17/11/2009 - 12:13
O muleke é peitudo, não tem medo de cara feia, não sente pressão, gosta de se arriscar, já é líder do time, mas… ainda carece amadurecer.
Falo de Brandon Jennings. Quem viu o jogo de ontem diante do Dallas há de concordar comigo.
Jennings (foto Reuters) teve a bola do jogo em duas oportunidades: ao final do tempo normal e ao final da prorrogação. Falhou nos dois momentos.
Resultado: o Bucks perdeu uma partida (115-113) que poderia ter vencido.
Do outro lado, Dirk Nowitzki, o alemão matador do Mavs, quando teve sua chance, não negou fogo. Esta é uma das diferenças entre homens e meninos.
Dirk = homem.
Jennings = menino.
ERRO
Onde foi que Brandon Jennings errou?
Foram dois erros.
O primeiro, perdoável. A um segundo do final do tempo normal, com o placar igual em 104 pontos, o muleke tentou matar o jogo com uma bola de três pontos, mas falhou.
Poderia ter buscado a infiltração ou o arremesso mais curto, próximo à redinha adversária, mais seguro, portanto, e com mais chances de a bola cair. Mas não: optou pelo tiro longo, mais arriscado; falhou, mas é do jogo.
O segundo… Bem, no segundo faltou-lhe tutano e maturidade para ludibriar a defesa adversária e deixar para que um companheiro decidisse.
Faltavam três segundos para o final da prorrogação e o jogo empatado novamente, agora em 113 tentos. Foi então que Jennings lascou outra pedrada tripla contra o aro texano; falhou novamente.
Poderia ter deixado para um companheiro decidir. Estava muito na cara que ele seria o responsável pelo ato derradeiro.
O turco Ersan Ilyasova estava muito bem no jogo. A bola deveria ter sido dada a ele, mas não foi.
ATENUANTE
Pode ser que o técnico Scott Skiles tenha armado a jogada para que Brandon Jennings decidisse. Mas o muleke poderia ter observado ao treinador: “Coach, ta na cara que a jogada será armada para eu decidir. Não seria melhor o Ersan definir?
Mas para fazer isso ele precisaria de mais maturidade. E isso ele ainda não tem.
O que é normal e compreensível.
Portanto, vamos devagar com o andor. Jennings mostra que tem muito potencial, é peitudo não tem medo de cara feia, não sente pressão, gosta de se arriscar, já é líder do time, mas… ainda carece amadurecer.
É fortíssimo candidato ao ROY desta temporada — se não for o mais forte de todos.
Mas ainda é um menino.
OT
Não foi apenas o jogo de Wisconsin que terminou necessitando de um tempo adicional. O mesmo aconteceu na Georgia; e lá também foi emocionante.
O armador Joe Johnson tinha acabado de acertar seus dois lances livres e levado o marcador a 85-82 em favor do Atlanta. Mas o Blazers tinha Rudy Fernandez.
Com muita frieza, o espanhol bateu o lateral bola, recebeu a pelota de volta, saiu da marcação e mandou um balaço certeiro: bingo!
Jogo igual em 85 pontos; prorrogação.
No tempo extra, Johnson (foto AP) anotou oito de seus 35 pontos e marcou a vitória com o carimbo do Atlanta: 99-95.
CONCLUSÃO
Rudy Fernandez = homem
Joe Johnson = homem
Brandon Jennings = menino
ESTRÉIAS
No último jogo da noitada de ontem, o Charlotte estreou Stephen Jackson, que foi trocado com o Golden State por Raja Bell e Vladimir Radmanovic — Rad talvez seja o maior mico da NBA na atualidade.
Jackson foi muito mal: 4-14 nos arremessos; 1-4 nas bolas de três. Anotou 13 pontos.
Ajudou, no entanto, nos rebotes: nove.
A troca foi boa para o Cats. Jackson tem lenha da boa para queimar.
A derrota de ontem para o Orlando por 97-91 é perfeitamente aceitável, dada a diferença entre as duas equipes.
Ah, sim: o Magic estreou na temporada Rashard Lewis, que estava suspenso por doping. Lewis atuou por 34 minutos; seus números: 10 pontos (0-6 nas bolas de três, seu cartão de visita), dois rebotes, uma assistência, um desarme, nenhum toco, três erros e cinco faltas.
Normal.
FIM
Aconteceu o que todos esperavam: Allen Iverson, 34, divorciou-se do Memphis. Depois de três partidas com a camisa 3 do time do Tennessee, acabou o idílio — se é que um dia existiu.
Triste fim deste que foi um dos maiores jogadores de basquete que vi jogar. Ao vivo e pela televisão.
(Acima, uma de suas poucas imagens com a camisa do Memphis em foto AFP)
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Brandon Jennings, Ersan Ilyasova, Joe Johnson, Rashard Lewis, Rudy Fernandez, Stephen Jackson
08/11/2009 - 16:10
No caso, americano. Quem assistiu ao jogo Chicago x Charlotte? Quem viu, deve ter constatado.
O ala John Salmons, do Bulls, terminou o primeiro quarto com a mão quente: 14 pontos. Não fosse sua performance e o Cats teria aberto uma grande diferença ao final do período, que terminou em 28-26 para o time da Carolina do Norte.
A 12 segundos do final do quarto em questão, o técnico do Chicago, Vinnie Del Negro, tirou Salmons do jogo, para descansar, claro. Em seu lugar fez entrar Janero Pargo. Deixou Salmons (foto AP) do lado de fora por 5min08seg.
Resultado: o Charlotte abriu uma diferença de nove pontos, 40-31. Salmons voltou correndo para a quadra, mas sem o ritmo do primeiro quarto.
Nos três seguintes, anotou 13 pontos. Terminou a partida com 27, mas se Del Negro não tivesse deixado-o mofando no banco de reservas por mais de cinco minutos, seguramente ele teria feito muito mais.
Por que fazer isso?
É mania de treinador; especialmente americano.
O jogador está bem, com a mão quente, pra que tirá-lo da partida? Pra descansar? Ora, há dois bons minutos disponíveis na troca de um quarto para o outro, suficientes para um refresco para o corpo e mente.
Além disso, Salmons não é um veterano como Shaquille O’Neal, por exemplo. Tem 29 anos e preparo para aguentar um jogo inteiro se possível.
Neste campeonato, seu melhor desempenho foi no cotejo de ontem, quando marcou os já mencionados 27 pontos. Depois desta marca, sua melhor exibição ofensiva foi na derrota diante do Miami, quando anotou 17 tentos.
Então, se o cara está inspirado, por que tirá-lo de quadra?
Mania de treinador; no caso, americano.
Mesmo assim, o Chicago venceu. Foi às duras penas, mas venceu: 93-90.
