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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 NBA, outras | 20:57

SÓ PROBLEMAS NUM DIA DE CHUVA EM QUE A ZEBRA APARECEU NOVAMENTE NA NBA

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Estou com problemas provavelmente com meu provedor. A coisa mais esquisita está acontecendo: eu consigo acessar sites nacionais, mas os internacionais eu não consigo.

Ou seja: vejo-me privado da minha principal ferramenta de trabalho, os sites norte-americanos, onde eu navego todos os dias à cata de informações que me deem subsídios para que a gente converse entre um gole de uma cervejinha bem gelada, sempre trazida pelo nosso amado e prestativo Labica.

Estou ilhado. Se disser a vocês que me sinto nu, não seria exagero algum.

Pra piorar, chove pra burro lá fora. Moro na Grande São Paulo em uma região que tem muitas árvores e a chuva se aproveita para se enamorar com o vento forte se divertir fazendo tombar sobre os fios da rede de energia galhos e às vezes troncos pesados das árvores. E isso nos deixa em completa escuridão para deleite deste casal sapeca.

Os raios, filhos da cópula de nuvens negras e pesadas, são igualmente uma ameaça.

Mas até agora eles não aprontaram.

Melhor, vejo que a chuva está diminuindo. Quase já não ouço seu martelar no solo. Acho que no escuro não ficarei — ao menos isso.

Mas sigo sem poder navegar pelos sites estrangeiros. Estou realmente à deriva.

Não queria falar sobre a rodada de ontem, mas não me resta alternativa. Falo pra promover um início de discussão entre nós.

Digo, por exemplo, algo surrado e batido deste botequim: zebra no basquete. Se alguém ainda acha que não tem zebra, que olhe para o que ocorreu ontem na capital dos EUA: o Washington, simplesmente o pior time da NBA, que tinha um cartel de 1-12, venceu o líder da competição, o Oklahoma City, que acumulava até então apenas duas derrotas. Washington 105-102 OKC.

Se isso não é zebra, não sei o que é.

Mas ao contrário do futebol, onde as zebras galopam sem muito sentido, onde um time faz um gol e passa o restante da partida dando bicos nos adversários e na bola para garantir o resultado, no basquete isso não pode ser feito em função das regras que são democráticas. O Washington teve que jogar bola, teve que se superar para vencer o OKC.

Se o futebol não tem lógica, esta é a lógica do basquete: para um time fraco (Washington) ganhar de um forte (OKC), e fora de casa, ele tem que ser melhor; senão, não ganha.

Aliás, isso vale para todos os outros esportes, menos para o futebol.

Pra Thomaz Bellucci vencer Rafael Nadal, ele vai ter que jogar mais que o espanhol. Caso contrário, perde.

Para o americano Tyson Gay vencer Usain Bolt na prova dos 100 metros, ele vai ter que correr mais. Vai ter que ser melhor que o jamaicano.

Se a seleção da Venezuela de vôlei masculino vencer o Brasil novamente, pode escrever: jogou mais que o time do técnico Bernardinho Resende.

No futebol não é assim. Um gol numa bola parada, fruto de uma falta feita para evitar o contra-ataque do time que só se defendia, pode resolver a partida. Sim, pois o chamado time pequeno, com 1-0 no marcador, seguirá só se defendendo, fazendo faltas para parar o jogo, chutando a bola pra arquibancada para fazer o relógio correr com a bola fora de jogo, fazendo cera para repor a redondinha em movimento ou simulando contusão para o relógio correr sem que a bola se mexa.

Esta é a diferença.

Mas sigo falando sobre a rodada de ontem. Vejo que o Denver de Nenê Hilário ganhou do Philadelphia, na prorrogação, por 108-104. O são-carlense (foto) fez 20 pontos e pegou 14 rebotes. Excelente.

Mas eu quero falar sobre o Sixers. Muita gente mostra-se empolgada com o time da Filadélfia. Eu, no entanto, mantenho meu pé atrás. O Sixers ganhou apenas de times medianos e fracos.

Vejo também que Tiago Splitter jogou 18 minutos em Orlando e anotou 10 pontos. Para um cotejo que teve prorrogação, o catarinense praticamente não entrou em quadra. Deve ter ido mal na vitória de seu San Antonio sobre o Orlando por 85-83.

Outro brasileiro que jogou foi Leandrinho Barbosa. O seu Toronto foi derrotado mais uma vez (esse time só perde!), agora para o Celtics, em Boston, por 96-73. E LB, que vinha com duplo dígito na pontuação há algumas partidas, ficou desta vez nos seis pontos.

Sigo em frente e vejo um resultado que me chama a atenção: o New York perdeu em seu Garden para o fraquíssimo Phoenix por 91-88. Aí eu aproveito e pergunto: o que a franquia está esperando para mandar embora Mike D’Antoni e contratar, por exemplo, Jerry Sloan?

Rapaziada, estou com a boca seca e sinto-me constrangido. Passo agora a palavra a vocês.

Notas relacionadas:

  1. KOBE E DURANT, DESTAQUES NOVAMENTE
  2. A ZEBRA DA TEMPORADA
  3. PROBLEMAS, EM CASA E NO DALLAS
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 NBA, outras | 12:47

TIM DUNCAN E ADRIANO IMPERADOR: DUAS VIDAS DISTINTAS

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Tim Duncan está com 35 anos. Próximo da aposentadoria, diriam muitos. E com razão, eu completo.

