LEANDRINHO TREINA NO FLAMENGO PARA MANTER A FORMA. TALVEZ FIQUE POR LÁ MESMO
Leandrinho está treinando no Flamengo (foto Site Oficial). O site oficial do clube diz: “De férias após as Olimpíadas de Londres, o jogador não quer perder o ritmo e seguirá a programação de treinamentos dos rubro-negros, na Gávea”. E Leandrinho complementa: “Muito bom voltar ao Flamengo e relembrar os bons momentos que vivi aqui no ano passado. Sou sempre muito bem recebido por aqui e tenho grande amigos no time”.
A situação de LB, como venho abordando aqui, é dramática. O tempo passa e ele não arruma time. Dramática e misteriosa. Toda matéria que lemos sobre ele é elogiosa. LB tem espaço e nome na liga. Mas não assina com ninguém.
Por quê?
A explicação que eu encontro é que Dan Fegan, seu agente, foi com muita sede ao pote. Mais do que isso: não conseguiu costurar acordo para encaixar LB no Lakers, por exemplo.
Fegan, na negociação de Dwight Howard com os amarelinhos, poderia ter condicionado a ida de LB para Los Angeles. Não conseguiu; ou nem tentou.
Como mencionei, talvez Fegan tenha sido guloso demais. Imaginou um contrato semelhante ou maior do que os mais de US$ 7 milhões que o brasileiro ganhou na última temporada. Como se sabe, os agentes ficam com 4% do acordo assinado. Quanto maior o contrato, maior o faturamento.
Não apareceu (até o momento) nenhum clube disposto a pagar isso — e nem vai aparecer. Primeiro porque esse dinheiro não está mais disponível em nenhuma franquia; segundo, porque todos os times têm no momento a faca e o queijo na mão. Ou seja, dirão a Fegan: é pegar ou largar.
Como já disse aqui, não é apenas LB que vive situação dramática. Há outros free-agents desempregados. Derek Fisher, pra mim, é o principal deles. Cinco anéis de campeão, líder nato, Fish (foto) ainda é muito bom de bola; e nada. Tracy McGrady não me comove, pois ele é um ex-jogador em atividade e se arrumar alguma coisa será nessas franquias em desespero, atrás de um sonho que não virá e da venda de tíquetes, pois T-Mac ainda ostenta um bom nome entre os fãs.
Leio que Mehmet Okur deve voltar para a Europa. É outro que também está sem time. Mas se voltar para o Velho Mundo deverá assinar com o Real Madrid, que ofereceu € 3 milhões (cerca de US$ 3,8 milhões) por um contrato de um ano.
Enquanto isso, LB apenas treina no Flamengo. Nem oferta ele recebeu, ao que tudo indica.
Ano passado, na época do locaute, apurei dia desses, LB recebeu R$ 150 mil mensais. E nem foi o clube da Gávea quem pagou o jogador: foi o banco BMG. Se a proposta for reapresentada, LB assinaria um contrato para receber R$ 1,8 milhão, o que daria cerca de US$ 890 mil. Menos do que o US$ 1,35 milhão do mínimo veterano e menos do que o US$ 1,95 milhão que o Lakers poderia oferecer usando a mid level exception.
Conversei por e-mail com Trapizomba, que mora em Los Angeles, para saber o que LB teria como gasto caso fosse para o Lakers. Trapizomba me disse que o leão californiano abocanha 10% do salário. “O maior problema são as taxas federais, em 39%. Isso é o que mata, mas é para todo o país”, completou Trapizomba.
Só de impostos Leandrinho deixaria para os cofres governamentais USS 195 mil para a Califórnia e US$ 760,5 mil para o governo federal, o que totalizaria US$ 955,5 mil. Ou seja: do total de US$ 1,95 milhão, LB receberia, na verdade, US$ 994,5 mil.
Mas não se esqueçam: em Los Angeles LB teria que alugar um imóvel, o que não aconteceria em caso de jogar no Flamengo (ele tem apartamento no Rio) ou mesmo se for jogar em outro time brasileiro, que daria moradia de graça para ele.
Morar na Califórnia é caríssimo. Tenho um amigo, Guto Guimarães, bauruense como eu, que vive em Tucson, pertinho de Phoenix. Não perdia um jogo do Suns na época do Leandrinho. Ele me contou, certa vez, que um amigo americano, brincando, disse: “Vendo minha casa aqui em Tucson e vou morar em um trailer na Califórnia”. Guto contou que o cara tem uma baita casa no Arizona. Fez a brincadeira para dizer ao Guto que morar na Califórnia é para poucos.
Trapizomba não soube me dizer quanto LB gastaria com aluguel de um imóvel em LA. Mas pelo que pesquisei pela internet, ele gastaria algo em torno de US$ 2,5 mil por mês, o que daria US$ 30 mil por ano.
Então, os US$ 994,5 mil cairiam para 964,5 mil, que traduzidos para nossa moeda seria algo em torno de R$ 1,95 milhão. Divididos em 12 parcelas teríamos R$ 162,5 mil.
Ou seja: praticamente a mesma grana para jogar no Flamengo — isso se o time carioca fizer uma oferta semelhante a feita na temporada passada. Ou, quem sabe, de repente em outra equipe de ponta do NBB.
Some-se a tudo isso o fato de que Samara Felippo, mulher de Leandrinho, atriz da Rede Record, em entrevista dada ao iG em 18 de julho passado, disse com todas as letras o seguinte: “Não quero morar nos EUA. Minha rotina lá é chata. Não é minha cultura, não é onde está minha família ou meus amigos. Ás vezes, a questão de não dominar a língua me irrita”.
E se Samara ficar por aqui boa parte da temporada (gravações da novela “Balacobaco”), Alicia, filha de LB, fica também. E o jogador é muito apegado à menina, que tem três anos. E ela, claro, adora o pai, como mostra a foto (Instagram/Reprodução), onde Alicia tenta abraçar o pai vendo-o em entrevista na televisão.
Vocês querem saber o que eu acho? Se não aparecer nenhuma oferta milionária (e não deve aparecer mesmo, pois este é o cenário atual na NBA), LB tentará um acordo com o Flamengo ou com algum clube brasileiro — ou então tentará a Europa, o que é mais difícil, pois ele jamais atuou por lá. Ele ficaria uma temporada fora da NBA e enquanto isso Dan Fegan trabalharia no sentido de reencaixá-lo em alguma equipe da NBA na outra temporada. Ou assinaria um contrato com uma cláusula liberando-o imediatamente para algum time da liga norte-americana em caso de acerto.
Este é o cenário que eu vejo. Não consigo enxergar outro.
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