VAREJÃO CUMPRE BEM O SEU PAPEL
Escrevi ontem aqui: Nenê é o melhor brasileiro na NBA. Atingiu um nível dentro do Denver que Anderson Varejão (foto AP) e Leandrinho não têm no Cleveland e Phoenix respectivamente.
Isso ficou claro mais uma vez na vitória do Cavs diante do Utah (105-93). Varejão fez em quadra o que dele esperam o técnico Mike Brown e seus companheiros – embora sua participação no primeiro tempo tenha sido bem apagada, quando conseguiu apenas um toco e um rebote; melhorou, e muito, no segundo, quando anotou todos os seus cinco pontos, apanhou mais quatro rebotes e fez seu único desarme no embate.
Pouco, não é mesmo? Mas é o que está reservado para o capixaba.
Mas fico pensando: pouco pra nós, brasileiros, que roemos as unhas à espera de um desempenho a la Dwight Howard. Mas Varejão não é Howard – e jamais será. Ele sabe disso e vive feliz com seus cinco pontos, cinco rebotes, um toco e um desarme.
Fica contente quando abre o jornal local no dia seguinte e lê que ele e Bem Wallace foram importantíssimos no triunfo do time por terem segurado Carlos Boozer “down the stretch”. Ou seja, no momento derradeiro da partida.
É assim que todos avaliam seu desempenho; ele, a comissão técnica, seus companheiros e os 20.562 torcedores que mais uma vez ocuparam todos os assentos da Q Arena.
Nós é que queremos mais. O que é compreensível, pois torcedor é assim mesmo.
Daqui em diante, analisarei Varejão sob este ponto de vista. O que vier será lucro – como, aliás, já ocorreu nesta temporada em algumas partidas.
Minhas unhas agradecem.
SCORE MACHINE
LeBron James voltou a barbarizar a defesa adversária. Foram 38 pontos diante do Utah, 16 deles no último quarto, batendo a porta definitivamente na cara do visitante. O bom nessa história é que suas bolas de três estão caindo com maior freqüência. Ontem foram 3-7; ou seja, 42.8%, dentro da média. E LBJ estava bem abaixo no início da temporada.
Além disso, os 13-21 nas bolas duplas significam 62% de acerto, o que é muito bom em se tratando desse tipo de arremesso. E seu desempenho nos lances livres se aprumou: 9-11 (81.8%), uma performance também muito boa.
Com números assim, é difícil o Cleveland perder. Se alguém quiser dobrar o time de Ohio terá de subtrair um pouco da pontuação de King James, cestinha da NBA neste início de competição com exatos 29.8 pontos de média.
E segurar também Mo Williams. Este merece um capítulo à parte.
BAIXINHO BOM DE BOLA
Mo Williams veio do Milwaukee para o Cleveland em negociação feita durante o verão norte-americano. Foi uma das melhores contratações feitas por uma franquia para esta temporada.
O negócio foi concretizado exatamente no dia 13 de agosto passado.
Mo é um legítimo armador, mas daqueles bons de bola, que ainda pontuam. Na temporada passada teve médias de 17.2 pontos e 6.3 assistências. Nesta, ainda em busca do entrosamento ideal, está com 15.4 pontos e exatas cinco assistências.
CONTA DE MENTIROSO
Com a vitória por 105-93 diante do Utah, o Cleveland conquistou seu sétimo triunfo consecutivo nesta temporada. E confirma os prognósticos: é favoritíssimo para chegar à final da Conferência Leste.
Está atualmente na segunda colocação do lado do Atlântico, com oito vitórias e duas derrotas, atrás apenas do Boston, que tem um triunfo a mais.
Suas duas derrotas foram “on the road”, onde venceu também outro par de jogos. Time campeão tem que ter desempenho forte como turista, especialmente para ficar na frente da concorrência e ter conforto no momento dos playoffs.
O Boston que o diga.
AUSÊNCIAS
O Utah não pôde contar com três de seus principais jogadores: o armador Deron Williams, contundido no tornozelo, o ala russo Andrei Kirilenko (que não é parente da Maria, como vimos), machucado no dedo, e o pivô turco Mehmet Okur, que permanece em seu país ao lado do pai, doente, num drama bem parecido com o de Leandrinho. Além disso, outra peça importante no esquema do técnico Jerry Sloan, o ala Matt Harpring, também lesionado, não jogou.
O Jazz perdeu seus três últimos jogos, todos “on the road”. Mesmo assim, mantém a segunda posição no Oeste, com uma campanha de 6-4 (60%).
Alguém duvida ainda que os times do lado do Pacífico são a grande decepção neste começo de disputa? Eu não duvido.
Com um desempenho de 60%, o Utah seria o sétimo colocado na Conferência Leste. Os dez primeiros na classificação geral são: 1º. Lakers, 2º. Boston, 3º. Cleveland, 4º. Atlanta 5º. Detroit, 6º. Orlando, 7º. New York, 8º. Utah, 9º. Houston, 10º. Phoenix.
Passando a régua: entre os top 10, seis vêm do Leste e apenas quatro do Oeste.
NOVO REVÉS
E não é que o Atlanta voltou a perder? Agora em casa – e novamente diante do New Jersey: 119-107. É o terceiro revés consecutivo
Depois de um início avassalador, quando venceu seus seis primeiros embates, o Hawks perdeu força e faz um vôo de Ícaro neste momento. Seria possível conter a queda?
Vai depender do que de fato está ocorrendo e como o técnico Mike Woodson vai lidar com isso. É certo que a ausência de Josh Smith é importante, mas sem ele o time fez boas vitórias e grandes jogos, como contra o Boston, por exemplo.
O fato é que seus jogadores passaram a ser marcados. E caíram na armadilha defensiva dos oponentes.
É nesse instante que você vê quem é quem; é agora que a gente vai descobrir se o Atlanta é força no Leste ou entrará no playoff na bacia das almas, como aconteceu na temporada passada.
OUTRA DECEPÇÃO
Quem também decepciona neste início de temporada é o New Orleans. Tido por muitos – inclusive por mim – como uma das forças do Oeste, é apenas o sexto colocado na classificação com uma campanha medíocre de 5-4 (55.6%).
Tudo bem que ontem a derrota foi em Houston por 91-82, mas no campeonato anterior, nestas circunstâncias, o Hornets passava por cima de seu concorrente.
Time campeão é assim: curva-se apenas diante dos grandes. E não me parece que o Houston tenha esse status – pelo menos até este momento, apesar do frisson dos 18.303 torcedores que ocuparam todos os lugares do Toyota Center.
O centro da questão são os arremessos, que não estão calibrados. O Hornets tem uma média de 93.6 pontos de média por jogo, o 24º. na classificação geral. Isso apesar da contratação de James Posey, um dos melhores arremessadores de três da NBA na atualidade.
Se a bola não cai, fica difícil vencer.
NORMALIDADE
O Boston venceu mais uma (Milwaukee, 102-97, fora de casa), normal. O Clippers perdeu mais uma (Golden State, 121-103 em casa), normal.
RODADA
O Denver recebe o Minnesota esta noite no Colorado. Mais uma vitória – e com grande atuação de Nenê. Esta é a minha previsão.
O Phoenix hospeda o Detroit, mas Leandrinho não jogará. Não se sabe ainda quando o brazuca voltará a vestir a camisa 10 do Suns.
Os dois jogos começam às 23h de Brasília. Pela internet, apenas.
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