BRASIL CAMPEÃO COM BASQUETE MODERNO | Fábio Sormani

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009 NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 11:15

BRASIL CAMPEÃO COM BASQUETE MODERNO

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Não me venham com essa história de que o título não vale nada, que o que interessava mesmo era a vaga para o Mundial da Turquia. A decisão diante de Porto Rico, ontem à noite, na casa do adversário, tem um significado muito grande.

Afinal, os porto-riquenhos, diante de 10 mil fanáticos torcedores, jogaram pra valer. Buscaram a vitória do começo ao fim do jogo, pois queriam o título de qualquer maneira.

Perder em casa é vergonhoso e vexatório. Por isso os caribenhos correram feito uns loucos atrás do triunfo.

Não conseguiram.

Leandrinho e Tiago Splitter/ReutersNão conseguiram porque o Brasil jogou muito; não foi perfeito, mostrou defeitos, especialmente a falta de um jogador decisivo nos momentos cruciais da partida, mas jogou muito.

Calou o superlotado Coliseu Roberto Clemente como há muito não fazia. Até mesmo a geração de Oscar e Marcel tinha dificuldades diante dos porto-riquenhos.

Éramos invariavelmente batidos, não importava a quadra. Mesmo com Oscar e Marcel jogando, como frisei.

O Brasil tornou-se um freguês de caderneta dos caribenhos. Mas ontem a história foi diferente.

Nosso selecionado venceu uma partida que muitos não acreditavam ser possível. E não apenas por tremermos diante dos rivais (na fase de classificação Porto Rico foi o único time a bater o Brasil [86-82]), mas também porque muitos sempre tiveram um pé atrás em relação ao que viam.

Depois da única derrota na competição, algumas pessoas disseram: “Tá vendo? Foi só pegar uma seleção mais forte que perdeu”.

Perdeu, mas perdeu por um placar satisfatório (mesmo com a derrota ficou em primeiro lugar na fase de classificação). Perdeu sem contar com Leandrinho Barbosa, seu melhor jogador nesta Copa América.

O Brasil mudou; o basquete do Brasil mudou. Não vê quem não quer.

DEFESA

A defesa brasileira – isso mesmo, a defesa! – quem diria! – foi gigante em quadra. Limitou os porto-riquenhos a míseros 60 pontos, contra 82.2 pontos de média durante a competição.

Nossa zaga subtraiu nada menos do que 22.2 pontos do rival! Muita coisa. Isso foi fruto, evidentemente, da diminuição do aproveitamento do time caribenho nos seus arremessos.

Vejamos: nos nove jogos anteriores, os anfitriões tinham uma média de acerto de 53.4% nas bolas de dois pontos – ontem foi de 41.3%; nas bolas de três (o carro-chefe de Porto Rico), o percentual de bolas certas era de 40.7%; ontem foi de miseráveis 23.8%.

Não à toa, depois da partida, na coletiva de imprensa, Moncho Monsalve, nosso treinador, declarou: “A vitória não significa nada para mim, mas muito para eles, que deram tudo neste torneio com uma grande defesa, que foi nossa principal arma”.

ATAQUE

Se nossa defensiva tirou nota dez, nossa ofensiva deixou a desejar nos momentos cruciais.

Esqueça que este foi o jogo em que menos pontuamos. Isso é verdade.

Mas tem a ver com nosso novo estilo de jogo, de valorização da bola, troca de passe, aproveitamento quase total dos 24 segundos para encontrar o melhor momento para arremessar, o espaço procurado, fruto do cansaço imposto à defensiva oponente.

O que me preocupou foi que, no final do jogo, quando Porto Rico tirou uma diferença de 16 pontos e baixou-a para dois, não apareceu nenhum jogador para pegar a bola e dizer: “O jogo é meu, deem a bola para mim que eu resolvo”.

Já disse aqui que Leandrinho tem que ser para o Brasil o que Kobe Bryant é para o Lakers. Nos momentos chaves, decisivos, ele tem que resolver a parada.

Quando Leandrinho fez uma cesta dupla a 6:32 minutos do final da partida, colocando o Brasil na frente em 55-42, ele não só viu os porto-riquenhos fazerem uma corrida de 18-6, como errou todos seus tiros contra a cesta adversária.

