Arquivo da Categoria basquete brasileiro
05/11/2009 - 13:03

Lendrinho e Thiago Splitter na seleção brasileira
Li em “O Estado de S.Paulo” desta quinta-feira entrevista com Leandrinho Barbosa. Nela, ele diz que vai fazer de tudo para que Nenê Hilário esteja no Mundial do ano que vem na Turquia.
Disse Leandrinho: “Nenê seria uma grande ajuda e ele sabe. É um dos pontos fortes do basquete brasileiro. Nós estamos tentando convencê-lo a participar do Mundial”.
Confesso que não consigo entender o que Leandrinho quis dizer. Afinal, Nenê não atendeu as duas últimas convocações do técnico Moncho Monsalve por estar doente.
Na primeira oportunidade, retirou um tumor testicular; na segunda, quebrou o braço.
Ao fazer uma afirmação dessas, Leandrinho dá a entender que Nenê não esteve na seleção porque não quis. E isso não é verdade.
Pior: deixa Nenê em uma situação difícil junto aos torcedores, pois muita gente realmente acredita que Nenê não vestiu a camisa 13 da seleção porque não quis. E isso não é verdade.
Creio que Leandrinho não quis dizer o que disse.
Seguramente, ele quis dizer algo do tipo: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente ao grupo, pois precisamos dele demais.
Sim, acho que foi isso o que Leandrinho quis dizer.
MONCHO
O presidente da CBB, Carlos Nunes, estará na Europa acompanhando o sorteio dos Mundiais masculino e feminino que ocorrerão ano que vem na Turquia e República Tcheca, respectivamente.
Aproveitará a viagem para visitar Moncho Monsalve. O espanhol passou por uma cirurgia na coluna e recupera-se bem — felizmente.
Ainda segundo “O Estado de S.Paulo”, Nunes disse que Moncho tem um “gênio impossível” e que isso pode pesar no momento da renovação do contrato do ibérico, que encerra-se no final deste mês.
O que Nunes quer dizer com isso? — pergunto novamente.
É certo que Nunes é o patrão (por ser o presidente da CBB) e Moncho o empregado. Mas o relacionamento entre eles é pouco e não deve ser decisivo no momento de se decidir o futuro.
O relacionamento de Moncho é intenso com os jogadores, isto sim. São eles é que têm que avaliar a convivência com o treinador.
Se Moncho é bom para os jogadores, é bom para a seleção. Consequentemente, é bom para o basquete brasileiro.
E a avaliação dos atletas quanto ao espanhol é excelente: nota 10. Os basqueteiros querem a permanência dele à frente do grupo.
É isso o que conta — o resto é perfumaria.

Lou Williams tenta superar Marquis Daniels, Shelden Williams e Eddie House
NBA
A rodada de ontem da maior liga de basquete do planeta confirmou que: 1) O Boston continua “on fire”; 2) O Denver também; 3) O Lakers está um pouco abaixo de ambos.
O melhor de tudo, pelo menos para nós, brasileiros, é a bola que Nenê Hilário vem jogando. No triunfo de ontem diante do New Jersey, do outro lado do Rio Hudson, por 122-94, o são-carlense marcou 16 pontos, pegou nove rebotes, deu quatro assistências e três tocos.
E mais: 5-6 nos arremessos de quadra.
Suas médias no campeonato: 14.6 pontos e 9.6 rebotes. Seu percentual de aproveitamento nos arremessos é de 60%: 24-40. Muito bom.
Nenê confirma o que todos nós sabemos: é o melhor jogador brasileiro de basquete na atualidade.
Leandrinho tem razão: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente à seleção, pois precisamos dele demais.
CANSAÇO
O primeiro parágrafo do texto do site da NBA que relata a vitória do Boston sobre Wolves, em Minneapolis, é muito bom. Traduzo-o para vocês:
“Suas pernas foram a razão pela qual o Celtics quase perdeu pela primeira vez. Suas cabeças foram a razão pela qual isso não aconteceu”.
Ou seja: o Boston teve dificuldades para defender porque faltaram pernas para seus principais jogadores, pois, todos sabemos, Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen e Rasheed Wallace não são mais crianças.
Mas a inteligência tática do quarteto e a compreensão que eles têm do jogo acabou evitando o primeiro revés da temporada.
Depois de 48 minutos de bola pingando aqui e ali, lá e acolá, o Celtics somou sua sexta vitória na competição: 92-90.
REENCONTRO
Ron Artest e Trevor Ariza reencontraram pela primeira vez suas ex-equipes. 18.291 torcedores lotaram o Toyota Center em Houston.