Tim Duncan está com 35 anos e passou todo o verão norte-americano e parte do locaute treinando arremessos. Isso mesmo: treinando arremessos num momento em que poderia descansar.

E sabem por quê? Porque ele sabe que seu “jump shot” não é dos melhores e que se ele melhorar este arremesso seu jogo se tornará ainda mais completo, e consequentemente será mais difícil marcá-lo.

Timmy começa a colher frutos de seu trabalho. No jogo de ontem contra o Phoenix, em San Antonio, fez 24 pontos, a maioria deles com arremessos da zona morta e, principalmente, na cabeça do garrafão.

“Trabalhei muito neste verão para melhorar meu arremesso”, disse Duncan (foto AP) após a partida em que o San Antonio bateu o Phoenix por 102-91. “(O arremesso) está mais consistente. Tenho tido altos e baixos, mas esta noite foi muito bom”.

Timmy tem 35 anos, amealhou ao longo da carreira quatro títulos de campeão, em três deles foi eleito o melhor jogador das finais e conquistou também dois MVPs durante a temporada regular. E já ganhou algo em torno de US$ 200 milhões ao longo de seus 14 anos de NBA, dinheiro esse que não caiu do céu, foi fruto de muito trabalho e muito suor, que me perdoem os amigos pelo lugar-comum. Mas é verdade.

Timmy tem 35 anos e ao invés de “colocar o burro na sombra”, segue trabalhando. Passou o verão e parte do locaute treinando, quando poderia estar em algum resort em alguma parte paradisíaca do planeta tomando sol, bebendo uma cervejinha e curtindo a vida.

Mas não, aos 35 anos aproveitou as férias para trabalhar. Um exemplo; um exemplo a ser seguido; um exemplo a ser seguido por qualquer atleta profissional em qualquer parte do planeta e de qualquer modalidade.

ENQUANTO ISSO…

Ontem o Corinthians debutou na temporada 2012. Fez um amistoso contra o Flamengo, em Londrina, norte do Paraná.

O centroavante Adriano entrou em campo no segundo tempo.

Ao invés de exibir seu grande futebol, o Imperador mostrou como um atleta profissional não deve aparecer para trabalhar: estava gordo e completamente fora de forma. Uma imagem grotesca que causou constrangimento em quem viu, mas que, ao que tudo indica, lamentavelmente, não o deixou vexado.

Adriano completará 30 anos em 17 de fevereiro próximo. É cinco anos mais novo que Tim Duncan. Mas enquanto a cabeça de Timmy funciona como a cabeça de um atleta em começo de carreira, que quer vencer na vida superando qualquer barreira que surgir em sua frente, Adriano parece estar com a cabeça na aposentadoria; ou então em qualquer outro lugar que não seja um campo de futebol.

POR QUÊ?

Por que isso acontece? Há teorias, algumas, a mais usual é a de que os atletas nos EUA têm uma formação universitária e estão mais preparados para a vida dentro e fora das quadras, enquanto que aqui no Brasil dirigentes de futebol, ao invés de obrigarem os atletas da base a estudar, os incentivam a fugir da escola para se dedicarem mais e mais ao esporte.

Pode ser, mas Adriano não é mais criança. Tem quase 30 anos e sabe o que é certo e o que é errado. Só que a tentação pelo caminho tortuoso fala mais alto.

Por isso, ao invés de Adriano ter feito como Timmy, ter aproveitado as férias para treinar, entrar em forma e se apresentar bem para esta temporada, ele se perdeu com distrações, porque ele é presa fácil das tentações da vida.

CONCLUSÃO

Dois exemplos distintos. Um que aos 35 anos quer continuar vivendo a vida esportiva e superando barreiras e desafios; outro que aos 30 parece estar absolutamente cansado de tudo e de todos que fazem parte de sua vida profissional, que parece ser levada infantilmente e não de maneira madura.

Notas relacionadas:

  1. SOZINHO, DUNCAN NÃO FOI PÁREO PARA O DENVER
  2. PESO DA IDADE INCOMODA DUNCAN
  3. TIM DUNCAN: AOS 35, UM HOMEM CANSADO
Autor: Fábio Sormani Tags: ,

sábado, 22 de outubro de 2011 basquete brasileiro, outras | 19:20

BAURU JOGARÁ DE ROSA POR CAUSA DA CAMPANHA DE COMBATE AO CÂNCER DE MAMA

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Essa é muito legal e podia servir de exemplo pra muitos: o Bauru vai jogar seus jogos semifinais do Campeonato Paulista masculino com uniforme cor-de-rosa. Motivo: campanha que estimula a conscientização da luta contra o câncer de mama.

Outubro, como se sabe (e se você não sabe eu conto), é o mês mundial na luta contra o câncer de mama. O movimento foi criado no Estado da Califórnia, EUA, há mais de uma década.

A iniciativa bauruense, aliás, não é inédita. Ano passado, o time do interior paulista fez o mesmo. Na ocasião, distribuiu camisetas rosa para a torcida, enquanto que os jogadores atuaram com um adesivo no uniforme.

Agora o passo é maior.

