A VERDADEIRA HISTÓRIA DO JOGO-TREINO ENTRE O DREAM TEAM E OS UNIVERSITÁRIOS | Fábio Sormani

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segunda-feira, 14 de maio de 2012 NBA | 19:35

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO JOGO-TREINO ENTRE O DREAM TEAM E OS UNIVERSITÁRIOS

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Um documentário sobre o Dream Team que ganhou o ouro olímpico em Barcelona-92 será lançado em 13 de junho próximo. A informação é do jornal “The New York Times”. Se você não viu ou não sabe, aquela equipe dos EUA, corretamente apelidada de Time dos Sonhos, foi a maior de todos os tempos na história do basquete mundial.

O documentário vai narrar aquele esquadrão de cabo a rabo. E entre outras passagens, fala sobre um jogo-treino que o Dream Team realizou contra um selecionado de jogadores universitários que acabou saindo vencedor de quadra.

Gente mal informada, inocente, incauta e/ou mal intencionada, saiu dizendo por aí que o documentário desmistifica o Time dos Sonhos. Balela. Somente ingênuos para falar ou escrever isso. Ou mal intencionados. Ou aproveitadores. Aquele foi um jogo-treino, onde os jogadores profissionais não estavam no “time” do jogo (por um motivo ou outro) e quando se deram pela coisa tinham perdido o controle da contenda preparatória.

No livro “Michael Jordan — A História de um Campeão e o Mundo que ele Criou”, há uma passagem sobre esse jogo-treino. Abaixo, reproduzo o texto contido no livro e que faz menção ao tal coletivo e a sua consequência. Isso mesmo: sua consequência — que é a parte mais legal da história.

No início da programação do Pré-Olímpico, antes de eles (jogadores e comissão técnica) embarcarem para a Europa, os treinadores organizaram um jogo contra um time de all-stars do basquete universitário, composto em sua maioria de jogadores à espera de entrarem na NBA no ano seguinte. Era um time cheio de talentos, embora ainda imaturos, que incluía Chris Webber (Michigan), Jamal Mashburn (Kentucky), Penny Hardaway (Memphis), Rodney Rodgers (Wake Forest) e Alan Houston (Tennessee). Os treinadores eram Roy Williams (então em Kansas e hoje North Carolina) e George Raveling (USC, atualmente aposentado). Naquele dia em particular, os profissionais estavam sem inspiração, e os universitários jogaram com muita garra. Eles venceram o coletivo por 58-52, com sete cestas de três pontos de Houston. Aquilo já seria ruim o bastante, mas os jogadores universitários, mais audaciosos do que sábios, e infelizmente ignorantes do orgulho que caracteriza o nível superior do mundo no qual eles estavam prestes a entrar, começaram a comemorar. Eles ficaram pulando por um bom tempo e falaram muita bobagem, um pecado mortal dada sua posição na hierarquia do basquete. Vendo-os brincar e conversar com seus superiores como se fossem seus iguais, Roy Williams sabia que eles estavam cometendo um grande erro.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Williams jogou golfe com Michael Jordan, Chuck Daly (técnico do Dream Team), Charles Barkley e John Stockton e se desculpou pelo impetuoso comportamento de seus jogadores. “Eu mal pude acreditar que nossos rapazes estavam se vangloriando e falando aquele monte de besteiras”, disse Roy a Jordan, a quem tinha treinado em North Carolina (era assistente técnico de Dean Smith) e de quem sempre fora bastante próximo. “Não se preocupe com isso, coach”, disse MJ. “Nós vamos cuidar deles amanhã”. No coletivo do dia seguinte, quando o árbitro estava para jogar a bola ao alto e começar o jogo-treino, MJ apontou o dedo na cara de Houston e disse: “Você não vai fazer nenhuma cesta de três pontos hoje”. E marcou Houston como se fosse sufocá-lo. Mais tarde, na primeira metade do treino, quando ele teve que sair e dar lugar a Clyde Drexler, Jordan apontou para Houston e disse a Drexler: “Faça tudo para que continue assim”. O que se seguiu foi nada menos que um massacre; ao final do coletivo de 20 minutos, o Dream Team venceu por uma diferença de 38 pontos. Daly queria mais, e decidiu aumentar o trabalho em mais dez minutos. Os profissionais aumentaram então em mais 18 pontos a vantagem, vencendo o jogo-treino por uma diferença de 56 pontos.