Estavam curiosos para ver como os dois se sairiam. No final, viram o óbvio: o desfile de Kobe Bryant em quadra.
O melhor jogador de basquete do planeta marcou 41 pontos e liderou o Lakers em mais uma vitória no torneio: 103-102. Mas não foi fácil; uma prorrogação foi necessária para se definir o vencedor.
E quem foi o “key factor” para que o Lakers vencesse o tempo extra por apenas um pontinho (11-10)? Sim, ele, “Black Mamba”.
Kobe marcou oito pontos e evitou a segunda derrota dos angelinos na temporada. Sua performance possibilitou, isto sim, o quarto triunfo na competição.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: Carlos Nunes, CBB, kevin garnett, Kobe Bryant, Leandrinho Barbosa, Moncho Monsalve, Nenê Hilário
01/11/2009 - 17:01
A rodada de ontem da NBA poderia ter sido jogada numa segunda-feira. Poucos jogos empolgantes. Rodada de sábado tem que ser atraente aos olhos dos torcedores.
Não foi o que aconteceu.
Na verdade, apenas uma contenda me chamou a atenção: o Houston bateu o Portland, no Texas, por 111-107. Foi o grande jogo da noite.
Foi também um jogo que me deixou decepcionado, pois eu esperava mais do Blazers. Afinal, muitos o colocam na final do Oeste diante do Lakers — não é o meu caso, mas é algo perfeitamente cabível.
Em quadra, o time, todavia, não tem justificado esta predileção. Eu sei, eu sei, foram apenas três partidas, mas se a gente não puder falar agora o que pensa, eu fecho as portas do botequim e reabro-a daqui a um mês.
É isso que vocês querem? Claro que não — e nem é o que eu quero.
Então, vamos lá. Labica, mais uma cerveja pra mim (Labica é o garçom do nosso botequim).
Como gosto de falar pelos cotovelos, digo: o Portland é uma das grandes decepções neste começo de temporada.
Por mais que tenha jogado fora de casa, pegou um Rockets que não arranca suspiros de muitos — eu entre eles. E os texanos, pior ainda, jogaram sem seus dois principais jogadores: Tracy McGrady e Yao Ming.
Mesmo sem eles, vazou a defensiva do Oregon em 111 tentos. Muita coisa.
Tenho certeza de que Nate McMillan, treinador do Blazers, e um fanático por defesas sólidas, deve ter perdido o sono na madrugada deste domingo. 111 pontos do Houston, mesmo sem Yao e T-Mac é coisa de doido.
De seu lado, Brandon Roy (foto AP) anotou 42 pontos. Acertou os 13 lances livres que bateu. Nas bolas de três, fez 5-7. Apanhou ainda seis rebotes, deu quatro assistências e fez um desarme.
O Portland não pode deixar acontecer com ele o que Mike Brown deixou acontecer com o Cleveland. O Cavs sofre de “lebrondependência”; o Blazer tem que evitar uma “roydependência”.
Caso contrário, vai acabar como o Cleveland: o time do “quase”.
AGENTE 0
Gilbert Arenas marcou 32 pontos na vitória do Washington diante do New Jersey por 123-104. Deve ter sido uma pelada.
Está completamente fora de moda jogos com placares dilatados. Isso é coisa do passado, quando se amarrava cachorro com linguiça, como gosta de dizer Luis Felipe Scolari.
De qualquer maneira, o Wizards chama a atenção neste início de temporada. Quando Antawn Jamison voltar, o time ficará mais forte ainda, pois Jamison, todos nós sabemos, é um dos vértices do triângulo do time de Flip Saunders ao lado do Agente 0 e de Caron Butler.
BATMAN
É Manu Ginobili. O argentino pegou um morcego com as mãos no jogo de ontem em San Antonio!
Louco de pedra; não se pega morcegos com as mãos. Está certo que era um “baby bat”, mas era um morcego!
“Ele sempre faz coisas malucas”, garantiu Tony Parker.
Nem precisa dizer, Tony, as imagens falam por si.
Ah, sim, o Spurs bateu o Sacramento por 113-94.
NBB
Começou neste domingo o NBB. Acordei mais cedo e me preparei para assistir Pinheiros x Brasília.
Os dois times entraram em quadra para disputar a contenda mais importante da primeira rodada.