“A Itabom (patrocinadora do Bauru) sempre desenvolveu ações de apoio a luta contra o câncer de mama e resolvemos trazer para o basquete essa dinâmica que acreditamos colaborar com a conscientização e demonstrar o nosso respeito com a causa”, disse a diretora de marketing Juliana Poli. “O uniforme rosa é uma das ferramentas que decidimos usar para representar que estamos juntos nesta luta”.

Muito legal. Na foto, o ala/pivô Douglas Nunes ilustrando a campanha.

Como disse, que sirva de exemplo para outros tantos.

Autor: Fábio Sormani Tags: ,

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 NBA, outras | 17:49

A PALESTRA DE KOBE E A ETERNA COMPARAÇÃO COM MICHAEL JORDAN

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Kobe Bryant fez uma palestra para alunos do curso de psicologia da Universidade de Santa Barbara, que fica ao norte de Los Angeles, quase no meio do caminho entre LA e São Francisco. A cidade é belíssima e vale uma visita para quem for à California.

Quanto a conversa com os alunos, ela foi no último sábado. E foi numa boa, pois Kobe estava relaxado e aberto a perguntas.

Entre elas, claro, a que todos fariam: Kobe, você gostaria de ser lembrado como o maior de todos os tempos?

Kobe respondeu: “Isso não é importante para mim. É impossível (ter essa resposta). Até mesmo com (Michael) Jordan as pessoas dizem que ele não foi o maior de todos. Há quem diga que foi Magic (Johnson) ou Bill Russell. Não vale a pena buscar esse tipo de coisa. Eu apenas quero vencer tudo o que puder”.

Se vocês pensam que os alunos se deram por satisfeitos, se enganam. A próxima pergunta foi: Kobe, você quer superar os feitos de Jordan?

Kobe respondeu: “Claro, eu quero ganhar tudo o que puder. E isso significa que eu estou a persegui-lo. Quero continuar a ganhar mais e mais. Mas não é uma competição direta entre mim e ele, até porque ele me ajudou muito. Ele odeia quando eu digo isso, mas vou dizer assim mesmo: a gente se fala por telefone o tempo todo. Falamos sobre muitas coisas, esse é o tipo de relacionamento que temos. Eu aprendi muito com ele. Por isso, não quero ter esse tipo de debate sobre quem é o melhor”.

O papo foi muito bom. Os alunos saíram-se melhor do que muitos repórteres. A pergunta seguinte foi: Kobe, você gostaria junto com qual jogador?

Kobe respondeu: “Eu gostaria de jogar com Carmelo Anthony. Campeonatos são vencidos lá dentro (jogo interior). E eu sei que Melo tem essa capacidade, essa intensidade. E essa é a força deste nosso novo time. Eu posso fazer isso, Lamar (Odom) pode fazer isso, Ron (Artest) pode fazer isso, Pau (Gasol) pode fazer isso e Andrew (Bynum) pode fazer isso. Equipes são afortunadas quando têm um cara que pode controlar esse jogo. Sim, eu adoraria jogar com Melo”.

ROMÁRIO

Em entrevista recente, Romário declarou: “Depois do Pelé eu sou o maior de todos os tempos. Maradona foi tecnicamente melhor do que eu, mas eu tenho títulos que ele não tem”.

COMPARAÇÃO

Voltemos ao tema proposto pelos alunos da US-Santa Barbara: quem é melhor, Kobe ou Jordan?

Tecnicamente, eu acho MJ melhor; Kobe é a materialização de Jordan nos dias atuais. Ou seja: joga muita bola também e se parece com MJ em quadra. O jeito de jogar, o jeito de andar, o comportamento em relação aos companheiros e adversários, tudo em Kobe lembra MJ.

Mas se formos pela linha do Romário o que teremos? Teremos o seguinte:

1) MJ chegou a seis finais da NBA: venceu todas. Kobe disputou sete: ganhou cinco;

2) MJ foi eleito MVP das finais nos seis títulos conquistados. Kobe foi eleito nos dois últimos;

3) MJ anotou ao longo da carreira 32.292 pontos, o que deu uma média de 30,1 pontos por jogo. Kobe fez 27.868 pontos, média de 25,3 por partida;

4) MJ cravou 5.987 pontos em playoffs e teve médias de 33,4 pontos. Kobe fez 5.280 e tem média de 25,4.

5) MJ foi eleito cinco vezes MVP da temporada regular. Kobe apenas uma vez;

6) MJ apareceu dez vezes na seleção do campeonato. Kobe em nove;

7) MJ esteve em nove ocasiões no melhor time defensivo. Kobe também;

8) MJ foi eleito em uma oportunidade o melhor defensor da NBA. Kobe nunca foi escolhido;

9) MJ foi o cestinha do campeonato em dez ocasiões. Kobe em duas;

10) MJ foi eleito “Rookie of the Year”. Kobe não foi.

CONCLUSÃO

Deixo para vocês concluírem. Não apenas os números, mas também a palestra feita por Kobe Bryant na UC-Santa Barbara.

Notas relacionadas:

  1. MICHAEL JORDAN ETERNO
  2. MICHAEL JORDAN É INCOMPARÁVEL
  3. POR QUE MICHAEL JORDAN É O MAIOR DE TODOS
Autor: Fábio Sormani Tags: , , ,

sexta-feira, 7 de outubro de 2011 NBA, outras | 19:49

O EXEMPLO QUE VEM DA NBA

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Em sexta-feira de escassez no basquete, peço licença a vocês para falar do calendário do futebol brasileiro, divulgado no começo desta tarde pela CBF. Calendário? Não, na verdade um lixo foi divulgado pela CBF.

