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05/11/2009 - 13:03

DECLARAÇÃO CONFUSA

Lendrinho e Thiago Splitter

Lendrinho e Thiago Splitter na seleção brasileira

Li em “O Estado de S.Paulo” desta quinta-feira entrevista com Leandrinho Barbosa. Nela, ele diz que vai fazer de tudo para que Nenê Hilário esteja no Mundial do ano que vem na Turquia.

Disse Leandrinho: “Nenê seria uma grande ajuda e ele sabe. É um dos pontos fortes do basquete brasileiro. Nós estamos tentando convencê-lo a participar do Mundial”.

Confesso que não consigo entender o que Leandrinho quis dizer. Afinal, Nenê não atendeu as duas últimas convocações do técnico Moncho Monsalve por estar doente.

Na primeira oportunidade, retirou um tumor testicular; na segunda, quebrou o braço.

Ao fazer uma afirmação dessas, Leandrinho dá a entender que Nenê não esteve na seleção porque não quis. E isso não é verdade.

Pior: deixa Nenê em uma situação difícil junto aos torcedores, pois muita gente realmente acredita que Nenê não vestiu a camisa 13 da seleção porque não quis. E isso não é verdade.

Creio que Leandrinho não quis dizer o que disse.

Seguramente, ele quis dizer algo do tipo: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente ao grupo, pois precisamos dele demais.

Sim, acho que foi isso o que Leandrinho quis dizer.

MONCHO

O presidente da CBB, Carlos Nunes, estará na Europa acompanhando o sorteio dos Mundiais masculino e feminino que ocorrerão ano que vem na Turquia e República Tcheca, respectivamente.

Aproveitará a viagem para visitar Moncho Monsalve. O espanhol passou por uma cirurgia na coluna e recupera-se bem — felizmente.

Ainda segundo “O Estado de S.Paulo”, Nunes disse que Moncho tem um “gênio impossível” e que isso pode pesar no momento da renovação do contrato do ibérico, que encerra-se no final deste mês.

O que Nunes quer dizer com isso? — pergunto novamente.

É certo que Nunes é o patrão (por ser o presidente da CBB) e Moncho o empregado. Mas o relacionamento entre eles é pouco e não deve ser decisivo no momento de se decidir o futuro.

O relacionamento de Moncho é intenso com os jogadores, isto sim. São eles é que têm que avaliar a convivência com o treinador.

Se Moncho é bom para os jogadores, é bom para a seleção. Consequentemente, é bom para o basquete brasileiro.

E a avaliação dos atletas quanto ao espanhol é excelente: nota 10. Os basqueteiros querem a permanência dele à frente do grupo.

É isso o que conta — o resto é perfumaria.

Lou Williams tenta superar Marquis Daniels, Shelden Williams e Eddie House

Lou Williams tenta superar Marquis Daniels, Shelden Williams e Eddie House

NBA

A rodada de ontem da maior liga de basquete do planeta confirmou que: 1) O Boston continua “on fire”; 2) O Denver também; 3) O Lakers está um pouco abaixo de ambos.

O melhor de tudo, pelo menos para nós, brasileiros, é a bola que Nenê Hilário vem jogando. No triunfo de ontem diante do New Jersey, do outro lado do Rio Hudson, por 122-94, o são-carlense marcou 16 pontos, pegou nove rebotes, deu quatro assistências e três tocos.

E mais: 5-6 nos arremessos de quadra.

Suas médias no campeonato: 14.6 pontos e 9.6 rebotes. Seu percentual de aproveitamento nos arremessos é de 60%: 24-40. Muito bom.

Nenê confirma o que todos nós sabemos: é o melhor jogador brasileiro de basquete na atualidade.

Leandrinho tem razão: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente à seleção, pois precisamos dele demais.

CANSAÇO

O primeiro parágrafo do texto do site da NBA que relata a vitória do Boston sobre Wolves, em Minneapolis, é muito bom. Traduzo-o para vocês:

“Suas pernas foram a razão pela qual o Celtics quase perdeu pela primeira vez. Suas cabeças foram a razão pela qual isso não aconteceu”.

Ou seja: o Boston teve dificuldades para defender porque faltaram pernas para seus principais jogadores, pois, todos sabemos, Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen e Rasheed Wallace não são mais crianças.

Mas a inteligência tática do quarteto e a compreensão que eles têm do jogo acabou evitando o primeiro revés da temporada.