Foram duas três bolas erradas de dois pontos e duas equivocadas de três. Ou seja: 0/5 nos arremessos finais.

Isso preocupa.

COLETIVIDADE

Brasil campeão da Copa América/ReutersÉ por essas e por outras que eu tenho dito: se não jogarmos coletivamente, estaremos perdidos. Sim, pois se formos depender da individualidade, ela simplesmente não existe.

Vejam o caso de Marcelinho Machado, cestinha do último campeonato brasileiro e defendido por muitos parceiros deste botequim: em 19 minutos em quadra (quase um tempo de jogo), arremessou apenas quatro bolas contra o aro porto-riquenho, pois não conseguiu sair da marcação adversária.

Agora vem o pior: errou todos os quatro arremessos! Saiu zerado de quadra!

Falhou em uma bola de dois pontos e em todas as três triplas arremessadas.

E mais: ao final do primeiro tempo, ao invés de deixar o cronômetro correr e arremessar no segundo derradeiro (ou mesmo morrer com a bola nas mãos), Machado precipitou-se como um juvenil (ele tem 34 anos!) e atirou uma desnecessária bola de três a cinco segundos do final.

Errou.

Pior: Larry Ayuso acertou uma cesta dupla e baixou a diferença que era de dez para oito pontos, encerrando o primeiro tempo em 36-28 para o Brasil.

Rapaziada, não é marcação contra Marcelinho. Ele não é esse jogador decisivo que alguns imaginam que ele seja. Ele é grande num campeonato pequeno.

Entre os grandes, se apequena – sempre foi assim. Isso é fato – não vê quem não quer.

Por isso mesmo defendi aqui nesse botequim a limitação de tempo dele em quadra. Nos jogos anteriores importantes, Moncho Monsalve fez isso; ontem ele pisou na bola e deixou Machado em quadra mais tempo do que deveria.

Erro e tanto do espanhol, que quase nos custou a vitória – e consequentemente o título.

DESTAQUES

O argentino Luis Scola foi eleito o MVP da Copa América; ridículo. Na minha opinião, o galardão tem que ir sempre para um jogador do time campeão.

Meu favorito, até ontem, era Anderson Varejão. Mas o capixaba, na partida decisiva, não manteve o nível.

Daria o troféu para Leandrinho Barbosa, que mesmo falhando no momento crucial, terminou a partida de ontem com 24 pontos. Isso, apesar de ter tido um aproveitamento de 1/8 nas bolas de três (12.5%).

Deixo registrado o meu protesto.

FICA!

Moncho Monsalve fica ou não fica? Como já disse aqui, vai depender da grana (ele reclama que ganha pouco; comenta-se que recebe mensalmente oito mil euros, bem abaixo do que treinadores recebem na Europa).

Ele quer mais do que isso – e merece. Mas será que dá para a CBB pagar?

Nossa entidade não nada em dinheiro. Seria preciso encontrar um parceiro para bancar financeiramente a permanência do espanhol aqui no Brasil.

Outro ponto importante: ele quer vir menos para cá. Como assim? Menos do que já vem?

Se vier menos quase não estará entre nós! Esse é um ponto que a CBB não pode abrir mão.

Sim, pois a confederação deveria entregar a Moncho todas as categorias e fazê-lo ensinar a nossos treinadores o basquete moderno.

E daria, por sugestão do Bruno Camargo, clínicas nas principais cidades brasileiras, ensinando, como disse o basquete moderno a todos. Quem sabe assim, num futuro não muito distante, nossos técnicos estariam no mesmo patamar dos demais.

Este é um ponto onde a CBB não deve abrir mão de jeito nenhum. Moncho tem que vir mais para o Brasil. Se possível, morar aqui.

Seria apenas um ano, até o Mundial da Turquia. Tempo para ele sentir a vida aqui em nosso país.

Como se vê, a situação é fácil.

Mas a entidade tem que encontrar uma solução. Carlos Nunes, o presidente, e seus parceiros, têm que botar o cérebro para funcionar.

Afinal, Moncho mostrou que é o cara.

Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , ,

69 comentários | Comentar

  1. 9 Osama_Lakers 07/09/2009 14:23

    putzgrila! Quase enfartei! O brasil deixou os caras chegarem, se esbaldarem, tirarem a vantagem (grande) de todo o jogo e ninguém (NINGUÉM!) apareceu para ser o jogador da decisão – Leandrinho bem que tentou, mas errou tanto que parecia mais fominha do que alguém tentando decidir o jogo… Mas anhamos e aí parece que tudo se apequena e qe a gente estava errado, etc e tal… conversa fiada! Precisamos de mais competições internacionais, maior tempo de entrosamento e um técnico que esteja aqui o tempo todo. Como assim, Moncho quer ficar mais tempo longe do Brasil pq sua mulher está na Espanha? Traga ela para cá, ora essa! Ele já ficou quase o ano inteiro lá nas “ôropa”, participando de clínicas e outras coisas, quando deveria estar aqui, conhecendo os jogadores e trabalhando a equipe técnica!
    Enfim, stou chovendo no molhado, pq o Sormani já disse tudo isso. Parabéns aos persistentes torcedores de basquete desse país com monocultura esportiva e vamos nos esforçar pelo Mundial! 1 abraço!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Osama_Lakers
    Ótimo comentário, mto legal mesmo.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  2. 8 Jayme 07/09/2009 14:21

    Sormani, depois que passei a comentar com um pouco mais de frequência nesse botequim discordarei de você pela primeira vez pois não acho que o prêmio de MVP deva sempre ser dado a um jogador do time campeão. Existem casos em que um jogador desequilibra, joga muito e mesmo assim não consegue carregar o time nas costas a ponto de ser campeão (O que NÃO foi o caso do Scola, diga-se de passagem). Acho que essa Copa América foi especialmente boa para Anderson Varejão, pois o mesmo provou que pode ser mais do que aquele defensor que muitas vezes fica com o “serviço sujo” em prol do coletivo, ele além de um leão na defesa, pode contribuir com significativos pontos na frente.
    Quanto ao Moncho, espero que ele fique e que a CBB pague um salário mais justo, pois a qualidade tem o seu preço, mas que ele passe mais tempo no Brasil também. Abraço

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Jayme
    Mtos pensam como vc: o MVP não deve ir necessariamente para um jogador do time campeão. Entendo este pto de vista e respeito, claro que sim. E o Varejão tb provou a mtos que é mto mais jogador do que aquele atleta que a gente no Cleveland.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  3. 7 Alexandre 07/09/2009 13:50

    Foi arrepiante! Como dissemos antes do inicio do torneio: “Que Moncho seja o responsável pela definitiva volta por cima do basquete brasileiro”, e tomara que dessa vez, seja mesmo! Uma boa campanha no Mundial (sonhar com título tb já é pedir demais né) e a vaga pra Londres 2012! Aí sim, voltaremos ao nosso lugar de respeito no basquete internacional!

    Parabéns ao Brasil (o basquete é a ÚNICA seleção brasileira q eu torço), a Moncho e a esse grupo… deu gosto de ver!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Alexandre
    Sua alegria foi a nossa. Realmente, ficamos orgulhosos com a seleção.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  4. 6 Gabriel 07/09/2009 13:19

    E aí Sormani, tudo blz?

    PARABÉNS BRASIL! AOS JOGADORES, MONCHO E COMISSÃO TÉCNICA!

    Fazia tempo q eu não vibrava tanto com uma vitória de seleção brasileira como vibrei ontem com a vitória do Brasil, na casa do adversário! Concordo com o q vc falou, o basquete do Brasil evoluiu, isto é evidente. Precisa melhorar o nível dos reservas q são muito ruins e dar um pouco menos de tempo ao Marcelinho. não entendi pq o Alex (q estava jogando bem) ficou tanto tempo fora para dar lugar ao Marcelinho. Ele é um jogador importante pela experiência, mas pouco decisivo em competições de nível internacional, como ficou provado mais uma vez ontem.
    Moncho tem q ficar! Que a CBB faça uma parceria, pague a grana q ele quer receber, compre uma casa, um carro, enfim, dê tudo o q ele precisa pra continuar como treinador aqui no Brasil. Não podemos perder essa chance de ter um treinador de nível internacional treinando as nossas categorias de base.
    Apesar desse último jogo, Varejão seria o meu MVP, com menção honrosa para o Tiago Splitter. Continuo achando ele um jogador mediano, mas nessa Copa América ele jogou muito bem.
    Valeu Brasil. Enfim , depois de muito tempo, apesar dos problemas, dá gosto e orgulho de ver uma seleção brasileira de basquete atuando em quadra.

