05/11/2009 - 13:03

Lendrinho e Thiago Splitter na seleção brasileira
Li em “O Estado de S.Paulo” desta quinta-feira entrevista com Leandrinho Barbosa. Nela, ele diz que vai fazer de tudo para que Nenê Hilário esteja no Mundial do ano que vem na Turquia.
Disse Leandrinho: “Nenê seria uma grande ajuda e ele sabe. É um dos pontos fortes do basquete brasileiro. Nós estamos tentando convencê-lo a participar do Mundial”.
Confesso que não consigo entender o que Leandrinho quis dizer. Afinal, Nenê não atendeu as duas últimas convocações do técnico Moncho Monsalve por estar doente.
Na primeira oportunidade, retirou um tumor testicular; na segunda, quebrou o braço.
Ao fazer uma afirmação dessas, Leandrinho dá a entender que Nenê não esteve na seleção porque não quis. E isso não é verdade.
Pior: deixa Nenê em uma situação difícil junto aos torcedores, pois muita gente realmente acredita que Nenê não vestiu a camisa 13 da seleção porque não quis. E isso não é verdade.
Creio que Leandrinho não quis dizer o que disse.
Seguramente, ele quis dizer algo do tipo: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente ao grupo, pois precisamos dele demais.
Sim, acho que foi isso o que Leandrinho quis dizer.
MONCHO
O presidente da CBB, Carlos Nunes, estará na Europa acompanhando o sorteio dos Mundiais masculino e feminino que ocorrerão ano que vem na Turquia e República Tcheca, respectivamente.
Aproveitará a viagem para visitar Moncho Monsalve. O espanhol passou por uma cirurgia na coluna e recupera-se bem — felizmente.
Ainda segundo “O Estado de S.Paulo”, Nunes disse que Moncho tem um “gênio impossível” e que isso pode pesar no momento da renovação do contrato do ibérico, que encerra-se no final deste mês.
O que Nunes quer dizer com isso? — pergunto novamente.
É certo que Nunes é o patrão (por ser o presidente da CBB) e Moncho o empregado. Mas o relacionamento entre eles é pouco e não deve ser decisivo no momento de se decidir o futuro.
O relacionamento de Moncho é intenso com os jogadores, isto sim. São eles é que têm que avaliar a convivência com o treinador.
Se Moncho é bom para os jogadores, é bom para a seleção. Consequentemente, é bom para o basquete brasileiro.
E a avaliação dos atletas quanto ao espanhol é excelente: nota 10. Os basqueteiros querem a permanência dele à frente do grupo.
É isso o que conta — o resto é perfumaria.

Lou Williams tenta superar Marquis Daniels, Shelden Williams e Eddie House
NBA
A rodada de ontem da maior liga de basquete do planeta confirmou que: 1) O Boston continua “on fire”; 2) O Denver também; 3) O Lakers está um pouco abaixo de ambos.
O melhor de tudo, pelo menos para nós, brasileiros, é a bola que Nenê Hilário vem jogando. No triunfo de ontem diante do New Jersey, do outro lado do Rio Hudson, por 122-94, o são-carlense marcou 16 pontos, pegou nove rebotes, deu quatro assistências e três tocos.
E mais: 5-6 nos arremessos de quadra.
Suas médias no campeonato: 14.6 pontos e 9.6 rebotes. Seu percentual de aproveitamento nos arremessos é de 60%: 24-40. Muito bom.
Nenê confirma o que todos nós sabemos: é o melhor jogador brasileiro de basquete na atualidade.
Leandrinho tem razão: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente à seleção, pois precisamos dele demais.
CANSAÇO
O primeiro parágrafo do texto do site da NBA que relata a vitória do Boston sobre Wolves, em Minneapolis, é muito bom. Traduzo-o para vocês:
“Suas pernas foram a razão pela qual o Celtics quase perdeu pela primeira vez. Suas cabeças foram a razão pela qual isso não aconteceu”.
Ou seja: o Boston teve dificuldades para defender porque faltaram pernas para seus principais jogadores, pois, todos sabemos, Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen e Rasheed Wallace não são mais crianças.
Mas a inteligência tática do quarteto e a compreensão que eles têm do jogo acabou evitando o primeiro revés da temporada.
Depois de 48 minutos de bola pingando aqui e ali, lá e acolá, o Celtics somou sua sexta vitória na competição: 92-90.
