E depois dizem que não tem zebra no basquete. Algumas já aconteceram nesta temporada, mas a de ontem em Dallas foi demais. Alguém, em sã consciência, podia imaginar que o Milwaukee pudesse ganhar do Mavs? Alguém podia imaginar os 103 a 99 em favor do pessoal de Wisconsin, ainda mais porque no segundo quarto o time chegou estar 20 pontos atrás?
Creio que não.
Eu também não esperava pela derrota. Pelos meus cálculos e observações, o Dallas chegará aos playoffs. Deve fazer boa campanha na primeira rodada e cai na semifinal ou para o Lakers ou para o San Antonio. Os motivos eu já expus, de maneira enfática e veemente, o que acabou por desagradar a esmagadora maioria dos frequentadores deste botequim, que talvez esperassem uma análise mais branda e doce do time texano.
Aliás, acho que vale a pena mais um pitaco nessa história da qualidade do time do Dallas. É a questão Dirk Nowitzki.
Disse que falta alguma coisa pra ele. Fiquei pensando cá com meus botões, olhando o jogo de ontem diante do Bucks, puxando pela memória, buscando estatísticas, lendo. O que falta para o jogo do alemão?
Puxa vida, o cara é grande pra chuchu (2,13m), tem boa velocidade pro tamanho dele, arremessa como poucos na liga (de perto, de meia e de longa distância), tem experiência. Então, o que falta para o jogo dele?
Nowitzki (foto AP) padece de um mal que mata alguns jogadores: a indefinição de posicionamento. Ele é ala-pivô, mas na verdade não é. Não é porque não tem jogo de ala-pivô. Não atua tão bem de costas para a cesta como os jogadores da posição. Posiciona-se mais como um ala. Busca as beiradas da quadra, abandona seu companheiro de garrafão.
Seus pontos, por conta deste posicionamento, saem de arremessos de média e longa distância. Dificilmente a gente vê o alemão fazendo cestas usando o corpo do adversário como alicerce, buscando o contado, brigando no corpo a corpo, trombando. Não; como disse, seus pontos saem de arremessos de média e longa distância.
Se formos posicioná-lo como um ala, aí Nowitzki mostra outros defeitos: não tem velocidade, agilidade e nem habilidade para a função. Pra atacar e defender. Na defesa, seria facilmente batido — aliás, a defesa é a maior deficiência do jogo do germânico.
No ataque, iria se valer de sua altura, é claro, mas teria dificuldades para encontrar espaços, pois não tem velocidade para a posição. Quando tivesse que recorrer ao drible para sair da marcação e rumar para a cesta, mostraria deficiências quanto à habilidade e novamente sentiria a falta da velocidade.
Não se engane quanto aos dribles e as fintas que ele aplica nos seus adversários hoje em dia. Uma coisa é fintar e deixar para trás um ala-pivô; outra é fazer tudo isso pra cima de um ala, mais ágil e mais rápido do que um ala-pivô.
Assim, quando chegam os playoffs — e um novo campeonato começa —, ele não encontra repertório para evitar a marcação adversária. Nos playoffs, o jogo é outro, diferente, é mais de contato, é físico. A arbitragem é mais permissiva quanto às faltas. E tudo isso dificulta o jogo de Nowitzki. Ele é grande, mas não é forte.
Sem respostas para estes problemas, o time sucumbe nos playoffs. Sim, sucumbe, pois está todinho nas mãos do alemão.
Tem sido assim, a história não mente.
PSICOLÓGICO
Analisei Nowitzki apenas do ponto de vista técnico e tático. Não falei da parte psicológica.
Para muitos, mais do que esses defeitos que eu exibi acima, o grande problema do alemão é sua falta de estofo emocional nos momentos de grande pressão, nos momentos decisivos.
E eu também concordo com isso. O jogo nos playoffs é muito mental também.
DUELO 1
Jason Kidd teve muitas dificuldades diante de Brandon Jennings. Atrevido, habilidoso, veloz, Jennings maltratou J-Kidd. Não que o veterano armador não tivesse jogado bem. Claro que jogou. Mas faltaram-lhe pernas para acompanhar o atrevido, habilidoso e veloz Brandon Jennings.
“Ele estava determinado, você poderia ver isso em seus olhos”, disse o técnico Rick Carlisle sobre Jennings (foto AP).
Agora, esta é boa: domingo à noite, Jennings e Kidd foram jantar juntos. A conversa versou sobre a posição de armador. Jennings ouviu o tempo todo; J-Kidd falou o tempo todo.
Deveria ter ficado de boca fechada. Ensinou demais, pagou caro no dia seguinte.
DUELO 2
Tyson Chandler procura até agora por Andrew Bogut. Embora tenha dado um toco espetacular em cima de Ersan Ilyasova a 50 segundos do final da partida, dando esperanças ao Dallas de conseguir a vitória, o fato é que Chandler não conseguiu marcar o australiano—e o australiano foi um dos jogadores decisivos para a vitória do Bucks.
Bogut acabou a partida com 21 pontos e 14 rebotes. Fez 1-6 nos lances livres; fosse mais competente e sua pontuação teria sido maior. Bogut tem um ganchinho ambidestro que dificulta muito a marcação.
Fosse mais forte e seria “unstopable”.
RECORDE
O Miami enfileirou sua nona vitória, agora diante do New Orleans (96 a 84). Tão importante quanto, foi que ela veio novamente por duplo dígito. Se repetir a dose contra o Cleveland, nesta quarta-feira, iguala o recorde de Washington Capitols (1946/47), New Jersey Nets (2003/04) e Houston Rockets (2007/08), que fizeram 11 vitórias seguidas com duplo dígito de vantagem para os oponentes.
Alguém viu o jogo? Se viu, viu também que ele foi de Dwyane Wade: 32 pontos. E LeBron James, vendo que o companheiro estava “on fire”, entregava-lhe a bola sem remorso ou dor alguma.
Prova clara de que o trio está afinado. Prova clara de que a fogueira das vaidades, que muitos imaginavam que pudesse crepitar em Miami por conta da reunião de tantas estrelas, não está acesa — e nem sabemos se será; ao que tudo indica, não.
O New York procura um ala para juntá-lo a Amaré Stoudemire e Raymond Felton e fazer do Knicks um time para brigar novamente por títulos. O New York fala em Carmelo Anthony.
Sinceramente, não sei se seria uma boa. Tem momentos que eu acho que sim; tem momentos que eu acho que não. Melo não parece ser parceiro, não tem a humildade e o desprendimento de LBJ.
Melo quer a bola o tempo todo. Quer a bola para jogá-la em direção à cesta. Não sabe assistir. Não é humilde. Parece-me jogar mais para as câmeras do que para o time.
Será que um cara desses vai agregar ou subtrair?
Por isso que eu acho que LBJ seria a melhor adição que o New York poderia ter feito. Infelizmente para os torcedores nova-iorquinos, King James preferiu os mares do sul à agitação e efervescência da metrópole.