RODADA
O Denver voltou a decepcionar seus fãs. A sova, agora, foi em Atlanta. O time do brasileiro Nenê Hilário foi derrotado por 125-100. Como disse, uma surra. O são-carlense anotou 12 pontos e pegou sete rebotes. O desempenho do Nuggets nos dois últimos jogos deixa-me com a pulga atrás da orelha quanto ao futuro do time nesta temporada.
O Boston venceu o New Jersey, fora de casa, por uma dezena de pontos de vantagem: 86-76. Mas foi difícil. O jogo foi parelho em sua maior parte e o Nets chegou a liderar o marcado em várias oportunidades. O time perdeu a inspiração ofensiva, mas a defensiva, como os números provam, não.
E o New York? Será que os caras não percebem que Mike D’Antoni é um treinador completamente sem inspiração — pelo menos no momento? O time perdeu ontem, mais uma vez na competição (a sexta, diga-se, contra apenas uma vitória), agora para o Milwaukee, por 102-87. Vocês acham que LeBron James vai trocar o Cleveland por uma franquia tão caída como o New York? Eu não acredito.
Quanto ao Memphis… bem, este merece um capítulo à parte.
FIM DA LINHA?
O Memphis foi a Los Angeles e foi derrotado pela sexta vez no torneio — a quinta fora de casa. Tem apenas uma vitória na temporada.
Quem aproveitou para tirar uma lasquinha foi o Clippers: 113-110.
Mas não é apenas a derrota que preocupa. Allen Iverson pediu dispensa para resolver problemas particulares e disse não ter data para retornar.
A pergunta que não quer se calar é: voltará?
Duvido.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Bulls, Charlotte, Chicago, Denver, John Salmons, LeBron James, Memphis, Nenê Hilário, Shaquille O'Neal, Vinnie Del Negro
03/11/2009 - 12:38

Iverson em ação pelo time de Memphis
Mais uma rodada sem molho. A NBA deveria prestar mais atenção na elaboração da tabela. Não tem cabimento um sábado e uma segunda-feira (ou seja, dois em três dias seguidos) serem permeados por partidas desinteressantes.
Charlotte x New Jersey: que atrativo(s) tem esse confronto? Comecei a ver o cotejo; mudei rapidamente. Por curiosidade – e dever profissional – busquei o resultado final: vitória dos anfitriões por 79-68.
Importante: o New Jersey está invicto nesta temporada; não ganhou de ninguém até agora.
Escanteei Nets e Cats e passei a ver New York x New Orleans. O Hornets não é nem de longe aquele esquadrão de há duas temporadas.
Dá pena ver Chris Paul jogando neste time. Esperava mais do New Orleans com Emeka Okafor, mas nada mudou em relação ao time que tinha Tyson Chandler.
Sei não, acho até que piorou. Chandler, embora tecnicamente inferior a Okafor, tem garra e não apatia, característica do ex-pivô do Charlotte.
O final foi um tanto emocionante, disputado. Paul, quase que sozinho, fez uma reviravolta na partida e levou o Hornets ao triunfo. Mas não deu: vitória do Knicks por 117-111.
Utah x Houston foi o embate mais atraente da rodada. E com final surpreendente: do jeito que o Jazz vem jogando, acho que vou quebrar a cara, pois o time não chega nos playoffs de jeito nenhum.
O Rockets calou a EnergySolutions Arena com suas bolas de três: 10-19. Em contrapartida, os caseiros estiveram com a mão deformada: 3-11.
Isso realmente fez a diferença.
O “rookie” Chase Budinger veio do banco, jogou 22 minutos e anotou 17 pontos. Foi sua melhor performance como profissional com a camisa texana.
Se mantiver este desempenho, pode ser ótima alternativa para Rick Adelman neste período sem Tracy McGrady. Segundo os doutores do Houston, T-Mac deve retornar no final de dezembro.
Tomara que sim, pois é muito legal vê-lo em quadra; é quase a excelência do jogo. Pena que ele não consiga contagiar seus companheiros.
Clippers x Minnesota confesso que eu nem vi. Nem mesmo a curiosidade em assistir Jonny Flynn me fez sintonizar este confronto.
Bem, fui informado e informo vocês (se é que vocês ainda não sabem) que o primo pobre de Los Angeles conseguiu sua primeira vitória no campeonato: 93-90.
Chris Kaman, 25 pontos e 11 rebotes, levou o moto-rádio pra casa. Destaque também para os 15 rebotes de Marcus Camby.
Finalmente, Sacramento x Memphis. Vi a contenda para ver Allen Iverson pela primeira vez com a camisa do Grizzlies.
AI saiu do banco, jogou apenas 18 minutos. Tem que ser assim mesmo, devagarzinho, respeitando o peso da idade e as dores pelo corpo cansado de tanta labuta.
Seus números: 11 pontos em 18 minutos; 5-9 nos tiros de quadra e nenhum lance livre batido – o que mostra bem como ele foi econômico; uma assistência, mas zerou nos rebotes, desarmes e tocos; cometeu dois erros e fez duas faltas.
Iverson disse não ter tido qualquer problema quanto a contusão; problema foi entender o jogo do técnico Lionel Hollins. “Deem uma olhada nas estatísticas e vejam que eu não fui um sexto homem”, disse o jogador depois da partida.
Calma; o cenário será outro daqui a algumas rodadas. Iverson vai adicionar qualidade ao time do Tennessee.
Mas o destaque do jogo ficou por conta do armador Kevin Martin: 48 pontos!!!
Deveria ter aberto nosso papo com isso, mas confesso que até agora não consigo acreditar que isso aconteceu. É verdade que houve duas prorrogações e que Martin jogou 52 minutos; mesmo assim, é ponto pra dedéu.
O jogo terminou com a vitória do Kings por 127-116. Foi também a primeira do time californiano na competição.
FINALMENTE
Até que enfim uma rodada imperdível. Vejam os jogos desta noite: Cleveland x Washington; Indiana x Denver; Philadelphia x Boston; Detroit x Orlando; Miami x Phoenix; Chicago x Milwaukee; Oklahoma City x Lakers; Dallas x Utah; Portland x Atlanta.
Pergunto: a NBA não poderia ter separado dois desses jogos e tê-los colocado na rodada de ontem?
Como disse, a NBA deveria ter prestado mais atenção na elaboração da tabela.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Chase Budinger, Chris Paul, Emeka Okafor, Kevin Martin, NBA, Tracy McGrady, Tyson Chandler
10/09/2009 - 23:47
Allen Iverson assinou contrato com o Memphis. O acordo é por uma temporada, onde ele vai ganhar a merreca de US$ 3.5 milhões.
Na temporada passada, jogando primeiro pelo Denver e depois pelo Detroit, “The Answer” faturou quase US$ 21 milhões. Como disse, jogou primeiro no Denver e depois no Detroit.
Agora vai ganhar uma ninharia e vai vestir a camisa do pobre Grizzlies. Iverson (foto AP) iniciou a segunda parte do voo de Ícaro.
