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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 NBA | 16:09

LEBRON JAMES É O MAIS FORTE CANDIDATO NA CORRIDA PELO MVP DA TEMPORADA

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Vi o Miami vencer com relativa facilidade o Sacramento ontem à noite. Placar final: 120-108.

Dwyane Wade foi a estrela da noite com 30 pontos (11-16, 68,7%). Deu ainda dez assistências, que completaram seu “double-double”.

LeBron James anotou 18 tentos (7-11, 63,6%). Foram oitos os seus passes corretos que redundaram em cesta. O mais empolgante dele foi um lançamento à la Gerson, o canhotinha de ouro, que na Copa de 1970 no México deixou Pelé e Jairzinho várias vezes na cara do gol. Esse lançamento de LBJ foi do campo do Miami, uma ponte-aérea espetacular (veja vídeo).

Assim como Gérson, os passes de LBJ são milimétricos. Ele tem se especializado nisso. Aliás, é uma de suas qualidades também, ao lado de tocos e desarmes.

Há que se ter força, visão de jogo e habilidade para que esses lançamentos sejam corretos.

É bem verdade que LeBron, sem D-Wade, fica um pouco desnorteado. A gente já discutiu isso no começo desta temporada, quando LBJ negou fogo em finais de algumas partidas.

Mas não há como fechar os olhos para o que LBJ vem fazendo neste campeonato. Aliás, parece que tudo está do jeito que todos querem em Miami: há um mutismo por parte da mídia em relação ao Heat, o que acaba por tirar a pressão da equipe e dos jogadores — entre eles LBJ.

Falo de LeBron porque quero falar da briga para o prêmio de MVP desta temporada. Pra mim, até o momento, LeBron está na frente, mas ele tem a concorrência de Kobe Bryant e Kevin Durant.

Quem vencerá esta corrida quando a fase de classificação acabar?

LBJ, além de apresentar números consistentes (27,6 pontos [55.0%, terceiro colocado na tábua dos artilheiros do campeonato], 8,1 rebotes e 6,8 assistências), é um jogador mais maduro hoje em dia. Acabou como cestinha do Heat e do jogo em 20 das 33 partidas que o time disputou até o momento, lembrando que ele perdeu apenas uma contenda nesta temporada.

Sua força física o torna difícil de ser contido pelos marcadores. Está jogando uma bola lascada de redonda e aparece com qualidade em quase todos os fundamentos durante a partida.

Kobe se destaca mais pela pontuação. Tem exatos 29 pontos (44,3%) de média nesta temporada, mas não tem jogado no mesmo nível de LeBron. Tem uma média de quase quatro erros cometidos por confronto disputado, inferior apenas ao campeonato 2005/06, quando o time fez uma campanha apagada (45-37 – 54,8%), classificando-se em sétimo lugar para os playoffs e caindo na primeira rodada diante do Phoenix.

A situação atual parece muito semelhante: o Lakers é o atual quinto colocado no Oeste e tem um desempenho de 19-13 (59,4%). Nem de longe lembra o time que quase sempre atemoriza os oponentes.

Por isso, mesmo com Kobe sendo o cestinha da competição e tendo ultrapassado a barreira dos 40 pontos em quatro oportunidades seguidas neste torneio, ele está longe, neste momento, de LeBron numa disputa para se apurar o MVP da temporada.

LBJ, ao contrário, comanda ao lado de D-Wade simplesmente o melhor time do atual campeonato. O Miami tem um recorde de 26-7 (78,8%) e só é melhor que o Oklahoma City Thunder porque fez um jogo a mais e venceu. O OKC tem um recorde de 25-7 (78,1%).

Por conta disso, eu acho que Kevin Durant é o grande adversário de LeBron neste instante da competição.

KD (foto AP) é o vice-cestinha do torneio com uma média de 27,7 pontos (51,6%) por partida. Ultrapassou a barreira dos 50 pontos pela primeira vez na carreira no jogo em que o Thunder bateu o Denver, na prorrogação, por 124-118. Durant anotou nada menos do que 51 pontos (19-28 – 67,8%). Tem ainda 8,2 rebotes de média nesta temporada e assim como LBJ é um jogador de múltiplas funções em quadra.

Durant só não se destaca mais porque a mídia deve achar Oklahoma City um lugar no meio do nada. Eu mesmo, há alguns dias, já me penitenciei por não olhar com mais carinho para KD.

E aqui reside outro problema em relação ao jogador do Thunder: ele não tem o carisma de LeBron e nem de Kobe. Está mais para Tim Duncan.

Mas isso não irá subtrair, espero, votos dos jornalistas quando o melhor jogador da temporada for escolhido.

RODADA

O turno de ontem à noite na NBA foi fraco. Além da vitória do Miami sobre o Sacramento, o resultado que chamou a atenção foi a goleada que o Portland impôs ao San Antonio: 137-97. Isso mesmo, nem precisa de calculadora pra vermos que a diferença foi de 40 pontos.

O SAS jogou sem quatro de seus principais jogadores: Tim Duncan, Tony Parker (poupados), Tiago Spliter e Manu Ginobili (lesionados). Isso explicou por que o Blazers folgou tanto na partida e consequentemente no marcador.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , ,

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 NBA | 18:29

A BRIGA DE KOBE PARA FAZER O LAKERS ENTRAR NA BRIGA PELO TÍTULO

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O Lakers vive um momento difícil. O time, quando vence, não convence; e perde mais do que se imaginava. Lamar Odom foi embora e os “reforços” que vieram não rendem. E há jogadores, como Metta World Peace, Matt Barnes e Steve Blake, que não deveriam mais vestir a camisa amarela.

Some-se a isso a indefinição quanto a Andrew Bynum e principalmente Pau Gasol. O espanhol deve estar com a cabeça feito um trevo. A todo o momento ouve-se falar que ele será envolvido em alguma troca.

Depois do sacode que o Lakers tomou do Phoenix, no último domingo, Kobe Bryant, que se acha dono da franquia, veio a público reclamar do comportamento indeciso do gerente geral da franquia, Mitch Kupchak (os dois na foto AP antes da partida contra o Phoenix, em LA). Disse Kobe: “Eu gostaria que a direção decidisse logo se vai trocar Gasol ou não. Prefiro que ele não vá embora. Mas se alguma coisa vai ser feita, que se faça logo. Agora, se não forem negociá-lo, que venham a público e digam de uma vez por todas”.

KB neste ponto tem razão: esta indefinição quanto a Gasol tem atrapalhado o jogador. Tanto que ele, nesta temporada, apresenta sua menor média de pontos (16,6) desde que aportou na NBA, em 2001.

“É difícil para Pau jogar em meio a todos esses rumores sobre trocas”, prosseguiu Bryant. “É complicado manter a concentração quando todos os dias se escuta que vão te mandar para outra equipe”.

O tormento de Gasol começou quando ele foi envolvido na troca com Chris Paul que acabou vetada pela NBA. Depois falaram em Orlando. Especularam também Minnesota e agora fala-se em Chicago. Não, não; não se fala mais em Chicago, pois há algumas horas voltou-se a falar em um negócio com o Wolves, envolvendo Michael Beasley.

Beasley? Pra quê? No que isso iria melhorar o Lakers?

