DEFESA FRÁGIL
Por que o Cleveland perdeu? Num jogo onde LeBron James (acima, em foto Getty Images) jogou uma enormidade, anotou 49 pontos (seu recorde em playoffs), deu oito assistências e apanhou seis rebotes, por que o Cleveland perdeu?
Mesmo que tenha sido por apenas um ponto (107-106), não se pode atribuir ao acaso o que aconteceu ontem à noite na Quicken Loans Arena.
Então, por que o Cleveland perdeu?
Não creio que o motivo principal foi o baixo desempenho dos jogadores que gravitam em torno de LBJ como alguns estão dizendo. O “xis” da questão, a meu ver, foi a defesa do Cavs: uma peneira.
Vejam só: nos oito jogos anteriores desses playoffs, diante de Detroit e Atlanta (4-0 em ambas as séries), o Cleveland permitiu aos dois adversários um aproveitamento de apenas 39.7% de seus arremessos. Ontem, o Orlando acertou 55.1%.
Nas bolas de três, o desempenho de Pistons e Hawks foi de modestos 31.0%. Já o Magic teve uma performance de 45%.
Nos dois confrontos anteriores, o Cavs venceu todos seus jogos por uma margem superior a dez pontos. O máximo de pontos sofridos nos oito enfrentamentos passados foram os 85 tentos no terceiro embate da série diante do Atlanta.
E a média de pontos sofridos pelo Cleveland foi de 78.1 tentos contra por partida.
Pois bem, ontem o Orlando marcou 107 pontos na defesa do melhor time da fase de classificação. E venceu a partida.
As bolas de três do Magic minaram a resistência do Cavs. Responsável pela marcação de Rashard Lewis, Anderson Varejão, que foi bem ofensivamente ao anotar 14 pontos, não conseguiu evitar os tiros longos do adversário especialmente no segundo tempo.
O mais doído deles ocorreu a 14.7 segundos do final da partida, que deu a vitória aos visitantes. Lewis acertou três de seus quatro chutes de três durante os 42 minutos em que esteve em quadra.
O Orlando jogou uma barbaridade – assim como LBJ. Foi um time que soube variar seu jogo em quadra.
Explorou a força física de Dwight Howard (à direita, em foto Getty Images), que terminou a peleja com 30 pontos. Quando o Super-Homem (que quase derrubou a tabela no primeiro tempo) estava do lado de fora ou bem marcado por Zydrunas Ilgauskas, a equipe do técnico Stan Van Gundy usou as bolas longas.
Furou também a defesa do Cleveland para infiltrações ou aproveitou-se de corta-luzes para acertar bolas da zona morta, que também foram derrubadas após um drible, por exemplo.
Essa variação de jogo o Cavs encontrou apenas em LeBron. Os demais jogadores tiveram um aproveitamento ruim.
Enquanto King James acertou 20 de seus 30 arremessos na partida (66.7%), o resto do time encestou 23-58 (39.6%).
Mas não podemos esquecer que a maior pontuação do time nesses playoffs foram os 105 pontos marcados diante do Atlanta no terceiro jogo da série. Nos demais, o time nunca chegou à contagem centenária.
Não chegou também porque o técnico Mike Brown deixou seus principais jogadores descansando, poupando-os para esta decisão do Leste. Isso significa que, se todos fossem exigidos por mais tempo, o time poderia perfeitamente ter ultrapassado a barreira dos cem pontos em outras partidas.
Mas os 106 pontos marcados ontem não são desprezíveis, principalmente diante do Orlando. Por isso é que eu não creio que a baixa produção ofensiva do resto do time levou o Cleveland à derrota.
LeBron jogou por eles.
A defesa é que comprometeu. Os números provam isso.
Vocês viram algo mais que levou o Cleveland à derrota ou o Orlando à vitória?
PROVAÇÃO
Com a derrota de ontem, o Cleveland tem agora que vencer uma partida na quadra inimiga para ir à decisão da NBA. Se isso não ocorrer, babau; dá Orlando.
Já frisei aqui neste botequim várias vezes que o Cavs não tem um bom desempenho fora de casa diante dos melhores times desta temporada. Não conseguiu vencer em Boston, Orlando e Los Angeles.
Pois bem, chegou o momento de LeBron James e companhia provarem que são realmente fortes e dignos de todos os mimos que o time recebeu merecidamente durante toda a fase de classificação.
Como se diz popularmente, agora chegou a hora de a onça beber água. E de LBJ provar que entrou definitivamente para o seleto rol dos grandes homens da NBA.
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