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quarta-feira, 5 de novembro de 2008 NBA, outras | 12:32

NÚMEROS QUE ENGANAM

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Olhar apenas os números de um jogador no “boxscore” é muito perigoso. Ao destacar a atuação de Anderson Varejão na vitória do Cleveland sobre o Dallas, ontem, eu mostrei isso.

O exemplo hoje vale para o Leandrinho (foto).

Quem pegar a estatística da partida de ontem na vitória do Phoenix sobre o New Jersey por 114-86, vai ver que o brasileiro marcou 12 pontos, apanhou seis rebotes, deu quatro assistências e roubou duas bolas. Bons números, sem dúvida alguma.

Mas sabe como ele os conseguiu? Praticamente no chamado “garbage time”. Ou seja: quando a partida já estava definida.

Vejamos…

Leandrinho entrou em quadra quando faltava 1:58 minuto para acabar o primeiro quarto. Substituiu Raja Bell, o titular de sua posição. Jogou exatos 8:05 minutos, pois voltou para o banco quando o cronômetro mostrava que faltavam 5:53 minutos para o final do segundo quarto.

Quando entrou, o placar do Izod Center mostrava 30-23 para o Phoenix. O jogo estava disputado. Ao sair, a vantagem subiu em dois pontos: 47-38. A partida continuava disputada.

Nesses 8:05 minutos, Leandrinho teve o seguinte desempenho: três pontos, um rebote, duas assistências e dois erros.

Voltou ao embate no início do último quarto. O placar mostrava 92-77. O jogo ainda não estava definido, afinal, havia um quarto pela frente. Mas estava bem encaminhado, ainda mais sendo o Nets o adversário. Nesse último quarto, com as favas praticamente contadas, Leandrinho teve a seguinte performance: nove pontos, cinco rebotes, duas assistências e dois desarmes.

Pergunto: os números de Leandrinho enganam ou não?

PERDENDO ESPAÇO

O que fica claro para mim é que, neste início de temporada, Leandrinho está perdendo espaço no time. O novo treinador, Terry Porter, valoriza a defesa.

Ainda não conseguiu acertá-la, é verdade, pois o Suns continua sofrendo muitos pontos de times fracos. Ontem, por exemplo, foram 55 no primeiro tempo.

Leandrinho nunca foi um bom marcador. É o protótipo do jogador brasileiro, não importa a modalidade: preocupa-se apenas em pontuar.

Seu negócio é arremessar bolas de três pontos. Poderia usar sua principal arma, a velocidade, para interferir na linha de passe do adversário e roubar bolas, muitas bolas, e – por que não? – ser o líder em “steals” da NBA.

Porter já conhece Leandrinho. Agora mais íntimo, deve ter visto muito mais de seu defeito defensivo. Poderia ajudá-lo a corrigir essa deformidade em seu jogo. Mas não sei se esta é uma meta estabelecida pelo treinador.

Portanto, não seria surpresa para mim se Leandrinho, logo mais, for trocado por alguém. E se isso realmente acontecer, tomara que não vá para o New York, pois Mike D’Antoni, seu antigo treinador no Arizona, gosta de esconder e não corrigir defeitos.

A FORÇA DO BOSTON

Acho que ninguém duvida da força do Boston. A derrota para o Indiana surpreendeu, mas isso acontece. O time mostrou novamente sua força ontem em Houston. Visitou um dos favoritos do Oeste e venceu por 103-99.

A partida foi de Ray Allen, não apenas pelos seus 29 pontos, sua maior pontuação nesta temporada. Allen foi grande na marcação também. Deixou a quadra quando faltavam apenas 33:9 segundos para o final e o placar mostrava 101-95 para o Celtics.

Fez uma falta para impedir Tracy McGrady pontuar. Foi a derradeira.

A defesa de Allen é subestimada por quase todo mundo na NBA. Vêem nele uma máquina de pontuar, mas não enxergam seu hercúleo esforço para diminuir os espaços dos adversários.