Falou-se também em Derrick Williams, mas esta seria uma aposta. Pode dar como pode não dar certo. Mas se der, não é para agora, é para o futuro, quem sabe daqui a duas temporadas.

Mas aí Kobe pode voltar a fazer biquinho, porque ele quer um jogador que venha adicionar qualidade ao time agora, para ser campeão. Daqui a duas temporadas a gente não sabe (e nem ele) se estará rendendo o que rende no momento.

O fato é que o Lakers precisa mesmo é de um armador — e não de um ala. O time tenta Ramon Sessions, do Cleveland. Se não rolar, o plano b seria Gilbert Arenas. Mas Arenas não deve estar bem ou o pessoal da franquia não quer apostar em um jogador cujo passado recente vem permeado por problemas; caso contrário, já teria assinado com ele, pois Arenas já fez alguns testes com o Lakers.

Um negócio com o Wolves envolvendo Beasley seria legal se Luke Ridnour entrasse na troca. Mas Ridnour tem sido titular do time ao lado de Ricky Rubio e esta formação, com dois armadores, tem surtido efeito.

Mas para trazer Gasol, é possível que a franquia de Minneapolis abra mão de Ridnour. Mas, como eu disse dia desses, o Wolves não precisa de Gasol. É time que amadurece a cada dia que passa e Kevin Love pode ser tranquilamente o “franchise player”.

Do jeito que está, volto a dizer, o Wolves vai brigar pelo título da conferência em no máximo duas temporadas. Até lá, amadurece ainda mais seus jogadores e entrosa o time.

O fato é que está difícil fazer negócio. Tanto que Kupchak declarou há poucos dias que este time pode ser o time até o final da temporada. Quer dizer: se não houver superação, a luta pelo título da conferência e consequentemente da NBA vai ser difícil.

Outro problema: esperar por Dwight Howard. Isso é risco muito grande, pois o Lakers não terá “cap” para contratá-lo na próxima temporada, quando ele for “free-agent”. O Lakers tem US$ 8,9 milhões do salário de Lamar Odom que ele não usou na troca com o Dallas. Tem a cláusula de anistia que ele pode usar dispensando, por exemplo, Metta World Peace que ganhará US$ 7,2 milhões no próximo campeonato.

Acontece que as regras do CBA impedem que estas duas quantias sejam unidas. Se unidas, daria US$ 16,1 milhões, um dinheirão para seduzir D12. Mas isso não pode ser feito. O máximo que o Lakers terá para oferecer para D12 são os US$ 8,9 milhões de Lamar Odom.

Convenhamos, dificilmente Howard aceitaria.

Então, restam duas saídas para o Lakers: 1) fazer uma troca antes do dia 15 de março próximo, data-limite para os negócios; 2) esperar pelo fim da temporada e torcer para que D12 renove com o Orlando em sinal de gratidão e imediatamente haja uma troca com o Lakers envolvendo Gasol e/ou Bynum.

Convenhamos, é arriscado, pois D12 pode muito bem não trilhar este caminho, pois ele será “free-agent”.

A situação do Lakers está complicada. E Kobe, garoto irascível que é, não está conformado com a situação. Seu depoimento depois da derrota para o Phoenix foi sintomático.

“Como um ex-jogador, eu entendo como esses dias que antecedem a data-limite podem estressar um jogador”, disse Kupchak em resposta ao pronunciamento de Kobe Bryant. “No entanto, como gerente geral, tenho minhas responsabilidades com a franquia, com nossos fãs e com os jogadores para que esta equipe prossiga na busca da melhora para esta ou nas próximas temporadas. Sinalizar publicamente de que não vamos mais fazer isso ou aquilo seria colocarmo-nos em posição desvantajosa. Tomar uma atitude destas neste momento seria não prestar um serviço completo aos donos da franquia, ao nosso time e aos nossos torcedores”.

E o que isso quer dizer? Não sei; sinceramente, não sei.

O que sabemos neste momento é que o Lakers pode ganhar o título desta temporada, pois time que tem um gênio como Kobe Bryant e uma camisa vitoriosa é sempre favorito ao título. Mas, temos que reconhecer, suas chances são reduzidas. Se quiser brigar a ponto de atemorizar os adversários, alguma coisa há que ser feita.

E imediatamente.

RODADA

Carmelo Anthony voltou — e o New York voltou a perder. Em que pese os 21 pontos, nove assistências, sete rebotes e quatro roubos de bola de Jeremy Lin, o Knicks foi surpreendido pelo New Jersey dentro de seu Garden por 100-92. O sino-americano, aliás, roubou 13 bolas nos últimos três jogos, o que dá uma média de 4,3 por partida… O nome do jogo, no entanto, foi o armador Deron Williams: 38 pontos. D-Will (foto Getty Images) acertou oito bolas de três, seu recorde desde que entrou na liga, na temporada 2005-06… Derrick Rose voltou a jogar depois de cinco partidas no estaleiro. Foram 34:54 minutos em quadra que se traduziram em 23 pontos, seis assistências e cinco rebotes. Com D-Rose em quadra o Chicago Bulls tem cara de time campeão. “Estou me sentindo bem e me senti bem durante toda a partida”, disse o jogador depois do jogo… O Orlando foi a Milwaukee e bateu o Bucks por 93-90. Somou sua nona vitória nos últimos 12 confrontos. Depois de quatro derrotas consecutivas (Boston, New Orleans, Indiana e Philadelphia), o time se reagrupou e ocupa a terceira posição no Leste com uma campanha de 21-12 (63,6%). No geral, tem o quinto melhor desempenho da NBA… O Dallas venceu mais uma: 89-73 no Boston. Já disse e repito: o atual campeão da NBA acertou seu time após a perda de alguns jogadores (JJ Barea, Tyson Chandler e DeShawn Stevenson) e das últimas oito partidas venceu sete. Assim como o Orlando, tem a terceira melhor campanha da conferência (21-12, 63,6%)… Já o Boston despenca pelas tabelas. Vem de quatro revezes seguidos e dos últimos sete cotejos perdeu seis. É o último colocado no Leste (15-16, 48,4%) e se estivesse no Oeste ocuparia a 11ª posição… O San Antonio voltou a triunfar, desta vez diante do Utah, fora de casa, por 106=102. Enfileirou sua 11ª vitória e firma-se cada vez mais na segunda posição no Oeste, com nove derrotas apenas, nos calcanhares do líder Oklahoma City, que bateu o New Orleans, em casa, por 101-93, e que tem sete derrotas… Notícia ruim para o SAS: Manu Ginóbili ficará de fora por duas semanas por conta de uma distensão no abdome.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 NBA, outras | 19:15

MINHA CONSCIÊNCIA PESA QUANDO O ASSUNTO É OKLAHOMA CITY E KEVIN DURANT

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Não tenho o hábito de ver o Oklahoma City Thunder jogar. Confesso que o time não me atrai. Custou para eu me render ao jogo de Kevin Durant. Mesmo assim, não o incluo entre os jogadores espetaculares desta liga, como LeBron James, Dwyane Wade, Derrick Rose e Kobe Bryant.

O Thunder está quase que perfeito. Desce redondo, como diz o reclame de cerveja. É o vice-líder da NBA com uma campanha de 24 vitórias e apenas sete derrotas. Está em segundo lugar porque o Miami, líder geral, fez uma partida a mais e venceu, chegando a 78.1% de aproveitamento, contra 77,4% do OKC.