Se vocês não tomaram pé da notícia, clique aqui e veja o que a CBF divulgou.

Já passou da hora de se criar uma liga no futebol brasileiro. Infelizmente, a Lei Pelé vincula a criação da mesma à aprovação da CBF. Um erro, pois se os interesses dos clubes conflitarem com os da entidade, ela tem o poder de vetar a criação.

Mas, mesmo assim, com jeitinho, creio que os clubes conseguiriam aprovar a criação da liga por parte da CBF sem ter que recorrer a medidas extremas. Medidas extremas? Sim, como criar a liga à força, nem que isso representasse nos tornarmos marginais aos olhos da Fifa.

NBA

Aliás, se a gente for ver, a NBA sempre trabalhou à margem da Fiba. Ela não reconhecia o profissionalismo dos jogadores norte-americanos e, por conta disso, não permitia a participação dos mesmos em Mundiais e Jogos Olímpicos.

Quando a Fiba se tocou que o mundo tinha desviado seus olhos para a NBA, ela cedeu e resolver aceitar os profissionais em suas competições, abrindo as portas para que fosse criado o maior time de basquete de que se tem notícia: o “Dream Team” que participou e ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

Mais do que aceitar os profissionais norte-americanos, a Fiba adaptou regras da NBA para o basquete mundial, pois o basquete da NBA era muito mais atraente.

Relógio dos 24 segundos, oito segundos para se passar da defesa para o ataque, semicírculo dentro do garrafão, cronômetro não voltando para os 24 segundos quando o ataque recupera a posse de bola por conta de uma infração, linha dos três pontos mais distante do aro, jogo dividido em quartos e não em tempos — e por aí vai. Aliás, acho que não vai demorar muito para que a Fiba passe as partidas para 48 ao invés dos atuais 40 minutos.

O resultado desta aproximação da Fiba com a NBA é que o basquete passou a ter uma visibilidade maior em todo o planeta. Onde as estrelas da NBA jogavam, com a camisa dos EUA, havia (como há) grande histeria por parte dos fãs.

Não só os EUA, diga-se, mas seleções europeias, sul-americanas, asiáticas e oceânicas também. Sim, pois elas passaram a contar com jogadores da NBA, uma vez que a liga norte-americana, de olho no mercado mundial e no dinheiro do resto do planeta, começou a importar craques destes continentes.

REALIDADE

Voltando ao futebol, eu pergunto: interessaria para a Fifa deixar o Brasil à margem? Interessaria para a Fifa fazer uma Copa do Mundo sem o Brasil? Interessaria também para a Conmebol fazer uma Libertadores sem times brasileiros?

Antes de cobrir o Mundial da Alemanha, em 2006, eu achava que a Copa do Mundo aconteceria numa boa sem o Brasil. De fato, a Copa acontece sem o Brasil, mas perde muito de seu charme e de seu interesse ($).

Constatei nas ruas da Alemanha uma infinidade de torcedores com a camisa do Brasil. E não eram apenas brasileiros: eram brasileiros e gente de todo tipo de nacionalidade.

As vitrines das lojas de material esportivo tinham fardamentos da Alemanha, Brasil e outras seleções que se revezavam. Os outdoors e cartazes espalhados pelo país divulgando o Mundial exibiam, basicamente, jogadores alemães e brasileiros.

Creiam, quando o assunto é futebol, o Brasil é atração por onde passa.

Eu achava que era “coisa de brasileiro” essa história de que Copa do Mundo sem o Brasil não tem graça. Mas depois do Mundial da Alemanha eu mudei de opinião.

Por isso, repito: interessa para a Fifa fazer uma Copa do Mundo sem o Brasil? Interessa para a Conmebol fazer uma Libertadores sem times brasileiros?

Uma ova!

Somos atrações de bilheteria. Jogos do Brasil estão sempre com sua lotação esgotada. E a Rede Globo paga fortunas por estas competições para exibi-las em nosso país.

EXTREMISMO

Assim, se uma atitude extrema, radical, tiver que ser tomada, que se tome. Está na hora de a CBF tratar com respeito nossos times.

Calendário que não prevê a paralisação do Campeonato Brasileiro quando a seleção joga tem que ser jogado no lixo. É isso que os clubes deveriam fazer.

Vejam o caso Neymar/Santos. Comenta-se que o jogador recebe R$ 1 milhão por mês. De acordo com o calendário, Neymar vai ficar quatro dos 12 meses do ano que vem na seleção. Ou seja: por ano, a CBF “rouba” do Santos R$ 4 milhões! Aliás, isso está ocorrendo este ano.

MODELO

A seleção de basquete dos EUA reúne-se dois meses antes de começar os Jogos Olímpicos e/ou Mundial. Depois, disputa a competição. A preparação começa em Las Vegas, depois eles partem para a Europa e finalmente chegam ao destino final.

Por que não fazer o mesmo com a nossa seleção de futebol? Aliás, isso aconteceu em 1970: nosso selecionado se reuniu três meses antes do Mundial do México e se transformou na maior seleção de futebol de todos os tempos.

