MARTIN FOI DECISIVO PARA O DENVER
O resultado não diz o que foi a partida. Quem vê Denver 114-101 Chicago, vai achar que foi moleza.
Não foi.
O Bulls deu muito trabalho ao Denver, especialmente no final do terceiro quarto e início do último período. Esteve dois pontos na frente (99-97) a pouco mais de cinco minutos para o encerramento do confronto, quando o Nuggets fez uma corrida de 17-2 e colocou um ponto final na questão.
Carmelo Anthony foi importante para que o jogo terminasse em vitória dos anfitriões. Uma bola de três colocou o time na frente em 100-99 e na seqüência ele deu uma enterrada espetacular – mas nem de longe semelhante às de LeBron James – e jogou o time três pontos à frente.
Chicago pede tempo; os 16.202 torcedores quase derrubam o Pepsi Center contagiados pela reação do time e pela enterrada de Melo.
O tempo dos visitantes foi infrutífero, como se viu.
CLUTCH PLAYER
O termo define jogador que cresce nos momentos decisivos. Se Carmelo Anthony incendiou o Pepsi Center, como vimos, o cara do Denver nesse momento derradeiro foi Kenyon Martin (foto AP).
O maluco ala/pivô do Nuggets marcou oito pontos, apanhou quatro rebotes, deu uma assistência e um toco nos cinco minutos finais. Deixou a quadra como o melhor jogador da partida.
Seus números finais: 26 pontos (sua maior pontuação na temporada), oito rebotes (dois no ataque), dois tocos e um desarme.
Levou o moto-rádio.
TRIPLE-DOUBLE
Carmelo Anthony quase fez seu primeiro “triple-double” da temporada. Deixou a quadra com 21 pontos, 13 rebotes (três de ataque) e oito assistências. Duas a mais e seu sonho seria realizado.
Jogou muito, mas o moto-rádio ficou mesmo com Kenyon Martin pelo final da partida.
NENÊ
O são-carlense também brilhou nesse triunfo dominical. Nenê anotou 21 pontos (um a menos do que na vitória em LA diante do Clippers, sua fartura nesta competição), pegou seis rebotes (nenhum no ataque, isso não é bom), deu duas assistências e fez o mesmo número de desarmes.
E três tocos; o último deles, aliás, um primor, pra cima de Drew Gooden. Faltavam cinco segundos para o final do jogo (placar definitivo em 114-101) e Gooden quis fazer a graça de arremessar, quando todos sabemos que esse “garbage time” é feito para não se fazer nada.
Gooden arremessou e Nenê encarou o desafio. O medonho jogador do Bulls quase caiu no colo dos jogadores do Denver depois do toco recebido.
Foi o momento de Nenê na partida.
MÃO NA FORMA
Nenê, como vimos, terminou o embate com 21 pontos. Acertou sete de suas 13 tentativas, o que dá um aproveitamento de 53.8%.
Pouco para o seu rendimento na temporada. Se você não sabe, Nenê é o líder no fundamento neste campeonato. Estava com 64.7% de acerto, mas viu seu aproveitamento cair para 63.6% pelo desempenho de ontem.
O brazuca 31 do Denver errou bolas incríveis, especialmente uma ao final do primeiro quarto, sozinho, diante do aro. Ao invés de cravar, tentou uma largadinha que o deixou na mão.
REBOTES
Como falei acima, Nenê não foi bem nos rebotes. Seis é pouco para o seu tamanho – vertical e horizontal.
Nenê é grande pra xuxu; é visível. Na ficha da NBA, ele aparece com 2m11 de altura e 118 quilos. Músculo puro; nada de gordura.
Já vimos que ele usa muito de seu tamanho pra tirar os grandalhões oponentes do garrafão e abrir espaços para Kenyon Martin e Carmelo Anthony se fartarem nos rebotes. Mas Nenê precisa dizer para os companheiros: eu também quero pegar rebotes.
Por mais que o técnico George Karl e seus assistentes saibam do trabalho coletivo de Nenê, estatística conta.
E muito.
ZEBRA
O Minnesota entrou em quadra ontem à noite diante do Pistons, em Detroit, com um recorde de 2-9 (18.1%) e 0-5 “on the road”. Tinha pela frente um adversário favorito ao título da Conferência Leste e que conta com jogadores como Allen Iverson, Rip Hamilton e Rasheed Wallace.