REENCONTRO
Ron Artest e Trevor Ariza reencontraram pela primeira vez suas ex-equipes. 18.291 torcedores lotaram o Toyota Center em Houston.
Estavam curiosos para ver como os dois se sairiam. No final, viram o óbvio: o desfile de Kobe Bryant em quadra.
O melhor jogador de basquete do planeta marcou 41 pontos e liderou o Lakers em mais uma vitória no torneio: 103-102. Mas não foi fácil; uma prorrogação foi necessária para se definir o vencedor.
E quem foi o “key factor” para que o Lakers vencesse o tempo extra por apenas um pontinho (11-10)? Sim, ele, “Black Mamba”.
Kobe marcou oito pontos e evitou a segunda derrota dos angelinos na temporada. Sua performance possibilitou, isto sim, o quarto triunfo na competição.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: Carlos Nunes, CBB, kevin garnett, Kobe Bryant, Leandrinho Barbosa, Moncho Monsalve, Nenê Hilário
16/10/2009 - 17:27
A briga vai ser boa; vamos ver se o Brasil leva essa também, depois de ter sido escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Falo do Pré-Olímpico de basquete masculino e feminino para os Jogos de Londres, em 2012. A CBB quer sediar os dois. A informação, fresquinha, é da Fiba Américas.
Penso que a CBB comete um erro. Deveria concentrar suas atenções e brigar para abrigar apenas o masculino, pois o fator quadra pode ser determinante para conseguirmos uma vaga.
No feminino, mesmo com um time que não é lá grande coisa, penso que dá para a gente se classificar mesmo que o torneio aconteça na Conchinchina – que hoje já não existe mais, diga-se.
Mas, falava eu, sediar o torneio masculino pode ser o diferencial que o nosso selecionado precisa para garantir a vaga para os Jogos londrinos. Agora, é claro que vai depender muito do que vai acontecer no Mundial da Turquia, no ano que vem.
Vamos torcer para que os EUA ganhem – assim, garantem automaticamente a vaga para a Olimpíada de Londres. Vamos torcer também para que a Argentina fique entre os cinco primeiros para abrir mais uma vaga para o nosso continente.
Se isso ocorrer, mais a vaga que é garantida para as Américas, teremos três disponíveis no Pré-Olímpico continental. Ganhando o Mundial, os EUA nem participam da competição.
Assim, brigariam por três vagas Brasil, Argentina, Porto Rico, Canadá e República Dominicana. Os demais figurariam no torneio.
Quer dizer, cinco postulantes a três vagas. E jogando no Maracanãzinho, por exemplo (gostaria muito que fosse na Arena HSBC, mas o pessoal do Rio diz que é longe de tudo e de todos e isso acaba por inviabilizar o uso do local), o Brasil vê suas chances crescerem demais.
Argentina, México, Venezuela e EUA (se o país não for campeão na Turquia) pleiteiam sediar também o Pré-Olímpico. Como o passado foi em Las Vegas (na foto AP, Alex Garcia observado por Guilherme Giovannoni e Pablo Prigioni no torneio de Nevada), talvez a Fiba Américas não escolha a terra do Tio Sam.
Se isso ocorrer, os americanos vão brigar para que a competição seja em Porto Rico ou no México, pois os jogadores da NBA não gostam de longas viagens. Na pior das hipóteses, Venezuela.
Nesse caso (de os EUA participarem do Pré-Olímpico), creio que Brasil e Argentina estão fora da disputa, pois, como disse, os norte-americanos vão vetar, creio eu.
O argentino Alberto García, secretário geral da Fiba Américas, informou que as federações têm até o dia 4 de dezembro próximo para apresentar suas candidaturas. Depois, em 25 de junho do ano que vem, a Fiba anuncia o país escolhido.
Que seja o Brasil – mas tem dado tanto Brasil ultimamente que eu estou achando que a gente vai dançar nessa.
