MICHAEL JORDAN ETERNO
No ano 2000 Michael Jordan lançou um DVD falando sobre sua vida, destacando principalmente os três últimos títulos por ele conquistado com o Chicago Bulls. Chama-se “Michael Jordan To The Max” e tem a narração de Laurence Fishburne.
Nele, ao final, MJ diz: “Um dia vai aparecer um cara que vai jogar melhor do que eu joguei”.
Ri.
Não consigo imaginar alguém jogando mais do que MJ. Como no futebol não apareceu ninguém melhor do que Pelé e como MJ é o Pelé do basquete, no basquete também ninguém jogará mais do que MJ; em tempo algum.
Falo isso porque o lance final do jogo de ontem entre Boston e Lakers fez-me pensar sobre o assunto. Muitos parceiros deste botequim, timidamente, é verdade, já propuseram esta discussão: seria Kobe Bryant melhor do que Michael Jordan?
Nem pensar.
Kobe é um baita jogador, mas não é Michael Jordan.
Ninguém, jamais, em tempo algum, jogará o que MJ jogou, não terá a liderança que ele teve e nem se aproximará de seu carisma.
Michael Jordan, como disse, foi o Pelé do basquete.
ISSO POSTO…
Vamos ao jogo de ontem em Massachusetts.
Penso que nesta altura do campeonato todo mundo sabe o que ocorreu. Pra quem está por fora do assunto e pega o bonde andando, não sonego detalhes.
O Celtics vencia o Lakers por um ponto (89-88) e tinha a posse de bola. O cronômetro indicava, grandioso e reluzente, no telão central do TD Garden, que faltavam apenas 27 segundos para a estridente buzina soar pela última vez.
Exatamente nesse instante, a 27 segundos do fim do jogo, Paul Pierce, marcado por Ron Artest, perdeu o controle da bola e cometeu falta no adversário.
Não se esqueçam: o Boston vencia por um ponto (89-88).
Tempo pedido, tempo usado. O Lakers voltou e até o mais ingênuo dos ingênuos sabia que a definição do lance seria feita por Kobe Bryant.
Não deu outra. Marcado por Ray Allen, que não pode nem ver Kobe — e vice-versa —, o melhor jogador de basquete do planeta na atualidade fez um “jumper” perfeito e da cabeça do garrafão soltou a bola.
Desesperado, Allen tentou, inutilmente, dar um toco no oponente, mas não conseguiu. A bola subiu, subiu; depois desceu, desceu; e finalmente caiu na cesta alviverde.
Perfeito, como eu disse. O marcador pulou para 90-89 para o Lakers.
O Boston pediu um tempo para armar sua jogada derradeira, pois o cronômetro indicava que faltam sete segundos para a tal buzina estridente soar pela última vez. Tempo mais do que suficiente para os anfitriões armarem sua jogada atrás da cesta que daria-lhe a vitória na contenda dominical.
Tempo pedido, tempo usado. A quem caberia a definição da última bola?
No Celtics, ao contrário do Los Angeles, a situação não era tão óbvia assim. Poderia ser Allen, Pierce ou mesmo Eddie House, que entrara no lugar de Rajon Rondo para definir ou iludir os inimigos.
A bola caiu nas mãos de Pierce. Antes de falar sobre o desfecho do lance, conto uma minúscula história.
Há dois anos, sob os gritos de 19 mil entusiasmados torcedores, que comemoravam a conquista do 17º. título de campeão exatamente sobre o Lakers (131-92), Pierce, refratário à modéstia, declarou alto e bom som: “Sou o melhor jogador do mundo!”
Voltemos então ao final da história. O arremesso de Pierce subiu, subiu; depois desceu, desceu; e finalmente caiu; mas ao contrário do chute de Kobe, a bola de Pierce bateu no aro roxo e caiu do lado de fora.
Resultado final: Lakers 90-89 Boston.
Moral da história: Kobe não é MJ, mas é o melhor jogador do mundo na atualidade; Pierce não passa de um falastrão.
CALIBRE
Kobe Bryant foi grande no arremesso final, mas não esteve bem no geral. Deixou a partida com um aproveitamento de 40% (8-20).
Pior do que ele esteve seu odioso adversário, Ray Allen, que fez 2-10 (20%).