Ontem teve de controlar McGrady. Não dá para dizer que ele obteve sucesso pleno, pois T-Mac deixou o Toyota Center com 26 pontos e 50% de aproveitamento de seus tiros de quadra (9-18). Mas o armador do Rockets teve que suar mais do que o habitual para conseguir pontuar.

ENGAJADO

Ao tomar conhecimento que Barack Obama tinha praticamente garantido a vitória na eleição presidencial nos EUA, Ray Allen, ao final da partida, já no vestiário verde e branco, declarou: “Este é um momento histórico, mais do que a gente pode perceber. Nosso país será muito melhor. [Barack Obama] mostrou que não importa de onde você venha, quem são seus parentes, se você der duro; Obama tornou-se presidente e isso é o que ela [a vitória] significa”.

QUEDA LIVRE?

Não, não acredito que o San Antonio esteja em queda. O time está desfalcado de Manu Ginobili, ainda contundido, e por isso não está jogando o que pode.

A campanha é ridícula neste começo de temporada: três jogos e três derrotas. Só não é pior do que Clippers e Sacramento.

Mas mesmo sem Manu, o basquete do Spurs tem sido pobre. Tudo porque se resume a apenas dois jogadores: Tim Duncan e Tony Parker.

Isso ficou claro na derrota de ontem (98-81) para o Dallas, dentro de seu AT&T Center. Timmy fez 19 pontos e pegou 15 rebotes, enquanto que o marido de Eva Longoria (maravilhosa na foto acima com a camisa do Spurs) desespera-se em quadra para que seus companheiros – à exceção de Duncan – consigam pontuar. Não conseguiu; tanto assim que o francês terminou a partida com envergonhadas três assistências.

Também pudera, olha só o desempenho de alguns jogadores nas bolas de dois: Michael Finley, 1-6; Matt Bonner, 0-5; Ime Udoka, 0-4; Bruce Bowen, só três arremessos durante o jogo, dois certeiros. Bonner conseguiu ainda a proeza de errar também seus três arremessos triplos, enquanto que Finley, um especialista, acertou apenas um em três tentados.

Assim não dá. Com o econômico desempenho dos companheiros, Parker foi ao ataque e deixou 22 pontos na cesta do Dallas.

Se os outros jogadores não melhorarem e Manu ficar de fora, o Spurs pode continuar nesta estiagem de vitória.

Estou curioso para ver a partida desta noite contra o Minnesota, em San Antonio. Ganha ou não?

ALEMÃO

Se alguém imaginou que Dirk Nowitzki foi dominado por Anderson Varejão porque está em decadência, mostro seus números no triunfo do Dallas diante do San Antonio, no clássico texano: 30 pontos, sendo que arremessou 24 bolas, contra apenas 11 na partida contra o Cleveland.

Gente, vamos dar crédito ao Varejão. Ele merece.

E Nowitzki não está, de jeito nenhum, dobrando o fio. Ele ainda é o núcleo desse do Mavericks. Nele todo o jogo está concentrado.

CASO IVERSON/BILLUPS

Alguns internautas têm me chamado a atenção para o fato de que o Detroit, ao trocar Chauncey Billups por Allen Iverson, limpou seu “cap” para investir em LeBron James ao final da próxima temporada, quando o ala do Cleveland terá a opção de escolher o seu caminho.

Verdade; dei uma olhada no “payroll” do Pistons no começo da temporada 2010/2011 e o único jogador com contrato garantido era Tayshaun Prince, com US$ 11,1 milhões. Chauncey Billups estaria lá com vencimentos de US$ 13,1 milhões.

Escrevi acima “era” porque ontem a franquia renovou por mais três anos o contrato do ala/armador Rip Hamilton, que vai receber, anualmente, o que Billups iria ganhar se ficasse na “Motor Town” – daí Motown, corruptela do apelido da cidade.

Quer dizer: foi uma escolha do presidente Joe Dumars; preferiu Hamilton a Billups. Na comparação entre idades, Billups tem 32 anos; Hamilton, 30. Diferença pouca.

Eu teria optado por Billups, pois em caso de contratação de LeBron, o jogo dos dois se encaixaria. Tudo o que King James não precisa é de um companheiro a rivalizar com ele na pontuação. Tudo o que LeBron precisa é de um armador que entenda o jogo e de um pivô para protegê-lo.

