KENDRICK PERKINS COMPROMETE OKLAHOMA CITY NESTE ‘NBA FINALS’.
O mundo está criticando Russell Westbrook por conta de seu desempenho no segundo jogo da série contra o Miami. Quem puxa a fila é Magic Johnson. Comentei o tema ontem (se você não leu, clique aqui). Meu xará Fabio Balassiano também fala com propriedade sobre o assunto. Vai igualmente na linha de Magic (clique aqui).
Embora ambos não tenham dito taxativamente que West foi o responsável pela derrota, atribuíram a ele boa dose de culpa pelo revés. Eu, no entanto, vejo a questão sob outro prisma. Creio que a discussão não deva ser feito em cima do armador do OKC, que tem médias de 27,0 pontos, 9,0 assistências e 8,0 rebotes nestas finais. Quase um “triple-double”. A discussão, a meu ver, tem que ser em cima de outro jogador que, discretamente, tem comprometido o Thunder. E nos dois jogos. Seu nome? Kendrick Perkins.
O pivô do OKC (foto Getty Images) tem sido um desastre até o momento na série final da NBA. Nesta decisão, tem médias de 4,0 pontos, 7,5 rebotes e 0,0 assistência. Com ele em quadra, o OKC perde para o Miami. E isso tem ocorrido por conta dos inícios dos prélios.
No primeiro quarto do jogo 1 desta série final, o Heat fez 24-15 com Perkins no jogo. Ele saiu a 2:44 minutos (jogou 9:16 minutos) do final. No segundo quarto, atuou 6:01 minutos e o OKC fez 17-13. No terceiro, Perkins jogou mais 9:25 minutos e quando saiu, a 2:34 minutos do final, o OKC tinha feito 19-17. No último quarto, com o OKC na frente em 74-73, Perkins não jogou. E o Thunder fez 31-21 para fechar a partida em 105-94. Resumo da ópera: com Perkins jogando o Miami venceu o OKC por 54-51, sendo que o quarto inicial foi o responsável por essa debacle.
No segundo jogo o cenário foi devastador. O Miami iniciou com um 21-6 até Scott Brooks tirar Perkins de quadra, a 3:40 do final (atuou por 8:20 minutos). Ficou todo o segundo no banco, que terminou empatado em 28 pontos. No terceiro, Perkins jogou 11:03 minutos e o OKC fez 22-21. No último período, ele só entrou a sete segundos do final, quando LeBron James bateu os dois lances livres que confirmaram a vitória do Miami. Nele, igualmente sem Perkins, o OKC venceu o Heat por 29-22. Ou seja: no segundo jogo, com Kendrick em quadra, o Heat venceu o Thunder por 42-28.
O que mais compromete, como disse, são os inícios dos jogos. Nos dois confrontos realizados até agora, o Miami fez 45-21. No primeiro embate, o Thunder encontrou fôlego para reverter o marcador; no segundo, faltou ar.
Por que Perkins compromete? Porque não faz absolutamente nada no ataque. É peso morto.
No primeiro jogo, no quarto inicial, quando o Miami fez a tal da corrida em 24-15 com Perkins jogando 9:16 minutos, o pivô do OKC zerou na pontuação e pegou três rebotes defensivos. No segundo, nos 8:20 minutos em que participou da partida no quarto inicial, novamente não pontuou, embora tenha pegado seis rebotes (três deles ofensivos).
Como digo sempre, jogador tem que pontuar. Jogador que não pontua, não adianta. Limita a ação ofensiva de seu time, pois o adversário tem que marcar quatro ao invés de cinco jogadores. Costuma flutuar em cima dele, facilitando a dobra nos outros quatros atletas.
O Miami não tem pivô. Às vezes joga com Chris Bosh e Udonis Haslem juntos. Em outras situações, com um dos dois e LeBron James ou Shane Battier como ala de força. Mesmo assim, Perkins não consegue tirar proveito de seu tamanho e de sua força diante dos “baixinhos” do Miami. Terminou o primeiro jogo com apenas quatro pontos; no segundo, repetiu a dose. E no jogo 2, não foi de grande valia nem na defesa, que, dizem, é seu forte. O Heat fez 48-32 nos pontos no garrafão.
