UMA COMPARAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA
FaBio Alexandre, um dos frequentadores mais assíduos deste botequim, fez uma interessante observação em sua última mensagem. E ela me inspirou a conversa desta segunda-feira.
Disse o FaBio: “A atual safra brasileira é melhor que a da Argentina. O Brasil tem jovens talentos, Leandrinho, Varejão, Nenê, Splitter, Huertas, mesmo que a safra seja limitada. A Argentina tem uma safra muito boa, mas já está envelhecida. “El Narigón” e Nocioni não são nenhum adolescente, a curva é descendente e a do Brasil, como eu disse, é ascendente. Com um pouco de trabalho de base pode-se colher frutos melhores em 10 ou 15 anos. Que esses cinco que eu citei virem espelhos para as gerações futuras”.
A proposta de discussão é muito boa. Pois bem, vamos ao assunto.
ARGENTINA
Se Sérgio Hernández pudesse convocar quem quisesse, é claro que Manu Ginobili, Andres Nocioni e Carlos Delfino estariam no grupo. Fabricio Oberto, sinceramente, tenho dúvidas, pois o jogador tem tido problemas cardíacos e é veterano.
Dos 12 jogadores que estão em Porto Rico, sete estiveram nos Jogos Olímpicos de Pequim. A saber: Luis Scola (foto AP), Pablo Prigioni, Leo Gutierrez, Roman Gonzalez, Paolo Quinteros, Juan Gutierrez e Federico Kamericks.
Estiveram em Pequim e não estão em Porto Rico: Ginobili, Nocioni, Delfino, Oberto e Antonio Pernigotti.
O quinteto titular de Pequim era: Prigioni, Ginobili, Nocioni, Scola e Oberto. Na vaga de Manu entrou, na decisão do bronze, Delfino.
Acho difícil Oberto jogar na Turquia, pelo que falei. Dos outros três, Manu, Noce e Carlitos estarão. Sobram, portanto, duas vagas.
De quem seriam?
Alguém sugeriu Walter Hermmann, que amargou um banco danado no Detroit na última temporada, jogador de condições técnicas limitadas e que não esteve na Olimpíada. Mas é experiente e pode muito bem ser convocado, claro.
Então, digamos que Hermmann seja o 11º. Jogador. E o 12º., quem seria?
Leo Mainoldi, Diego Garcia, Juan Pablo Cantero, Matias Sander e Andres Pelussi estão em Porto Rico.
Sinceramente, não sei quem eu convocaria. Digamos então que Oberto seja requisitado e aos 35 anos dispute mais um Mundial.
Vamos ver então como é que fica a idade de cada um dos argentinos:
Prigioni = 32
Ginobili = 32
Delfino = 27
Nocioni = 30
Scola = 29
Oberto = 34
González = 31
Leo Gutiérrez = 31
Juan Gutiérrez = 26
Quinteros = 30
Kamericks = 29
Hermmann = 30
Média = 30 anos
O quinteto titular seria: Prigioni, Ginobili, Nocioni, Scola e Oberto. Média de idade: 31.4 anos.
BRASIL
Se Moncho Monsalve pudesse convocar quem quisesse, Nenê, Baby, Murilo e Paulão estariam no grupo. Como ele vem usando sistematicamente Marcelinho Huertas, Leandrinho Barbosa, Alex Garcia, Anderson Varejão (foto AP), Tiago Splitter, Guilherme Giovannoni e Marcelinho Machado, sobraria uma vaga.
De quem seria ela?
Huertas, Leandrinho e Alex seriam nossos armadores; Marcelinho e Guilherme, nossos alas; Varejão, Murilo, Baby, Nenê, Splitter e Paulão nossos pivôs.
Há gente grande demais. Digamos que Moncho corte um dos grandalhões – eu cortaria o Murilo. Sobrariam duas vagas.
Quem levar para essas duas posições? O ideal seria um armador nato e outro ala.
Vamos pensar para a ala em Jonathan Tavernari, que é jovem demais e aparenta ter um belo futuro pela frente. OK, falta então um armador.
Quem seria?
Hum… deixe-me ver… acho que o Moncho vai investir no Duda Machado.
Então, nosso grupo para a Turquia seria o seguinte, com as respectivas idades:
Huertas = 26
Leandrinho = 27
Alex = 29
Varejão = 27
Nenê= 27
Splitter = 24
Giovannoni = 30
Marcelinho = 34
Tavernari = 22
Baby = 30
Paulão = 21
Duda = 27
Média de idade = 27 anos.
COMPARAÇÃO
No ano que vem, no Mundial da Turquia, Prigioni entrará em quadra com 33 anos, o mesmo para Ginobili. Nocioni estará com 31, Scola com 30 e Oberto com 35. A média seria de 32.4 anos.
E quando Londres chegar? Bem, quando chegarem os Jogos Olímpicos, o time argentino terá: Prigioni (34), Ginobili (34), Nocioni (32), Scola (31) e Oberto (36). A média seria de 33.4 anos.
Digamos que o quinteto brasileiro titular na Turquia seja Huertas, Leandrinho, Alex, Varejão e Nenê. Nossa média de idade: 28.2 anos.
Em Londres – se lá chegarmos, claro –, a situação brasileira seria a seguinte: Huertas (28), Leandrinho (29), Alex (31), Varejão (29) e Nenê (29). Média: 29.2 anos.
Como se vê, uma diferença de 4.2 anos entre os quintetos titulares.
Agora digamos que o Moncho resolva colocar Varejão, Splitter e Nenê juntos, sacando Alex do time e deixando apenas Huertas e Leandrinho na armação, invertendo a formação atual.
Nossa média de idade cairia, pois, como vimos, o catarinense (foto AP) tem apenas 24 anos.
Na Turquia, o time titular teria em média 27.2 anos; um ano mais novo. Em Londres, estaria com 28.2 anos.
Nesse caso, a diferença para o quinteto titular da Argentina seria de 5.2 anos. Muita coisa.
Nos Jogos de não sei ainda onde, depois de Londres, o quinteto titular do Brasil teria 32.2 anos de média, enquanto que o da Argentina estaria com 37.4 anos.
É claro que Hernández tem opções no banco.
Delfino, que hoje tem 27 anos, a mesma idade de Leandrinho, Nenê e Varejão, substituiria Ginobili. Juan Gutiérrez, atualmente com 26, a idade de Huertas, entraria na vaga de Oberto.
Os demais são veteranos. Beirando ou ultrapassando a casa dos 30.
Confesso que eu não tenho um conhecimento profundo do processo de renovação na Argentina. Mas pelo que a gente tem visto nesta Copa América, não me parece ser dos melhores.
Como disse FaBio Oliveira, a Argentina está em uma curva descendente, enquanto o Brasil está em uma ascendente. O futuro parece mais promissor para nós do que para eles.
Alguém discorda?
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Andres Nocioni, Carlos Delfino, Fabricio Oberto, Leandrinho Barbosa, Luis Scola, Manu Ginóbili, Moncho Monsalve, Nenê, Sergio Hernandez, Tiago Splitter