Entraram e jogaram em uma quadra de vôlei…
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: Antawn Jamison, Blazers, Brandon Roy, Brasília, Gilbert Arenas, Houston, Manu Ginóbili, NBB, Pinheiros, Portland, Rockets, San Antonio, Spurs, Tony Parker, Tracy McGrady, Washington, Wizards, Yao Ming
22/10/2009 - 21:07
Leio que os institutos Ibope e DataFolha fizeram pesquisa em setembro passado sobre a venda dos pacotes de pay-per-view referentes ao Campeonato Brasileiro deste ano. A matéria informa que foram negociados 600 mil pacotes.
Isso significa um aumento de 300% em relação há três anos.
Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Internacional, nesta ordem, são os cinco times que mais venderam. Ou seja: 12.6% dos 600 mil pacotes foram negociados com a nação rubro-negra, 11.8% com a corintiana, 8.9% com a palmeirense e 8.0% com a são-paulina e mesmo número com os colorados.
Pois bem: a NBA informa hoje, quinta-feira (22), que seu NBA League Pass atingiu a marca de 45 milhões de pacotes vendidos para esta temporada.
Podemos, ao que tudo indica, ser mesmo o país do futuro — e torcemos para isso —, mas falta muito ainda para que o nosso povo tenha o mesmo poder de fogo do norte-americano.
ACORDO
A greve dos árbitros da NBA pode chegar ao fim amanhã. Pelo menos é o que diz o presidente da liga, o comissário David Stern.
Se isso ocorrer, os homens do apito vão entrar em uma academia, treinar 24 horas por dia para recuperar a forma e estar aptos para quando a bola subir pela primeira vez oficialmente nesta temporada, já na próxima terça-feira.
E tomara que isso aconteça, pois os árbitros substitutos já fizeram muita trapalhada nesses jogos amistosos.
LIVRO
Magic Johnson acaba de lançar um novo livro nos EUA. Nele, ele desce a lenha em Isiah Thomas, até então considerado seu melhor amigo dentro da NBA.
Voltando ao passado, Magic fez grandes gestões junto a Michael Jordan e Scottie Pippen para que o nome de Isiah fosse aprovado e ele fizesse parte do Dream Team de Barcelona. Como MJ e Pip disseram não, a USA Basketball acabou convocando John Stockton para os Jogos Olímpicos de Barcelona-92
Pois não é que Magic, como disse, atacou veementemente seu antigo afeto? Sabe por quê?
O ex-armador do Lakers (para mim o maior de todos os tempos) acusa Isiah de ter espalhado rumores sobre a sexualidade de Magic depois que este anunciou ser portador do vírus HIV.
O livro, na verdade escrito em conjunto com Larry Bird (ironicamente desafeto de Magic na época em que jogavam), será lançado nos EUA no mês que vem.
Num dos trechos, Magic diz: “Isiah questionava as pessoas sobre isso [sexualidade de Magic], e eu não acreditava no que ouvia. O único cara que eu achava que poderia estar a meu lado tinha dúvidas. Foi como se ele tivesse me chutado no estômago”.
Magic diz que seu ex-agente Lon Rosen foi quem o alertou para o falatório de Isiah, pois o ex-armador do Detroit teria dito a Rosen que estava ouvindo rumores de que Magic era gay.
No que Rosen respondeu, com veemência: “Isiah, você conhece o Earvin melhor do que ninguém!”. Resposta de Isiah: “É, mas eu não sei o que ele faz em Los Angeles”.
Com um amigo desses, quem precisa de inimigos?
O livro foi batizado “When the Game Was Ours”. Em bom português, “Quando o Jogo era Nosso”.
Vamos ver se alguma boa alma o traduz para o português para que todos tenham acesso ao livro.
ROOKIE
Marcelino, um dos parceiros mais frequentes deste nosso botequim, perguntou-me sobre qual novato estaria se destacando nesta temporada de amistosos. Respondi: DeJuan Blair.
O ala/pivô de Pittsburgh, 37ª. escolha desta temporada, foi recrutado pelo San Antonio. Tem apenas 2m01 de altura, mas um atleticismo que compensa a baixa estatura.
Em apenas seis jogos com a camisa 45 do Spurs, tem médias de 14.7 pontos e 8.2 rebotes. Tem se encaixado muito bem no garrafão do time texano e formado boa dupla com Tim Duncan.
Acabou de completar 20 anos. Tem, no entanto, um histórico de contusões, que pode atrapalhar um pouco a sua carreira no profissionalismo; tomara que não.
Ah, sim, por que eu destaco DeJuan? Porque ele está ocupando uma vaga que deveria ser ocupada por Tiago Splitter.
O catarinense, de olho apenas no dinheiro, ao que tudo indica, preferiu ficar dois anos a mais na Europa ao invés de ir para a NBA, onde iria ganhar menos num primeiro momento, mas muito mais no momento seguinte.