Tomara que eu esteja errado.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro, outras
Tags: Arena HSBC, CBB, Jogos Olímpicos de Londres 2012, Maracanãzinho, NBA, Pré-Olímpico
05/10/2009 - 21:38
Leio no site “Basket Brasil” o desenrolar do episódio de ontem envolvendo o ala Marcelinho Machado. Está lá:
1) Carlos Eduardo Maya, vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, disse ter ficado contrariado com a atitude do jogador, mas garantiu que ele não será punido;
2) Maya disse ter entendido a reação do atleta rubro-negro, pois ele foi “visivelmente perseguido pelo Joinville, levou duas faltas violentas e ficou de cabeça quente”;
3) Maya prosseguiu e disse que “os árbitros estão muito mal preparados e atrapalham o espetáculo”;
4) A decisão do técnico Paulo Chupeta em não se envolver no episódio, segundo informa o site, será resolvida na base da conversa;
5) Concluiu Maya: “Muitas coisas são ditas de cabeça quente, e reitero que não pretendo punir ninguém porque foi um torneio amistoso, e achei que não foi culpa nem do meu jogador, nem do técnico e nem do supervisor”;
6) Kouros Monadjemi, presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), garantiu que os jogadores serão vigiados com muita atenção no próximo NBB e as punições serão severas;
7) E declarou: “Lamentei a atitude do Flamengo e de seu jogador. O Marcelinho é um líder, um ídolo do basquete, e isso não condiz com seu comportamento no jogo. Fatos assim não poderão ocorrer no campeonato da LNB, não serão tolerados. Isso não pode se repetir no NBB. O jogador expôs seu clube, o time e o anfitrião, em um torneio amistoso”;
8) Monadjemi não falou em punição, pois o torneio é amistoso;
9) O presidente da CBB, Carlos Nunes, está viajando, mas a entidade soltou uma nota dizendo que a punição a Marcelinho Machado e ao Flamengo só ocorrerão se o Joinville levar o caso à Federação Catarinense de Basquetebol, que encaminha ou à CBB ou ao TJD.
Este iG publica matéria em que o Joinville afirma que não vai deixar tudo acabar em pizza. O documento diz o seguinte: “O ato de indisciplina não pode ficar impune. Os dirigentes do basquete de Joinville acionarão a Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), representando contra este ato, que não só deslustrou a decisão, mas investiu contra os mais elementares princípios do esporte. Pedimos escusas ao grande público presente, que pretendia assistir ao jogo, que foi organizado com todos os requisitos exigíveis”.
Na mesma matéria, o supervisor técnico do Flamengo, André Guimarães, também em comunicado oficial, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou que o atleta será punido por seus atos. “Foi um ato isolado, que não foi apoiado pelos demais companheiros de equipe. Comunico que Marcelinho vai ser chamado pela diretoria e cobrado por suas atitudes”.
Mas isso significa punir? Sei não. Além do mais, Guimarães apita menos do que Maya, que é vice-presidente, e garantiu ao site “Basket Brasil” que não vai punir o atleta.
Resumindo: punição, se houver, vai ser por parte do TJD, na representação que será feita pelo Joinville. O Flamengo, a mim pelo menos ficou muito claro, não pretende punir o atleta; e a CBB também não vai tomar posição alguma.
Se houvesse profissionalismo, o Flamengo puniria o jogador e a CBB também, pois ela é a entidade maior do basquete brasileiro.
Mas vamos aguardar um pouco mais pelo desenrolar final dos fatos.
(Mas sabe o que eu acho mesmo? Vai tudo acabar em pizza, pra não contrariar a vocação deste país, que adora uma impunidade.)
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, basquete brasileiro
Tags: André Guimarães, Carlos Eduardo Maya, Carlos Nunes, CBB, Flamengo, Joinville, Kouros Monadjemi, Marcelinho Machado, Paulo Chupeta, TJD
15/09/2009 - 00:21
É, desta vez tudo foi diferente. Aquele Brasil arrasador do primeiro amistoso contra a Argentina deu lugar a um Brasil confuso e por isso mesmo perdido em quadra.
Foi dominado grande parte da contenda e só conseguiu vencer por 77-71 este segundo amistoso diante das portenhas depois de terminada a primeira prorrogação. No tempo normal não teve competência para dobrar as rivais sul-americanas, deixando o prélio terminar empatado em 66 tentos.
O time do técnico Paulo Bassul foi um manancial inesgotável de equívocos.
A quantidade de erros apresentados chamou a atenção (infelizmente, o site da CBB não disponibiliza o “boxscore” da partida; deveria, mas não o faz); o time sucumbiu na maioria das vezes à marcação pressão; esteve perdido na armação das jogadas; arremessou pouco do perímetro; teve um aproveitamento ruim nos arremessos de três.