Mas, sei lá, falta alguma coisa no time da terra dos tornados para me seduzir definitivamente.

Acho que é como comparar Neymar a Lucas. São dois grandes jogadores, mas Lucas não tem appeal — e, claro, joga menos bola do que Neymar. Mas trata-se de um grande jogador também. Mas não tem appeal. Ninguém deixa de fazer o que está fazendo para vê-lo jogar; mas muitos param de fazer o que estão fazendo para ver Neymar em ação.

KD é assim pra mim: é um baita jogador, mas eu não perco minhas horas de sono para vê-lo em exibição. Sinto que estou em débito com vocês e comigo mesmo. Mas eu não posso trair meus sentimentos, embora minha consciência esteja pesada.

Ontem, diante do Denver, Durant barbarizou. Pela primeira vez na carreira ultrapassou a barreira dos 50 pontos. Para ser exato, chegou aos 51. E fez 19-28 (67,9%) nos arremessos de um modo geral e 5-6 (83,3%) nas bolas de três. Nos lances livres, 8-10 (80,0%). Um espetáculo, como não; um espetáculo que eu não vi porque confessei a vocês que tenho estado refratário ao OKC.

Bobo de mim.

Mas não foi somente KD quem barbarizou e me deixou com a consciência ainda mais pesada: Russell Westbrook fez 40 pontos! Quatro dezenas de pontos que se somaram a nove assistências e o transformaram em um dos símbolos desta vitória do Thunder.

Os dois juntos, vocês devem ter percebido, anotaram 91 dos 124 pontos do OKC na vitória sobre o Denver, que anotou 118 e foi para o vestiário chupando o dedo. 91 pontos significam 73,4% da pontuação. Muita coisa.

Mas deixei para o final o que mais me chamou a atenção: o “triple-double” do espanhol Serge Ibaka: 14 pontos, 15 rebotes e 11 tocos! Isso mesmo: 11 tocos! Não é fácil dar 11 tocos, mas este nativo da República do Congo tem o dom de dar tocos. Isso nasce com o cara, pois há que se ter tempo de bola, impulsão e inteligência para perceber quando o trouxa vai cair na armadilha. Na foto AP, um deles em cima de Aaron Aflalo.

Fico imaginando esse time com Nenê Hilário no pivô. Sim, Nenê, pois Kendrick Perkins, por mais que a mídia americana queira atribuir qualquer virtude a seu jogo, ele não passa de um pivô fraquinho, fraquinho. Nenê daria o toque de qualidade que esse time precisa para ser encarado como um definitivo e sério contendor do Oeste.

É um dos melhores times da NBA? Claro que é. Mas é agora. Será que será quando os playoffs chegarem?

Esta é a minha dúvida.

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domingo, 19 de fevereiro de 2012 NBA, outras | 20:33

JEREMY LIN E O CARREGADOR ZAROLHO DE VOLTAIRE

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Estou em ritmo de Carnaval. Mas no meu caso é descanso. Não vi a rodada de ontem, apenas me assustei ao ver que o Chicago havia perdido para o New Jersey, em casa.  De resto, nada de anormal.

Iria fazer o mesmo hoje: descansar. Mas ao checar os resultados de ontem vi que o New York iria enfrentar o Dallas logo depois do almoço. Ou seja: Jeremy Lin estaria em ação!

Ah, não deu outra: mandei às favas o descanso e avisei minha mulher: almoçamos fora de casa, ok, mas às 4h da tarde eu quero estar em casa. Por que, ela perguntou. Você não iria descansar? Eu respondi: Jeremy Lin.

Minha mulher sabe quem é Jeremy Lin. Aliás, o planeta sabe quem é Jeremy Lin. Fico cá com os meus botões me perguntando: será que a popularidade de Lin, hoje, é maior do que Messi?

Se depender de minha mulher e de meus amigos, sim. Eles discutem Jeremy Lin; ninguém tem interesse em falar sobre Messi quando estamos entre amigos.

Por isso, quando eu disse a ela que queria estar em casa às 4h da tarde pra ver Lin em ação, ela compreendeu minha imposição e agonia. Motivo mais do que justo.

E valeu eu ter cancelado todo nosso programa matinal. Jeremy voltou a acabar com o jogo e o New York bateu o Dallas por 104-97.

Rick Carlisle, o treineiro do time texano, fez de tudo para tentar conter o sino-americano. Colocou o gigantesco e ágil Shawn Marion em sua marcação (foto AP). Do banco, puxou Dominique Jones. Mas não teve jeito: nenhum dos dois encontrou a fórmula ideal para conter o armador do New York Knicks.

Lin, para desespero dos texanos e daqueles que torcem contra (eu não sei como é que alguém consegue torcer contra Lin!), acabou com seus defensores e comandou o time da Big Apple em quadra: 28 pontos, 14 assistências, cinco desarmes e quatro rebotes.

Es-pe-ta-cu-lar!!!

Como é que é? Ouvi alguém mencionar os sete erros por ele cometido? É isso mesmo?

Aos que preferem destacar os sete erros de Jeremy eu reproduzo um parágrafo de um conto magnífico de Voltaire intitulado “O carregador zarolho”.

Disse Voltaire: “Nossos dois olhos não melhoram nosso destino. Um deles deixa ver o bem; o outro, os males da vida. A maioria fecha o primeiro, enquanto poucos fecham o segundo. Pois é, assim muita gente até preferiria ser cega do que ver. Bem-aventurados os zarolhos que são privados do olho mau que deforma tudo o que vemos”.

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Autor: Fábio Sormani Tags: ,

sábado, 18 de fevereiro de 2012 NBA | 12:14

JEREMY LIN SE RENDE AO CAPENGA NEW ORLEANS

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Acabou o encanto? Calma, calma, foi apenas uma derrota. Tudo bem que foi para um time capenga, mas acidentes acontecessem. E como dizia Michael Jordan, não dá para jogar bem todas as noites.

Depois de enfileirar sete vitórias, o New York, ou melhor, Jeremy Lin (foto AP) foi batido. Ambos se curvaram a um dos rabeiras da competição em pleno Madison Square Garden, com todas suas poltronas ocupadas (19.763 pagantes). A vitória do New Orleans por 89-85 foi incontestável, pois o time da Louisiana sempre esteve na frente. O Knicks nem sequer conseguiu igualar o marcador desde que a bola subiu pela primeira vez.

Lin? 26 pontos, cinco assistências, quatro desarmes e dois rebotes. Mas cometeu nove erros, seu recorde nesta temporada e em seu curto histórico na NBA.

O que aconteceu com Lin? Má jornada; some-se a isso o fato de que ele foi bem marcado. Apesar de ser um dos lanterninhas do torneio (era o penúltimo colocado), o NOH tem a nona defesa menos vazada do campeonato (92,5), o que prova, uma vez mais, que não adianta ser consistente na defesa se o ataque não funciona — e este é o caso do time de Nova Orleans, que posiciona-se em 29º lugar no ranking ofensivo, com uma média de apenas 87,2 pontos por partida.

