Carmelo Anthony tem feito a diferença em favor do Denver. Na vitória de ontem diante do Clippers, em Los Angeles, por 106-105, ele teve novamente o pincel, o óleo e a tela nas mãos.
E o quadro que ele desenhou tem contornos bem definidos, que impressionaram os 14.934 torcedores que foram ao Staples Center, downtown LA. Melo terminou a partida com 30 pontos e 11 rebotes e exibiu um novo caráter em quadra. 
Alguém pode argumentar que ele gastou muita tinta, pois seu aproveitamento nos arremessos foi ruim: 8-21 (38%). De fato, mas Carmelo foi um jogador agressivo o jogo todo, prova disso é que bateu 16 lances livres e acertou 14, um grande aproveitamento de 87.5%
E dos 11 rebotes, havia me esquecido, quatro foram de ataque. É o que eu tenho dito aqui nesse nosso botequim: time que tem dois pivôs eficientes (Kenyon Martin e Nenê) e um ala com força e gana para pegar rebotes, tem um “frontcourt” poderoso.
E o Denver o tem.
Melo tem média de 8.8 rebotes por partida. Nenê tem 7.4 e Martin 7.2. Melo aproveita-se do trabalho corporal dos dois pivôs titulares do Nuggets para pegar as sobras num jogo de basquete – e que não são poucas.
FOMINHA
Estou, confesso, mudando meu conceito a respeito do comportamento de Carmelo Anthony (foto AP) em quadra. Não que eu o olhasse de maneira vesga, longe disso. Mudo porque Carmelo está mudando. Como escrevi, ele exibe, há alguns jogos, um novo caráter.
Parece-me que daquele jogador mimado e fominha pouco – ou quase nada – existe em sua personalidade. Melo não tem mais se comportado como uma prima-dona. Ao contrário, tem ajudado muito no trabalho de equipe.
E se é o cestinha do time na temporada com média de 20.5 pontos por embate disputado, é porque ele nasceu para pontuar. Uma de suas funções – a principal, eu diria – é definir os jogos em favor do time onde ele atua.
No caso, o Denver.
Mudo meu conceito a respeito de Carmelo Anthony porque ele amadureceu. Até prove em contrário.
FUNDAMENTOS
Penso que parte importante do processo de amadurecimento do jogador foi ele ter disputado os Jogos Olímpicos de Pequim. Carmelo Anthony fez parte de um grupo onde ele era mais um. Ao lado de Kobe Bryant, talvez o jogador que melhor entenda o jogo atualmente na NBA, ele assimilou lições importantes.
Além disso, voltou a trabalhar com seu antigo treinador de universidade. Jim Boeheim dirigiu Melo apenas um ano na Syracuse University. Tempo suficiente para eles ganharem um título do “college”, em 2003.
Ainda freshman, Anthony empolgou-se com a possibilidade de transformar-se em mais um milionário do basquete profissional norte-americano, largou a escola e foi parar na NBA. Perdeu importantes lições do jogo em equipe.
Reencontrou Boeheim e, tão importante quanto, foi dirigido por Mike Krzyzewski, “head coach” dos EUA nos Jogos de Pequim, treinador da Universidade de Duke, uma das que têm excelente programa de basquete entre todas as faculdades norte-americanas. Aprendeu nesse ano e pouquinho que esteve com o grupo o que dificilmente aprenderia em 20 temporadas na NBA.
Como se diz nos EUA, o universitário é um basquete de treinadores; a NBA é dos jogadores. No “college” o jogador aprende os fundamentos do basquete em equipe, na NBA ele se exibe.
CRESCIMENTO
Com o amadurecimento de Carmelo Anthony, cresce o Denver. Antes de a competição começar, a maioria dos analistas não colocava o time colorado entre os prováveis classificados para os playoffs desta temporada. Hoje, eles começam a mudar de opinião.
E o caso do Denver é semelhante ao de Carmelo. Muda-se de lado porque os elementos analíticos do momento são outros.
O Nuggets é hoje o terceiro colocado na Conferência Oeste, atrás apenas de Lakers e Phoenix. Venceu oito de seus últimos dez embates. Uma vitória nesta madrugada (1h30 de Brasília) diante do New Orleans, em casa, equipara sua campanha com a do Suns e o coloca na segunda posição no Oeste.
Mas não vai ser fácil; enfrentar Chris Paul é parada dura, mesmo dentro de casa e diante de sua torcida.
RESERVA
Alguém disse aqui em nosso botequim que Anthony Carter é fraco. Compactuo com a opinião.
Quando Chauncey Billups precisa descansar ou está carregado em faltas ou mesmo numa noite de pouca inspiração, recorrer a Carter é um perigo. Ontem ele quase colocou tudo a perder ao ser desarmado no meio da quadra e proporcionar um tiro de três de Baron Davis que inflamou o adormecido Staples Center.
