O Cleveland segue partindo nossos corações. Até onde vai isso? Quando vai acabar esta agonia? Com a derrota de ontem, em casa, diante do Detroit Pistons, 103 a 94, o time de Ohio chegou ao seu 26º revés consecutivo.
Além de ser o maior na história da NBA, O Cavs iguala-se ao Tampa Bay Buccanners, time da NFL (liga de futebol americano), que perdeu 26 partidas seguidas na temporada 1976/77.
Amanhã, sexta-feira, o time recebe o Clippers em sua Q Arena. Deverá estar lotada, como na derrota para o Detroit. O compadecimento dos fãs do Cavs com o time é comovedor. Não há vaias estrepitosas, ninguém arreda pé do ginásio até a buzinada final. Todos estão apoiando o time.
Se o Cavs não bateu o Detroit, quem garante que ele vai vencer o Clippers? Ninguém. Eu mesmo não tenho esperança de que isso vá ocorrer. Pra mim, o time californiano vai afundar ainda mais o Cavs.
Amanhã veremos a 27ª derrota seguida da franquia. Entrará para a história pela porta dos fundos. Recorde vexatório. A franquia com mais derrota em toda a história do esporte americano.
Os jogadores têm que pensar nisso. Eles não podem aceitar este tópico em seus currículos. É humilhante demais.
Ter igualado o pior recorde já foi dolorido, ultrapassá-lo seria o fim da linha.
CULPADO
Quem é o culpado disso tudo?
É certo que o time perdeu LeBron James. Muitos, inclusive eu, não conseguiram dimensionar o tamanho do jogo de LBJ e sua importância na equipe. Foi King James picar a mula e o Cleveland definhar.
É certo também que contusões também atrapalharam. O time está jogando sem Anderson Varejao, Mo Williams e Leon Powe. Muita coisa para um time ruim.
Mas o grande culpado disso tudo atende pelo nome de Dan Gilbert. Já disse aqui algumas vezes que ele não soube escolher gente certa para o lugar certo.
Danny Ferry como GM do time foi um fiasco. A escolha de Mike Brown para treinador também. Atletas contratados para tornar o Cavs uma franquia competitiva se revelaram desastrosos.
Tudo isso fez LeBron James ir embora. E a partida de LeBron colocou o Cavs neste buraco onde hoje ele se encontra.
TRANQUILO
Byron Scott, técnico do Cleveland, se diz tranquilo em relação ao cargo. “Tenho muita confiança no que estou fazendo”, disse Scott. “Sei que sou o cara certo para este emprego. Obviamente que precisamos melhorar como time, mas eu sei que sou o cara certo para este trabalho”.
E prosseguiu o treinador: “Ficamos tristes quando sentimos que podemos ganhar e aí acabamos perdendo. Estamos descontentes com a maneira como as coisas estão indo. Mas não há nenhuma indicação que eu corra qualquer risco (de perder o emprego)”.
Byron Scott (foto AP) decepciona. Eu esperava mais dele. Mas, analisando com cuidado, a gente vê que não há muito o que ele pode fazer. LeBron é passado; Varejão, Mo e Powe estão lesionados. E o elenco é fraquíssimo.
Eu, se fosse Dan Gilbert, não colocaria em risco jamais o cargo de Scott. Ele já mostrou que é capaz. Eu se fosse Gilbert venderia a franquia.
RODADA
O San Antonio venceu mais uma. Desta vez foi contra o Raptors, em Toronto: 111 a 100. O time texano segue sendo a melhor equipe do campeonato, muito bem dirigida por Gregg Popovich.
Popovich segue seu criterioso projeto de desenvolvimento de Tiago Splitter, o que nos deixa muito animados, pois o futuro do catarinense está garantido. Vejam, por exemplo, o que o treinador preparou para o nosso Tiago nos dois últimos jogos: num deles, contra o Detroit, Tiago jogou 45 segundos; noutro, contra o Toronto, 15 minutos.
Popovich revoluciona. Seu plano para Splitter é vanguardista. Nunca ninguém fez nada igual. E não é para mentes vulgares; é para mentes brilhantes. Não tente entender se fosse não tiver intelecto capaz.
Eu, por exemplo, jornalista de QI baixíssimo, não consigo entender o que isso significa. Nem me atrevo. Mas deve significar algo muito bom — e bom para Splitter.
Fico olhando para o “box score” dos dois jogos e fico apatetado com o que vejo: no dia em que Tiago jogou 45 segundos, pegou um rebote e mais nada; no dia que ele jogou 15 minutos fez seis pontos e oito rebotes.
Dá pra entender? Se você tiver QI avançado, como o de Popovich, vai entender. Caso contrário, faça como eu: nem tente.
E pra não fazer feio na frente dos outros, diga que Popovich é genial, que ele elaborou um plano coerente e contundente para Tiago Splitter e que o nosso barriga-verde será um dos maiores de todos os tempos porque segue à risca o que este gênio do basquete, talvez comparado a Leonardo da Vinci (se é que dá para comparar), elaborou para ele.
APOSENTADORIA?
A notícia acabou de ser dada: Jerry Sloan pediu demissão do Utah Jazz. O motivo principal é que ele perdeu o controle do time. Brigou com Deron Williams e foi nocauteado.
Dentro da franquia havia a certeza de que D-Will, que será “free agent” ao final da próxima temporada, se mandaria de Salt Lake City caso Sloan fosse mantido no cargo.
Típico caso de jogador que derruba treinador. D-Will é genial, já disse isso aqui. É para mim o melhor armador da NBA na atualidade. Mas não é a primeira que ele apronta nesta temporada.
Ainda na “pré-season”, humilhou o novato Gordon Hayward por causa de um mau posicionamento dele num ataque do Utah. Gritou com o garoto de Butler e o ginásio inteiro ouviu.
Agora, o que se comenta é que ele deu esta rasteira em Jerry Sloan (foto Getty Images). Se verdade, lamentável.
Sloan fez muito pela franquia. Não podia ser tratado desta maneira pelos proprietários. Se D-Will derrubou hoje Sloan, amanhã ele derruba outro.
Repito: se verdade (se verdade), o Utah Jazz escolheu o caminho errado. Ser humano que tem esse tipo de comportamento só merece desprezo.
Mas vamos aguardar os fatos para ver o que de fato ocorreu.