UM BATE-PAPO COM MAGNANO E O TIME TITULAR DO BRASIL NOS JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES
Conversei com Rubén Magnano por alguns minutos, ontem, depois da entrevista coletiva, onde ele anunciou os 13 jogadores que vão brigar por 12 vagas visando os Jogos de Londres. Treze jogadores e, se alguém se destacar no Sul-Americano, entra também nesta lista e engrossa-a.
Magnano (foto), que renovou seu contrato por mais um ciclo olímpico (e eu achei isso sensacional) não entra em dividida. Ou seja, não é polêmico. Responde a tudo e a todos sem se comprometer. Alguém perguntou a ele se a ira de muitos torcedores e a repercussão negativa por conta dos pedidos de dispensa de Nenê Hilário e Leandrinho Barbosa teriam mexido com eles. Magnano disse: “Não sei, como eu posso responder por eles? Você tem que fazer a pergunta a eles”. Ou seja: não conjecturou; e com isso evitou tirar do guarda-roupas uma saia justa.
Eu faria o mesmo. Por estar nesta profissão há mais de três décadas, sei exatamente como um entrevistado deve se comportar diante do(s) entrevistador(es). Estes adoram jogar cascas de bananas para entrevistados, especialmente os deslumbrados. Mas isso são outros quinhentos.
Vamos entrar no assunto de uma vez, pois sei que vocês estão querendo falar sobre a nossa seleção. Abaixo os tópicos que considerei mais importante da nossa conversa:
NENÊ E LEANDRINHO — “Conversei com ambos antes do Pré-Olímpico. Fui a Denver e falei com o Nenê e a Toronto para falar com Leandrinho. E nunca mais”.
Foi a resposta que ele me deu quando perguntei se havia conversado com ambos. Ou seja: faz um tempão. Perguntei para saber se eles aceitariam a convocação, de modo a evitar constrangimentos, como o jogador ser convocado e pedir dispensa logo em seguida. Assim é que é feito nos EUA: Jerry Colangelo, presidente da USA Basketball, liga para os jogadores e pergunta se eles querem jogar pela seleção. Se não quiserem, nem os convoca. Por isso, quando a lista americana é anunciada, ninguém pede dispensa, pois foi consultado antes da convocação.
SCOTT MACHADO E FAB MELO — “Machado pediu dispensa do Sul-Americano porque está participando de ‘try-outs’ nos EUA, pois espera ser recrutado pela NBA. Machado é um tremendo armador, tem estilo de jogo dos armadores europeus. Melo foi convocado, mas não nos deu qualquer resposta. Não sabemos nada dele”.
Ou seja: Machado poderia estar no grupo que vai brigar por 12 vagas para Londres, mas por causa do draft da NBA ele recusou a seleção neste momento. Mas, pelo que Magnano falou, ele tem futuro em nosso selecionado. Quanto a Fab Melo, o desapontamento pelo mutismo do jogador é muito grande. Sinceramente, acho que esse cara é problema. Pelo histórico dele em Syracuse e agora por nem sequer dar um telefonema ou mandar um e-mail para agradecer a convocação. Poderia ter feito isso, dizer que está de olho na NBA faz os mesmos “try-outs” de Machado e, por isso, não pode atender a convocação neste momento. Uma pena, pois Melo parece ser promissor.
SITUAÇÃO DE VAREJÃO — “Ele me disse que a recuperação está indo muito bem. Está no Rio de Janeiro no momento se cuidando. Creio que não haverá qualquer problema com ele. De todo o modo, a gente sabe que a franquia (Cleveland) costuma pressionar para que o jogador não atue pela seleção de seu país, especialmente num caso como o de Varejão que se contundiu muito nos últimos dois anos. Mas ninguém falou nada com a gente. No entanto, a gente sabe que eles pressionam o agente do atleta e o próprio jogador”.
Eu perguntei se Magnano havia conversado com algum médico de Varejão e ele me disse que não. Nem ele e nem a CBB. Achei estranho. Eu, no lugar dele, estaria em contato todos os dias com o médico que cuida de Varejão.
FAVORITOS A MEDALHAS — “Espanha e EUA estão em um nível acima. O patamar deles é outro. Abaixo há algumas seleções que se destacam, como Austrália e França. O Brasil está um pouco abaixo, mas não muito, de modo que temos condições de brigar de igual para igual com todos eles. Eu, quando entro em uma competição, entro com expectativa alta. Não chego para os meus jogadores e digo: vamos brigar do quinto ao oitavo lugares. Isso acomoda os jogadores”.
Magnano não citou nominalmente a Argentina, mas, certamente, sabe que seus irmãos de sangue estão entre os favoritos. Concordo com ele, à exceção da Austrália. Sinceramente, não creio que os da Oceania vão fazer belo papel em Londres. Por belo papel eu entendo brigar por medalha.
LEANDRINHO — “Há jogadores que quando vêm do banco rendem mais do que quando saem jogando. Na Argentina, quando eu era o treinador, o (Luis) Scola vinha do banco, pois os titulares eram (Fabricio) Oberto e (Rubén) Wolkowski. Não sei se esse é o caso do Leandrinho”.
Magnano respondeu a pergunta que fiz sobre esta situação que LB vive na NBA e ela não seria proveitosa também para a nossa seleção.
TIME TITULAR — “Não está longe disso”.
Foi a resposta que Magnano me deu quando eu disse a ele que usaria Leandrinho vindo do banco e que meu quinteto titular seria:
Marcelinho Huertas
Alex Garcia
Marquinhos Vieira
Nenê Hilário
Anderson Varejão
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Alex Garcia, Anderson Varejão, Leandrinho Barbosa, Londres 2012, Marcelinho Huertas, Marquinhos Vieira, Nenê Hilário, Rubén Magnano