É certo que já havia uma base, pois o Brasil participou das eliminatórias. Mas elas foram curtas: seis jogos contra Paraguai, Colômbia e Venezuela. Ou seja: seis datas apenas.

Mas mesmo que o Brasil não tivesse disputado as eliminatórias e Zagalo assumisse o comando do time a três meses do início do Mundial, o resultado seria o mesmo.

Reunindo-se às portas do Mundial não precisaríamos ter técnico exclusivo, os times não seriam lesados e os melhores jogadores naquele momento seriam chamados.

Seria muito simples.

UNIÃO

Mas seria importante que o mesmo fosse feito na Europa. Se os times europeus resolverem dar um basta nesta situação, a atitude seria mundial!

Eliminatórias sul-americanas com dez times divididos em três grupos (um deles ficaria com quatro, como foi em 70 com o grupo brasileiro). Brasil, Argentina e Uruguai seriam os cabeças-de-chave.

Eliminatórias europeias com fases preliminares (como é feito na Champions League) e os classificados se juntariam às grandes seleções, aquelas que importam mesmo e que chamam a atenção dos torcedores. Aquelas que vendem bilhetes e que tornam o preço dos direitos de televisão, rádio, internet, jornais e revistas caríssimos.

Assim, as eliminatórias seriam curtas em todo o planeta. Com poucas partidas, os times seriam pouquíssimos lesados, pois as seleções se reuniriam pouquíssimas vezes.

E quando chegasse o ano do Mundial, dava-se uma apertada nos campeonatos nacionais, de modo que as seleções pudessem ter um tempo maior de preparação.

FORÇA

Os clubes, infelizmente, não se tocaram para a força que têm e parecem não enxergar isso. Infelizmente, eles olham apenas para o micro quando deveriam olhar para o macro.

Lamentavelmente, os clubes olham apenas para si mesmo. Preocupam-se apenas com o seu quintal, não se apercebendo que o terreno é fértil e muito mais amplo do que seus olhos míopes conseguem enxergar.

Se isso fosse feito, creio que a maioria ficaria feliz. Claro que uma minoria, que se aproveita da situação, iria espernear.

Mas, como disse, é minoria. E a vontade da minoria não pode jamais prevalecer diante dos interesses da maioria.

Notas relacionadas:

  1. UMA FÁBULA
  2. DITANDO MODA MUNDO AFORA
  3. O PRIMEIRO TÍTULO DE MARCELINHO HUERTAS E O EXEMPLO DE JUAN CARLOS NAVARRO
Autor: Fábio Sormani Tags: , , ,

sábado, 1 de outubro de 2011 Basquete europeu, NBA, outras | 15:49

O PRIMEIRO TÍTULO DE MARCELINHO HUERTAS E O EXEMPLO DE JUAN CARLOS NAVARRO

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Marcelinho Huertas ganhou há pouco seu primeiro título com a camisa 9 do Barcelona. Bateu na final da Supercopa da Espanha sua ex-equipe, o Caja Laboral, por 82-73.

O paulistano anotou dez pontos e deu três assistências nos 30:21 minutos em que esteve em quadra. Aí eu vejo que ele teve 10 em valoração.

Por favor, se alguém puder me explicar o que isso significa, eu agradeço.

A valoração de Huertas (foto Liga ACB) foi a terceira melhor do Barça, que conquistou sua terceira Supercopa consecutiva. Ficou atrás do pivô nigeriano Boniface Ndong (24 de valoração; 12 pontos e dez rebotes) e de Juan Carlos Navarro, que teve 26.

Continuo curioso para saber o que isso significa e como é que se chega a esse número.

Valoração à parte, Navarro jogou pra burro. Anotou 27 pontos e 3/5 nas bolas de três. Foi eleito merecidamente o MVP do torneio.

Mas Huertas não ficou atrás. Com um mês de casa, joga como se estivesse no Barcelona há muito tempo. É um tormento para o adversário com seu basquete rápido e inteligente.

Agora leiam o que o jornalista Daniel Barranquero escreveu sobre Marcelinho no site da ACB: “Huertas faz cestas como se masca chicletes”.

Sensacional, não é mesmo?

NBA

Juan Carlos Navarro jogou apenas uma temporada na NBA: 2007/08. Participou das 82 partidas que o seu Memphis Grizzlies fez durante a fase de classificação. O time, no entanto, não chegou aos playoffs: foi o terceiro pior da competição.

“La Bomba”, como é chamado pelos companheiros, começou devagar, mas aos poucos foi se encontrando com a camisa 2 do Memphis. Ao final da temporada, teve médias de 11 pontos por jogo e quase 26 minutos em quadra.

Jogava ao lado de Pau Gasol e muitos acreditavam que isso pudesse deixá-lo à vontade para fazer seu jogo decolar.

Navarro não foi mal, longe disso, tanto que anotou ao longo do campeonato 156 bolas de três, duas a menos do que Kerry Kittles cravou na temporada 1996/97, estabelecendo o recorde para um “rookie”. O espanhol ainda entrou para o segundo time dos novatos e esteve no “All-Star Weekend” atuando pelo time dos “rookies” contra os sophomores.