Depois de 48 minutos de bola pingando aqui e ali, lá e acolá, o Celtics somou sua sexta vitória na competição: 92-90.

REENCONTRO

Ron Artest e Trevor Ariza reencontraram pela primeira vez suas ex-equipes. 18.291 torcedores lotaram o Toyota Center em Houston.

Estavam curiosos para ver como os dois se sairiam. No final, viram o óbvio: o desfile de Kobe Bryant em quadra.

O melhor jogador de basquete do planeta marcou 41 pontos e liderou o Lakers em mais uma vitória no torneio: 103-102. Mas não foi fácil; uma prorrogação foi necessária para se definir o vencedor.

E quem foi o “key factor” para que o Lakers vencesse o tempo extra por apenas um pontinho (11-10)? Sim, ele, “Black Mamba”.

Kobe marcou oito pontos e evitou a segunda derrota dos angelinos na temporada. Sua performance possibilitou, isto sim, o quarto triunfo na competição.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro Tags: , , , , , ,
05/10/2009 - 21:38

MASSA GROSSA OU MASSA FINA?

Leio no site “Basket Brasil” o desenrolar do episódio de ontem envolvendo o ala Marcelinho Machado. Está lá:

1) Carlos Eduardo Maya, vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, disse ter ficado contrariado com a atitude do jogador, mas garantiu que ele não será punido;

2) Maya disse ter entendido a reação do atleta rubro-negro, pois ele foi “visivelmente perseguido pelo Joinville, levou duas faltas violentas e ficou de cabeça quente”;

3) Maya prosseguiu e disse que “os árbitros estão muito mal preparados e atrapalham o espetáculo”;

4) A decisão do técnico Paulo Chupeta em não se envolver no episódio, segundo informa o site, será resolvida na base da conversa;

5) Concluiu Maya: “Muitas coisas são ditas de cabeça quente, e reitero que não pretendo punir ninguém porque foi um torneio amistoso, e achei que não foi culpa nem do meu jogador, nem do técnico e nem do supervisor”;

6) Kouros Monadjemi, presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), garantiu que os jogadores serão vigiados com muita atenção no próximo NBB e as punições serão severas;

7) E declarou: “Lamentei a atitude do Flamengo e de seu jogador. O Marcelinho é um líder, um ídolo do basquete, e isso não condiz com seu comportamento no jogo. Fatos assim não poderão ocorrer no campeonato da LNB, não serão tolerados. Isso não pode se repetir no NBB. O jogador expôs seu clube, o time e o anfitrião, em um torneio amistoso”;

8) Monadjemi não falou em punição, pois o torneio é amistoso;

9) O presidente da CBB, Carlos Nunes, está viajando, mas a entidade soltou uma nota dizendo que a punição a Marcelinho Machado e ao Flamengo só ocorrerão se o Joinville levar o caso à Federação Catarinense de Basquetebol, que encaminha ou à CBB ou ao TJD.

Este iG publica matéria em que o Joinville afirma que não vai deixar tudo acabar em pizza. O documento diz o seguinte: “O ato de indisciplina não pode ficar impune. Os dirigentes do basquete de Joinville acionarão a Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), representando contra este ato, que não só deslustrou a decisão, mas investiu contra os mais elementares princípios do esporte. Pedimos escusas ao grande público presente, que pretendia assistir ao jogo, que foi organizado com todos os requisitos exigíveis”.

Na mesma matéria, o supervisor técnico do Flamengo, André Guimarães, também em comunicado oficial, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou que o atleta será punido por seus atos. “Foi um ato isolado, que não foi apoiado pelos demais companheiros de equipe. Comunico que Marcelinho vai ser chamado pela diretoria e cobrado por suas atitudes”.

Mas isso significa punir? Sei não. Além do mais, Guimarães apita menos do que Maya, que é vice-presidente, e garantiu ao site “Basket Brasil” que não vai punir o atleta.

Resumindo: punição, se houver, vai ser por parte do TJD, na representação que será feita pelo Joinville. O Flamengo, a mim pelo menos ficou muito claro, não pretende punir o atleta; e a CBB também não vai tomar posição alguma.

Se houvesse profissionalismo, o Flamengo puniria o jogador e a CBB também, pois ela é a entidade maior do basquete brasileiro.

Mas vamos aguardar um pouco mais pelo desenrolar final dos fatos.

