NÃO É FICÇÃO, É HISTÓRIA
A coisa está feia para os lados da NBA. Além de a liga estar em locaute e a próxima temporada ameaçadíssima de não ser realizada (o que implicaria em perdas transatlânticas de mais de US$ 2 bilhões em faturamento), a aposentadoria de Yao Ming representa outro golpe no fígado da liga mais importante de basquete do planeta.
Um chinês postou em seu twitter o seguinte: “Por que eu deveria ver a NBA a partir de agora?” Pesquisa feita na China mostrou que 57% dos entrevistados disseram que sem Yao (foto AP) eles não vão mais acompanhar a NBA. E podem ter certeza: com o passar do tempo, se nenhum chinês bom de bola aparecer, a tendência é haver uma queda ainda maior nesse percentual.
E sabem o que isso significará? A perda do maior mercado mundial da NBA depois dos EUA.
Muito embora esteja enfrentando problemas com a crise mundial, a China não parou de se expandir. Segundo a revista inglesa “The Economist”, é a segunda maior economia do planeta, atrás apenas dos EUA, que tem um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 14,9 trilhões, enquanto que o PIB chinês é de US$ 6,4 trilhões.
Só para se ter uma ideia do tamanho da grana que rola na China, a economia chinesa é maior do que dos outros países que compõem o chamado Brics. Ou seja: Brasil, Rússia, Índia e África do Sul. (O “C” do Brics é a China.)
A voracidade com que os chineses consomem a NBA deixa a todos empolgados no escritório da Olympic Tower, na Quinta Avenida, em Nova York.
Segundo David Stern, comissário da NBA, a China representa cerca de 5% do faturamento da liga. Pode parecer pouco, mas traduzindo em números, isso significa algo em torno de US$ 50 milhões por temporada.
Sem Yao, sobra Yi Jianlian. Joga no Washington. Um manezaço que não tem apelo nem em seu país.
O que fazer?
A NBA está de olho agora no mercado da Índia. Satnam Singh Bhamara, 14 anos, 2,20m de altura é o jogador (foto reprodução) em quem a liga norte-americana aposta para que brevemente esteja vestindo a camisa de um dos 30 times que compõem o campeonato.
A Índia situa-se atualmente em nono lugar no ranking das maiores economias do mundo. Seu PIB é de US$ 1,8 trilhão. Bem aquém do chinês, mas é a bola da vez aos olhos da NBA, que, claro, não quer perder o mercado chinês e algo ela fará para que isso não ocorra.
Agora, vejam que interessante: vocês sabem quanto é o PIB do Brasil? US$ 2,0 trilhões, o que nos coloca em sétimo lugar no ranking das maiores economias do mundo.
Maior do que a Índia, em quem a NBA aposta. E por que a NBA aposta na Índia? Simples: porque lá o futebol não oferece qualquer concorrência aos esportes. O futebol é mais um esporte entre tantos esportes que agradam os indianos.
Gostaram da história que contei? Acho que deu para entreter, sem dúvida que sim.
Pra encerrar, eu digo: de que adianta tudo isso, de que adianta tantos planos, se a NBA está em locaute? Se a próxima temporada pode nem ocorrer?
Parece ficção, mas não é. É história e não estória.
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Autor: Fábio Sormani Tags: David Stern, Satnam Singh Bhamara, Yao Ming, Yi Jianlian





