
Garnett calibra o arremesso de meia distância no treino de ontem (Reuters)

Kobe faz o mesmo no último trabalho do Lakers antes da decisão (Reuters)
Começa hoje a final da NBA. Em quem você aposta? Na melhor defesa da liga e no melhor defensor ou no melhor ataque e no MVP?
Após 21 anos, Celtics e Lakers, as duas franquias mais populares dos EUA voltam a se enfrentar em uma decisão. Era tudo o que a NBA queria.
A série final será mostrada ao vivo – inclusive o Brasil, graças a Deus! – para 215 países. A liga estima que quase um bilhão de pessoas em todo o planeta estejam com os olhos bem abertos vendo os dois velhos rivais frente a frente uma vez mais.
Os índices de audiência na televisão vão aumentar pra dedéu. David Stern, o presidente da NBA, esfrega as mãos. A arrecadação será grande, todos sabem.
Mas, é bom que se diga, a NBA não trabalhou para isso. De fato, os dois melhores times do campeonato estão na final.
Será – como todos nós estamos carecas de saber – a 11ª. vez em que Boston e Los Angeles farão o duelo derradeiro, com o Celtics liderando essa corrida em 8-2.
Os dois times, juntos, ganharam 30 dos 61 campeonatos disputados até hoje, competição que começou no longínquo ano de 1947; século passado, portanto.
Isso fez das duas as mais notórias equipes da liga. Prova disso, nesta temporada, são os números que eles mostram como visitante: o Boston tem a melhor média de público quando joga no ginásio adversário, com 19.042 torcedores assistindo suas partidas, seguido do Lakers, com 18.671.
O Celtics é, reconhecidamente, a melhor retaguarda da NBA na atualidade. Liderou o campeonato em percentual de arremesso certo permitido aos adversários. E todo o seu processo defensivo é baseado em Kevin Garnett, eleito o melhor jogador de defesa desta temporada.
Mesmo tendo uma defesa difícil de ser transposta, o Celtics já perdeu oito partidas nestes playoffs, enquanto que o Lakers foi derrotado em apenas três ocasiões. Contradição? De jeito nenhum. Vale para a defesa do Boston o que se aplica aos jogadores: não dá para jogar bem todas as noites.
A defensiva alviverde passou por maus bocados no começo destes playoffs quando jogou no ginásio estrangeiro. Mas na série contra o Detroit, na decisão da Conferência Leste, desafiando o segundo melhor time da liga, o Celtics viajou três vezes até Michigan e venceu duas partidas.
O time se recuperou e voltou a atuar com a mesma solidez defensiva da temporada regular, quando permitiu aos oponentes 90 pontos por jogo. Nestes playoffs, subtraiu três dos adversários: 87. Permite aos oponentes um aproveitamento de 42.1% de seus arremessos.
Já o Lakers tem no ataque o seu cartão de visitas. Anotou, em média, 108 pontos por partida na fase de classificação. Caiu um pouco nestes playoffs (105.8), mas é a melhor ofensiva da NBA nos playoffs, com um aproveitamento de 47.8% de seus chutes.
Kobe Bryant, obviamente, é o catalisador das ações ofensivas do Lakers. Tem uma média de 31.4 pontos por partida e é o principal cestinha destes playoffs.
O camisa 24 é, disparado, o melhor jogador de basquete do planeta na atualidade. Pontua de todos os cantos da quadra. Com sua habilidade e inteligência executa com perfeição o Triângulo Ofensivo criado por Tex Winter, o auxiliar técnico de Phil Jackson.
Com isso, exige dos companheiros o mesmo nível de compreensão e desempenho, senão o sistema não funciona. Com a máquina azeitada, Kobe é quem tira partido disso. Como? Pontuando, é evidente.
A pergunta que fica é: teria o Boston um jogador para marcá-lo?
Eu acho que não.
O que fazer, então? Como escrevi ontem, o Celtics tem que concentrar suas forças defensivas nos demais jogadores. Subtrair o volume de jogo deles é essencial para ganhar o campeonato.
Se eles pouco contribuírem, vai chegar um momento que Kobe pode se cansar. Afinal, ele é um ser humano – não é Michael Jordan, como se sabe.
Portanto: conseguirá a melhor zaga da NBA segurar os companheiros de Kobe Bryant?
Como eu perguntei no começo desse texto, você aposta em quem? Na melhor defesa ou no melhor ataque?
Por outro lado, não seria simplista demais da minha parte limitar essa decisão a ataque contra defesa?
Não há outros componentes a serem analisados?
Claro que sim.
Que tal os dois técnicos?
Vamos a eles então.
Neste duelo, o Lakers leva grande vantagem. Phil Jackson é bem superior a Doc Rivers.
E o engraçado é que nos EUA muita gente não vê tanta qualidade assim no treinador californiano. E o cara já venceu nove campeonatos!
Se ganhar este, desempatará o confronto com o falecido Red Auerbach, que formou a dinastia do Boston nos anos 1950 e 60, e se tornará o técnico com mais títulos conquistados na história da NBA. Mas nos EUA, compará-los é uma heresia.
Por quê?
A maioria das pessoas não gosta do jeito zen de Phil no banco de reservas.
Mas é exatamente esse jeito que faz com que os jogadores amadureçam e entendam melhor o jogo. Ao ficar com aquela cara de boi sonso quando o time está passando por apuros dentro de quadra, sem pedir um tempo, Phil deixa para os jogadores, eles próprios, saírem do buraco.
Isso os faz amadurecer e, como falei, entender melhor o que se passa em quadra.
Além disso, ele consegue mexer com o íntimo de cada um de seus atletas. O maior exemplo? O que fez com Kobe Bryant, lembram-se? De garoto mimado e irrequieto, transformou-o em líder do time.
Tem mais: muitas vezes, Phil deixa seus principais jogadores no banco quando o time está levando uma sova do adversário. Por quê? Para motivá-los. Ao presenciarem sentados a tragédia em quadra, o jogador fica alucinado querendo entrar no jogo para mudá-lo. Quando isso acontece, quase sempre a equipe modifica o cenário e se recupera.
Que tal falarmos agora do banco de cada time?
Nova vantagem do Lakers.
A equipe de Los Angeles pode recorrer mais aos seus reservas. Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Luke Walton, Ronny Turiaf são bem mais eficientes e melhores tecnicamente do que Sam Cassell, James Posey, P.J. Brown, Eddie House e Leon Powe.
E o fator quadra pode equilibrar este confronto, já que o Lakers tem Kobe, Phil e um banco melhor?
Como todos nós estamos cansados de saber, num mata-mata em dois jogos, ou em apenas um – como acontece no college -, a zebra pode aparecer; numa série melhor de sete, mesmo com a desvantagem de mando de quadra, o melhor sempre vence.
E este time é o Lakers.