Ontem, além de ter segurado o NYK em apenas 85 pontos, 11 a menos do que sua média, o desempenho ofensivo do NOH foi entusiasmante, pois todos os seus jogadores titulares tiveram duplo dígito na pontuação, comandados que foram por Trevor Ariza (25 pontos).

“Fui um jogador impreciso e pouco cuidadoso”, disse Lin depois da partida. Antes dela, foi solicitado pelo cineasta Spike Lee para uma foto. Lee rendeu-se à “Linsanity” e foi ao jogo com a camisa 4 de Lin, quando este jogava na Palo Alto High School, na Califórnia.

Azar no jogo, sorte no amor? Depende do que se entende por amor. O fato é que Lin, antes do confronto de ontem, teria sido informado que Kim Kardashian (foto) quer conhecê-lo. Se você não sabe de que se trata, Kim é a “reality star” que ficou casada com Chris Humphries, ala-pivô do New Jersey, por apenas 72 dias. É amiga também de Lala Vazquez, mulher de Carmelo Anthony e apresentadora da MTV nova-iorquina.

Será que isso explica os nove erros de Jeremy durante a partida? Será que ele estava com a cabeça em outro lugar?

QUIETO

Os holofotes, em sua maioria, estão em Jeremy Lin. Outra parte se volta para a contusão de Derrick Rose. E um punhado de luzes também se estende ao Lakers, que está desesperado atrás de uma troca para tornar este um time competitivo.

Do Miami ninguém fala.

O time não perde há cinco partidas e das últimas dez venceu oito. Está jogando melhor e melhor e não apenas vencendo seus adversários, mas triturando-os também.

Foi isso o que aconteceu ontem em Cleveland, quando o Heat bateu o Cavs por 111-87, 24 pontos de diferença, diferença esta que chegou a 34 e se o time do sul da Flórida tivesse mantido o ritmo chegaria a 40.

Eu sei, eu sei, o Cavs está jogando sem Anderson Varejão, mas o New York pegou o antepenúltimo colocado do campeonato e perdeu dentro de casa. O Miami venceu fora.

LeBron James (28), Dwyane Wade (22) e Chris Bosh (16), os Três Magníficos, marcaram juntos 66 dos 111 pontos do Heat (59,5%). A química entre eles está cada vez melhor e crescendo num jeito certo, de modo que todos possam dela se aproveitar quando os playoffs chegarem.

Mesmo com Derrick Rose em plena forma, o Chicago não tem time para bater o Miami numa provável final de conferência.

SILENCIOSO

Outro time que não tem chamado a atenção da mídia (mas deveria) é o Dallas. O Mavs foi à Filadélfia e ontem à noite bateu o Sixers por 82-75 aumentando para seis o seu número de vitórias consecutivas. Dos últimos 12 cotejos, venceu nove.

É o atual quarto colocado do Oeste.

No triunfo de ontem, Dirk Nowitzki esteve impossível no segundo tempo. Neste período marcou 24 de seus 28 pontos.

O time esteve impecável no terceiro quarto, quando bateu o Philadelphia por 24-8. Ali o Dallas resolveu a parada.

Por falar em parada, a próxima do Mavs será amanhã, em Nova York, 16h de Brasília. Certamente o jogo da rodada.

CALVÁRIO

O Toronto segue em seu sofrimento. Ontem, em pleno Air Canada Center, perdeu para o Charlotte (98-91), lanterninha da competição. Um vexame. Leandrinho Barbosa (foto AP) conseguiu se salvar com seus 16 pontos.

O Raptors não vence há quatro partidas; das dez últimas, perdeu oito. Ocupa atualmente o 27º lugar na tabela de classificação.

Joga sem seu principal jogador, o ala-pivô Andrea Bargnani, que está contundido. O italiano deve ficar de fora mais uns dez dias e se ausentar por mais umas três, quatro partidas.

As derrotas tendem a se avolumar ainda mais. Um desastre de campanha.

O fato é que o Toronto está à espera de Jonas Valanciunas. O time canadense recrutou o pivô lituano de apenas 19 anos, 2,11m, no “NBA Draft” do ano passado. Foi a quinta escolha da primeira rodada.

Valanciunas é a grande sensação do momento no basquete europeu. Joga no Rytas e é titular da seleção de seu país, país este que já produziu Arvydas Sabonis e Zydrunas Ilgauskas nesta posição. Ou seja: quando o assunto é pivô, os lituanos são mestres.

Valanciunas jogará no Rytas até o final da temporada 2012-13. Isso porque ele tem um contrato com o time lituano que prevê multa de US$ 2,5 milhões para quebrá-lo e as regras da NBA não permitem que um time pague mais do que US$ 500 mil para este fim. Desta forma, Jonas teria que desembolsar US$ 2 milhões para sair do Rytas ao final desta temporada e se juntar aos canadenses. Não irá fazer isso, pois o garoto não tem essa grana em sua conta bancária.

Se o presente é um desastre, o futuro promete para o Toronto. Valanciunas deverá ser o dono da posição ao lado de Bargnani, com Amir Johnson ajudando na rotação. Ótimo trio.

Sem contar que, com uma campanha dessas, o Toronto poderá pegar um dos três primeiros drafts na cerimônia de recrutamento desta temporada. E todos nos EUA afirmam que o draft deste ano será um dos melhores dos últimos tempos.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 NBA, basquete brasileiro | 18:45

UM SOFÁ COM PODERES MÁGICOS?

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Eu não havia postado ainda neste botequim a foto do sofá em que Jeremy Lin dormiu antes de ter acabado com o New Jersey Nets e ter se transformado em fenômeno mundial e criado a “Linsanity”.

Você não sabe da história? Eu conto. Eu conto porque sempre que alguém, nos dias de hoje, conta algo sobre Lin, logo desperta atenção. E não somos diferentes.

Lin chegou ao Knicks em dezembro passado. Com uma mão na frente e outra atrás. Não tinha onde ficar; ou melhor, não tinha onde ficar se quisesse ficar sozinho. Onde ficar ele tinha, tanto que ficou na casa do irmão mais novo, Joshua.

Joshua mora em Lower East Side, região que fica ao sul da ilha de Manhattan. Na casa do caçula da família Lin, um pequeno apartamento, na verdade, Jeremy tornou-se um hóspede sem direito a quarto, pois quarto não havia disponível na casa de Joshua. Jeremy dormiria em um sofá. Na sala.

No dia 3 de fevereiro, uma sexta-feira, Lin chegou do treino do Knicks exausto. O sofá onde dormia era seu objeto de desejo naquele momento. Queria desmoronar nele e descansar, porque no dia seguinte haveria jogo. E uma oportunidade a mais para, quem sabe, jogar de verdade para mostrar que era merecedor de uma vaga no elenco do time nova-iorquino.

Até então, Jeremy Lin mal entrava em quadra. Quando entrava era para ficar cinco, seis minutos. Por conta disso, mal pontuava, mal pegava rebote, mal dava assistência, mal roubava a bola de alguém. Estava indo de mal a pior.

Mas Jeremy não perdia a esperança. Minha hora vai chegar. E por que não no dia seguinte, contra o New Jersey?

Mas ao entrar no apartamento do irmão, onde era apenas um hóspede, viu que o sofá que ele queria desabar e dormir estava tomado. Algumas pessoas estavam sentadas nele e não iriam desocupá-los tão cedo. Havia uma festa na casa de Joshua e Jeremy não sabia. Assustou-se. Caramba, eu preciso descansar e dormir bem, pensou ele.