Essa é a história do que aconteceu nos dois coletivos entre o Dream Team e o time de universitários. Por conta disso, vamos esclarecer uma coisa:

1) Foram coletivos e não jogos;
2) É possível que a soberba dos profissionais os tenha levado para o buraco no primeiro jogo-treino;
3) O massacre que veio no dia seguinte confirma o que todos sabemos.

E o que sabemos?

Que aquele foi o maior time de basquete de todos os tempos. Somente aproveitadores, gente mal informada, inocente, incauta e/ou mal intencionada pode sair por aí dizendo que o documentário desmistifica o Dream Team.

Ora, façam-me o favor! Que ridículo!

Notas relacionadas:

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , ,

33 comentários | Comentar

  1. 13 Marcão 15/05/2012 0:53

    nooooooooooooooossa, LAL vai ser varriiiiiiiiiiiiiidooooooooooooo!!!!!!!

    Responder
  2. 12 Herbert 15/05/2012 0:18

    Sormani,

    Ja que estamos em comemoraçao do dream team, se puder, reproduza aquela parte do livro, que fala de um coletivo entre titulares e reservas (nem sei se posso escrever desse jeito, haja vista a qualidade do elenco) em que o Barkley provocou o MJ. Os poucos que assistiram aquele treino, segundo o escritor do livro, foi o maior jogo de basquete de todos os tempos. Salvo engano, esse coletivo foi em Monte Carlo.

    Um abraço

    Responder
    • Fábio Sormani 15/05/2012 1:19

      Herbert
      Boa ideia. Na off-season falaremos mais sobre o livro.
      Abs.

  3. 11 Marcio 14/05/2012 23:22

    Ola Sormani,

    Brincadeira de mal gosto falar alguma coisa sobre este time que nao seja elogios. Se alguem nao gosta de um time destes nao pode gostar de esporte, tem que ser mal humorado mesmo, armagurado com a vida

    Uma duvida Sormani sem contar Christian Laettner que era univversitario na epoca, voce mudaria alguem dos outros 11 na epoca se fosse o tecnico?? Se sim quem por quem??

    Abracos

    Responder
    • Banana Joe 17/05/2012 9:21

      Isiah Thomas tinha que ir.
      Jogava demais.
      Um cara definitivamente no mesmo nível de Magic, Jordan, Bird…
      Me parece que não foi por veto do Michael Jordan da época dos combates (combates mesmo) do fim dos anos 80 entre os Pistons e os Bulls, dos quais os Pistons na maioria das vezes venciam!
      O Shaq até hoje não sei porque não foi.
      E o Chris Mullin também não tinha muito o que fazer por lá.

    • Teobaldo 16/05/2012 9:54

      Na minha modesta opinião faltou sim, Sormani. Faltou Isiah Thomas e, lamentavelmente, por imposição do Magic Johnson e não do Michael Jordan, como todos acreditavam.

    • Marcus Simões 15/05/2012 8:09

      Shaquille O’Neal no Lugar de Laettner teria sido uma boa!

    • Fábio Sormani 15/05/2012 1:18

      Marcio
      Não mexeria em ninguém.
      Abs.