Embicou em direção ao solo. Despenca a olhos vistos.
Joga pelo dinheiro ou pela ilusão de que pode fazer alguma coisa ainda nas quadras da NBA?
Pobre ele não está. Ganhou pouco mais de US$ 150 milhões nesses 15 anos de profissionalismo.
O que ele quer então?
Jogar; está na cara. Ainda sente amor pelo jogo,
Mas do jeito que ele joga, não seria melhor encarar um playground no Brooklyn, já que está milionário e não precisa (aparentemente) do dinheiro? Creio que sim.
Veterano, sem a mesma velocidade e habilidade de outrora, Iverson pouco deve acrescentar ao Memphis. Num primeiro momento, achei que ele poderia ser útil; hoje tenho dúvidas.
AI funcionaria num time onde ele não fosse o “number one”. Lakers, por exemplo. Num time onde houvesse um treinador para domá-lo; Lakers por exemplo.
Quem mais? Ora, Boston.
Quem mais? San Antonio, claro.
Quem mais? Hum… Talvez o Orlando – e mais ninguém, com certeza.
Mas vai ser legal vê-lo em quadra mais uma temporada. Ao mesmo tempo será constrangedor.
Cabe a ele calar a boca dos críticos.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Boston, Lakers, Memphis, San Antonio
22/08/2009 - 23:19
Allen Iverson foi bater na porta do Charlotte. O Cats, mais do que rápido, abriu-a.
Iverson e Larry Brown podem trabalhar juntos novamente. Os dois chegaram a uma final da NBA quando defenderam as cores do Philadelphia.
Mas houve muitos problemas naquela época entre eles. Iverson era indisciplinado; Brown, fruto de North Carolina, gostava (como ainda gosta) que tudo seja feito de maneira correta.
Ambos estão de namorico. Será que vai dar certo?
Tem o problema da grana. Quanto Iverson vai querer para jogar em Charlotte?
E mais: com Raja Bell, D. J. Augustin e Raymond Felton no elenco, Larry Brown vai ter que administrar o problema dos minutos para cada um.
Não é uma matemática de simples resolução.
A saída é negociar Raja Bell, cujo contrato com o Cats termina ao final da próxima temporada. Bell tem boa inserção no mercado, penso que não seria difícil para o Charlotte negociá-lo.
E seu salário não é nada astronômico: US$ 5.25 milhões.
Não sei se vai dar certo, mas eu gostaria de ver novamente Brown e Iverson juntos. Funcionou uma vez; será que funcionaria novamente, quase uma década depois?
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Charlotte, Larry Brown, Philadelphia
03/08/2009 - 19:41
Nem Clippers, nem Charlotte e nem Oklahoma City. Muito menos Memphis.
Allen Iverson acaba de receber a única proposta até o momento para jogar basquete na próxima temporada. E ela vem da Europa; ou melhor, da Grécia.
O Olympiakos acaba de oferecer US$ 10 milhões por dois anos de contrato. Traduzindo, US$ 5 milhões por temporada.
Pouco?
Para o Iverson do passado, uma ninharia; para o Iverson de hoje, ótima proposta.
Até porque, como disse, até o momento, nenhum time da NBA ofereceu nem um centavo sequer para o irrequieto armador.
Onde mais ele conseguiria esse dinheiro? Acho que em nenhum lugar.
Iverson está cheio de vontades, como se fosse um garoto mimado – mimado ele sempre foi, mas garoto ele não é mais.
Ele já avisou que não jogará a próxima temporada pelo mínimo oferecido a um veterano, que é US$ 1.9 milhão. Quer algo mais substancioso, em torno de US$ 8 milhões, que é o que ele acha que vale.
Ele já avisou também que não quer sair do banco (como reserva) e quer muitos minutos em quadra.
Vale a pena contratá-lo?
Não vale.
Muito dinheiro para um jogador em declínio e que é conhecido por ser um contumaz criador de casos.
Fosse ele e fecharia correndo esse contrato com o Olympiakos. Moraria dois anos na Grécia, viveria uma nova cultura, pisaria na história a cada esquina dobrada e ainda por cima conheceria, praticamente de graça, toda a Europa.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Basquete europeu, NBA
Tags: Allen Iverson, Charlotte, Clippers, Memphis, Oklahoma City, Olympiakos
09/04/2009 - 15:17
Foi a nona vitória consecutiva do Denver em seu Pepsi Center; a oitava enfileirada também. Dos últimos 14 enfrentamentos nas Montanhas Rochosas, o Nuggets ganhou 13 deles.
O time do brazuca Nenê Hilário caminha firme rumo à segunda colocação da Conferência Oeste. Confesso que não esperava por isso.
Declarei várias vezes aqui em nosso botequim que via o Nuggets nos playoffs, mas na sétima, oitava posição. Alguns analistas, aliás, colocavam o Denver fora dos playoffs.
Basicamente, os classificados, segundo eles, seriam Lakers, San Antonio, New Orleans, Phoenix, Houston, Dallas, Utah e Portland. Não exatamente nesta ordem.
Na entrevista que fiz com Nenê (foto AP) antes de o campeonato começar, perguntei como ele encarava essas previsões.
Ele respondeu: “Temos que pensar passo a passo, jogo a jogo. E o nosso primeiro objetivo é entrar nos playoffs, na melhor posição possível, de preferência entre os quatro, para termos a vantagem do mando de quadra no primeiro confronto. Mas um passo de cada vez. O primeiro objetivo é a vaga nos playoffs. Temos confiança no nosso time, no nosso grupo, e só dependemos das nossas forças, do nosso talento e da nossa qualidade para alcançarmos os nossos objetivos”.
Diziam também que o Denver podia implodir durante a temporada, pois a franquia havia trocado Marcus Camby – adorado pelo grupo –, não tinha estendido o contrato do Allen Iverson – o que o teria deixado insatisfeito –, falavam que Carmelo Anthony era individualista e que Kenyon Martin já não estava mais no auge da carreira.
Sobre isso, Nenê falou: “Desculpe, os críticos têm suas opiniões, que respeitamos, e nós temos as nossas. Se não acreditássemos na nossa força e no que podemos fazer juntos, nem entraríamos em quadra”.
Como se vê, a realidade hoje é outra; bem diferente das muitas previsões – inclusive da minha.
Mas não podemos deixar de considerar que antes de a temporada começar o time do Denver era outro. E o que mais conspirou a favor da mudança deste cenário foi a troca entre Chauncey Billups e Allen Iverson.
O Nuggets se livrou de um jogador problemático e decadente e pegou um dos melhores armadores da liga. Embora às vezes Billups dê umas viajadas e jogue mais para ele do que para o time, de uma maneira geral agregou qualidade indiscutível ao grupo.