FUTURO
Assim como no futuro, a meu ver, vão desaparecer os armadores obtusos, aqueles que acham que sua função é primeiro servir para depois pontuar (não existe ordem nenhuma durante uma partida. O armador tem que sentir o jogo e ver o que tem que ser feito: ou pontuar ou armar. O desenho do embate é que vai dizer isso. O que o armador tem que ter é sensibilidade para fazer a leitura correta do jogo), assim como no futuro vão desaparecer os armadores obtusos, esses pivôs que não sabem atacar, que apenas marcam, tenderão a desaparecer também.
Volto a dizer: jogador que não sabe o que fazer com a bola nas mãos não serve. É como relógio que atrasa: não adianta. Jogador de basquete, como está sempre no ataque e na defesa (ao contrário do futebol), tem que saber jogar no ataque e na defesa. Defender é importante; atacar também. Mas jogador que está na NBA e que participa de time que está na final da liga, tem que saber fazer as duas coisas. Perkins não consegue. Faz apenas corta-luz e briga por rebotes. Muito pouco.
O Miami ataca sempre com cinco jogadores. Os que estão em quadra sabem pontuar. O Heat não tem um jogador desses, como Perkins, que não sabe o que fazer quando tem a bola nas mãos e tem o dever de encestá-la, pois o horizonte se abre a ele.
Para valer a pena um jogador desses jogando, ele tem que fazer coisas extraordinárias. Ano passado, o limitado Tyson Chandler (foto Getty Images) defendeu muito. Ajudou nos “screens” e pontuou algumas vezes aproveitando-se do “pick’n’roll”. Mas o que Chandler fez mesmo foi compensar sua inabilidade ofensiva com muita defesa. Perkins, até o momento, não consegue ser o Tyson Chandler do OKC. Como vimos, pois com ele em quadra o Miami está à frente no marcador.
Desta forma, se eu fosse Scott Brooks, começaria o jogo deste domingo (21h de Brasília) com Kendrick Perkins no banco. Sairia com West, Thabo Sefolosha, James Harden, KD e Serge Ibaka. Colocaria Nick Collison no rodízio quando o Miami escalar Chris Bosh e Udonis Haslem ao mesmo tempo. E usaria Derek Fisher no rodízio dos alas. Faria como o Miami, que usa basicamente sete jogadores: Mario Chalmers, Dwyane Wade, Shane Battier, LeBron James, Chris Bosh, Udonis Haslem e Norris Cole.
O Heat parece ter achado sua formação ideal. Quase venceu o primeiro jogo destas finais e ganhou o segundo. O OKC tem que fazer o mesmo. Caso contrário, pode se complicar na busca do título inédito depois do novo batismo.
Notas relacionadas:
35 comentários | Comentar
- Primeira
- 1
- 2
- Última
- ver todos os comentários
Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
15 danilo 16/06/2012 18:39
Quem lê sua opinião neste texto, não entende como vc acha que Dennis Rodman foi melhor que Malona, Barkley ou Duncan!
Fábio Sormani 16/06/2012 18:45
Danilo
Leia os posts que eu falei sobre Rodman. The Worm fazia em quadra mto mais do que jogar basquete. O jogo mental dele era terrível, tanto que ele “tirou do jogo” Karl Malone das duas finais. E o jogo defensivo dele era tão absurdo que ele não precisava atacar, pois o Chicago tinha MJ e Pip. Cinco anéis de campeão, sendo protagonista, um a mais que Timmy e cinco a mais que Barkley e Malone.
Abs.
14 Thiago Schizo (Corpo Docente NBA BR) 16/06/2012 18:37
Sormani, se o Brooks pudesse ler seu blog, mas infelizmente ele não lê.!
13 Marcio 16/06/2012 17:50
Ola Sormani,
Neste caso a culpa nao é somente do Perkins, a culpa maior é do tecnico do OCK. Todos sabem quem Perkins é um pivo defensivo nao ofensivo, como Miami nao joga com pivo de oficio ele fica sem marcar ninguem e é nulo no ataque. Se Miami tivesse pivo Perkins seria util. Cabe ao tecnico que conhece seus jogadores e suas caracteristicas e retirar Perkins de quadra afinal esta é a funcao do tecnico.
Seria mesma coisa mandar Allen Iverson somente marcar , ou mandar Rodman somente atacar.
Um tecnico tem que saber quem sao seus jogadores, suas caracteristicas e observar o jogo do adversario ainda mais sendo playoff aonde iram jogar varias vezes.
Perkins tem culpa sim mas a culpa do tecnico é muto maior
Abracos
Fábio Sormani 16/06/2012 18:42
Marcio
Concordo com vc: cabe ao treinador ter a sensibilidade de perceber a situação.