E uma torcida feroz. Auburn Hills é o último destino escolhido pelos times da NBA. Dizem que é pior do que Salt Lake City.
E não é que deu Minnesota? 106-80. Isso mesmo, 26 pontos de vantagem.
Depois tem gente que diz que no basquete não tem zebra. Que o melhor sempre vence, isso e aquilo.
O que tem no basquete é que o sistema de playoffs não possibilita zebras. Mas ela pode ocorrer em uma partida ou outra, como vimos.
Os 22.076 torcedores viram-na desfilar ontem pelo impecável parquete do Palace of Auburn Hills. Sim, no basquete também tem zebra.
REGISTRO
Só para não deixar passar em branco: desde que Allen Iverson chegou, o recorde do Detroit é o seguinte: quatro vitórias e cinco derrotas. No revés de ontem ele marcou nove pontos (3-11) e deu apenas duas assistências.
Em contrapartida, seu rival, Randy Foye (foto AP), anotou 23 pontos e deu 14 assistências.
FAB FOUR
Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen são as três estrelas do Boston. São conhecidos como “The Big Three”. Os oponentes tremem diante deles.
Foi assim na temporada passada. Nesta, a história está se repetindo, pois o Celtics tem a segunda melhor campanha da NBA com um recorde de 12-2 (86.7%), atrás apenas do Lakers, que fez até agora 11-1 (91.7%).
Garnett, Pierce e Allen seguem barbarizando, mas um baixinho quer mudar a denominação estelar do Boston de “The Big Three” para “Fab Four”. Já escrevi e não custa repetir: Rajon Rondo será eleito o “Most Improved Player” desta temporada.
Ontem em Toronto ele calou os 19.800 torcedores que foram ao Air Canada Centre imprimindo um ritmo intenso no início da partida, o que possibilitou ao Celtics começar o encontro com um 10-0. Ginásio mudo, o Boston foi, após esse início avassalador, foi deslanchando aos poucos na partida, abriu uma diferença de 24 pontos e se deu ao luxo de poupar suas três estrelas.
Pierce atuou 24 minutos, Garnett 29 e Allen 31. Isso, mesmo jogando em quadra estrangeira e contra um oponente que não é de se desprezar, pois são poucos os times que podem contar com Jermaine O’Neal e Chris Bosh no pivô.
Poupou, é verdade, suas quatro estrelas, pois Rondo aloprou os oponentes apenas durante 26 minutos. Mas o suficiente para escrever a história da partida: Boston 118-103.
DEFESA
Se o Lakers voltou a vencer, sua defesa voltou a preocupar. Nos últimos cinco jogos, o time sofreu mais de 100 pontos em três deles. Detalhe: todos dentro de casa.
Antes de a temporada começar, Phil Jackson e companhia disseram que a defesa seria o diferencial do time nesta temporada. O começo foi muito bom, pois nos 7-0 iniciais em nenhuma partida o adversário atingiu a contagem centenária.
Mas bastou perder para o Detroit, em LA, por 106-95, no jogo que quebrou a invencibilidade da equipe, que a defensiva amarelinha abriu o bico.
Na vitória de ontem diante do Sacramento – nem precisa dizer que foi em Los Angeles, pois já abordamos este assunto –, o fraco adversário conseguiu marcar 108 pontos. Mas o ataque resolveu a questão ao registrar 118.
Quer dizer: o Lakers ganhou graças ao seu poderio ofensivo. Nada menos do que oito jogadores terminaram a partida com dez ou mais pontos. Ou, como eles dizem, com um “double-digit”.
Kobe Bryant foi o cestinha com 24 pontos, depois vieram Pau Gasol (16), Andrew Bynum (15), Lamar Odom (14), Vladimir Radmanovic (12), Trevor Ariza (11) e Derek Fisher e Jordan Farmar (dez pontos cada um).
Os 118 pontos anotados foram a maior pontuação do time nesta temporada, registre-se
Festa no vestiário? Nada disso; veja o que Kobe falou:
– Eu não estou satisfeito com esta vitória. Nós não melhoramos esta noite. Nós poderíamos ter feito uma defesa mais forte.
O Sacramento teve um aproveitamento de 53.4% de seus arremessos. Muito para quem quer recuperar um título que não vem há seis temporadas.
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