MORALIZAÇÃO DO NOSSO BASQUETE
Seriam novos ares no basquete brasileiro? Explico: o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) vai julgar nesta sexta-feira Marcelinho Machado pelo papelão que ele fez em Joinville quando do torneio amistoso disputado em Santa Catarina no último dia 4 de outubro.
O ala/armador do Flamengo foi indiciado em quatro artigos: 250 (ato desleal), 255 (ato de hostil), 258 (atitude anti-desportiva) e 253 (tentativa de agressão). O clube carioca também pode ser multado entre R$ 10 mil e R$ 200 mil.
E tem mais: supervisor da equipe, André Guimarães, responderá pelo artigo 187 (ofender moralmente o árbitro ou auxiliar em função).
Se o jogador for condenado em todos os artigos, pode ficar até 270 dias suspenso. Isso o impediria de participar da segunda edição do NBB (Novo Basquete Brasil), a nove dias do início da competição.
A informação está no site “Justiça Desportiva”.
Se você se esqueceu do episódio, lembro-lhe que Marcelinho cometeu falta anti-desportiva no pivô Shilton e após ser expulso recusou-se a sair de quadra. Ficou no banco de reservas. A atitude do jogador fez com que o árbitro Cristiano Maranho encerrasse a partida quando os catarinenses venciam por 27 a 23.
Shilton, o jogador do Joinville, também estará na berlinda. Foi indiciado no artigo 205 (dar causa a não realização ou impedir o prosseguimento de partida).
O que eu acho da notícia?
Que Marcelinho Machado tem que ser punido. Por 270 dias? Claro que não, isso é um exagero, não foi para tanto.
Penso que a pena deveria deixar o atleta uns dez jogos do lado de fora. E mais: sem vencimentos — como acontece na NBA.
E que o dinheiro não recebido pelo jogador não fique para o Flamengo. Que seja doado para quem precisa.
Na NBA, as multas são revertidas para instituições de caridades e para o sindicato dos atletas que auxilia ex-jogadores que estão em dificuldades financeiras — especialmente os veteranos, aqueles que jogaram antes da chegada de David Stern à NBA e ao advento Michael Jordan.
Quanto ao supervisor e o Flamengo, penso que nada deve acontecer a ambos.
Em relação a Shilton, ele deve ser punido também. Mas como ele não teve chiliques e nem deu um show em quadra, ao contrário de Marcelinho, penso que uns três jogos resolvem a questão — também sem vencimento salarial e com doação do mesmo para quem precisa.
Isso feito, jogadores e treinadores pensariam duas vezes em “aprontar” em quadra. O mesmo para os torcedores. Isso transformaria jogadores e ambientes hostis, que existem aos montes em nosso basquete.
O STJD tem que olhar com mais carinho para o basquete brasileiro. Não adianta apenas embalar o produto.
O conteúdo tem que ser bom.
Estaremos atentos à decisão do STJD nesta sexta-feira. Ela pode ser um divisor de águas do nosso basquete.
Para o bem — e não para o mal.
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Autor: Fábio Sormani Tags: Cristiano Maranho, Flamengo, Joinville, Marcelinho Machado, Shilton, STJD




