CHICAGO: COMO UM VERDADEIRO CAMPEÃO
Chicago está na final do Leste. Eliminou na noite desta quinta-feira o Atlanta ao vencer o oponente, fora de casa, por 93 a 73. Sobrou no jogo; esteve à frente o tempo todo. Jogou como o primeiro colocado da conferência que tem os times mais fortes da NBA.
O Bulls vem crescendo nestes playoffs. Depois de ter tido uma série turbulenta diante do Indiana, que defendeu e bateu muito, este confronto diante do Atlanta foi menos complicado, em que pese ter perdido dois jogos contra apenas um da fase anterior.
Diante do Pacers, o Bulls foi um time nervoso, inseguro, que não conseguiu fazer seu jogo fluir. Além de não ter conseguido fazer a transição da fase de classificação para os playoffs, onde se separa os homens dos meninos, a pressão da mídia e da torcida era grande demais.
Todos olhavam para o melhor time do campeonato naquele momento. Todos esperavam que o Chicago jogasse como o melhor time que era de fato naquele momento. O grupo não suportou.
O resultado é que o jogo vistoso e fluente, que Michael Jordan chegou a indicar como jogo de campeão, desapareceu. Apesar dos 4 a 1, o Chicago sofreu para eliminar o Indiana; mas eliminou.
Começou mal diante do Atlanta, perdendo o primeiro confronto em casa. Ainda havia rescaldo da série anterior. Jogou bem o segundo confronto e venceu. Mas foi a vitória no terceiro embate da série por 99 a 82 o divisor de águas do time nestes playoffs. O Chicago parece ter se encontrado ali.
Voltou a jogar como o melhor time da fase de classificação.
Ontem, aniquilou o Atlanta. Jamais esteve atrás no marcador, chegou a abrir uma diferença de 26 pontos e acabou venceu por uma vantagem de 20.
Jogou como o melhor time da fase de classificação. Time que, nesta fase regular, venceu os três combates diante do Miami Heat.
DIFERENÇAS
O Chicago foi, desta vez, um time diferente do que a gente se acostumou a ver. Ao invés de Derrick Rose sair de quadra como o nome do confronto, quem ficou sob os holofotes foi Carlos Boozer.
Com Booz pontuando e Luol Deng cumprindo bem seu papel de coadjuvante, D-Rose olhou menos para a cesta. Teve um olhar mais horizontal. Ou seja: procurou mais os companheiros.
O resultado é que o armador acabou com 12 assistências. Arremessou apenas 14 bolas contra a cesta do Atlanta.
Nos cinco jogos anteriores, quando menos chutou, chutou 24 bolas. Atirou um total de 127 laranjinhas nas cinco contendas mencionadas, o que deu uma média de 25,4 por partida.
É o que eu sempre digo: se D-Rose tivesse para quem passar a bola, ele a passaria com todo o prazer. Claro que ele também gosta de investir contra a cesta adversária, mas também aprecia fazer passes.
Se o Chicago, por exemplo, contratar Dwight Howard e o Super-Homem assinar um contrato de cinco anos com o Bulls, D-Rose terá um “double-double” de média nos cinco anos em que os dois estiverem juntos. Aposto com quem quiser.
Com companheiros instáveis, não resta alternativa ao armador a não ser tentar “salvar o barco”. Desta vez, no entanto, o barco navegou tranquilamente. Tudo por conta do jogo de Booz.
O ala-pivô fez 23 pontos e pegou dez rebotes. Deu ainda cinco assistências. Nos arremessos, fez 11-16; ou seja: 68,7%. Nos cinco jogos anteriores, acertou apenas 24 de seus 50 tiros, o que deu um aproveitamento de 48,0%. Mostrou uma evolução incrível.
Se Booz jogar com essa intensidade a partir de agora, não apenas D-Rose melhora seus números quanto às assistências, mas o Chicago também melhora como time e suas chances diante do Miami crescem.
Isso foi visto no jogo desta quinta diante do Atlanta.
Todos nós sabemos que um time não se faz com apenas um jogador. Um time tem que ter o seu “franchise player”, mas ele precisa de apoio, de preferência dois jogadores.
D-Rose é o “franchise player” do Chicago. Luol Deng cresceu demais na reta final do campeonato. Está na hora de Booz provar que valeu o investimento que o Bulls fez nele.
SURPRESA
Se previ em meus comentários iniciais desta temporada o sucesso do Miami, não esperava pelo êxito do Chicago. Coloquei, aliás, o Bulls atrás do Atlanta, quinta posição na fase de classificação.
E, na minha ordem, ficou assim a fase regular: 1º) Miami; 2º) Boston; 3º) Orlando; 4º) Atlanta; 5º) Chicago.
O Chicago, no entanto, surpreendeu-me. E o fez por conta de um treinador que mostrou-se extremamente competente e montou um time. Forjou-o a partir de sua defesa.
O Bulls terminou a fase de classificação com a segunda defesa menos vazada, com média de 91,3 pontos contra por jogo, atrás apenas do Boston, que sofreu 91,1.
Nestes playoffs, ocupa igualmente o segundo posto, com média de 87,7 pontos sofridos por contenda disputada. Fica atrás apenas do eliminado Orlando Magic, que tomou 86,8 pontos de média em sua série diante do Atlanta.
Mas o mais importante disso tudo foi que Derrick Rose apresentou-se para esta temporada como um jogador completamente diferente do que o foi no campeonato passado.
No torneio anterior, ele foi muito mal nos arremessos; especialmente os triplos. Naquela competição, D-Rose acertou apenas 16 bolas longas; neste, já foram 128.
Passou as férias do ano passado treinando arremessos com um especialista em Los Angeles. Colhe os frutos de seu investimento, de sua dedicação.
D-Rose acabou merecidamente como o MVP do campeonato. Jogou uma barbaridade a fase de classificação, especialmente a reta final. Sem ele, por mais que a defesa fosse forte, o time não iria a lugar algum; D-Rose tem sido o diferencial do Chicago.
Isso me faz lembrar do Cleveland de Mike Fratello, hoje comentarista da ESPN. Sempre terminava o campeonato como a melhor defesa, mas não ganhava, pois não tinha no time um Derrick Rose.
Thibs foi muito importante para o Chicago, mas quem faz a diferença é Derrick Rose.
ATLANTA
O time melhorou nestes playoffs em relação à temporada passada. Na anterior, dirigido por Mike Woodson, o homem que montou esse time, o Hawks fraquejou.
Foi eliminado na primeira rodada pelo Orlando Magic por um incontestável 4 a 0. Desta vez, deu o troco no oponente da Flórida e fez uma série interessante diante do Chicago, um time melhor.
Mas é importante a gente ressaltar: o Atlanta não pôde contar com seu armador titular: Kirk Hinrich. E quando se perde um armador, num time em que o armador é o regente da orquestra (o que não ocorre no Lakers e no Miami), isso faz uma baita diferença.
O Hawks tem um time interessante. Falta-lhe claramente um ala, pois Marvin Williams não conseguiu explodir na NBA.
A franquia devia passar o verão atrás deste jogador. Se ele chegar, o time fará um “upgrade” tremendo e poderá, na próxima temporada, fazer um papel bem mais interessante do que o fez neste campeonato.
O problema do Atlanta, todavia, é estar em uma conferência que tem não apenas o Chicago, mas o Miami e o Boston, que pode vir forte, quem sabe, com Dwight Howard em seu elenco.
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