CLEVELAND SE GARANTE NOS PLAYOFFS
O Cleveland tornou-se o primeiro time desta temporada classificado matematicamente para os playoffs. A vaga nasceu da vitória diante do Milwaukee, ontem à noite, por 91-73.
Novamente, um passeio do Cavs, mas diferentemente do que vinha ocorrendo, desta vez o técnico Mike Brown não deixou sua maior estrela no banco de reservas durante o último quarto. LBJ (foto AP) partiu definitivamente do jogo quando faltavam apenas 3:42 minutos para ele acabar.
Se Brown quisesse, não teria o menor problema, pois quando o quarto derradeiro começou, o Cleveland estava na frente em 72-58, diferença que o time titular do Bucks não teria condições de tirar nem diante dos reservas de Ohio.
Talvez Brown tenha recebido algum alerta do departamento de marketing do Cavs, s[o pode ser isso. Se você continuar fazendo isso, os confrontos contra os pequenos (a maioria) perderão em atrativo e ficará difícil vender bilhetes futuramente, deve ter alertado o departamento em questão.
Portanto, que Brown encontrasse um jeito de poupar seu melhor e principal jogador, mas deixando-o em quadra em todos os quartos, para alegria dos fãs.
Se verdade ou não, o fato é que o treinador distribuiu a presença de King James em quadra de modo a colocá-lo em jogo também no período final. LeBron jogou 33 dos 48 minutos. Descansou, portanto, 15 minutos.
E todos foram para casa felizes. Brown, que confiscou tempo importante de seu melhor jogador; o marketing, porque LeBron exibiu-se nos quatro períodos da partida; e o torcedor, que não se sentiu lesado.
Simples, não é mesmo?
VAGA
Mas voltemos à classificação do Cleveland – e ao jogo.
LeBron James, uma vez mais, foi o cestinha do time com 23 pontos. Mostrou, como sempre, sua incomum força física e não houve defensor do Milwaukee capaz de contê-lo em quadra.
Pegou ainda oito rebotes e deu quatro assistências.
Dos titulares, o único que não teve dois dígitos na pontuação foi Anderson Varejão. Mo Williams marcou 15, Zydrunas Ilgauskas 14 e Delonte West 13. Do banco veio Wally Szczerbiak que contribuiu com 11 tentos.
O capixaba ficou nos seis. Em compensação, apanhou nove rebotes (dois de ataque), roubou duas bolas e deu um toco.
Tudo em 29 minutos; tudo com a costumeira dedicação e garra que contagiam torcedores e, principalmente, os colegas de profissão.
Mais uma atuação aprovada do brazuca.
FESTA?
Não houve comemoração alguma no vestiário do Cleveland após a confirmação matemática para os playoffs. Por quê?
LeBron James responde: “Já sabíamos que iríamos chegar aos playoffs. Se não chegássemos, isto sim seria um desastre”.
Objetivos; o Cleveland os tem nesta temporada.
O primeiro foi atingido; o segundo é ganhar a Conferência Leste. E o terceiro, o inédito título de campeão da NBA.
INVENCIBILIDADE
O Utah conquistou mais uma vitória na temporada. Ontem, diante do Houston e diante de seus fanáticos torcedores, em Salt Lake City: 101-94.
Foi a nona consecutiva. E talvez a mais complicada de todas, pois o Rockets, sem o “loser” Tracy McGrady, vinha com uma campanha de oito vitórias e apenas uma derrota depois que o suposto craque deixou a temporada, contundido uma vez mais.
Já disse aqui neste botequim: fiquem de olho no Utah, pois o elenco é bom e o técnico diferenciado.
Ontem, Deron Williams (foto Reuters) e Carlos Boozer, a versão moderna (e não genérica, por favor) de Stockton/Malone, novamente fizeram a diferença. O armador, apesar de duas bobagens cometidas no final, quando o jogo ainda estava aberto (perdeu duas posses de bola no ataque), anotou 26 pontos e distribuiu 14 assistências.
Apesar dos dois erros comentados, quando faltavam apenas 21.4 segundo para a partida acabar, Williams fez um “cross over” pra cima de Kyle Lowry, arremessou e colocou o Utah na frente em 97-92.
A cesta colocou uma pressão enorme pra cima do Houston.
E aí entrou em cena Ronnie Drewer.