Isso sem falar que, mesmo à distância, dá para ver e sentir que o ambiente no grupo é excelente.
Dia desses vendo uma entrevista de Jorge Valdano, campeão do mundo com a Argentina em 1986, ex-jogador e dirigente do Real Madrid, o argentino disse: “As vitórias não vêm por causa da união do grupo; a verdade é que o grupo se une por causa das vitórias”.
De um jeito ou de outro, o Denver é, como vejo, um grupo unido, que superou contusões, uma pequena má fase da competição (lembram-se quando ele, em cinco jogos, perdeu para Houston, Cleveland, Phoenix e Portland?) que o jogou para a sétima posição no Oeste e que, tão importante quanto, teve a adição de um jogador que hoje é indispensável ao grupo: Nenê Hilário.
SURPRESA
Como disse, ninguém esperava que o são-carlense fosse jogar tão bem como vem nesta temporada. Na vitória de ontem diante do Oklahoma City por 122-112, Nenê anotou 23 pontos e fisgou dez rebotes.
Como gosto de dizer, um partidaço!
Tem quase um “double-double” de média: 14.6 pontos e 7.8 rebotes. Arredondando: 15 pontos e oito rebotes.
Muito bom; ou melhor, excelente. Discordo daqueles que decretam que ele deveria ter um duplo dígito de média nesses dois fundamentos.
George Karl, técnico do time, tem muito a ver com o desempenho de Nenê nesta temporada. Quando ele deu sinal verde para a saída de Marcus Camby para o Clippers, ele sabia muito bem o que Nenê poderia fazer.
Foi importante também na recuperação da doença do brazuca. Karl igualmente enfrentou um câncer, mas na próstata.
Como Nenê, também venceu a batalha; mas sua luta foi anterior à de Nenê. Por isso, sabia o que dizer para o pivô, sabia como colocar bem as palavras e levar conforto para o jogador.
RETA FINAL
Nesses três últimos jogos da fase de classificação, o Denver fará duas viagens – e bem complicadas. Vai enfrentar Lakers e Portland longe dos fãs.
Apenas uma partida, portanto, será no Pepsi Center: contra o frágil Sacramento.
Se o Nuggets se der mal nessa mini-excursão, vai a 28 derrotas, o mesmo número de San Antonio e Houston.
Contra o Spurs, o Denver tem vantagem no confronto direto. Desta forma, o alvinegro texano teria que ganhar todos seus próximos quatro embates.
Ficou nesta posição difícil porque foi batido ontem pelo Portland, em casa, por 95-83 (Tim Duncan tenta bandeja em foto AP). Mas principalmente por causa da série de contusões de Manu Ginobili que culminou com o fim da temporada para o argentino.
Assim, caso o time colorado perca os dois jogos fora de casa, o San Antonio teria que passar por Utah e New Orleans, em casa, e Sacramento e Golden State, fora.
Não é nada de outro mundo, mas o time sem Manu não é confiável a esse ponto. Não dá para colocar a mão no fogo por essas vitórias.
Quanto ao Houston, o Denver perde no confronto direto. Desta forma, não pode terminar empatado. Três são os próximos oponentes do Rockets: Golden State e Dallas, fora de casa, e New Orleans, em casa.
O Houston, como o San Antonio, também tem condições de fazer três vitórias, mas não vem jogando pra tudo isso. Recentemente, apanhou de Utah, Phoenix e Lakers fora de casa.
Teria time para vencer o Dallas, no clássico regional? O jogo será na casa do Mavs, onde a equipe, dos últimos 18 jogos, perdeu apenas um, para o Denver.
Sinceramente, não acredito que Houston e San Antonio tenham condições de superar o Denver nesta reta final.
Com isso, a chance de Lakers e Denver fazer a decisão da conferência é muito grande.
E seria muito legal ver Nenê disputando o título do Oeste.
TABU
O Cleveland bateu o Washington, ontem, por 98-86. Foi a 38ª. vitória do Cavs em sua Quicken Loans Arena contra apenas uma derrota, frente ao Lakers.
Foi também o 15º. triunfo seguido diante dos fãs.
Como falei há alguns posts, o Cavs persegue o recorde do Celtics, que na temporada 1985-86 ganhou 40 de seus 41 embates no extinto Boston Garden.
Seu maior obstáculo será exatamente o time de Massachusetts. Na partida seguinte, terá o Philadelphia diante de si, Sixers que não tem cacife suficiente para surpreender o Celtics no TD Banknorth Garden.
Anderson Varejão anotou dez pontos e apanhou sete rebotes, quatro deles no ataque.
LeBron James? Pois não: 21 pontos, sete assistências, seis rebotes e três desarmes. Mais uma vez, jogou muito.
É incrível como LBJ flerta com o “triple-double”. Entrasse em quadra pensando apenas nos números, teria, como certeza, anotado dois dígitos em três fundamentos mais vezes neste torneio.
CONTUSÕES
Alguém comentou nesse botequim que o Dallas teve nas contusões seu grande adversário nesta temporada. Concordo.
Josh Howard foi o principal desfalque. Ficou 29 partidas longe das quadras.
Com ele de volta ao time texano, o Mavs voltou a ser forte. Claro, não fica tudo nas mãos de Dirk Nowitzki, embora Jason Terry seja um ótimo apoio.
No massacre de ontem diante do Utah, Howard cravou 13 pontos, oito rebotes e sete desarmes. Números expressivos.
Isso possibilitou ao alemão fazer 31 pontos.
O Dallas é uma equipe forte. Se vai ser campeã são outros quinhentos. Mas não é time para ficar de fora de playoffs de jeito nenhum.
No campeonato que vem a história será outra – a menos que o time seja novamente vítima do destino.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
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02/04/2009 - 15:12
Eu me pergunto: do que adiantou tudo o que o Charlotte fez em um tempo normal e em uma prorrogação? Nos segundos finais do segundo tempo extra, a defesa do Bobcats ficou completamente perdida no contra-ataque armado pelo Boston depois de Raymond Felton ter errado um arremesso a 11 segundos do fim.
O erro pior foi do ala Gerald Wallace, que tentou tomar a bola de Paul Pierce e deixou Ray Allen livre. Sabe o que aconteceu? Claro que vocês sabem, é público: Allen derrubou a bola tripla e colocou o Celtics na frente em 111-109 (placar final) e disse não ao adversário, que pretendia – e podia – ganhar a partida.
Eu me pergunto: como alguém pode deixar, segundos que sejam, um jogador como Ray Allen livre no momento decisivo (foto AP)? Ele já havia empatado a partida nos segundos finais da primeira prorrogação (101-101) e – o mundo está careca de saber –, é a principal opção ofensiva do Boston “down the strecht”.
Wallace deveria ter deixado Pierce no mano a mano com Boris Diaw, que contava ainda com uma provável ajuda do pivô Emeka Okafor. Diaw estava bem posicionado na marcação a Pierce e a chance de ele errar não era desprezível.