(Mas sabe o que eu acho mesmo? Vai tudo acabar em pizza, pra não contrariar a vocação deste país, que adora uma impunidade.)

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, basquete brasileiro Tags: , , , , , , , , ,
09/09/2009 - 18:39

A QUEM INTERESSA A QUEDA DE BRAÇO?

As críticas públicas de Vanderlei Mazzuchini, diretor da CBB, em relação ao técnico Moncho Monsalve não trazem nada de bom e positivo para a seleção brasileira.

Pergunto-me: pra que isso?

O que Vanderlei quer provar? Que ele manda mais que Moncho? Será que manda mesmo?

Numa queda de braço entre ele e o treinador, a quem os jogadores apoiariam? Não seria Moncho (foto CBB) o preferido? Penso que sim.

Afinal, o espanhol ganhou (até onde sabemos) a simpatia do grupo. Todos gostam dele. Todos o respeitam. O que ele diz é lei.

Assim, numa possível queda de braço entre o dirigente e o treinador, creio que os jogadores baterão o pé pedindo a permanência de Moncho. Isso, claro, caso o espanhol não engula o que Vanderlei declarou para a mídia aqui em São Paulo.

Dessa maneira, o que o presidente Carlos Nunes faria numa situação dessas? Apoiaria Vanderlei? Duvido.

Sem desmerecer o trabalho de Vanderlei, Moncho, se sair, fará muito mais falta. Depois de anos mergulhado na escuridão, o basquete brasileiro ressurgiu e resgatou o respeito dos adversários.

E quem foi o responsável por isso? Moncho Monsalve.

Eu, se fosse o ex-jogador da seleção brasileira, não compraria essa briga. A menos que por trás dessas declarações haja algo a mais e a mando de alguém mais importante.

Não, não quero crer que isso seja possível ou verdade. Esqueçamos, por favor, o que eu disse no parágrafo anterior.

Mas vamos esperar pelos próximos capítulos para ver para onde essa novela vai se enveredar. De novembro, quando o contrato de Moncho com a CBB se encerra, não passa.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Seleção Brasileira, basquete brasileiro Tags: , ,
03/09/2009 - 21:29

UMA PELADA; VAMOS OLHAR O FUTURO

A vitória diante do Uruguai (82-62) foi uma pelada. Voltamos aos velhos tempos, daquele basquete que a gente não quer mais ver.

Acho até que Moncho Monsalve consentiu, permitindo ao menino levado fazer uma traquinagem, própria dos imaturos que insistem em não crescer.

Portanto, recuso-me a falar da sétima vitória consecutiva brasileira em Porto Rico. O que vimos esta tarde/noite foi um “revival” do antigo basquete brasileiro.

E dele queremos distância.

AMANHÃ

Prefiro falar de dois pontos em relação ao futuro. Vamos a eles.

Essa história da renovação ou não do contrato do Moncho anda me preocupando. É claro que o ideal é o continuísmo do trabalho do espanhol, que tem sido, até o momento, excepcional.

Ao mesmo tempo, fico sabendo que ele quer passar menos tempo no Brasil. E isso não é bom.

Como já discutimos aqui nesse botequim, seria imperioso para o nosso futuro que Moncho olhasse também para as categorias de base. O espanhol teria como missão ensinar nossos treinadores a trabalhar.

Desta maneira, haveria uma uniformidade no trabalho. Da base até o adulto.

Assim, quando fosse necessário recorrer à base, o jogador estaria pronto para ingressar entre os adultos. Os conceitos estariam na ponta da língua do novato.

Moncho tem o direito de pedir um salário mais justo, que é o que ele reivindica também. Mas a CBB tem o direito também de exigir que ele faça um trabalho de cabo a rabo com o nosso basquete.

O outro ponto a que me referi na abertura desse tópico diz respeito ao Pré-Olímpico de 2011. O torneio será classificatório para os Jogos de Londres, no ano seguinte.

Ao contrário de Gerasime Bozikis, que sempre se esquivou e escondeu do assunto, leio que Carlos Nunes, o atual presidente da CBB, quer sediar a competição.

Muito bom; é assim mesmo que tem que ser. Estou cansado de ver torneios do continente sendo disputado em Porto Rico.

Se eles não são nos EUA, são na ilha caribenha.

Nunes engrossou a voz e já deixou claro que pretende trazer o torneio qualificatório para o nosso país. Com isso, as chances da seleção se classificar aumentam.