  4. 10 Arsênio Cavalcante Bassaco 14/05/2012 23:14

    Sormani quando os HEREGES falaram algo negativo sobre o Dream Team ou sobre o MAIOR DE TODOS o M.J ignore, antigamente quando lia ou ouvia tais bobagens na mesma hora apresentava números, fatos, etç, e mostravam o quanto eles estavam errados, mas com o tempo a gente vai sossegando e percebe que não da para tirar todos do ´ vale da ignorância´ que sempre vai ter um ou outro mal informado ou pior ainda, como vc mesmo diz: mal-intencionado, ignore-os esses não valem atenção só o desprezo do esquecimento.
    PS: refente a grande ideia que um de nossos colegas ai em baixo deu, sobre os próximos assuntos a serem discutidos por vc no blog, queria dar um palpite também, e sobre esse assunto vc sempre tem os números e comenta bem em cima deles, eu queria que vc falasse dos pontos em playoffs dos grandes jogadores ,principalmente dos que ainda disputam, pois acho uma sacanagem justo no momento mais marcante e difícil esses preciosos pontos não serem computados na carreira dos jogadores da NBA, EU ACHO E SEMPRE ACHEI ISSO UM ABSURDO IMPERDOÁVEL.

    Responder
    • Marcelo F 15/05/2012 21:20

      Não entendi, desculpem. Os pontos em playoffs não contam para as médias históricas dos jogadores? É isso mesmo? Aproveito para perguntar Sormani, qual foi o critério para escolher os doze do dream team? O Chuck Daly escolheu, o público escolheu, a imprensa? Confesso que não lembro.

    • Fábio Sormani 15/05/2012 1:18

      Arsênio
      Critério da NBA. Faz sentido, pois ela quer colocar todos em condições de igualdade. Não concordo mto, mas…
      Abs.

  5. 9 Gersino 14/05/2012 22:26

    Sormani,
    Beleza de texto.
    Era Dream Team e se jogasse 1,000 partidas com qualquer seleção, na minha opinião, jamais perderia.
    Lembrando ainda que levaram aquele pereba do Christian Laettner e deixaram o Shaq fora do time.
    Aliás, essa é uma boa pergunta : porque Laettner e não Shaq foi convocado para o Dream Team ???
    Os dois foram draftados no mesmo ano, Shaq em 1o e Laettner em 3o, atrás de Alonzo Mourning.
    Laettner também jogava no garrafão como Shaq ( como ala-força )
    Shaq foi Shaq e Laettner, bem … foi aquele Laettner na NBA ….

    Você sabe qual é a estória por trás disso, Sormani ????

    Responder
    • Raí 15/05/2012 8:26

      Laettner era branco. Foi isso.

    • Fábio Sormani 15/05/2012 1:16

      Gersino
      Laettner era mto mais completo como jogador naquela época do que Shaq. E atuavam em posições diferentes.
      Abs.

  6. 8 Igor 14/05/2012 21:44

    Sormani
    Perguntas rápidas sobre o time.
    1-O ala-pivô titular era o Barkley ou Malone???
    2-Dr. J e Moses Malone não foram pq???
    3- Se Magic descobriu a Aids em 92, como foi pra olimpíadas? não tava sem ritmo???
    Abs.

    Responder
    • Fábio Sormani 14/05/2012 22:00

      Igor
      O quinteto variava em alguns jogos. Malone e Barkley se revezavam, assim como Ewing e Robinson e Larry Bird e Scottie Pippen. Dr J não jogava mais e Moses Malone estava velho. Não, Magic estava em forma.
      Abs.

  7. 7 Joao-HSG 14/05/2012 21:43

    Olá Sormani. E alguém tem algum argumento contra aquele time? Meu Deus!
    Eu tinha 12 anos à época e torci pros EUA nas Olimpíadas, inclusive no jogo contra o Brasil. Não tinha patriotismo que superasse aquele feito. E olha que eu era um molecão. E mesmo assim tinha um pouco de noção do que todos aqueles nomes juntos representavam. Eu que já gostava de basquete por causa de Johnson, Worthy e KAJ ficava embasbacado de ver cada jogada, cada lance daqueles “Deuses”. Ficava horas no quintal de casa brincando como se pudesse incorporar qualquer um daqueles monstros…
    Espero poder ver esse documentário e será difícil não me emocionar!
    Abraço

    Responder
  8. 6 Ari C. Raimundo 14/05/2012 21:04

    Oi Fábio,

    Eu adorava o Penny Hardaway quando garoto. Ele tinha uma maneira diferente de jogar.

