ERRO GROTESCO
Eu me pergunto: do que adiantou tudo o que o Charlotte fez em um tempo normal e em uma prorrogação? Nos segundos finais do segundo tempo extra, a defesa do Bobcats ficou completamente perdida no contra-ataque armado pelo Boston depois de Raymond Felton ter errado um arremesso a 11 segundos do fim.
O erro pior foi do ala Gerald Wallace, que tentou tomar a bola de Paul Pierce e deixou Ray Allen livre. Sabe o que aconteceu? Claro que vocês sabem, é público: Allen derrubou a bola tripla e colocou o Celtics na frente em 111-109 (placar final) e disse não ao adversário, que pretendia – e podia – ganhar a partida.
Eu me pergunto: como alguém pode deixar, segundos que sejam, um jogador como Ray Allen livre no momento decisivo (foto AP)? Ele já havia empatado a partida nos segundos finais da primeira prorrogação (101-101) e – o mundo está careca de saber –, é a principal opção ofensiva do Boston “down the strecht”.
Wallace deveria ter deixado Pierce no mano a mano com Boris Diaw, que contava ainda com uma provável ajuda do pivô Emeka Okafor. Diaw estava bem posicionado na marcação a Pierce e a chance de ele errar não era desprezível.
Mas Wallace optou pela ação do desarme e deu no que deu. A decisão do ala do Cats surpreendeu até mesmo Allen, que, após a partida, se disse surpreso ao se ver livre para o arremesso que destruiu o adversário.
“Eu realmente não esperava que Wallace me deixasse livre”, admitiu Allen depois do embate.
Inconformado, o técnico Larry Brown, do Charlotte, não conseguia entender por que não foi feita a falta em Pierce. “Tínhamos mais uma falta para fazer”, disse Brown.
E com três segundos para o final, depois de um pedido de tempo do Boston, o Cats voltaria com uma defesa mais bem posicionada, o que dificultaria o arremesso final.
A derrota representou um ponto final na sequência de vitórias do Charlotte. O time havia batido Philadelphia, fora, e Knicks e Lakers, em casa.
Estava empatado com o Chicago em número de derrotas. Agora tem 41, uma a mais que Bulls, que agradece Gerald Wallace.
PATINADA
Outro time que pisou na bola foi o Houston. Tudo bem que o jogo contra o Phoenix foi no Arizona; mas o Suns hoje é um time desfalcado no garrafão com a ausência de Amaré Stoudemire.
E os texanos têm um jogo interior forte com Yao Ming e Luis Scola. Por isso, não consigo entender a derrota por 114-109.
A partida foi muito igual; os números mostram isso. Shaquille O’Neal e Ming se anularam.
O problema é que Scola não conseguiu levar vantagem diante de Matt Barnes, seu marcador, na verdade um ala improvisado de ala de força, que mede apenas 2m01 de altura e não está acostumado à posição.
Baixo, como se vê, para a posição, cinco centímetros a menos que Scola, ala/pivô de ofício, acostumado às intempéries do garrafão.
A derrota do Rockets se deu exatamente aí.
DUELO
Dwight Howard e Chris Bosh, os dois pivôs do time dos EUA nos Jogos de Pequim, se encontraram ontem à noite em Orlando. Howard comportou-se como um ótimo anfitrião e estendeu um tapete vermelho para Bosh.
Esperto, o pivô do time canadense aproveitou-se das boas vindas e anotou 24 pontos e apanhou 12 rebotes. O ponto alto da gentileza de Dwight aconteceu quando faltavam 23 segundos para o final da partida.
Com uma marcação bem meia boca para quem é considerado o melhor pivô do mundo, Dwight possibilitou um arremesso para Bosh levar a vantagem do Raptors para três pontos: 98-95.
E o Magic não teve forças – e principalmente tempo – para reverter o marcador e ganhar uma partida que todos na franquia davam como favas contadas.
O prejuízo foi enorme, pois, com a vitória do Celtics diante do Bobcats, o Orlando perdeu a segunda posição no Leste para o Boston, que tem um melhor aproveitamento.
E é aquilo que a gente tem dito: a chance do Orlando num possível embate nas semifinais do Leste é ter a vantagem de quadra. Caso contrário, o Boston decidirá o título da conferência com o Cleveland.
O Lakers fez as pazes com a vitória ao bater o Milwaukee (foto AP) por 104-98. Mas não foi sossegado.
O time californiano esteve atrás no marcador no terceiro quarto, iniciou o último também em desvantagem, para tomar a dianteira quando faltavam 7:52 minutos para a buzinada final.
Dali para frente, não perdeu mais o controle do jogo. Mas voltou a mostrar aquela mesma indolência que tem marcado seus últimos jogos.
O primeiro tempo do Lakers foi preocupante do ponto de vista defensivo. Possibilitou ao adversário um aproveitamento de 56.8% de seus arremessos.
Mas esqueçamos os problemas do jogo de ontem. Vamos nos concentrar na notícia que vem de Los Angeles: Andrew Bynum está se recuperando mais rápido do que esperava de sua contusão no joelho.
E garantiu: volta nos últimos jogos da fase de classificação. Ou seja: daqui a uns dez dias no máximo.
Ele falou em duas semanas ao responder uma pergunta de uma fã que o encontrou na rua, ontem, após posar para uma fotografia.
Perguntou ela: “Quando você volta?”; respondeu Bynum: “Duas semanas”, para acrescentar, em seguida: “Tomara”.
E sorriu; para a fã e para sua boa situação.
APOSENTADORIA
Allen Iverson disse ontem que cogita se aposentar ao final desta temporada. Iverson já não é mais o mesmo, todo mundo sabe disso.
Mas ele ainda pode jogar em alto nível na NBA. Claro que não a ponto de levar nas costas – como fez no Philadelphia – uma equipe para disputar o título.
A decisão se deve ao fato de ele não querer se tornar gerente de banco. Ego inflado, quer ser titular.
Até aí tudo bem. O problema é que ele quer ser titular de um time de ponta.
Não dá mais.
Iverson pode ser “starter” de times que vão, no máximo, brigar pela oitava posição em sua conferência. Mesmo assim, se divertiria em quadra e ganharia mais dinheiro para uma velhice sossegadíssima – não dele, mas da quarta geração a partir dele, óbvio.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Allen Iverson, Andrew Bynum, Boston, Celtics, Gerald Wallace, Houston, Lakers, Luis Scola, Phoenix, Ray Allen, Rockets, suns




