Mas Wallace optou pela ação do desarme e deu no que deu. A decisão do ala do Cats surpreendeu até mesmo Allen, que, após a partida, se disse surpreso ao se ver livre para o arremesso que destruiu o adversário.
“Eu realmente não esperava que Wallace me deixasse livre”, admitiu Allen depois do embate.
Inconformado, o técnico Larry Brown, do Charlotte, não conseguia entender por que não foi feita a falta em Pierce. “Tínhamos mais uma falta para fazer”, disse Brown.
E com três segundos para o final, depois de um pedido de tempo do Boston, o Cats voltaria com uma defesa mais bem posicionada, o que dificultaria o arremesso final.
A derrota representou um ponto final na sequência de vitórias do Charlotte. O time havia batido Philadelphia, fora, e Knicks e Lakers, em casa.
Estava empatado com o Chicago em número de derrotas. Agora tem 41, uma a mais que Bulls, que agradece Gerald Wallace.
PATINADA
Outro time que pisou na bola foi o Houston. Tudo bem que o jogo contra o Phoenix foi no Arizona; mas o Suns hoje é um time desfalcado no garrafão com a ausência de Amaré Stoudemire.
E os texanos têm um jogo interior forte com Yao Ming e Luis Scola. Por isso, não consigo entender a derrota por 114-109.
A partida foi muito igual; os números mostram isso. Shaquille O’Neal e Ming se anularam.
O problema é que Scola não conseguiu levar vantagem diante de Matt Barnes, seu marcador, na verdade um ala improvisado de ala de força, que mede apenas 2m01 de altura e não está acostumado à posição.
Baixo, como se vê, para a posição, cinco centímetros a menos que Scola, ala/pivô de ofício, acostumado às intempéries do garrafão.
A derrota do Rockets se deu exatamente aí.
DUELO
Dwight Howard e Chris Bosh, os dois pivôs do time dos EUA nos Jogos de Pequim, se encontraram ontem à noite em Orlando. Howard comportou-se como um ótimo anfitrião e estendeu um tapete vermelho para Bosh.
Esperto, o pivô do time canadense aproveitou-se das boas vindas e anotou 24 pontos e apanhou 12 rebotes. O ponto alto da gentileza de Dwight aconteceu quando faltavam 23 segundos para o final da partida.
Com uma marcação bem meia boca para quem é considerado o melhor pivô do mundo, Dwight possibilitou um arremesso para Bosh levar a vantagem do Raptors para três pontos: 98-95.
E o Magic não teve forças – e principalmente tempo – para reverter o marcador e ganhar uma partida que todos na franquia davam como favas contadas.
O prejuízo foi enorme, pois, com a vitória do Celtics diante do Bobcats, o Orlando perdeu a segunda posição no Leste para o Boston, que tem um melhor aproveitamento.
E é aquilo que a gente tem dito: a chance do Orlando num possível embate nas semifinais do Leste é ter a vantagem de quadra. Caso contrário, o Boston decidirá o título da conferência com o Cleveland.
ROTINA
O Lakers fez as pazes com a vitória ao bater o Milwaukee (foto AP) por 104-98. Mas não foi sossegado.
O time californiano esteve atrás no marcador no terceiro quarto, iniciou o último também em desvantagem, para tomar a dianteira quando faltavam 7:52 minutos para a buzinada final.
Dali para frente, não perdeu mais o controle do jogo. Mas voltou a mostrar aquela mesma indolência que tem marcado seus últimos jogos.
O primeiro tempo do Lakers foi preocupante do ponto de vista defensivo. Possibilitou ao adversário um aproveitamento de 56.8% de seus arremessos.
Mas esqueçamos os problemas do jogo de ontem. Vamos nos concentrar na notícia que vem de Los Angeles: Andrew Bynum está se recuperando mais rápido do que esperava de sua contusão no joelho.
E garantiu: volta nos últimos jogos da fase de classificação. Ou seja: daqui a uns dez dias no máximo.
Ele falou em duas semanas ao responder uma pergunta de uma fã que o encontrou na rua, ontem, após posar para uma fotografia.
Perguntou ela: “Quando você volta?”; respondeu Bynum: “Duas semanas”, para acrescentar, em seguida: “Tomara”.
E sorriu; para a fã e para sua boa situação.
APOSENTADORIA
Allen Iverson disse ontem que cogita se aposentar ao final desta temporada. Iverson já não é mais o mesmo, todo mundo sabe disso.
Mas ele ainda pode jogar em alto nível na NBA. Claro que não a ponto de levar nas costas – como fez no Philadelphia – uma equipe para disputar o título.
A decisão se deve ao fato de ele não querer se tornar gerente de banco. Ego inflado, quer ser titular.
Até aí tudo bem. O problema é que ele quer ser titular de um time de ponta.
Não dá mais.
Iverson pode ser “starter” de times que vão, no máximo, brigar pela oitava posição em sua conferência. Mesmo assim, se divertiria em quadra e ganharia mais dinheiro para uma velhice sossegadíssima – não dele, mas da quarta geração a partir dele, óbvio.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Andrew Bynum, Boston, Celtics, Gerald Wallace, Houston, Lakers, Luis Scola, Phoenix, Ray Allen, Rockets, suns
04/03/2009 - 16:52
Disse ontem aqui: o adversário não poderia ser melhor.
Depois de duas derrotas consecutivas, “Los Lakers” voltaram a vencer: 99-89 diante do Memphis Grizzlies. Com ela, aquela pontinha de dúvida a respeito do time nesta temporada evaporou-se.
O time havia perdido para Denver e Phoenix seguidamente, como disse. Dos dois jogos, o que mais preocupou foi contra o Suns. Afinal de contas, o time do Arizona atuou sem dois de seus titulares, Steve Nash e Amaré Stoudemire; é conhecido por ser um adversário que “joga e deixa jogar”, como se diz no futebol.
Trocando em miúdos, adversário frágil na marcação e limitado ofensivamente considerando-se a ausência dos dois criativos titulares.
E “Los Lakers” perderam.
Ontem, na primeira “Noite Latina”, evento que vai durar uma semana (por isso o time usou a inscrição “Los Lakers” na camiseta), o time da cidade do cinema fez as pazes com a vitória e confirmou sua supremacia, até o momento, na NBA. Tem agora um recorde de 47 vitórias e 12 derrotas, duas vitórias a mais que o Cleveland, que tem o mesmo número de derrotas dos angelinos.
Os 12 tropeços de Lakers e Cleveland estão dois degraus abaixo do Boston, terceiro colocado, que perdeu 14 e venceu o mesmo número de partidas do time californiano.
Mas, digo hoje, o adversário não podia ser mesmo melhor: o Memphis, pior time como visitante na atual temporada (3-23).
