UM VICE COM SABOR DE TÍTULO
Uma pena: o Brasil acabou de perder para os EUA na decisão da Copa América Sub-18. Mas poderia ter vencido. O resultado final mostra isso: 81-78.
Nosso selecionado passou boa parte do segundo tempo na frente. Virou, aliás, o primeiro na frente em um pontinho: 35-34. Mas não conseguiu fechar um jogo que poderia ter ganhado.
Cometeu um erro que não pode ser chamado de grave até pela nossa cultura e pela precoce idade de nossos jogadores: abusou das bolas longas. Elas caíram em momentos importantes, mas perdemos muitos ataques desta maneira. Fizemos 8-21 (38.1%).
Poderíamos e deveríamos ter usado mais nosso pivô Lucas Nogueira, um gigante em todos os sentidos (2m10 de altura de acordo com o site da CBB). Ele foi disparado o melhor jogador em quadra. Até este momento, não sei se ele foi eleito o MVP do torneio. Não deve ter sido, pois é hábito dar o troféu para um jogador do time campeão.
Mas Lucas bem que poderia deixar a quadra com este laurel. Fez 22 pontos (cestinha da partida), pegou 14 rebotes (reboteiro do jogo), deu três tocos (líder também da contenda neste quesito) e fez dois desarmes (“ladrão” da partida). Mas praticamente assistiu ao jogo no último quarto.
Pouco pegou na bola. Deveríamos e poderíamos ter usado mais o carioca de São Gonçalo e que joga, mesmo com 17 anos, no basquete da Espanha.
Destaque também para o nosso ala Felipe Vezaro. Num momento de carência de jogadores nesta posição, Felipe mostrou jogo e potencial. Anotou 17 pontos, tendo encestado três de suas cinco tentativas triplas. Demonstrou muita personalidade em quadra.
Quanto ao jogo, quando faltavam 3:47 minutos para o final do terceiro período, Gabriel Aguirre, da zona morta direita, empatou o cotejo em 51 pontos. A 2:04 minutos do fim, Raul Togni Neto levou a vantagem para sete pontos: 58-51.
Viramos o terceiro quarto novamente na frente: 63-58.
Durval Cunha, com uma cesta dupla, aumentou a vantagem brasileira para nove pontos com apenas 47 segundos de bola pingando no último quarto: 67-58. Foi a maior diferença a favor do Brasil.
A 4:12 minutos do final, os EUA voltaram a recuperar a liderança com um tiro duplo de Kyrie Irving: 74-72. A partir de então, o máximo que o Brasil conseguiu fazer foi empatar a partida em 78 pontos com um tiro certeiro de Raul Neto a 41 segundos da buzinada final.
No ataque seguinte ao tempo pedido pelo técnico Jeff Capel (Universidade de Oklahoma), Quincy Miller acertou também um arremate triplo e deu números finais ao marcador: 81-78.
O vice-campeonato foi um prêmio e tanto para um basquete que foi jogado no fundo do poço na administração anterior. Agora com Carlos Nunes no comando, estamos recuperando nossa dignidade e também nossa identidade.
A mudança no “staff” técnico das nossas seleções é um começo. Esse time sub-18 foi comandado por Walter Roese. Disse no texto passado que Roese tem ótima formação basqueteira. Passou boa parte de sua vida nos EUA jogando e treinando.
E agora coloca em prática tudo o que aprendeu mesclado com sua inteligência e intuição. Se no final abusamos das bolas de três, durante o jogo pudemos observar um time com jogadas e variações que possibilitaram pontos de todos os cantos da quadra: o Brasil fez 78 tentos; foi o time que mais machucou os EUA no torneio.
Mostramos também uma defesa forte. Limitamos os EUA a apenas 81 pontos. No segundo quarto, os EUA marcaram apenas 12 pontos, a menor produção americana em todo o torneio. Os 81 tentos norte-americanos foram, também, a menor pontuação deles na competição.
Foi uma pena não termos vencido. Mas o segundo lugar, e do jeito que jogamos, tem gosto de medalha de ouro. Afinal de contas, nossa seleção é fruto de um recrutamento feito em menos de duas dezenas, talvez, de clubes, enquanto que nos EUA, um país com mais de 300 milhões de habitantes, seu treinador mal pôde dormir com tantas opções que tinha, uma vez que todos os meninos e meninas daquele país passam sua vida escolar jogando, entre outras modalidades, o basquete.
Assim, até eu, Zé de Abreu. Quero ver ganhar títulos com a estrutura que temos. Quero ver ser vice-campeão, vendendo caro a vitória ao “Brasil do Basquete” com a estrutura que temos.
Quem deveria subir no lugar mais alto do pódio era o Brasil e não os EUA. Nossos meninos do sub-18 estão de parabéns; Walter Roese, nosso treinador, e todo o seu “staff” técnico também.
Vocês nos deixaram orgulhosos.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Carlos Nunes, CBB, Durval Cunha, Felipe Vezaro, Gabriel Aguirre, Lucas Nogueira, Raul Togni Neto, Walter Roese
Foi exatamente a seleção de Magnano que ganhou pela primeira vez de um time profissional dos EUA, no Mundial referido, em Indianápolis. Na ocasião, chegou à decisão do título, mas foi dobrada pela ex-Iugoslávia por 84-77, na prorrogação.





Mas, falava eu, sediar o torneio masculino pode ser o diferencial que o nosso selecionado precisa para garantir a vaga para os Jogos londrinos. Agora, é claro que vai depender muito do que vai acontecer no Mundial da Turquia, no ano que vem.