Recrutado originalmente pelo Washington Wizards em 2002, “La Bomba” preferiu continuar no Barcelona por mais cinco anos. Ao final deste período, anunciou que iria para a NBA, mas seus direitos eram do Memphis, que o tinha negociado com o Washington.

Mas depois de uma temporada na terra de Elvis Presley, Navarro voltou para a Espanha onde assinou novo contrato de cinco anos com o Barça. Contrato este que estará vencendo ao final da temporada 2012-13.

Navarro está feliz em Barça e na Espanha. Adora jogar os torneios da ACB e a Euroliga.

Ele não precisa da NBA para ser feliz. Ele se realiza na Europa.

Vejo o caso de Navarro e ele me remete ao futebol. Neymar se realiza no Santos. No momento, ele não precisa da Europa para se completar.

Quando digo realizar, falo em bola e não em dinheiro. Mas mesmo em se tratando de dinheiro Neymar ganha aqui no Brasil quase o que o Real Madrid está oferecendo a ele por um contrato que ainda não foi assinado.

Navarro deve ganhar um bom dinheiro na Espanha. Não faço a menor ideia do valor. Na NBA, ele teria tudo para ganhar boa grana também, mas não sei se seria muito maior do que ele ganha no Barça.

Então, pra que deixar o conforto do lar, o carinho dos amigos e parentes para jogar na NBA? Só se este for realmente o desejo de Navarro; mas não é. Por isso, “La Bomba” voltou para a Espanha.

Se Neymar tiver o mesmo pensamento de Navarro, ele não deixará o Santos.

Portanto, que o exemplo de Navarro seja seguido não apenas pela joia santista, mas também pelo seu companheiro Paulo Henrique Ganso, pelo são-paulino Lucas e pelos colorados Leandro Damião e Oscar. E também por outros moleques que estarão aparecendo futuramente.

Jogar futebol na Europa tem um preço que pode ser caro demais. Jogar na NBA também. Há os que estão dispostos a pagar por isso e começa a aparecer, mesmo que timidamente, os que não estão dispostos.

Estou muito curioso para ver o que o futuro vai nos revelar.

Notas relacionadas:

  1. O CONTRATO DA VIDA DE MARCELINHO HUERTAS
  2. MARCELINHO HUERTAS TREINA NO BARCELONA E DESCARTA A NBA
  3. HUERTAS COMANDA BARCELONA NA VITÓRIA SOBRE REAL MADRID
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , ,

quarta-feira, 28 de setembro de 2011 Seleção Brasileira, basquete brasileiro, outras | 16:41

NIKE RESPONDE SOBRE O UNIFORME DA SELEÇÃO FEMININA

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Recebi o seguinte e-mail da Nike em relação ao comentário que fiz no post passado sobre o uniforme da seleção brasileira feminina. O e-mail veio assinado por Mario Andrada e Silva, meu velho companheiro de “Folha de S.Paulo”, hoje diretor de comunicação da Nike para a América Latina. Diz ele:

O diálogo com o atleta é a peça fundamental no DNA da Nike. Buscamos maneiras de melhorar o desempenho de cada um deles com novos produtos, os mais inovadores do mercado. Nosso trabalho com a CBB em geral e com a seleção feminina em particular não é exceção. Conversamos muito com as meninas que estão em Neiva (Colômbia) para garantir a classificação das mulheres do nosso basquete para os Jogos Olímpicos. Nenhuma delas reclamou do uniforme mesmo em oportunidades de conversa destinadas a esse fim. A avaliação que recebemos das atletas é que os uniformes são os mais leves e confortáveis e que o short grande facilita a movimentação delas em quadra. E vale lembrar que o uniforme tem corte feminino. Pela primeira vez, os uniformes do Basquete brasileiro estão sendo fabricados com fios de poliéster reciclado a partir de garrafas PET. São os mais inovadores do mercado.

Aproveito para te mandar outras informações técnicas sobre o uniforme:

• Tecido 100% poliéster, com tecnologia Dri-Fit, que permite a rápida evaporação do suor e mantém as atletas secas por mais tempo;
• Painel traseiro em mesh para maior respirabilidade;
• Fitas contrastantes soldadas na parte frontal e cavas;
• Bandeira do Brasil, logo da Nike, palavra Brasil centralizada e nome e número dos jogadores aplicados em heat transfer.

Duas considerações:

1) Não conversei com as meninas para saber se elas foram consultadas e de fato aprovaram o uniforme, mas confio na informação, especialmente porque conheço Andrada e Silva e sei de seu caráter e sua retidão;

2) Está lá, na mensagem: “E vale lembrar que o uniforme tem corte feminino”. Mario, meu velho amigo: você acha mesmo que esse uniforme tem “corte feminino”? Nossas jogadoras se parecem com um bando de marmanjo correndo de lá pra cá e de cá pra lá. Os macaquinhos sim, estes sim têm corte feminino. Esses shorts que elas usam, e que me parece incomodá-las, como disse, eles se parecem com cuecas samba-canção e neles não há nada de feminino.

A Nike deveria rever estes uniformes. E rapidamente.

TWITTER

Anotem aí o meu twitter: @FRSormani.

