DECISÃO ACERTADA
É uma situação difícil, concordo, mas acredito que o técnico George Karl e o diretor Rex Chapman fizeram o correto.
Carmelo Anthony (foto AP) voltou ontem a vestir a camisa 15 do Denver. E em grande estilo: marcou 38 pontos e liderou o time na importante vitória diante do Portland por 106-90.
Vitória e tanto; e com o carimbo de Melo, como disse.
O ala do Nuggets tinha sido punido pela franquia por mau comportamento. Recusou-se a deixar a quadra quando o treinador Karl, na derrota para o Indiana, resolver fazer uma mudança momentânea – e não definitiva, mas mesmo que fosse, o jogador tem que respeitar a decisão do técnico.
A ausência de Carmelo foi, evidentemente, muito sentida na partida contra o Detroit. O Denver perdeu por 100-95. Com Melo, poderia ter vencido, não sabemos, é verdade, mas as chances seriam maiores.
O fato é que Karl e Chapman abriram mão desta vitória para não perder o controle do grupo. É como diz o velho ditado: um passo atrás para depois dar dois à frente.
Foi o que ambos fizeram; se deu certo, só o tempo dirá.
DISCURSO
“Foi uma lição que eu aprendi”, disse Carmelo Anthony, sorriso nos lábios, após a partida.
A prova maior dada pelo jogador foi quando o relógio do Pepsi Center mostrava que faltavam 10:55 minutos para o final da partida. O Nuggets estava à frente no marcador em 83-71.
O espanhol Rudy Fernandez preparava-se para bater o lance livre, quando Nenê, que estava no banco, levantou-se, esperou a buzina tocar e apontou o dedo em direção a Carmelo, indicando que ele seria substituído.
Melo deu um pique – estava do outro lado da quadra – e foi em direção ao banco de reservas. A maioria dos 16.801 torcedores que estiveram na arena de Denver aplaudiu o capitão do time.
Naquele momento, tudo era festa. O Denver mandava no jogo e Carmelo já tinha anotado 31 pontos.
Quero ver quando a situação for inversa; ou seja: com o time atrás no marcador e o egocêntrico jogador com dificuldades para pontuar.
Como disse acima, só o tempo dirá se ele realmente aprendeu a lição ou não.
EGO
Os grandes artistas são realmente complicados. Normalmente, usando linguajar comum, não batem bem.
São às vezes egocêntricos, deprimidos ou mesmo loucos de pedra.
O caso de Carmelo Anthony, a meu ver, tem mais a ver com ego. Ele comporta-se como uma prima-dona, quando deveria olhar-se mais no espelho e tentar se enxergar.
Melo é bom de bola. Admiti no capítulo anterior deste texto. Mas ele não é, por exemplo, Kobe Bryant, LeBron James ou Paul Pierce.
Deveria ter humildade, reconhecer-se como numa categoria inferior e trabalhar para alcançar o patamar de Kobe, LBJ e Pierce.
DISPUTA
Falei anteriormente que a vitória do Denver foi importante. Subestimei-a; ela foi mais do que importante: foi importantíssima.
Denver e Portland estavam empatados com 22 derrotas. Agora o time colorado deixa o oponente com uma derrota a mais.
Os dois voltam a se enfrentar no dia 15 de abril próximo. Mas desta vez será no Rose Garden do Oregon.
O Nuggets vence o duelo por 2-1 – ganhou exatamente os dois embates travados no Pepsi Center.
Se nova vitória do Denver surgir, ótimo, pois o time abrirá 3-1 no confronto e em caso de ambos terminarem empatados na campanha, o Nuggets levará vantagem.
Mas se o Portland vencer, outros critérios terão que ser observados para saber quem é que ficará na frente. O primeiro deles é a campanha dentro da conferência. Depois, dentro da divisão; e outras mais que de cabeça eu não me lembro.
Nenê voltou a sair como titular. Mas isso pouco importa; interessa, isto sim, é o tempo de permanência em quadra.
O são-carlense (foto AP) tem tido generosos minutos concedidos por George Karl. Não são esmolas, o brazuca faz por merecê-los, pois é importante dentro do esquema armado pelo treinador.
Ontem, chegou aos 16 pontos – não precisou pontuar mais do que isso, pois o show principal, como vimos, ficou mesmo com Carmelo Anthony.