Realmente, não consigo entender esse negócio.

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terça-feira, 4 de novembro de 2008 NBA | 12:43

VAREJÃO ANULA NOWITZKI DENTRO DE DALLAS

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Anderson Varejão (foto Reuters) jogou muito ontem na vitória do Cleveland diante do Dallas (100-81). Se a gente for olhar apenas para os números, pode ficar um pouco desconfiado. Afinal, foram apenas dois pontos e seis rebotes. Mas o olhar atento à estatística final vai observar que o capixaba também roubou quatro bolas. E em momentos cruciais da partida.

Mais do que isso: anulou Dirk Nowitzki, a arma do Mavericks. O alemão acertou apenas três de seus 11 arremessos. Arremessou pouco, como podemos ver, pois não encontrou espaços para isso. Quando foi marcado por Varejão errou todos seus chutes. Nowitzki tem 2m13 de altura; o brasileiro tem 2m11. A diferença é mínima. Além disso, o ala do Cavs é rápido o suficiente para recuperar-se de um drible ou de um corta-luz.

Vendo o desempenho de Varejão diante de Nowitzki, é claro que logo me veio à mente o Pré-Olímpico de Atenas, quando o Brasil foi eliminado pela Alemanha. A mim ficou claro que se AV tivesse jogado contra os alemães, nossas chances aumentariam muito. Se Nenê e Leandrinho também, teríamos eliminado os germânicos.

MVP

LeBron James teve atuação ontem digna de um MVP. O lance livre, que é o seu maior problema, funcionou. Foram 13 certos em 15 cobrados (86,6%); excelente. Deixou a quadra com 29 pontos, oito rebotes, três assistências e dois desarmes. Foi decisivo nos momentos certos da partida.

Justiça seja feita: os 14 pontos de Mo Williams foram igualmente importantes. O armador do Cavs comandou em quadra uma corrida de 13-0 em cima do Dallas no instante em que LeBron estava no banco.

Isso ajuda; e muito. “É o que eles esperam de mim”, respondeu Williams quando perguntado sobre sua performance. E é o que ele espera dar em troca ao time que foi buscá-lo no Milwaukee na “offseason”.

ROBOCOP

Pouco antes do jogo do Cleveland, assisti a vitória sofrida do Orlando diante do Chicago por 96-93. Fosse o Bulls um time mais entrosado e com Derrick Rose já mais acostumado com o jogo da NBA e o ex-time de Michael Jordan poderia ter vencido a partida, mesmo jogando na Flórida.

Mais uma vez Dwight Howard sobrou em quadra. Foram 22 pontos, 15 rebotes e cinco tocos em 39 minutos de partida. Por falar nos “blocks”, Howard lidera este fundamento no atual campeonato com uma média de 4,5 por partida.

Dwight, apesar dos seus 2m11 de altura, tem a movimentação e a agilidade de um ala. Pesa 120 quilos; massa pura, não há sobra em seu corpo.

Parece o Robocop.

RABEIRA

Quem é o pior time da NBA no momento? Clippers ou Sacramento?

As duas equipes da Conferência do Oeste não venceram nenhum joguinho sequer até o momento. Foram quatro derrotas.

O Clippers tem potencial de crescimento, pois Baron Davis e Marcus Camby, ao lado de Cutino Mobley, podem tirar o primo pobre de Los Angeles da rabeira. Mas nada de playoff. Quanto ao Sacramento, deve duelar com o Charlotte para ver quem será, de fato, o pior time da NBA nesta temporada.

Além dos dois, quem também ainda não venceu na competição foram Washington e San Antonio, ambos com duas derrotas. O Spurs pode fazer sua primeira vitória esta noite em seu AT&T Center, quando recebe o Dallas, num dos clássicos texanos. Já o Wizards terá de esperar até amanhã, quando vai a Wisconsin enfrentar o Milwaukee, que pode jogar sem Michael Reed, contundido.