Jogar ao lado do torcedor é melhor; jogar no conforto do lar é melhor ainda. Fico imaginando o Maracanãzinho ou a Arena HSBC (seria o local ideal) recebendo os selecionados americanos.

Que não seja apenas vociferação do presidente. Que ele não esteja jogando para a torcida, como se diz popularmente. Que ele brigue realmente para que o Brasil sedie a competição.

Além de ser bom para o nosso time, seria uma exposição e tanto para a modalidade. E o basquete, a gente já falou muito sobre isso, precisa demais desse olhar intenso – especialmente da mídia – e isso, com o Pré-Olímpico aqui, seria inevitável.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): basquete brasileiro Tags: ,
11/08/2009 - 20:04

ATESTADO DE BOA CONDUTA

A CBB informa em seu site oficial que a Assembléia Geral Extraordinária realizada ontem no Rio em um hotel em Ipanema aprovou um novo estatuto. Participaram 24 dos 27 presidentes das federações filiadas.

A principal mudança, segundo o informativo, é que está definido que só poderá haver uma reeleição. Ou seja: Carlos Nunes, o atual presidente, tem direito a ficar no máximo quatro anos.

O que eu acho?

Acho que se o cara é competente ele tem o direito de ficar. Já pensou se o David Stern tivesse que deixar a NBA em 1988, quatro anos depois de ter assumido a liga?

Tenho dúvidas se a liga seria a potência que ela é hoje. Stern, definitivamente, foi o cara que profissionalizou a entidade e tirou-a das trevas.

Naquela época, se você não sabe, a NBA era associada a jogadores drogados e a times falidos.

Precisou de tempo para Stern mudar esse cenário. Em quatro anos seria impossível.

Mas ele só ficou – como ainda está – porque é competente. Por isso fica; por isso é remunerado – e muito bem.

O que se comenta é que ele ganha US$ 10 milhões por temporada. Mais do que Lamar Odom, por exemplo.

Bem, mas isso funciona lá, onde tudo é preto no branco e a NBA é uma empresa, controlada pelas franquias. Tem que dar lucro; se não der, cai fora. Se der, por que mudar?

Não há motivos.

Aqui no Brasil, no entanto, onde o que impera é o amadorismo, essa alternância de poder é salutar e importante. De repente a gente encontra um David Stern, já pensou?

E se encontrar, ele terá de sair daqui a quatro anos? Sim, infelizmente, pois neste país muitos pagam pelo que outros tantos fazem de errado, pois não há punição.

Se os velhacos fossem enjaulados, isso não aconteceria. A alternância é importante para que pessoas não se locupletem.

Sou obrigado a dizer: nem todos, nem todos, mas a maioria sim.

Infelizmente.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, NBA, basquete brasileiro Tags: , , ,
01/07/2009 - 19:40

O CASO DO SEGURO

Anderson VarejaoComo todos nós estamos carecas de saber, Anderson Varejão optou por testar o mercado. Com isso, não fez valer o seu contrato com o Cleveland para a próxima temporada, que lhe daria algo em torno de US$ 6.2 milhões.

O capixaba pretende ganhar mais e deseja também um contrato maior, pois o atual encerra-se ao final da próxima temporada. Quer dizer, ano que vem, antes do Mundial da Turquia, haverá a mesma ladainha se o acordo for apenas pelo próximo campeonato.

Assinar um novo compromisso com algum time e com um tempo de duração de uns cinco anos, imagino eu, é tudo o que Varejão quer. E ele está mais do que certo; eu faria o mesmo.

Muito bem, dito isso, vamos à página dois desta história. O capítulo chama-se “Seguro”.

A CBB informa que acabou de fazer um seguro para Leandrinho no valor de US$ 18 mil. Chegou-se a esta quantia com base no contrato que o jogador tem com o Suns.

Muito bem, dito isso, vamos à página três desta história. O capítulo chama-se “Seguro do Varejão”.

A CBB informa que não pode fazer um seguro para o ala/pivô capixaba porque ele não tem contrato com nenhum time da NBA no momento, o que é verdade. Por isso, diz o presidente da entidade, Carlos Nunes, o jogador corre o risco de não participar da Copa América de Porto Rico, que começa no final do mês de agosto.

Varejão teria, portanto, pouco mais de um mês para decidir sua vida na NBA. Tempo suficiente, creio eu, para que ele se acerte com algum time – inclusive o próprio Cleveland, por que não?