E tudo isso diante da Argentina!
Mas nem tudo foram problemas; houve uma coisa boa nisso tudo. A atuação da ala/pivô Franciele Nascimento foi o oásis na secura de virtudes que foi o nosso selecionado.
A paulista anotou 24 pontos e fisgou 12 rebotes. Foi a única atleta em quadra a anotar um “double-double”.
Fran, como é chamada pelas companheiras, tem apenas 21 anos. É da nova geração e representa um pouco de luz no fim do túnel deste confuso basquete feminino brasileiro.
Joga pelo Cáceres da Espanha. Tem na altura seu maior adversário, pois mede 1m87.
Dez centímetros a mais e com a qualidade de jogo que dispõe, seria uma jogadora dominante. Que compense a mediana estatura com garra e posicionamento.
O futuro está à sua disposição, Franciele. Cabe a você aproveitá-lo ou não.
PROTESTO
Chegou a vez das nossas meninas. O post da manhã desta segunda-feira foi sobre a partida de sábado da nossa seleção diante da Argentina.
Foram postados, até o momento que escrevo este texto, apenas quatro comentários, sendo que apenas um deles se referia à nossa seleção de saias.
Pergunto: vocês não querem saber da seleção feminina?
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, Seleção Brasileira, basquete brasileiro
Tags: CBB, Franciele Nascimento, Paulo Bassul
11/08/2009 - 20:04
A CBB informa em seu site oficial que a Assembléia Geral Extraordinária realizada ontem no Rio em um hotel em Ipanema aprovou um novo estatuto. Participaram 24 dos 27 presidentes das federações filiadas.
A principal mudança, segundo o informativo, é que está definido que só poderá haver uma reeleição. Ou seja: Carlos Nunes, o atual presidente, tem direito a ficar no máximo quatro anos.
O que eu acho?
Acho que se o cara é competente ele tem o direito de ficar. Já pensou se o David Stern tivesse que deixar a NBA em 1988, quatro anos depois de ter assumido a liga?
Tenho dúvidas se a liga seria a potência que ela é hoje. Stern, definitivamente, foi o cara que profissionalizou a entidade e tirou-a das trevas.
Naquela época, se você não sabe, a NBA era associada a jogadores drogados e a times falidos.
Precisou de tempo para Stern mudar esse cenário. Em quatro anos seria impossível.
Mas ele só ficou – como ainda está – porque é competente. Por isso fica; por isso é remunerado – e muito bem.
O que se comenta é que ele ganha US$ 10 milhões por temporada. Mais do que Lamar Odom, por exemplo.
Bem, mas isso funciona lá, onde tudo é preto no branco e a NBA é uma empresa, controlada pelas franquias. Tem que dar lucro; se não der, cai fora. Se der, por que mudar?
Não há motivos.
Aqui no Brasil, no entanto, onde o que impera é o amadorismo, essa alternância de poder é salutar e importante. De repente a gente encontra um David Stern, já pensou?
E se encontrar, ele terá de sair daqui a quatro anos? Sim, infelizmente, pois neste país muitos pagam pelo que outros tantos fazem de errado, pois não há punição.
Se os velhacos fossem enjaulados, isso não aconteceria. A alternância é importante para que pessoas não se locupletem.
Sou obrigado a dizer: nem todos, nem todos, mas a maioria sim.
Infelizmente.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, NBA, basquete brasileiro
Tags: Carlos Nunes, CBB, David Stern, NBA
02/08/2009 - 23:05
Leio no site da CBB que o Rio de Janeiro será sede de um Super 4 brasileiro. Ótimo, a idéia vai ao encontro do que escrevi aqui neste blog.
O evento acontecerá neste próximo final de semana, no Rio de Janeiro. Local: Maracanãzinho (por que não se jogar na Arena HSBC? Muuuuuuito mais bonita do que o veterano Maracanãzinho).
Os jogos serão na sexta-feira e no sábado. E ficarão restritos ao SporTV.
Nada contra o SporTV. Aliás, o SporTV tem nos municiados com eventos e mais eventos e se não fosse ele a gente estaria perdido.
Ou você não acompanhou o Mundial de Esportes Aquáticos de Roma? Não viu César Cielo em ação? Então, não sabe o que perdeu.