Méritos na vitória? O adversário serve de parâmetro?
“Depois de duas derrotas, uma vitória é uma vitória”, disse Lamar Odom (foto AP), findado o encontro.
Verdade; é como eu sempre digo: é mais fácil corrigir os erros com vitórias do que com derrotas. E o Lakers tem o que corrigir.
A defesa não causa suspiros em ninguém no momento. Voltou a cometer equívocos primários, como cair na cilada do “passing game” proposto pelo adversário.
Deem só uma olhada no aproveitamento das bolas de três do time do Tennessee: 7-14 (50%) contra 4-16 (25%) do Lakers. Tivesse o Memphis insistido mais nesses arremessos longos e poderia ter complicado o jogo.
Jogo que foi levado no pau até o início do quarto final, quando o Lakers fez uma corrida de 12-2, pulou na frente em 21 pontos (90-69) e a diferença que ficava na casa dos dez pontos e caiu várias vezes para cinco, quatro pontos, ficou no passado.
O grande momento desta corrida foi quando pivô congolês D.J. Mbenga deu um toco no armador Rudy Gay, quando este tentava uma bandeja, e no contra-ataque finalizou a jogada com uma cesta na cabeça do garrafão colocando o time na sua maior dianteira: 90-69 – a 8:08 do final.
Esta diferença caiu – o resultado final mostra isso –, mas nunca a ponto de preocupar os angelinos.
E, é importante frisar, o quinteto do Lakers naquele momento era formando por Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Trevor Ariza, Josh Powell e Mbenga.
Ou seja: nenhum titular em quadra.
Se a turma do banco for efetiva nos jogos mais difíceis – afinal, como eu disse, o adversário não poderia ser melhor –, certamente o Lakers voltará a ser aquele time consistente que bateu, seguidamente, Boston e Cleveland fora de casa, deixando claro, naquele momento, que é a franquia a ser batida nesta temporada.
IRRECONHECÍVEL
Kobe Bryant foi o cestinha do time e do jogo com 31 pontos. Até aí, nada de anormal.
A anomalia ficou por conta dos modestos dois pontos marcados por Lamar Odom. O ala/pivô tinha média de 16.5 pontos por embate disputado.
“Foi uma noite atípica para Lamar”, explicou Phil Jackson, que em muitos momentos da partida foi visto bufando em seu cadeirão, utilizado por causa da cirurgia feita na bacia e dos problemas de coluna que tanta o incomodam.
Verdade; Lamar acertou apenas um de seus oito tiros, sendo que zerou nas duas tentativas de três.
BALANÇO
Se Lamar foi praticamente nulo nos arremessos, manteve o nível nos rebotes. Fisgou 13 dos 44 confiscados pelo Lakers, ficando dentro de sua média atual que é de 13.2.
Foi eficientíssimo também nos tocos: seis ao longo da meia hora que ficou em quadra.
Lamar, disse várias vezes, não conseguiria segurar o rojão com a contusão de Andrew Bynum. Sugeri até mesmo a troca do jogador com Jermaine O’Neal, que foi do Toronto para o Miami.
Mas errei – admito.
SUPER-HOMEM
Shaquille O’Neal está incomodado com essa história de que Dwight Howard é o Super-Homem da NBA.
“Eu sou o verdadeiro Super-Homem”, disse Shaq, ontem, antes do jogo.
Será mesmo?
Na noite passada, os dois (foto Reuters) se enfrentaram na Amway Arena de Orlando, na Flórida. Magic e Suns duelaram; e o que aconteceu?
Howard venceu o duelo de pontos: anotou 21 contra 19 do grandalhão do Phoenix.
Perdeu nos rebotes (11-8 para Shaq), tocos (2-1), desarmes (3-2) e cometeu mais erros: 5-4.
Quem é o verdadeiro Super-Homem?
RESPOSTA
Shaquille O’Neal é o verdadeiro Super-Homem.
CURIOSIDADE
O interessante é que os dois jogadores foram selecionados pelo Orlando; e ambos como primeiro draft em suas respectivas temporadas.
Mas Shaq, mais velho, é bom que se diga, tem quatro anéis; Howard ainda não tem nenhum. E nem sabemos se um dia vai colocar um no dedo.
Shaq é campeão olímpico; Howard também. Shaq é campeão mundial; Howard deve conquistar seu título no campeonato do ano que vem, no Mundial da Turquia.
Shaq já mostrou que é poderoso. Howard ainda tem o que provar – e é bom a gente se lembrar que quando DH foi desafiado por Lex “Nate Robinson” Luthor, ele foi derrotado.
ENCONTRO
Se Shaquille O’Neal confirmou ser o Super-Homem verdadeiro, o Orlando bateu o Phoenix por 111-99. Mas quem desequilibrou foi Rashard Lewis.
O ala/pivô do Magic anotou 29 pontos, 12 rebotes, três assistências, dois desarmes e um toco.
Foi o nome do jogo.
De seu lado, Leandrinho Barbosa mostrou que estava com a mão descalibrada. Anotou apenas 14 pontos.
A pontuação baixa é fruto do mau desempenho nos arremessos, obviamente. E a estatística final mostrou: 1-5 nas bolas de três (seu carro-chefe) e 5-11 nas de dois.
Em compensação, o paulistano foi novamente eficiente nas roubadas de bola: quatro.
Fico feliz em ver o progresso do brazuca neste fundamento. Vocês são testemunhas das inúmeras vezes que eu falei aqui neste botequim que Leandrinho poderia ser uma espécie de John Stockton dos dias de hoje no quesito desarme.
PUNIÇÃO
O Denver não pôde contar com Carmelo Anthony, que foi punido pela própria franquia com um jogo de suspensão por ter se negado a deixar a quadra quando o técnico George Karl resolveu tirá-lo.
O resultado é que o time deixou uma importante vitória escapar. Perdeu para o Detroit, ontem, em Michigan, por 100-95.
Perde-se esta luta, mas ganha-se a batalha. Era importante para Karl deixar bem claro para todos no grupo que nenhum jogador vai tomar conta do vestiário.
A mensagem custou uma vitória, mas, lá na frente, quem sabe, poderá significar muita coisa.
Eu faria o mesmo.
JORNADA
Nenê (foto AP) ficou em quadra mais tempo do que provavelmente George Karl gostaria. Mas sem Carmelo Anthony, o são-carlense era uma das armas ofensivas do time colorado.
Nenê não desapontou: fez 20 pontos. Cumpriu bem seu papel.
O problema é que Kenyon Martin anotou apenas meia dúzia de pontos – ele que tem uma média de 12.2 por partida.
Seis pontos a mais e a vitória estaria assegurada.
TRINCA
Foi a terceira vitória consecutiva do Detroit. E o terceiro jogo sem Allen Iverson, lesionado.
Coincidência?
Ora, claro que não.