Muito bem, dito isso, vamos à página quatro desta história. O capítulo chama-se “Se quiser, eu jogo”.

O fato de não ter um contrato com um time da NBA e, consequentemente, impossibilitar a CBB de fazer um seguro, não impede de jeito nenhum Varejão de participar da Copa América. Ele está livre para jogar onde e quando quiser.

O que Varejão não quer é correr riscos. Claro, pois se acontecer uma contusão grave e não houver um seguro, ele ficará completamente desamparado.

Já pensou se acontece o pior? (batamos todos na madeira: toc!toc!toc!). Como é que ele fica?

Portanto, é legítimo da parte do jogador não entrar em quadra se não houver um seguro, fruto de um novo contrato na NBA. Eu faria o mesmo.

Mas vamos deixar claro uma coisa: se quiser, Varejão joga; o que ele não quer é correr risco de espécie alguma.

Eu também não correria.

DEPOIMENTO

A seguir, reproduzo na íntegra, com o devido consentimento, o importante depoimento do nosso parceiro Humberto Alexandre, que mora em Brasília. Caso algum de vocês não tenha lido a mensagem do Humberto, veja o que ele escreveu:

“Sormani, não se iluda com o basquete em Brasília não, este time que temos é formado por interesses políticos e de mídia de empresas e do governo do DF.

O que conta aqui é o descaso e a elitização do esporte. Não existe apoio governamental, pois as quadras públicas estão em estado lastimável e a Federação só existe no Plano piloto ou nos clubes/colégios de classe alta.

Não surgirá um novo basquete no Brasil se ele não emergir das ruas, das pessoas que comecem a praticar por prazer e livremente, para daí então procurarem os clubes e a federação.

Meu filho de nove anos, ao ir comigo ver o jogo no Nilson Nelson, se empolgou e comprou uma bola. Procuramos uma quadra pública aqui em Ceilândia e não existe nenhuma apta para a prática do basquete. Uma vergonha absurda na capital do país.

Portanto não se iluda em pensar que aqui está virando um pólo de basquete, porque é mentira! É só mídia de ocasião de um governador perdulário e muito, mas muito bom de propaganda”.

Muito bem, ontem o Humberto mandou um complemento da primeira mensagem, que eu reproduzo também:

“Destaco que o que afirmei ali é facilmente comprovado por qualquer habitante desta Brasília de meu Deus; inclusive em uma matéria veiculada no “DFTV” (Rede Globo) do dia 26 deste mês, sobre o estado precário das quadras por aqui.

É lamentável ver uma matilha se locupletando do amor dos verdadeiros fãs do esporte, com interesses claramente pessoais, pois fica claro que o objetivo é apenas exposição na mídia e não o desenvolvimento do esporte no tecido social.

E na minha opinião o NBB é um tremendo fracasso, pois não conseguiu nem colocar a transmissão do jogo final na íntegra [na tevê aberta]. O basquete é muito grande pra ser transmitido em flashes e nos contentarmos com isso.

Parece inclusive com o que acontece aqui, uma elitização sem lógica, pois só acompanha basquete no Brasil quem tem tevê a cabo (lembra do “SEXTANBA”, na Band?? Fazíamos reuniões de amigos pra assistir!!!)

Hoje, nem quadra pra jogar as pessoas têm. E os menos abastados estão deletando o basquete pouco a pouco das mentes e corações.

E projetos aqui e ali de heróis de nosso basquete não são suficientes, apesar de louváveis, para reacender a paixão do brasileiro pelo esporte.

O que é preciso é respeito do governo e responsabilidade e ações das federações na re-massificação do basquete e não o encastelamento ridículo em que eles vivem, achando que o SporTV é a salvação da lavoura.

Desculpe o desabafo e parabéns pelo ‘botequim’ do qual me torno assíduo frequentador”.

Como disse ao Humberto, o espaço aqui é democrático. Todos podem se manifestar livremente, desde que haja respeito entre a gente. Felizmente, à exceção de um caso aqui, outro ali, nossa freguesia é excelente.

E deixo aberto também esse espaço para que o governo do Distrito Federal se manifeste, bem como a direção da NBB.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro Tags: , , , ,
27/06/2009 - 12:49

NOVA ERA PARA NOSSAS MENINAS

Assim que Carlos Nunes foi eleito presidente da CBB, muitos questionaram a mudança. Ex-homem forte de Gerasime Bozikis, o Grego, Nunes seria, no entender dessas pessoas, apenas uma extensão da administração passada.