Autor: Fábio Sormani Tags:

sexta-feira, 19 de agosto de 2011 basquete universitário norte-americano, outras | 11:10

VEJA PANCADARIA ENTRE CHINESES E AMERICANOS E RECORDE A PANCADARIA ENTRE CHINESES E BRASILEIROS

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Joe Biden, vice-presidente dos EUA estava assistindo ao jogo entre a Universidade de Georgetown e o time chinês do Bayi Rockets. O cotejo estava empatado em 64 pontos e era muito físico. Nada menos do que 57 lances livres foram cobrados pelos chineses e 15 pelos americanos.

De repente, numa disputa de bola na defesa dos Hoyas (apelido de Georgetown), um jogador americano sofre uma entrada mais dura de um chinês e revida. Pronto: começa a confusão.

Jogadores dos dois times se engalfinharam. E como aconteceu no amistoso entre o Joinville (que vestia a camisa da seleção brasileira) e o selecionado chinês, em outubro passado, alguns torcedores também invadiram a quadra para agredir os adversários.

Foi o segundo episódio semelhante em terras chinesas. Coincidência ou selvageria?

Veja abaixo os dois vídeos: o primeiro mostra a pancadaria entre chineses e americanos; o segundo entre chineses e brasileiros:

Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 18 de agosto de 2011 NBA, outras | 19:30

CHINA VETA CONTRATAÇÃO DE JOGADORES DA NBA COM CONTRATO EM VIGOR

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Uma importante porta se fecha para os jogadores da NBA neste momento em que a liga se encontra em locaute. A CBA (China Basketball Association) emitiu comunicado nesta quinta-feira dando conta de que os times que disputam o campeonato local estão proibidos de contratar jogadores que têm contrato em vigência.

São 108 atletas da NBA que estão nesta situação. Entre eles Kobe Bryant, Kevin Durant e Dwight Howard, que manifestaram publicamente interesse em jogar no basquete chinês.

Desta forma, a possível ida de Kobe (foto) para o Shanxi Zhongyu Brave, noticiada nesta quinta-feira, não mais acontecerá. Talvez por isso os agentes do jogador tenham desmentido a notícia em Los Angeles.

A decisão da CBA não é descabida. Os chineses, que têm muito dinheiro para aplicar no basquete, não querem ver seus torcedores frustrados e, principalmente, alicerçar seu campeonato, que começa no dia 1º de novembro, em jogadores que podem jogar apenas uma rodada.

Nada indica que a NBA e a associação dos jogadores vão entrar em acordo rapidamente. Mas até novembro isso pode acontecer.

E se acontecer, os chineses ficariam chupando o dedo.

E os brasileiros também, pois Leandrinho Barbosa terá vestido a camisa do Flamengo apenas para tirar fotografias ao lado da presidente Patrícia Amorim.

Eu faria o mesmo que os chineses? Não, eu apostaria num longo processo de negociação entre a NBA e os jogadores. Eu faria o que a presidente do Flamengo fez.

Na pior das hipóteses, daria visibilidade ao basquete do time e, consequentemente, chamaria a atenção do mercado publicitário. Isso, aliás, está acontecendo, pois o Flamengo já bate nas portas das agências atrás de patrocínio para bancar a estada de Leandrinho no rubro-negro.

Tudo o que se fizer para colocar o produto basquete na mídia eu acho válido. Nem que seja para noticiar que os jogadores que acabaram de assinar contrato estão indo embora.

Mas, repito, creio que esse acordo não será assinado rapidamente.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , ,

segunda-feira, 8 de agosto de 2011 NBA, outras | 21:50

PEARL JAM E A NBA

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Em novembro próximo, a banda Pearl Jam fará quatro shows pelo Brasil. As apresentações serão em São Paulo (Estádio do Morumbi), no dia 4; Rio (Praça da Apoteose), dia 6; Curitiba (Estádio do Paraná Clube), dia 9; e em Porto Alegre (Estádio do Zequinha), dia 11.

Os ingressos para o show paulistano estão esgotados.

MUITO PRAZER

A primeira e única vez que vi Eddie Vedder na vida foi no dia 7 de junho de 1998. Vedder perambulava pelo impecável piso do United Center, esperando pelo momento em que cantaria o hino nacional norte-americano.

O vocalista e um dos líderes do Pearl Jam usava uma camisa cor-de-burro-quando-foge aberta combinando com uma camiseta cinza por baixo. Vestia uma calça jeans e um tênis vermelho cano baixo. As meias eram brancas.

Mas o que me chamou a atenção foi a perna esquerda da calça: ela estava dobrada e mais curta que a direita. Não era desleixo; foi adrede preparado. Talvez modismo, mas confesso nunca mais ter visto alguém usando calças do jeito que Vedder usava. Se ele pretendia lançar moda, não deu certo.

Seu 1,70m de altura o tornava um anônimo no meio de centenas de repórteres, cinegrafistas, fotógrafos, dirigentes da NBA e dos jogadores de Chicago e Utah, que se aqueciam para o terceiro jogo das finais, cujo placar mostrava empate em 1-1 depois de um par de confrontos em Salt Lake City.

Vedder cantou o hino conforme o protocolo, não apresentou nada demais e se mandou. Saiu do jeito que chegou: sem ser notado.

Aquilo me chamou também a atenção. Caramba, era o Eddie Vedder!

LAÇOS AFETIVOS

Por que Eddie Vedder cantou o hino americano naquele dia? Porque ele era amicíssimo de Dennis Rodman e porque ele é torcedor de carteirinha do Chicago Bulls. Seus laços afetivos com a liga eram grandes demais.