JOGAÇO

Esqueça o clássico entre San Antonio e Dallas. O jogo desta noite será também realizado no Texas, mas em Houston, quando o Rockets recebe o Boston. No campeonato passado, quando esse clássico aconteceu no sul dos EUA, o Celtics acabou com uma invencibilidade de 22 partidas dos texanos.

O resultado da partida: 94-74. Um massacre. Mas, é sempre bom lembrar, o Houston jogou sem Yao Ming, que se recuperava de uma fratura por estresse na perna. Hoje, com o chinês e Luis Scola em quadra, Kevin Garnett e Kendrick Perkins terão muita dificuldade.

O embate colocará frente a frente dois dos favoritos ao título. O Celtics mais do que o Houston, mas a equipe de Tracy McGrady entra forte neste campeonato, ainda mais depois da contratação de Ron Artest.

Por falar nele, será um duelo e tanto contra o falastrão do Paul Pierce, que se autodenomina o melhor jogador de basquete da atualidade. Bobagem, todos sabem que o Pelé de hoje é Kobe Bryant

A partida começa às 23h30 de Brasília. E quem tem o NBA League Pass vai dormir depois das 2h da manhã.

TROCA-TROCA

Bem, consumada a troca entre Denver e Detroit – Allen Iverson por Chancey Billups, Antonio McDyess e o “rookie” Cheikh Samb –, algumas observações a fazer.

Do lado do Detroit, Joe Dumars, presidente da franquia, disse que o negócio dará força à equipe. Tenho dúvidas, sinceramente. Iverson está com 33 anos e até hoje não compreendeu que o basquete é um jogo coletivo. Ele precisa de uma bola nas mãos e outra para o resto da equipe. É difícil no trato por causa da soberba. Em Denver, nunca foi paparicado como na Philadelphia, onde era o dono do time. No Colorado, o patrão da quadra é Carmelo Anthony. Por isso, nunca sentiu-se confortável.

Como será em Detroit? Bem, em Michigan não há nenhuma prima-dona. Pode ser que lá ele seja bajulado do jeito que gosta. Rip Hamilton, Tayshaun Prince e Rasheed Wallace, as estrelas da franquia, não ligam para isso, o que pode ser bom para AI.

Quanto ao Nuggets, a volta de Billups a Denver, onde nasceu, é um ótimo negócio para a franquia. Trata-se de um grande jogador e de caráter inquestionável. Joga em equipe e, quando preciso, sabe assumir o controle do jogo. Com ele em quadra Carmelo poderá crescer, pois Billups é mestre em encontrar companheiros desmarcados.

Antonio McDyess deverá ser dispensado. O jogador já declarou que em Denver não joga. Tem mais dois anos de contrato, onde está previsto que vai receber US$ 13,5 milhões. Negocia a liberação. Deve aceitar receber uma merreca para poder voltar ao Detroit, onde quer jogar.

Alguns dizem que o que o Detroit fez foi liberar Billups, que cumpria o segundo ano de seu contrato de quatro num total de US$ 46 milhões. E mais: que o time não tinha mais onde crescer. Pode ser, pode ser; mas Dumars poderia ter feito um negócio melhor.

Ah, se não der certo, este é o último ano do contrato de Iverson e no final da temporada abre-se no “cap” da franquia US$ 20,8 milhões, os vencimentos do armador para esta temporada. Também é verdade.

O que fica claro para mim é que o Detroit abre mão desta temporada em nome do futuro – que, como muitos gostam de dizer, a Deus pertence. Na “offseason”, Dumars não foi habilidoso para montar um time competitivo – aos olhos deles, diga-se – e, sem grandes opções, aceitou fazer este negócio.

Aos meus olhos, um péssimo negócio.

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domingo, 2 de novembro de 2008 NBA | 13:47

AH, OS BRASILEIROS…

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Talvez tenha sido a pior atuação de Leandrinho (foto) desde que entrou em quadra pela primeira vez na NBA na temporada 2003/04. Ontem, na vitória do Phoenix sobre o Portland por 107-96, Barbosa marcou apenas um ponto! Isso mesmo, um miserável pontinho.