Não sei como o Boston vai reagir quando os playoffs chegarem, mas o desempenho atual do time é preocupante. É o quarto colocado no Leste, atrás de Cleveland, Orlando e Atlanta.
Sinceramente, não sinto mais a mesma firmeza de anteriormente. O Celtics tem rateado nos jogos importantes.
ASCENSÃO
O Denver conseguiu uma excelente vitória ontem em San Antonio. Bateu o Spurs por 103-89 e jogando sem Carmelo Anthony, seu melhor jogador.
Não é mole você entrar em quadra inimiga, diante de um forte contendor como o alvinegro texano e sem seu melhor atleta. Mas isso não foi problema para os colorados.
Não foi problema porque Kenyon Martin voltou a jogar uma barbaridade. Foram 27 pontos e 11 rebotes, bem complementados por quatro assistências e um roubo de bola.
Não foi problema também porque Chauncey Billups anotou 25 pontos e 11 assistências. Bem acompanhados por dois desarmes. Esqueça os seis “turnovers”; é do jogo, ainda mais para quem tem a bola nas mãos por muito tempo.
Crescem K-Mart e cresce o Denver. O jogador aproveita a porta escancarada com a ausência de Melo e solidifica-se o Nuggets no segundo lugar do Oeste, já abrindo duas derrotas a menos do que o Dallas, que por um bom tempo foi o time de melhor campanha depois do Lakers.
Dos últimos dez jogos, é importante dizer, o Denver ganhou nove.
QUEDA
Nenê Hilário voltou a ter uma atuação discreta. Em quase meia hora pelejando contra Tim Duncan, conseguiu anotar apenas seis pontos e apanhar oito rebotes.
Timmy, é verdade, não foi lá tão melhor do que Nenê nos rebotes (pegou dez), mas esteve melhor na pontuação: 16.
Mas esqueçamos Duncan; pensemos em Nenê. O são-carlense esteve apático, não visitou nenhuma vez sequer a linha do lance livre. Faltou-lhe agressividade.
Como disse acima, o brasuca voltou a ter uma atuação discreta. E se você observarem, coincide com o anúncio dos reservas para o “All-Star Game”.
ÚNICO
Mas voltemos à discussão sobre o melhor de todos. Não de todos os tempos, pois é sabido que o melhor de todos é Michael Jordan.
Muitos parceiros deste botequim batem na tecla de que, atualmente, o Michael Jordan da NBA é LeBron James (foto AP). É arranca-rabo é dos bons, pois aflora paixão — e eu gosto disso.
Ontem, jogando no conforto do lar, ‘Bron só não fez chover. Não falo pelos 32 pontos do jogo como um todo; falo dos 23 pontos que ele marcou apenas no primeiro quarto, quando o Cleveland bateu o Clippers por 46-20.
Nesse período, aliás, o Cavs acertou 11 bolas de três, igualando o recorde da NBA em um primeiro quarto. Cinco deles, aliás, encestados por LBJ. A marca iguala o recorde da franquia em acertos triplos em um quarto de jogo.
Mike Dunleavy, treinador dos californianos, declarou depois da partida: “Em meus 30 anos de NBA nunca vi um time com um aproveitamento desses”.
Realmente, foi impressionante o desempenho; do time e de LeBron James.
CAPIXABA
Não se deixe enganar pelos sete rebotes de Anderson Varejão. Como eu sempre digo, tem coisas que a estatística não mostra.
Mas o que ela mostra também é muito bom. Além dos sete ressaltos, o capixaba marcou 11 pontos, fez três desarmes e deu dois tocos.
Varejão deveria estar no “All-Star Game” assim como Nenê Hilário. No caso dele, no lugar de Al Horford.
PS
A última bola arremessada no jogo entre Boston e Lakers não saiu das mãos de Paul Pierce. Saiu, de fato, das mãos de Ray Allen.
Foi apenas uma licença poética para parir esse post. Espero que vocês compreendam e me perdoem por isso.
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61 comentários | Comentar
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1 Bruno Camargo 01/02/2010 18:16
Mas que o jordan no conforto de sua casa, deve ter dito “esse cara é f****” qnd viu a cesta final deve.
Hoje ninguém é mais decisivo que kobe, além de o lakers ter jogado bem como um todo.
Fábio Sormani 01/02/2010 20:01
Bruno
Ótimo comentário. E gostei da criatividade sobre MJ.
Abs.