A relação de Eddie Vedder com a NBA, no entanto, não se resumiu àquela apresentação. Vedder e o Pearl Jam são absolutamente alucinados pela NBA e sempre que podem associam-se a ela.

Vejamos…

O primeiro nome da banda foi Mookie Blaylock. Isso mesmo: Mookie Blaylock, veterano armador que na época jogava no New Jersey Nets e era um dos destaques da NBA. Pode?

Mookie Blaylock, contudo, não era um bom nome para uma banda de rock, convenhamos. Por isso, Vedder e seus parceiros resolveram rebatizar o grupo e o nome do segundo batismo passou a ser o definitivo: Pearl Jam.

Alguns biógrafos do grupo defendem a tese de que o “Pearl” do nome veio de Earl “The Pearl” Monroe, ex-armador campeão com o New York Knicks em 1973.

A banda mudou de nome, mas a admiração por Mookie não cedeu. Tanto que o álbum de estréia da banda foi batizado “Ten”. Por que “Ten”? Porque era o número que Blaylock utilizava quando jogava.

PAIXÃO ARREBATADORA

Stone Gossard, guitarrista, e Jeff Ament, contrabaixista, co-fundadores do Pearl Jam, eram torcedores fanáticos do Seattle SuperSonics. Hoje, com o fim da franquia (transformou-se no Oklahoma City Thunder), não sei realmente para quem eles torcem.

Não acredito que torçam para o OKC, pois a cidade de Seattle odiou todo o episódio de mudança da franquia.

Mas enquanto o Sonics estava em Seattle, Gossard e Ament eram presença constante na Key Arena. Especialmente na época que o time do Estado de Washington contava com a dupla Gary Payton e Shawn Kemp.

A torcida de Gossard pelo Sonics explica-se facilmente, pois ele é de Seattle. Ament, no entanto, é de Havre, minúscula cidade do Estado de Montana.

Já Eddie Vedder é torcedor fanático do Bulls. Nasceu em Evanston, cidade que fica na região metropolitana de Chicago.

Embora seja amigo íntimo de Dennis Rodman, seu ídolo sempre foi Michael Jordan. No final do clipe da música “Alive”, do álbum “Ten”, ele aparece com a camisa 23 vermelha de Michael Jordan.

O tema “Black, Red, Yellow”, contido no single “Hail, Hail”, se refere ao Bulls da época de MJ, Dennis Rodman e Phil Jackson.

Nas primeiras estrofes da música, Vedder canta: “Freud e sua prancheta caminhando ao lado da quadra quebrando sua cabeça”. No trecho final, ouve-se uma mensagem que Rodman deixou para o Eddie Vedder ao telefone dizendo: “E aí irmão, beleza? Eu tô no oeste da costa oeste. Cria um jingle pra mim quando você chegar da porra do lugar que você estiver”.

O Oeste da costa Oeste talvez seja Seattle, onde o Pearl Jam reside.

Ament compôs um tema sobre Lew Alcindor, que mais tarde tornou-se Kareem Abdul-Jabbar. A música se chama “Sweet Lew” e foi lançada no álbum “Lost Dogs”, que contém singles que jamais haviam sido lançados.

Ament era um fã de carteirinha de Kareem desde o tempo de Milwaukee Bucks, quando ele era Alcindor. O baixista cresceu idolatrando-o.

Mas… veio a grande decepção, claro. Quando Ament teve a chance de conhecer pessoalmente o então Alcindor e pedir um autógrafo, o veterano pivô fez com Ament o que fez com muita gente: ignorou-o completamente.

O refrão da música diz: “Sweet Lew, Sweet Lew, como você pôde fazer isso?”

No filme “Vida de Solteiro”, escrito e dirigido por Cameron Crowe, estrelado por Bridget Fonda e Matt Dillon, a banda aparece em um trecho da película ao lado do veterano ala Xavier McDaniel, que na época jogava pelo Sonics.

E por fim, caríssimos amigos, nesta nossa conversa fiada falando sobre Pearl Jam e a NBA, no DVD “NBA Superstar 3”, na parte dedicada a Shawn Kemp, o ex-ala-pivô do Sonics aparece ao lado de um DJ de uma rádio de Seattle falando sobre o Pearl Jam. A banda havia acabado de lançar o segundo álbum “Vs”, que é a abreviatura de versus.

O clipe dos lances de Kemp é embalado pelo tema “Go”, contido no álbum “Vs”.

ATÉ LOGO

Quem me conhece sabe muito bem que minha praia hoje é o jazz. Mas já passeei muito pelo rock, numa época em que Eddie Vedder, Stone Gossard e Jeff Ament andavam de fraldas.

Esta ligação do Pearl Jam com a NBA é tão forte que me fez um fã do grupo grunge. Não estarei no Morumbi acompanhando o show. Só saio de casa para ver um show se ele for de jazz. Mas se alguém me arrumasse um ingresso, me pegasse em casa e me deixasse na porta do Morumbi, com certeza eu iria.

Como isso não vai acontecer, não vou.

Deixo-os agora; deixo-os com alguns clipes da banda, clipes estes que foram mencionados nesse texto que deu-me um enorme prazer em escrever.

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