O Lakers perdeu novamente. Ontem para o Atlanta. E não foi na última bola. O jogo foi mole, mole para o Hawks. O resultado final mostra isso: 109-92.
O Los Angeles perdeu três de seus últimos quatro jogos. Todos fora de casa. Aliás, para sermos justos, dos cinco cotejos em terra estranha, venceu dois e perdeu três.
É, a vida longe de casa é complicada. Por isso, a gente não pode se iludir com os amarelinhos no começo de uma competição olhando apenas a tabela de classificação.
Como a maioria de seus jogos no início de uma temporada é em casa, o Lakers abre uma grande vantagem em relação aos demais. Tenho criticado isso, dizendo que o time acumula gordura e ganha confiança ao longo da competição.
Mas estou sendo desmentido nesta temporada. Fora de casa o Lakers não tem mostrado a eficiência que eu dele esperava.
Ao longo do torneio o time angelino tem um recorde de 54 vitórias e 21 derrotas; aproveitamento de exatos 72%. Fora de casa, seu desempenho é este: 22-16; ou 57.9%.
Vejam a diferença…
Em seu Staples Center — que também é do Clippers, diga-se —, o aproveitamento é o maior de todos: 86.5% (32-5). Só não é melhor do que o Cleveland, que tem 32-4 em sua Q Arena.
Dos últimos sete jogos desta fase de classificação, o Lakers fará quatro diante de seus torcedores. Por isso, não acredito que vá perder a liderança no Oeste.
Tem 21 derrotas contra 25 do Dallas e 26 de Utah e Phoenix. Desta forma, entrará com a vantagem de decidir em casa todas as séries dos playoffs.
Por isso, não acredito em surpresas e aposto no Lakers na final da NBA.
O problema vem depois: se der Cavs na decisão, o Lakers jogará em desvantagem, pois a campanha do time de LeBron James e Anderson Varejão é superior à do time de Kobe Bryant e Pau Gasol.
O Cavs tem apenas 16 derrotas. O Lakers precisa vencer todos os seus últimos sete jogos e torcer para o Cleveland perder seis de seus últimos sete confrontos.
Traduzindo em números: o Cavs, que tem um aproveitamento de 78.7% ao longo desta temporada, teria que despencar para 12.5%.
Impossível.
Assim, o Cleveland termina a fase de classificação como melhor time da NBA. Entrará com vantagem sempre que estiver disputando uma série no Leste e a final, se chegar até lá.
Por isso, se chegar, a meu ver, será campeão.
O Lakers, na reta final do campeonato, dá sinais de cansaço e submissão quando joga fora de casa.
MARÇO NEGRO
Nunca um mês foi tão obscuro para o Lakers como este mês de março. O time perdeu seis partidas; venceu nove. Em percentual: 60% de aproveitamento.
Outubro não conta porque foram apenas dois jogos (1-1). Seguindo em frente temos ao longo da competição o seguinte:
Novembro: 12-2 (85.7%)
Dezembro: 12-3 (80.0%)
Janeiro: 12-5 (70.6%)
Fevereiro: 8-4 (66.7%)
Março: 9-6 (60.0%)
Como se vê, é nítida a queda de rendimento do Lakers. Não apenas em março, mas à medida que o campeonato passa.
ANÁLISE
Kobe Bryant, depois do jogo, declarou: “Não estamos jogando bem defensivamente”. Bidu!
Claro que não, basta ver o resultado final não só deste, mas dos últimos jogos da equipe. No prélio de ontem na Philips Arena de Atlanta, o Los Angeles permitiu ao Hawks acertar 54.2% de seus chutes.
Mais ainda: quatro dos cinco jogadores do Atlanta tiveram aproveitamento superior a 50% de seus arremessos. A saber: Josh Smith, Joe Johnson, Mike Bibby e Al Horford.
Mas não foi só isso: o pessoal que veio do banco definiu o jogo em favor dos anfitriões. E foi uma goleada: 48-22.
E não é que apenas um jogador arrebentou e fez mais de 30 pontos. Nada disso. Moe Evans anotou 18, Jamal Crawford (ao lado de Joe Johnson o melhor jogador “down the strecht” do Atlanta) cravou 14 e Zaza Pachulia (!) fez 10.
Pachulia, aliás, anotou seu segundo “double-double” desde o dia 29 de março do ano passado. Sabem contra quem foi o “double-double” referido? Lakers.
