma proposta milionária do Toronto. Contei a LB: US$ 36 milhões por três anos de contrato. “Se ele não pegar… Tá louco, é muito dinheiro!”
Leandrinho afirmou que pro Toronto não volta. Falou que sua preferência é ficar no Indiana. “Não sou um cara de ficar mudando de lugar”, explicou. “Além disso, gostei muito de lá. O time é muito bom, os técnicos são excelentes. É grande a possibilidade de eu ficar no Pacers”. Alguém perguntou se ele está ansioso por conta desta indefinição. “Pra caramba!”, respondeu.
LB é o único brasileiro que está com o futuro ainda incerto. Mas deverá acertar brevemente com alguma franquia. Bola pra isso ele tem. E mais: melhorou na temporada passada sua defesa nas mãos de Frank Vogel e seus assistentes. Na série contra o Miami marcou Dwyane Wade sempre que esteve em quadra. Treinador nenhum coloca um mané para marcar um dos melhores do adversário. E LB foi designado para essa tarefa porque não é um mané. Tem jogo ofensivo forte e melhorou sua defesa.
Como disse, é questão de tempo ele se ajeitar na NBA.
ANIMADO
Outro que estava bem animado era Nenê Hilário (foto) . Contou que está feliz em Washington e com o Washington. “O time é do John Wall”, respondeu a uma pergunta que fiz sobre sua importância na remontagem da franquia. Ele disse isso, mas a gente sabe que ele terá papel preponderante na reconstrução da franquia. “Pegamos o Bradley Beal”, analisou, “um jogador muito bom. Estaremos fortes para a próxima temporada”.
Aliás, por falar nela, perguntei por e-mail a Sharon Lima, brasileira que trabalha no escritório da NBA em Nova York, quando sai a tabela da próxima temporada. E ela respondeu: “Provavelmente no fim de julho ou em agosto. Abs. Sharon”.
Voltando a falar do Washington, perguntei a Nenê se o time está forte a ponto de voltar aos playoffs e ele respondeu: “Estamos sonhando, estamos indo devagarzinho. Deixa quieto, não gosto de falar muito. Vocês vão ter uma surpresa”. Nenê não conseguiu conter a euforia por conta da equipe, que deverá começar os jogos com o seguinte quinteto: John Wall, Bradley Beal, Trevor Ariza, Emeka Okafor e ele, Nenê.
Perguntei se ele prefere jogar como ala de força ou pivô. “Disseram que eu ia jogar com ala-pivô na temporada passada e eu voltei para o pivô, pra mim tanto faz”, disse. Apertei: mas você sempre jogou de pivô, não é esta a sua preferência? “Sim, fiz minha carreira na NBA como pivô, se puder escolher, prefiro”.
Aí eu aproveitei e perguntei a ele sobre qual conferência tem os melhores pivôs. A resposta veio sem rodeios: “A Oeste. Ainda bem que eu saí de lá (risos). Foram nove anos. Meu corpo está todo marcado”.
RESSENTIMENTO
Não há nenhum entre Tiago Splitter e Gregg Popovich. Foi o que me disse o catarinense quando perguntei a ele sobre o episódio no jogo final contra o Oklahoma City, quando o brasileiro foi tratado, ou melhor, foi destratado pelo treinador do San Antonio em público. “Não foi a primeira e nem será a última vez que eu serei repreendido por um treinador”, afirmou Splitter, muito consciente de sua profissão. “Aliás, o Tony recebeu uma bronca parecida com a minha e ninguém falou nada”.
Ok, não se fala mais nisso então. Página virada, a seguinte apareceu com um questionamento: e o futuro? “Tenho mais uma temporada de contrato com o San Antonio”, respondeu. “Depois o time tem o direito de exercer mais um ano e eu tenho o direito de dizer sim ou não. Se eu disser não, vou ao mercado e se aparecer um time que me dê US$ 100 milhões, por exemplo, o San Antonio tem o direito de igualar”.
Splitter, pelo que me falou, não tem intenção de deixar o Texas. Falou que está muito bem adaptado à cidade, tanto que sua mulher trouxe ao mundo Benjamin, seu primeiro filho, exatamente em San Antonio, onde se encontra no momento (“Ele é muito pequenininho para viajar”.). Por isso, tudo fará para permanecer no Spurs. O que eu acho? Vocês sabem o que eu acho.