O problema é que no Brasil, ao contrário dos EUA, uma pequena parcela da população tem acesso à tevê a cabo. Ou seja: poucas pessoas estarão assistindo a competição.
O ideal seria, como disse no nosso papo anterior, a exibição na Rede Globo, para que todo o país pudesse acompanhar a seleção e se familiarizar com nossos jogadores. Especialmente com talentos como Leandrinho, Anderson Varejão e Tiago Splitter.
Não consigo entender é como é que a CBB não conseguiu vender um jogo do Brasil contra a Argentina no domingo pela manhã para ser exibido dentro do Esporte Espetacular.
Acredito que a emissora abriria suas portas, pois qualquer confronto entre brasileiros e argentinos mobiliza os torcedores, não importa a modalidade, gerando interesse, que é o que interessa para as emissoras de televisão.
Para piorar, como disse, a tabela, ao invés de reservar três dias de competição – ou seja, um contra todos –, ficou restrita a dois dias.
O Brasil estréia contra o Uruguai na sexta-feira, às 19h, e na sequência a Argentina pega a Austrália. No dia seguinte, no mesmo horário, os dois perdedores se enfrentam e em seguida os vencedores decidem a competição.
Isso quer dizer que a seleção vai se confrontar ou contra a Argentina ou contra a Austrália. Com os dois – que é o que interessa –, nem pensar, pois argentinos e australianos se pegam e um elimina o outro.
Uma pena: ótima idéia, mas mal executada – como sempre.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Basquete europeu, Seleção Brasileira
Tags: Anderson Varejão, CBB, leandrinho, Tiago Splitter
29/07/2009 - 21:52
A CBB desistiu de mandar o time brasileiro para participar do Super 4 na Argentina. Motivo: a gripe suína.
Alguns podem achar que houve exagero, mas creio que não. A entidade acertou em mostrar preocupação com a transmissão do vírus H1N1.
Alguém também pode argumentar que os casos crescem muito por aqui. É verdade também, mas a situação na Argentina é muito pior.
Em percentual, é o país com o maior número de mortes em todo o planeta. Em números absolutos, perde para os EUA.
O Brasil está muito atrás.
Alguém pode igualmente argumentar que o Cruzeiro disputou a final da Libertadores e ninguém se infectou em La Plata. Verdade; mas correu-se um grande risco.
Em termos esportivos, a decisão da CBB teria provocado reação por parte da Fiba. Ao tomar conhecimento da decisão brasileira, a CBB teria sido repreendida pela entidade mundial.
Alberto Garcia, secretário da Fiba no continente americano, teria ameaçado excluir o Brasil da Copa América caso nosso país não mandasse representante para o Super 4.
Coloquei tudo no condicional porque oficialmente a Fiba não se manifestou. Mas ao decidir mandar o Paulistano para participar do torneio na Argentina, fica muito na cara que realmente a CBB foi ameaçada pela Fiba.
Um absurdo. A situação da gripe suína é preocupante e o posicionamento da CBB é bastante compreensível.
Mas diante da ameaça, não havia o que fazer.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, basquete brasileiro
Tags: Argentina, CBB, Seleção Brasileira, Super 4
12/07/2009 - 21:55
Em entrevista ao programa “Esporte Fantástico” da Rede Record, Iziane disse com todas as letras: “Eu e o Paulo [Bassul, treinador da seleção brasileira] não temos condições de trabalhar juntos”.
Em outras palavras, recusou, via televisão, a convocação feita no mês passado. O que mostra, uma vez mais, quem é Iziane.
Ao invés de comunicar oficialmente sua decisão, telefonando ou mandando uma mensagem via e-mail para a CBB, ela pega a todos de calças curtas com seu comportamento. Não teve nem a cortesia de telefonar para Hortência Marcari, responsável pelo departamento feminino da CBB, que tanto vem lutando para sua reintegração ao time nacional.
A mim, no entanto, não me surpreende. Sim, pois quem se posicionou daquela maneira no Pré-Olímpico da Espanha, recusando-se a entrar em quadra num momento em que vestia a camisa da seleção brasileira, pode fazer isso e muito mais.
É chegado o momento de esquecermos Iziane – é isso o que ela pede com seu comportamento. Uma pena, pois ela tem talento e poderia ser muito útil à seleção e também à propagação da modalidade no Brasil.
