
Splitter e Alex tentam conter o alemão Hamann; não deu (Reuters)
Infelizmente aconteceu o que todos nós prevíamos: o Brasil perdeu para a Alemanha e está fora dos Jogos de Pequim. Nossa chance de vitória era pequena demais; a possibilidade de ela ocorrer praticamente inexistia. Mas muitos de nós apegamo-nos a ela, à espera que uma surpresa pudesse ocorrer.
O time, de fato, é fraco. Os jogadores que estiveram na Grécia fizeram o possível, mas eles esbarraram em suas próprias limitações, um adversário talvez muito mais poderoso do que o time alemão. Todos lutaram, mas apenas luta é insuficiente; é preciso ter talento.
E quem tem talento nesse time brasileiro? Tiago Splitter. Quem mais? Acho que dá para colocar o Huertas também. Quem mais? Acho que só. Com este cenário desértico, com apenas dois jogadores de qualidade, não se vence partidas de um torneio como esses – a não ser quando se depara pela frente com seleções vindas de continentes sem qualquer expressão no basquete ou então quando surpresas acontecem – o que não foi o caso em nenhuma das duas situações.
Nossa equipe tem sérias limitações. É baixa, marca mal e, contrariando toda uma história, é formada por jogadores que chutam pessimamente. As bolas de três pontos nesta partida contra a Alemanha é o retrato do calibre dos nossos arremessadores: apenas três certos em 19 tentativas. Um miserável aproveitamento de 15.8%.
Marcelinho Machado é o símbolo desta geração. Contra os germânicos, seu desempenho foi ridículo: 1-7, 14.3%. Em todo o Pré-Olímpico, seus números nas bolas de três – a sua especialidade, não é mesmo? – foi o seguinte: apenas cinco acertos em 19 arremessos, percentual de 26.3%. Deixou a competição com uma média de apenas dez pontos por partida. O que falar? Não era ele o nosso artilheiro?
Aos 33 anos, Machado disse que este foi seu último torneio com a camisa da seleção brasileira. Marcelinho, ninguém tem nada contra você, reconhecemos o seu esforço e a sua luta, mas, sinceramente, esperamos que você cumpra a palavra. Chega, não dá mais. Enquanto você esteve em quadra, sendo um dos ícones de uma geração, o nosso basquete nunca esteve tão mal. Três Olimpíadas em branco e desempenhos pífios em Mundiais, como o 19º lugar na Espanha em 2006.
Mas seria injusto de minha parte colocar nos ombros de apenas um jogador mais um fracasso de nossa seleção. E não vou fazer isso, pois não me considero desonesto.
Nossos treinadores são tão fracos como nossos jogadores. Desatualizados, muitos deles chegam a ser arrogantes. Acham-se conhecedores de todas as táticas e novidades do basquete mundial, não têm nada a aprender com ninguém. Clínicas? A maioria nem sabe o que é isso – afinal, aprender o que se eles são os melhores?
O resultado é que nas mãos destes profissionais o nível do nosso jogo caiu dramaticamente. Deixamos de ser competitivos. Portanto, eles também são responsáveis por esses fracassos todos.
A situação de desgraça era tamanha que houve a necessidade de se contratar um treinador estrangeiro. O espanhol Moncho Monsalve chegou para tentar o milagre. Não conseguiu, mas eu acho que ele tem que continuar. Mostrou trabalho e competência. Sua passagem por aqui pode render bons frutos, principalmente aos técnicos mais novos, que estão dispostos a aprender. E Moncho tem o que ensinar. Seu currículo mostra isso, pois é um acadêmico do basquete.
Bem, falei dos jogadores, dos treinadores, mas o maior responsável por tudo de ruim que acontece com o basquete brasileiro nesta última década e meia sem dúvida que é o presidente da CBB, Gerasime Bozikis. Nascido na Grécia e naturalizado brasileiro, Grego – por isso o apelido – conseguiu a façanha de jogar o esporte no fundo do poço. Ou, se você preferir, na lata do lixo.
Sua administração prima pela incompetência. Os campeonatos são mal feitos – o de 2006 nem acabou -, o esporte não tem visibilidade alguma e o interesse da população inexiste. Vira e mexe e uma equipe fecha as portas. E os poucos clubes que sobrevivem são paupérrimos.
Com um produto tão desinteressante, como vende-lo? Impossível. Ninguém quer comprá-lo. E os que compram – como a tevê a cabo – pagam o que vale. Ou seja: pouco – ou quase nada. Sem dinheiro, não há investimento; e sem investimento os clubes não conseguem renovar como gostariam; e se não se renova, fica difícil descobrir talentos, jogadores que podem desequilibrar, como um dia foram Wlamir Marques, Ubiratan Maciel, Amaury Passos, Marquinhos Leite, Oscar Schmidt e Marcel Souza, só para citar alguns. E com tão poucos jogadores sendo revelados, quando seis pedem dispensa, não há o que fazer – como foi o caso deste Pré-Olímpico. As chances tornam-se diminutas, quando não, inexistentes.
A CBB recebe verbas do governo federal. O que ela faz com esse dinheiro? Por que não faz clínicas pelo Brasil investindo na massificação do esporte? E se não há massificação, voltamos ao parágrafo acima, é impossível descobrir novos talentos.
Como se vê, é uma bola de neve. A cada ano que passa, ela aumenta mais e mais; e o basquete se afunda cada vez mais. E ninguém faz nada para acabar com esse ciclo danoso.
Quem pode fazer alguma coisa, os presidentes de federações, não o faz. Por quê? Não me atrevo a dizer porque não sou bobo. E como vocês que me lêem neste momento também não o são, é claro que sabem por que esses presidentes continuam votando em Gerasime Bozikis, este sim, o maior adversário do basquete brasileiro, pior do que as grécias e alemanhas da vida.