Nos rebotes, os seis apanhados quase que ficam dentro de sua média no campeonato, que é de quase oito.
Mas o que chamou mesmo a atenção foram as cinco assistências que Nenê distribuiu na peleja. Mais do que o triplo de sua média na competição, que era de 1.5 por jogo.
Finalizou seus números com dois tocos.
Gostei do que vi.
PASSADO
O New Orleans voltou a jogar bem. Somou ontem sua sexta vitória consecutiva na competição ao bater o Dallas por 104-88.
O time é outro. Por quê? Não sei se é coincidência ou não, mas desde que Tyson Chandler não foi aprovado nos exames médicos feitos pelo Oklahoma City e acabou sendo vetado e, com isso, retornou ao Hornets, ele parece outro jogador.
Tem jogado dentro de sua média de pontos (10) e rebotes (11), às vezes pontuando mais ou fisgando rebotes extras. Mas o que eu digo é que Chandler voltou a mostrar a garra de antes e, como Anderson Varejão, tem contagiado seus companheiros.
DESFALQUE 1
A notícia não podia ser pior: Amaré Stoudemire não mais jogará nesta temporada. Depois que ele fez uma cirurgia para reparar um problema na retina, havia a esperança de que o ala/pivô do Phoenix pudesse jogar os playoffs caso o time se classificasse.
Hoje pela manhã, o doutor que cuida do caso revelou que isso será impossível. Amaré vai precisar de mais tempo de repouso para que não haja sequelas da cirurgia.
Em outras palavras: a perda da visão.
“É duro ter que explicar o problema para as pessoas”, disse o médico Pravin Dugel, responsável pelo procedimento. “O que ocorre com Amaré é mais sério do que uma cirurgia de joelho ou tornozelo. A recuperação é dolorosa, lenta e delicada”.
Tudo bem, doutor, não se fala mais no assunto. O mais importante, de fato, é a saúde de Amaré.
Kevin Garnett (foto AP) era aguardado com ansiedade pela franquia do Celtics na semana que vem. Que esperem todos sentados, pois KG vai precisar de uma semana a mais para se recuperar totalmente da contusão no joelho direito.
Se a gente for olhar para o recorde do Boston sem seu capitão, não há muito o que lamentar: 4-2.
Mas ao olharmos para as duas derrotas, constatamos que elas aconteceram diante do Clippers (em Los Angeles) e Detroit (em casa).
Jogos que, provavelmente, teriam sido vencidos pelo Celtics se KG estivesse em quadra.
O resultado é que o time tem 14 derrotas, duas a mais do que o Cleveland, que lidera a Conferência Leste.
Que falta ele faz, não é mesmo?
ENCONTRO 1
Cleveland e Boston se enfrentam esta noite no TD Banknorth Garden de Massachusetts. É a chance do atual campeão da NBA diminuir a diferença de duas para uma derrota em relação ao oponente.
Se depender do retrospecto, dá Celtics. Ele mostra que, nos últimos 14 confrontos, quem jogou em casa ganhou.
Os sete enfrentamentos dos playoffs do ano passado fazem parte desta relação.
Sem Kevin Garnett pela frente, o Cleveland tem grande chance de quebrar esta escrita.
ENCONTRO 2
Para a maioria, Boston x Cleveland é o grande jogo desta rodada. Não é para mim.
Eu ficarei de olho no combate de Salt Lake City, quando o Utah recebe o Denver. O Jazz está de olho em sua décima vitória; o Nuggets quer sustentar a vantagem de uma derrota a menos em relação aos anfitriões.
Como já disse aqui em nosso botequim, o Utah, com o elenco intacto neste momento, é uma das forças do Oeste. Deron Williams recuperou a melhor forma depois de ter perdido um mês machucado. Boozer ficou três do lado de fora, voltou e está se encontrando aos poucos.
Esse time, em ordem, e com o técnico que tem, é páreo duro.
Que Nenê me perdoe se estiver lendo estas mal traçadas linhas, mas o Utah é mais time do que o Denver.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Boston, Carlos Boozer, Carmelo Anthony, Celtics, Cleveland, Denver, Deron Williams, George Karl, Jazz, kevin garnett, Kobe Bryant, LeBron James, NBA, Nenê, Nuggets, Paul Pierce, Utah