Com seu basquete vistoso e eficiente, poderia levar nosso time a vitórias importantes. Com seu basquete vistoso e eficiente, poderia, com a camisa da seleção, seduzir muitas meninas que passariam a praticar a modalidade, aumentando a base desse esporte no Brasil.
Infelizmente, Iziane assim não quer. Como disse Bassul, ao tomar conhecimento da declaração da jogadora, é um direito dela.
Portanto, bola pra frente, rapaziada; Iziane é passado.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, basquete brasileiro
Tags: basquete, CBB, Iziane, Paulo Bassul, Seleção Brasileira
01/07/2009 - 19:40
Como todos nós estamos carecas de saber, Anderson Varejão optou por testar o mercado. Com isso, não fez valer o seu contrato com o Cleveland para a próxima temporada, que lhe daria algo em torno de US$ 6.2 milhões.
O capixaba pretende ganhar mais e deseja também um contrato maior, pois o atual encerra-se ao final da próxima temporada. Quer dizer, ano que vem, antes do Mundial da Turquia, haverá a mesma ladainha se o acordo for apenas pelo próximo campeonato.
Assinar um novo compromisso com algum time e com um tempo de duração de uns cinco anos, imagino eu, é tudo o que Varejão quer. E ele está mais do que certo; eu faria o mesmo.
Muito bem, dito isso, vamos à página dois desta história. O capítulo chama-se “Seguro”.
A CBB informa que acabou de fazer um seguro para Leandrinho no valor de US$ 18 mil. Chegou-se a esta quantia com base no contrato que o jogador tem com o Suns.
Muito bem, dito isso, vamos à página três desta história. O capítulo chama-se “Seguro do Varejão”.
A CBB informa que não pode fazer um seguro para o ala/pivô capixaba porque ele não tem contrato com nenhum time da NBA no momento, o que é verdade. Por isso, diz o presidente da entidade, Carlos Nunes, o jogador corre o risco de não participar da Copa América de Porto Rico, que começa no final do mês de agosto.
Varejão teria, portanto, pouco mais de um mês para decidir sua vida na NBA. Tempo suficiente, creio eu, para que ele se acerte com algum time – inclusive o próprio Cleveland, por que não?
Muito bem, dito isso, vamos à página quatro desta história. O capítulo chama-se “Se quiser, eu jogo”.
O fato de não ter um contrato com um time da NBA e, consequentemente, impossibilitar a CBB de fazer um seguro, não impede de jeito nenhum Varejão de participar da Copa América. Ele está livre para jogar onde e quando quiser.
O que Varejão não quer é correr riscos. Claro, pois se acontecer uma contusão grave e não houver um seguro, ele ficará completamente desamparado.
Já pensou se acontece o pior? (batamos todos na madeira: toc!toc!toc!). Como é que ele fica?
Portanto, é legítimo da parte do jogador não entrar em quadra se não houver um seguro, fruto de um novo contrato na NBA. Eu faria o mesmo.
Mas vamos deixar claro uma coisa: se quiser, Varejão joga; o que ele não quer é correr risco de espécie alguma.
Eu também não correria.
DEPOIMENTO
A seguir, reproduzo na íntegra, com o devido consentimento, o importante depoimento do nosso parceiro Humberto Alexandre, que mora em Brasília. Caso algum de vocês não tenha lido a mensagem do Humberto, veja o que ele escreveu:
“Sormani, não se iluda com o basquete em Brasília não, este time que temos é formado por interesses políticos e de mídia de empresas e do governo do DF.
O que conta aqui é o descaso e a elitização do esporte. Não existe apoio governamental, pois as quadras públicas estão em estado lastimável e a Federação só existe no Plano piloto ou nos clubes/colégios de classe alta.
Não surgirá um novo basquete no Brasil se ele não emergir das ruas, das pessoas que comecem a praticar por prazer e livremente, para daí então procurarem os clubes e a federação.
Meu filho de nove anos, ao ir comigo ver o jogo no Nilson Nelson, se empolgou e comprou uma bola. Procuramos uma quadra pública aqui em Ceilândia e não existe nenhuma apta para a prática do basquete. Uma vergonha absurda na capital do país.
