O FUTURO SEGUNDO TIAGO SPLITTER | Fábio Sormani

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domingo, 18 de julho de 2010 NBA, Seleção Brasileira | 20:41

O FUTURO SEGUNDO TIAGO SPLITTER

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Conversei neste domingo com Tiago Splitter no programa “Plantão de Domingo” que eu apresento na Rádio Jovem Pan. Reproduzo, a seguir, a íntegra da entrevista com o mais novo brasuca na NBA.

P – Como foi sua visita a San Antonio e a assinatura de seu primeiro contrato com a NBA?
R – Tudo joia, fechamos o contrato. Era o passo que eu tinha que dar em minha carreira profissional. Acho que eu consegui fazer o que eu queria, fechar com um time da NBA; e acho que foi o momento.

P – Somente depois de três anos de ter sido recrutado que você decidiu ir para a NBA. Por quê?
R – Eu tinha um contrato na Europa que tinha que respeitar. Mas pensando em basquete, eu amadureci bastante [na Europa], consegui melhorar o meu jogo, consegui ganhar títulos tanto individuais quanto coletivos. Fiquei muito feliz por ter ficado esses três anos na Europa e melhorado o meu jogo.

P – Quais as dificuldades que você espera encontrar em sua primeira temporada na NBA?
R – Obviamente eu preciso de um tempo de adaptação. É normal depois de tantos anos jogando na Europa. Passando para a liga norte-americana, sempre existe esta diferença. Quando conseguir me adaptar, não vou ter qualquer problema, pois tenho apoio total dos técnicos e dos dirigentes do San Antonio. Quanto ao jogo, na NBA ele é muito mais rápido, de transição. Algumas regras talvez; na Espanha, na Europa, é muito mais permitido o contato. Na NBA, na defesa isso é muito diferente, qualquer contato já é falta. Então, vou ter que aprender a defender, a fazer os bloqueios no ataque, pois são bem diferentes na NBA.

P – E jogar ao lado de Tim Duncan, o melhor “power foward” que eu vi jogar, como está sua expectativa?
R – Ele é um dos grandes desse esporte, conseguiu tudo o que se pode conseguir na NBA. Obviamente eu vou tentar aprender o máximo com ele.

P – Como está o seu inglês? Nenê, Leandrinho e Varejão sofreram bastante no início, pois não sabiam falar inglês.
R – Está melhor que o português (risos). Estou brincando… Posso me defender bem lá, pois faz tempo que eu falo inglês uma vez que na Espanha a maioria dos jogadores é estrangeira e o inglês é a língua comum que se fala no vestiário. Meu inglês ainda não está redondinho, mas em dois meses estarei falando perfeitamente.

P – Fale-nos um pouquinho sobre o Gregg Popovich, treinador do San Antonio.
R – Ele conseguiu quatro títulos, tem uma experiência enorme dentro da liga e sabe como ganhar títulos, pois chegou em quatro finais e ganhou as quatro. Fora da quadra ele é bem aberto e isso me chamou muito a atenção, pois é um cara com tantos títulos conquistados. Ele é tido e conhecido como um durão dentro da liga, mas é normal, pois para se ganhar títulos tem que ser assim mesmo.

P – Como você está imaginando seu começo? Sairá do banco ou será um dos titulares do time?
R – Pra falar a verdade, eu nem estou pensando nisso ainda. Primeiro vou ter que trabalhar, vou ter que treinar. Preciso jogar muito bem para conseguir os meus minutos. Isso é normal, pois será o meu primeiro ano lá. A mesma ilusão que eu tinha quando tinha 15 anos e fui para a Europa eu tenho agora, esperando, ansioso, para começar os treinos.

P – O que você acha desse time: Tony Parker, George Hill, Manu Ginobili, Tim Duncan e Tiago Splitter? Dá para ganhar a conferência?
R – É um time forte, vamos ter tudo para fazer um grande campeonato. O que eu vi no ano passado do San Antonio, eles chegaram bem nos playoffs, mas tiveram uma série contra o Phoenix que foi chave, pois perderam os jogos com uma série incrível do Phoenix. Estão tentando buscar reforços, tentando melhorar o time e eu espero que possamos fazer um campeonato melhor do que fizemos no ano passado.