Com uma atuação desastrosa, o técnico Terry Porter escondeu o brasileiro no banco de reservas. Deixou-o em quadra apenas 18 minutos, tempo suficiente para ele mostrar que estava completamente sem inspiração.

Erro seus três chutes triplos e não se atreveu a dar nenhum de dois. Seu único ponto surgiu de um lance livre – o outro ele errou.

Um desastre.

A noite brasileira na NBA foi igualmente calamitosa. Nenê e Anderson Varejão foram um pouco melhor; mas também nada muito mais vistoso.

Depois de ter arrebentado na vitória sobre o Clippers um dia antes, ontem Nenê teve uma atuação apagada diante do Lakers, em Denver. Anotou apenas oito pontos e apanhou cinco rebotes na derrota por 104-87.

Foi o quinto revés seguido do time diante do Los Angeles, contando os embates dos playoffs passados. Três deles dentro de seu Pepsi Center, que esteve “sold out” ontem: 19.651 pagantes.

Nenê esteve em quadra por 34 minutos. Mas quem viu a partida viu também um jogador contido, econômico nos movimentos e nos desejos. Chris Andersen, um obscuro reserva do “frontcourt” colorado, foi o destaque do Denver com cinco pontos, sete rebotes e três tocos.

Esteve em quadra a metade do tempo de Nenê. Mas multiplicou seu momento com uma vontade e uma atitude de se tirar o chapéu. Só não jogou mais e melhorou sua performance porque esteve envolvido com excesso de faltas, o que obrigou o técnico George Karl a deixá-lo no banco mais tempo do que ele provavelmente gostaria.

Por falar em faltas, este foi o único aspecto do jogo de Nenê que a gente pode elogiar: ao contrário das duas partidas anteriores, quando saiu mais cedo do embate por ter atingido o limite de penalidades, desta vez Nenê conseguiu manter-se no jogo, tendo feito três.

Mas, eu pergunto: o que é melhor, deixar a quadra mais cedo com um desempenho como o que ele teve diante do Clippers ou ficar no jogo com uma atuação fosca? Cravo na primeira alternativa.

Ao mesmo tempo, analisando os dois confrontos, fica também claro para qualquer mente inocente que jogar contra Chris Kaman e sua gang é uma coisa, enfrentar Andrew Bynum e Pau Gasol é outra completamente diferente.

Nenê já mostrou que tem qualidades. O que ele precisa mostrar é mais determinação, como a que Andersen exibiu em seus 17 minutos na partida de ontem.

O que acontece com nossos jogadores? Sim, porque não foi privilégio de Leandrinho e Nenê terem uma atuação opaca. Anderson Varejão completou a noitada com seus quatro pontinhos e seis rebotes na derrota do Cleveland para o New Orleans, fora de casa, por 104-92.

Varejão jogou 25 minutos. Seus números a gente já viu. Vale para o capixaba o mesmo que eu falei do paulista. É preciso ter mais gana em quadra, ser mais audacioso, mais cara de pau. Como sempre foi Oscar Schmidt.

Varejão, como Nenê e Leandrinho, também tem qualidades. Elas são visíveis. Bom reboteiro, sabe proteger bem o garrafão, vira-se bem diante da marcação, é aplicado taticamente, mas… mas tem que ter gana, audácia, coragem, atitude – e confiança.

Stan Van Gundy, técnico do Orlando, ontem na Flórida, declarou o seguinte sobre confiança: “As pessoas não percebem quão frágil a confiança pode ser. Elas acham que quando você atinge esse nível [jogar na NBA], confiança é inerente porque você tem muito sucesso, mas bastam duas noites ruins e de repente você está pressionado”. E sem confiança.

Vocês já viram jogador argentino sem confiança? Eu nunca vi. Esse papo pra mim não cola.

Nossos jogadores têm que ser mais argentinos. Isso mesmo, mais argentinos.

SOLD OUT

Não foi apenas o Pepsi Center que teve lotação completa na rodada deste sábado da NBA. A New Orleans Arena também no encontro do Hornets com o Cavs.