Portanto não se iluda em pensar que aqui está virando um pólo de basquete, porque é mentira! É só mídia de ocasião de um governador perdulário e muito, mas muito bom de propaganda”.
Muito bem, ontem o Humberto mandou um complemento da primeira mensagem, que eu reproduzo também:
“Destaco que o que afirmei ali é facilmente comprovado por qualquer habitante desta Brasília de meu Deus; inclusive em uma matéria veiculada no “DFTV” (Rede Globo) do dia 26 deste mês, sobre o estado precário das quadras por aqui.
É lamentável ver uma matilha se locupletando do amor dos verdadeiros fãs do esporte, com interesses claramente pessoais, pois fica claro que o objetivo é apenas exposição na mídia e não o desenvolvimento do esporte no tecido social.
E na minha opinião o NBB é um tremendo fracasso, pois não conseguiu nem colocar a transmissão do jogo final na íntegra [na tevê aberta]. O basquete é muito grande pra ser transmitido em flashes e nos contentarmos com isso.
Parece inclusive com o que acontece aqui, uma elitização sem lógica, pois só acompanha basquete no Brasil quem tem tevê a cabo (lembra do “SEXTANBA”, na Band?? Fazíamos reuniões de amigos pra assistir!!!)
Hoje, nem quadra pra jogar as pessoas têm. E os menos abastados estão deletando o basquete pouco a pouco das mentes e corações.
E projetos aqui e ali de heróis de nosso basquete não são suficientes, apesar de louváveis, para reacender a paixão do brasileiro pelo esporte.
O que é preciso é respeito do governo e responsabilidade e ações das federações na re-massificação do basquete e não o encastelamento ridículo em que eles vivem, achando que o SporTV é a salvação da lavoura.
Desculpe o desabafo e parabéns pelo ‘botequim’ do qual me torno assíduo frequentador”.
Como disse ao Humberto, o espaço aqui é democrático. Todos podem se manifestar livremente, desde que haja respeito entre a gente. Felizmente, à exceção de um caso aqui, outro ali, nossa freguesia é excelente.
E deixo aberto também esse espaço para que o governo do Distrito Federal se manifeste, bem como a direção da NBB.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: Anderson Varejão, Carlos Nunes, CBB, Cleveland, leandrinho
27/06/2009 - 12:49
Assim que Carlos Nunes foi eleito presidente da CBB, muitos questionaram a mudança. Ex-homem forte de Gerasime Bozikis, o Grego, Nunes seria, no entender dessas pessoas, apenas uma extensão da administração passada.
Eu pedi calma a esses desconfiados torcedores. E contei a história do antecessor de Grego, Renato Britto Cunha, que no final de seu mandato tirou o basquete do lodo com ótimos acordos – entre eles com o SporTV –, todos capitaneados por João Henrique Areias, então responsável pelo marketing da entidade.
Dizia eu que o fato de Nunes um dia ter estado ao lado de Grego não significava que ele não pudesse dar uma guinada em seu comportamento – como fez Britto Cunha.
Os últimos efeitos da administração passada foram sentidos pela seleção brasileira masculina sub-16. Dirigido pelo ex-armador Raul Togni, o time nacional acabou num absurdo quinto lugar no Sul-americano da categoria disputado na cidade de Mendoza, Argentina.
Nossa seleção ficou atrás dos EUA (ouro), Argentina (prata), Canadá (bronze) e Venezuela. Com o resultado, está fora do Mundial da Alemanha Sub-16, que será jogado no ano que vem.
A gente torce para que este tenha sido o último golpe de Grego ao basquete brasileiro.
Disse tudo isso para falar da convocação da seleção feminina adulta que vai disputar a Copa América em Cuiabá (MT) de 23 a 27 de setembro. O torneio vai qualificar os três primeiros colocados para o Mundial do ano que vem na República Tcheca.
Pois bem, comandado por Hortência, nosso time continuará sendo dirigido por Paulo Bassul – o que eu acho muito bom, pois Bassul é competente e experiente. A primeira convocação da era Hortência foi feita ontem; e com duas, talvez três, surpresas.
Alessandra Oliveira, 35, foi convocada novamente depois de um hiato de três anos. Pra quem não se lembra, a pivô jogou pela última vez com a camisa brasileira no Mundial de 2006 disputado em São Paulo.
