É MUITA EXIGÊNCIA!
O parceiro Guilherme Zattar levantou-se de sua mesa, bem ali no miolinho do nosso botequim, pediu para o Labica trazer um chope bem gelado e assim que ele chegou Zattar disse em alto e bom som:
“Pois é Sormani, devemos enaltecer mais nossos talentos que estão brilhando na NBA. Não querendo comparar com os irmãos Gasol, mas é muito fácil entrar em qualquer site espanhol e ver um monte de elogios para os jogadores daquele país, sempre, mesmo em atuações medianas. O “Olé” é outro que faz questão de registrar as boas atuações dos hermanos. No Brasil? Só programas e sites especializados, e ainda assim para sair um elogio só se o nosso jogador for o MVP da partida, salvo raras exceções”.
Guilherme fez esse desabafo a propósito de um comentário feito por mim ressaltando as qualidades de Anderson Varejão e Nenê. E seu discurso motivou-me a seguir no mesmo tema nesta quarta-feira.
Realmente, elogiar é uma palavra que consta no dicionário de poucas pessoas. Eu mesmo me incluo no rol desses ranzinzas de plantão em muitas ocasiões; mas não no caso dos dois pivôs brasileiros que jogam na NBA.
Sei das dificuldades que eles tiveram para chegar lá. De se adaptar a um novo país, de língua, cultura, alimentação e hábitos diferentes.
Não é fácil. Eles tiveram que matar um leão por dia para chegar onde chegaram.
No entanto, para muitos torcedores, Nenê Hilário só será reconhecido se tiver um desempenho igual ou superior ao de Dwight Howard. Anderson Varejão só terá confetes lançados em sua vasta cabeleira se jogar o mesmo ou mais do que Chris Bosh.
Se não for assim, não serve. Virá uma saraivada de críticas de todos os lados.
É oito ou oitenta. Meio termo não existe.
Meu Deus, os caras jogam na principal liga de basquete do planeta e duelam contra os maiores jogadores do mundo! E têm números muito bons, além de serem reconhecidos quase sempre nos comentários da mídia dos EUA.
Mas aqui no Brasil é diferente. Ou tem um “double-double” de média ou não serve.
O mesmo vale para a nossa seleção. Tenho lido muitas mensagens de parceiros deste blog que foram contra a troca de técnico no comando do selecionado nacional porque com Moncho Monsalve eles tinham certeza de que o Brasil brigaria por uma medalha de bronze.
Como eu disse em resposta ao Guilherme, a gente se esquece que no último Mundial o Brasil ficou em 17º. lugar. Os jogadores são praticamente os mesmos.
É possível dar um salto tão grande como esse? Decolar do 17º. lugar e aterrissar no terceiro?
Não é impossível, mas não seria mais lógico sair da rabeira e chegar a uma posição intermediária? Não seria esta a nossa realidade?
Penso que sim; o passo a ser dado seria menor e de acordo com o tamanho de nossa perna.
Respeito a opinião de todos aqui neste botequim, mas eu acho que a gente tem que ter mais os pés no chão.
RODADA
Depois de ter visitado o presidente Barack Obama, o time do Lakers pegou o Washington e sapecou o time da capital dos EUA. Foi um passeio: 115-103.
A vantagem poderia ter sido muito maior. Mas desgastar-se pra quê? A toada imprimida durante o jogo era suficiente para mais uma vitória, então foi naquele embalo mesmo.
Kobe Bryant e Pau Gasol marcaram, cada um, 26 pontos. Foram muitíssimo bem coadjuvados por Lamar Odom (15), Andrew Bynum (12) e Shannon Brown (11).
Quanto ao Wizards, já disse aqui, é de dar pena ver um craque como Antawn Jamison naquele time horroroso. Jamison fez 27 pontos e foi o cestinha do jogo.
O Charlotte, que ontem bateu o Phoenix, fora de casa, por 114-109 (OT), bem que poderia oferecer Boris Diaw e mais alguma coisa em troca de Jamison. Seria mais um filho de North Carolina no grupo e, com ele, o Cats ficaria mais forte ainda.
Mas o jogo da rodada ocorreu em Dallas. O Mavs ganhou do Milwaukee por apenas um ponto: 108-107. Mas foi por pouco, como realmente sugere o placar.
Carlito Delfino fez um partidaço. Anotou 22 pontos, seis rebotes e cinco assistências. Teve nas mãos a bola derradeira, a três segundos do final, mas não deu: bateu no aro, pulou alto, mas caiu fora.
Dirk Nowitzki (foto AP) foi o cestinha do time e da contenda com 28 pontos. Mas quase entregou a rapadura no finalzinho ao perder a bola para Luc Richard Mbah a Moute a quatro segundos do fim.
Mas craque é assim mesmo: além de bom, tem sorte.
Os outros resultados da noitada desta terça foram os seguintes: New York 132-105 Minnesota e Sacramento 99-96 Golden State.
TAR HEELS
Foi com imenso prazer que eu me desdobrei ontem à noite entre a NBA e o “college”. Reservei um olho para os profissionais, pela internet, e o outro para os universitários, que desfilaram no BandSports.
Ivan Zimmerman e Zé Neto contaram com a categoria de sempre a história de mais uma vitória de North Carolina. Desta vez diante de seu rival regional, North Carolina State: 77-63.
O jogo foi fora de casa, no RBC Center de Raleigh, capital do estado. Mesmo enfrentando uma torcida hostil (mas civilizada) e um time que joga bem dentro de casa, North Carolina conseguiu vencer.
Mas não foi fácil. Esteve todo o primeiro tempo atrás no marcador. Mas na primeira metade do segundo tempo, o time deslanchou e acabou fechando a partida.
Foi muito bom ver um monte de moleques bons de bola com a camisa azul clarinha de Carolina. O time é novo, pois muitos se formaram ou foram para a NBA, casos de Ty Lawson e Tyler Hansbrough.
AGRADECIMENTOS
Um abraço para Ricardo Diniz e Edilson, dois parceiros deste botequim que mandaram-me mensagens muito bonitas no dia de ontem. Agradeço a ambos.
Não postei os textos no blog por motivos que eles certamente hão de entender.
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2 alee Bulls 27/01/2010 18:24
Olá Sormani!!!
Concordo com tudo que foi falado sobre os brasileiros, é preciso lembrar que estamos tendo a oportunidade de ver brasileiros marcando história no esporte. Será que só vamos perceber isso qdo novamente ficarmos sem nenhum representante na maior liga de basquete do mundo?
Os 3 Rapazes são gigantes do basquete brasileiro e precisam ser reconhecidos !!
Sormani gostaria de compartilhar algo que estava observando e fiquei curioso em saber a sua opinião e dos demais parceiros :
Fábio Sormani 27/01/2010 21:22
alee
É isso aí, é por aí mesmo.
Abs.
1 Ricardo Camilo 27/01/2010 18:04
O Dallas adora emoções, já cansei de ver jogos que o time ganha por uma bola nesta temporada, isso faz com que eu fique o dia todo sonolento, assim não dá (pelo menos ganhou, qd perde, aí que o sono não vem)
Fábio Sormani 27/01/2010 21:21
Ricardo
Mas é essa a graça no esporte, não é mesmo?
Abs.