    Uma das 10 derrotas do Chicago de 95/96 foi para o Orlando de Penny com Shaq machucado. Penny fez 36 pontos.

    Abraços.

    Responder
    • Fábio Sormani 14/05/2012 21:51

      Ari
      De fato, Anfernee Hardaway jogava mto. E se vc se lembrar, ele era um SG em Memphis e passou a PG no Orlando, qdo entrou na NBA. Por isso a facilidade dele em pontuar. Penny foi um dos primeiros jogadores a mudar um pouco esse conceito de armador tem que primeiro pensar em dar assistência. Não, armador não tem que pensar primeiro em dar assistência. Ele tem que pensar em fazer o time pontuar. Se o caminho se abre para ele, que vá em frente. E Penny fazia isso mto bem.
      Abs.

  9. 5 Fabio Kana 14/05/2012 20:46

    Parabéns pelo texto! Aquele time era mesmo imbatível! Acho que nunca, na história, em nenhum esporte, algum time chegou perto de ser o que foi o Dream Team. Acho que nem a Seleção Brasileira de 70…

    Responder
  10. 4 Diego Sampaio 14/05/2012 20:18

    Sormani, sou freqüentador assíduo do botequim, mas apenas como leitor, acho que comentei umas 3 ou 4 vezes, mas que tal uma dica? Temporada da NBA encerrada, que tal contar algumas histórias sobre esta que é uma das 5 maiores equipes de todos os tempos em todos os esportes… Às vésperas dos jogos olímpicos, viria a calhar textos assim…

    Ah, só pra constar, as outras 4 equipes em minha humilde opinião são: Brasil-70 Futebol, McLaren com Senna Prost, Brasil-Vôlei Masculino Era Bernardinho e Cuba-Vôlei Feminino anos 90.

    Responder
    • Fábio Sormani 14/05/2012 20:53

      Diego
      Vamos sim, boa ideia.
      Abs.

  11. 3 naldo 14/05/2012 20:07

    Na verdade nem era preciso postar esse texto, todo mundo sabe a diferença dum jogo-treino e um jogo sério, mas tem gente de todo tipo.

    Responder
  12. 2 Esdras Pelegrin 14/05/2012 20:03

    Sormani

    Muito interessante, Parabens pelo texto, vc tem informações sobre o proximo draft da NBA? pretende postar algo quando a temporada encerrar?

    abraços.

    Responder
    • Fábio Sormani 14/05/2012 20:08

      Esdras
      Qdo estivermos próximo do evento, publicarei um texto.
      Abs.

  13. 1 João Sardinha 14/05/2012 19:51

    Estúpidos há por toda parte.Lembra aquele ditado: Jogo é jogo treino é treino. Não acompanho a NBA porém, aquele time era tão espetacular que não dava para perder um jogo. Inesquecível os tempos do LAL, FSuns, NY, BCelticse é claro o CBulls final dos anos 80 e começo dos 90.

    Responder
  14. Fábio Sormani 16/05/2012 11:58

    Teobaldo
    De onde vc tirou essa versão? Tem o link da notícia?
    Abs.

    Responder
  15. Fábio Sormani 15/05/2012 23:05

    Marcelo
    Não, os pontos dos playoffs não contam. Por exemplo: os 38.787 pts de Kareem são apenas da fase regular. A pontuação dos playoffs não estão aí. A pontuação dos playoffs é separada. Qto ao Dream Team, não me lembro quem fez a convocação, mas não foi chuck Daly. Foi alguém da USA Basketball e na época não era o Jerry Colangelo.
    Abs.

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