Abs.
12 Teobaldo 16/06/2012 17:31
“Desta forma, se eu fosse Scott Brooks, começaria o jogo deste domingo (21h de Brasília) com Kendrick Perkins no banco”.
Depois da frase acima, não vi mais o nome de Perkins no post.
O que fazer com ele, então? Quais as qualidades dele (ele possui alguma?) deveriam (ou poderiam) ser aproveitadas nesta final? Entendo que o bom técnico é aquele que, com os jogadores que tem, consegue “tirar tudo” de cada um em benefício da tática que pretende implantar. Ou não?
Uma convicção carrego comigo: No jogo 6 da decisão de 2010 (?), e posteriormente no jogo 7, a contusão dele foi a causa principal (não a única, por óbvio) da derrota do Boston para os amarelinhos naquela decisão.
Sormani, o “share” (Rsrsrsrsrs) do último post não nos deixa enganar: O botequim tá ficando pequeno para “tantos pinguços”, heim? E isso é fruto de seu excelente trabalho e da consistência de suas análises. Parabéns!!!
Fábio Sormani 16/06/2012 18:41
Teobaldo
Ri mto: “O botequim tá ficando pequeno para ‘tantos pinguços’, heim?”
Qto ao Perkins, ele pode ser usado em alguns momentos do jogo, mas não pode ter esse status de titular que tem neste momento. Claro que o desenho tático do confronto pode mudar e Perkins se transformar num jogador-chave para o OKC. De momento, a análise é feita em cima do que os dois times mostraram até agora.
Abs.
11 Caio 16/06/2012 16:48
Sormani, como rotação titular, o melhor não seria começar com o Collison ao invés de Harden, que garante os pontos vindos do banco de reservas ?
Valeu
Fábio Sormani 16/06/2012 16:59
Caio
O banco do Miami não foi tão produtivo qto o banco do OKC no jogo passado. Mas em compensação, os titulares do Heat foram melhores do que os do OKC. Ou seja: não importa de onde venham os pontos. O que interessa é na somatória vc acumular mais que o seu adversário. Acho que ficaria ruim para o OKC ter Collison e Ibaka juntos se o Miami estiver com quatro abertos. Como disse no texto, acho que isso funciona qdo o Heat estiver com CB1 e Udonis em quadra ao mesmo tempo.
Abs.
10 Luis Fernando - Itararé-SP 16/06/2012 16:43
Caro Sormani,
Creio que o problema do Westbrook não é pontuar, como você mesmo mencionou ele tem ótima média nas finais, também concordo que o armador moderno tem que saber passar e pontuar, mas ele em vários momentos decisivos se precipita, acho que ele poderia trabalhar melhor a bola e lembrar que a estrela da cia é o Durant, ele fez isso muito bem naquele vacilo que o Wade deu no final do último jogo , ele ia arremessar mas passou para o Durant e ele decidiu, acho ele um grande jogador mas muitas vezes ele desperdiça chances precipitando arremessos, sendo que é possível trabalhar mais a bola e decidir mais equilibradamente, no final da partida ele quis decidir uma bola rapidamente mesmo com o time todo postado para uma jogada, ´perdeu e no contra-ataque o Miami trabalhando coletivamente com o Lebron bloqueando, o Wade infiltrando e o Bosh enterrando, o jogo teria acabado ali se o Wade não tivesse perdido aquela bola que mencionei acima…o Westbrook é muito agressivo mas as vezes ele poderia tomar decisões melhores na distribuição….e poderia fazer isso sem perder esse apetite pela cesta.
9 kaio ditta 16/06/2012 16:36
acho que o Celtics sentiu falta dele e do Glen Davis contra o Heat.
8 Machado 16/06/2012 16:22
Sormani, fico muito feliz quando você dá crédito ao Balassiano e quando ele faz o mesmo. Tem muitos veículos ou colegas de vocês que por besteira ou por ego, não demonstram que acompanham e que prestigiam o trabalho de um colega de profissão. Por isso é um prazer continuar acompanhando o trabalho dos dois.
Fábio Sormani 16/06/2012 16:56
Machado
Bala é um doce de criatura. Amigo de todo mundo e um jornalista competentíssimo. Fico feliz pelo fato de ele ter-me aceitado como amigo.
Abs.