Perguntei a ele se ele pretende conversar com Popovich para ter mais minutos em quadra na próxima temporada e ele respondeu, rindo: “Não existe essa de conversar com o Popovich sobre esse assunto. Nem eu e nem ninguém fala com ele sobre isso. Ele é quem manda e ninguém questiona nada”. E aproveitou para emendar: “Estou lá para ajudar no descanso do Tim Duncan. Ele é um ícone no time e na cidade. Respeito muito ele. Estou feliz com os meus minutos”.
Ok, não se fala mais nisso então.
ALEGRE
Anderson Varejão é a alegria em pessoa. Tanto que foi o orador dos quatro no evento (foto Wander Roberto/Inovafoto). Falou pouco, é verdade, quase nada para ser mais preciso, mas ele foi o escolhido para dizer algo. Sempre com um sorriso, brincando, atendeu a todos no mesmo tom.
Perguntei a ele sobre sair do Cleveland, pois isso foi cogitado na época do draft. “Ninguém (da franquia) me falou nada, apenas os amigos me ligavam perguntando”, afirmou. Perguntei se ele se surpreendeu com o boato. “Não; tudo pode acontecer na NBA”. Exatamente, jogador tem que estar preparado para isso: ser trocado a qualquer momento.
Isso ocorreu com Nenê na temporada passada e pode acontecer com qualquer um. Nenê me falou, por exemplo, que não irá comprar uma casa na capital dos EUA. “Minha casa é eu Denver”, explicou. “Em Washington eu vou alugar uma”. Mas contou-me que ficou entusiasmado com a cidade: “Foram apenas três meses, mas foi surpreendente, porque eu esperava algo como LA ou Nova York. Mas Washington é tranquila. Tem uma vida cultural muito boa, parques. Enfim, gostei”.
Anderson Varejão e Nenê, nossa dupla de garrafão para Londres. Disse ao capixaba: você jogou toda a temporada da NBA como pivô e na seleção Rubén Magnano está usando-o como ala de força, isso o incomoda? “Se eu pegar menos rebotes, sim”, respondeu, zombando, como sempre. Depois, sério, respondeu: “Como ala-pivô eu defendo mais fora do garrafão, jogo mais aberto. Isso vai me deixar mais longe da cesta. No ataque isso também pode acontecer, mas não como na defesa. Mas tudo bem, não tem problema algum. Estou aqui (na seleção) pra ajudar”.
E ele, assim como Leandrinho e Splitter (Nenê não quis falar sobre a seleção porque, segundo ele, o evento era da NBA e não se devia desviar o foco), entendem que o Brasil tem grande chance em Londres. “Acho que dá medalha”.
Que passe um anjo e diga amém.
SERVIÇO
O evento, como disse acima, foi para marcar a parceria entre a NBA com a Netshoes. Segundo Roni Bueno (foto Wander Roberto/Inovafoto), diretor de marketing da empresa brasileira, esta é a terceira parceria da NBA no gênero, a segunda fora dos EUA. “Antes da gente, eles foram à China”.
Perguntei a Phillipe Moggio, vice-presidente da NBA para a América Latina, por que o Brasil foi escolhido, se isso tem a ver com a venda de produtos da NBA por aqui e se a venda do pacote NBA League Pass teve também interferência na decisão. Ele respondeu que o Brasil é um grande mercado e todo grande mercado interessa para a NBA. Pedi números. “Nossa política é de não falar sobre números”.
O que significa a parceria entre a NBA e a Netshoes? “Facilidade para se comprar produtos da NBA”, respondeu Bueno. “Pretendemos trazer para o Brasil mais de mil itens”. Ou seja: mochilas, bolsas, bonés, bolas da Spalding, camisas, calções, meias; enfim, toda a linha de alta performance da NBA, além do que eles chamam de moda casual (polos, jaquetas, t-shirts etc.).
Ou seja: acabou a tortura. Quem quiser comprar algo da NBA não precisa mais ficar esperando alguém ir para lá ou ficar apreensivo para saber se a encomenda feita pela internet diretamente dos EUA vai chegar ou não. Agora é tudo feito por aqui.
Negócios à parte, finalmente alguém perguntou sobre um jogo da NBA no Brasil. Moggio respondeu: “Antes dos Jogos do Rio vamos fazer uma partida no Brasil”. Onde? Não se sabe ainda. Mas essa conversa eu já ouço há muito tempo.