GIGANTE 1
Ronnie Brewer, ala/armador do Jazz, foi protagonista talvez das duas jogadas mais importantes do Utah “down the strecht”.
Quando o cronômetro indicava que faltava 1:23 minuto para o final e o placar mostrava 93-89 para o time da casa, Brewer cavou uma falta de ataque de Yao Ming e mandou para o banco, definitivamente, o pivô chinês.
Logo depois de Williams ter feito a cesta que possibilitou ao Jazz abrir cinco pontos (cesta mencionada acima), o Houston pediu um tempo e na saída Brewer desarmou Carl Landry.
Com a posse de bola, o Jazz ampliou o marcador para 99-92 com dois lances livres certeiros de Carlos Boozer. O ala/pivô, aliás, fez seu quinto jogo seguido desde que recuperou-se de uma cirurgia no joelho. Terminou a partida com 20 pontos e 17 rebotes.
“DOUBLE-DOUBLE”
Nota-se que as duas estrelas do Utah terminaram a partida com um duplo-dígito. Mas os 19 pontos de Ronnie Brewer somados aos quatro roubos de bola foram igualmente importantíssimos nesta nona vitória consecutiva do time de Salt Lake City.
ENTROSAMENTO
Pela primeira vez desde que voltou, Carlos Boozer ficou em quadra no momento decisivo. Mostrou que está recuperado.
Mais ainda: que a química com Deron Williams não foi para o espaço por causa dos três meses do lado de fora.
Disse Boozer no vestiário festivo da EnergySolutions Arena: “Eu e D-Will recuperamos nosso entrosamento”.
Dwyane Wade (foto AP) foi outro gigante na rodada de ontem da NBA. O armador do Miami marcou 35 pontos e deu 16 assistências, igualando seu recorde neste fundamento. Foi o “key factor” do Heat na vitória diante do Phoenix por 135-129.
Deu um baita de um toco pra cima de Grant Hill ao final do último quarto e, quase na sequência, pagou o preço de sua audácia: levou um tranco de Shaquille O’Neal quando tentava infiltrar-se pelo garrafão ensolarado.
Esparramou-se pelo chão e Shaq, do alto de seus 2m16 apenas olhava para o ex-companheiro de título (2006). Não moveu nem uma palha sequer para levantá-lo; pareciam inimigos figadais.
A jogada, no entanto, não intimidou D-Wade. Teve, a meu ver, efeito contrário: longe de ser um super-homem, Shaq mostrou-se infantil ao tomar aquela atitude.
D-Wade foi um gigante, pois na bola mostrou quem era mais forte.
VISITA
Foi a primeira vez que Shaquille O’Neal retornou a Miami desde que foi trocado, ano passado, com o Phoenix.
Queria ganhar; não conseguiu.
Fez cara feia, tentou usar seus superpoderes, deu porrada em Dwyane Wade, mas seus 22 pontos e oito rebotes foram inexpressivos diante da força de seu ex-companheiro de Heat, que, como falei acima, marcou 35 pontos e distribuiu 16 passes que se transformaram em cestas.
LEANDRINHO
O armador paulista fez apenas nove pontos. Foi um desastre em seus arremessos duplos e triplos: 3-11.
Noite para ser apagada de seu histórico na NBA.
PREOCUPAÇÃO
Os torcedores do Dallas que me perdoem, mas perder para o Mavericks nesta altura do campeonato, quando busca-se um melhor posicionamento dentro da conferência, é realmente preocupante.
Tudo bem que Manu Ginobili mais uma vez ficou de fora. Mas o elenco do San Antonio é suficiente para vencer o Mavs, mesmo jogando fora de casa.
Mas não foi o que aconteceu.
O alvinegro texano foi dobrado pelos anfitriões por 107-102 e atingiu a vigésima derrota na competição. Tem duas a menos do que Denver, Portland e New Orleans; três a menos do que Houston e Utah.
Volto a bater na mesma tecla: se o San Antonio não abrir os olhos, vai perder a segunda posição no Oeste.
E se isso realmente acontecer, o sonho de disputar a final da conferência pode se transformar em pesadelo.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Bucks, Carlos Boozer, Cleveland, Dallas, Deron Williams, Dwyane Wade, Heat, Jazz, leandrinho, LeBron James, Mavericks, Miami, Milwaukee, NBA, Phoenix, Ronnie Drewer, San Antonio, Spurs, suns, Utah