P – E a seleção? Você teria imposto ao San Antonio jogar sempre pela seleção para assinar o contrato?
R – Não, eu não impus nada. Foi apenas uma decisão que eu tomei e eles respeitaram. Não foi nada que eu obriguei ou nada parecido. Essa preocupação dos times é normal, na Europa é a mesma coisa, todos os times se preocupam também. Ficam preocupados com lesão e com o descanso. Essa preocupação é normal e até mesmo dos jogadores. Veja os casos do Manu [Ginobili] e do Tony [Parker] que estão querendo descansar.

P – Esses desfalques em algumas seleções fazem aumentar as chances de o Brasil sonhar com um pódio no Mundial da Turquia ou é melhor dar um passo de cada vez, pois a seleção foi apenas a 17ª. colocada no Mundial passado, no Japão?
R – Bem, com relação aos desfalques, todos os anos têm. Não vai ser o primeiro Mundial a sofrer com desfalques. Eu acho que o nosso time tem grandes chances de fazer um bom campeonato. Agora, o que é fazer um bom campeonato, melhorar esse 17º. lugar? Obviamente que não. Todo mundo sabe que o Brasil tem condições de estar bem na frente desse 17º.lugar. Uma medalha? Espero que sim. A gente vai lutar por isso, vai lutar até o final para ficar na melhor colocação que a gente puder. Então, vamos ver. A gente tem time, tem técnico, tem todas as condições para conseguir.

P – Brasil, EUA, Croácia, Eslovênia, Irã e Tunísia. Esse é o grupo do Brasil. Dá para sair em primeiro, mesmo com os EUA no grupo? Afinal, os norte-americanos não têm ninguém de Pequim, embora tenha jogadores como Kevin Durant, Lamar Odom, Amaré Stoudemire e Derrick Rose.
P- Bom, a gente tem que ir com essa intenção. É óbvio que o grupo é difícil, complicado, os times da Europa são muito bons, tem os EUA, mas o nosso pensamento tem que ser jogo por jogo. Primeiro, segundo, no máximo terceiro tem que ser o nosso objetivo.

P – Fale um pouco sobre o Rubén Magnano, o nosso treinador. Que expectativa o grupo tem dele?
R – O currículo dele é invejável, todo mundo sabe disso, principalmente como técnico de seleção. Nós jogadores sabemos qual o poder que ele tem, a bagagem que ele tem nas costas. Existe respeito e admiração por ele.  Não tem nada que reclamar, só trabalhar mesmo e tentar fazer com que o time absorva tudo o que ele sabe e tentar colocar tudo isso na quadra.

P – Como foi seu primeiro contato com ele?
R – Ele esteve aqui na Espanha, ele veio ver um jogo nosso, meu e do Huertas. Ele tem as ideias muito consistentes, claras, ele sabe o que quer. Vai tentar passar o que passou para a Argentina agora para o Brasil.

P – Como você imagina esse time do Brasil? Sai como titular, do banco ou o importante é saber dividir os minutos em quadra?
R – Esse time não vai ter nem titular e nem reserva. Temos vários jogadores com potencial. É importante essa rotação, pois em outros campeonatos eu e o Anderson [Varejão] tivemos uma carga de minutos muito alta e isso acaba por dificultar no final do jogo. Então, dividir com o Nenê, com o Murilo [Becker], enfim, outros jogadores que estarão conosco, vai ser muito importante para a gente chegar bem no final do jogo.

P – Por falar em pivôs, o Brasil virou uma fábrica deles. Além de você, Nenê, Varejão, tem também o Paulão Prestes que acabou de ser recrutado pelo Minnesota, há igualmente o Fabricio Melo, que vai jogar por Syracuse, e o Lucas “Bebe” Nogueira, de apenas 18 anos e 2m12 de altura. Por que revelamos tantos pivôs?
R – Essa matéria que nós temos no Brasil é incrível, essa mistura de raças que existe, é isso. São jogadores grandes, altos, atléticos, isso que é uma maravilha que o Brasil tem que explorar mais ainda. Com essa quantidade grande de jogadores altos, a gente tem que aprimorar a nossa técnica. Pena que a maioria dos jogadores tem que sair do Brasil, porque infelizmente a infra-estrutura do Brasil não é a melhor e a gente tem que buscar coisas melhores fora do Brasil.

P – Mas nós temos que produzir alas, você não acha?
R – Aí é que vem o talento aliado com o treinamento para que a gente possa melhorar.