E o que Jeremy fez? No desespero, ligou para seu companheiro de time e melhor amigo, Landry Fields, que mora em White Planes. Não tenho onde dormir; posso dormir aí?, perguntou. Fields disse: sim, claro que dá, mas tem que ser no sofá da sala.

Que ironia, novamente num sofá da sala…

Jeremy pegou suas coisas e se mandou pra casa de Landry Fields, aquele que joga com a camisa 2 e que Spike Lee usa quando está no Madison Square Garden torcendo para o Knicks.

Cansado, ao visualizar o sofá marrom, respirou aliviado. Tenho onde dormir.

No dia seguinte… Bem, no dia seguinte Jeremy escreveu o primeiro capítulo de sua rica, recente e maravilhosa história com a camisa 17 do Knicks, história esta que movimenta o planeta de cabo a rabo e que está revolucionando a NBA e o time da Big Apple.

Do banco veio e tornou-se o nome do jogo contra o New Jersey ao anotar 25 pontos, dar sete assistências, pegar cinco rebotes e roubar duas bolas. Jeremy virou manchete dos principais jornais nova-iorquinos e nos principais sites esportivos dos EUA. E do mundo também — inclusive no Brasil.

O resto é história e se você também não sabe, eu conto. Conto que depois desta atuação espetacular na vitória sobre o Nets por 99-92, Jeremy não parou mais de jogar bem. E com seu jeito oriental, low profile, bem diferente das prima donas da NBA, quietinho e na dele, tomou as rédeas do time e levou-o a mais seis vitórias consecutivas. Não perdeu mais.

O New York tinha uma campanha de 8-15 e estava fora do G8. Agora ocupa o oitavo lugar com um recorde de 15-15 e posiciona-se dentro da zona de classificação para os playoffs.

Como se vê, o começo deste conto de fadas se dá em uma noite em White Planes. Em um sofá marrom da sala da casa de Landry Fields.

Um sofá especial? Não sei, mas se Jeremy continuar contando sua história com a mesma rapidez e riqueza com que vem contando, este sofá valerá uma fortuna no futuro.

Fosse eu Carlos Nunes, o presidente da CBB, compraria este sofá. Pagaria o olho da cara se fosse preciso. E lá faria os jogadores da nossa seleção dormir. Uma noite pra cada um, num revezamento bem montado. Levaria o sofá para Londres também, por conta das Olimpíadas, em julho próximo.

Nossos jogadores continuariam dormindo nele em solo londrino. Dia após dia, noite após noite.

Se este sofá tiver mesmo poderes especiais, quem sabe o Brasil não consiga uma medalha olímpica?

Seria um sonho.

(Abaixo, o sofá da sala da casa de Landry Fields, onde Jeremy Lin dormiu na noite que antecedeu a partida contra o New Jersey Nets)

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Autor: Fábio Sormani Tags: , ,

NBA | 12:34

O DESESPERO DO LAKERS QUE NÃO SE VÊ NO BOSTON

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O parceiro Russell mandou um texto do site “Hoopsworld” falando de uma possível troca envolvendo Lakers e Minnesota. Pau Gasol (foto Getty Images), uma vez mais, está envolvido no negócio. Mas se você pensa que é por Kevin Love, engana-se: o negócio pode ser feito envolvendo Derrick Williams, mais drafts e grana — para poder igualar o salário de Gasol.

O que fica claro é que o Lakers quer se livrar do espanhol e não esconde isso de ninguém. Quer se livrar por conta de problemas de relacionamento (dizem que é com Kobe Bryant [Kobe já teve problemas com Karl Malone e Shaquille O’Neal, lembram-se?]) e por causa dos US$ 57 milhões que a franquia terá que pagar nos próximos três anos por um jogador que já tem 31 primaveras completadas e quando completar 34 vai ganhar US$ 19,2 milhões.

Além de querer se livrar de Gasol, o Lakers parece ter certeza de que com esse time não dá para ser campeão — o que eu discordo. Está desesperado atrás de reforços.

O problema para o time californiano é que parece que os “bobos da corte” desapareceram e, por conta disso, o time está encontrando dificuldades para fazer negócio.

O que seria “bobo da corte”? Ora, franquias cujos GMs são imbecis (para não dizer outra coisa), como o Memphis, que mandou Gasol, na flor da idade, para Los Angeles a troco de banana e viu seu rival de conferência crescer e ganhar campeonatos por conta disso.

Se o Minnesota der Kevin Love para o Lakers, estará fazendo a mesma coisa que o Grizzlies fez há quatro temporadas. Mas, como disse, parece estar difícil para o Lakers arrumar, hoje em dia, um “bobo da corte”.

Ou melhor, esse “bobo da corte” (para não dizer outra coisa) apareceu, foi o New Orleans, ou melhor, seu GM, Dell Demps. Mas corretamente a NBA vetou a troca de Chris Paul, num negócio que a gente já discutiu aqui e que a maioria de nós (à exceção dos torcedores do Lakers) concluiu que era bom apenas para o time de Los Angeles.

Ainda sobre esse possível acordo com o Wolves, a franquia de Minneapolis avisou que, além de Love, Ricky Rubio não entra no negócio. Teria oferecido Derrick Williams (foto AP), um ala de 2,03m e que o relator da matéria do “Hoopsworld” diz que pode ser um negócio interessante, pois Williams pode jogar com PF. Só na cabeça dele — a menos que DW seja o novo Dennis Rodman, o que parece não ser o caso.

DW, drafts e grana para que o negócio seja aprovado pela NBA.

Se o negócio for feito, o Lakers vai precisar contratar um ala-pivô e um pivô para ajudar na rotação de Bynum — e o relator da matéria diz que Nikola Pekovic pode entrar no negócio, o que seria interessante para o Lakers, pois o montenegrino de 2,11m é grande, forte e joga bem — com o que eu concordo.

Mas o fato é que o Wolves não precisa do Gasol.

O time de Minneapolis é novo, está em franco crescimento e conta com um técnico muito bom em Rick Adelman. Então eu pergunto: por que o Wolves pegaria o Gasol, um cara com 31 anos e que tem, como vimos, mais U$ 57 milhões para receber em três anos?

Não faz sentido.

O Wolves está com o time sendo torneado; rapidamente será burilado; e proximamente vai brigar pelo título da conferência junto contra Oklahoma City e LA Clippers — se CP3 renovar com a franquia, é claro.

O Wolves não precisa de ninguém. Ele precisa apenas de tempo para ser tentar ser campeão.

Se o Wolves estive pronto para ser campeão e precisasse apenas de uma peça, aí faria sentido arriscar abrir mão de algumas jovens promessas por um jogador experiente. Mas eu pergunto: Gasol seria esse jogador? Acho que não.

Então, não faz sentido fazer uma troca por Gasol. A não ser que o Lakers aceite JJ Barea, Wayne Wellington e Wesley Johnson…

O Lakers tem que entender uma coisa: a menos que apareça um “bobo da corte”, o time para este campeonato é o que está aí. Quando esta temporada terminar, aí sim o time poderá se reforçar para voltar a ser campeão, pois haverá a possibilidade de pegar Dwight Howard e Deron Williams, pois ambos serão “free-agents”.