Eu pedi calma a esses desconfiados torcedores. E contei a história do antecessor de Grego, Renato Britto Cunha, que no final de seu mandato tirou o basquete do lodo com ótimos acordos – entre eles com o SporTV –, todos capitaneados por João Henrique Areias, então responsável pelo marketing da entidade.

Dizia eu que o fato de Nunes um dia ter estado ao lado de Grego não significava que ele não pudesse dar uma guinada em seu comportamento – como fez Britto Cunha.

Os últimos efeitos da administração passada foram sentidos pela seleção brasileira masculina sub-16. Dirigido pelo ex-armador Raul Togni, o time nacional acabou num absurdo quinto lugar no Sul-americano da categoria disputado na cidade de Mendoza, Argentina.

Nossa seleção ficou atrás dos EUA (ouro), Argentina (prata), Canadá (bronze) e Venezuela. Com o resultado, está fora do Mundial da Alemanha Sub-16, que será jogado no ano que vem.

A gente torce para que este tenha sido o último golpe de Grego ao basquete brasileiro.

Disse tudo isso para falar da convocação da seleção feminina adulta que vai disputar a Copa América em Cuiabá (MT) de 23 a 27 de setembro. O torneio vai qualificar os três primeiros colocados para o Mundial do ano que vem na República Tcheca.

Pois bem, comandado por Hortência, nosso time continuará sendo dirigido por Paulo Bassul – o que eu acho muito bom, pois Bassul é competente e experiente. A primeira convocação da era Hortência foi feita ontem; e com duas, talvez três, surpresas.

Alessandra Oliveira, 35, foi convocada novamente depois de um hiato de três anos. Pra quem não se lembra, a pivô jogou pela última vez com a camisa brasileira no Mundial de 2006 disputado em São Paulo.

De lá para cá, nunca mais foi chamada, por ordem de Grego, pois a jogadora movia – como ainda move – uma ação na justiça contra a entidade. Motivo: ela teve uma séria lesão no ombro e a CBB não fez o seguro que tinha prometido.

A jogadora ficou meses afastada das quadras – e desempregada por isso mesmo – e acionou a entidade por perdas e danos. Eu faria o mesmo.

Começa agora a resolver esta pendência com a CBB. Melhor ainda: está de volta ao time brasileiro.

Alguns podem se espantar: aos 35 anos?!?!?! Sim, aos 35 anos; e em forma.

Não tenho visto Alessandra jogar, mas ela está em atividade no basquete francês. Não para nunca.

Sempre foi arrimo de família e não pode abandonar as quadras, pois muitos dependem de seu esforço. Por isso mesmo, não se descuida; está em plena forma garantem quem está próximo a ela.

Além disso, é sempre bom lembrar: Lisa Leslie completa 37 anos em sete de julho próximo e continua em atividade com a camisa 9 do Los Angeles Sparks. Anunciou que vai se aposentar ao final desta temporada, mas ano passado, em Pequim, com 36 anos, ajudou o time dos EUA a faturar o ouro olímpico.

Alessandra continuará sendo útil para a nossa seleção e sua convocação foi uma ótima sacada de Hortência, que ligou para a amiga e pediu para ela voltar.

Alessandra, diante da nova realidade do basquete brasileiro, disse sim.

Outra que chacoalhou a cabeça positivamente foi Helen Luz. A ala/armadora, que também está na Europa, tinha se aposentado, voluntariamente, da seleção também em 2006.

Mas ao receber também uma ligação telefônica de Hortência, Helen balançou com os argumentos da Rainha e resolveu voltar. E ainda usou como argumento para seu retorno a mudança no comando da CBB.

Helen está com 36 anos, um a mais que Alessandra. Vale para ela o que falei anteriormente sobre a Alessandra.

São duas jogadoras de alto calibre que voltam ao time nacional. Irão se juntar a muitas meninas que não têm experiência e/ou não estão acostumadas a decisões.

Serão extremamente importantes neste processo de recondução do basquete feminino ao topo do ranking.

E isso acontece porque Carlos Nunes convidou Hortência Marcari para comandar o basquete feminino brasileiro.

Como eu disse há alguns meses, era importante não fazer pré-julgamentos por causa do passado do atual presidente da CBB.

Assim como Britto Cunha, Nunes parece ter mudado de rumo.