RODADA
Não vi os demais jogos da rodada de ontem. Mas chama a atenção a vitória do Oklahoma City sobre o Celtics, em Boston, por 109-104. Chama também a atenção a pontuação de Kevin Durant: 37 tentos.
Vocês que me conhecem sabem muito bem que eu não acredito nesse negócio de pé-frio, mas eu começo a ficar com a pulga atrás da orelha. Quando eu me arrumo no sofá para ver o Thunder jogar, o time invariavelmente perde e KD não joga nada; quando eu me dedico a outro confronto, o OKC detona e Durant arrebenta.
Como disse, começo a ficar com a pulga atrás da orelha.
Mudando de jogo, pergunto: alguém viu o jogo do Phoenix em Nova Jérsei? Pergunto porque é escandalizante olhar para o “box score” e ver que Leandrinho Barbosa fez apenas dois pontos em 16 minutos em quadra.
Alguém tem mais detalhes?
(Vitória do Phoenix por 116-105.)
Por falar em brasuca, Anderson Varejão segue de fora do time do Cleveland por causa de uma lesão. Deve voltar diante do Atlanta, amanhã à noite.
E é bom que volte, pois o time tem sentido falta de sua energia em quadra. Ontem, suou, pelo que vejo nos relatos, para vencer o Milwaukee (fiquem de olho no Bucks, já disse) em sua Q Arena por 101-98.
O “high light” da contenda mostrou um final emocionante. E quase o Cavs foi para o beleléu.
É bom frisar: se o Cleveland jogou sem Varejão, o Milwaukee não pôde contar com Carlos Delfino. “Down the strecht” o argentino é poderoso.
Fez falta ontem.
Os outros resultados da quarta-feira foram:
Toronto 114-92 Clippers
Charlotte 103-84 Philadelphia
Detroit 81-98 Miami
New Orleans 91-96 Washington
Minnesota 108-99 Sacramento
Memphis 102-106 Dallas (OT)
San Antonio 119-102 Houston
Portland 118-90 New York
Utah 128-104 Golden State
DESFALQUE
O primeiro já surgiu: LeBron James não irá participar do Mundial da Turquia entre agosto e setembro próximos. ‘Bron disse que estará “muito, muito, muito, muito, muito ocupado”.
Com o quê?
Provavelmente decidindo seu futuro: Cleveland ou outra equipe.
Essa é a justificativa. Mas, creiam: Mundial de basquete é como a Copa do Brasil; Olimpíada é como o Campeonato Brasileiro.
Compreenderam?
A importância de um é muito pequena perto de outro. Então, deve ter pensando LBJ, por que me desgastar e perder tempo disputando uma competição menor se eu tenho um monte de coisas pra fazer?
Outras dispensas deverão surgir. Acredito que o próximo a pular fora do barco é Dwyane Wade. Depois Chris Bosh — jogadores que como ‘Bron também estarão tratando do futuro.
MVP
A NBA anunciou ontem que os torcedores vão votar para o MVP da temporada. A escolha dos fãs, no entanto, significará apenas um voto. Os outros 124 virão de jornalistas especializados.
Sábia decisão da NBA, pois, com isso, evita-se criar equívocos. Sim, pois os torcedores, em sua esmagadora maioria, votam com o coração e não com a razão.
Yao Ming, por exemplo, poderia ser eleito o MVP de uma temporada. Já pensou?
De maneira burra, a Fifa, há uma década, não me lembro ao certo, abriu para os torcedores escolherem o melhor jogador do século passado. Maradona deu de goleada em cima de Pelé.
Por quê? Simples: esmagadora maioria de quem usou a internet para votar era de jovens que não tinham visto Pelé em ação. Escandalizada com o resultado, a Fifa criou uma nova categoria para não perpetuar um dos maiores equívocos da história: Maradona ser considerado melhor do que Pelé.
O que fez a entidade? Escolheu uma comissão de notáveis (ex-técnicos e ex-jogadores) e pediu para eles votarem. Como esses especialistas tinham visto os dois em ação, é claro que deu Pelé — e sempre dará quando a eleição envolver especialistas que viram os dois em campo.
Isso teria sido evitado se a Fifa tivesse feito como a NBA. Não fez porque o futebol é comandado por pessoas de intelecto menor; infelizmente.
Não adianta, podem falar o que quiserem, os americanos dão de 10 a 0 no resto do planeta; queiram ou não.
Não à toa eles são a nação mais poderosa e influente do mundo há um século.