Estou achando o máximo o que está acontecendo: a fiscalização está intensa e todo mundo está de olho nos “bobos da corte”. Se ele aparecer, a grita será geral e talvez ele se recolha a seus aposentos para evitar maiores constrangimentos.

RODADA

O Chicago voltou a vencer sem Derrick Rose. Bateu ontem o Boston, em casa, por 89-80. Foi, diga-se, a nona partida do Bulls nesta temporada sem D-Rose, sua estrela. O retrospecto: 7-2.

Mas, importante dizer, deste noneto de partidas o Bulls teve apenas três confrontos difíceis: dois contra o Boston (um em casa e outro fora) e um diante do Memphis (fora). Deste trio de contendas, ganhou apenas a de ontem. As demais vitórias foram contra adversários medianos.

Mas o bom dessa história é que o time está ganhando sem D-Rose. Poderia ocorrer o contrário e a equipe se complicar diante de oponentes duvidosos por conta da ausência de seu esteio.

Mas não é o que ocorre.

E ontem diante do Boston o Chicago fez uma grande partida. Venceu apoiado em seu “front court” titular. Luol Deng: 23 pontos e dez assistências; Carlos Boozer (foto Getty Images): 23 pontos e 15 rebotes; Joakim Noah: 15 pontos e 16 rebotes.

Ou seja: os três, juntos, marcaram 61 dos 89 pontos da equipe (68,5%), pegaram 35 dos 52 rebotes do time (67,3%) e deram 17 das 27 assistências (62,9%).

“Estamos confiantes quanto ao nosso jogo, mas sabemos que não chegaremos aonde queremos sem aquele rapaz (D-Rose)”, disse Noah.

Verdade; sem Derrick o Chicago não tem a menor chance de ganhar o título. Pode até chegar novamente à decisão da conferência, mas não passa pelo Miami de jeito nenhum.

Não se sabe ainda quando Rose vai voltar. Imagina-se que seja em breve. Antes do jogo de ontem contra o Boston ele fez arremessos e nada sentiu.

Boa notícia.

Sobre o Boston, a irregularidade do time chama a atenção. O “Big Three” não consegue jogar tudo o que pode ao mesmo tempo. Há momentos de Kevin Garnett, há momentos de Paul Pierce e há momentos de Ray Allen.

Somando tudo isso não há o suficiente para a equipe ganhar jogos como o de ontem, mesmo diante de um adversário desfalcado de seu principal jogador.

O Lakers, como vimos, está desesperado atrás de uma troca para que possa brigar por esse título. A situação do Boston é muito pior e a gente não vê Danny Ainge desesperado como Mitch Kupchak.

Em Portland, o Clippers bateu o Blazers (74-71). Não vi o jogo, mas o que me chama a atenção é que mesmo sem Chauncey Billups o Clips não deixa a peteca cair.

Foram seis jogos sem Mr. Big Shot e um retrospecto de 4-2, com vitórias sobre o Philadelphia e PTB fora de casa.

Dá pra brigar sem Billups? Dá, ora, por que não? Com Chris Paul e Blake Griffin dá pra brigar. São duas estrelas de enorme grandeza e que ainda contam com o apoio de Caron Butler. Se DeAndre Jordan jogar mais do que vem jogando, aí melhora ainda mais.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 NBA | 17:41

LONGE DOS HOLOFOTES, POPOVICH RECONSTRÓI O SAN ANTONIO SPURS

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Enquanto a mídia tem seus olhos voltados apenas para Jeremy Lin e o New York (ontem o time da Big Apple somou sua sétima vitória consecutiva), o San Antonio — quietinho, quietinho — vai somando triunfos atrás de triunfos e firma-se como um dos melhores times da temporada.

Ontem, em Toronto, diante do Raptors, adicionou mais uma vitória (113-106) à sua fileira, que agora chega a nove contendas com todos saindo felizes de quadra. Isso mesmo: o Spurs não perde há nove partidas. Fincou pé ainda mais na segunda posição do Oeste e na quarta na classificação geral.

É público e notório — e eu não escondo de ninguém —, não vou com a cara de Gregg Popovich (foto Getty Images). Mas não deixo de reconhecer nele um grande treinador.

Pop, como ele também é chamado, usa de artimanhas que eu reputo como sórdidas, como fazer faltas em jogadores que não têm bom desempenho no lance livres. Exemplo? Shaquille O’Neal na época do Lakers. Mais? Pois não: ele mandou seus jogadores agirem desta maneira com Ben Wallace na vitória diante do Detroit na última terça-feira.

Além disso, sua conduta com Tiago Splitter na temporada passada foi reprovável. Amparado pelo fato de que o jogador perdeu a pré-temporada, deixava-o mofando no banco de reservas num claro boicote ao brasileiro que praticamente perdeu uma temporada de sua carreira. E num gesto de desespero, quando se viu sem Manu Ginobili nos playoffs diante do Memphis, atirou o catarinense às feras sem o menor preparo, pois, como sabemos, Tiago ficou mofando no banco de reservas e não tinha experiência alguma para resolver os problemas que Popovich tinha pela frente.

Mas, como disse, Popovich é um grande treinador. É visível, por exemplo, a melhora no jogo de Splitter.

ARSENAL

O jogador que chegou da Europa ao San Antonio tinha limitações ofensivas repugnáveis. Mal usava a mão esquerda e seu corte (por isso mesmo) era sempre para o mesmo lado: a mão direita. Não tinha dribles e seu arsenal ofensivo limitava-se apenas ao jogo de costas para a cesta.

Hoje, ao contrário, vemos um Splitter (foto AP) com farto repertório ofensivo; um jogador que faz cestas de tudo quanto é jeito. Tivesse ele mais tempo de quadra (joga apenas 21:30 minutos), certamente teria mais do que os 9,7 pontos de média que vem apresentando. E estaria se desenvolvendo ainda mais.

Vamos fazer uma comparação com Jeremy Lin.

O armador do Knicks, ao mostrar-se um atleta superlativo, teve seu esforço recompensado pelo técnico Mike D’Antoni. Desde que fez sua primeira partida cheia de predicados, contra o New Jersey Nets, passaram-se sete contendas. Sua média de permanência em quadra é de 37:20 minutos.

Tivesse Lin o mesmo tempo de permanência em quadra de Splitter, dificilmente teria 24,4 pontos e 9,1 assistências de média. Dificilmente teria acertado aquela bola de três contra o Toronto e que enlouqueceu a comunidade da NBA em todo o planeta.

Claramente, Popovich poderia dar mais tempo de quadra para Splitter. Não sei por que ele não faz isso se o atleta responde e corresponde às suas expectativas, a ponto de um jogador (que agora eu não me lembro quem foi) ter dito que o QI de basquete (agora virou moda falar em QI de basquete) de Tiago é alto demais.

Ao dar mais tempo de quadra para Splitter, Popovich aumentaria ainda mais o nível de jogo do brasileiro. E quando os playoffs chegarem, o catarinense estaria mais preparado do que vai estar.

REPÚDIO

Mas o fato que me deixou mesmo cabreiro em relação a Popovich foi a maneira desprezível com que ele demitiu o treinador Bob Hill. Se você não ouviu, se esqueceu ou não estava presente neste botequim quando contei a história, eu repito em poucas linhas.