Splitter corre o risco de, ano que vem, ao aportar no alvinegro texano, ver sua cadeira ocupada por um jogador por quem ninguém dava nada.
AUSÊNCIA
Leio neste iG que a ala/pivô Chuca, que joga no Ourinhos, vai ficar quatro meses longe das quadras. Motivo: tratar de uma tuberculose ganglionar.
Confesso minha ignorância no assunto: nunca tinha ouvido falar na doença.
O lado bom da história é que o mal tem cura.
Chuca está com 30 anos, mas sempre primou por ótimo condicionamento físico. Já esteve na seleção brasileira.
Que faça o tratamento adequado para ano que vem voltar com todas as forças.
Boa sorte, menina!
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: David Stern, DeJuan Blair, Isiah Thomas, John Stockton Chuca, magic johnson, Michael Jordan, NBA, NBA League Pass, Ourinhos, Scottie Pippen, Tiago Splitter, Tim Duncan
21/10/2009 - 21:38
Seriam novos ares no basquete brasileiro? Explico: o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) vai julgar nesta sexta-feira Marcelinho Machado pelo papelão que ele fez em Joinville quando do torneio amistoso disputado em Santa Catarina no último dia 4 de outubro.
O ala/armador do Flamengo foi indiciado em quatro artigos: 250 (ato desleal), 255 (ato de hostil), 258 (atitude anti-desportiva) e 253 (tentativa de agressão). O clube carioca também pode ser multado entre R$ 10 mil e R$ 200 mil.
E tem mais: supervisor da equipe, André Guimarães, responderá pelo artigo 187 (ofender moralmente o árbitro ou auxiliar em função).
Se o jogador for condenado em todos os artigos, pode ficar até 270 dias suspenso. Isso o impediria de participar da segunda edição do NBB (Novo Basquete Brasil), a nove dias do início da competição.
A informação está no site “Justiça Desportiva”.
Se você se esqueceu do episódio, lembro-lhe que Marcelinho cometeu falta anti-desportiva no pivô Shilton e após ser expulso recusou-se a sair de quadra. Ficou no banco de reservas. A atitude do jogador fez com que o árbitro Cristiano Maranho encerrasse a partida quando os catarinenses venciam por 27 a 23.
Shilton, o jogador do Joinville, também estará na berlinda. Foi indiciado no artigo 205 (dar causa a não realização ou impedir o prosseguimento de partida).
O que eu acho da notícia?
Que Marcelinho Machado tem que ser punido. Por 270 dias? Claro que não, isso é um exagero, não foi para tanto.
Penso que a pena deveria deixar o atleta uns dez jogos do lado de fora. E mais: sem vencimentos — como acontece na NBA.
E que o dinheiro não recebido pelo jogador não fique para o Flamengo. Que seja doado para quem precisa.
Na NBA, as multas são revertidas para instituições de caridades e para o sindicato dos atletas que auxilia ex-jogadores que estão em dificuldades financeiras — especialmente os veteranos, aqueles que jogaram antes da chegada de David Stern à NBA e ao advento Michael Jordan.
Quanto ao supervisor e o Flamengo, penso que nada deve acontecer a ambos.
Em relação a Shilton, ele deve ser punido também. Mas como ele não teve chiliques e nem deu um show em quadra, ao contrário de Marcelinho, penso que uns três jogos resolvem a questão — também sem vencimento salarial e com doação do mesmo para quem precisa.
Isso feito, jogadores e treinadores pensariam duas vezes em “aprontar” em quadra. O mesmo para os torcedores. Isso transformaria jogadores e ambientes hostis, que existem aos montes em nosso basquete.
O STJD tem que olhar com mais carinho para o basquete brasileiro. Não adianta apenas embalar o produto.
O conteúdo tem que ser bom.
Estaremos atentos à decisão do STJD nesta sexta-feira. Ela pode ser um divisor de águas do nosso basquete.
Para o bem — e não para o mal.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, basquete brasileiro
Tags: Cristiano Maranho, Flamengo, Joinville, Marcelinho Machado, Shilton, STJD
16/10/2009 - 17:27
A briga vai ser boa; vamos ver se o Brasil leva essa também, depois de ter sido escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Falo do Pré-Olímpico de basquete masculino e feminino para os Jogos de Londres, em 2012. A CBB quer sediar os dois. A informação, fresquinha, é da Fiba Américas.