De lá para cá, nunca mais foi chamada, por ordem de Grego, pois a jogadora movia – como ainda move – uma ação na justiça contra a entidade. Motivo: ela teve uma séria lesão no ombro e a CBB não fez o seguro que tinha prometido.
A jogadora ficou meses afastada das quadras – e desempregada por isso mesmo – e acionou a entidade por perdas e danos. Eu faria o mesmo.
Começa agora a resolver esta pendência com a CBB. Melhor ainda: está de volta ao time brasileiro.
Alguns podem se espantar: aos 35 anos?!?!?! Sim, aos 35 anos; e em forma.
Não tenho visto Alessandra jogar, mas ela está em atividade no basquete francês. Não para nunca.
Sempre foi arrimo de família e não pode abandonar as quadras, pois muitos dependem de seu esforço. Por isso mesmo, não se descuida; está em plena forma garantem quem está próximo a ela.
Além disso, é sempre bom lembrar: Lisa Leslie completa 37 anos em sete de julho próximo e continua em atividade com a camisa 9 do Los Angeles Sparks. Anunciou que vai se aposentar ao final desta temporada, mas ano passado, em Pequim, com 36 anos, ajudou o time dos EUA a faturar o ouro olímpico.
Alessandra continuará sendo útil para a nossa seleção e sua convocação foi uma ótima sacada de Hortência, que ligou para a amiga e pediu para ela voltar.
Alessandra, diante da nova realidade do basquete brasileiro, disse sim.
Outra que chacoalhou a cabeça positivamente foi Helen Luz. A ala/armadora, que também está na Europa, tinha se aposentado, voluntariamente, da seleção também em 2006.
Mas ao receber também uma ligação telefônica de Hortência, Helen balançou com os argumentos da Rainha e resolveu voltar. E ainda usou como argumento para seu retorno a mudança no comando da CBB.
Helen está com 36 anos, um a mais que Alessandra. Vale para ela o que falei anteriormente sobre a Alessandra.
São duas jogadoras de alto calibre que voltam ao time nacional. Irão se juntar a muitas meninas que não têm experiência e/ou não estão acostumadas a decisões.
Serão extremamente importantes neste processo de recondução do basquete feminino ao topo do ranking.
E isso acontece porque Carlos Nunes convidou Hortência Marcari para comandar o basquete feminino brasileiro.
Como eu disse há alguns meses, era importante não fazer pré-julgamentos por causa do passado do atual presidente da CBB.
Assim como Britto Cunha, Nunes parece ter mudado de rumo.
Que ele tenha encontrado o caminho certo, pois o nosso basquete feminino merece coisa melhor.
RESPOSTA
Como eu disse acima, a primeira convocação da era Hortência apresentou duas, talvez três, surpresas.
A terceira surpresa foi o recrutamento da ala Iziane Marques.
Todos se lembram do comportamento egoísta da jogadora no Pré-Olímpico da Espanha no ano passado quando, feito garota mimada, teve chiliques porque foi conduzida ao banco de reservas pelo técnico Paulo Bassul.
Chamada a voltar ao jogo, disse não. E criou-se uma situação constrangedora que todos aqui se lembram muito bem.
E mais: disse que não jogaria com a camisa brasileira enquanto Bassul tivesse no comando da equipe.
Pois bem: ela foi chamada novamente; mas ainda não decidiu se aceita a convocação ou não.
Hortência, paciente, tem conversado com a jogadora por telefone e por e-mail. Disse que Iziane pode voltar, mas afirmou também que se sentir que ela vai dizer não, pega um avião e vai até Atlanta (EUA) conversar pessoalmente com a atleta.
Vale tudo isso?
Sinceramente, eu acho que não, pois está claro que Iziane ainda está ressentida com o que aconteceu e guarda rancor do técnico brasileiro.
Com esse espírito, a fogueira pode se acender a qualquer momento se houver uma discordância de trabalho entre eles. Iziane tem personalidade forte e parece-me imatura. Além disso, não é “coachable”, como dizem os americanos.
Que ela joga muito bem a gente não discute. Mas ela não é Hortência, Paula ou Janeth.
Por isso mesmo, não vale tanto esforço assim.
O grupo, para mim, em primeiro lugar.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): basquete brasileiro
Tags: Alessandra Oliveira, Carlos Nunes, CBB, Helen Luz, Hortência Marcari, Iziane Marques, Paulo Bassul
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