Aliás, foi o 14º. jogo seguido que o ginásio do New Orleans teve todas as suas poltronas tomadas. Estou contando, claro, com os embates dos playoffs da temporada passada.

18.150 torcedores viram Chris Paul e companhia debutar na Lousianna e vencer o Cleveland, repito, por 104-92.

JAMES HORRY OU ROBERT POSEY?

James Posey jogou pela primeira vez diante de seus fãs. Foi a estréia do ala campeão pelo Boston na temporada passada na New Orleans Arena. “Foi excitante”, disse ele depois da partida.

Posey voltou a barbarizar a defesa adversária com a eficiência de seus arremessos triplos. Foram quatro em cinco tentativas. Confronto encerrado, seus números reluziam no “final stats”: 15 pontos, seis rebotes e quatro desarmes.

Vindo do banco. Como fazia Robert Horry.

MVP?

Se LeBron James quer ser o MVP desta temporada, tem que melhorar seu desempenho ofensivo. Ontem marcou apenas 15 pontos, mas com um aproveitamento ruim das bolas de dois: 6-15.

Na temporada passada, foi o cestinha da competição com exatos 30 pontos de média. Nesta, em três partidas, está com um 19,7.

King James compensou sua fraca atuação no ataque nas assistências: foram 13 no total. Sete rebotes também é um bom número para quem joga na ala; se bem que ele tem tamanho e força para isso mesmo.

MVP

Se LeBron, do jeito que está, é dúvida na corrida pelo título de melhor jogador da temporada, o mesmo não vale para Chris Paul. CP3 foi o nome do jogo de ontem. É o nome, ninguém duvida, neste começo de temporada.

Dizer que ele é o melhor jogador da NBA neste momento é o mesmo que dizer que Gisele Bundchen (foto) é a mulher mais estonteante do planeta. CP3 anotou 24 pontos e deu mais 15 assistências.

Suas médias não deixam dúvidas: 21,7 pontos e exatas 12 assistências por jogo, líder neste fundamento até agora na competição.

É mole?

FOR FALAR NISSO…
Dwight Howard corre por fora, mas corre. E se jogasse em um time de ponta, poderia ser um concorrente de peso para ser o MVP desta temporada.

Na partida de ontem contra o Sacramento (vitória por 121-103), Howard marcou 29 pontos, apanhou 14 rebotes e deu cinco tocos. Na vitória da última quarta-feira diante do Atlanta (99-85), Dwight já tinha tido uma atuação estrondosa: 22 pontos, 15 rebotes, cinco tocos e cinco desarmes.

Seus números são excelentes depois de três partidas nesta temporada: 21,7 pontos, 14,3 rebotes e 4,3 tocos – é o líder neste fundamento.

Já escrevi, mas nunca é demais lembrar: se Chris Paul é o melhor armador da NBA, Howard é o melhor pivô.

QUE SAUDADES
O Boston começou a temporada passada arrebentando. Fez uma corrida de 12 vitórias em sua dúzia inicial de partidas, ganhou a tal da confiança e terminou a fase de classificação com a melhor campanha entre todos os 30 participantes.

Isso foi fundamental na conquista do título, pois, nos momentos de sufoco, usou o seu TD Banknorth Garden e assim conseguiu despachar Atlanta e Cleveland nos playoffs.

A história inicial do Celtics agora é outra. Na terceira rodada deu seu primeiro tropicão. Apanhou do Indiana (96-75), fora de casa, e mostra que esta temporada pode ser diferente da anterior.

O time errou demais na partida de ontem no Conseco Fieldhouse. Foram 24 equívocos contra apenas 12 do Pacers. Kevin Garnett, embora tenha feito 18 pontos e fisgado 14 rebotes, cometeu seis deles. Foi o mais indeciso jogador da partida.

Na temporada passada…

JÁ O TORONTO…
Se o Boston tombou na terceira rodada, o Toronto, em quem eu não boto muita fé, fez ontem importante vitória diante do Milwaukee, em Wisconsin. Venceu o Bucks por 91-87 e abriu 3-0 na classificação da Divisão do Atlântico. A mesma do Boston, o segundo colocado.

