Alexey Shved | Fábio Sormani

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012 Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 21:32

CULPAR LARRY PELA DERROTA É UM GRANDE EQUÍVOCO. MAGNANO VOLTOU A COMETER ERROS

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Bom, agora mais calmo, vamos falar um pouco mais do jogo. Antes que eu me esqueça: VTC, c@*&$#!*!

Bem, li os comentários todos (como sempre faço) e concordo com muita coisa que foi dita, mas uma delas eu discordo e acho uma injustiça: culpar o Larry Taylor pela derrota sob o argumento de que se ele tivesse feito os dois lances livres o Brasil poderia ter vencido.

Eu fico me perguntando: por que algumas pessoas culpam o Larry e não fazem o mesmo com Marcelinho Huertas? Nosso armador, afinal de contas, cometeu uma andada a 39 segundos do final e se o Brasil tivesse pontuado naquele ataque poderia ter vencido a partida.

Mas não é uma coisa e nem outra. Errar faz parte do jogo. O que não se pode admitir é o erro grotesco, como uma bandeja perdida num contra-ataque, uma enterrada mal dada que dá aro e a bola não entra, tomar um “back door” no final da partida etc. E, principalmente, se esconder.

Larry errou os dois lances livres, mas, na sequência, o ala Alexey Shved fez o mesmo. Só pra lembrar: foi Shved quem acertou a bola de três que empatou o jogo em 72 pontos a 26 segundos do final, no ataque seguinte ao erro de Huertas. Huertas que fez a cesta que colocou o Brasil na frente em 74-72. Estão vendo?

Ou seja, não teve erro algum. O Brasil jogou bem, embora tenha feito apenas 56% nos lances livres (10-18).

Sobre a má sorte de Leandrinho, no final da partida, quando ele escorregou, significou, sem querer, a melhor defesa que o Brasil poderia fazer no arremessador russo, no caso Vitaly Fridzon (foto Reuters). Teoricamente, se ele arremessa parado, com LB na frente dele, a chance de a bola entrar era muito maior do que do jeito que ele arremessou, completamente desequilibrado, no canto da quadra, quase sem ângulo. A chance de aquela bola entrar era de uma em mil. Entrou.

Pode parecer que estou de marcação com Rubén Magnano (foto EFE), mas ele cometeu alguns erros importantes no final do jogo. Um deles foi tirar o Larry do jogo. Só por que ele errou os dois lances livres? Isso é comportamento de técnico de categoria de base. Larry estava bem na partida, confiante. Ele colocou Huertas, que tinha ido para o banco a 4:15 minutos para o final do terceiro quarto e não tinha mais voltado. Ou seja: estava completamente frio, sem ritmo. Huertas ficou nada menos do que 15:17 minutos do lado de fora. E na primeira bola que ele pegou, andou.

Além disso, Larry estava muito bem no jogo, confiante. Estávamos vendo em quadra o mesmo Larry Taylor do Bauru. Aquele jogador sem confiança que vestiu a camisa do Brasil em várias partidas tinha desaparecido. Por que, então, tirá-lo do jogo? Só por causa de dois lances? Alguém disse que LT tinha cometido sua quinta falta quando saiu. Não procede: Larry deixou a partida com quatro faltas.

Outro erro grave a meu ver: Magnano gastou seu último tempo antes do arremesso russo. Se não tivesse pedido, o Brasil faria a reposição de bola no meio da quadra e teria exatos quatro segundos para trabalhar uma jogada e arremessar. E quem sabe ganhar a partida. Outro erro de técnico de categoria de base.

Por outro lado, o Brasil só está jogando o que joga por conta do trabalho de Magnano. Ele fez o “upgrade” no nosso selecionado que nenhum dos treinadores brasileiros conseguiu e nem mesmo o espanhol Moncho Monsalve. O Brasil, hoje, tem uma das melhores defesas do planeta. O Brasil, hoje, é visto pelos adversários como um time forte e candidato a medalha nestes jogos. Ganhou esse status por conta do trabalho de Magnano.

Mas ele tem cometido erros do lado de fora que nos surpreendem. Para um treinador do nível dele, esses erros surpreendem e comprometem.

Alguns deles Magnano está corrigindo. Por exemplo: Marcelinho Machado tem perdido gradativamente seu tempo de quadra. O ideal, do jeito que ele está jogando, é colocá-lo apenas em situações de tranquilidade para a equipe, pois MM está comprometendo o time. Quem sabe, aos poucos, ele não recupera a confiança? Sim, MM, pra mim, parece-me um jogador sem confiança no momento.

No jogo desta quinta contra a Rússia, MM jogou apenas 5:51 minutos e contribuiu com apenas um ponto. Mais: com ele em quadra o Brasil perdeu por 16-4; sem ele o Brasil fez 70-59 na Rússia.

De resto, sinceramente, nada a acrescentar ou reclamar. Apenas a elogiar. E três elogios:

1) Alex Garcia tem defendido como gente grande que é. Foi muito bem no trabalho contra Andrei Kirilenko, como tinha feito em cima de Luol Deng;
2) Nenê Hilário está um monstro na defesa. Foram dez rebotes nesta partida, embora desta vez não tenha havido nenhum toco. Mas sua presença intimidadora no garrafão brasileiro tem colocado neguinho pra correr. E isso é muito bom. Precisa, no entanto, ser mais efetivo no ataque. Nenê sabe que pode fazer mais do que está fazendo;
3) Leandrinho Barbosa: foram novamente 16 pontos (cestinha do time). Tem ajudado muito. E tem selecionado melhor seus arremessos. Precisa, todavia, melhorar um pouquinho mais nas bolas de três. Neste jogo ele fez 2-7 (28,5%).

DIA RUIM

Marcelinho Huertas, nosso melhor jogador ao lado de Nenê Hilário, Marcelinho, um dos melhores armadores do mundo, desta vez não jogou no nível dele, aquele nível de excelência que o mundo conhece. Foram apenas oito pontos e seus “flots” não caíam de jeito nenhum. E também não conseguiu criar espaços para os companheiros pontuarem.

Acontece.

Como dizia Michael Jordan, não dá para jogar bem todas as noites. Na próxima, certamente, Huertas voltará a seu nível de excelência.

CONTA

Se o Brasil bater a China e a Espanha e os espanhóis vencerem a Rússia, haverá um tríplice empate. Neste caso o saldo de cestas vai definir o campeão do Grupo B. Portanto, o Brasil ainda pode terminar esta fase de classificação em primeiro lugar.

Notas relacionadas:

  1. A CONVOCAÇÃO DE LARRY TAYLOR
  2. UM PAPO RÁPIDO COM LARRY TAYLOR
  3. APESAR DOS ERROS, BRASIL VENCE A AUSTRÁLIA
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , ,