O DESPERTAR DE UM GRANDE JOGADOR
Ah, agora sim; este é o Leandrinho que a gente se acostumou a ver em quadra. Não só na NBA, mas também aqui no Brasil, quando ele vestia a camisa do Bauru/Tilibr
a.
Sem Leandrinho, ontem, o Phoenix não teria batido o Memphis por 107-102. Ele fez de tudo no momento crucial da partida, num duelo sensacional com o “rookie” O.J. Mayo. Saiu vencedor e mostrou que não goza de prestígio na NBA à toa.
O paulistano deixou o campo de jogo com 27 pontos – seu melhor desempenho nesta temporada. Seus últimos seis pontos foram o ápice de seu show particular no US Airways Center, para frenesi dos 18.422 torcedores que lá estiveram.
O Memphis vencia a partida por 98-97, a 2:58 minutos do final, quando ele mandou um torpedo triplo contra as redes adversárias, colocando o Suns na frente em 100-98. Mayo fez uma bandeja a 2:12 e empatou em 100 pontos.
Aí, não sei o que deu na cabeça de Boris Diaw em querer arremessar uma bola de três, que não entrou, é certo. Mayo pegou o rebote, armou o ataque com Rudy Gay, que perdeu a bandeja, mas ele próprio pegou o rebote e cravou para colocar o Grizzlies na frente em 102-100; isso a 1:30 minuto do final.
Steve Nash foi o vilão do ataque seguinte do Phoenix ao errar uma bola de três. Quinton Ross fez o mesmo no ataque visitante. Diaw pegou o rebote, jogou a bola para Nash, que desta vez esperou Leandrinho abrir na ponta-esquerda do ataque do Suns. Fez o passe. Leandrinho recebeu e arremessou de três. Bingo! 103-102.
Na seqüência foram erros de Marc Gasol (passe) e Mayo (arremessos triplos) e quatro lances livres certos de Nash que levaram o Suns à vitória.
Como se vê, Leandrinho (acima em foto da AP) foi o cara, como gosta de dizer Romário. A gente estava com saudades de momentos assim.
Que não sejam exceção e por isso mesmo fugazes. Que voltem a ser duradouros, como sempre foram.
DEFESA
Leandrinho voltou a fazer o seu jogo ofensivo que todos conhecem. É impressionante a facilidade com que ele se desloca pela quadra. Com isso, cria espaços para os companheiros e para si mesmo.
Com a bola nas mãos, dificilmente comete besteiras. Erra, claro, pois não é perfeito; mas, como disse, é ocasional. Seus passes são certeiros, sendo que o picado é o que mais me chama a atenção, especialmente quando ele infiltra e a marcação dobra para evitar a bandeja.
São qualidades que a gente conhece aos baldes.
Agora, insisto, ele precisa melhorar a defesa. Ontem, ficou em quadra 22 minutos. Só vai aumentar seu tempo de jogo se crescer defensivamente.
Leandrinho, quando está marcando, limita-se a fazer sombra para o seu marcador. Não interfere jamais na ação do oponente. É preciso fazê-lo. Ele tem agilidade e braços longos; tem que tirar proveito disso.
Eu, se fosse ele, pegava o carro nos momentos de folga e ia até Tucson, que fica a 190 quilômetros ou duas horas e meia de Phoenix. Não é tão perto, mas nem tão longe assim. Além disso, as estradas norte-americanas são perfeitas. Por isso não cansam.
Fazer o que lá?,pode você me perguntar. Conversar com Lute Olson. Aos 74 anos, Olson anunciou sua aposentadoria em outubro passado. Teve, ano passado, um AVC isquêmico transitório, que pela definição médica não chega a constituir uma lesão cerebral. Mas foi aconselhado a se aposentar. Obedeceu a orientação média.
Olson está em casa, curtindo a vida e gastando o muito que ganhou em seus 34 anos como técnico do basquete universitário nos EUA. Foi campeão nacional em 1997, ganhando o título numa decisão inesquecível diante de Kentucky (84-79), então dirigido por Rick Pitino. Eu estava lá, vi tudo de perto. RCA Dome de Indianapolis lotado, dividido ao meio entre os fãs das duas escolas.
Nas mãos de Olson, Arizona teve um programa formidável para armadores. De lá saíram Steve Kerr, Damon Stoudamire, Mike Bibby, Jason Terry entre outros.
Uma vez por semana, duas quando puder, Leandrinho deveria ir conversar com Olson. Ele tem ainda muito que ensinar. Mesmo sentado na varanda de sua casa. Com palavras. Como disse Machado de Assis, “palavra puxa palavra, uma idéia traz outra, e assim se faz um livro, um governo ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies”.
ROOKIE OF THE YEAR
Falei em Greg Oden (que não consegue jogar por causa das contusões), outros mencionaram Michael Beasley e/ou Derrick Rose. Mas o novato que vem causando furor neste início de temporada é O.J. Mayo.
Ele foi o cestinha da partida de ontem em Phoenix com 33 pontos. No jogo anterior, em Denver, marcou outros 31. Está com exatos 21 pontos de média depois de oito partidas com a camisa 32 do Memphis.
Tem números muito bons nos arremessos: 45.5% nas bolas duplas (pode melhorar), 43.9% nas triplas e 88% nos lances livres.
É rápido e ainda posiciona-se bem em quadra. Por isso pega rebotes. Nos últimos três embates do Grizzlies, teve uma média de 6.6.
O que mais me chama a atenção é a personalidade dele. Mesmo novato, já tomou conta do pedaço. Esse time é meu, já deixou bem claro a todos.