George Karl precisa conversar urgentemente com Mark Warkentien, vice-presidente de basquete da franquia, para encontrar no mercado um jogador que possa resolver a questão.
Esse cara, definitivamente, não é Anthony Carter.
BILLUPS
Desde que a troca entre Chauncey Billups foi realizada, o Denver tem a seguinte campanha: nove vitórias e apenas duas derrotas. Alguém duvida que foi um baita de um negócio para o Nuggets?
Ontem Billups não foi bem na pontuação. Fez apenas sete pontos (2-10, 20%). Em compensação, deu 11 assistências, numa clara demonstração de sua maturidade em quadra.
Ou seja: já que as bolas não caem, que sejam entregues para quem está pontuando.
Carmelo Anthony recebeu a maioria dessas assistências.
NENÊ
O brazuca voltou a jogar bem. Pena que no último quarto abusou do direito de fazer faltas e deixou a partida mais cedo. Nenê poderia ter feito mais do que os 17 pontos anotados e os nove rebotes apanhados.
Ele cometeu nada menos do que três faltas no quarto derradeiro. A última coisa que passou pela minha cabeça, vendo a partida, é que isso pudesse ocorrer.
Coisas do jogo.
Tenho ouvido críticas a respeito dos números de Nenê. Elas vão direto à sua média de rebotes. Jogador com o tamanho dele tem que ter um double-double de média, dizem.
Pergunto: vocês sabem quantos pivôs têm um double-double de média na atual temporada? Três. A saber: Dwight Howard, Andris Biedrins e Al Jefferson.
Fora desta lista estão Shaquille O’Neal, Yao Ming, Rasheed Wallace, Jermaine O’Neal e Andrew Bynum, por exemplo.
Claro que se a gente colocar os alas/pivôs a lista do pessoal com duplo dígito em pontos e rebotes aumenta. Mas eu penso que existe uma cobrança muito grande por parte de muitos pra cima do Nenê.
A gente não pode se esquecer que ele ficou praticamente uma temporada do lado de fora. E travou uma árdua batalha contra o câncer.
Está retomando os trabalhos. E em grande estilo.
AH QUE BOM SERIA…
O Chicago endureceu o jogo ontem. Desta vez foi diante do San Antonio, no Texas. Poderia ter vencido; mas não venceu. Perdeu por 98-88.
Falta ao Chicago outro jogador decisivo. O time tem Derrick Rose e Ben Gordon. E quem mais? Mais ninguém.
A franquia acabou de assinar um contrato de seis anos com Luol Deng. Fez bobagem – e gastou os tubos. US$ 71 milhões serão dados ao jogador nesta meia-dúzia de anos.
Antes de a temporada 2010/11 começar, quando muitos jogadores estarão no mercado, disponíveis, entre eles LeBron James, Dwyane Wade, Amaré Stoudemire e Chris Bosh, o Bulls estará com US$ 27.2 milhões de sua folha de pagamento comprometidos. Além de Deng (US$ 11.3 milhões), gente como Andres Nocioni, que não decolou na NBA, e Kirk Hinrich estarão ganhando, juntos, US$ 15.8 milhões.
Um desperdício.
John Paxson precisa dar um jeito nisso, pois o Chicago é o time onde Michael Jordan tornou-se o maior jogador de basquete de todos os tempos.
Quem não gostaria de vestir esta camisa tricolor? Dá para pensar em um desses caras que estarão disponíveis, como disse, em 2010.
QUEM É PIOR?
Responda rápido: quem é pior, o Oklahoma City ou o Ipatinga?
SONOLENTO
Alguém conseguiu assistir todo o jogo entre Cleveland e Oklahoma City? Eu não consegui. Fiz um esforço hercúleo, mas não foi possível.
Dei umas olhadas na partida, atentei-me ao jogo de Anderson Varejão e quando a diferença passou da casa dos 30 pontos, mudei para o enfrentamento do Boston com o Golden State.
Mesmo com LeBron James atuando apenas 17 minutos – desgastar o cara pra quê? –, o Cavs venceu por 35 pontos de diferença: 117-82. King James anotou só 14 pontos.
“É sempre bom descansar, pois vocês [jornalistas] sabem como é longa a temporada”, disse LBJ depois da partida, nenhum pouco contrariado com a decisão do técnico Mike Brown.
Varejão fez o de sempre: sete pontos e igual número de rebotes.
E todos foram felizes para casa.
RESPOSTA
O Oklahoma City, claro, pois a franquia vai gastar US$ 58.3 milhões nesta temporada, dinheiro que o Ipatinga jamais terá a seu dispor não em uma, mas em dez temporadas juntas. Dez? Ouvi alguém falar em 15, mas que sabe 20 não seria mais preciso.
O Thunder tem a pior campanha da NBA: uma vitória e 15 derrotas. Até de técnico já trocou.