Penso que a CBB comete um erro. Deveria concentrar suas atenções e brigar para abrigar apenas o masculino, pois o fator quadra pode ser determinante para conseguirmos uma vaga.
No feminino, mesmo com um time que não é lá grande coisa, penso que dá para a gente se classificar mesmo que o torneio aconteça na Conchinchina – que hoje já não existe mais, diga-se.
Mas, falava eu, sediar o torneio masculino pode ser o diferencial que o nosso selecionado precisa para garantir a vaga para os Jogos londrinos. Agora, é claro que vai depender muito do que vai acontecer no Mundial da Turquia, no ano que vem.
Vamos torcer para que os EUA ganhem – assim, garantem automaticamente a vaga para a Olimpíada de Londres. Vamos torcer também para que a Argentina fique entre os cinco primeiros para abrir mais uma vaga para o nosso continente.
Se isso ocorrer, mais a vaga que é garantida para as Américas, teremos três disponíveis no Pré-Olímpico continental. Ganhando o Mundial, os EUA nem participam da competição.
Assim, brigariam por três vagas Brasil, Argentina, Porto Rico, Canadá e República Dominicana. Os demais figurariam no torneio.
Quer dizer, cinco postulantes a três vagas. E jogando no Maracanãzinho, por exemplo (gostaria muito que fosse na Arena HSBC, mas o pessoal do Rio diz que é longe de tudo e de todos e isso acaba por inviabilizar o uso do local), o Brasil vê suas chances crescerem demais.
Argentina, México, Venezuela e EUA (se o país não for campeão na Turquia) pleiteiam sediar também o Pré-Olímpico. Como o passado foi em Las Vegas (na foto AP, Alex Garcia observado por Guilherme Giovannoni e Pablo Prigioni no torneio de Nevada), talvez a Fiba Américas não escolha a terra do Tio Sam.
Se isso ocorrer, os americanos vão brigar para que a competição seja em Porto Rico ou no México, pois os jogadores da NBA não gostam de longas viagens. Na pior das hipóteses, Venezuela.
Nesse caso (de os EUA participarem do Pré-Olímpico), creio que Brasil e Argentina estão fora da disputa, pois, como disse, os norte-americanos vão vetar, creio eu.
O argentino Alberto García, secretário geral da Fiba Américas, informou que as federações têm até o dia 4 de dezembro próximo para apresentar suas candidaturas. Depois, em 25 de junho do ano que vem, a Fiba anuncia o país escolhido.
Que seja o Brasil – mas tem dado tanto Brasil ultimamente que eu estou achando que a gente vai dançar nessa.
Tomara que eu esteja errado.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro, outras
Tags: Arena HSBC, CBB, Jogos Olímpicos de Londres 2012, Maracanãzinho, NBA, Pré-Olímpico
15/10/2009 - 16:17
Emil Rached morreu esta manhã em Campinas. Tinha apenas 66 anos.
Muitos – senão a totalidade – de vocês já ouviram falar do gigante brasileiro que media 2m20 de altura. Vestiu a camisa do Palmeiras, Corinthians e Botafogo, entre outras equipes, de 1964 a 1980.
Em 16 anos de carreira, atuou em apenas 18 partidas com a camisa da seleção brasileira, mesmo tendo 2m20 de altura. Marcou 114 pontos, o que dá uma média de 6.3 por jogo.
Defendendo a pátria, foi medalhista de bronze no Mundial do Uruguai em 1967 e de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cali, em 71.
É verdade que estava mais para Gheorghe Muresan do que para Yao Ming. Mas mesmo com sua dificuldade de locomoção em quadra, foi pouco explorado por seus treinadores.
Numa época em que era difícil encontrar-se jogadores com mais de 2m10 (em todo o planeta, não apenas no Brasil), nossos técnicos não souberam enxergar o potencial de altura de Emil Rached.
Dezoito partidas na seleção tendo 2m20 de altura soa como piada de mau gosto; brincadeira, como se diz popularmente.
Por isso, no dia da morte de Emil, ele será lembrado mais como participante de filmes dos “Trapalhões” do que como jogador de basquete.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro, outras
Tags: Emil Rached, Gheorghe Muresan, Jogos Pan-Americanos de Cali, Mundial do Uruguai, Os Trapalhões, Seleção Brasileira, Yao Ming
09/10/2009 - 21:26
Moncho Monsalve está de molho. Fez uma cirurgia na coluna e o tempo de recuperação é de quatro meses.
Outubro, novembro, dezembro, janeiro… Quer dizer, na pior das hipóteses o espanhol estará de volta ao batente no final de fevereiro.