MVP
Paul Pierce mostrou a todos, ontem, que quer ser reconhecido como o melhor do planeta não apenas pelo barulho de sua garganta, mas por todos. Marcou 22 pontos no último quarto do jogo contra o Toronto e deu um bico na derrota que se edificava em pleno TD Banknorth Garden, para espanto 18.624 fanáticos torcedores do Celtics.
No total, foram 36 pontos de Pierce, importantíssimos para a virada alviverde, que significou o sétimo triunfo nesta competição: 94-87. O Boston chegou a ficar 16 pontos atrás no marcador. Mas no final, PP colocou a camisa para fora do calção e acabou com o sonho do Raptors em bater, fora de casa, o atual campeão da NBA.
Foi difícil tirar os olhos do computador, mesmo com Leandrinho jogando contra o Memphis. Como disse a manchete da edição eletrônica do “Boston Globe”, o grande jornal de Massachusetts, “The Truth Hurts”.
O Toronto que o diga.
DIFERENÇA
Para todos nós que acompanhamos o basquete, fica muito claro que a diferença entre treinadores brasileiros e norte-americanos está no conceito. Os nossos se derretem pelo ataque; os deles, pela defesa.
Basta ouvir as instruções dos nossos treinadores nos pedidos de tempo. Dão ênfase, basicamente, à parte ofensiva. Nos EUA é diferente.
Ontem aconteceu um episódio emblemático na partida Boston x Toronto. A 2:38 minutos do final do primeiro tempo, Sam Mitchell, técnico do Raptors, pediu um tempo, com o placar mostrando 46-32 para os canadenses – aqueles pedidos de tempo que você tem que chamar porque a regra manda.
Doc Rivers reuniu os jogadores do Boston e disse que o importante naquele momento era fazer com que o Toronto não pontuasse mais até o final do primeiro período. Um treinador brasileiro, com certeza, iria pedir mais agressividade ofensiva de seus jogadores: vamos diminuir essa diferença neste final, diria qualquer um dos nossos.
Não foi o que fez o norte-americano. O Boston só não tirou nota dez porque o armador espanhol José Calderón acertou dois lances livres a 13 segundos do final. Mas nesses 2:38 minutos, o Toronto arremessou apenas duas bolas contra a cesta do Celtics, com Chris Bosh, e cometeu quatro erros, fruto da ação defensiva do Boston.
O Celtics fez quatro pontos e descontou em dois a diferença do Raptors, que fechou o primeiro tempo na frente em 48-36. Mas naquele momento, pontuar não era o principal, mas sim defender, pois Rivers sabia que a defesa iria robustecer seus jogadores mental e emocionalmente. Desta forma, os anfitriões pavimentaram a estrada para a vitória.
No ano passado, ela levou-os ao título.
RODADA
Oito jogos compõem a rodada desta noite da NBA. Anderson Varejão e Nenê estarão em ação – e no mesmo horário!
Às 22h de Brasília o Cleveland recebe em sua Quicken Loans Arena o Milwaukee. Jogo sem graça, pois o Bucks é fraco e ainda por cima estará desfalcado de Michael Reed, machucado. LeBron James e companhia vão atropelar o pessoal de Wisconsin.
Chance para Varejão melhorar seus números nesta temporada.
Nenê também terá uma tetinha pela frente: o Charlotte, na Carolina do Norte. Vale para o são-carlense o que eu falei para o capixaba: chance para melhorar seus números nesta temporada.
Os dois invictos do campeonato estarão em ação. O Atlanta (5-0) vai a Chicago enfrentar o Bulls, enquanto que o Lakers – com a mesma campanha – viaja até Dallas para jogar contra o Mavericks.
Dá para continuarem invictos. Ambos jogam no mesmo horário: 23h30 de Brasília.
PERFORMANCE
Muito se diz que os melhores times estão no Oeste. Mas a classificação até agora do campeonato mostra que todos os oito melhores time Leste têm 50% ou mais de aproveitamento, enquanto que no lado do Pacífico o Sacramento está na rabeira dos classificados com uma campanha de 3-4, ou 42.9%.
Afinal, o Oeste é mesmo melhor do que o Leste?
Nos confrontos entre as duas conferências, não é o que se vê: foram 16 vitórias do Leste contra oito do Oeste. Ou seja: o dobro.
E então?
PODE?
A atriz Ashely Judd é mulher do piloto de Formula Indy Dario Franchitti. Ms Judd graduou-se pela Universidade de Kentucky.
Mesmo tendo se formado em 1990, sempre que podia voltava à escola para rever amigos e professores. Dizem as más línguas que, lá, teve um “affair” com o melhor jogador do Wildcats à época. Seu nome? Tony Delk.
O armador foi campeão da NCAA em 1996, quando acabou como o melhor jogador do Final Four e ganhou o prêmio de Most Outstanding Player (MOP). Foi recrutado no mesmo ano pelo Hornets (então em Charlotte) e andou feito um cigano pela NBA, jogando também pelo Golden State, Sacramento, Phoenix, Boston, Dallas, Atlanta e Detroit. Na temporada 2006/07 jogou pelo Panathinaikos da Grécia. Hoje, não sei onde anda (alguém sabe?)
Abaixo, foto dos dois. Comparem e digam-me: seria verdade esse “affair” amoroso?
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Ashley Judd, Atlanta, Boris Diaw, Boston, Celtics, Chris Bosh, Cleveland, Denver, Derrick Rose, Doc Rivers, Greg Oden, Jason Terry, Kentucky, Lakers, leandrinho, LeBron James, Lute Olson, Marc Gasol, Memphis, Michael Beasley, Michael Reed, Mike Bibby, Nenê, O.J. Mayo, Paul Pierce, Phoenix, Raptors, Sam Mitchell, Steve Nash, Tony Delk, Toronto