Que ele tenha encontrado o caminho certo, pois o nosso basquete feminino merece coisa melhor.

RESPOSTA

Como eu disse acima, a primeira convocação da era Hortência apresentou duas, talvez três, surpresas.

A terceira surpresa foi o recrutamento da ala Iziane Marques.

Todos se lembram do comportamento egoísta da jogadora no Pré-Olímpico da Espanha no ano passado quando, feito garota mimada, teve chiliques porque foi conduzida ao banco de reservas pelo técnico Paulo Bassul.

Chamada a voltar ao jogo, disse não. E criou-se uma situação constrangedora que todos aqui se lembram muito bem.

E mais: disse que não jogaria com a camisa brasileira enquanto Bassul tivesse no comando da equipe.

Pois bem: ela foi chamada novamente; mas ainda não decidiu se aceita a convocação ou não.

Hortência, paciente, tem conversado com a jogadora por telefone e por e-mail. Disse que Iziane pode voltar, mas afirmou também que se sentir que ela vai dizer não, pega um avião e vai até Atlanta (EUA) conversar pessoalmente com a atleta.

Vale tudo isso?

Sinceramente, eu acho que não, pois está claro que Iziane ainda está ressentida com o que aconteceu e guarda rancor do técnico brasileiro.

Com esse espírito, a fogueira pode se acender a qualquer momento se houver uma discordância de trabalho entre eles. Iziane tem personalidade forte e parece-me imatura. Além disso, não é “coachable”, como dizem os americanos.

Que ela joga muito bem a gente não discute. Mas ela não é Hortência, Paula ou Janeth.

Por isso mesmo, não vale tanto esforço assim.

O grupo, para mim, em primeiro lugar.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): basquete brasileiro Tags: , , , , , ,
05/05/2009 - 19:38

UM NOVO CICLO?

Grego deu adeus ao basquete brasileiro ao retirar sua furada candidatura para a reeleição à presidência da CBB. Ia perder; para evitar a humilhação das urnas, caiu fora.

Já vai tarde, pois nada fez em prol do basquete brasileiro. Sua passagem foi um desastre.

Em suas mãos o Brasil escreveu uma de suas páginas mais tétricas. Há três edições que não vai à Olimpíada no masculino e no feminino, nos Jogos de Pequim, ficou em penúltimo lugar.

Nas categorias de base, o país tornou-se freguês de caderneta da Argentina no masculino e no feminino passou a perder – o que jamais havia ocorrido.

Um desastre.

Mas falar mal da administração Gerasime Bozikis é como empurrar bêbado em ladeira. Covardia pura, pois ele só errou. Criticá-lo é fácil dada a incompetência de sua administração.

Página virada, mas que não pode ser esquecida para que não repitamos os mesmos erros. Tem que ficar bem guardadinha.

Ontem, segunda-feira, Carlos Nunes foi eleito o novo presidente. Quem é Carlos Nunes?

Eu o conheci na época em que trabalhei no SporTV como comentarista de basquete. Nosso primeiro encontro foi em São Luís (MA), onde foi realizada a eleição de 1997 que tirou Renato Brito Cunha do poder e lá introduziu Grego, a quem ele, como presidente da Federação Gaúcha, apoiou.

Falamos, depois disso, pouquíssimas vezes. Sempre mostrou-se cordial e atencioso – mas não é isso que interessa.

O que interessa é saber se ele tem condições de gerir o basquete brasileiro nos próximos anos.

Se tomarmos a Federação Gaúcha como base, o cenário é preocupante. O basquete do Rio Grande do Sul não vai muito bem das pernas; ao contrário.

O Corinthians de Santa Cruz do Sul, uma das equipes mais fortes e tradicionais do estado, eu acho que nem existe mais. As categorias de base gaúcha também vão de mal a pior.

E pesa contra ele, via internet, várias acusações sobre desmandos na federação local. Coisas como venda de bolas de basquete para clubes quando deveria dá-las graciosamente uma vez que o fornecedor nada cobra da entidade; falta de apoio para os treinamentos das categorias de base, fazendo com que os atletas e treinadores tenham que gastar do próprio bolso para trabalhar, ignorando as verbas recebidas da CBB; e também que ele vive às custas da própria federação sem ter profissão definida.

Realmente eu não sei se é verdade. O que sei é que ele era do grupo do Grego.

Mas isso também não quer dizer muita coisa, pois lembro-me muito bem da última gestão de Renato Brito Cunha: excelente. Até então, ele tinha sido um péssimo dirigente.