Pop era o gerente geral da franquia e o San Antonio fazia uma péssima campanha no começo da temporada 1996-97. Motivo: David Robinson, o principal e praticamente único jogador do time, estava lesionado e não jogaria mais a temporada. Hill tinha uma campanha de 3-15 (20,0%) e foi demitido. Popovich promoveu ele mesmo ao cargo e teve um desempenho de 17-47 (36,1%) no restante do campeonato. Deveria ter se demitido. Mas não o fez. Não o fez porque sabia que Robinson voltaria na temporada seguinte e sabia também que, com a péssima campanha, teria o direito de escolher em primeiro lugar no NBA Draft de 1997. E quem foi escolhido? Tim Duncan.

O resto é história e todo mundo sabe, mas se não sabe eu registro: o San Antonio ganhou quatro títulos na NBA e formou uma das mais instigantes dinastias da história da liga.

Então, essas coisas me fazem ficar com um pé atrás em relação a Popovich. Mas, volto a dizer, reconheço a qualidade de seu trabalho a ponto de reputá-lo um dos melhores treinadores de todos os tempos.

REFORMULAÇÃO

Qualidade, por exemplo, que pôde ser medida com o desempenho do San Antonio sem Manu Ginobili, que ficou de fora 22 partidas por conta de uma fratura na mão. Nesse período, o SAS fez uma campanha de 15-7 (68,1%). Repito: sem Manu, um dos alicerces da equipe e, registre-se também, o “clutch player” do time.

A maneira com que ele vem conduzindo a reformulação da franquia é igualmente admirável. Todos nós sabemos que os Três Tenores, como costuma dizer nosso parceiro JP, estão começando a desafinar.

Se Timmy e Manu não têm muito mais voz para empolgar plateias, Tony Parker ainda tem. Mas quando ele parar, Danny Green parece ser o substituto ideal para o francês. E nas vagas de Manu e Timmy estão sendo burilados Gary Neal (foto AP) e Tiago Splitter.

Richard Jefferson é outro jogador importante dentro do sistema. Mas é igualmente um veterano com data de validade nas costas. Kawhi Leonard já aquece as turbinas para ocupar a vaga de Jefferson no futuro.

Isso sem falar que jogadores medíocres jogam na sua mão. Matt Bonner é o exemplo mais bem acabado desta qualidade de Popovich.

O treinador, no entanto, tem sido parcimonioso no aproveitamento desses moleques. Não o fosse, descansaria mais seus tenores e daria mais cancha para a garotada. Com mais cancha, a garotada teria mais estofo quando os playoffs chegarem e os Três Tenores estarão descansados para soltarem a voz na fase decisiva da NBA.

EPÍLOGO

Mas não adianta: Popovich não é assim; é assado — e eu não sou o dono da verdade. Apenas estou aqui, neste canto de bar, cercado pela atenção de vocês, queridos paus-d’água, contando uma história com as cores que a minha retina registra. Mesmo com as restrições que tenho em relação a ele, eu as tenho — e pode ser que você não as tenha porque você talvez não veja essa história com as cores que eu as vejo.

De todo o modo, volto a dizer: o San Antonio enfileirou nove vitórias consecutivas, é o segundo colocado no Oeste e o quarto na classificação geral. Pouca gente percebeu isso. Talvez porque o San Antonio seja o mais europeu dos times da NBA e, cá pra nós, não tem coisa mais chata do que o basquete europeu.

E esta é outra restrição que eu faço ao trabalho de Popovich.

Notas relacionadas:

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012 NBA | 11:48

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: NÃO HÁ CURA PARA A ‘LINSANITY’

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Sou vítima da Linsanity, confesso. Não consigo pensar em outra coisa, só em ver os jogos do Knicks. Ou melhor, só penso em ver os jogos do New York porque quero ver Jeremy Lin em ação.

E a cada partida assistida, a cada lance visto eu me sinto recompensado e certo de que fiz a escolha correta. Já me flagrei pensando até em mudar de time!

Loucura? Não, este é um dos sintomas da Linsanity: torcedores traindo suas convicções e dando voz ao coração.

E parece não haver antídoto para isso.

Ontem, no Air Canada Center, vários foram os fãs do Toronto Raptors vitimados pela Linsanity no segundo final da partida contra o New York. O placar igual em 87 pontos; de repente, houve uma explosão de alegria quando uma bola arremessada de longe entrou no aro do time da casa levando o adversário à vitória! Pode um troço desses? Pode, desde que a bola atirada tenha sido atirada por Jeremy Lin e que tenha levado o time dele à vitória.

Eu, no sofá de minha casa, quando vi a bola entrar, gritei: “Got it!” Minha mulher repreendeu-me: “O que é isso? Respeite os vizinhos!” E você acha que eu não sei disso? Que o respeito ao próximo é regra fundamental para vivermos em comunidade? Claro que sei, mas este é outro dos sintomas da Linsanity: que se dane o vizinho!

Fui dormir feliz da vida, vibrando com a vitória do New York por 90-87 diante do Toronto. Ou melhor, vibrando com outra atuação espetacular de Jeremy Lin (foto AP): 27 pontos e 11 assistências, seu segundo “double-double” na carreira. E que se danem os oito erros; afinal, ninguém é perfeito.

Fui dormir feliz da vida. No meio da noite, acordei suado, agitado. Tudo porque eu sonhava com o jogo seguinte do Knicks, mas não sabia quando esse jogo seguinte iria acontecer. Não tinha olhado a tabela para checar quando é que o NYK iria jogar novamente. Fui dormir sem saber quando é que iria ver Lin em ação novamente!

Olhei para o relógio: 4h22 da madrugada. O silêncio doía nos ouvidos. Levantei-me na ponta dos pés, para não acordar minha mulher.

Fui direto para a sala onde estava meu computador. Enquanto o computador abria, rezava para que não houvesse um hiato de dois dias, como ocorreu entre o confronto de ontem e o passado frente ao Minnesota. Que o Knicks jogasse, na pior das hipóteses, amanhã, quinta-feira. Um dia sem Lin dá pra suportar; dois já é demais.

A angústia finalmente chegou ao fim quando vi que não haverá hiato algum: o Knicks estará em ação esta noite novamente! E a vítima agora será o Sacramento; claro que será.

Este, queridos leitores, é outro sintoma da Linsanity: o vício. Você fica viciado em Jeremy Lin. Mas esse vício não causa prejuízo a ninguém, ao contrário. É vício saudável, é como querer beijar a mulher amada a todo o instante.

Hoje à tarde eu vou passar em uma papelaria. Vou comprar uma cartolina e um pincel atômico; ou melhor, dois. A cartolina será branca e os pincéis serão em azul e laranja. As cores do Knicks.

Vou preparar o meu cartaz. E nele vou escrever um paLINdromo, pois Jeremy Lin é assim: não importa o jeito que você olhe para o seu jogo, o resultado sempre será o mesmo.

Este é o principal sintoma da Linsanity.