Tempo suficiente para armar o time visando o Mundial do ano que vem na Turquia. Está nas mãos dele, pois o presidente da CBB, Carlos Nunes, em entrevista ao SporTV, declarou: “Em time que está ganhando não se mexe. Os atletas já se manifestaram a favor de ele ficar, mas o Moncho sempre coloca que precisa estar em perfeitas condições físicas para trabalhar”.
Moncho (foto AP) é forte, um batalhador. Tem apenas 64 anos; vai tirar de letra essa cirurgia.
Portanto, não há com o que se preocupar. Que Nunes trate logo de renovar o contrato do ibérico, que vence em 25 de novembro próximo.
E nesse tempo de convalescença, Moncho com certeza estará traçando os planos para o Mundial de Turquia.
Até onde ele poderá levar nossa seleção?
DEPENDE
Depende do quê?
Depende se Nenê, por exemplo, estará com o grupo. Com ele no elenco, o time brasileiro fica muito mais forte; não há como negar isso.
Moncho Monsalve, com o são-carlense à disposição, tem a opção de montar o time com Varejão na ala, Splitter como ala de força e Nenê no pivô.
Eu não gosto desta formação. O time perde nos arremessos longos (Varejão não é um especialista) e fica mais lento.
De todo o modo, o Miami vem fazendo isso nesta temporada de amistosos da NBA. Eric Spoelstra tem escalado o time assim.
Ora com Michael Beasley, Udonis Haslem e Jermaine O’Neal juntos; ora com Joel Anthony na vaga de Jermaine O’Neal.
Pode funcionar, muitos garantem isso. Mas eu não gosto – pelos motivos expostos.
Mas voltando ao time brasileiro, com Nenê no elenco nosso “frontcourt” fica bem mais forte. O jogador do Denver é um dos melhores da posição no planeta.
Sem ele, nossas possibilidades diminuem.
Diria que com Nenê a gente disputa de quinto a oitavo; sem ele, de nono a décimo segundo lugar.
BICUDA
Ainda na entrevista ao SporTV, Carlos Nunes disse que Hortência tem feito das tripas coração para convencer Iziane a voltar à seleção. Mas a jogadora, turrona como ela só, remói o passado e não consegue deixar lá o que lá pertence.
Disse Nunes sobre o caso: “Do lado do Paulo Bassul, já está tudo certo. Não existe veto nenhum. A Iziane não veio [para a Copa América] porque não quis”.
Todos os esforços estão sendo feitos no sentido de ela voltar a conversar com Bassul e trabalhar com a seleção. Mas enquanto ela não enterrar o passado, vai ser difícil.
Penso que mais do que conversar com Hortência, o que Iziane deveria fazer era conversar com um psicanalista.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Seleção Brasileira, basquete brasileiro
Tags: Anderson Varejão, Hortência, Iziane, Moncho Monsalve, Nenê, Tiago Splitter
06/10/2009 - 19:22

James Johnson (centro) comemora a cesta que decidiu a partida a favor do Chicago Bulls
Acabei de ver o primeiro jogo desta temporada da NBA. E não podia ter sido melhor.
Com uma cesta no último centésimo de segundo anotada pelo “rookie” James Johnson, o Chicago bateu o Utah por 102-101, vitória esta que deu ao Bulls seu segundo triunfo na dupla de partidas que o tricolor de Illinois disputou nesta “Pré-Season”.
A contenda foi realizada na O2 Arena de Londres, que teve todos os seus bilhetes vendidos ao público. Não me perguntem quantos ingressos foram negociados porque eu não sei – dei uma rápida vasculhada na internet e nada encontrei.
Mas voltando a falar de James Johnson, fiquei impressionado com o seu jogo. Não apenas pela cesta derradeira, onde ele mostrou uma frieza incrível, mas pelo conjunto da obra principalmente
Vindo do banco, o ala anotou 18 pontos, apanhou oito rebotes, deu duas assistências e um par de tocos também foi distribuído em quadra. O moleque (22 anos) bateu sete lances livres e, pra dar inveja nos jogadores brasileiros, acertou todos.
Produto da Universidade de Wake Forest (a mesma de Tim Duncan e Chris Paul), Johnson foi a 16ª. escolha do Chicago no NBA Draft deste ano. A expectativa na Cidade dos Ventos quanto ao potencial do jogador é muito grande.
Na partida passada, vitória diante do Indiana, também fora de casa (104-95), foi Taj Gibson, outro novato, quem brilhou. Também vindo do banco, Gibson anotou 19 pontos e amealhou nove rebotes.