P – E o casamento?
R – Foi ótimo, era o que eu estava querendo. Minha família está feliz, a família da minha esposa está feliz…

P – Sua mulher é espanhola?
R – Isso, isso, ela é espanhola.

P – O casamento foi aonde?
R – Em Vitória [Espanha]…

P – Onde você mora, ou melhor, onde você morava, porque agora vai ser San Antonio , que é uma cidade pequena, eu conheço. Isso vai facilitar?
R – É uma cidade com centro pequeno, mas a extensão é bem grande.  É uma das dez maiores dos EUA, me falaram na semana passada, eu nem achava tanto [a cidade tem 1.2 milhão de habitantes e sua região metropolitana conta com 1.8 milhão]. A gente está com uma ilusão enorme, vai ser uma nova etapa em nossas vidas, será uma coisa diferente, eu fiquei jogando dez anos na Espanha, então, tudo é diferente para a gente.

P – E com a camisa 22, porque a 21 é do Tim Duncan, certo?
R – Com certeza, eu não posso nem pensar em querer a camisa dele. Ele, como já disse, é um dos grandes da NBA e existe um respeito total.

P – Tiago, pra terminar, os internautas que freqüentam este blog têm um carinho muito grande quando se fala em Tiago Splitter. Pra encerrar, gostaria de passar esse carinho deles para você.
R – Muito obrigado e um abraço para todos os internautas.

Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

31 comentários | Comentar

  1. 11 Lineu 19/07/2010 9:13

    Parabéns e sorte na nova caminhada.

    Responder
  2. 10 Jhun 19/07/2010 9:05

    Parabéns pela matéria! Força Splitter!!!

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  3. 9 Luiz Rodrigues 19/07/2010 8:54

    Cada vez mais posso a voltar a me orgulhar da capacidade dos brasileiros.

    Agora posso acreditar em uma possivel mudança real no basquete brasileiro.

    Parabéns pela entrevista foi ótima.

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  4. 8 Gabriel 19/07/2010 8:53

    Sormani, até queria perguntar se você tinha falado com o Splitter depois da decisão dele de jogar a NBA, enquanto você conversava com o Flávio Prado lá na rádio. E curiosamente você postou a matéria no mesmo dia, muito legal mesmo, apesar de torcer para o Lakers e por isso, lógicamente, não ser muito fã do Spurs, sou brasileiro e acredito muito no potencial do Tiago, acho que com um tempo de adaptação ele tem tudo para se dar bem na NBA e ainda com a sorte de ter a chance de aprender com um dos melhores do garrafão que é o Duncan. Só posso desejar boa sorte pra ele.

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  5. 7 Mário Sérgio 19/07/2010 8:28

    “Treinar e treinar, absorver a visão do jogo por parte dos técnicos, aprender com o Tim, dividir minutos”…
    Fábio, só de ler, vi que este garoto tem uma vontade que contagia, não é mesmo?
    Vou acompanhar seu passos com muito mais atenção agora.
    E agitarei uma torcida aqui em casa pra mais um Brazuca que brilha no basquete mundial.

    Responder
  6. 6 FaBio Alexandre 19/07/2010 8:14

    Thiago espero que vc esteja lendo isso…Muita sorte com a carreira pq o mais importante vc já tem Talento…

    abracos a todos

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  7. 5 Dan Marino 19/07/2010 2:34

    Ola Sormani

    Obrigado por nos presentear com esta entrevista com o Splitter. Este botiquim eh o maximo! Abraco grande!

    Responder
  8. 4 jair 19/07/2010 2:16

    boa sorte ao thiago na nba td de bom pra ele

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  9. 3 Andre 18/07/2010 23:01

    Parabéns Sormani, a matéria ficou sensacional !

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  10. 2 Lincoln 18/07/2010 21:38

    Sormani,

    Grande entrevista! Sorte ao Splitter que tem um grande potencial. Espero um Brasil para 2016 no pódim no RJ e o basquete, no mínimo, rivalizando com o volei como esporte nacional.

    Abcs

    Lincoln. Salvador – BA

    Responder
  11. 1 augusto 18/07/2010 21:07

    nossa muito maneiro essa materia com Thiago Splitter acho que eme tem condições de ser novato do ano , sem falar cara é bem humilde GO THIAGO gO

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