7 Willian Knicks 16/06/2012 15:52
Ano passado o Heat não tinha um SF-PF como o Battier que defende bem e arremessa de três. Esse ano Tyson Chandler seria anulado, pois ou teria q defender Bosh longe da cesta ou Battier na linha dos três (dificultando Chandler pegar os rebotes defensivos).. foi como Heat anulou o Tyson na defesa contra o Knicks (se ficar perto da cesta, Battier e Bosh arremessam bem, se ficar perto deles marcando, eles pegam rebotes ofensivos ou cavam falta infiltrando). Agora uma coisa é certa: OKC e Perkins foram criticados nas duas derrotas pro Spurs no Oeste.. e seguiram com 4 vitórias seguidas.. e nos dois jogos o Heat precisou de mtos pontos de Chalmers e Battier de três..OKC deveria marcar Battier como todos marcaram o Novak no Knicks.. senão vão continuar tomando. Abraços!!
6 Lucas Falcão 16/06/2012 15:45
Sormani
na sua analogia faltou dizer o seguinte: da mesma forma que é ruim ter um perkins da vida, que soh defende, é ruim tb ter um dirk da vida, que só sabe atacar e é uma vergonha na defesa.
tem q ter um equilibrio
abs
caba da peste 16/06/2012 23:51
é ruim ter um dirk ? poxa, pensei q tinha escutado tudo na vida ! ou vc gosta muito do perkins ou no minimo é torcedor do OKLA.
OBS: como acho q o sormani não vai se dar o trabalho de responder tamanho absurdo, fiquei sensibilizado.
5 Bruno Ribeiro 16/06/2012 15:41
Sormani’
Só um detalhe: KP jogou muita bola contra o SAS, se nao fosse ele, nao sei nao viu sormani
4 Thiago 16/06/2012 15:26
Concordo, Perkins esta afundando o OKC, é um cara marrento e ruim de bola.
3 Orlando 16/06/2012 15:23
Sormani, o PerKins já era um jogador obtuso quando jogava pelo
Boston, e o Miami tem o seu jogador que não pontua: o Joel Antonny
que foi retirado do time titular.
Um Abraço!!!
2 Paula Araújo 16/06/2012 15:11
Sormani
Lembra daquele armador do Charlotte Hornets, BOGUES, se nao me engano, Ele tinha 1.60 de altura. vc acha uma sorte ou ele teve seus momentos?
Fábio Sormani 16/06/2012 15:17
Paula
Jogou mta bola. Era habilidoso, arremessava mto bem e marcava como ninguém. Foi um dos gigantes embora fosse quase um anão.
Abs.
1 RODOLFO 16/06/2012 14:51
Concordo Sormani. Inclusive já tinha falado isso num post anterior… Perkins, alem de pontuar pouco, não consegue acompanhar Bosh na defesa (Bosh é muito mais rápido e pouco jogo de costas para a cesta – especialidade defensida do Perkins-), sem contar que com perkins em quadra, a defesa de Batier fica com o ibaka, que fica mais preocupado em fechar o garrafão para as infiltrações de Wade e Lebron e em dar tocos, e acaba esquecendo Batier livre na linha dos 3 pontos.
Trazendo Harden para o time titular, se resolveriam muitos problemas. A baixa pontuação nos inícios de jogos, a defesa do Bosh (que ficaria a cargo de Ibaka – muito mais rápido que Perkins-), a defesa de Batier (que ficaria a cargo de Harden ou Durant)…
Não sei se Brooks terá coragem para fazer uma mudança tão radical no quinteto que usou durante todo o ano num momento tão importante como esse, mas acredito que seria a formação mais indicada para enfrentar esse time do Heat.
Talvez se ele ler o seu blog hehehehehe… Hoje a noite veremos… Grande abraço!!
Leonel 17/06/2012 10:00
O ideal é inciar com Harden mesmo. Porém, o Collison de titular já seria melhor porque ele se posiciona melhor no ataque para receber bolas depois da marcação do Heat fechar em Westbrook ou Durant. Collison tem uma leitura de jogo muito melhor do que Perkins.
Fábio Sormani 16/06/2012 14:55
Rodolfo
Excelente observação: “Com perkins em quadra, a defesa de Battier fica com o Ibaka, que fica mais preocupado em fechar o garrafão para as infiltrações de Wade e Lebron e em dar tocos, e acaba esquecendo Batier livre na linha dos 3 pontos”.
Abs.
Fábio Sormani 17/06/2012 11:05
Leonel
O problema do Collison junto com Ibaka qdo o Miami está com quatro abertos é: quem marca Battier e seus tiros de longe?
Abs.