O Chicago promete nesta temporada, ô se promete. Estou muito esperançoso.
Ah, sim, é importante dizer: o time jogou diante do Utah sem Derrick Rose, John Salmons e Tyrus Thomas.
Como disse, a “season” parece ser promissora.
FILHO DE PEIXE
Zé Boquinha comentou a partida ao lado de Everaldo Marques, que contou-nos o desenho do jogo nos movimentos dos atletas. Os dois brilharam, como sempre, na ESPN.
Durante a partida, vejo em quadra com a camisa do Utah um novato chamado Wes Matthews. Zé Boquinha ficou intrigado – eu também.
Wes Matthews… Wes Matthews…
Como disse, Zé Boquinha, Wes Matthews foi um armador que atuou uma temporada em Ribeirão Preto. Isso mesmo!

Joakim Noah em ação no garrafão
Maluco de pedra; numa final do Brasileiro (não me lembro o ano), ele deu um soco (pelas costas, é bom que se diga) no dominicano José Vargas, que jogava em Franca, depois de uma confusão.
A cara de Vargas inchou imediatamente. Ele ficou irreconhecível.
O dominicano só não matou Matthews porque foi contido por uma centena de pessoas. Felizmente, pois ele dava o dobro do norte-americano.
Depois da partida corria o boato que Vargas iria ao hotel atrás de Matthews. Muitos diziam que Matthews estava armado à espera do adversário.
Felizmente nada aconteceu.
Mas dizia eu que Matthews jogou em Ribeirão Preto. Mas não foi no time paulista que ele ganhou notoriedade no basquete.
Ele foi o reserva de Magic Johnson nos dois títulos conquistados pelos amarelinhos nas temporadas 1986/87 e 1987/88.
O velho Matthews foi recrutado pelo Washington, mas jogou também no Atlanta, Philadelphia, Chicago e San Antonio. Era muito bom jogador.
Pois bem, Matthews Sr, contou-nos Zé Boquinha, é pai do menino do Utah, destaque do Jazz na derrota de agora há pouco. Ele anotou 16 pontos em 24 minutos em quadra e mostrou muita personalidade.
Vou torcer para o garoto.
Entrevistei Matthews Sr. quando eu trabalhava no SporTV e apresentava o programa “Basketmania”, criado por mim e batizado pelo meu filho, Pedro.
Matthews Sr. foi muito atencioso comigo durante a entrevista. E nas vezes que a gente se encontrou pelos ginásios brasileiros, nosso convívio sempre foi muito legal.
Espero que ele esteja bem nos EUA, torcendo, feito um pai-coruja, pelo filhote que debutou bem com a camisa do Utah.
Sorte e saúde aos dois!
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro
Tags: Bulls, Chicago, James Johnson, Jazz, Taj Gibson, Utah, Wes Matthews
05/10/2009 - 21:38
Leio no site “Basket Brasil” o desenrolar do episódio de ontem envolvendo o ala Marcelinho Machado. Está lá:
1) Carlos Eduardo Maya, vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, disse ter ficado contrariado com a atitude do jogador, mas garantiu que ele não será punido;
2) Maya disse ter entendido a reação do atleta rubro-negro, pois ele foi “visivelmente perseguido pelo Joinville, levou duas faltas violentas e ficou de cabeça quente”;
3) Maya prosseguiu e disse que “os árbitros estão muito mal preparados e atrapalham o espetáculo”;
4) A decisão do técnico Paulo Chupeta em não se envolver no episódio, segundo informa o site, será resolvida na base da conversa;
5) Concluiu Maya: “Muitas coisas são ditas de cabeça quente, e reitero que não pretendo punir ninguém porque foi um torneio amistoso, e achei que não foi culpa nem do meu jogador, nem do técnico e nem do supervisor”;
6) Kouros Monadjemi, presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), garantiu que os jogadores serão vigiados com muita atenção no próximo NBB e as punições serão severas;
7) E declarou: “Lamentei a atitude do Flamengo e de seu jogador. O Marcelinho é um líder, um ídolo do basquete, e isso não condiz com seu comportamento no jogo. Fatos assim não poderão ocorrer no campeonato da LNB, não serão tolerados. Isso não pode se repetir no NBB. O jogador expôs seu clube, o time e o anfitrião, em um torneio amistoso”;
8) Monadjemi não falou em punição, pois o torneio é amistoso;
9) O presidente da CBB, Carlos Nunes, está viajando, mas a entidade soltou uma nota dizendo que a punição a Marcelinho Machado e ao Flamengo só ocorrerão se o Joinville levar o caso à Federação Catarinense de Basquetebol, que encaminha ou à CBB ou ao TJD.