Foi Brito Cunha quem fechou contrato com a agência de marketing esportivo de João Henrique Areias. E foi Areias quem fechou contrato com o SporTV, com a Molten (bola dos mundiais e olimpíadas), com a Unisys, informatizando o Campeonato Brasileiro, e com a TAM – e mais alguns pequenos acordos que nem me lembro mais.

Aqueles dois últimos anos do nosso basquete nas mãos de Brito Cunha foram excelentes. Mas os presidentes de federações estavam saturados da figura arrogante e ditatorial do então presidente e mesmo com um cenário amplamente favorável, acabaram tirando-o do comando da CBB nas eleições de São Luís.

Por isso, o fato de Nunes ter apoiado Grego tem importância relativa, pois ele pode muito bem ter se tocado do momento trágico do nosso basquete. Imagina, a partir de agora, um novo ciclo dentro de sua vida esportiva tentando virar essa página cheia de erros do nosso basquete, páginas escritas, como vimos, por Grego.

Mas suas primeiras entrevistas como presidente deixaram-me preocupado.

Elas dão conta que vai tirar Paulo Bassul do comando da seleção feminina. Motivo: fazer Iziane retornar ao nosso time.

“O Brasil precisa dela”, justificou Nunes.

Não gostei, pois mais do que Iziane o Brasil precisa é de dignidade. E Iziane não mostrou ser digna de trabalhar em grupo depois do que fez no Pré-Olímpico Mundial disputado na Espanha quando recusou-se a entrar em quadra.

Claro que o tempo passa e o que disse sobre Nunes e Brito Cunha pode servir perfeitamente para Iziane. Ela pode estar terrivelmente arrependida do que fez e é claro que merece nova chance.

Mas ela tem que mostrar seu arrependimento. Do jeito que o processo está sendo conduzido, Iziane vai voltar à seleção nos braços de sua arrogância e egocentrismo, certa de que derrubou Bassul e passou por cima de conceitos imprescindíveis num trabalho de equipe como o respeito ao próximo e, no caso, à camisa da seleção brasileira.

Vai se sentir a intocável e a indispensável. Vai se achar mais do que ela é; mais do que Paula, Hortência e Janeth. Vai se sentir o próprio basquete feminino.

No entanto, para o meu conforto, leio também que nossa eterna rainha foi convidada para administrar o feminino. Se Hortência aceitar, com certeza vai enquadrar Iziane, vai colocá-la em seu devido lugar, bem lá embaixo, pois Iziane ainda nada fez de importante para o Brasil quando colocou a camisa da nossa seleção.

Sobre Moncho Monsalve, Nunes disse que ele precisa mostrar resultados. Indício claro de que torce o nariz para o espanhol, descoberta de Grego.

Se verdade, um equívoco, pois Moncho fez um excelente trabalho à frente da nossa seleção no pouco tempo que teve para trabalhar. Lembre-se: ele não pôde contar com nossos jogadores que atuam na NBA – o que não aconteceu com outros treinadores, que tiveram esse privilégio e pouco fizeram de prático para o nosso time.

Temo que, do jeito que o espanhol é sangue quente, ao tomar conhecimento dessas declarações do novo presidente, Moncho peça para sair.

Seria um retrocesso, pois, como disse, o espanhol vem trabalhando muito bem e, mais ainda, prepara José Neto, seu atual auxiliar técnico, para ser o futuro treinador da seleção brasileira.

Finalmente, leio também que o atual presidente da CBB anuncia parceria com a empresa de marketing esportivo de José Carlos Brunoro, que trabalhou com Grego quando este rompeu contrato com Areias.

Há muito que Brunoro não faz um grande trabalho na área. É do ramo, sem dúvida alguma. Conhece teoria como poucos, mas, como disse, resultados faltam-lhe nos últimos tempos em seu currículo.

Seria uma oportunidade a mais para ele e sua agência. Tomara que dê certo, pois, pessoalmente, conheço e gosto de Brunoro.

Dito tudo isso, você pergunta: vai dar certo agora com Carlos Nunes?

Prefiro a cautela neste momento: vamos dar tempo ao tempo e ver o que vai acontecer. Os primeiros meses de Nunes à frente da CBB vão nos dizer qual será o rumo que esta nova administração vai tomar.

Aguardemos, pois.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): basquete brasileiro Tags: , , , , , , , , ,
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