RODADA

Espio os demais resultados e vejo que o Miami goleou o Pacers, em Indiana, por 105-90. Não se engane quanto ao resultado, pois o Heat chegou a abrir 35 pontos de vantagem. Depois, administrou e não se importou em ver o Indiana tirar a diferença. Se o Miami jogar assim até o final do campeonato ganha o título com o pé nas costas. Mas a gente bem sabe que o Miami oscila demais e que LeBron James (foto AP) não é confiável quando o assunto é decisão de título… O Chicago jogou sua terceira partida seguida sem Derrick Rose. As dores nas costas não cedem. Mesmo sem D-Rose, o Bulls passou pelo Sacramento, mas foi um sufoco, especialmente no final da partida, quando DeMarcus Cousins mostrou por que é um dos mais promissores atletas desta geração. No final, acabou, como disse, dando Chicago: 121-115. Isso mesmo, o Bulls tomou 115 pontos de um time de mediano pra baixo… Com o resultado, Tom Thibodeau será o técnico do time do Leste no “All-Star Game” do dia 26 de fevereiro… O San Antonio passou pelo pobre Pistons, em Detroit, mas não com o conforto que todos imaginavam: 99-95. Olho para o “box score” e vejo que Tiago Splitter anotou 13 pontos em míseros 22 minutos. Gregg Popovich, técnico do SAS, tem dividido igualmente os minutos de Splitter, DeJuan Blair e Matt Bonner e desgastado desnecessariamente Tim Duncan, que ontem jogou 33 minutos e foi o cestinha do time com 18 pontos. Dos últimos cinco jogos, à exceção da partida contra o New Jersey, Duncan ficou 30 ou mais minutos em quadra. Parece que o cara não aprende: ano passado, num jogo que não valia nada na última rodada da fase de classificação, Popovich colocou pra jogar Manu Ginobili que acabou fraturando o cotovelo e, com isso, o time acabou eliminado na primeira rodada dos playoffs pelo Memphis… Por falar em brasileiros, Leandrinho Barbosa fez 13 pontos diante do New York, enquanto que Nenê Hilário não jogou uma vez mais por conta de uma lesão no pé. Mesmo sem ele o Denver bateu o Phoenix por 109-92… E o resultado mais surpreendente da rodada aconteceu em Portland, onde o Trail Blazers foi batido pelo pobre Washington por 124-109; um chocolate. Os torcedores do Cruzeiro que me perdoem, mas o Portland parece o time mineiro: todo campeonato que começa as pessoas apontam o Portland como uma das forças da competição, mas o resultado sempre é o mesmo: o time fica no meio do caminho.

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  2. CHRIS PAUL PEDE TYSON CHANDLER PARA IR PARA CLIPPERS OU GOLDEN STATE
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012 NBA | 19:03

TEIMOSIA DE THIBODEAU PODE CUSTAR A TEMPORADA DO CHICAGO

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De herói a vilão.

Assim está Tom Thibodeau no conceito dos torcedores do Chicago Bulls. E sabem por quê? Porque Thibs, feito um técnico juvenil, não soube avaliar a situação de Derrick Rose e expôs, desnecessariamente, o atual MVP da NBA a partidas desnecessárias que acabaram por agravar a situação do jogador.

E o que D-Rose tem?

Derrick está com dores lombares resistentes. E ele não consegue jogar. Ficou de fora da vitória sobre o Charlotte (95-64) e da derrota para o Boston (95-91). Não jogará esta noite contra o Sacramento, desta vez em Chicago.

Depois do triunfo frente ao New Orleans (90-67), Thibs foi perguntado pelos jornalistas: porque o senhor não deixou Derrick de fora, descansando, repousando, cuidando das dores lombares?

Pergunta pertinente, pois na partida anterior, diante do New Jersey, Derrick, Derrick atuou apenas 11 minutos. Ficou 2:57 minutos no primeiro quarto e pediu pra sair.

Mas o teimoso do Thibodeau colocou-o novamente em quadra no segundo quarto. D-Rose (foto Getty Images) entrou no lugar de CJ Watson aos 10:37 minutos, tendo jogador até quando o cronômetro mostrava que faltavam 2:57 minutos para o final do quarto. As dores tornaram-se intensas e o menino pediu pra sair.

Foi atendido e não voltou mais.

“Se o jogador tem condições de jogar, joga; se não tem, não joga”, respondeu Thibodeau à pergunta do jornalista que queria saber por que é que Derrick estava enfrentando o New Orleans depois de um histórico desses frente ao New Jersey.

“Derrick acordou um dia com essas dores”, disse Thibodeau. “Elas não são frutos de uma jogada ou de um jogo em específico”. Não importa; o que importa é que ele estava com as costas doloridas.

Além disso, a bem da verdade, o jogador havia reclamado de dores nas costas em 4 de fevereiro passado depois da partida diante do Milwaukee. Mesmo assim, Thibs não maneirou.

O treinador é obcecado por vitórias. Ele não abre mão de vencer jamais. Quer terminar a conferência em primeiro lugar, como na temporada passada, para tentar, desta vez, ganhar a conferência e com isso decidir o título da NBA.

Mas parece que ele começa a pagar um tributo caro por essa visão míope.

Eu já havia falado e alertado sobre esse posicionamento equivocado de Thibodeau. E me referia, à época, à sua insistência na escalação de Luol Deng. Não deu outra: Luol lesionou o pulso.

O resultado foi a ausência do sudanês naturalizado britânico em sete partidas. Neste meio tempo, os médicos do Bulls cogitaram uma cirurgia no local. Se isso acontecesse, o ala voltaria apenas nos playoffs.

Ficou dez dias de molho e, dizem, o pulso melhorou. Mas será que melhorou mesmo?

Não sabemos. O que sabemos é que Luol voltou a ser usado e abusado por Thibodeau.

Atuou 41 minutos na vitória de 23 pontos diante do Milwaukee (113-90), 35 no triunfo frente ao New Jersey por 21 pontos (108-87), 34 na goleada diante do New Orleans (90-67) e 30 no massacre imposto ao Charlotte por 95-64.

Pra que tanto tempo em quadra em partidas contra adversários frágeis? Por que usar D-Rose nestas mesmas partidas?

E aí entra outra pergunta: por que John Paxson, que teria esmurrado Vinnie del Negro exatamente porque ele “explorava” demais D-Rose, não faz o mesmo com Thibodeau? Não digo entrar no vestiário e esmurrar Thibs, mas por que ele não chamou o treinador em seu escritório e disse: meu velho, Derrick vai descansar. Vire-se sem ele.

Mas não foi o que aconteceu. Thibs (foto AP) tem moral pelo que fez em sua primeira temporada no Bulls; VDN não tinha.

O fato é que o Chicago assinou um novo contrato de dez dias com Mike James. Ficará de estepe a CJ e John Lucas III.

“Mas a cada dia ele se sente melhor”, disse Thibs sobre a situação de D-Rose. “Não está ainda no ponto em que queremos; por isso, temos que ser pacientes e ver quando isso se resolverá”.

Derrick visitou especialistas nesta segunda-feira que passou. O bom da história é que o Chicago informou que os exames de ressonância magnética mostraram que não há estragos consideráveis nas costas do jogador.

“Ele teve esse mesmo problema no high school”, disse Thibs. “Ele vai descansar, não haverá nenhum tratamento rigoroso”.

Que esse descanso seja sagrado para que Derrick Rose se recupere. Caso contrário, adeus temporada.

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