Este iG publica matéria em que o Joinville afirma que não vai deixar tudo acabar em pizza. O documento diz o seguinte: “O ato de indisciplina não pode ficar impune. Os dirigentes do basquete de Joinville acionarão a Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), representando contra este ato, que não só deslustrou a decisão, mas investiu contra os mais elementares princípios do esporte. Pedimos escusas ao grande público presente, que pretendia assistir ao jogo, que foi organizado com todos os requisitos exigíveis”.
Na mesma matéria, o supervisor técnico do Flamengo, André Guimarães, também em comunicado oficial, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou que o atleta será punido por seus atos. “Foi um ato isolado, que não foi apoiado pelos demais companheiros de equipe. Comunico que Marcelinho vai ser chamado pela diretoria e cobrado por suas atitudes”.
Mas isso significa punir? Sei não. Além do mais, Guimarães apita menos do que Maya, que é vice-presidente, e garantiu ao site “Basket Brasil” que não vai punir o atleta.
Resumindo: punição, se houver, vai ser por parte do TJD, na representação que será feita pelo Joinville. O Flamengo, a mim pelo menos ficou muito claro, não pretende punir o atleta; e a CBB também não vai tomar posição alguma.
Se houvesse profissionalismo, o Flamengo puniria o jogador e a CBB também, pois ela é a entidade maior do basquete brasileiro.
Mas vamos aguardar um pouco mais pelo desenrolar final dos fatos.
(Mas sabe o que eu acho mesmo? Vai tudo acabar em pizza, pra não contrariar a vocação deste país, que adora uma impunidade.)
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): CBB, basquete brasileiro
Tags: André Guimarães, Carlos Eduardo Maya, Carlos Nunes, CBB, Flamengo, Joinville, Kouros Monadjemi, Marcelinho Machado, Paulo Chupeta, TJD
04/10/2009 - 23:00
Alguns parceiros deste botequim perguntam por que eu não comento o basquete nacional. E eu sempre respondo: não tenho tempo hábil para fazê-lo – o que é verdade.
Em função disso, elegi o melhor, o mais vistoso, o mais organizado e o mais sério campeonato de basquete do planeta: a NBA.
Depois do que eu vi na noite deste domingo, em Joinville, em nada lamento não ter disponibilidade de tempo para ver nosso basquete. E vou ser sincero: mesmo que tivesse uma brecha em minha agenda diária, não acompanharia o basquete doméstico.
E por vários motivos; o principal deles é o amadorismo reinante na modalidade. O que aconteceu agora há pouco em Joinville só vem confirmar que estou certo.
Quem acompanhava a partida pelo SporTV sabe o que aconteceu. Quem não viu, conto em rápidas palavras.
Joinville e Flamengo decidiam em Santa Catarina o Torneio Cisner 50 anos. O time da casa vencia a partida por 27-23, quando o pivô Shilton infiltrou-se pelo garrafão rubro-negro e levou uma dura entrada do ala Marcelinho Machado.
O árbitro principal, Cristiano Maranho, acertadamente, marcou falta anti-desportiva. Na sequência, Shilton foi tirar satisfação com o capitão da seleção brasileira e quase se agrediram fisicamente.
O empurra daqui, empurra dali; dedo em riste deste, dedo em riste daquele; e o palavreado chulo de ambos foi entendido pelo trio de árbitro como motivo suficiente para desqualificar os dois jogadores.
Inconformado, Marcelinho sentou-se no banco de reservas do Flamengo e disse que de lá não sairia. Maranho pediu para o jogador se retirar da quadra; ele bateu o pé e disse que não sairia.
Alegou que outro jogador, durante o torneio, também foi expulso e ficou num canto do ginásio acompanhando a partida. Depois disse que não havia segurança para deixar a quadra.
Maranho deu três minutos para Marcelinho ir para o vestiário. Caso isso não acontecesse, encerraria a partida.
Marcelinho não saiu; Maranho acabou o jogo.
O ginásio estava cheio e o SporTV transmitia a partida ao vivo para todo o país. Os torcedores foram pra casa mais cedo e o canal teve que se virar e colocar às pressas nova programação, pois a festa foi abortada.
Lamentável.
Aos que me pedem para falar sobre o basquete brasileiro, eu pergunto: vocês têm certeza de que a gente deveria falar sobre isso aqui em nosso botequim?
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): basquete brasileiro
Tags: Cristiano Maranho, Flamengo, Joinville, Marcelinho Machado, Shilton
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