E é bom frisar que Jermaine O’Neal ainda não está totalmente solto no Canadá. Seus números ainda são um tico do que ele pode fazer: 11,0 pontos e 7,3 rebotes. Mais solto e mais entrosado, especialmente com Chris Bosh, os canadenses devem crescer ainda mais.

Justiça seja feita: o espanhol Jose Calderon foi muito bem na vitória de ontem: 25 pontos e nove assistências. Seu desempenho nesses três primeiros prélios do Raptors é muito, mas muito bom: 18,0 pontos e 9,7 assistências por jogo.

DECEPÇÃO
Tudo bem, o campeonato mal começou, mas o Philadelphia decepciona. Seu record: 1-2.

Perdeu ontem para o Atlanta, na Georgia, por 95-88.

O quarteto formado por Elton Brand, Sam Dalembert, Andre Iguodala e seu xará Miller ainda não deu liga, se bem que Brand vem fazendo o seu papel. Tem um “double-double” de média em pontos (18,3) e rebotes (14,3).

E O MIAMI?

Se o Sixers desaponta, o que dizer do Miami? O time conseguiu a façanha de perder para o Charlotte. Por 100-87. Sim, é o time de Dwyane Wade e de Michael Beasley, tido por muitos – não por mim – como o “rookie of the year” desta temporada.

Não vou dizer mais nada.

NEW LOOK

De penteado novo e sem barba, mosca ou bigode, Phil Jackson (foto) comanda este que é um dos melhores – senão o melhor – times da NBA no momento.

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sábado, 1 de novembro de 2008 NBA | 12:59

NENÊ ARREBENTA EM VITÓRIA DO DENVER EM LA

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Os números são dignos de um grande jogador. Nenê (foto AP) arrebentou ontem na vitória do Denver sobre o Clippers (113-103), na prorrogação. O brasileiro marcou 22 pontos, apanhou 11 rebotes e deu três tocos. Tudo isso em 34:45 minutos. Só não ficou mais tempo em quadra porque deixou o jogo com seis faltas.

Este foi o lado ruim da história escrita ontem à noite em Los Angeles: pela segunda vez em dois jogos Nenê saiu mais cedo da partida. Tudo bem que ontem ele cometeu sua falta derradeira a 30 segundos do final da prorrogação com o Denver na frente em 110-100; mas é preciso tomar cuidado.

O fato indica, no entanto, duas coisas: 1) Nenê não está se poupando em quadra, numa demonstração inequívoca de que tem a saúde 100% boa e não teme cara feia; 2) É preciso saber dosar essa agressividade para não deixar o time na mão no futuro em momento delicado do embate.

A vitória foi suada; o time precisou do tempo extra para realizá-la, como vimos. O Nuggets teve que tirar uma desvantagem de 18 pontos ao final do primeiro tempo. Houve defeitos, especialmente defensivos durante todo o período inicial, mas é mais fácil fazer os ajustes com vitórias do que com derrotas.

Importante dizer: Carmelo Anthony completou ontem seu segundo jogo da punição por dirigir embriagado no final de abril. Mas se o Denver não pôde contar com seu ala fominha e talentoso, o time californiano praticamente jogou sem seus dois principais jogadores, o armador Baron Davis e o pivô Marcus Camby. Davis, na verdade, atuou 13 dos 53 minutos que durou a partida, pois contundiu-se no início do segundo quarto, enquanto que Camby, também lesionado, nem em quadra entrou.

Com números apagados (9-19 nas bolas duplas, 1-5 nas triplas e 6-10 nos lances livres), Allen Iverson deixou a partida como herói. Tudo porque fez nove de seus 25 pontos na prorrogação. Ou melhor: nos últimos 3:35 minutos.

Como sempre diz Oscar Schmidt: cestinha tem que ser cara de pau, mesmo com a mão descalibrada, tem que continuar tentando. E foi o que Iverson fez.

Para quem a gente vai dar o motorrádio como melhor jogador em quadra? Como um dia disse Dadá Maravilha, o rádio vai para Iverson e a moto para Nenê.

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  1. Primeira
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  4. Última