FERRADURA
Ontem foi a vez de o Chicago acertar a ferradura – e não o cravo.
O que dizer da derrota por 16 pontos (96-80) para o Charlotte?
Tudo bem que o jogo foi fora de casa, mas 16 pontos! Era o Charlotte, minha gente, o Charlotte!
Abro um parêntese, todavia, para não ser injusto com Tyrus Thomas: o jogador, que eu tanto tenho criticado, fez um “double-double” ao anotar 14 pontos e 12 rebotes.
Os demais? Pavorosos.
O time teve um aproveitamento de apenas 30% de seus arremessos (30-77) e o destaque negativo foi Derrick Rose: 3-11.
Mas o que dizer também dos 4-10 de Kirk Heinrich e os 5-10 de Brad Miller?
Um show de horror.
REFORÇO
O jornal “Sacramento Bee”, um dos mais bem informados sobre a NBA, publica em sua edição de hoje que o ala/pivô Drew Gooden está praticamente acertado com o San Antonio.
Isso graças à desistência do Cleveland em repatriar o jogador, que por lá jogou durante três temporadas.
O interesse do Cavs é em Joe Smith, um veterano atleta da posição, draft primeiro da temporada de 1995, e que é um mágico de fato e não um jogador de basquete.
Em quase 14 anos de NBA, nunca fez nada, mas está sempre bem posicionado.
Gooden está apenas esperando completar o prazo de 48 horas após a dispensa do Sacramento (de acordo com as regras da NBA) para bater o martelo com o Spurs.
Um reforço e tanto.
Que a gente fique de olho no alvinegro texano; agora mais do que nunca.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Cleveland, Denver, Detroit, Drew Gooden, Grizzlies, Kobe Bryant, Lakers, Lamar Odom, leandrinho, Memphis, NBA, Nenê, Nuggets, Phoenix, Pistons, San Antonio, Spurs, suns
26/02/2009 - 15:52
Ben Gordon matou a pau ao final do jogo. Disse ele: “Nós cometemos um monte de estupidez em quadra (…) Arremessos estúpidos, decisões estúpidas e defesa estúpida”.
E seguiu em seu discurso perfeito, após a derrota de ontem à noite do Chicago para o New Jersey por 111-99. Jogo onde a estrela maior foi o armador Devin Harris (foto AP), do Nets, que anotou 42 pontos, 19 deles no último quarto.
E quais foram essas estupidez?
Vamos a elas:
1) Arremessos estúpidos – como pode um time, no momento decisivo, ficar na mão de um jogador que não está acostumado a decidir uma partida? Tyrus Thomas fez a trinca de arremessos finais do Chicago no momento crucial – o primeiro deles vindo do banco, portanto, frio no jogo – e errou todos. Por que ele?;
2) Decisões estúpidas – como pode um treinador deixar seu armador principal, Derrick Rose, do lado de fora da quadra nos últimos 4:52 minutos, quando o jogo foi definido?;
3) Quem era o responsável pela marcação de Devin Harris?
Antes de virar-se de costas para os jornalistas e colocar um ponto final na entrevista coletiva dentro do vestiário visitante do Izod Center, Gordon encerrou a questão com uma frase lapidar: “Nós nos destruímos”.
Tudo isso, a meu ver, foi fruto da incapacidade de Vinnie Del Negro. Afinal, ele não é o treinador? Não é ele quem manda? Se todas essas bobagens foram cometidas, o culpado é ele.
Um treinador competente não deixaria isso acontecer.
Diria ele: Thomas, você vai para o garrafão atrás dos rebotes, nada de decidir porque você não está acostumado a isso; Derrick, o jogo está em suas mãos, porque DH está enlouquecido, trate de dar um jeito nisso, não dê espaço para ele arremessar, grude nele feito chiclete e depois me diga qual é o sabor; fulano, sicrano e beltrano, vocês vão fazer a ajuda no caso de DH cortar Derrick e tentar a infiltração, ele não pode ver o aro pela frente, quando ele olhar para a cesta não pode enxergá-la, tem que ver, isto sim, uma camisa vermelha diante de si.
Será que Del Negro fez isso?
Ele garante que sim, pelo menos no tocante a Harris. Eis sua justificativa após a partida:
“Nós não pudemos controlar sua penetração. Harris encontrou sempre seu caminho. Tentamos de tudo. Tentamos armadilhas, forçar o erro, [defesa] zona. Mudamos o marcador. Mas ele fez grandes jogadas. Eles vem fazendo isso contra um monte de times [neste campeonato]”.
Do jeito que Del Negro fala, o Chicago esteve diante de Magic Johnson e não de Devin Harris.
DESPERDÍCIO
O Chicago perdeu uma excelente chance de vencer a partida de ontem à noite. Quando o último quarto começou, o Bulls estava na frente em 78-74.
O time da cidade dos ventos dominou praticamente toda a partida. Foi então que Devin Harris entrou em cena para seu ato final e contou a história à sua maneira.
Fez 19 de seus 42 pontos neste tempo derradeiro, como disse, e comandou o time no quarto vencido por 37-21, que decretou o marcador de 111-99.
A derrota em si já é um ruim; ficou pior ainda porque o New Jersey igualou a campanha do Bulls.
Ambos têm 26 vitórias e 32 derrotas e um aproveitamento de 44.8%. Dividem a nona posição na Conferência Leste, mas o Bulls leva vantagem porque ganhou dois dos três confrontos realizados até o momento.
O quarto e último enfrentamento entre ambos ocorrerá no dia 4 de abril, no United Center.
Quem gostou do resultado foi o Milwaukee, que permanece na oitava colocação da conferência com um recorde de 28-32, o que representa um desempenho de 46.7%.
OUTRO LADO
É certo que Devin Harris não é Magic Johnson, mas que o armador do New Jersey vem matando a pau, isso ninguém discorda.
Antes do jogo de ontem diante do Chicago, DH tinha anotado 39 pontos na vitória do Nets sobre o Philadelphia por 98-96, também no Izod Center, com uma cesta no meio da quadra no segundo final.
Vinnie Del Negro tem razão: Devin vem destruindo defesas adversárias. Mais um motivo para debruçar-se sobre a prancheta e tentar conter os avanços do oponente.
Repito: DH não é Magic Johnson. O ex-armador do Lakers, este sim, quando estava em seus dias, era incontrolável.
Mas vamos dar, é claro, os méritos a Harris, um “all-star” que nós, aqui mesmo neste botequim, já dissemos várias vezes ser o futuro da armação na NBA ao lado de Deron Williams e, principalmente, Chris Paul.
E pensar que o Dallas o trocou por Jason Kidd… Só na cabeça de Mark Cuban.
Em 41:24 minutos, Harris acertou 14 de seus 23 arremessos. Mais ainda: atingiu o alvo em todos os 11 lances livres cobrados.
Fechou sua performance com seis assistências e mais quatro rebotes.