    Abraços.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Gabriel
    Concordamos: Alex ficou mto tempo de fora para dar lugar ao Marcelinho. Gostei do seu comentário.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  5. 5 Leon Neto 07/09/2009 13:07

    Sormani:

    otimo post, vc sintetizou tudo de forma brilhante. soh acrescento que com esse banco nao da para almejar uma boa participacao no mundial e que precisamos melhorar o aproveitamento nos lances livres; jogo de garrafao sem isso fica capenga.

    um abraco.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Leon
    Com certeza, há mto caminho ainda a ser trilhado. Mas não se esqueça que temos três pivôs que não puderam ir a PR e que estarão (se Deus quiser) na Turquia: Nenê, Baby e Paulão. Qto aos lances livres… que coisa, hein! É o que eu já disse aqui nesse botequim: nossos jogadores não sabem arremessar. Veja que a maioria dos nossos pontos sai dentro do garrafão. Não temos chutes de meia e nem de longa distância. Time que trancar o garrafão e controlar os nossos pivôs vence a gente numa boa.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  6. 4 Caio - SP 07/09/2009 12:34

    Brasil realmente está com um jogo diferente, fruto de seu novo treinador.. Mais ainda assim não concordo com a falta de um outro armador de oficio, falta também um ala (3) competente, acredito sim que Tavernari mereça mais minutos em quadra, pois, pior que Machado ele não jogara! Alias, Brasil tem outros alas que podem ser testados, não entendo o Marcelinho nesse time.

    Completando… Também acho que Scola foi merecedor do titulo de MVP.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Caio
    Concordo com todas as suas observações qto a seleção brasileira.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  7. 3 Pedro 07/09/2009 12:31

    Sormani

    Como comentei anteriormente, a vitória nos encheu de orgulho e esperanças de ver o Brasil num patamar melhor do que o de anos atrás, onde nem a vontade de defender o próprio país nossos principais jogadores tinham (Leandrinho, Varejão, etc.), e essa mudança de amor à camisa e de postura da seleção em quadra (agora sim uma EQUIPE) é graças ao Moncho!!!
    Agora, concordo contigo que, se ele não puder ou quiser ficar mais tempo no Brasil pra treinar e comandar nossa Seleção até pelo menos o Mundial da Turquia, vamos ter de optar pelo melhor, que é mudar o comando da Seleção, mesmo sabendo que isso trará alguns reflexos negativos, pois o comando seria mudado. Mas pior seria se esse grupo ficasse com sem um real comando, pois vir uma vez ou outra ao país pra (tentar) treinar é uma verdadeira ilusão de que o trabalho evoluirá como esperamos.
    Falta muito ainda pra chegarmos aos bons e velhos tempos de Oscar e Cia. (talvez nunca cheguemos), mas que dá gosto de ver nosso Basquete em quadra agora (mesmo se fosse vice), isso dá! VALEU, BRASIL, VALEU, MONCHO!!!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Pedro
    Se o Moncho não ficar, temos que achar outro estrangeiro para comandar nossa seleção. Infelizmente, não temos nenhum treinador, no momento, preparado para assumir o comando. O José Neto, no futuro, deve ser esse homem.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  8. 2 Lauro Solimome 07/09/2009 11:56

    belo post Sormani…
    concordo com tudo que foi dito…
    só não concordo com vc quando vc diz que o premio de MVP tem que ser de quem ganhou a competição…
    não tem nada de ridiculo ai…
    Scola “é” e “foi” o melhor jogador desse torneio… disparado…
    premio mais do que merecido pra ele.

    de resto, tudo certo, é só comemorar!
    abraço!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Lauro
    É, acho que a palavra “ridículo” foi exagerada, mas ainda penso que o MVP tem que ser para um jogador do time campeão — mas entendo perfeitamente seu ponto de vista e sei que mtos pensam como vc.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  9. 1 paulo arvate 07/09/2009 11:32

    Sormani.

    Realmente dessa vez vc não deixou nada pra ninguem. Escreveu tudo que tinha que ser dito. Vc esta de parabens!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Paulo
    Valeu; obrigado pelo elogio.
    Abs.
    Fábio Sormani

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