DIGRESSÃO
Não acho que seja uma digressão, mas voltemos ao jogo do Chicago para falar do San Antonio. Com o triunfo diante do Bulls, o Spurs conseguiu sair do negativo em seus embates caseiros. Agora são quatro vitórias e quatro derrotas.
Isso acontece pela primeira vez nesta temporada.
Para isso, muito contribuiu o pivô Tim Duncan, que marcou 21 pontos e apanhou oito rebotes defensivos. O argentino Manu Ginobili fez 15 pontos, três rebotes e quatro assistências, uma delas para um chute longo de três de George Hill para entrar nos anais da NBA.
Jogou só 18 minutos. No banco, muitas foram as ocasiões em que a tevê o mostrou fazendo caretas desenhadas pelas dores que ainda sente no tornozelo esquerdo.
Só espero que não dê zebra na cirurgia e na recuperação. A mim ficou bem claro que Manu mancou o tempo todo que esteve em quadra.
GOOD NEWS
Tony Parker vai ficar mais duas semanas fora de ação, mas já corre. O tornozelo não o incomoda mais como antes.
A tevê exibiu cenas do francês correndo pelo belíssimo parquete do AT&T Center antes do confronto contra o Chicago começar. Trabalho feito, Parker tomou banho, colocou um de seus ternos favoritos – seria presente de Eva Longoria? – e assistiu à partida.
Em 15 dias, como disse, os três tenores do Texas estarão soltando a voz, juntos, novamente. E pela primeira vez nesta temporada.
Azar de quem não tirou uma lasquinha pra cima deles.
ELE VOLTOU
Leandrinho, o outro brazuca da NBA, voltou aos trabalhos. Foi na segunda-feira, quando fez alguns arremessos ao lado dos companheiros e do técnico Terry Porter.
Do lado de fora da quadra, Artur, seu irmão mais velho, e dois sobrinhos, a dar um suporte ao jogador. E a eles mesmos, pois todos, neste momento, ainda sentem o passar de D. Ivete, a mãe do jogador, que morreu no dia 13 passado.
Ontem Leandrinho voltou a jogar. E bem.
Foram apenas 18 minutos na vitória do Phoenix sobre o Minnesota por 110-102. Registrou, nesse curto espaço de tempo, nove pontos, um rebote e também um desarme.
Foram nove arremessos tentados e quatro no alvo, sendo um deles de três. Mas, ainda desfocado, bateu dois lances livres e errou ambos. Cometeu dois erros, que vamos desconsiderar.
A vida recomeça para Leandrinho.
WORKMAN
Vendo o jogo do Denver, lá pelas tantas, o locutor referiu-se a um dos árbitros do trio que apitou a partida. E falou em Haywoode Workman.
Pensei comigo mesmo: seria o ex-armador do Indiana Pacers? Esperei uma das câmeras de tevê dar um close. Quando deu, não tive dúvidas: era ele mesmo.
Quem acompanha a NBA lembra-se muito bem de Workman. Ele era um dos armadores do time do Indiana de Reggie Miller que tanto trabalho deu a Chicago e New York na época em que Michael Jordan estava em ação.
Workman jogou oito temporadas na NBA. Foram 359 jogos, deixando a seguinte marca: 5.5 pontos, 3.9 assistências, 2.3 rebotes e um desarme em 20.1 minutos de média. Ganhou quase US$ 7 milhões neste tempo todo.
Para não ficar no ócio e perder a forma e ser um atrativo para doenças decorrentes, Workman começou a apitar jogos de basquete. Claro que também para trabalhar, porque tem gente que tem horror à vagabundagem – felizmente.
Foi encorajado por Bob Delaney, um dos mais experientes árbitros da liga. Começou arbitrando jogos sem grande importância na Flórida. Depois fez o mesmo em ligas menores em Venice Beach, Califórnia. Na seqüência, pulou para a CBA, arbitrou jogos das liga de verão da NBA, foi para a NBDL, trabalhou em jogos da pré-season da NBA, até que debutou esta temporada.
Fiquei feliz com o que vi. Boa sorte, Haywoode!
TORCIDA
Os votos não param de chegar – e isso me deixa muito feliz. Já computamos 70! Apareceu, finalmente, um torcedor do New York, o Rogério Freire, e outro do Indiana, o Hugle (não deixou sobrenome).
O novo quadro é este:
1) Lakers – 25.7%
2) Chicago – 15.7%
3) Phoenix – 10.0%
4) Boston – 8.6%
5) Detroit – 7.1%
6) San Antonio – 7.1%
7) Cleveland – 5.7%
8) Denver – 2.8%
9) Houston – 2.8%
10) Miami – 2.8%
11) Toronto – 2.8%
12) Dallas – 1.4%
13) Indiana – 1.4%
14) Minnesota – 1.4%
15) New Jersey – 1.4%
16) New York – 1.4%
17) Philadelphia – 1.4%