ÍCARO
O Detroit não para de perder. A derrota de ontem diante do Hornets, em New Orleans, por 90-87, foi a oitava consecutiva.
Quatro em casa e quatro fora.
Esta campanha pífia do Pistons deixa em aberto mais uma vaga na Conferência Leste. Ou seja: ao invés de uma, temos duas à disposição de Detroit, Milwaukee, Chicago, New Jersey e New York.
O Philadelphia está próximo, com uma derrota a menos que o Detroit (28-29), mas o Sixers tem se mostrado menos instável neste momento da competição, o que me faz a não colocá-lo, pelo menos por enquanto, no rol dos times que estão fazendo uma força terrível para não se classificar para os playoffs.
Mas voltemos ao Detroit, que é o tema deste capítulo.
Em seus últimos 24 combates, o Pistons conseguiu vencer apenas seis deles. Perdeu 18. As oito derrotas enfileiradas representam uma campanha que não era vista desde a longínqua temporada 1994-95.
O que ocorre com o Detroit?
Ora, nada mais nada menos do que fruto da inanição intelectual de seu GM, Joe Dumars. Ex-armador daquele timaço que ainda tinha Isiah Thomas e Dennis Rodman, bicampeão da NBA no final da década de 1980, Dumars revela-se um péssimo administrador.
Não vamos ficar aqui listando todas as suas bobagens. Mas duas delas não podem passar em branco: Michael Curry como treinador e, principalmente, a troca de Chauncey Billups por Allen Iverson.
Não há franquia que resista a tamanha tolice.
AUSÊNCIAS
É claro que a contusão de Allen Iverson, ainda no primeiro quarto (contratura nas costas), que obrigou-o a deixar prematuramente o jogo e a expulsão de Rasheed Wallace (foto AP) quando faltavam 7:55 minutos para a partida acabar tiveram um peso importante na derrota do Pistons.
O jogo estava no pau; o New Orleans vencia por 74-71 quando Sheed foi mandado mais cedo para o chuveiro. Se tivesse ficado em quadra, quem sabe, o resultado poderia ter sido outro.
Mas não foi; como não tem sido desde o dia 8 de fevereiro passado, quando o Detroit acabou derrotado pelo Phoenix por 107-97, dentro do Palácio de Auburn Hills; e nunca mais conseguiu vencer.
Eu não desejo o mal para ninguém, mas tomara que Iverson fique de fora alguns jogos. Com ele ausente, Michael Curry pode retornar Rip Hamilton para o quinteto titular, dar a ele mais minutos em quadra e deixá-lo ao lado de Rodney Stuckey na armação das jogadas.
Quem sabe as vitórias não ressurjam?
Amanhã o time enfrenta o Orlando na Flórida. Ótima oportunidade para se iniciar vida nova.
INCOMPETÊNCIA
O Denver pediu para perder o jogo, mas o Atlanta fraquejou no momento final.
Chauncey Billups anotou 33 pontos, mas quase chutou o balde a seis segundos do final ao errar um arremesso duplo com o marcador do telão central luzindo 110-109 para o Nuggets. Ronald Murray pegou o rebote.
O Atlanta saiu rapidamente para o ataque. Foi uma confusão só e o próprio Murray disparou o tiro final, de chumbinho, eu diria, que quase deu “air ball”.
E o resultado ficou mesmo nos 110-109 para o Denver.
O time colorado abriu 110-102 quando o mesmo Billups acertou dois lances livres a 1:57 minuto para o cronômetro zerar. Como disse acima, os jogadores, em quadra, parece que decidiram perder a partida.
Deixaram o Hawks fazer uma corrida de 7-0. Mas o time da Georgia se atrapalhou na última bola, como vimos, e deixou o Denver colocar um ponto final em uma sequência de três jogos com derrotas, que ajudou a franquia a permanecer na terceira posição da Conferência Oeste.
RETORNO 1
Boa notícia: Nenê, que ficou de fora do jogo de ontem contra o Atlanta e também não jogou diante do Boston, deve vestir a camisa 31 do Nuggets na partida diante do Lakers, amanhã à noite.
Jim Gillen, médico do time, garantiu que esta tarde Nenê treinando normalmente.
Ótimo: o Nuggets vai mesmo precisar da volta do são-carlense, pois o Denver não sabe o que é vencer o Lakers há dez jogos, se não estou enganado.
Se estive equivocado, por favor, corrijam-me.
RETORNO 2
O Utah enfileirou seis vitórias. Tudo começou com o triunfo diante do Lakers, no dia 11 passado, por 113-109, em Salt Lake City.
De lá para cá, diante de seus fãs, na EnergySolutions Arena, despachou Memphis, Boston, New Orleans e Atlanta. Ontem, bateu o Minnesota, no Target Center, por 120-103.
Isso mantém o Jazz na sétima posição do Oeste.
O campeonato da conferência referida está interessantíssimo. A partir do Denver, que tem 20 derrotas, há sete times brigando por seis vagas, pois considero Lakers e San Antonio nos playoffs.
É agora, a partir do fim do “All-Star Weekend”, que começa o segundo turno da competição. Quem for mais regular, não deixará escapar a vaga
.
Carlos Boozer (foto AP) está de volta ao Utah depois de ter perdido 46 pelejas. Regressou na vitória diante do Atlanta por 108-89.
Um reforço e tanto.
Ele está entrando aos poucos, ou melhor, tem tido poucos minutos à disposição. A economia é planejada; Boozer tem que devagarzinho recuperar a melhor forma física e técnica e, consequentemente, seu ritmo de jogo.
No embate diante do Hawks, foram 21 minutos em quadra e apenas dois pontos e cinco rebotes, além de dois desarmes.
Ontem, o medalhista de ouro olímpico já pontuou mais: 12 tentos. Mas fisgou menos rebotes: quatro. Mas teve um minuto a mais para se divertir em quadra.
Com Boozer de volta, o Utah vai crescer muito. Dados como: esta foi apenas a décima vitória do time em 28 jogos fora de casa não encontrarão mais espaços nas estatísticas.
Boozer, Deron Williams, Mehmet Okur, Andrei Kirilenko e Paul Millsap são jogadores que Gregg Popovich, Phil Jackson, Mike Brown, Doc Rivers e Stan Van Gundy gostariam muito de ter.
E eles estão reunidos em Salt Lake City, à disposição de Jerry Sloan, um gênio na arquitetura de times de basquete.
O Utah chega aos playoffs; aposto com quem quiser.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Allen Iverson, Bulls, Carlos Boozer, Chauncey Billups, Chicago, Denver, Deron Williams, Derrick Rose, Detroit, Devin Harris, Jazz, Lakers, NBA, Nenê, Nets, New Jersey, Nuggets, Pistons, Rasheed Wallace, Tyrus Thomas, Utah, Vinnie Del Negro
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